24 Mai, 2018

Mundial de Clubes: Auckland City FC, o Domínio Kiwi da Oceania

Rui MesquitaDezembro 4, 20175min0

Mundial de Clubes: Auckland City FC, o Domínio Kiwi da Oceania

Rui MesquitaDezembro 4, 20175min0
O representante da OFC (Confederação de Futebol da Oceania) neste Mundial de Clubes é o Auckland City FC. O que esperar dos neozelandeses?

Para chegar ao Mundial de Clubes, os Auckland City venceram, na temporada passada, a Liga dos Campeões da Oceania. Embora nunca tenham ganham o Mundial, os neozelandeses são uma cara bem conhecida na competição. São o clube com mais participações na prova (9) e já levam 7 edições seguidas a participar. O melhor lugar conseguido foi um 3º lugar em 2014 mas na Oceania a equipa de Auckland é rainha.

À imagem das edições anteriores, a equipa da Oceania não chega ao Mundial com grandes favoritismos. Ainda assim, não podem ser descartados como surpresa e, pela experiência que possuem, devem ser encarados com a maior seriedade.

O espanhol Zubikarai é um dos mais experientes da equipa, incluindo uma passagem por Tondela (Foto: Record)

O caminho para o Mundial

Sendo um dos melhores clubes da Nova Zelândia, Auckland City é presença constante na Liga dos Campeões da Oceania. É também um assíduo vencedor da competição com 9 troféus (equipa com mais conquistas). Foi na última dessas conquistas (5-0 no conjunto das duas mãos sobre o Team Willington) que o Auckland City carimbou, mais uma vez, a sua presença no Mundial de Clubes.

Apesar de ter perdido o título neozelandês para o Team Willington, a Liga dos Campeões foi um passeio. Conquista só com vitórias e com o melhor futebol da prova. Um justo e incontestável vencedor, como vem sendo hábito para os homens de Auckland.

O argentino Tade promete trazer golos à equipa neozelandesa (Foto: Mundo D)

A equipa e as suas armas

A equipa do Auckland City é o espelho cristalino do futebol na Nova Zelândia. À semelhança de outros países sem uma cultura vincada no desporto e com influências britânicas, ali joga-se duro. O futebol e os executantes não são, tecnicamente, brilhantes nem tacticamente evoluídos. O jogo é notoriamente mais físico e agressivo e nisso o Auckland City é exímio. Independentemente de quem joga uma indicação é clara: querer mais do que o adversário. É nessa base que o sucesso desta equipa assenta: são os mais aguerridos e melhor preparados para o futebol que se joga na Oceania.

Numa competição mundial, com equipas superiores táctica e tecnicamente, isto não chega. Os neozelandeses são facilmente batidos por uma equipa com um pouco mais de futebol. Aliando isso a arbitragens que condicionam o seu estilo de jogo, se explica o pouco sucesso do Auckland City no Mundial de Clubes.

Apesar disso, os campeões da Oceania têm outras armas para atacar o Mundial. Com um treinador espanhol desde 2010, o clube tem apostado em valores europeus (nomeadamente espanhóis). Com isso, a qualidade da equipa cresceu e a frente de ataque é, neste momento, móvel e rápida. O contra-ataque é uma arma importante da equipa e pode funcionar contra equipas teoricamente mais fortes.

Com o jogo físico como principal arma, os Auckland City venceram novamente a OFC Champions League (Foto: aucklandcity.com)

As estrelas

Individualmente a equipa do Auckland City é a melhor na Oceania. Têm um núcleo duro de bons jogadores que podem fazer, a qualquer momento, a diferença. Esse núcleo é constituído por 4 jogadores: Enaut Zubikarai, Angel Berlanga, Emiliano Tade e Ryan De Vries.

Zubikarai é o mais experiente da equipa. Guarda-redes espanhol com passagens pela Real Sociedad e pelo Tondela, Zubikarai está habituado ao futebol europeu e às suas nuances. Para além de bons reflexos e de um excelente controlo da área, o espanhol demonstra muita qualidade com os pés, essencial no futebol moderno.

Angel Berlanga é o capitão de equipa. Um central “à moda antiga”: duro mas eficaz. É um exemplo para os jovens do clube e um dos símbolos do clube. Apesar da sua nacionalidade espanhola, Berlanga vai já na segunda passagem no Auckland City, estando presente no terceiro lugar no Mundial de Clubes de 2014.

Emiliano Tade é um goleador. O argentino foi também peça fundamental no bronze de 2014 e é, constantemente, o melhor marcador da equipa. Rápido e com uma técnica acima da média, Tade traz brilhantismo e imprevisibilidade à equipa e, claro, golos.

Por fim, Ryan De Vries. Nascido na África do Sul mas naturalizado neozelandês, De Vries é um dos favoritos dos fãs. Com 26 anos é, também ele, um goleador. O avançado é conhecido por resolver jogos, sendo presenteado com o cântico: “Give the ball to Ryan!” (Passem a bola ao Ryan). É uma esperança neozelandesa e, juntamente com Tade, promete fazer estragos no Mundial de Clubes.

De Vries é o joker da equipa e um favorito dos fãs. Pode pode vir uma surpresa neste Mundial (Foto: New Zealand Football)

Com baixas expectativas, os neozelandeses procuram ser uma surpresa como em 2014. Uma coisa podemos ter a certeza: nenhuma equipa quererá ganhar mais do que eles.

MVP: Ryan de Vries (Velocidade ao cubo e explosão delirante);
Striker: Emiliano Tade (finalizador de excelência);
Treinador: Ramon Tribulietx (o típico “aluno” da escola da Laranja Mecânica);
Porque é que entram?: Ganharam a Liga dos Campeões da Oceania 2016-2017;
Até onde vão?: quartos-de-final e perdem contra o Urawa Red Diamonds;
Pontos fracos: Pouco adaptados ao futebol mais técnico e táctico que se joga hoje
Pontos fortes: Futebol físico muito eficaz;
Primeiro jogo: vs Al Jazira dia 6 de Dezembro às 18h00 (horas portuguesas)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter