“Cromos” antigos: Bob Latchford e Vicente del Bosque

Pedro PereiraJulho 4, 20203min0

“Cromos” antigos: Bob Latchford e Vicente del Bosque

Pedro PereiraJulho 4, 20203min0
Ambos os jogadores foram referências nos seus clubes e deixaram saudades nas bancadas e adeptos. Fica a conhecer melhor estes "cromos" preciosos de Bob Latchford e Vicente del Bosque

Bob Latchford marcou uma era no Everton assim como Vicente del Bosque no Real Madrid, ficando para sempre na história e memória dos seus clubes e adeptos. A caderneta dos cromos recorda alguns traços da história futebolística de ambas as lendas.

BOB LATCHFORD, UM GOLEADOR COMO POUCOS EM INGLATERRA

Hoje colo um cromo raro, símbolo de uma equipa que não estará em nenhuma final: o Everton de Bob Latchford. Apesar de ter sido formado e ter-se estreado pelo Birmingham, era pelo Everton (o Merseyside Blue) que Bob era apaixonado e um fã incondicional.

A verdade é que em 1974, transfere-se para o clube amado, numa transferência que quebrou recordes de terras britânicas. Bob tinha tudo para se tornar uma referência do futebol inglês. Ponta de lança alto, perfeito para o kick and rush, excelente finalizador e muito rápido em distâncias curtas. No Everton fez história. Foi sete vezes melhor marcador da Liga Inglesa, quatro delas pelo Everton e nesses quatro anos, seguidos. Incrível.

Apesar disso, só por doze vezes foi chamado para representar a seleção inglesa. Como é possível ser sete vezes o melhor marcador em sete épocas diferentes e só ter 12 caps? Surreal. Bob diz que a federação inglesa não gostava dele. Não saberemos.

Bob foi tão marcante para os adeptos do Everton que ainda hoje é recordado. Até Steve McManaman se lembrava dele. McManaman também é adepto do Everton mas jogou pelos rivais, o Liverpool. Ainda assim, sempre que McManaman marcava um golo de cabeça nos treinos do Liverpool ele gritava alto e em bom som “LATCHFOOOOORD”. Em pleno clube rival, relembrar um jogador adversário.  É arriscado por parte do Steve mas é uma forma brilhante de honrar uma das maiores figuras do Everton. Bob jogou até 1987 com um saldo de 231 golos. Muita fruta.

VICENTE DEL BOSQUE, UM SENHOR MERENGUE

Nascido na zona de Castilla e León, mais concretamente em Salamanca, foi lá que o amor pelo jogo se iniciou. Com uma Espanha ressacada da Guerra Civil que a assombrou, os anos 60 transpiravam pobreza mas também liberdade. Como qualquer menino espanhol daquela altura, era na rua que se passava o tempo. Del Bosque não era excepção. No Barrio del Garrido, onde cresceu, os dias eram com e para os amigos e uma amiga, a bola. Diz ele que foi nas ruas que percebeu que era distinto com a bola nos pés. Percebeu também que não poderia viver mais sem o futebol: “eu passava o dia na rua a jogar futebol. Se estava sozinho, jogava sozinho; se estávamos três, jogávamos também e se fôssemos 30, fazíamos 15 para 15. Da minha infância lembro-me disso. E de ser muito feliz”.

O pai estava ligado ao clube de Salamanca , o Salmantino. Era um dos sócios mais antigos e não perdia um único jogo. Rapidamente percebeu que tinha de levar o filhote para aqueles campos, e assim foi. O primeiro emblema de Del Bosque foi o da sua terra, porém, aos 17 anos uma oportunidade surgiu: jogar no Real Madrid.

Lá foi o jovem para a capital, à procura de conquistar os seus sonhos. Não sabendo ele que 50 anos depois teria uma estátua em sua honra, bem ali, naquela cidade onde deu os primeiros passos como amante do futebol. Médio possante e guerreiro, fez praticamente a sua carreira inteira no maior clube da capital espanhola, o Real Madrid. Ao todo, foram 445 jogos vestido de blanco, o suficiente para o tornar um símbolo eterno do clube. Em 1987, o Real Madrid convidou Del Bosque para iniciar a sua carreia como treinador na equipa B do clube. O resto é história.


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