Arquivo de Rio 2016 - Fair Play

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Fair PlaySetembro 21, 20164min0

Terminado mais um ciclo paralímpico, o balanço da missão portuguesa no Rio de Janeiro 2016 só pode revelar-se bastante positivo! Os atletas lusos superaram a marca de Londres’2012 (3 medalhas), conquistando, em solo maravilhoso, 4 medalhas, todas elas de bronze. Com a presença de 37 atletas em 7 desportos, num total de 54 provas, o grande destaque vai para as duas modalidades que nos proporcionaram a subida ao pódio por 4 vezes: Atletismo e Boccia.

Atletismo

Luís Gonçalves protagonizou um dos momentos mais marcantes nesta competição, ao conquistar a primeira medalha para a comitiva portuguesa na prova dos 400m da classe T12 com 49.54 segundos, batendo assim o seu recorde pessoal. O atleta do Sporting Clube de Portugal já detinha o título de campeão do mundo nesta prova, conquistado em 2015 no Qatar.

Ainda no atletismo, Manuel Mendes surpreendeu ao repetir a proeza do bronze na Maratona da classe T46, com o tempo de 2:49:57 horas, naquela que foi a sua estreia em Jogos Paralímpicos. Portugal esteve representado por mais 15 atletas nas mais variadas disciplinas do Atletismo, desde o salto em comprimento ao lançamento do peso, tendo arrecadado 16 diplomas paralímpicos.

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Luís Gonçalves em ação (Foto: O Jogo)

Boccia

À semelhança das edições anteriores, o Boccia continua a ser modalidade assídua no medalheiro de Portugal. Nas provas coletivas, a equipa BC1-BC2 constituída por Abílio Valente, António Marques, Cristina Gonçalves e Fernando Ferreira, conquistou o bronze frente à Argentina por 6-2 (nação com que havia perdido anteriormente na fase de grupos.)

Já os pares BC3 (Armando Costa, José Macedo e Mário Peixoto) e BC4 (Carla Oliveira, Domingos Vieira e Pedro da Clara) não conseguiram garantir a passagem às meias-finais, ocupando o 6º e 8º lugares na tabela, respetivamente.

A nível individual, os portugueses chegaram mais longe com quatro presenças nos quartos-de-final de cada classe – BC1, BC2, BC3 e BC4. Porém, apenas António Marques (BC1) e José Macedo (BC3) entraram na luta pelas medalhas. O atleta BC3 garantiu a vitória no parcial de desempate após um resultado de 5-5 contra o atual nº 2 do mundo, o coreano Han Soon Kim, arrecadando assim a sua sexta medalha em Jogos Paralímpicos.

A equipa equipa BC1-BC2 que conquistou o Bronze (Foto: Facebook do Comité Paralímpico de Portugal)

Outras Modalidades

Na natação, os resultados ficaram aquém das expectativas. Dos cinco representantes nacionais apenas David Grachat e Joana Calado nadaram as finais nas categorias de 400m livres da classe S9 e de 100m bruços da classe SB8, ocupando o 8º e o 5º lugares na tabela, respetivamente.

Ana Veiga, a única representante na equitação, realizou duas provas na classe grau 1A, posicionando-se fora dos primeiros 15 lugares.

O ciclismo de estrada teve dois representantes portugueses, Luís Costa na classe H5 que garantiu o 8º lugar nas duas finais que disputou e Telmo Pinão na classe C2.

A participação portuguesa nestes Jogos Paralímpicos contou ainda com duas novas modalidades, nunca antes representadas a este nível – o judo e o tiro desportivo. Miguel Vieira ficou afastado dos quartos-de-final ao perder o seu primeiro combate na categoria < 66kg, tal como Adelino Rocha que não conseguiu a qualificação para as finais nos 10, 25 e 50m na classe SH1.

Joana Calado em competição (Foto: Carlos Alberto Matos/IMAPRESS/CPP)

Tudo somado, Portugal conquistou o 73º lugar no quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos do Rio’2016. Começa agora a contagem decrescente para Tóquio’2020.

Artigo da autoria de Sara Coelho

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João BastosSetembro 16, 201616min0

O Fair Play esteve à conversa com o olímpico Rui Bragança. O bi-campeão europeu e vice-campeão mundial de Taekwondo teve a sua primeira participação olímpica no Rio de Janeiro e contou-nos como tem sido a sua carreira. Aos 24 anos, Rui Bragança tem já um extenso palmarés mas vê o seu futuro na alta competição ameaçado pela falta de condições para a prática da modalidade em Portugal.

fp. Como surgiu o taekwondo na tua vida?

RB. Surgiu por acaso. Aos 6 anos quis começar a praticar um desporto e experimentei o karaté. O kickboxing já tinha uma turma muito avançada e não tinha idade para fazer musculação e então comecei a fazer taekwondo sem saber muito bem o que era.
As primeiras aulas não foram muito divertidas, mas como tinha o mês pago continuei a ir e fiz bem, porque logo se tornou mais divertido quando comecei a entrar em combates e foi assim que o taekwondo me cativou…até hoje.

fp. Em termos de desporto escolar não houve nenhum contacto com o taekwondo?

RB. Não. No desporto escolar não tive nenhuma experiência de taekwondo ou outra arte marcial. Jogava à bola no desporto escolar. Efectivamente, as artes marciais não são muito incluídas no desporto escolar ou no programa de educação física, pelo menos eu não tive contacto nem com taekwondo, nem com karaté, nem com judo.

fp. O público em geral contactou mais com o taekwondo através dos teus feitos, mas não tem noção que apesar de ser uma modalidade pouco praticada em Portugal, tem tido óptimos resultados, nomeadamente a nível europeu. Como explicas esse sucesso?

RB. Considerando a expressão que o taekwondo tem em Portugal, os resultados têm sido excelentes.
Posso apontar o sucesso essencialmente ao grupo de atletas que se criou, à ambição dos treinadores, particularmente no meu caso a colegas de treino que também partilhavam dessa ambição, a pessoas que já tinham mais experiência na modalidade e que nos ajudaram a crescer e depois as oportunidades foram surgindo ao mesmo tempo que também as procurámos. Surgiram os estágios, surgiram as competições e fizemos muitos sacrifícios, mas esses sacrifícios foram valendo a pena.

fp. Apesar de ser uma modalidade individual, o colectivo é uma parte fundamental do sucesso?

RB. Eu falo sempre em “nós”, porque só no combate é que estamos sozinhos. É impossível treinar sozinho, teria de treinar para o ar. E por isso é um desporto que depende muito do colectivo. E desse colectivo também faz parte o meu treinador, os meus pais que me apoiam e me motivam, os meus colegas de faculdade que me ajudam quando tenho de faltar às aulas. Nenhuma das minhas conquistas foi individual, foram sempre conquistas de um colectivo.
Atribuo até maior importância à equipa numa modalidade individual que numa modalidade colectiva. Não é por acaso que num desporto colectivo, muitos atletas trocam de equipa e continuam a ter sucesso. Num desporto individual, e no caso das artes marciais, não é fácil trocar de equipa porque isso significa trocar-se toda a base de treino. No meu caso particular, tenho o mesmo treinador há 11 anos.

Foto: Facebook Rui Bragança
Foto: Facebook Rui Bragança

fp. Como é o teu dia-a-dia?

RB. O dia começa cedo, dependendo do tipo de treino que executo nesse dia. Treino de manhã, vou para as aulas, almoço e aproveito para estudar, vou para o estágio (do curso de medicina) e volto a treinar à tarde e vou dormir cedo porque no dia seguinte há mais.

fp. Tens de ter uma disciplina alimentar rígida para manteres o peso e te manteres na tua categoria (menos 58 kg)?

RB. Eu já compito nesta categoria desde a época 2008/2009. É preciso ser regrado e não cometer excessos, mantendo o equilíbrio entre massa muscular e massa gorda, e é preciso muito controlo e alguns sacrifícios, sobretudo quando vou comer a casa dos avós e eles me metem à frente mais aquele pratinho (risos), ou quando vamos jantar com os amigos é sempre preciso ter cuidado com o que se come.

fp. Consegues tirar benefícios entre a prática do taekwondo e a formação em Medicina?

RB. Independentemente do curso, penso que quanto melhor atleta eu for, melhor estudante eu vou ser porque a concentração que me exige a medicina, também me exige o taekwondo, e da forma como eu estudo para o meu curso, também estudo os meus adversários. Como animais que somos, sempre que nos vimos em aflição recorremos ao nosso instinto e procuramos fazer o que sempre fizemos, mas se conseguirmos decorar e antecipar esses instintos dos nossos adversários, o combate torna-se num jogo de sueca: se decorarmos as cartas que já saíram, nós sabemos as cartas que vão sair a seguir. No taekwondo isso também se aplica. Se eu me lembrar de toda a táctica, eu consigo ter 100 soluções para um problema e também posso aplicar esta estratégia à medicina, ou seja, também posso associar 10 doenças a um sintoma.
Na medicina convencional não me ensinam nenhum segredo que eu possa aplicar para ser melhor no taekwondo, mas sou igualmente exigente comigo próprio em ambas as áreas, até porque sei que quando acabar a carreira, o meu futuro não passará pelo taekwondo, uma vez que não é possível viver da modalidade em Portugal.

fp. Foste duas vezes campeão europeu, vice-campeão mundial, ganhaste outras provas de relevo e este ano foi a tua primeira participação em Jogos Olímpicos. Qual foi a prova que mais te marcou?

RB. Isso é muito difícil de dizer porque todas as provas têm a sua história, todas as medalhas têm uma história e todas as derrotas têm uma história. Fui aos Jogos e perdi, mas não deixa de ser marcante porque é uma super competição que ficará para sempre na minha memória.
Mas, por exemplo, duas semanas antes de ter sido campeão da Europa em 2014 andava de muletas; quando fui vice-campeão do mundo tinha 19 anos, o meu objectivo era ganhar um combate e ver como era um campeonato do mundo. Acabei por sair de lá com a medalha de prata. Cada prova tem a sua história que a torna única e incomparável com outras.

Medalha de Ouro nos Campeonatos da Europa 2016, em Montreux | Foto: Facebook Rui Bragança
Medalha de Ouro nos Campeonatos da Europa 2016, em Montreux | Foto: Facebook Rui Bragança

fp. Só os 16 melhores do mundo chegam aos JO. É uma prova com uma exigência competitiva superior?

