Arquivo de Argentina - Página 2 de 3 - Fair Play

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Diogo AlvesAgosto 11, 20178min0

Está prestes a ter inicio mais um campeonato argentino e, como não podia deixar de ser, o Fair-Play fará uma antevisão a preceito. Um campeonato que conta com algumas novidades. Além do regresso do Chacharita Juniors sete anos depois, há também o regresso do clube de Juan Román Riquelme e Diego Armando Maradona: Argentino Juniors. A Primera División agora terá a designação de Superliga, e, passará a contar com menos duas equipas. Passam das 30 equipas para 28. A redução será ano após ano até voltar a ter 20 equipas no máximo. Esta época também não haverá a jornada especial, aquela onde só havia os superclássicos; Boca vs River este ano só se jogará por uma ocasião. Uma liga recheada de talento individual e colectivo que está quase a começar e promete uma luta renhida entre os dois gigantes de Buenos Aires.

Boca Juniors e River Plate: Os crónicos candidatos ao título

O Boca Juniors reforçou-se muito bem para defender com unhas e dentes o campeonato conquistado em 2017. Os xeneize não terão durante uma grande parte da época azáfama da Libertadores (nem Sul-Americana), o que poderá ajudar – e muito – a ganhar vantagem sobre os rivais mais directos (River Plate à cabeça do pelotão).

Sem perdas significativas no plantel, Schelotto poderá assim somar os reforços que chegaram a uma equipa já muito bem oleada e com a máquina muito bem afinada. Os reforços mais sonantes vieram do México (exactamente como há 1 ano com Benedetto), com a vinda do defesa-central Pablo Goltz (América) e do médio-ofensivo Edwin Cardona (Monterrey) que vestirá a mítica camisola 10.

Os novos reforços do Boca Juniors [Foto:tn.com]
Vindo do Uruguai Nahitan Nández é o substituto de Ricardo Centurión, que envolto em polémica, acabou por não ficar no Bairro da Ribera. Para dar ainda mais potência ofensiva, chegou vindo do Villarreal, o extremo Cristian Espinoza por empréstimo de uma temporada.

O River Plate procura o tão almejado título, e, nesta próxima temporada tentará recuperar a hegemonia do futebol argentino. Naquela que poderá ser a última época de Gallardo, os milionários reforçaram-se a preceito para atacar campeonato e Libertadores.

Perderam o avançado Driussi para o Zenit, uma baixa de peso, mas, conseguiram – para já – segurar o extremo Pity Martínez que é muito pretendido na Europa (apontado a Sporting CP). Da Europa chegou o reforço com mais hierarquia do plantel, Enzo Pérez, o ex-Benfica conseguiu desvincular-se do Valência e somar-se assim ao plantel do River.

Enzo Pérez já às ordens de Marcelo Gallardo [foto: riverplate.com]

Também do velho-continente chegou Germán Lux, guarda-redes há muito desejado em Nuñez. Internamente contrataram Javier Pinola (Rosário Central) e Ignacio Scocco ao Newell’s Old Boys, jogadores experientes e de qualidade. O reforço mais jovem acaba por ser Santos Borré que chega emprestado pelo Atlético de Madrid. Maioritariamente o River Plate reforçou-se com jogadores experientes, conseguindo assim uma mescla entre juventude e experiência no seu plantel.

O trio perseguidor…

Estudiantes, Racing e San Lorenzo poderão desafiar o poderio dos gigantes de Buenos Aires. O conjunto Pincha agora orientada por Gustavo Matosas terminou em 3º na época anterior e promete dar luta para a nova época, tendo mantido grande parte do plantel, para já Foyth e Ascacibar vão começar a época no Ciudad La Plata. As incorporações do veterano Mariano Pavone e de Gastón Fernández ajudarão a garantir mais qualidade e profundidade ao elenco platense.

O Racing Avellaneda garantiu bastante estabilidade com a entrada de Darío Conca a meio da época passada. O último treinador campeão por La Academia poderá agora ter uma época inteira ao serviço do clube, e, assim preparar melhor a formação de Lisándro Lopez para o campeonato. A perda de Acuña foi colmatada com a entrada do virtuoso Andrés Ibarguen, o colombiano ex-Atlético Nacional. Egídio Arevalo Ríos e Augusto Solarí são outros dois reforços do conjunto azul y blanco.

Em Almagro o San Lorenzo não terminou bem a época, tendo findado em 7º, contudo será sempre uma das equipas a ter em conta. Perderam o seu capitão Nestor Ortigoza, mas voltaram a contar nos seus quadros com o defesa-central Gonzalo Rodríguez que vem da Fiorentina. Diego Aguirre mantém-se no cargo e o objectivo é voltar a colocar o San Lorenzo de novo na rota os títulos, algo que já foge desde 2014.

Gonzalo Rodriguez regressa à “casa-mãe” [Foto: diariopopular.com.ar]

Equipas com futebol de autor

Independiente de Avellaneda e o Lanús são as equipas que praticam o futebol mais atractivo e entusiasmante da Argentina. Com a chegada de Ariel Holan, os rojo y blanco, melhoraram substancialmente e conseguiram terminar a época num honroso 6º lugar e por muito pouco (2 pontos) que não acabavam em 4º lugar que lhes valia a Libertadores. Já o Lanús, que continua com Jorge Alimirón terminou no 8º lugar e evidentemente perdeu o estatuto de campeão para o Boca.

Para esta época o Independiente reforçou-se com um dos meninos bonitos de Holan dos tempos do Defensa Y Justicia, um grande guerreiro, Jonas Gutiérrez. O jogador que lutou contra o cancro há um par de anos, revitalizou-se e está de novo na alta-roda do futebol aos 34 anos. Além do ex-Defensa Y Justicia, chegou ainda Fernando Amoriebieta, o defesa-central basco vem dar outra segurança ao sector defensivo – que pode perder Tagliafico – e chegou também Gastón Silva, central italo-uruguaio de 23 anos vindo do Torino. Por fim, chegou Nicola Domingo, ex-River. Jogadores experientes e com passagens pelo velho continente. Plantel que ainda conta com os virtuosos Barco (18 anos, somente), Emiliago Rigoni e Martín Benítez que dinamitaram a frente de ataque no último campeonato.

[Foto: independiente.com]

Já o antigo campeão, o Lanús, não sofreu ainda qualquer alteração de relevo no plantel. Continuam em forma na Copa dos Libertadores – apurados para os Quartos-de-final – e a praticar um futebol harmonioso, vistoso e de muita organização. Espera-se ainda um ataque ao mercado agora que conseguiram o tão almejado apuramento para os 8 melhores da Libertadores.

O regresso do Argentinos Jrs. e do Chacarita Juniors

O Argentinos Juniors, clube que viu nascer Diego Armando Maradona, está de regresso ao escalão máximo do futebol argentino. Liderados por Gabriel Heinze, o antigo jogador argentino conseguiu montar um bom plantel, e, acima de tudo deu-lhes uma identidade e personalidade. Dominaram a Primera B e foram algo de rasgadíssimos elogios por toda a crítica desportiva especializada no país. Um futebol harmonioso, de toque, privilegiar a bola e alegre. 25 Vitórias, 13 empates e seis derrotas, terminando com 88 pontos em 46 jornadas, mais onze que o 2º classificado.

