Arquivo de Primera Divisón - Fair Play

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Diogo AlvesAbril 17, 20178min0

Decorridas 20 jornadas, o San Lorenzo de Almagro é um dos clubes que está na perseguição ao líder Boca Juniors. Na pole position o San Lorenzo é o 5º classificado da Primera Divisón com 37 pontos. Encontram-se atrás de Estudiantes, River Plate e do Newell’s Old Boys. O Boca segue a uma distância de sete pontos. Nascidos em Boedo, o El Ciclón – como são conhecidos é um dos principais rostos do futebol argentino e almejam regressar rapidamente aos títulos. O Papa Francisco é adepto e sócio do San Lorenzo e já por diversas vezes demonstrou a sua paixão pelo Ciclón de Buenos Aires.

Foi com um dos homens mais falados do momento que o San Lorenzo conquistou pela última vez um campeonato argentino e conseguiu a tão desejada Copa dos Libertadores da América em 2014. Falamos do (agora) ex-seleccionador argentino Edgardo Bauza. Foi sobre a vigência de Patón Bauza que o San Lorenzo viveu uma das épocas mais gloriosas de sempre. Desde a saída de Patón, o El Ciclón não mais venceu um campeonato argentino.  

Estiveram muito perto de conseguir vencer o último campeonato, tendo chegado à final com o Lanús, mas, no Monumental de Nuñez, acabaram goleados por 4-0 e uma das consequências da goleada foi a queda do técnico Pablo Guede do comando dos argentinos.

No entanto, o técnico argentino não saiu de mãos abanar de Boedo. Ainda na sua vigência venceu a Supertaça da Argentina goleando o Boca Juniors por 4-0. Pablo Barrientos (2x), Belluschi e Blandi foram os autores dos golos dessa partida disputada já no longínquo mês de Fevereiro de 2016.

Edgardo Bauza e Leandro Romagnoli em festa após conquistarem a Libertadores em 2014 [Foto: defutbolsomos.com.ar]

Pragmatismo uruguaio

Rapidamente encontraram um sucessor para Pablo Guede, o uruguaio Diego Aguirre. São a antítese um do outro. O timoneiro argentino mais influenciado por Jorge Sampaoli e Marcelo Bielsa, enquanto Diego Aguirre vê-se mais em Diego Pablo Simeone. Ao contrário do antecessor o uruguaio tem uma carreira longa e com passagens por vários países, no entanto nunca tinha estado a treinar na Argentina. Uruguai, Equador, Perú, Catar e Brasil. Uma panóplia de países por onde andou o actual técnico do San Lorenzo.

Apontado como o sucessor de Óscar Tabaréz na selecção do Uruguai, o ex-Internacional de Porto Alegre assume-se como um treinador ofensivo, que adapta as suas equipas às características dos rivais que defrontam e muda bastante os sistemas de jogo para jogo, tanto pode jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou no tradicional 4-4-2. O técnico charrua não suporta maus comportamentos e é bastante rígido no aspecto da disciplina.

A impressão digital do treinador charrua em Boedo

As mudanças de uma época para a outra não foram muitas e o plantel é praticamente o mesmo. Uma estrutura de 4-1-4-1 predominantemente e com um método de jogo de ataque rápido ou ataque posicional. Em geral optam por uma postura de contenção assim que perdem bola e assumem um bloco intermédio ou baixo em organização defensiva.

Ao contrário de outras passagens, o timoneiro charrua vai mantendo a sua estrutura habitual tanto em partidas do panorama nacional como internacional, nomeadamente na Copa dos Libertadores.

Diego Aguirre no dia da apresentação como treinador do Ciclón [Foto: diariopopular.com.ar]

Os nomes próprios que dão vida ao sistema

Têm em Nestor Ortigoza e Fernando Belluschi os principais dinamizadores do jogo ofensivo da equipa. El Gordo Ortigoza (capitão e um dos mais antigos jogadores do San Lorenzo) é o responsável por iniciar o processo de construção da equipa de Boedo, baixa junto dos centrais ou descaí para um dos corredores para começar a construção da sua equipa, é ele quem lidera o meio-campo juntamente com Belluschi – considerado o melhor médio do último campeonato – que participa activamente em toda a manobra no terço ofensivo. Criatividade é com ele. A antítese de Belluschi é Mercier (ou Franco Mussis) que dentro do 4-1-4-1 é o “1” do meio-campo e procura equilibrar atrás assim como fazer o trabalho “sujo” de roubar o esférico aos adversários que pisem os terrenos que lhe estão destinados a defender.

Defensivamente acumulam muita experiência, sobretudo nos defesas-centrais. Os três mais utilizados são Marcos Angeleri (34 anos), Matias Caruzzo (32 anos) e o conhecido Fabrício Coloccini de 35 anos. O guarda-redes Torrico de 37 anos é o habitual titular. Muita experiência neste sector que ficou mais frágil com as saídas dos laterais Buffarini e Emmanuel Mas. Os dois davam uma enorme profundidade ao corredor e imensa dinâmica ao jogo exterior do Ciclón. Mathias Corujo e Pablo Díaz são agora os laterais residentes, não dando a mesma dinâmica que os antecessores são dois atletas bastante competentes e vão demonstrando serviço defensivamente e ofensivamente.

[Foto: lineupbuilder.com]

Os flancos ficaram empobrecidos com a saída de Sebástian Blanco para a MLS. O argentino era uma das principais estrelas e um jogador muito importante na manobra ofensiva. Rúben Botta assumiu a titularidade como extremo-esquerdo, o reforço de inverno foi a alternativa encontrada para colmatar a saída do titular Sebástian Blanco. Também no corredor direito Diego Aguirre teve de encontrar uma alternativa, no entanto sem precisar de ir ao mercado. Ezequiel Cerrutti é agora o extremo-direito residente, uma vez que, Martín Cauteruccio saiu em Janeiro para o Cruz Azul do México. Rude golpe para o clube de Papa Francisco que vê o seu melhor marcador rumar a outro destino e deixa assim a sua antiga equipa órfã do melhor artilheiro.

Nicolás Blandi é o “9” do conjunto argentino, o jogador formado no Boca é o artilheiro e referência do ataque. Acumula para já 14 golos em todas as provas nesta época. É um homem de área que procura sempre movimentos de ruptura entre os centrais adversários para que a bola lhe chegue em boas condições para a finalização. Será nele que o Ciclón apostará muito das fichas para ter sucesso nas provas em que está inserido, a sua capacidade goleadora será fundamental para os homens de Boedo manterem viva a esperança do título.

Os «portugueses» de San Lorenzo

Como já foi supracitado Fernando Belluschi é hoje jogador do San Lorenzo de Almagro e um dos activos mais importantes do emblema argentino. O ex-FC Porto está há duas épocas no Ciclón depois de passagens pela Turquia e México.

Além do Samurai há ainda mais dois rostos bem conhecidos do público português, nomeadamente de benfiquistas e sportinguistas. Gonzalo Bergessio, avançado de 32 anos, é hoje uma das principais alternativas na frente de ataque. Sem sucesso no SL Benfica em 2006/07 foi precisamente o San Lorenzo que o acolheu depois da passagem fugaz pelo Benfica, esta é a segunda passagem pelo emblema de Buenos Aires. Um dos “meninos” do San Lorenzo é Pipi Romagnoli que passou pelo Sporting CP entre 2005 e 2009. O médio-ofensivo hoje com 32 anos regressou em 2009 à sua casa-mãe e por lá ficou até aos dias de hoje. É um dos jogadores mais laureados do clube tendo conquistado uma Apertura e Clausura, uma Copa dos Libertadores, uma Copa Sul-Americana, a extinta Copa Mercosul em 2001, e, por fim a Supertaça em 2016.

Beto Acosta que foi fundamental para o Sporting em 1999/00 na conquista do campeonato 18 anos depois, é também um dos rostos do San Lorenzo. Saiu do San Lorenzo para o Sporting CP em 1999 e foi também ao San Lorenzo que regressou depois do fim da sua aventura de leão ao peito. Ao todo foram nove as épocas que realizou pelo conjunto argentino distribuído por quatro passagens em momentos diferentes. Fazia parte da equipa que em 2001 conquistou a Copa Mercosul ao lado de outro ex-Sporting, Pipi Romagnoli que despontava nessa equipa. Venceu ainda uma Copa Sul-Americana e uma Clausura em 2002.

Beto Acosta [Foto: taringa.net]
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Diogo AlvesMarço 14, 20176min0

O Boca Juniors é o actual líder da Primera Divisón Argentina, com 34 pontos em 15 jornadas – os comandados de Guillermo Barros Schelotto seguem isolados na liderança. Juntamente com o seu irmão gémeo – Gustavo Barros Schelotto –, Guillermo chegou ao clube há precisamente um ano para substituir o então treinador Rodolfo Arruabarrena, que passava por momentos muito difíceis e que acabou demitido do cargo ainda no início do campeonato de 2016.

Guillermo Barros Schelotto é um ex-jogador do Boca Juniors, um dos mais carismáticos e com mais anos de casa. Tendo partilhado o vestiário com nomes como Riquelme, Martín Palermo, Diego Maradona (já na parte final da carreira do astro argentino), Claudio Cannigia entre outros grandes nomes do Boca Juniors.

Fez parte de uma das melhores equipas do Boca, tendo conquistado quatro das seis Copa dos Libertadores que o Boca tem no seu histórico. E ainda duas Taças Intercontinentais, vencendo o Real Madrid e o AC Milan.

Terminada a carreira em 2011, ao serviço do Lanús, foi precisamente em Lanús que começou a treinar na época de 2012/2013. Na época de estreia conseguiu vencer a Copa Sudamericana, o primeiro título continental do Lanús em toda a sua história. Schelotto começava a sua carreira de treinador como se habituou-se enquanto jogador: a vencer grandes títulos. Foram mais duas épocas em Lanús, mas sem o mesmo êxito da primeira, no entanto deixou as bases para Jorge Almirón vencer o campeonato de 2016.

Aventura Europeia sem sucesso…

Guillermo Barros Schelotto, enquanto jogador nunca teve a oportunidade de jogar na Europa, tendo feito grande parte da sua carreira na Argentina e contou com uma passagem pela MLS, já em final de carreira.

Como treinador pode dizer que já pisou solo europeu e esteve numa das melhores ligas europeias, a Serie A de Itália. Chegou, viu…e partiu. Guillermo era para ser treinador do Palermo que não passava por uma fase fácil na Serie A, estando em 15º com apenas 26 pontos.

Guillermo no jogo contra o AC Milan. Apenas dirigiu a equipa com o Frosinone, Carpi, Sassuolo e AC Milan. [Foto: ilpost.it]

Não foi por maus resultados ou má metodologia de treino que veio embora do Palermo. Foi por causa do Diploma de Treinador. A FIFA não reconheceu os mínimos para que Guillermo pudesse trabalhar na Europa, era preciso um mínimo de cinco épocas ao serviço de um clube de máxima categoria. E Guillermo tinha, à altura, apenas três épocas no Lanús, pelo que não era suficiente para poder treinar na Serie A.

O início na Bombonera

Com a saída de Rodolfo Arruabarrena, o Boca procurou contratar um novo treinador que tivesse um conhecimento profundo do Boca Juniors, e, Guillermo Barros Schelotto era o nome mais indicado naquele momento.

O Boca não passava por uma fase fácil a nível interno, num dos campeonatos mais curtos de sempre na Argentina, o Boca estava fora da luta pelo título, e para piorar, estava fora dos lugares de qualificação para a Copa dos Libertadores.

Não foi fácil o início, mas pior foi o término. O Boca acabou por abdicar do campeonato e apostar as fichas todas na Libertadores, tendo chegado às meias-finais da prova continental. Aí perderam diante de um surpreendente Independiente Del Valle do Equador.

Foi um final de época desastroso e penoso para Guillermo e para os seus jogadores que apostavam tudo na prova continental e acabaram por não alcançar metas a nível interno nem continental.

Episódio Dani Osvaldo

[Foto: lagaceta.com]

O princípio de Guillermo ficou marcado por um episódio problemático com Dani Osvaldo no final de um jogo no Uruguai para a Copa dos Libertadores. Um episódio que marcou a posição do treinador no clube.

O problemático Dani Osvaldo que regressava ao Boca depois de uma aventura no FC Porto. O jogador era uma escolha do treinador anterior – Rodolfo Arruabarrena – que tinha um carinho especial por ele e até o achava de loco lindo, fazendo alusão à loucura de Osvaldo.

O ítalo-argentino no final da partida com o Nacional (do Uruguai) abandonou o relvado e seguiu rapidamente para o balneário onde, tranquilamente, acendeu um cigarro e por lá ficou. Guillermo não gostando da atitude do jogador repreendeu de imediato e deu-lhe ordem de expulsão do clube assim que chegassem a Buenos Aires. Guillermo não tolera maus comportamentos muito menos dentro de um balneário, pelo que Osvaldo acabou expulso do clube e assim terminou a sua estada no Boca e parece que também no futebol.

O reerguer do “monstro”

Após uma época bastante periclitante, era hora de Guillermo mostrar o seu valor e ter a oportunidade de começar uma nova época, uma época desde o dia 0. Com o regresso do campeonato a 30 equipas em apenas uma volta, o objectivo passa por vencer o campeonato e regressar à Libertadores do próximo ano.

Sem grandes mexidas na equipa, apenas algumas entradas no verão, como Sebástian Pérez do Atlético Nacional, uma das grandes revelações da Copa dos Libertadores, e também entrou o argentino Ricardo Centurión, extremo formado no Racing de Avellaneda.

Uma ideia de jogo com futebol ofensivo, ideias e equipa bem estruturada em campo, Guillermo quer colocar o Boca a praticar um bom futebol e aquele que coloque a equipa o mais próximo possível dos grandes êxitos.

Guillermo tenta fugir ao padrão do futebol argentino, desgarrado com muitos espaços entre os sectores da equipa e muito baseado em futebol directo. O Boca procura ser uma equipa de ataque posicional, saídas curtas e procura a profundidade só no último terço, procura fundamentalmente os laterais para usar (e por vezes abusar) de cruzamentos à procura do avançado, mas além do avançado, mete também sempre mais dois homens acompanhar o goleador.

Para já tudo está a correr de feição e o Boca segue na liderança com mais três pontos que o San Lorenzo – 2º classificado. Os adeptos do Boca estão bastante confiantes na reconquista do campeonato, e nem a saída de Tévez para a China parece ter abalado a equipa. No regresso do campeonato venceram o Banfield por 2-0.

[Foto: soccerway.com]
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Diogo AlvesFevereiro 24, 20176min0

O Lanús é o actual campeão argentino, após em Maio passado ter vencido o San Lorenzo na final do Campeonato Argentino. Uma fase regular absolutamente arrasadora levou a que chegassem à final como o grande favorito à vitória. Com ideias e um processo jogo sempre em evolução, o Lanús é das equipas mais apaixonantes e refrescantes do futebol Argentino.

Decorridas 14 jornadas o Lanús é, actualmente, o 6º classificado da Primera Divisón com 26 pontos e com uma distância de apenas cinco pontos para o Boca Juniors, o 1º classificado da Primera Divisón.

A inconstância de resultados nas primeiras seis jornadas afastaram a equipa dos primeiros lugares durante algum tempo, e isso reflecte-se agora com a desvantagem de cinco pontos para o líder Boca, que curiosamente venceram na 1ª jornada por 1-0.

Foram quatro jogos sem vencer, entre os quais três empates e uma derrota em casa contra o surpreendente Unión de Santa Fé. No entanto, já conseguiram aproximar-se do pódio estando a apenas dois pontos do 2º classificado, o Newell’s Old Boys. A consistência apareceu na 9ª jornada e conseguiram cinco vitórias consecutivas que só tiveram travão com o empate a duas bolas com o San Lorenzo na última jornada antes da pausa de verão.

Jorge Almirón, o autor

[Foto: infobae.com]

Jorge Almirón é o treinador principal do Lanús e o responsável – a par dos jogadores – de colocar o Lanús a praticar um dos melhores “futebóis” da Argentina. Muito apreciado pela crítica desportiva, Jorge Almirón é um dos rostos da nova vaga de treinadores argentinos que prometem dar um colorido diferente ao futebol argentino.

Almirón já foi alvo de elogios de Menotti, um dos grandes treinadores do futebol argentino e umas das vozes principais na Argentina no que ao futebol diz respeito. Não fosse ele considerado um dos melhores treinadores argentinos de sempre e o treinador campeão do Mundo em 1978.

Procurou aconselhar-se com vários treinadores argentinos, uns mais contemporâneos, outros nem tanto, como o supracitado Menotti. Sampaoli, Bianchi e Basile foram os outros treinadores que Almirón procurou aprender e partilhar reflexões sobre futebol. Com Jorge Sampaoli esteve dez horas à conversa e nem houve pausa para almoço.

A ideia de jogo

O Lanús de Jorge Almirón é uma equipa que procura praticar um futebol ofensivo, vistoso, com organização e pressionante sem bola. O sistema é o tradicional 4x3x3 que procura sempre ter um jogo posicional muito forte.

É uma equipa que procura chegar à área contrária através de um jogo associativo, com passe curto e apoiado. Procuram manter-se equilibrados em todos os momentos de jogo, e foge ao padrão mais argentino de um jogo muito desgarrado e que facilmente se “parte” com o passar dos minutos. Se há espaços para explorar não têm problemas em acelerar mais o jogo e verticalizar mais o seu jogo em direcção à baliza.

Privilegiam uma saída através do guarda-redes e a partir daí começa o seu processo ofensivo, jogo pausado, toques curtos e mobilidade para conseguir encontrar o melhor espaço e penetrar na defesa do adversário. Largura máxima em muitos momentos de jogo para que haja “campo grande”. Abrir o adversário para encontrar brechas no aparelho defensivo e assim se torne mais fácil invadir zonas privilegiadas para fazer golo. Procuram jogar pelos três corredores, por isso os laterais estão muito profundos em campo e libertam os extremos para zonas mais interiores.

 Os protagonistas

Miguel Almirón era um dos principais protagonistas do Lanús [Foto: infobae.com]

Jorge Almirón teve a sorte de encontrar um Lanús nutrido de talento, com vários jovens jogadores cheios de vontade de aprender e com imenso talento. Também com alguma experiência e vivências que é preciso ter no seio da juventude. Caso concreto é José Sand, o avançado de 36 anos que, apesar da idade, atravessa um belo momento na sua carreira. 16 golos na época passada e esta época leva 6 golos em 14 partidas da Primera Divisón.

Monetti é o guarda-redes mais vezes titular no Lanús, experiente e com algumas épocas de Lanús, o arquero argentino é o ideal para sair a jogar porque tem um bom jogo de pés, e é considerado como um dos melhores na sua posição no que ao jogo de pés diz respeito. Fundamental para contribuir com a primeira fase de construção.

Na defesa contam com a grande experiência de Maximiliano Velázquez de 36 anos, pode actual como defesa-central ou lateral-esquerdo. A saída de Gustavo Gómez para o AC Milan deixou este sector mais frágil, mas continuam aparecer bons talentos como Marcelo Herrera, defesa-central de 24 anos, com uma boa capacidade para sair a jogar e o lateral José Luís Gómez que esteve nos pré-convocados da Argentina para a Copa América Centenário.