RB. Sim, qualquer momento de desconcentração é fatal. E os combates são de tal forma equilibrados que pode pender para um lado ou para o outro. Se tivermos o Messi de um lado e o Ronaldo do outro, eles são os dois melhores do mundo e podem jogar os dois bem, por vezes o que distingue os dois é uma “pontinha” de sorte que faz com que o remate de um dê golo e o do outro vá à trave. 
No meu combate nos JO aconteceu isso. Eu tive de arriscar, estávamos os dois muito defensivos quando o combate estava a chegar ao fim e começamos os dois a arriscar. O meu risco traduziu-se em passar muito perto da cabeça dele, o risco dele deu para me tocar. A partir desse momento ele já tinha a vantagem e eu tive de correr atrás do prejuízo.
O taekwondo é muito ingrato porque noutro desporto um atleta pode fazer um registo de 14 segundos e não é expectável que faça 10 ou que faça 18. No taekwondo não existem marcas, existe a vitória ou a derrota. Na minha categoria, o número 1 e número 2 do mundo caíram logo na primeira ronda (no torneio olímpico). Em 8 categorias olímpicas, masculinas e femininas, apenas em uma o líder do ranking ganhou. Na minha categoria ganhou o número 11 do ranking. Na categoria menos de 80 kg, o campeão decidiu-se com um golpe no último segundo.
O que quero transmitir é que no taekwondo não basta estar bem, é preciso estar melhor que o adversário. Eu posso chegar a uma competição na minha melhor forma mas se apanho no primeiro combate alguém que ainda está melhor que eu, acabou aí a competição. Quando os combates são desnivelados, podemos recuperar de uma falha, mas nos JO o nível é igual entre todos e conhecêmo-nos muito bem.

fp. Certamente que os Jogos Olímpicos foi a competição onde tiveste maior exposição mediática. Essa exposição fez-te sentir mais apoiado ou mais pressionado?

RB. Tentei não me afectar com isso. Inclusivamente, aquando dos Jogos de 2012, por ter sido vice-campeão do mundo no ano antes, saiu uma notícia que me apontava como um dos atletas portugueses com maiores possibilidades de conquistar uma medalha. Eu nem fui aos Jogos (risos).
Mas sabendo o que é o taekwondo, não me deixei afectar pelas expectativas que podiam depositar em mim. Sabia que não bastava estar bem, tinha de chegar ao dia e estar bem nesse dia. Ter um dia como tive em Baku (Europeus 2014) em que tudo correu bem e que antecipei tudo o que o adversário fez.
Em relação ao ambiente vivido nos JO, senti os nervos normais de uma prova antes de começar a competir. Antes de passar a cortina, senti uma ansiedade que me atravessou o corpo todo e um aperto no peito, mas depois de passar a cortina e ver a minha namorada, os meus pais, os meus amigos e o resto da comitiva portuguesa todos a gritarem por mim. Anunciarem-me ao microfone e nem se ouvir nada com o barulho…eu senti-me no topo do mundo, senti que podia fazer qualquer coisa!

fp. No final dos JO disseste que se a falta de apoios se mantivesse no próximo ciclo olímpico, que ponderarias abandonar a alta competição. Já tiveste alguma indicação no sentido de alguma coisa se alterar nesse aspecto na preparação para Tóquio?

RB. Infelizmente, a Federação continua na mesma situação. Espero agora manter o apoio do Comité Olímpico e isso já ajuda. Quanto à minha continuidade, vamos ver. Eu adoro o taekwondo, quero continuar a minha carreira e quero chegar a Tóquio e fazer igual ou melhor, mas pelo menos chegar lá nas melhores condições, e vou tentar arranjar formas para que isso aconteça. Mas ainda passou pouco tempo desde os Jogos para alguma coisa ter mudado.
Os Jogos são muito grandes e mudam muita coisa, mas na verdade só mudam para quem alcança medalhas. Os atletas olímpicos existem 4 meses antes dos Jogos e depois existem para serem criticados por terem falhado. Veja-se o exemplo da Telma Monteiro: agora é uma atleta espectacular, mas durante três Jogos ela foi apelidada de “eterna promessa”, mas a atitude dela sempre foi a mesma, sempre esteve lá para ganhar e sempre esteve para dar tudo em nome do país. Fiquei felicíssimo com a medalha dela e com os fantasmas que desapareceram. Ela não merecia as críticas que lhe fizeram porque é uma atleta incrível. Mesmo que não tivesse uma medalha olímpica, quantos atletas podem dizer que em 11 europeus têm 11 medalhas?!

Foto: Comité Olímpico de Portugal
Foto: Comité Olímpico de Portugal

fp. Essa é outra parte que vos exige muita preparação? Para além de toda a preparação física, técnica e táctica, é preciso ter muita resiliência para ser atleta de alta competição em Portugal?

RB. Eu acho que essa é uma visão distorcida da realidade. A Telma não treinou durante anos exclusivamente para os Jogos Olímpicos. É claro que é uma competição com outro peso. Para a opinião pública, a Telma ter conquistado uma medalha nos Jogos é fantástico, mas como ela “só” tinha 11 medalhas em Europeus já não lhe atribuíram o devido valor.
A verdade é que nenhum atleta pode orientar a sua vida para os Jogos porque arrisca-se a trabalhar quatro anos, chegar lá e correr mal. No meu caso, se saísse agora do taekwondo não podia dizer que não valeu a pena. Mesmo sem uma medalha olímpica, foi uma caminhada extraordinária que só eu e quem me rodeia sabe. A viagem até agora tem sido incrível e tem-me ensinado coisas extraordinárias. Nos Jogos há 10 000 atletas para 900 medalhas. As 9 100 pessoas que não ganharam medalha não podem ser considerados maus atletas…e sem contar com atletas extraordinários que não conseguem sequer apuramento para os JO.

fp. Qual é o teu próximo grande desafio?

