À Conversa com a Surf Family Ribeiro

Palex FerreiraOutubro 2, 202012min0

À Conversa com a Surf Family Ribeiro

Palex FerreiraOutubro 2, 202012min0
Uma família com uma ligação ao surf total é entrevistada por Palex Ferreira para falar da paixão, dedicação e vontade de se envolverem com as ondas e mar! A família Ribeiro chega ao Fair Play em exclusivo

Esta semana vamos descobrir os planos e as histórias da Família Ribeiro para os próximos anos e começamos com o “mais velho”. O pai, um dos clássicos da Praia Nova nos anos 80 e 90 com grandes prestações em campeonatos, falamos de Jó Ribeiro, Jorge Ribeiro.

Quantos anos de surf?

38 anos!

Como descobriste o Surf?

Quando tinha cerca de 11 anos tive a sorte da minha mãe comprar um apt nas Torres, mesmo em frente (100m) da famosa direita do “Bexiga”. Comecei pela prancha de esferovite e colchão “Repimpa”, a apanhar umas ondas deitado e de joelhos. Daí até ao surf foi “um tirinho”. Estar num 11º andar com vista para aquele mar imenso era inevitável a paixão pelas ondas…

Quais os melhores resultados na tua vida enquanto competidor de surf?

Na verdade na minha altura não havia nem de perto nem de longe a quantidade de provas que há hoje. Ao início eram poucas as provas na Caparica e a nível nacional. Mais tarde a nível nacional com o “AveiroSurf”, o “Speedy” na Póvoa do Varzim, entre outros a nível nacional e os Campeonatos Regionais do Caparica Surfing Clube (CSC), a “coisa” começou a mexer. Sem dúvida o meu melhor resultado nacional foi em 1988 no AveiroSurf (nesse ano com 2 campeonatos em simultâneo) em que fiz 3º lugar no AveiroSurf, 2º Lugar no outro campeonato “Troféu Gresso Bambino” e fui Taça Revelação desses mesmos campeonatos. O “Troféu Gresso Bambino” dava como prémio uma viagem à República da Irlanda para o 1º e 2º Lugar, para disputar um Campeonato de comemoração dos 20 anos da Federação Irlandesa de Surf onde iam participar 9 equipas da Europa. Ora, apesar da nossa equipa ter apenas 3 elementos (Tiago Oliveira e eu como séniores e o Giló como júnior) e não 5, conseguimos a taça de 4º Lugar por equipas, tendo eu e o Oliveira ficado em 5º lugar dos séniores. Um 5º lugar no Samadi 88 e ainda em 1988, 9º lugar em provas como: Ribacal 88, Visage 88, Motoguerra 88, foram algumas das classificações de relevo em provas na Caparica. Em 1989 venci o 1º campeonato de Surf do concelho de Sesimbra o “Goca-Safari- Bicas” disputado na Praia das Bicas. Quanto a provas do CSC andei sempre no Top10 (com 5ºs e 9ºs lugares entre 1990 e 91). Tive o privilégio de ter sido convidado para 2 dos 3 únicos campeonatos de Ondas Grandes nos Coxos, Ericeira (em 1990 e 91 onde até um Termo de Responsabilidade assinado e reconhecido pelo notário em como te responsabilizavas pela tua vida, tinhas de apresentar) e apesar do 2º não ter acabado fiquei em 9º lugar, sendo que o 3º nem foi à água por falta de ondas grandes. Em 1990 acabei em 26º lugar no primeiro circuito Nacional de Surf.

Como era o surf nessa altura?

O surf e sua cultura, na minha humilde opinião, eram bem diferentes nessa altura! Num artigo publicado pelo meu amigo Tiago Oliveira na Revista SurfPortugal Nº15 em 1991 com o título “Do outro lado da Ponte”, descreve o que viveram a geração anterior à minha e a minha. Quem ainda se lembra dessa revista ou a tem (como eu), poderá encontrar aí (para além de uma sequência minha na direita do “Bexiga” em pleno campeonato – risos), uma ideia do que “era o surf nessa altura” a qual partilho. Disfrutar do prazer de “correr uma boa onda”, matinais e fins de tarde sem crowd, aproximação com o mar e a natureza, procurar novos picos desde S. João da Caparica até à praia das Bicas (ou pelo país), conversas com os amigos sobre surfadas memoráveis, dias grandes, off-shores, glasses, surftrips pelo país e fora dele (França em 1987, Irlanda em 1988 e Hawaii em 1988, algumas de outras tantas bem aproveitadas!)… foram vividos por mim e pelos meus companheiros de surf tão intensamente… ainda para mais na adolescência e início da idade adulta, que ficaria aqui a descrever sem fim…

Fala-nos de como era as tuas pranchas no inicio, que diferenças tinham em relação às de agora, onde o mercado cresceu e ficou mais “fácil” de encontrar material.