No meio-campo é onde estão as maiores virtudes deste Lanús. Ivan Marcone é o pivot defensivo da equipa, equilibra a equipa quando há muito propensão ofensiva dos laterais e envolve-se bastante na fase de construção. Román Martínez pode-se dizer que, dentro do 4x3x3 é o “8”, o jogador que liga o jogo com o criativo – Miguel Almirón – e os extremos. Miguel Almirón era (e digo era porque saiu em Janeiro rumo aos Estados Unidos) o jogador mais criativo da equipa, um autêntico número 10, da cabeça aos pés, qualidade técnica, velocidade, passe e visão de jogo. Um jogador fundamental na manobra ofensiva da equipa, sobretudo em fase de definição.

Na frente de ataque há o supracitado José “Pepe” Sand que é um autêntico pivot ofensivo, recebe muitas vezes de costas para a baliza e relaciona-se muito bem com os médios que estão de frente para a baliza adversária. Além disso, junta ainda uma boa capacidade a finalizar e os seus 36 anos fazem-no num jogador com uma bagagem muito grande para afrontar os grandes defesas argentinos. Lautaro Acosta é um dos desequilibradores a partir dos corredores, com passagem fugaz pelo Sevilla, Lautaro é, nesta fase, um dos bons jogadores do campeonato argentino. Hernan Toledo chegou em Janeiro – emprestado pela Fiorentina- e promete juntar-se a Lautaro Acosta para dar ainda mais verticalidade e velocidade ao ataque do Lanús.

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Diogo AlvesDezembro 16, 20164min0

Na Argentina já há quem ache que Sebastián Driussi será o próximo grande êxito do futebol ‘albiceleste’ e mais um talento formado nas escolas do River Plate, que pode atravessar o Atlântico, e ser uma estrela no futebol europeu. Conheça melhor o perfil de Sebastián Driussi que actua no River Plate, através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Sebastián Driussi faz parte de um lote gigante de jogadores que se estreiam na Primeira Divisão da Argentina ainda em idade menor. No caso de Driussi foi com 17 anos, não batendo assim o recorde de Aguero que com 15 anos estreou-se pelo Independiente. Com a chegada de Marcelo Gallardo ao River Plate, a aposta na formação foi notória e Driussi é um de muitos que Gallardo subiu à equipa A do River Plate.

Apesar da idade ainda muito jovem, apenas 20 anos, Driussi já esteve em duas finais de competições continentais, a Taça Sul-Americana, em 2014, e a final da Copa dos Libertadores, em 2015. A juntar a estas duas finais continentais, ainda conta no seu curto currículo uma final de Mundial de Clubes, em 2015 contra o Barcelona e por duas ocasiões foi vencedor da Copa Sul-Americana de Sub-20 (prova de selecções). Portanto, um jogador que nasceu dentro do futebol sénior a jogar grandes finais e a vencer títulos de muita importância no continente sul-americano.

A sua carreira no River Plate tem sido numa trajectória ascendente desde que se estreou em 2013. Gallardo foi dando as oportunidades necessárias para que o jovem Driussi ganha-se experiência e ‘calo’ entre os maiores. Pouco a pouco foi ganhando o seu espaço dentro do plantel, revelando-se sempre como um jogador muito útil a partir do banco.

Soccerway

Esta temporada, 2016/17, finalmente Driussi agarrou o seu lugar na equipa e tem sido titular quase sempre. Já apontou 9 golos na presente temporada, a sua melhor marca desde que se fixou no plantel principal, além de ser o melhor marcador do River, está também entre os melhores marcadores da Primeira Divisão.

Jogador com características mais de segundo avançado, ou até médio-ofensivo, e menos de um ponta de lança “clássico”. Joga bem de costas para a baliza e gosta de partir de uma posição mais recuada (espaço entre sectores do adversário) para em condução de bola driblar sobre os adversários e romper em velocidade e drible pela área a dentro. Portador de um remate potente, aproveita muito bem as “segundas-bolas” que são despejadas para a entrada da área para dar uso ao remate potente que possui.