RB. Para já? Acabar a tese (risos). Quanto a desafios desportivos, não os posso traçar sem saber que condições tenho para os atingir. Espero ter as condições necessárias – e estou a fazer por isso – para preparar os Jogos Olímpicos de 2020, até porque têm lugar no Japão que é o país das artes marciais. Para o taekwondo é fantástico, mas ao mesmo tempo coloca a modalidade em risco, pela entrada do karaté, o que constitui um desafio ao taekwondo para se tornar mais atractivo.
O Comité Olímpico Internacional pretende manter o número de atletas com acesso aos JO por uma questão de sustentabilidade dos próprios Jogos, pelo que para algumas modalidades entrarem, é possível que outras tenham de sair. Espero que quer o taekwondo, quer o karaté cresçam como modalidades olímpicas e se mantenham. Há modalidades, como o futebol, cuja presença nos JO não interessam nem às federações, nem aos clubes nem ao próprio público. Se não interessa aos intervenientes, talvez devesse ser repensada a sua existência no calendário olímpico.

fp. Estamos a chegar ao final da nossa conversa. Pedimos-te que deixes uma mensagem aos leitores do Fair Play e particularmente aos jovens que estão a pensar iniciar a prática do taekwondo.

RB. Para os jovens que estão a pensar iniciar-se no taekwondo, só posso dizer que esta é uma modalidade super completa, que é fisicamente exigente. Exige-nos que sejamos rápidos e fortes, mas também é mentalmente exigente, o que a mim me fascina pela componente táctica. Os 6 minutos de um combate têm por trás muita dedicação, muito sacrifício e muita preparação mental mas no final desses 6 minutos tudo isso valeu pena. Quem quiser entrar de cabeça e com cabeça, que o faça!
Espero que os leitores tenham gostado da minha entrevista e que eu possa dar motivos para que acompanhem a minha carreira.

Acompanhe a carreira de Rui Bragança através do seu site: http://www.ruibraganca.com/ ou do seu facebook: https://www.facebook.com/ruibraganca58

Foto: ruibraganca.com
Foto: ruibraganca.com
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Victor AbussafiAgosto 21, 20163min0

O ouro não resolve problemas do futebol brasileiro, mas pode ser um recomeço. A Seleção Brasileira começou mal, mas termina mostrando um ótimo futebol, ao mesmo tempo moderno e fiel às origens ofensivas do futebol canarinho. Foi um ouro merecido, esperado após bater na trave algumas vezes e que devolve a auto-estima à camisa amarela. Pelo menos hoje, o Campeão voltou.

A Alemanha pode não ter levado o seu melhor sub-23, mas o estilo era o mesmo da seleção principal. Muito bem postada taticamente, conseguiu se recuperar após o gol brasileiro e fez um ótimo jogo. Destaque para os defensores e para Brandt que acertou o travessão duas vezes. Mas tinha do outro lado um Brasil focado, que não deixaria essa medalha escapar.

Dois 0-0 nos primeiros jogos preocuparam o torcedor, que estava otimista com as chances brasileiras de medalha. Rogério Micale, treinador jovem e desconhecido para muitos, vinha chamando a atenção com treinos modernos e uma proposta de jogo ofensiva, mas que não funcionou quando a bola rolou no primeiro jogo da Olímpiada. No terceiro jogo, contra a Dinamarca, a entrada do quarto atacante como titular, Luan, mudou a cara do time.

À partir daí, apareceu o futebol envolvente que não se via há tempos no Brasil. O quarteto Luan, Gabriel Jesus, Gabriel Barbosa e Neymar se movimentava e alternava posições, construindo à partir do caos. Wallace e Renato Augusto davam solidez ao meio campo e a defesa de Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio, Douglas Santos e Weverton só foi vazada na final.

Micale e os garotos da Seleção Olímpica (Foto: Reuters)
Micale e os garotos da Seleção Olímpica (Foto: Reuters)

Os últimos treinadores do Brasil (Dunga duas vezes, Mano Menezes e Felipão), todos da escola gaúcha, tinham estilo de jogo que priorizava a defesa. Primeiro construíam uma defesa segura, para liberar os jogadores de frente para resolverem na qualidade individual. Micale propôs uma mudança desse paradigma. Criou um time que jogava com suas linhas próximas, compactas, mas abertas, dando amplitude, e priorizava a construção do jogo, o ataque. Eram quatro atacantes que se dedicavam também à marcação, mas a prioridade dos onze era propor o jogo. Assumir a vontade de ganhar o jogo, se movimentar com o propósito de criar e não de destruir. Fazia tempo que não via isso na Seleção. A vitória de hoje veio nos pênaltis, foi sofrida, mas veio acompanhada de bom futebol.

Neymar chora após marcar o pênalti decisivo. (Foto: Rio 2016/Laurence Griffiths)
Neymar chora após marcar o pênalti decisivo. (Foto: Rio 2016/Laurence Griffiths)

Tite, que anuncia amanhã sua primeira convocação, tem um histórico de ser um treinador mais defensivo. Mas é muito inteligente taticamente e pode se reinventar para dar sequência a essa boa nova. Muitos desses jogadores de hoje devem estar na lista de amanhã.

Não eram os adversários mais difíceis, não vinga a Copa do Mundo, não resolve todos os problemas do futebol brasileiro. Amanhã ainda temos que acordar e nos deparar com uma CBF nebulosa, com um campeonato de baixa qualidade técnica, com problemas na nossa formação e tudo mais que conhecemos bem. Mas, hoje, é dia de celebrar e de renovar as esperanças. Essa vitória reconcilia o torcedor e a seleção. Hoje, pelo menos hoje, o campeão voltou.

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André Dias PereiraAgosto 11, 20162min0

Djokovic não disse adeus ao Brasil. Disse até já. O número um mundial caiu com estrondo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro mas soube seduzir e conquistar o público brasileiro. Na hora da despedida, o número um mundial chorou e o Brasil chorou com ele.

