3 rivalidades que transcenderam as quatro-linhas

João Ricardo PedroJunho 17, 20215min0

3 rivalidades que transcenderam as quatro-linhas

João Ricardo PedroJunho 17, 20215min0
Discussões, ataques pessoais, críticas negativas, etc geraram estas três rivalidades relembradas por João Ricardo

Algumas rivalidades ultrapassaram os contornos do aceitável, com confrontos físicos e mentais a surgirem, tendo sido imortalizados estes “duelos” (que como poderão ver até podem surgir dentro da própria equipa ou selecção) na memória do desporto mundial, e neste artigo revisitámos três que foram marcantes por tudo o que geraram.

Teddy Sheringham vs Andy Cole

Apesar de terem sido colegas no Manchester United (jogaram juntos entre os anos de 1997 e 2001) existiu uma rivalidade entre estes dois atacantes ingleses que foi mantida em segredo durante muito tempo, apesar de terem convivido em suposta harmonia na frente do ataque dos Red Devils. Enquanto as carreiras destes dois antigos internacionais ingleses iam chegando ao fim começaram a surgir alguns sinais da rivalidade de Teddy Sheringham e Andrew “Andy” Cole.

“Prefiro tomar um chá com o Neil Ruddock, que me partiu a perna em dois sítios, do que Teddy Sheringham, que é alguém que detestei durante 15 anos.” – Andy Cole

A rivalidade entre os dois começou por um gesto vulgar de Sheringham. Andy Cole em 1995 assinou pelo Manchester United e fez também a estreia nos The Three Lions nesse mesmo ano com essa estreia acontecer contra o Uruguai e Andy Cole, que era suplente, entrou para o lugar de Sheringham, iniciando-se aí o primeiro momento complexo entre os dois: o “veterano” (cinco anos de diferença entre ambos) não cumprimentou o estreante, e anos depois Andy Cole revelou que desde então nunca mais trocou uma palavra com aquele que foi seu colega no Manchester United durante 6 temporadas.

Entre outros episódios complicados ficou na história um despique em pleno relvado, na altura algo “inocente” aos olhos de todos, num dos últimos encontros da temporada 1997/1998, frente ao Bolton Wanderers. Quando os Red Devils consentiram um golo Teddy Sheringham, frustrado por só ter feito 14 golos em 40 jogos, decidiu culpar Andy Colega pelas facilidades concedidas na ajuda à defesa, iniciando uma discussão que teve de ser terminada por Roy Keane.

Coincidência, em 1998/1999 chegaria ao Teatro dos Sonhos Dwight Yorke, que formou uma parelha diabólica pelo Manchester United, impondo a Teddy Sheringham o banco de suplentes como nova realidade… ironicamente, seria da condição de suplente que o avançado de 33 anos ajudou Alex Ferguson a ganhar a FA Cup e a Liga dos Campeões em 1999. Uma das rivalidades mais complicadas de vivenciar em Inglaterra.

Olof Mellberg e Freddie Ljungberg

Ao que parece Olof Mellberg (mítico central) e Karl Fredrik Ljungberg nunca deixaram as rivalidades dos estádios ingleses entre os dois nem mesmo quando estavam na seleção da Suécia.

O primeiro desentendimento entre os dois aconteceu na preparação para o Mundial de 2002, o defesa do Aston Villa entrou de forma dura sobre o atacante do Arsenal e Ljungberg não foi de modas, respondendo com um soco na cara do defesa, seguindo-se o cenário habitual… muitos empurrões com muita a gente pelo meio a tentar separar os dois jogadores. Ambos seriam fundamentais para a sobrevivência dos suecos no grupo da morte do Campeonato do Mundo desse ano (Inglaterra, Argentina e Nigéria), tendo Ljungberg jogado com uma mialgia de esforço, aguentando as dores durante os três jgoos.

Passado 4 anos, novo Mundial e nova polémica, mais uma vez um incidente entre os dois num treino nas vésperas da preparação para o Campeonato do Mundo na Alemanha. Mas desta vez as coisas foram ainda mais longe, Ljungberg criticou pubicamente o companheiro de seleção após o empate com Trinidad e Tobago de Russell Latapy e Dwight Yorke. Entre os rumores do que terá acontecido, alguns informadores davam conta que ambos os jogadores tinham discutido no balneário e acabaram mesmo por serem separados, enquanto outros diziam que nada tinha acontecido para além de umas poucas críticas mútuas…

Freddie Ljungberg acabou por rir por último quando substituiu Mellberg como capitão de equipa após o Mundial 2006. Esta é uma das maiores rivalidades de sempre?

João Vieira Pinto e Paulinho Santos

Tudo começou num duelo entre Benfica e FC Porto que terminou em empate e com cinco expulsões, primeira mão da Supertaça em 1994, e o próprio João Pinto acabou por expulso após um carrinho sobre Paulinho Santos que lhe partiu o nariz durante o jogo.

Apesar da conduta violenta de Paulinho Santos foi lhe poupada a expulsão. No total três jogadores do Benfica expulsos e dois do FC Porto.

O clima era tenso e hostilidade entre o João Pinto e Paulinho Santos e para enterrar o machado de guerra entre os dois, o selecionador na época António Oliveira decide juntar os dois no mesmo quarto, a seleção nacional estava em preparação para o jogo contra a Letónia na qualificação para o Campeonato da Europa de 1996. Paulinho Santos e João Pinto lá concordaram em dar o assunto por encerrado e é assinado armistício pelas duas partes.

No entanto, passado alguns anos, o caldo volta a entornar e desta vez João Pinto fica com o maxilar partido após a cotovelada de Paulinho Santos, os dois pegaram-se com estalos e pontapés e recebem os dois ordem de expulsão, e João Pinto volta para o estaleiro durante alguns tempos.

A transmissão do jogo feita pela RTP e realmente a transmissão não mostrou qualquer ato violento de Paulinho Santos, e os dirigentes do FC Porto perfeitamente convictos que iam driblar a situação clamaram pela inocência de Paulinho Santos.

No entanto como a mentira tem perna curta, a agressão foi revelada por uma câmara da TVI e o médio portista acabou por levar um castigo exemplar e inédito, ficou de fora de todas as provas domésticas enquanto João Pinto estivesse ausente dos relvados. Feitas as contas foram três meses para cada um… será esta uma das maiores rivalidades do futebol português?


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter