18 Jun, 2018

Onde é que anda o flop: Javier Balboa, o Rocky da Luz

João NegreiraMaio 11, 20185min0

Onde é que anda o flop: Javier Balboa, o Rocky da Luz

João NegreiraMaio 11, 20185min0
Chegado do Real Madrid, Javier Balboa vinha "para ser campeão" e triunfar no Benfica. Com tanto alarido à sua volta, por chegar de uma equipa de galáticos, o extremo acabou por não comprovar o seu verdadeiro valor e ser considerado um flop.

Javier Balboa chega ao Benfica proveniente de uma das melhores equipas do Mundo, o Real Madrid. Rodeado de estrelas mundiais e, consequentemente, sem espaço no plantel madrileno, o equato-guineense, nascido em Madrid, muda de ares e avança para a sua primeira experiência fora de Espanha. Com 24 anos e com toda uma carreira pela frente, a oportunidade nos encarnados era ótima para lançar-se pela Europa, mas não foi isso que aconteceu. Acompanhem-nos nesta viagem pela carreira de Javier Balboa.

Quem é e quem foi no Benfica?

Javier Ángel Balboa Osa foi um dos prodígios da formação do Real Madrid, no início do século. Foi sempre muito assíduo nas camadas jovens e considerava-se que estava pronto para dar o salto. Em 2005/2006, com 21 anos, chega à equipa principal onde realiza 4 jogos; foi pouco, mas partilhar o balneário com todas aquelas estrelas deve ter sido fenomenal.

Na época seguinte é emprestado ao Racing Santander, onde participa em 31 partidas e marca 1 golo. Volta para os merengues, aqui já com 23 anos, jogando apenas 57 minutos, divididos em 11 partidas. Pouco para alguém, em quem o clube espanhol depositava algumas esperanças, mas é aqui o ponto de viragem de Balboa.

Quique Flores, que já o tinha orientado na formação madrilena, chega na época 2008/2009 às águias e um dos pedidos é Javier Balboa. Num negócio que envolveu 4 milhões de euros – quantia alta para um clube português – o extremo chega para mostrar serviço e provar porque é que no passado tinha sido tão elogiado.

Apesar disso, nunca se afirmou completamente. Bem pelo contrário. Chegou ao final da época com 18 jogos realizados, nenhum deles completo e apenas 1 no onze inicial – nota para o facto de ter sido substituído na 1ª parte desse encontro. No final, contabilizou 344 minutos, divididos entre 153 na Liga, 37 na Taça da Liga, 110 na Taça UEFA e 44 na Taça de Portugal.

Javier Balboa era munido de uma rapidez incrível, conseguia chegar à linha com bastante facilidade e cruzar e assistir para os colegas; os seus melhores momentos são em jogadas destas. Mas nem Quique, nem os dirigentes encarnados ficaram convencidos com as valências do guinéu-equatoriano, que, pelos vistos, eram menos do que as desvantagens.

De mencionar que o jogador reclamou que o timoneiro não acreditou nele e que foram as escassas oportunidades que o “tramaram”. O mesmo chega a referi-lo numa entrevista: “Não sou eu que decido a equipa, não me podia pôr no onze. E depois não tinha confiança nenhuma do treinador. Não fui inscrito e treinava à parte. É muito duro.”.

Posto isto, de referir que Balboa mantém-se apenas 1 temporada nas águias, sendo, na época seguinte, emprestado ao Cartagena.

Javier Balboa num treino pelo SL Benfica. (Foto: Negócios do Futebol)

Depois do Benfica, experimentou de tudo um pouco

Porque quantidade não é sinónimo de qualidade, os vários clubes que Balboa já representou não significam que este seja um bom jogador, muito pelo contrário. Ao mudar tantas vezes de clube em tão poucos anos, só mostra que a entidade, neste caso o clube, não está satisfeito com o seu desempenho, ou que ele não se consegue estabilizar num clube, o que é mau.

Ora vejamos as passagens de Javier Balboa, depois das águias.

Como já dito anteriormente, é emprestado ao Cartagena, contabilizando 11 partidas. Seguidamente é novamente emprestado, mas desta feita ao Albacete com 7 partidas realizadas.

E com tudo isto já estamos no verão de 2011 e Balboa já tinha 26 anos. A tão falada promessa do Real Madrid tardava (e não era pouco) em afirmar-se. Em outros artigos de “flop” como o de Freddy Adu ou o de Urreta, pudemos perceber que os jogadores ao voltarem a jogar no seu país de origem seriam mais felizes e era aí que mostravam o seu verdadeiro potencial. Porém, depois dos empréstimos já mencionados, o extremo não conseguiu impor-se.

Seguem-se 4 anos em Portugal, mas em clubes inferiores. Foram 2 anos no Beira-Mar e outros 2 no Estoril. O equato-guineense participou num total de 54 jogos pelos aurinegros e faturou 9 vezes. A sua carreira parecia finalmente entrar nos eixos, até porque dá um passo em frente na carreira e passa a representar o clube da Linha.

Pelos canarinhos somou 55 jogos e marcou por 6 vezes, mas não se consegue estabilizar e ser uma referência. A custo zero, segue para o Al-Faisaly da Arábia Saudita, onde se mantém por 1 temporada e marca 8 golos em 24 encontros.

Sai do clube e em setembro entra para a equipa do Al Hoceima, de Marrocos, de onde sai… 3 meses depois. No final de janeiro segue para a Grécia, para o Trikala, onde se mantém até o final da época transata. No último mercado de verão, é contratado pelo Al-Mesaimeer, do Qatar, onde… até hoje ainda não realizou qualquer minuto pela equipa.

Quanto tudo apontava para um futuro brilhante, o paradigma mudou e a sua carreira foi tudo menos um exemplo de uma promessa. Ainda o vimos a renascer, em Portugal, mas as escolhas que fez não lhe ajudaram desportivamente, sendo que a partir daí foi como uma “bola de neve”, cada vez pior.

Balboa com as cores do Al-Faisaly FC. (Foto: Twitter)

Em mais um artigo de “flop”, olhámos para mais um jogador que prometia com a sua rapidez e técnica, mas que não deu em nada. Primeiramente, talvez por culpa da falta de oportunidades, mas depois, certamente, pelas más escolhas que fez para a sua carreira desportiva.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter