Stranger Rules: Injustiça no jogo é para eliminar, seja ela qual for

Rui MesquitaOutubro 2, 20214min0

Stranger Rules: Injustiça no jogo é para eliminar, seja ela qual for

Rui MesquitaOutubro 2, 20214min0
Qual a melhor forma de corrigir uma injustiça no desporto? Regras estranhas, claro! A NHL usa 3 para se proteger, será que consegue?

O mundo do desporto está repleto de injustiças. Situações em que uma equipa ou jogador prejudica o adversário e nada lhe acontece. Isto pode acontecer por a situação ser feita sem o árbitro se aperceber ou porque não há nada nas regras do desporto que proíbam esses atos. Há muitos casos destes, em vários desportos, em que os árbitros não podem fazer nada contra uma injustiça clara. Isso leva-nos ao desporto e à regra deste artigo.

NFL e poderes ilimitados

A Liga norte-americana de futebol (de futebol americano) tem alguns problemas com regras, o seu regulamento é… problemático. Vários buracos que jogadores e treinadores conseguem explorar e algumas situações que simplesmente não estão previstas pelas regras. A melhor parte de tudo isto? A própria NFL sabe desta sua limitação e, por isso, criou regras para se proteger de si própria.

É por isso que a Liga tem uma regra que diz que nenhum jogador pode ter uma ação que seja palpavelmente injusta para o adversário. A expressão é mesmo essa: “palpably unfair”. Se a injustiça for clara e inequívoca deve ser punida, mesmo que a infração não esteja prevista no regulamento. A punição deve então ser… decidida pelo árbitro da partida. De acordo com o quê? O seu bom senso e vontade. O árbitro tem todo o poder de decisão, com uma condição: a injustiça tem de ser palpável.

Uma regra tão geral que dá liberdade para que tudo e nada aconteça. Depende de cada árbitro e de cada caso o que é… estranho.

Numa injustiça o comissário é… Deus

Esta regra tem um problema com os timings das injustiças e, claro, com a impunidade de um árbitro não assinalar essa injustiça. Claro que a forma de resolver isto, é criando outra regra vaga o suficiente para cobrir tudo o que for preciso.

A regra diz que se uma injustiça ou infração acontecer durante uma partida e altere de forma inequívoca o resultado de um jogo, o comissário da Liga pode fazer o que achar conveniente. Mandar repetir o jogo? Sim. Anular o touchdown conseguido com essa jogada e alterar o resultado final do jogo? Sim. Tudo. O comissário passa a ser Deus do jogo.

Claro que uma regra tão vaga levanta alguns problemas. Claro que uma regra pensada para anular injustiças pode levar a mais injustiças. Se uma equipa pressionar e convencer o comissário que uma derrota sua se deveu a uma injustiça extraordinária, podem alterar o resultado de um jogo.

Final do NFC Championship de 2019 (Foto: The New York Times)

Foi isso que os New Orleans Saints tentaram fazer em 2019, depois de terem perdido o jogo da final da NFC (que dá acesso à Super Bowl). O lance em questão é uma falta não assinalada pelo árbitro da partida. São situações que acontecem, ainda mais num jogo de contacto como o futebol americano. A Liga admitiu o erro, mas teve que se negar a aplicar a regra de que falamos.

O próprio regulamento tenta descartar estas situações dizendo que esta regra que permite reverter uma injustiça não pode ser usada como forma de as equipas fazerem um proteste sobre o resultado de um jogo. No fundo dizendo que a regra deve ser aplicada quando a Liga (ou o Deus Comissário) decidir e não a pedido de equipas ou fãs.

Cobrir regras com regras e mais regras

Esta história é mais um exemplo claro da complexidade de um regulamento e, em particular, do da NFL. É uma regra vaga para cobrir falta de regras. Uma regra para complementar a anterior e ir para além do jogo. E uma outra regra para proteger a segunda regra contra aquilo que as duas primeiras pretendem corrigir: injustiças.

São regras estranhas em cima de regras estranhas e isso é perfeito para esta rubrica!


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