22 Mai, 2018

Gonçalo Ribeiro. “Espero um dia voltar a representar Portugal”

Nelson GalhofoNovembro 3, 20178min0

Gonçalo Ribeiro. “Espero um dia voltar a representar Portugal”

Nelson GalhofoNovembro 3, 20178min0
Gonçalo Ribeiro, ex-jogador do Benfica, falou com o Fair Play sobre a sua nova experiência em França ao serviço do Pontault Combault. Entrevista exclusiva
Como começou esta tua paixão pela modalidade?

GR. Acho que a minha paixão pelo andebol não foi imediata, pois não comecei por decisão própria mas sim porque o meu professor de educação física falou com os meus pais e lhes deu a entender que tinha algumas qualidades interessantes para ingressar na modalidade, comecei no Sporting aos 5 anos aos poucos e poucos comecei a apaixonar me pelas regras, pelo ambiente nos pavilhões e pelo ambiente dos balneários, tudo junto parece que se torna contagiante e fica difícil imaginar neste momento a minha vida sem o andebol.

A época de 16/17 começou mal para ti uma vez que não ficaste no plantel do Benfica, o não teres ficado a representar os vermelhos foi opção?

GR. Na época 16/17, eu já sabia de antemão que não iria jogar pelo plantel principal do Benfica, pois estive perto de ingressar no Madeira Andebol S.A.D. e onde após algumas contrapartidas acabei por ficar no C.F. ” Os Belenenses”.

Acima de tudo, apesar da decisão final ser do Sport Lisboa e Benfica também em parte foi uma decisão minha, pois sabia que para poder crescer e me tornar no jogador que ambicionava tinha que jogar com regularidade.

Após a saída do Benfica, foste representar um dos clubes mais históricos e talvez emblemáticos da cidade de Lisboa, o Belenenses, essa transição mesmo já tendo na tua formação representado o Belenenses foi fácil?

GR. Nunca é fácil, uma transferência representa sempre uma mudança, mudança de hábitos, de rotinas, de condições.

No entanto todos os meus colegas e treinadores tornaram esta suposta ” difícil mudança ” em algo interessante, desafiante e familiar pois como foi referido na questão representar o Belenenses na minha formação, fez-me sentir como se estivesse em casa e como se naquele momento pertencesse ao clube que já tinha representado anteriormente.

Achas que teres saído do Belenenses para o Benfica ainda na tua formação como jogador foi positivo? Mesmo tendo o Sporting também “atrás de ti”? O que te levou a não representares o clube do teu coração?

GR. No fim da minha etapa na formação no Belenenses, tinha algumas opções, não desminto que o Sporting tenha sido uma delas.

Naquele momento avaliei todas as escolhas possíveis e tentei decidir sobre a que me poderia ajudar a evoluir mais e melhor, naquele momento a escolha foi fácil, o Benfica apresentava-me todas as condições de trabalho que eu ambicionava, fiz a pré-época com a equipa principal ainda com o Professor Jorge Rito no comando técnico, onde sabia que para além de jogar na equipa de juvenis e juniores poderia também treinar duas ou três vezes por semana na equipa principal do Benfica, onde naquele momento na minha posição jogava o Carlos Carneiro que cresci a vê-lo jogar e o Tiago Pereira que era uma promessa confirmada.

Pessoalmente penso que sempre que tomamos uma decisão, é a melhor decisão possível e apesar de tudo o resultado é sempre positivo, absorvemos e aprendemos e tentamos ser melhores jogadores.

Que balanço fazes da época de 16/17 a nível colectivo e individual? Foi uma época positiva?

GR. Penso que a nível coletivo apesar do bom espírito de balneário que conseguimos atingir, poderíamos ter atingido algo mais na classificação, tanto eu como os meus colegas do ano passado sabíamos disso, no entanto fizemos exibições fantásticas, e todos crescemos imenso como jogadores.

A nível individual a época a meu ver foi bastante interessante, pois apesar de estar à espera de jogar regularmente nunca pensei fazer tantos minutos e golos como fiz a época passada.

No final a experiência foi muito positiva porque crescemos todos individualmente, como grupo e seres humanos, pois quando olho para o panorama geral todos evoluíram e todos contribuíram para o sucesso que tivemos.