Há amores assim. Curtos mas intensos. E o Verão é cheio deles. Djokovic não é exactamente um adolescente, aos 29 anos de idade vive o melhor período da sua carreira desportiva. Mas o grande favorito à conquista do ouro olímpico leva da Cidade Maravilhosa apenas uma história de amor para com o Brasil.

Juan Martin del Potro, que este ano regressou à alta roda do ténis mundial após longa paragem por lesão, fez-nos recordar que os Jogos Olímpicos são, de facto, um torneio à parte em que o espírito olímpico e de superação encurtam distâncias entre os desportistas, mesmo em modalidades altamente profissionais como o é o caso do ténis.

Djokovic, que chegou ao Rio de Janeiro a grangear sorriso e carisma, tirando selfies com os fãs e aproximando-se à comunidade local, saiu de cena lavado em lágrimas após perder para o argentino logo na primeira ronda por 7-6 (7-4) e 7-6 (7-1). O sérvio, que construiu quase toda a sua carreira na sombra da popularidade de Roger Federer e Rafael Nadal e que tantas vezes se queixou da falta de apoio nos courts mundiais, encontrou, no Brasil, o seu público. “Djoko, Djoko”, gritava o sonoro público brasileiro a cada ponto que o sérvio fazia.

Só que a vitória não chegou e Del Potro eliminou, pela segunda vez na sua carreira, Djokovic em olimpíadas. A primeira foi em Londres, em 2012. Ficou o sonho de ouro, sobraram as lágrimas. “É uma das derrotas mais dolorosas da minha carreira. Não foi a primeira vez que perdi nem será a última, mas é uma Olimpíada, o que aumenta a dor”, sintetizou o sérvio, que não se cansou de agradecer ao público, recolhendo aos balneários levando as raquetas num saco verde e amarelo.

Já esta segunda-feira o adeus foi definitivo aos courts dos Jogos Olímpicos. Na competição de duplas Djokovic e Nenad Zimonjic foram afastados pela dupla da casa Bruno Soares e Marcelo Melo. Foi um doce adeus, pela relação construída com o Brasil. “Senti-me em casa. Parecia que eu era brasileiro”, referiu o número um mundial dizendo que o provo brasileiro “é agora irmão”.

Como todos os amores de Verão a passagem de Djokovic pelo Rio de Janeiro foi fugaz mas intensa. E para quem fica, continuará para sempre a esperar outro regresso.

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João BastosAgosto 9, 20167min0

Num dia em que não caiu nenhum récord do mundo, os americanos continuam a somar medalhas juntando mais dois ouros, uma prata e três bronzes ao medalheiro. Katinka Hosszu começa a perfilar-se como a grande vedeta deste torneio olímpico de natação.

Sun vinga a derrota dos 400

Sun Yang já tem um ouro e uma prata na sua conta pessoal | Fonte: Reuters/Michael Dalder
Sun Yang já tem um ouro e uma prata na sua conta pessoal (Foto: Reuters/Michael Dalder)

Como tem sido tradição em Jogos Olímpicos, os 200 metros livres foram uma prova muito interessante de seguir derivado das diferentes estratégias adoptadas pelos nadadores em prova.

O chinês Sun Yang que tinha sido vice-campeão olímpico em Londres nesta prova e que também já tinha batido na trave no Rio, mas na prova de 400 metros, venceu confortavelmente tendo sido o único a nadar na casa do 1 minuto e 44 segundos (1:44.65).

O mariposista sul africano Chad le Clos surpreendeu toda a gente ao sair disparado nos primeiros 100 metros passando um segundo abaixo dos adversários. Na segunda parte da prova conseguiu resistir ao regresso de todos, menos de Sun Yang.

A fechar o pódio ficou o norte-americano Conor Dwyer que ficou a apenas 3 centésimos de le Clos (1:45.23 do americano contra 1:45.20 do sul-africano).

2 em 5 para Hosszu

A Dama de Ferro já leva dois ouros nestes JO | Fonte: Swimming World Magazine
A Dama de Ferro já leva dois ouros nestes JO (Foto: Swimming World Magazine)

A húngara Katinka Hosszu continua a sua saga rumo ao penta. Apesar dos 100 costas ser a prova mais curta que nada no Rio de Janeiro, deveria ser a mais complicada de arrebatar o ouro. O alinhamento era de luxo e a diferença entre a 1ª e a 8ª classificadas para a final era de apenas meio segundo. Katinka não se deixou intimidar e venceu com o fantástico tempo de 58.45, sustentado nuns segundos 50 metros fortíssimos (passou apenas em 6º a meio da prova).

Kathleen Baker, dos EUA, é uma das nadadoras revelação destes Jogos e aos 19 anos alcançou a medalha de prata, gastando apenas mais 3 décimos a cumprir o hectómetro de costas do que Hosszu.

O lugar mais baixo do pódio foi repartido entre a canadiana Kylie Masse e a chinesa Fu Yuanhui que empataram com 58.76.

A campeã do mundo Emily Seebohm, da Austrália, era encarada como a maior candidata ao ouro e a meio da prova ainda passou à frente, num parcial abaixo do récord do mundo, mas acabou apenas no 7º lugar. Abaixo dela só a segunda australiana Madison Wilson, o que deixa a Austrália a encarar a estafeta de estilos com alguma preocupação.