Para a nova época, o Argentinos perderam o seu timoneiro. El Gringo Heinze já avisou a navegação que não irá continuar ao serviço do clube. Assumindo agora Alfredo Berti os destinos do clube. Para já, chegou ao clube Leonardo Pisculichi vindo do Vitória da Bahia. O médio-ofensivo de 33 anos está de regresso ao futebol argentino onde brilhou ao serviço do River Plate.

O Chacarita Juniors acompanhou o Argentinos até a Primera División. O 2º classificado da Primera B conseguiu a promoção numa das últimas jornadas, acabando o campeonato com mais dois pontos que o Guillermo Brown, o 3º classificado.

Sete anos depois o pequeno clube dos arredores de Buenos Aires está de regresso ao escalão principal do futebol argentino. Uma autêntica odisseia pelo que este clube passou nos últimos anos. Felizmente para o emblema El Funebrero, e seus apoiantes estão de regresso ao convívio entre os grandes. German Ré e Diego Rivero são os jogadores com mais destaque do plantel, o defesa alinhou durante vários anos no Estudiantes e no Newell’s Old Boys, enquanto Diego Rivero – médio – teve passagens pelo Pachuca, Cruz Azul, San Lorenzo, Boca e está agora de regresso ao clube de formação. Walter Coyette é o timoneiro da subida e permanecerá ao leme do clube tentando que o pequeno clube se mantenha no convívio entre os grandes durante as próximas épocas.

Para finalizar, um compacto dos 30 melhores golos do último campeonato.

 

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Diogo AlvesAgosto 7, 20174min0

Produto da formação do Vélez Sarsfield, Gino Peruzzi é, actualmente, lateral direito do Boca Juniors e um dos bons valores actuar no mercado sul-americano. Não sendo um wonderkid, é um jogador de (apenas) 25 anos e num estado de maturação bom para voltar à Europa onde já actuou ao serviço o Catania Calcio. Acompanhe este artigo, feito em parceria com a Talent Spy, para conhecer este jogador que, em breve, poderá figurar no velho continente.

Gino Peruzzi fez parte das categorias base do Vélez Sarsfield, e foi lá onde nasceu para o mundo do futebol. O lateral-direito estreou-se na equipa principal na época de 2010/11 com apenas 18 anos de idade. O jovem jogador na altura realizou apenas 2 jogos e ambos vindo do banco de suplentes.

Uma subida ascendente e metódico até que afirmou-se com exactidão no onze titular do clube de Buenos Aires. Em 2012/13 foi quando deu o boom na sua performance e também a época onde o brilho na Primera División valeu-lhe o bilhete para jogar em Itália. Nomeadamente no Catania Calcio, onde esteve duas épocas. A descida à Serie B do clube italiano precipitou a sua saída e o regresso ao campeonato argentino, agora, para defender as cores amarelas e azuis do Boca. Onde já está há 3 épocas.

Somente com 25 anos é já um jogador que pode gabar-se de ter alguns títulos na sua vitrine. Foi campeão argentino por cinco ocasiões entre 2010/11 e 2016/17. Três das quais pelo Vélez e duas ao serviço do Boca. Ao serviço dos bosteros também já arrecadou uma Taça da Argentina.

[Foto: Soccerway.com]

Lateral com bastante propensão ofensiva e com bastante chegada ao último terço ofensivo. Sem bola (e em ataque) posiciona-se como fosse um extremo, garantindo amplitude e profundidade ao corredor direito, permitindo que o extremo pise terrenos interiores se assim o quiser. Estando o extremo mais perto de zonas exteriores, Peruzzi não se incorpora por dentro, opta por realizar um overlap sobre o extremo dando uma linha de passe vertical ao portador da bola. Com bola opta por um estilo mais pausado e de passe, ligando muitas vezes com os médios que estão em zonas interiores. Não é propriamente um jogador tecnicamente forte, e, tendo adversários pela frente, opta pelo passe e não pelo drible.

Defensivamente é um jogador que prime pela segurança e não pelo risco, realizando muita contenção em duelos defensivos. Garante cobertura ao lateral do seu lado quando bola está do lado contrário, fechando bem por dentro e optando por uma marcação zonal e não ao homem. Com bola no seu corredor, opta por uma maior contenção em 1×1. Por vezes exagera nessa contenção, o que permite que o portador da bola tenha tempo e espaço para decidir. Não sendo um jogador agressivo, opta pelo bom posicionamento para realizar os devidos desarmes. Revela uma boa colocação nos apoios defensivos.

Boa opção para…

Sporting CP: Sabendo-se da procura que o Sporting tem feito por um novo lateral direito, Peruzzi poderia ser uma boa opção para Jorge Jesus. Só Piccini não chega, e Schelotto já é carta fora do barulho. Os leões têm alguns argentinos no plantel e isso favoreceria a sua adaptação, além do mais, residualmente poderia formar a dupla de laterais da época passada do Boca. Peruzzi e Jonathan Silva.

SL Benfica: Os encarnados estão em busca do substituto perfeito (se é que o há) para colmatar a venda de Nélson Semedo. Sabendo que o antigo lateral dava uma enorme projecção ao corredor direito, com Peruzzi o Benfica também teria um jogador da mesma espécie, ainda que, com menos capacidade técnica para os duelos de 1×1 ou 1×2 no último terço ofensivo. Em suma, seria um bom reforço e não fica em nada a dever a Douglas que tem sido apontado às águias.

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Diogo AlvesJulho 25, 20175min0

A nova direcção da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) está a operar uma autêntica renovação e mudança de paradigma dentro da selecção Argentina. Mudança que começou com a nomeação de Jorge Sampaoli como técnico principal, e, já estendeu-se às camadas jovens. Desde os Sub-13 até aos Sub-20.

Chiqui Tapia, o novo presidente da Afa – eleito em Março – tem trabalhado de forma empenhada para melhorar todo o “edifício” do futebol argentino. Desde as selecções maiores até as selecções de base.

Começou por rescindir com Edgardo Bauza (treinador contratado pela administração anterior) por maus resultados e por também entender que a Argentina necessitava de outro perfil para treinador principal. A escolha recaiu em Jorge Sampaoli. Treinador que ao serviço do Chile venceu uma Copa América em 2015, curiosamente contra a Argentina de Messi.

Deslocou-se a Sevilla para convencer o rosarino aceitar a sua proposta e a convencer os directores do clube andaluz abdicar dele. Não foi preciso muito para convencer o treinador, uma vez que o seu sonho era o de ser eleito seleccionador nacional. Foi preciso alguma paciência com os directores do Sevilla, mas as negociações chegaram a bom porto. No final do dia todos saíram contentes. O Sevilla contratou “Toto” Berizzo para novo treinador (um treinador argentino de grande qualidade) e a Afa tinha assim o seu eleito preferencial.

O início da Era Sampaoli

Sampaoli trouxe consigo todos os adjuntos e analistas – onde se inclui o mediático Matías Manna –, mas teve de abdicar do seu “irmão” do futebol, Juanma Lillo, que seguiu para outras paragens. Nomeadamente para o Atlético Nacional da Colômbia. Para suprimir essa ausência, Jorge Sampaoli voltou a chamar o jovem e ambicioso Sebastián Beccacece que era o seu braço direito há longos anos, excepto na aventura em Sevilla, porque esteve a treinar o Universida do Chile e o Defensa Y Justicia (onde se manteve até final da época).

