FP Tactic 101: O Rio Ave de Carvalhal analisado anatomicamente pt.2

João NegreiraDezembro 23, 20198min0

FP Tactic 101: O Rio Ave de Carvalhal analisado anatomicamente pt.2

João NegreiraDezembro 23, 20198min0
Fomos analisar o Rio Ave de Carlos Carvalhal ao pormenor! Esta é a 2ª parte com a organização ofensiva e a transição defensiva.

O seguinte artigo é o resultado de um trabalho académico, com o objetivo de construir um Modelo de Jogo, realizado para a Unidade Curricular de Modalidade Desportiva II, na Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

Método de Jogo Ofensivo: Ataque Posicional → Ataque Rápido

Sistema de Jogo Ofensivo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Organização Ofensiva:

Fase de Construção das Ações Ofensivas

Na fase de Construção de Ações Ofensivas a equipa é caracterizada pelo jogo apoiado com passes geralmente curtos.

Tudo começa no guarda redes, que tem participação ativa nesta fase. Defesas centrais ligeiramente abertos e defesas laterais em profundidade juntamente com os Médios (que atuam como intermediário das duas posições anteriormente referidas)

Com um triângulo em 1:2 com dois Médios mais projetados em diagonal e não em horizontal (médio ofensivo muito perto do avançado) e, por fim, referir o posicionamento interior dos médios ala (devido ao posicionamento dos defesas laterais) e o avançado que oferece a maior profundidade possível.

Posicionamento dos jogadores na fase de Construção de Ações Ofensivas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Construção de Ações Ofensivas para a Criação de Situações de Finalização

A equipa terá o objetivo, na transição destas duas fases, de conseguir direcionar o seu jogo para um dos médios ala. Deste modo (e com base nos posicionamentos referidos no subcapítulo anterior) a equipa apresenta várias opções:

  1. Em jogo apoiado privilegiando os passes curtos com a utilização das combinações entre médios centro e os defesas laterais, sempre levando a bola para um dos médios ala;

    Médio Centro mais recuado é fundamental nesta fase. (Foto: Arquivo Pessoal)
  2. Se o defesa central progredir com bola, até perto da linha de meio-campo, decidirá se passa a bola para o Corredor Lateral (diretamente para o médio ala) ou decide passar a bola para o avançado, que recua no terreno, que combina com o médio ala;
  3. Com bola longa, se a equipa adversária pressionar bem a nossa primeira fase, no avançado, que descai para um lado e corre nas costas da Linha Defesa adversária (esta opção é utilizada se não existir segurança em ligar com médio ala) ou no médio ala que movimenta para o Corredor Lateral (movimentação interior para exterior).
Movimentação em rutura do avançado para o espaço criado pelo médio ala. (Foto: Arquivo Pessoal)

Fase de Criação de Situações de Finalização

A Criação de Situações de Finalização maioritariamente é desenrolada nos Corredores Laterais e, se a equipa conseguir desenvolver/ jogar nestas zonas, as suas ações/ processos começam a ser mais rápidos e objetivos de forma a chegar à baliza adversária e fazer o golo o mais rápido possível (Ataque Rápido).

Assim que a bola chega aos médios ala procura-se imediatamente a baliza ou um homem mais avançado, no entanto, o comportamento dos mesmos varia consoante o pé e o Corredor onde recebem a bola.

O médio ala, com pé contrário ao Corredor onde se situa, tem as seguintes soluções:

  1. Movimentação do exterior para o interior (movimentação padrão em todas as soluções) com a opção de combinar com o apoio frontal (avançado ou médio ofensivo);
  2. Jogar com o defesa lateral do seu lado que ataca o espaço que outrora fora do médio ala com bola (overlap);
  3. Virar o centro de jogo para o médio ala contrário no caso de não existir vantagem na zona do médio ala com bola (inferioridade numérica ou melhores condições no Corredor contrário).
Comportamento do médio ala (esquerdino e no Corredor Lateral Direito) e as suas soluções (passes e movimentações representados com uma seta contínua e com uma seta a tracejado, respetivamente). (Foto: Arquivo Pessoal)

Por fim, o médio ala, com o pé igual ao Corredor Lateral onde se situa, tem as soluções:

  1. Nunca saindo do seu Corredor Lateral (ao contrário do comportamento em cima), no entanto, pode combinar com o médio ofensivo ou avançado, se os mesmos deslocarem-se para esse Corredor, de modo a chegar à linha de baliza;
  2. Pode temporizar e esperar pelo overlap do defesa lateral do seu lado;
  3. Pode apostar nas suas qualidades individuais (como o drible/ finta) de forma a chegar a zonas mais avançadas;

O mesmo conceito aplica-se, para o caso de não existir condições de progressão, no entanto, não pode ser o médio ala a virar o centro de jogo mas sim outro companheiro.

Comportamento do médio ala (destro no Corredor Lateral Direito) e as suas soluções. (Foto: Arquivo Pessoal)

De referir que nesta fase o equilíbrio defensivo é realizado essencialmente pelos dois médios centro, pelos dois defesas centrais e, por vezes, pelos dois defesas laterais porque poderá haver casos em que o defesa lateral, do lado da bola, prefere dar cobertura ofensiva enquanto o defesa lateral contrário movimenta-se para o Corredor Central posicionando-se ligeiramente mais avançado do que os defesas centrais.

Fase de Finalização

Esta fase, se equipa conseguir chegar à linha de baliza, está orientada para que haja frequentemente cruzamentos rasteiros e atrasados para a zona da marca de penálti.

Dentro da área de penálti é obrigatório existir pelo menos três jogadores para finalizar o ataque (normalmente o avançado, o médio ofensivo e o médio ala contrário ao cruzamento que aparecessem para finalizar).

Movimentações características da fase de Finalização. (Foto: Arquivo Pessoal)

Por fim, e se for o médio ala a cruzar, no bico da área de penálti encontra-se o defesa lateral do lado do cruzamento, à entrada os dois médios centro, os dois defesas laterais ligeiramente à frente da linha do meio campo enquanto o defesa lateral do lado contrário, faz de intermediário entre os médios centro e os defesas centrais posicionando-se no Corredor Lateral e, deste modo, a equipa garante o equilíbrio defensivo se perder a bola nesta fase.

Transição Defensiva:

Este momento é caracterizado pela aproximação de todos os jogadores ao portador da bola com o objetivo da rápida recuperação da posse da bola, no entanto, este comportamento pode varia ligeiramente consoante as zonas onde a equipa perde a posse de bola.

Esta ligeira diferença de comportamento está evidenciada quando a equipa perde a bola na fase de Criação de Situações de Finalização (1) ou na fase de Construção de Ações Ofensivas (2):

  1. Nesta fase, se a equipa perder a posse da bola nos Corredores Laterais, a equipa atua com o mesmo comportamento descrito em cima. No entanto, se perder a posse da bola no Corredor Central, existirá a dita aproximação que carateriza a equipa, mas mais com o intuito de temporizar e esperar que a sua equipa organize defensivamente do que propriamente recuperar logo a posse da bola;

    Comportamento quando a equipa perde a posse de bola na fase de Criação de Situações de Finalização no Corredor Central. (Foto: Arquivo Pessoal)
  2. Nesta fase, em todas as zonas do campo, o jogador que perde a posse da bola terá de ser o primeiro e talvez o único a impedir a progressão adversária com o objetivo da sua equipa se organizar rapidamente defensivamente.
Comportamento quando a equipa perde a posse de bola na fase de Construção de Ações Ofensivas. (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Trabalho realizado por: João Negreira, João Eira e Miguel Leocádio


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