5 dos treinadores mais sobrevalorizados da atualidade

Pedro AfonsoMaio 5, 20187min0

5 dos treinadores mais sobrevalorizados da atualidade

Pedro AfonsoMaio 5, 20187min0
Ano novo, novo treinador "fetiche" para o Mundo do Futebol. Olhando para os últimos anos, o Fair Play reune 5 jogadores tidos como génios do Desporto e que parecem ficar sempre aquém das expectativas.

Todos anos um novo treinador é tido como o novo Mourinho ou o novo Guardiola, encantando com um novo modelo de jogo ou uma nova abordagem à Imprensa, alimentando as esperanças de quem está cansado de ver os mesmos treinadores há anos no topo do Mundo.

Contudo, nem tudo o que brilha é ouro e muitas vezes o latão consegue enganar um número suficiente de pessoas, tanto adeptos como “entendidos”, e alimentar mitos e expectativas desmedidas. O Fair Play traz hoje 5 dos treinadores mais sobrevalorizados da atualidade. O critério de escolha prende-se com vários parâmetros: desde salário, passando pelo número de títulos conquistados e acabando no calibre das equipas treinadas.

Rafa Benítez (Newcastle United)

Que não haja dúvida: Benítez foi um enorme treinador… há 10 anos atrás. O Futebol muda e Rafa Benítez parece ter sido incapaz de mudar com ele. 15 títulos no palmarés, incluindo 1 Champions League, 2 Ligas Europa, 1 Supertaça Europeia e 2 Ligas Espanholas tornam Rafa Benítez num dos treinadores mais bem sucedidos da atualidade.

A sua carreira nos últimos 10 anos devia ser caso de estudo (Fonte: Reuters)

Contudo, será necessário mencionar que, desde 2010, Benítez apenas foi capaz de ganhar 1 Liga Europa, 2 Taças de Itália e 2 Supertaças Italianas, muito pouco para os clubes que orientou (Inter, Chelsea, Napóles, Real Madrid e Newcastle). Na terceira época ao comando do Newcastle, e após ter assegurado a subida à Premier League na época passada e a manutenção esta época, Benítez parece ter encontrado um clube adequado à sua capacidade e que não espera do espanhol nada que ele não possa trazer.

Não deixa de ser misterioso olhar para a carreira de Benítez e tentar perceber como foi capaz de obter o cargo no Chelsea em 2012/2013 e no Real Madrid em 2015/2016. Tirando os seus primeiros anos em Valencia e em Liverpool, Benítez nunca foi capaz de montar uma equipa entusiasmante e a sua postura contribuiu para a imagem de um treinador carrancudo e sem grande poder de adaptação.

Marcelo Bielsa (Sem Clube)

“El Loco” Bielsa é um caso de estudo no futebol mundial. As suas teorias futebolísticas e a forma ousada como coloca as suas equipas a jogar levam ao êxtase qualquer adepto amante de um futebol de ataque e do “jogo pelo jogo”. No entanto, será justo dizer que Bielsa nunca fez nada para merecer tanto culto por parte dos adeptos futebolísticos.

Bielsa nunca foi capaz de ganhar um único título na Europa, sendo que todos os títulos conquistados foram obtidos ou na Argentina ou com a Seleção Argentina, fazendo lembrar o mito de que jogadores italianos apenas rendem no seu país natal.

Uma imagem comum em Bielsa (Fonte: ESPN)

O seu maior sucesso veio ao serviço da Seleção do Chile em 2010, conquistando 20 vitórias em 33 jogos e garantindo-lhe um contrato com o Athletic, onde esteve duas épocas de relativo sucesso. A sua experiência em Marselha não lhe correu de feição e a passagem pelo Lille esta época ficou manchada por um despedimento por indisciplina.

Aos 62 anos, parece claro que Bielsa não terá futuro no futebol europeu. O seu modelo de jogo influenciou treinadores como Sampaoli e Berizzo, mas “El Loco” nunca foi capaz de domar o seu espírito para se tornar um timoneiro de confiança.