Jorge Sampaoli começou logo pelas mudanças mais técnicas e tácticas na selecção. Chamou jogadores de um perfil mais adequado às suas ideias, onde destaca-se a convocatória de Guido Rodriguez, Leandro Paredes, Joaquin Correa, Lanzini e “Papu” Gómez. Recuperou o ostracizado Mauro Icardi e o ausente “Toto” Salvio. Além dos habituais como Messi, Dybala, Aguero, Higuain, Dí Maria, entre outros. Agora, há uma aposta em jogadores de um cariz mais criativo e ofensivo.

Uma mudança também verificada nas vitórias diante do Brasil (1-0) e da Singapura (6-0) onde viu-se uma selecção com traços diferentes e mais à imagem de Sampaoli. Conceptualmente ainda há um longo trabalho a fazer, mas já há princípios sampaolistas nesta nova era.

[Foto: Scoopnest.com] O primeiro “onze” de Jorge Sampaoli. Em cima: Maidana, Mercado, Otamendi e Romero; Em baixo: Messi, Dí Maria, Dybala, Higuain, Jorge Luís Gomez, Biglia e Banega.

Novo ciclo

A chegada de Jorge Sampaoli abriu um novo ciclo em toda a estrutura desportiva da Afa. Desde a selecção A até aos Sub-13 houve mudanças no corpo técnico das selecções.

A era de Carlos Úbeda à frente da selecção de Sub-20 chegou ao fim depois do fracasso que foi o último Mundial da categoria. Com uma selecção com bons nomes próprios, a selecção das pampas não conseguiu passar o seu grupo e só venceu na última jornada (5-0) a frágil Guiné Conacri. Para suceder a Carlos Úbeda, o elegido – por Jorge Sampaoli, em concordância com Chiqui Tapia – foi o próprio adjunto de Sampaoli, o também argentino, Sebastián Becaccece. Assim as ligações entre selecção A e Sub-20 ficarão mais limpas e com uma maior e melhor interacção entre os seleccionadores. Jorge Sampaoli, inclusive, marcou presença no mini-estágio dos Sub-20 que realizaram há poucos dias na Cidade Desportiva de Ezeiza.

Com a batuta das selecções jovens ficou Hermes Desio. Também rosarino como Sampaoli, é um ex-jogador de futebol e alinhou em clubes como o Independiente na Argentina e em Espanha teve passagens pelo Celta de Vigo, Salamanca e Deportivo Alavés. Desio actualmente era o coordenador das camadas jovens do Estudiantes La Plata, terá agora o mesmo cargo mas ao serviço do seu país coordenando todas as categorias base das selecções argentinas.

Nos Sub-17 a escolha recaiu sobre “Payaso” Aimar, o ex-jogador de River Plate e Benfica, foi o escolhido para orientar os Sub-17 que é o último patamar antes de incorporarem o futebol sénior. O ex-jogador há alguns meses que andava a formar-se para ser treinador, pensou-se até que seria adjunto de Eduardo Coudet no Xolos Tijuana por ter estagiado com ele nos últimos tempos. Aimar tem como inspirações Marcelo Bielsa (um histórico na Argentina) e o flamejante e nosso conhecido Jorge Jesus. Como adjunto terá Carlos Desio e Enrique Cesana.

Na categoria de Sub-15 o novo timoneiro é o ex-jogador Diego Placente, enquanto os Sub-13 terão Alejandro Sagesse. A escolha foi sobretudo em ex-jogadores como Aimar e Placente para seleccionadores e ter um coordenador também ele com experiência de campo. As bases estão montadas e os alicerces parecem ser seguros e com bons valores, futebolísticos e humanos, o trabalho para melhorar o futebol argentino começa agora e os frutos a serem colhidos têm de ser ainda amadurecidos e permitir que haja tempo para chegar a bom porto.

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Diogo AlvesJulho 17, 20173min0

Santiago Ascacíbar de apenas 20 anos é um dos nomes que mais se destacaram nas duas últimas épocas. O pequeno jovem subiu à equipa sénior do Estudiantes em 2016, somente com 18 anos, e, agarrou o lugar na equipa principal. Este médio-defensivo é apelidado como o novo Mascherano, mas de quem tem recebido muitas lições é do seu presiente, Brujita Verón. Sabe tudo sobre este jogador argentino com ajuda da Talent Spy.

Formado nas categorias base do Estudiantes La Plata, Ascacíbar é visto como uma das grandes referências por todos os escalões por onde passou. O argentino formou-se no clube Pincha e é tido como uma das grandes promessas do clube. Capitão em várias escalões jovens, a sua qualidade aliada a uma grande determinação e resiliência levaram a que, em 2016, com apenas 18 anos de idade, fosse lançado por Gabriel Milito na equipa principal.

Desde a sua estreia até aos dias de hoje, Ascacíbar não mais baixou de escalão. Manteve-se na equipa principal, e, ganhou o seu espaço entre os maiores. Assumiu a titularidade e aos poucos como líder num meio-campo que contava com a experiência do veterano Israel Damonte.

É já uma das peças fundamentais no meio-campo da selecção Argentina de Sub-20. Esteve presente no Sul-Americano (em Fevereiro) e mais recentemente no Mundial de Sub-20. A sua primeira grande competição internacional foi os Jogos Olímpicos de 2016, onde defrontou Portugal na fase de grupos.

[Foto: soccerway.com]
El Ruso apresenta-se como um médio de características defensivas, actuando como 6 num sistema táctico de apenas um médio de contenção, e pode também jogar com um companheiro ao lado num esquema de 4x2x3x1, por exemplo. Em duplo-pivô.

Agressivo com e sem bola, boa capacidade de desarme e de intercepção. Utiliza bastante a antecipação (como efeito surpresa) para roubar bola ao adversário, seja em terrenos do rival ou em meio-campo próprio. Muito intenso em todos os momentos de jogo, mesmo sendo um jogador de baixa estatura – apenas 1,70cm – não sai fragilizado nos duelos físicos. Capacidade de choque e de pressionar alto.

Nota-se ainda alguma falta de criatividade do ponto de vista ofensivo e posicionalmente ainda comete alguns erros de leitura. Terá de tornar-se num jogador mais fixo se quiser fazer carreira a 6 numa grande equipa europeia. Compensa com a velocidade de deslocamento e com a facilidade que tem em desarmar os adversários.

Boa opção para…

Atlético de Madrid – É um jogador muito à imagem de Diego Simeone, e, seguramente que encaixaria muito bem no meio-campo colchonero. A capacidade de desarme aliada à velocidade e grande intensidade no seu jogo, seriam muito empregues no jogo do Atlético de Madrid.

Sporting CP – Tem-se falado imenso na saída e William Carvalho e dúvidas há se Petrovic poderá ser, ou não ser, a opção de Jorge Jesus para 6 e suplantar a saída do internacional português. O Sporting mostra-se atento ao mercado argentino e Ascacíbar seria mais uma contratação com atestado de qualidade. Certamente que iria dar um salto qualitativo com Jorge Jesus. A única entrave, seria a sua baixa estatura de 1,70cm, Jorge Jesus gosta mais de jogadores fisicamente mais poderosos.