Ryan Murphy é o segundo abaixo de 52 segundos

Ryan Murphy é o segundo melhor nadador de sempre dos 100 costas | Fonte: Jacksonville
Ryan Murphy é o segundo melhor nadador de sempre dos 100 costas (Foto: Jacksonville)

O nadador americano Ryan Murphy não pára de surpreender. Na selectiva americana “tirou” o campeão de Londres Matt Grevers desta participação olímpica. Já no Rio fez o melhor tempo das meias finais, e chegando à final levou o título para os EUA (para onde já vai desde 1996). Para além disso, fez o segundo melhor tempo da História ficando a apenas 3 centésimos do récord do mundo de Aaron Peirsol com o tempo de 51.97 – que valeu récord olímpico -, sendo que ainda tem a estafeta de estilos para o tentar bater. Isto tudo aos 21 anos acabados de fazer!

No segundo lugar chegou o chinês Xu Jiayu, outro jovem de 20 anos que chegou à prata com o tempo de 52.31. O segundo americano, David Plummer completou o pódio com 52.40.

Assim como na prova feminina, também nos homens o campeão do mundo e principal candidato ao ouro era australiano. Mitchell Larkin também passou em primeiro a meio da prova mas concluiu-a no quarto posto.

Lilly King foi a rainha de bruços

Lilly King dizendo para Efimova que é ela a número 1

Mais uma revelação americana: Lilly King tem 19 anos, há dois anos fazia tempos aos 100 metros bruços de 1:09 e hoje bateu o récord olímpico com 1:04.93. Não sendo uma surpresa, uma vez que Lilly já chegava ao Rio como a líder mundial do ano graças ao tempo feito nos trials americanos, haviam nadadoras mais favoritas ao ouro.

Uma dessas favoritas ficou com a prata. A russa Yulia Efimova tinha a sua participação nestes JO envolta em polémica por ter sido uma das atletas russas suspensas várias vezes por doping. Inclusive, só garantiu a sua presença no Rio dias antes da competição começar. Yulia nadou em 1:05.50.

O bronze foi também para os EUA, para Katie Meili que nadou em 1:05.69.

A grande favorita e recordista mundial Ruta Meilutyte, da Lituânia, foi a grande desilusão ao ser apenas sétima a três segundos do seu máximo.

Três meias finais na terceira jornada

A jornada abriu com as meias finais dos 200 metros livres femininos, uma das provas que mais expectativas está a criar pelo confronto em perspectiva entre Sjöström, Ledecky e Pellegrini. No último teste antes da final, passou com melhor nota Sarah Sjöström, da Suécia. A desilusão foi Missy Franklin, a campeã do mundo de 2013 foi apenas 13ª classificada.

Numa prova com a presença do recordista mundial Michael Phelps, do campeão olímpico Chad le Clos e do campeão do mundo Laszlo Cseh, o primeiro a apurar-se para a final dos 200 metros mariposa foi o teenager húngaro Tamas Kenderesi. A final de amanhã será certamente uma das mais interessantes de seguir.

Depois de nadar e vencer os 100 metros costas, Katinka Hosszu entrou na segunda meia-final dos 200 metros estilos para controlar a prova e passar à final sem sobressaltos. Na meia-final anterior nadou a britânica Siobhan-Marie O’Connor que quis marcar posição e meter Hosszu em sentido e marcou o melhor tempo das meias.

Kaminskaya fecha participação com 35º lugar

Victoria Kaminskaya foi a primeira portuguesa de sempre a fazer mínimo A para uns Jogos Olímpicos na natação | Fonte: FPN
Victoria Kaminskaya foi a primeira portuguesa de sempre a fazer mínimo A para uns Jogos Olímpicos na natação (Foto: FPN)

Terminou a participação de Victoria Kaminskaya nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Depois de nadar os 400 metros estilos, prova onde foi a primeira nadadora portuguesa de sempre a conseguir obter o mínimo A de participação nuns JO, Victoria nadou hoje os 200 metros estilos. Tal como na prova mais longa, ficou aquém do seu melhor tempo, marcando 2:16.78 que lhe deu o 35º lugar final.

A nadadora dos Estrelas de S. João de Brito participou, aos 21 anos, nos seus primeiros Jogos Olímpicos, culminando um ciclo onde registou uma evolução brutal nos seus tempos e melhorias significativas nos récords nacionais dos 200 e 400 metros estilos. É, certamente, uma aposta segura para Tóquio em 2020 onde chegará com outro estatuto que a permitirá traçar outros objectivos.

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João BastosAgosto 8, 20165min0

Tal como ontem, foram 3 os novos récords mundiais batidos no segundo dia de provas de natação no Rio de Janeiro. Sjöström, Peaty, Ledecky e o incontornável Phelps foram os MVP’s do dia.

Sarah Sjöström absoluta nos 100 mariposa

Sarah Sjöström (Suécia) bateu o seu próprio récord mundial | Fonte: Twitter
Sarah Sjöström (Suécia) bateu o seu próprio récord mundial | Fonte: Twitter

Sarah Sjöström (Suécia) confirmou o favoritismo e as boas indicações, sagrando-se campeã olímpica dos 100 metros mariposa, com récord do mundo: 55.48 é o novo máximo mundial.

A sueca liderou de ponta a ponta, terminando com cerca de um segundo sobre a segunda classificada, a canadiana Penny Oleksiak, uma nadadora que merece todo o destaque pelo facto de ter apenas 16 anos.

A fechar o pódio ficou a campeã de Londres e antiga recordista mundial desta prova (primeira mulher a baixar da barreira dos 56 segundos), a americana Dana Vollmer.

Show Peaty must go on

Adam Peaty | Fonte: Getty Images
Adam Peaty | Fonte: Getty Images

Adam Peaty continua a dar espectáculo no Brasil. Depois de ontem ter batido o récord do mundo dos 100 metros bruços nas eliminatórias, hoje volta a baixar o máximo mundial.