És neste momento jogador de Seleção Nacional já com lugar cativo. Que sentimento tiveste na primeira chamada à Seleção Nacional?

GR. Não sei se podemos afirmar que seja jogador com lugar cativo, prefiro pensar que trabalho todos os dias para merecer esse lugar na Seleção Nacional da minha geração.

A sensação na primeira chamada a Seleção é um misto de sensações, algo que não consigo explicar por palavras, se tiver que tentar explicar diria que é uma espécie de sonho em representar as cores Nacionais e que se mistura com a força de vontade e o trabalho feito durante o ano. 

Alguma vez enquanto jogador de formação ou até mesmo já como jogador profissional pensaste em desistir? Nem mesmo quando tiveste a lesão que te afastou do Mundial?

GR. Ser afastado do Mundial por lesão foi sem dúvida algo devastaste, pois desde que comecei os trabalhos nas Seleções Nacionais, o meu sonho sempre foi fazer parte de algo maior, de uma competição grande.

O Desistir é certamente uma palavra muito forte para o que pensei em determinados momentos, talvez a palavra mais correta fosse abrandar! Pensei em abrandar pois ser operado ao joelho aos 18 anos não foi fácil, mas algo dentro de mim sempre me disse para lutar e ser forte e não amolecer, pois o que eu queria estava á distância de puro sacrifício e trabalho.

Na época de 16/17 voltaste a ser nomeado para o Prémio de Revelação, após teres assinado pelo Pontault-Combault Handball para a época de 17/18 deixaste de estar nomeado … A que se deve esta situação?

GR. Para ser sincero não percebi bem como tudo se procedeu desde a votação á própria Gala, no entanto penso que o prémio foi bastante bem atribuído onde o vencedor Francisco Tavares um grande jogador mas acima de tudo um grande amigo meu, foi merecedor de tal prémio.

Gonçalo Ribeiro no “ar” (Foto: Arquivo do Atleta)

Quando foste transferido para o Belenenses ainda mantinhas um vínculo contratual com o Benfica, agora estando a representar o Pontault, ainda manténs algum vínculo com as Águias?

GR. Apesar de algum sentimento de tristeza de nunca ter conseguido representar a equipa principal do Benfica, a minha ligação contratual acabou, por opção do clube.

Ainda tinha mais dois anos de contrato, mas após algumas conversações o clube cedeu esses dois anos a título definitivo ao Pontault Combault.

Como foi um jovem como tu de apenas 20 anos deixar toda a sua vida, pais, amigos em Portugal para seguir atrás de um sonho?

Se a mudança do Benfica para o Belenenses não foi fácil, esta ainda mais difícil foi.

A mudança de país foi sem dúvida a decisão mais difícil que tive de tomar a nível desportivo, mas tal como muitas outras mudanças e outras decisões que tomamos na nossa vida, foi uma decisão necessária, é claro que é duro deixar família e amigos em Portugal, mas eu penso que a possibilidade de realizar um sonho compensa tudo isso.

Apesar dos 20 anos que tenho, sinto que com as minhas experiências profissionais cresci e amadureci muito o que me deu alguma bagagem para embarcar numa viagem rumo a um sonho.

Como foi jogar na Copa Francesa contra uma equipa como o PSG e contra jogadores como o Karabatić? Foi um sonho tornado realidade ou foi somente mais um jogo?

Um sonho seria jogar na mesma equipa que eles, jogar contra eles foi sim uma experiência bastante positiva, poder sentir e ver mais de perto a qualidade de certos jogadores que há 5 meses só poderia ver na televisão é algo bastante gratificante.

Quais são as tuas expectativas para esta época no Pontault-Combault Handball a nível individual e colectivo? E na Seleção Nacional qual é a tua expectativa?

As minhas expectativas está época a nível do clube são de crescer o mais possível, adaptar-me a esta realidade que é a Proligue um campeonato muito mais competitivo que a 1ª divisão Portuguesa, e cada vez ser mais importante na equipa.

Em relação à Seleção Nacional, penso que tudo a seu tempo, espero um dia voltar a representar o país, mas neste momento estou focado no que que tenho de fazer para conseguir melhorar logo não penso muito nisso.

Foto: Grézy Christians Fotografia


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