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Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

Classificação Final

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Diogo AlvesJunho 17, 20175min0

Entre o mês de fim de campeonato e de reinício de treinos, Junho é a altura de “todos os sonhos” para os adeptos: quem será a nova estrela, um “diamante” por lapidar ou uma lenda que pode assinar por um dos ditos Grandes portugueses. Três jogadores da Primera Divisón Argentina que podem ingressar no FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP.

Argentina continua a ser um viveiro de futebolistas, lá nascem os ‘pibes’ que mais tarde poderão triunfar no continente europeu. Todos têm ambição de seguir as pisadas de ídolos como Mário Kempes, Maradona, Lionel Messi ou Juan Román Riquelme. O campeonato português continua a ser uma porta aberta para a entrada de jogadores vindos da Primera Divisón, e os exemplos de sucesso multiplicaram-se na última década. Por Portugal já passaram os espampanantes Caniggia e Osvaldo, os goleadores Acosta e Lisandro, e, os mágicos Aimar, Lucho e Gaitán.

JOSÉ LUIS GÓMEZ

Posição: Lateral-Direito

Idade: 23

Nacionalidade: Argentino

Clube: Lanús

Valor de Mercado: 5,00M€

Natural do norte da cidade de Santiago del Estero, José Luis Gomez é um produto da famosíssima escola do Racing de Avellaneda, “La Academia”, uma das formações mais prestigiadas da Argentina. O Cafú santigueño mudou-se para o Lanús e tem crescido imenso com esta experiência no clube de Buenos Aires. A boa época ao serviço do campeão argentino já valeu a chamada por Jorge Sampaoli à selecção.

Jogador bastante energético e com uma velocidade estonteante. É um lateral moderno com uma enorme propensão ofensiva e pensa como um extremo. A resistência é um dos seus pontos fortes, farta-se de correr para cima e para baixo ao longo do corredor direito, e, utiliza a sua boa capacidade física tanto para atacar como para defender.

Garante sempre bastante amplitude e profundidade ao longo da faixa e oferece bastante ao processo ofensivo, tem chegada a zonas de finalização e evidencia uma boa capacidade de passe ou cruzamento. Na fase defensiva utiliza bastante a antecipação para roubar a bola ao adversário ainda em zonas adiantadas do terreno. Concentrado e contundente a defender, ainda assim é um dos pontos débeis e vindo para a Europa poderia melhorar esse aspecto.

Os três grandes, ao que tudo indicia, poderão estar à procura de mais um lateral direito para os seus plantéis, por diferentes razões. José Luis Gómez seria uma boa contratação.

EMILIANO RIGONI

Posição: Extremo-Direito / Extremo-Esquerdo

Idade: 24

Nacionalidade: Argentina

Clube: Independiente

Valor de Mercado: 4,50M€

Emiliano Rigoni é um dos valores mais emergentes do campeonato argentino e que já desperta cobiça na Europa. Recentemente foi apontado ao Sport Lisboa e Benfica. Natural de Colonia Caroya, província de Córdoba. Um viveiro de grandes jogadores. Foi no clube local, o Belgrano que deu nas vistas e mereceu atenção especial do Independiente que o contratou em 2015 numa transferência a rondar o 1,55M€.

Tem sido um dos grandes destaques do Independiente, predominantemente joga como extremo-direito, onde se sente como peixe na água, mas, também deriva bastantes vezes para o corredor central e pontualmente actua como extremo-esquerdo. As diagonais a invadir zonas interiores (vindo de zonas exteriores) são uma das imagens de marca.

É ambidestro, mas utiliza mais o pé-esquerdo. Capacidade de drible bastante acima da média, rápido e um bom batedor de bolas paradas. Jogador muito criativo que utiliza as diagonais para muitas vezes arriscar com passes em ruptura entre central e lateral adversário. Esta época já apontou 10 golos, para um extremo é um número bastante bom.

Certamente que caberia em qualquer plantel dos grandes.

LAUTARO MARTÍNEZ

Posição: Avançado

Idade: 19

Nacionalidade: Argentina

Clube: Racing

Valor de Mercado: 2,50M€

Mais uma pérola que sai de “La Academia” e já ingressou na equipa principal do Racing. Companheiro de Lisandro López e Gustavo Bou, o avançado de somente 19 anos é apontado como o próximo Gabriel Batistuta, mas, quem ele admira mesmo é o ex-FC Porto, Radamel Falcao.

Apontado aos “Dragões” no decorrer do Mundial de Sub-20, o artilheiro do Racing bem pode dizer que, foi o primeiro jogador a ser expulso pelo vídeo-árbitro numa grande competição. Essa medalha já ninguém lhe tira. Apesar do desempenho pouco efectivo da Argentina no Mundial – não passaram a fase de grupos – o goleador ainda conseguiu fazer o gosto ao pé por duas ocasiões.

Grande capacidade de trabalho e uma grande entrega ao jogo, é um ponta de lança que vive dentro da área e procura enganar os defesas com movimentações rápidas aparecendo vindo do “nada”. A sua boa antecipação e leitura do jogo são um ponto a ter em conta, além da qualidade técnica q.b e uma capacidade de remate muito bom, seja de primeira (já marcou belos golos) ou de forma mais trabalhada. No jogo aéreo também mostra qualidades.

Certamente que seria uma contratação a ter em conta pelo FC Porto que viu André Silva ser vendido há dias, mas para Sporting e Benfica seria um óptimo backup aos seus goleadores.

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Diogo AlvesMaio 5, 20177min0

O Boca Juniors habituou-nos a lançar todos os anos novas promessas para o futebol argentino. ‘Pibes’ como se diz na Argentina. No passado domingo dia 30 de Abril, no duelo contra o Arsenal de Sarandí, La Bombonera ficou a conhecer um novo canterano bostero: Gonzalo Maroni. Apenas 18 anos e com uma estreia digna de estrela.

Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, e, a história do pequeno pibe Gonzalo Maroni, nascido e criado no Instituto – de onde saiu Paulo Dybala – começa com a lesão de Ricky Centurión. O enganche do Boca atravessava um dos melhores momentos da sua carreira, sendo uma das figuras de proa do líder da Primera Divisón.

Maior protagonismo ganhou com a saída de Tévez, o técnico Guillermo Barros Schelotto elegeu-o para suprimir a falta de um criativo no terço ofensivo. Infelizmente para o jogador e para a sua equipa, sofreu uma lesão nos ligamentos do joelho esquerdo, e, em princípio estará de baixa cerca de dois meses.

A aposta não caiu logo no pibe argentino, o jovem ainda teve de esperar dois jogos até à estreia com o Arsenal de Sarandí. Com o Patronato aposta foi em Nazareno Solís e diante do Atlético Rafaela coube a Franco Zuqui assumir a posição que outrora fora de Riquelme e Tévez. Nenhum dos jogadores convenceu, e para piorar, os resultados em ambos os jogos foram maus para o Boca, dois empates que deixaram o Boca somente com 3 pontos de distância para o Newell’s.