O novo tempo é de 57.13, um tempo absolutamente surreal. Basta ter em conta que Peaty está muito próximo de entrar na casa dos 56 segundos quando nenhum outro nadador no mundo ainda nadou na casa dos 57.

Com tamanha diferença para o resto do mundo, a Grã-Bretanha pode fazer uma “gracinha” na estafeta de estilos.

Cameron van der Burgh, da África do Sul como se previa chegou à prata. Não fosse a existência de Peaty e estaríamos aqui a falar do grande dominador desta prova. No terceiro lugar ficou o americano Cody Miller.

Katie Ledecky esmaga o seu próprio récord

Katie Ledecky retirou quase 2 segundos ao anterior récord mundial | Fonte: Getty Images
Katie Ledecky retirou quase 2 segundos ao anterior récord mundial dos 400 metros livres | Fonte: Getty Images

Terceira final, terceiro récord do mundo! Katie Ledecky era a super favorita a vencer os 400 metros livres e previa-se que a sua prova fosse uma luta solitária contra o cronómetro, mas mesmo o cronómetro não teve hipótese contra ela.

O récord mundial já era dela com o tempo de 3:58.37, mas na final olímpica cumpriu as 8 piscinas no tempo de 3:56.46. Katie meteu o récord feminino ao nível do récord mundial masculino de 1974!

Jazmin Carlin, da Grã-Bretanha, chegou no segundo lugar a quase 5 segundos de Ledecky e a segunda americana, Leah Smith, fechou o pódio.

Ter Phelps é meio caminho nadado

Phelps somou a 23ª medalha em JO, 19ª de ouro | Fonte: Patrick B. Kramer
Phelps somou a 23ª medalha em JO, 19ª de ouro | Fonte: Patrick B. Kramer

Na prova que fechou a jornada, os EUA teriam uma tarefa hercúlea para levar para casa o ouro nos 4×100 metros livres.

Para facilitar a tarefa meteram Michael Phelps na equipa e o campeão correspondeu com o seu melhor tempo de sempre em estafeta (47.12).

Caeleb Dressel abriu com 48.10, Ryan Held cumpriu o terceiro percurso em 47.73 e Nathan Adrian fechou com uns fantásticos 46.97 (o mais rápido na piscina).

O crónico rival dos EUA – a França – ficou com a prata. Mehdy Metella, Fabien Gilot, Florent Manaudou e Jeremy Stravius chegaram a liderar no final do primeiro percurso mas não resistiram ao “comeback” dos americanos.

Tal como na prova feminina, nos homens também a Austrália era a favorita e tal como na prova feminina a táctica era fazer uma prova em crescendo, o problema foi que James Magnussen, o nadador com a melhor marca mundial de sempre sem fato de poliuretano, não está na melhor forma.

James Roberts, Kyle Chalmers, James Magnussen e Cameron McEvoy (líder mundial do ano) tiveram de se contentar com o bronze.

Sun, King, Murphy e Baker avançam para as finais

No programa da noite foram nadadas quatro meias finais, os 200 metros livres masculinos com o primeiro lugar a ser assegurado pelo chinês Sun Yang;

Os 100 metros bruços femininos tiveram na americana Lilly King a mais rápida a chegar à final;

O também americano Ryan Murphy foi o dominador nos 100 metros costas masculinos;

E na mesma prova, mas nas senhoras, a primeira qualificada também foi americana: Kathleen Baker.

 

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João BastosAgosto 8, 20167min1

As provas de natação já se iniciaram no Estádio Aquático Olímpico e logo no primeiro dia foram já estabelecidos 3 novos récords mundiais e 5 olímpicos, antevendo-se que a natação seja um dos desportos mais destacados dos Jogos brasileiros.

Dama de Ferro vira Dama de Ouro

Katinka Hosszu esmagou o récord mundial dos 400 metros estilos | Fonte: EPA/Esteban Biba
Katinka Hosszu esmagou o récord mundial dos 400 metros estilos | Fonte: EPA/Esteban Biba

A húngara Katinka Hosszu, também conhecida como “Dama de Ferro” vinha a estes Jogos Olímpicos com um propósito muito claro: fazer jus à alcunha e vencer as 5 provas individuais nas quais se encontra inscrita, igualando Michael Phelps em Pequim’2008 (Phelps juntou-lhe a vitória em três estafetas).

A primeira prova onde competia era a mais longa, os 400 metros estilos e Katinka fez questão de mostrar ao mundo que estava a falar a sério. Marcou o extraordinário tempo de 4:26.36, esmagando autenticamente o récord mundial que pertencia à chinesa Ye Shiwen com 4:28.43. Foi secundada no pódio pela americana Madeline Dirado e pela espanhola Mireia Belmonte. A saga da húngara segue com os 100 metros costas.

Hagino vence o duelo a Kalisz

Kosuke Hagino (ouro) e Daiya Seto (bronze) garantiram o domínio do Japão nos 400 metros estilos | Fonte: KYODO
Kosuke Hagino (ouro) e Daiya Seto (bronze) garantiram o domínio do Japão nos 400 metros estilos | Fonte: KYODO

Também nos 400 metros estilos, mas no sector masculino, a medalha de ouro foi (muito) mais disputada. O americano Chase Kalisz trazia uma herança pesada, uma vez que os EUA vencem esta prova desde 1996 com Tom Dolan (1996 e 2000), Michael Phelps (2004 e 2008) e Ryan Lochte (2012). Daiya Seto subia ao bloco na condição de bi-campeão mundial e Kosuke Hagino queria melhorar o bronze de há 4 anos.