Comecei em 1982 com a prancha nº13 da Semente e fato Aleeda a condizer ehehe. A prancha era uma 6´3” single fin, round pin, larga e grossa (ainda não se falava muito no volume). Depois, comecei a evoluir e passei para as tri fins, mais pequenas, reativas mas o peso da prancha e a qualidade dos materiais ainda não tinham evoluído muito. Até que aparecem as pranchas de esferovite com resina epoxy em finais dos anos 80. Aí, para mim, mudou uma das características mais determinantes, ou seja, o peso da prancha. Acho que em termos de qualidade do material só mais tarde se verificou a grande evolução. Em meados dos anos 90, andávamos com pranchas bem maiores que hoje em dia, quilhas fixas, grandes rockers, etç… Hoje em dia tudo evoluiu: tempo de espera para se ter uma prancha, shape para todos os gostos e tipos de onda, máquinas de shape, qualidade dos materiais, know how dos shapers, quilhas fixas vs quilhas para qualquer tipo de mar e substituíveis, etç… Os preços das pranchas também subiram muito em relação à minha altura, mas com tudo o que se passou neste mercado era inevitável… mesmo assim, ainda vejo valores fora do razoável em relação a qualidade/ preço.

Quem foram os teus patrocinadores?

Fui patrocinado pelos fatos da Waterline entre finais dos anos 80 e início dos anos 90. Entre apoio e patrocínios de pranchas tive as “Alva surfboards” (esferovite) do meu mate Cali (pai do Diogo Appleton) responsável por uma grande evolução do meu surf e não só, as pranchas do João Fortuna e do Pinóquio “Carcavelos”, as “New Power” do Alex e as “Hard Blank” do Paulo, que me lembre ehehe!!!

A família reunida (foto arquivo pessoal de 2015)

Guilherme Ribeiro

Anos de Surf?

14 anos.

Como sentes em ser filho de um surfista?

Sempre foi aquela “pica” desde muito pequeno vêr o “velhote” a pegar na prancha e ir apanhar umas ondas (muitas na cabeça), sempre foi um grande impulso e uma grande vontade para mim fazer algo parecido! Mas melhor claro, ahahah…

Como interpretas o surf do teu pai atualmente, sabemos que é o teu treinador e mentor, mas vocês surfam muitas vezes juntos, fala-nos dessas surfadas em família?

Hoje em dia ele já tem mais dificuldade a idade não perdoa e reflecte-se na performance do seu surf. Mas há uns dias especiais que ele ainda se diverte muito. Especialmente com boas ondas, pouco crowd (só nós os três) ou com amigos, em certos picos mais vazios, mas que nós sabemos quando estão bons!

Patrocínios/ apoios?

O´Neill Europe, Mattashapes, Fonte Viva, Creatures of Leisure, Future Fins, Sex Wax e Caparicaperformance.

Objetivos para os próximos anos?

O meu projeto é um projeto de vida e combinou até agora entre escola e surf. Acabei agora o 12º ano, candidatei-me à Universidade mas vou tentar entrar e congelar a matrícula (“just in case” para um dia mais tarde, quem sabe…). Agora tenciono dedicar-me só ao surf e tentar fazer tudo para correr os WQS e entrar para o WCT. Não sei o que me reserva… sei apenas que é muito difícil, vou ter de trabalhar muito, mas vou estar exclusivamente dedicado ao surf, algo que não aconteceu até agora. Uma coisa é certa sem tentar nunca vou saber se poderei lá chegar! Gostava de fazer surftrips a locais de boas ondas que ainda não fui como as ilhas Mentawai. Vamos ver no que é que a questão do Covid19 dá, pois também tem de entrar em conta…

O que é para ti o surf?

É o que mais gosto de fazer na vida. Adoro quando o mar está bom e a partir de certo tamanho é aquela adrenalina!!!

As dicas enquanto treinador e pai ao Tomás Ribeiro (Foto: César Lopes)

Tomás Ribeiro

Anos de Surf?

15 anos.

Como sentes em ser filho de um surfista?

A nossa família sempre viveu perto do mar e desde pequeno o via ir surfar as ondas das praias onde moramos, o que acabou por ser uma grande influência para mim.

Como interpretas o surf do teu pai atualmente, sabemos que é o teu treinador e mentor, mas vocês surfam muitas vezes juntos, fala-nos dessas surfadas em família?

Está meio enferrujado mas vai-se safando!!!

Patrocínios/ apoios?

Nenhum neste momento. O tio Matta da Mattashapes faz-me uns preços especiais nas pranchas.

Objetivos para os próximos anos?

O meu projeto que também é um projeto de vida, passa mais pelo curso que estou a frequentar na Universidade, ir fazendo a Liga MEO e algumas provas regionais com boas ondas! Também gostaria de fazer algumas surftrips para surfar ondas diferentes e com outras qualidades, assim permita esta chatice do Covid19.

O que é para ti o surf?

Diversão no mar e nas ondas e o contacto com a natureza e amigos, são aspectos fantásticos!!!

A Família Ribeiro é composta por 3 surfistas e a mãe (que não surfa), e respiram surf em todos os aspetos, como é a vida de surfistas em família?

O surf cá em casa sempre foi vivido intensamente! A mãe sempre participou imenso, ora a filmar ora a dar incentivo para que o Tomás e o Guilherme se divertissem e alcançassem os seus objetivos. Como o Guilherme compete mais, vibramos muito com a transmissão de certos campeonatos quando ocorrem, em especial pela seleção, Pro juniores e QS. Quem escolhe o pico para a surfada? Depende muito onde e o que vamos querer surfar.

Se vamos treinar ou se vamos apenas divertir e fazer freesurf. Praticamente não existe uma regra de quem decide qual o local ou o pico para o surf!!!

Obrigado pela oportunidade!!! Um grande ALOHA e “Keep on Surfing”
Jó Ribeiro, Oldschool surfer da Caparica na Praia Nova, no Bexiga! Foto: Arquivo Pessoal)

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