A hora de Gonzalo Maroni

Foi no passado domingo, dia 30 de Abril, que o jovem de apenas 18 anos fez a sua estreia como titular na equipa principal do Boca. Diante do Arsenal de Sarandí coube ao pibe assumir a posição de médio criativo. As comparações com Riquelme apareceram num ápice, logo pela posição em que jogam e pela estreia ter sido muito semelhante. Ambos estrearam-se com 18 anos e assinaram uma exibição de luxo com direito a golo.

Gonzalo Maroni deixou logo a sua marca aos 45’ minutos, recebeu a bola e passou a bola por cima da cabeça do primeiro que lhe apareceu à frente com um sombrero e logo de seguida fez um caño (túnel) sobre o segundo opositor que lhe apareceu à frente. Deixou logo todos em polvorosa na La Bombonera a quem assistia pela TV. Já antes tinha dado sinais positivos, sempre que recebia a bola procurava atacar a baliza adversária e não tinha receio de assumir o jogo.

O melhor ficou guardado para a segunda parte. À passagem do minuto 60’ o momento mais aguardado pelo jovem jogador, o golo na estreia. Tal e qual como Riquelme. Aproveitou muito bem um alívio pouco eficaz de um defensor do Arsenal e de primeira desferiu um remate cheio de intenção para o fundo das redes. Nove minutos depois saiu do relvado debaixo de uma enorme ovação e ficou a sensação que o miúdo agarrou o lugar para o resto da temporada.

Afinal quem é Gonzalo Maroni

O médio é natural de Córdoba e desde muito cedo que revelou predicados. Apresentou-se ao mundo do futebol num torneio infantil, e, como é normal nestas idades, o pequeno Maroni demonstrou estar mais à frente dos restantes companheiros de equipa. Somava golos atrás de golos e driblava os adversários com facilidade e sempre com vista em chegar à baliza adversária.

Do torneio infantil passou para um clube a sério, o Instituto de Córdoba. Influência da sua família que são todos adeptos do clube que lançou Mário Kempes, Osvaldo Ardilles e mais recentemente Paulo Dybala. Foi ao serviço do seu clube – é sócio desde os 3 anos de idade – que ganhou o apelido de “Maravilha” e rapidamente foi comparado ao ex-jogador do SL Benfica, Pablo Aimar.

As boas exibições do “Maravilha” despertavam a atenção dos grandes clubes e bem antes de aparecer o Boca, já o Belgrano e o San Lorenzo haviam tentado a sua contratação. Porém, sem êxito. O sonho da família e do jovem jogador era de só sair do Instituto depois da estreia pela equipa principal. E assim foi, aos 16 anos subiu ao escalão sénior pela mão de Héctor Rivoira e estreou-se a 11 de Agosto de 2015 na vitória sobre o Atlético Tucumán. Nesse ano ainda jogou mais quatro partidas a contar para o Nacional B: Guillermo Brown de Puerto Madry, Santamarina de Tandil, Chacarita e Guaraní Antonio Franco.

As boas exibições suscitaram o interesse de vários clubes, mas foi o Boca quem convenceu o Instituto e ao próprio jogador – que guarda mágoa de não ter jogado mais pelo clube do seu coração – a mudar-se para Buenos Aires para representar o clube azul y oro.

Tem em Paulo Dybala a sua maior referência, e prometeu que num próximo golo iria imitar o festejo da máscara que a “Joya” da Juventus faz sempre que marca um golo. Em 2016 numa partida de solidariedade estiveram juntos com a camisola rojiblanca do clube que os formou. O sonho do pequeno cordobés é mesmo o de jogar lado a lado com o seu ídolo na Europa.

Gonzalo Maroni ao lado do seu ídolo Paulo Dybala [Foto: infobae.com]

Assim joga Gonzalo Maroni

Jogador com uma boa capacidade para progredir no terreno com bola controlada, forte nos duelos individuais e com um bom remate de meia distância. Nas reservas do Boca era o principal responsável por bater os livres directos devido à sua boa valentia nos remates exteriores. De apenas 1,72m fisicamente não é um jogador forte, mas compensa isso com uma boa capacidade técnica e agilidade para fugir aos duelos mais físicos que vão surgindo no terreno de jogo. Com apenas 18 anos mostrou uma boa maturidade.

Aproxima-se o embate sempre histórico e intenso com o eterno rival, o River Plate. Não haverá maior desejo que não seja o de ser titular no superclássico do próximo dia 13 de Maio. A famosa frase de que o ser humano tem de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, os adeptos do Boca e do River acrescentaram o marcar um golo no superclássico. Portanto a fase é: Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro e marcar um golo no superclássico. Estaremos cá para ver se Maroni consegue a proeza do golo no superclássico, e, mais importante que isso, conseguir ser mais um dos grandes pibes do futebol argentino dos próximos anos.

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Diogo AlvesAbril 17, 20178min0

Decorridas 20 jornadas, o San Lorenzo de Almagro é um dos clubes que está na perseguição ao líder Boca Juniors. Na pole position o San Lorenzo é o 5º classificado da Primera Divisón com 37 pontos. Encontram-se atrás de Estudiantes, River Plate e do Newell’s Old Boys. O Boca segue a uma distância de sete pontos. Nascidos em Boedo, o El Ciclón – como são conhecidos é um dos principais rostos do futebol argentino e almejam regressar rapidamente aos títulos. O Papa Francisco é adepto e sócio do San Lorenzo e já por diversas vezes demonstrou a sua paixão pelo Ciclón de Buenos Aires.

Foi com um dos homens mais falados do momento que o San Lorenzo conquistou pela última vez um campeonato argentino e conseguiu a tão desejada Copa dos Libertadores da América em 2014. Falamos do (agora) ex-seleccionador argentino Edgardo Bauza. Foi sobre a vigência de Patón Bauza que o San Lorenzo viveu uma das épocas mais gloriosas de sempre. Desde a saída de Patón, o El Ciclón não mais venceu um campeonato argentino.  

Estiveram muito perto de conseguir vencer o último campeonato, tendo chegado à final com o Lanús, mas, no Monumental de Nuñez, acabaram goleados por 4-0 e uma das consequências da goleada foi a queda do técnico Pablo Guede do comando dos argentinos.

No entanto, o técnico argentino não saiu de mãos abanar de Boedo. Ainda na sua vigência venceu a Supertaça da Argentina goleando o Boca Juniors por 4-0. Pablo Barrientos (2x), Belluschi e Blandi foram os autores dos golos dessa partida disputada já no longínquo mês de Fevereiro de 2016.

Edgardo Bauza e Leandro Romagnoli em festa após conquistarem a Libertadores em 2014 [Foto: defutbolsomos.com.ar]

Pragmatismo uruguaio

Rapidamente encontraram um sucessor para Pablo Guede, o uruguaio Diego Aguirre. São a antítese um do outro. O timoneiro argentino mais influenciado por Jorge Sampaoli e Marcelo Bielsa, enquanto Diego Aguirre vê-se mais em Diego Pablo Simeone. Ao contrário do antecessor o uruguaio tem uma carreira longa e com passagens por vários países, no entanto nunca tinha estado a treinar na Argentina. Uruguai, Equador, Perú, Catar e Brasil. Uma panóplia de países por onde andou o actual técnico do San Lorenzo.