No confronto do pedigree contra o curriculum, venceu Kosuke Hagino numa vitória sustentada essencialmente na vantagem conseguida no percurso de costas. Chase Kalisz chegou em segundo a 70 centésimos de Hagino e Daiya Seto com uma quebra no percurso de crawl fechou o primeiro pódio da natação nestes JO.

13 centésimos entre Horton e Sun

Mack Horton | Fonte: Alex Coppel
Mack Horton | Fonte: Alex Coppel

A prova dos 400 metros livres tinha todos os ingredientes para ser uma grande prova. Como já tínhamos antevisto haviam vários candidatos ao ouro e de facto, a 100 metros do final da prova, 7 nadadores estavam separados por pouco mais de um segundo. Para além do factor competitivo, Sun Yang (China) e Mack Horton (Austrália) tiveram um pequeno arrufo durante o aquecimento, pelo que a prova ia ser “quentinha” entre os dois.

No final das contas, o jovem australiano de 20 anos superiorizou-se ao chinês de 24 que não perdia esta prova há 5 anos. Mack Horton foi primeiro no tempo de 3:41.55, Sun Yang foi prata com 3:41.68 e o italiano Gabriele Detti juntou o bronze olímpico ao título europeu conquistado há apenas 3 meses.

Australianas voam para o récord

Cate Campbell, Bronte Campbell, Brittany Elmslie e Emma McKeon pulverizaram o récord do mundo dos 4x100 metros livres
Cate Campbell, Bronte Campbell, Brittany Elmslie e Emma McKeon bateram o récord do mundo dos 4×100 metros livres | Fonte: Reuters

A fechar a sessão do primeiro dia de finais nadou-se a estafeta feminina de 4×100 metros livres. Com uma performance de impor respeito na eliminatória com a obtenção de novo récord olímpico, as australianas eram as claras favoritas a levar o ouro.

Não só levaram o ouro como bateram o seu próprio récord mundial, estabelecido há dois anos nos jogos da Commonwealth. Emma McKeon (53.41), Brittany Elmslie (53.12), Bronte Campbell (52.15) e Cate Campbell (51.97) percorreram os 400 metros em 3:30.65 deixando as americanas (Simone Manuel, Abbey Weitzeil, Dana Vollmer e Katie Ledecky) no segundo lugar e as extraordinárias canadianas (Sandrine Mainville, Chantal van Landeghem, Taylor Ruck e Penny Oleksiak) que alinharam com duas nadadoras de 16 anos (Ruck e Oleksiak) no lugar de bronze.

As holandesas eram encaradas como as mais fortes opositoras das australianas mas desiludiram ao ficar no 4º lugar. Com uma Femke Heemskerk abaixo do melhor que pode fazer, mas com um alinhamento incompreensível ao colocar a pior nadadora no primeiro percurso condicionando a prova desde o início.

Adam Peaty, 50% génio, 50% louco

Adam Peaty bateu o récord do mundo dos 100 metros bruços...na eliminatória | Fonte: Reuters
Adam Peaty bateu o récord do mundo dos 100 metros bruços…na eliminatória | Fonte: Reuters

Na primeira sessão foram já estabelecidos 3 récords mundiais, pelo que o nível está tão elevado que quebrar uma barreira que nunca ninguém quebrou, no final do dia, até pode parecer banal. Mas o que dizer de um nadador que bate o récord mundial (que já é seu) nas eliminatórias, numa prova que ainda tem meias-finais?

O britânico Adam Peaty é esse nadador. A abrir a sua participação nos Jogos Olímpicos marcou o tempo de 57.55 nos 100 metros bruços batendo o seu máximo mundial de 57.92. O segundo apurado para as meias finais ficou a mais de 1 segundo. Na meia final o britânico voltou a nadar abaixo do seu anterior máximo, desta vez com o tempo de 57.62 (com 1.43 segundo de avanço para o segundo qualificado)

Sjöström aquece para a final

Sarah Sjöström (Suécia) fez melhor tempo das "meias" dos 100 mariposa | Fonte: Twitter
Sarah Sjöström (Suécia) fez melhor tempo das “meias” dos 100 mariposa | Fonte: Twitter

A sueca Sarah Sjöström é a grande (única?) favorita a vencer os 100 metros mariposa. É ela a recordista mundial e não perde esta prova desde 2013.

Na meia final fez já um claro aviso à navegação e nadou em 55.84, récord olímpico a apenas 20 centésimos do seu récord do mundo.

Emma McKeon, da Austrália, qualificou-se para a final em 2º lugar e a jovem japonesa Rikako Ikee no 3º posto.

Portugueses com bom arranque

Alexis Santos bateu o seu récord nacional dos 400 metros estilos | Fonte: Camarote Leonino
Alexis Santos bateu o seu récord nacional dos 400 metros estilos | Fonte: Camarote Leonino

Os portugueses Alexis Santos e Victoria Kaminskaya abriram as hostes da participação portuguesa na natação, ambos na prova de 400 metros estilos.

O primeiro a entrar em acção foi Alexis na segunda série das eliminatórias e fez história. Não só porque bateu o seu próprio récord nacional com o tempo de 4:15.84, mas também porque este tempo valeu o 14º lugar e só Alexandre Yokochi conseguiu melhor classificação para Portugal na natação. O lugar valeria uma meia-final mas os 400 metros estilos têm final directa.

Victoria Kaminskaya não teve uma estreia tão positiva ficando aquém do seu récord nacional de 4:42.53, marcando 4:46.02 que lhe valeu o 28º lugar, apenas um lugar abaixo da campeã olímpica em título, a chinesa Ye Shiwen.


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