Paco Jémez (Las Palmas)

O treinador espanhol pode ser desconhecido para o adepto mais distraído. Contudo, a sua passagem pelo Rayo Vallecano foi recebida com muito entusiasmo pelos adeptos que procuravam, à semelhança daqueles que idolatram Bielsa, um estilo de jogo de ataque total.

As suas 4 épocas ao serviço do Rayo (entre 2012/2013 e 2015/2016) foram pródigas em golos, principalmente sofridos. O seu modelo de jogo era, sem dúvida, interessante e com princípios atrativos. No entanto, a sua desordem defensiva foi responsável por alguns resultados verdadeiramente humilhantes.

Apenas a falta de cabelo o aproxima de Guardiola (Fonte: O Jogo)

Regressou este ano ao Las Palmas, após uma experiência falhada no México, ao serviço do Cruz Azul, tendo apenas sido capaz de obter 2 vitórias em 20 jogos. Aliás, Paco Jémez nunca foi capaz de manter um rácio de vitórias superior a 50%, com excepção da sua passagem pelo Cartagena em 2008/2009. Acima de tudo, a sua postura arrogante contribuiu (e muito) para um endeusamento precoce.

Vincenzo Montella (Sem Clube)

O antigo avançado italiano foi, sem dúvida, um belíssimo jogador. Contudo, passadas 7 épocas como treinador ao mais alto nível, continua sem se afirmar como uma opção viável no panorama futebolístico mundial.

Com apenas uma Supertaça de Itália conquistada, Montella pareceu sempre ficar aquém das expectativas e das suas possibilidades. 3 épocas interessantes na Fiorentina não foram capazes de lhe conferir o passe para um clube superior, tendo passado a época de 2015/2016 ao serviço da Sampdoria, com apenas 6 vitórias em 27 jogos. A sua passagem pelo AC Milan foi turbulenta e, dado o contexto de uma equipa completamente renovada e com expectativas de vencer títulos no imediato, o despedimento após 19 vitórias em 41 jogos parecia natural. O que não parecia natural era que Gattuso, um treinador pouco mais que medíocre, fosse capaz de unir a equipa e obter resultados melhores que os de Vincenzo.

Será Montella capaz de se reerguer? (Fonte: Tribuna.com)

A contratação por parte do Sevilla parecia ter tudo para correr bem: um clube ambicioso, consolidado, com objetivos acessíveis e um plantel soberbo. A sua campanha europeia foi interessante, mas os jogos na La Liga atiraram o Sevilla para fora da zona de classificação para as competições europeias e as apenas 11 vitórias em 28 jogos levaram ao seu despedimento. Uma época para esquecer para o italiano.

Jorge Jesus (Sporting CP)

O técnico de 63 anos é um belíssimo treinador, que não haja dúvidas disso. A sua passagem pelo SL Benfica levou a campanhas europeias memoráveis, um número de títulos interessante e, acima de tudo, um futebol como há muito não se via no Benfica e, até, em Portugal.

A sua saída para o Sporting CP vem acompanhada de um salário verdadeiramente estratosférico e ao nível dos treinadores mais pagos do Mundo. No entanto, os últimos 3 anos de Sporting CP foram parcos em títulos e pródigos em controvérsia.

Resistirá Jorge Jesus a dois terceiros lugares consecutivos? (Fonte: SOL)

Com excepção da primeira época, onde apenas foi suplantado por um super-Benfica, o futebol da equipa do “Mestre da Tática” nunca foi capaz de entusiasmar e nem os títulos podem defender a sua estadia no clube de Alvalade. Investimentos brutais, sem precedentes no clube leonino, apenas contribuíram para 1 Supertaça e 1 Taça CTT, até ao momento. Se o Sporting CP perder o derby lisboeta, será o segundo terceiro lugar em dois anos e a pergunta terá de ser respondida: valerá o amadorense os 5/6M de euros por época?


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