Apontado como o sucessor de Óscar Tabaréz na selecção do Uruguai, o ex-Internacional de Porto Alegre assume-se como um treinador ofensivo, que adapta as suas equipas às características dos rivais que defrontam e muda bastante os sistemas de jogo para jogo, tanto pode jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou no tradicional 4-4-2. O técnico charrua não suporta maus comportamentos e é bastante rígido no aspecto da disciplina.

A impressão digital do treinador charrua em Boedo

As mudanças de uma época para a outra não foram muitas e o plantel é praticamente o mesmo. Uma estrutura de 4-1-4-1 predominantemente e com um método de jogo de ataque rápido ou ataque posicional. Em geral optam por uma postura de contenção assim que perdem bola e assumem um bloco intermédio ou baixo em organização defensiva.

Ao contrário de outras passagens, o timoneiro charrua vai mantendo a sua estrutura habitual tanto em partidas do panorama nacional como internacional, nomeadamente na Copa dos Libertadores.

Diego Aguirre no dia da apresentação como treinador do Ciclón [Foto: diariopopular.com.ar]

Os nomes próprios que dão vida ao sistema

Têm em Nestor Ortigoza e Fernando Belluschi os principais dinamizadores do jogo ofensivo da equipa. El Gordo Ortigoza (capitão e um dos mais antigos jogadores do San Lorenzo) é o responsável por iniciar o processo de construção da equipa de Boedo, baixa junto dos centrais ou descaí para um dos corredores para começar a construção da sua equipa, é ele quem lidera o meio-campo juntamente com Belluschi – considerado o melhor médio do último campeonato – que participa activamente em toda a manobra no terço ofensivo. Criatividade é com ele. A antítese de Belluschi é Mercier (ou Franco Mussis) que dentro do 4-1-4-1 é o “1” do meio-campo e procura equilibrar atrás assim como fazer o trabalho “sujo” de roubar o esférico aos adversários que pisem os terrenos que lhe estão destinados a defender.

Defensivamente acumulam muita experiência, sobretudo nos defesas-centrais. Os três mais utilizados são Marcos Angeleri (34 anos), Matias Caruzzo (32 anos) e o conhecido Fabrício Coloccini de 35 anos. O guarda-redes Torrico de 37 anos é o habitual titular. Muita experiência neste sector que ficou mais frágil com as saídas dos laterais Buffarini e Emmanuel Mas. Os dois davam uma enorme profundidade ao corredor e imensa dinâmica ao jogo exterior do Ciclón. Mathias Corujo e Pablo Díaz são agora os laterais residentes, não dando a mesma dinâmica que os antecessores são dois atletas bastante competentes e vão demonstrando serviço defensivamente e ofensivamente.

[Foto: lineupbuilder.com]

Os flancos ficaram empobrecidos com a saída de Sebástian Blanco para a MLS. O argentino era uma das principais estrelas e um jogador muito importante na manobra ofensiva. Rúben Botta assumiu a titularidade como extremo-esquerdo, o reforço de inverno foi a alternativa encontrada para colmatar a saída do titular Sebástian Blanco. Também no corredor direito Diego Aguirre teve de encontrar uma alternativa, no entanto sem precisar de ir ao mercado. Ezequiel Cerrutti é agora o extremo-direito residente, uma vez que, Martín Cauteruccio saiu em Janeiro para o Cruz Azul do México. Rude golpe para o clube de Papa Francisco que vê o seu melhor marcador rumar a outro destino e deixa assim a sua antiga equipa órfã do melhor artilheiro.

Nicolás Blandi é o “9” do conjunto argentino, o jogador formado no Boca é o artilheiro e referência do ataque. Acumula para já 14 golos em todas as provas nesta época. É um homem de área que procura sempre movimentos de ruptura entre os centrais adversários para que a bola lhe chegue em boas condições para a finalização. Será nele que o Ciclón apostará muito das fichas para ter sucesso nas provas em que está inserido, a sua capacidade goleadora será fundamental para os homens de Boedo manterem viva a esperança do título.

Os «portugueses» de San Lorenzo

Como já foi supracitado Fernando Belluschi é hoje jogador do San Lorenzo de Almagro e um dos activos mais importantes do emblema argentino. O ex-FC Porto está há duas épocas no Ciclón depois de passagens pela Turquia e México.

Além do Samurai há ainda mais dois rostos bem conhecidos do público português, nomeadamente de benfiquistas e sportinguistas. Gonzalo Bergessio, avançado de 32 anos, é hoje uma das principais alternativas na frente de ataque. Sem sucesso no SL Benfica em 2006/07 foi precisamente o San Lorenzo que o acolheu depois da passagem fugaz pelo Benfica, esta é a segunda passagem pelo emblema de Buenos Aires. Um dos “meninos” do San Lorenzo é Pipi Romagnoli que passou pelo Sporting CP entre 2005 e 2009. O médio-ofensivo hoje com 32 anos regressou em 2009 à sua casa-mãe e por lá ficou até aos dias de hoje. É um dos jogadores mais laureados do clube tendo conquistado uma Apertura e Clausura, uma Copa dos Libertadores, uma Copa Sul-Americana, a extinta Copa Mercosul em 2001, e, por fim a Supertaça em 2016.

Beto Acosta que foi fundamental para o Sporting em 1999/00 na conquista do campeonato 18 anos depois, é também um dos rostos do San Lorenzo. Saiu do San Lorenzo para o Sporting CP em 1999 e foi também ao San Lorenzo que regressou depois do fim da sua aventura de leão ao peito. Ao todo foram nove as épocas que realizou pelo conjunto argentino distribuído por quatro passagens em momentos diferentes. Fazia parte da equipa que em 2001 conquistou a Copa Mercosul ao lado de outro ex-Sporting, Pipi Romagnoli que despontava nessa equipa. Venceu ainda uma Copa Sul-Americana e uma Clausura em 2002.

Beto Acosta [Foto: taringa.net]
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Daniel FariaAbril 2, 20179min0

A selecção argentina atravessa um momento delicado no que diz respeito à qualificação para o Mundial que se disputa no próximo ano, em território russo. Com o principal “astro” suspenso por quatro jogos, – Lionel Messi – conseguirá a equipa alviceleste garantir o apuramento, quando faltam precisamente quatro jornadas por disputar?

A Argentina ocupa neste momento o 5º lugar do grupo de qualificação da CONMEBOL. Os quatro primeiros vão ao Mundial, sendo que o 5º classificado disputa um “play-off” de acesso à fase final da maior competição de selecções do mundo. Em 14 jornadas, a equipa argentina tem 22 pontos, fruto de 6 vitórias, 4 empates e 4 derrotas… Nada famoso. É caso para perguntar: o que se passa Argentina?

A equipa mostra limitações, que podem ficar mais visíveis sem a presença do seu “jogador estrela” Lionel Messi, que tem sido o “abono” da sua selecção. Ora vejamos: sem Messi, a Argentina somou apenas 7 pontos em 24 possíveis. Já com o jogador do Barcelona, a equipa conseguiu amealhar 15 pontos em 18 possíveis, perdendo só no reduto do líder, o Brasil. Que diferença. Só este facto comprova o quão limitada e dependente é a Argentina. Arrisca-se a não disputar o Mundial, se não acordar, pois apesar de estar ainda perto da zona de qualificação (a um ponto do Chile, quarto classificado), dependerá sempre de terceiros.

