“Cromos” com sotaque nórdico: Henrik Larsson e Ole Gunnar Solskjaer

Pedro PereiraJaneiro 6, 20204min0

“Cromos” com sotaque nórdico: Henrik Larsson e Ole Gunnar Solskjaer

Pedro PereiraJaneiro 6, 20204min0
Henrik Larsson e Ole Gunnar Larsson foram goleadores que marcaram os anos 90, tanto nas suas selecções como em clubes e a Caderneta dos Cromos relembra o perfil de ambos!

LARSSON… DREADLOCKS E GOLOS

Filho de pescador Cabo Verdiano e mãe sueca, desde cedo se habituou a ser diferente. Levemente mais escuro que os demais miúdos da sua idade que coabitavam com ele na Suécia, diz ele que sofria alguma discriminação na escola mas nunca o sentiu no desporto. Francisco Rocha, o seu pai, cedo percebeu que tinha que puxar o filho para o desporto tão bem amado pelos cabo verdianos, tentando que este não decidisse mais tarde apaixonar-se por desporto que se jogue um disco e patins ou que fosse jogado com as mãos. Aos 18 meses, ofereceu uma bola a Larsson.

Pouco tempo depois, quando o pequenote já fixava atentamente o olhar para a TV, ofereceu-lhe uma coletânea de vídeos com as melhores jogadas de Pelé, aquele que se viria a tornar o seu maior ídolo no futebol. Assim cresceu o amor pelo jogo

Passavam-se os anos e Larsson deixava crescer o amor pelo jogo na mesma proporção que deixava crescer as suas dreadlocks, aquela caraterística que se viria a tornar na sua imagem de marca. Cedo ele percebeu que aqueles cabelos compridos serviam também para os adversários o impedirem de avançar no terreno, puxando-lhe cobardemente o cabelo. Mas ele deixava-as crescer. Ele queria ser diferente.

Era diferente também por ser declaradamente mais magro e pequeno que os seus colegas de equipa suecos. Por isso mesmo, demorou a convencer os treinador da sua terra, que até aos 21 anos não lhe deram uma oportunidade na primeira divisão, apesar da imensa qualidade. Para ser justo, da sua terra e não só. Aos 18 anos, Larsson veio treinar ao Benfica para tentar seduzir Sven-Goran Eriksson mas sem sucesso. Podia ter sido jogador do Benfica, numa altura em que brilhava outro sueco na Luz, o Magnusson. Mas não foi. Voltou para a Suécia, foi trabalhar para uma distribuidora de legumes mas nunca deixou o futebol.

A persistência recompensa e aos 21 assina pelo Helsingborg para jogar ao lado de…. Magnusson. Estava escrito. E o resto é história. Na primeira época na primeira liga, o garoto faz 34 golos em 31 jogos. Jogou ainda no Feyenord, foi Rei dos Reis no Celtic, foi campeão europeu no Barcelona e ainda jogou pelos Manchester United. Pela seleção atingiu o 3o lugar num Campeonato do Mundo.

SOLSKJAER… O HOMEM DOS ÚLTIMOS MINUTOS

Diz ele que apanhou o bichinho de treinador através do Football Manager mas sentia que algo faltava naquela experiência: as relações humanas. Factor esse que Alex Ferguson privilegiava. E ele percebeu que ali em Old Trafford, com aquele plantel, com aquela equipa e essencialmente com aquele treinador, ele estava a viver algo especial nesse aspecto. Por isso mesmo, a partir do ano de 2000 ele começou a escrever um diário sobre o que Alex Ferguson lhe passava (quanto valerá um diário destes?).
Como jogador, letal era a palavra que o definia.

Apesar de uma média de golos impressionante, ele adquiriu o título de super substituto, “the Super Sub” assim lhe chamavam os adeptos do Manchester United. Tudo começou em 1999. Não, não foi na final antológica da Liga dos Campeões. Foi num jogo contra o Nottingham Forrest (com Porfírio no plantel) em que o Manchester United vencia por 4-1 aos 72 minutos. Alex Ferguson disse para ele entrar, para controlar o jogo, segurar a bola na frente. Solskjaer pensou “tá bem tá”. Entrou e em 20 minutos e espetou quatro golos. 8-1 no final.

Claro que, depois naquela mágica noite de 26 de Maio em que ele entra aos 81 minutos de jogo e faz o golo da vitória nos descontos (goosebumps) contra o Oliver Khan, eternizou a alcunha. ”

Eu sonhei tantas vezes durante a minha vida que faria um golo na final da Champions no ultimo minuto que quando aconteceu nem parecia real. Muitas pessoas vieram dizer-me que foi a melhor noite da vida deles (e para eu não contar isso à mulher deles). Conhecer-me tornou-se um grande momento para essas pessoas. Senti exactamente o mesmo quando conheci Diego Maradona em 1986. Fui até Oslo para assistir ao jogo da Noruega contra a Argentina. Quando terminou o jogo e Maradona estava a sair do campo e deu-me um aperto de mão. O melhor dia da minha vida.”


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