Lionel Messi não joga mais para a fase de qualificação pela Argentina. (Foto: rpp.pe)

Bi-campeão mundial fora da jogada?

De recordar que no Mundial de 2014, a Argentina foi finalista da competição, frente à “todo-poderosa” Alemanha, perdendo o encontro por 1-0. Estamos a falar de uma selecção finalista vencida, ou seja, não é qualquer uma. O mundo do futebol está já habituado a vislumbrar a selecção das “pampas” nos grandes palcos no que a selecções diz respeito. Uma selecção campeã mundial por duas vezes: em 1978 e 1986! Será que assistiremos à ausência de um histórico do futebol mundial? Só o tempo o dirá.

A verdade é que ninguém imagina um Mundial sem a Argentina. Ou melhor… os brasileiros imaginam e daria até um certo “gostinho”, dada a rivalidade entre os dois países. De resto, penso que quem gosta de futebol quer ver as melhores selecções nos grandes palcos. Se bem que o nível de jogo exibido pela Argentina nesta fase de qualificação não faça jus ao histórico da selecção sul americana, que já nos habituou a grandes equipas e a um futebol bonito.

Messi, Aguero, Di Maria, Dybala, Higuain, são alguns nomes que qualquer equipa ou competição gostaria de poder contar… Serão “apagados” da elite mundial para 2018? Seria uma pena.

A seleção Argentina conta com grandes valores individuais. (Foto: cleubercarlos.blogspot.pt)

Depois das vitórias por 3-0 com a Colômbia e 1-0 com o Chile, os argentinos pareciam ter recuperado a confiança, mas foram tramados pela altitude boliviana, perdendo com a selecção local. Desceram assim ao 5º lugar do grupo de qualificação, que não dá qualificação direta para o Mundial.

Instabilidade é cenário dominante

Se olharmos atentamente para o panorama do futebol argentino, deparamo-nos com um cenário de crise. Instabilidade, polémica, escândalos na Associação de Futebol Argentina… O organismo do futebol local vive alguns momentos conturbados, principalmente desde 2014, quando morreu Julio Grondona, presidente da associação desde 1979. Luis Segura assumiu o cargo de forma interina, com eleições marcadas para Dezembro de 2015. O então presidente interino concorria com Marcelo Tinelli, apresentador de televisão no país. Só que o acto eleitoral ficou envolto num grande escândalo, contando com um voto a mais do que o previsto. Na eleição, verificou-se que ambos os candidatos tiveram 38 votos, somando 76 no total quando só estavam habilitadas para votar 75 pessoas… As eleições acabaram por ser anuladas, causando um “reboliço” no país…

Corrupção e ilegalidades financeiras, entre outros problemas, são debatidos, num grande clima de instabilidade.

No entanto, já se conseguiu encontrar um presidente para o organismo: trata-se de Claudio Tapia, que prometeu recuperar a “institucionalidade que merece o nosso querido futebol argentino”, disse o novo presidente depois de ser eleito.
Das questões federativas, passamos novamente aos assuntos futebolísticos. A nação Argentina está faminta por títulos. E a verdade é que a Argentina não os tem conseguido, acabando por afastar um pouco os seus adeptos da selecção e não só… Recorde-se que Messi já abdicou de jogar pela sua selecção, mas depois acabou por voltar.

Claudio Tapia quer revitalizar o futebol argentino. (Foto: conmebol.com)

O grupo conta com vários atletas de grande destaque. Nicolás Otamendi é um dos melhores defesas da Premier League, com a camisa do Manchester City; Rojo é titular absoluto no Man. United e mostra bom rendimento. Mascherano dispensa apresentações. Banega é um dos bons jogadores do Inter.

Vemos as figuras da Argentina em destaque no seu clube, mas quando chegam à equipa nacional parece que “apagam”. É diferente sim jogar na selecção, por vezes os sistemas tácticos diferem. Mas um profissional de futebol deve saber adaptar-se às situações e estar preparado para tudo.

A formação da América do Sul entra em todas as competições e é apontada como potencial vencedora. Será a pressão? Pode ser, mas como se disse atrás, um profissional tem que lidar com a pressão e tudo o que envolve ser futebolista, principalmente a este nível. As coisas no futebol são demasiado rápidas. Passam num instante. Ou ganhas, ou perdes. Se ganhas, adoram-te. Se perdes, és odiado, algo que tem acontecido a Messi e companhia. Demasiados desaires que originam uma selecção traumatizada e com medo do futuro… Uma selecção que tem conseguido chegar a finais, mas que não as ganha…

Fome de títulos e demasiado ruído

Parece que o fracasso é uma constante. Em 2014, perderam a final do Mundial com a Alemanha, e em 2015, foram novamente derrotados na final da Copa América. Em 2016, na edição especial de centenário da Copa América, voltaram a cair na final perante o Chile, fazendo Messi alegadamente renunciar à selecção… são demasiados golpes no coração de uma Argentina ferida e sedenta de títulos. Será que vai continuar a “malapata” com o não apuramento para o Mundial, ou os argentinos terão forças para evitar mais um rude golpe nas suas ambições? Pelo menos potencial não falta para evitar esse dissabor, mas outros factores poderão pesar na balança.

A seleção das pampas parece atravessar uma crise emocional. (Foto: Goal.com)

Outro dado com que nos deparamos, é o extremo “burburinho” em torno da selecção e a sua deficiente relação com a comunicação social. Como se sabe, a relação dos jogadores argentinos com a imprensa não tem sido muito pacífica. Recorde-se que em Novembro, os mesmos anunciaram um “blackout” aos jornais locais e isso é uma das piores coisas que se pode fazer. Fechar um clube ou uma nação futebolística à comunicação social só “afunda” mais uma determinada equipa, ainda para mais quando a mesma está em crise. Os adeptos precisam de saber o que se passa no seio da equipa, e o melhor veículo de transmitir isso são os media.

Na “saga” do ruído de fundo relativamente à Argentina, já se ouviu de tudo. Já surgiram acusações de que só os “amigos de Messi” ou de Mascherano eram convocados para a selecção, já se disse que Messi não deveria ter voltado à selecção… A juntar a isto, surge também a figura intrometida do histórico argentino Maradona, que de vez em quando, deita “achas” na fogueira. Numa recente declaração do antigo “astro” argentino, o mesmo afirmou que o “futebol argentino está quebrado”, tendo por isso se tornado embaixador da FIFA na Argentina, com vista a tentar solucionar a crise do futebol do seu país.

Para Maradona, os presidentes dos clubes estão “mais preocupados com o próprio lucro que podem conseguir” num contrato de televisão do que com os “problemas reais do futebol”, por isso pediu que deixem “a soberba em casa” e comecem a “trabalhar”.

Maradona quer ajudar o futebol argentino em articulação com a FIFA. (Foto: The Telegraph)

Também Mauricio Macri, ex-mandatário do Boca Juniors refere-se à situação do futebol argentino como uma «crise terminal».

«O futebol argentino está em uma crise terminal. Talvez, ainda pior do que o país que recebemos. Ao invés de encarar o tema e colocá-lo para discutir, os dirigentes seguem tentando encontrar um atalho, um remendo. Não levam as coisas com seriedade suficiente», garantiu Macri numa entrevista concedida em Janeiro.

Estes pequenos trechos espelham uma nação sem confiança na sua equipa, mostrando-se frustrada no futuro do futebol, que outrora era respeitado e temido e actualmente atravessa uma crise de valores e de identidade.

Por isso, sob um clima de descrença e falta de crédito no panorama futebolístico internacional, a Argentina, orfã da sua estrela, Lionel Messi, procura o apuramento para o Mundial, pretendendo dar um “pontapé na crise” e calar os críticos com a presença na Rússia em 2018. É caso para dizer: está na hora de acordar, Argentina!

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Diogo AlvesMarço 14, 20176min0

O Boca Juniors é o actual líder da Primera Divisón Argentina, com 34 pontos em 15 jornadas – os comandados de Guillermo Barros Schelotto seguem isolados na liderança. Juntamente com o seu irmão gémeo – Gustavo Barros Schelotto –, Guillermo chegou ao clube há precisamente um ano para substituir o então treinador Rodolfo Arruabarrena, que passava por momentos muito difíceis e que acabou demitido do cargo ainda no início do campeonato de 2016.

Guillermo Barros Schelotto é um ex-jogador do Boca Juniors, um dos mais carismáticos e com mais anos de casa. Tendo partilhado o vestiário com nomes como Riquelme, Martín Palermo, Diego Maradona (já na parte final da carreira do astro argentino), Claudio Cannigia entre outros grandes nomes do Boca Juniors.

Fez parte de uma das melhores equipas do Boca, tendo conquistado quatro das seis Copa dos Libertadores que o Boca tem no seu histórico. E ainda duas Taças Intercontinentais, vencendo o Real Madrid e o AC Milan.

Terminada a carreira em 2011, ao serviço do Lanús, foi precisamente em Lanús que começou a treinar na época de 2012/2013. Na época de estreia conseguiu vencer a Copa Sudamericana, o primeiro título continental do Lanús em toda a sua história. Schelotto começava a sua carreira de treinador como se habituou-se enquanto jogador: a vencer grandes títulos. Foram mais duas épocas em Lanús, mas sem o mesmo êxito da primeira, no entanto deixou as bases para Jorge Almirón vencer o campeonato de 2016.

Aventura Europeia sem sucesso…

Guillermo Barros Schelotto, enquanto jogador nunca teve a oportunidade de jogar na Europa, tendo feito grande parte da sua carreira na Argentina e contou com uma passagem pela MLS, já em final de carreira.

Como treinador pode dizer que já pisou solo europeu e esteve numa das melhores ligas europeias, a Serie A de Itália. Chegou, viu…e partiu. Guillermo era para ser treinador do Palermo que não passava por uma fase fácil na Serie A, estando em 15º com apenas 26 pontos.

Guillermo no jogo contra o AC Milan. Apenas dirigiu a equipa com o Frosinone, Carpi, Sassuolo e AC Milan. [Foto: ilpost.it]

Não foi por maus resultados ou má metodologia de treino que veio embora do Palermo. Foi por causa do Diploma de Treinador. A FIFA não reconheceu os mínimos para que Guillermo pudesse trabalhar na Europa, era preciso um mínimo de cinco épocas ao serviço de um clube de máxima categoria. E Guillermo tinha, à altura, apenas três épocas no Lanús, pelo que não era suficiente para poder treinar na Serie A.

O início na Bombonera

Com a saída de Rodolfo Arruabarrena, o Boca procurou contratar um novo treinador que tivesse um conhecimento profundo do Boca Juniors, e, Guillermo Barros Schelotto era o nome mais indicado naquele momento.

O Boca não passava por uma fase fácil a nível interno, num dos campeonatos mais curtos de sempre na Argentina, o Boca estava fora da luta pelo título, e para piorar, estava fora dos lugares de qualificação para a Copa dos Libertadores.

Não foi fácil o início, mas pior foi o término. O Boca acabou por abdicar do campeonato e apostar as fichas todas na Libertadores, tendo chegado às meias-finais da prova continental. Aí perderam diante de um surpreendente Independiente Del Valle do Equador.

Foi um final de época desastroso e penoso para Guillermo e para os seus jogadores que apostavam tudo na prova continental e acabaram por não alcançar metas a nível interno nem continental.

Episódio Dani Osvaldo

[Foto: lagaceta.com]

O princípio de Guillermo ficou marcado por um episódio problemático com Dani Osvaldo no final de um jogo no Uruguai para a Copa dos Libertadores. Um episódio que marcou a posição do treinador no clube.

O problemático Dani Osvaldo que regressava ao Boca depois de uma aventura no FC Porto. O jogador era uma escolha do treinador anterior – Rodolfo Arruabarrena – que tinha um carinho especial por ele e até o achava de loco lindo, fazendo alusão à loucura de Osvaldo.

O ítalo-argentino no final da partida com o Nacional (do Uruguai) abandonou o relvado e seguiu rapidamente para o balneário onde, tranquilamente, acendeu um cigarro e por lá ficou. Guillermo não gostando da atitude do jogador repreendeu de imediato e deu-lhe ordem de expulsão do clube assim que chegassem a Buenos Aires. Guillermo não tolera maus comportamentos muito menos dentro de um balneário, pelo que Osvaldo acabou expulso do clube e assim terminou a sua estada no Boca e parece que também no futebol.

O reerguer do “monstro”

Após uma época bastante periclitante, era hora de Guillermo mostrar o seu valor e ter a oportunidade de começar uma nova época, uma época desde o dia 0. Com o regresso do campeonato a 30 equipas em apenas uma volta, o objectivo passa por vencer o campeonato e regressar à Libertadores do próximo ano.

Sem grandes mexidas na equipa, apenas algumas entradas no verão, como Sebástian Pérez do Atlético Nacional, uma das grandes revelações da Copa dos Libertadores, e também entrou o argentino Ricardo Centurión, extremo formado no Racing de Avellaneda.

Uma ideia de jogo com futebol ofensivo, ideias e equipa bem estruturada em campo, Guillermo quer colocar o Boca a praticar um bom futebol e aquele que coloque a equipa o mais próximo possível dos grandes êxitos.

Guillermo tenta fugir ao padrão do futebol argentino, desgarrado com muitos espaços entre os sectores da equipa e muito baseado em futebol directo. O Boca procura ser uma equipa de ataque posicional, saídas curtas e procura a profundidade só no último terço, procura fundamentalmente os laterais para usar (e por vezes abusar) de cruzamentos à procura do avançado, mas além do avançado, mete também sempre mais dois homens acompanhar o goleador.

Para já tudo está a correr de feição e o Boca segue na liderança com mais três pontos que o San Lorenzo – 2º classificado. Os adeptos do Boca estão bastante confiantes na reconquista do campeonato, e nem a saída de Tévez para a China parece ter abalado a equipa. No regresso do campeonato venceram o Banfield por 2-0.

[Foto: soccerway.com]

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