Driussi terá ainda assim de refinar melhor o seu remate exterior e o jogo aéreo. Sobretudo o jogo aéreo que é onde evidencia mais dificuldades, tendo em conta a sua posição no terreno terá de ser mais eficaz nesse aspecto. Os duelos físicos também ainda são um handicap para o jogador de apenas 20 anos.

BOA OPÇÃO PARA…

Sporting CP – Driussi poderia ser o apoio que falta a Bas Dost na frente de ataque, iria dar mais doses de criatividade e transporte de bola no último terço do campo. Olhando para as dificuldades que tem tido Jorge Jesus em encontrar um “segundo-avançado” esta época, Driussi poderia ser o seu “mini-Saviola” que teve no Benfica em 2009/10. Com Jorge Jesus, Driussi ganharia imenso conhecimento táctico sobre a posição e sobre o jogo. Seria um bom clube para entrar na Europa.

Sevilla; Valência – Tendo em conta aposta mais sul-americana do Sevilla para o seu plantel, Driussi seria uma boa aquisição para somar mais opções de qualidade para a frente de ataque do Sevilla. A sua mobilidade e qualidade técnica seriam uma mais-valia às ordens de Sampaoli. No Valência colocaria em causa a titularidade de Rodrigo que não tem feito uma boa época e traria mais qualidade ao plantel de Prandelli que tem escassez de homens para a posição 9.

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Diogo AlvesDezembro 3, 20165min0

Marcelo Gallardo está há cerca de dois anos e meio como treinador principal do River Plate, e as conquistas continentais têm sido a sua grande obra ao serviço dos “Millionarios” de Buenos Aires. Uma Copa Sul-Americana, uma Libertadores e duas Recopas Sul-Americana. Já jogou sete finais e apenas perdeu duas, esta semana garantiu a oitava. A da final da Copa da Argentina.

Marcelo Gallardo chegou em 2014 ao River Plate, numa altura em que o clube já se tinha levantado após a descida de divisão em 2011 para a Divisão B (II Liga) da Argentina. Ramón Díaz era o treinador e o River acabava de vencer o Torneio Clausura. Ramón Díaz após a conquista do título abandonou o River e decidiu aventurar-se ao serviço da selecção do Paraguai.

Roberto D’Onofrio – carismático presidente do River Plate – decidiu então chamar por um dos meninos queridos dos hinchas do River, Marcelo Gallardo. Os adeptos ficaram apreensivos e gerou-se a dúvida e a incerteza quanto à qualidade de Muñeco Gallardo como treinador principal. Que ele foi um óptimo jogador ninguém duvidava, mas como treinador era uma incógnita. Apenas tinha tido uma experiência como treinador no Nacional de Montevideo.

Foto: AFP
Foto: AFP

Gallardo chegou e pegou numa equipa campeã e recheada de talentos individuais, mas era preciso agora transformar as individualidades num colectivo forte, coeso e capaz de continuar a vencer pelo River Plate. O 4-4-2 foi o sistema escolhido, ora com mais gente por dentro, em losango, ora mais clássico com dois homens sobre as faixas para dar largura ao seu jogo. Uma equipa forte em ataque rápido e a pressionar forte sobre o adversário. Nunca mostraram ser uma equipa com um futebol muito elaborado, mas eficaz.

As dúvidas e incertezas dos adeptos aos poucos foram dissipando-se sobre Gallardo, e nem o adepto mais optimista poderia imaginar o que Gallardo iria conseguir fazer em dois anos e meio. Apesar de ainda não ter vencido o campeonato, o River Plate com Gallardo já disputou sete finais, venceu cinco e perdeu apenas duas. Saldo positivo para Muñeco Gallardo.

Mais positivo fica quando falamos em finais continentais e as consegue vencer. Assim foi em 2014 – ano de chegada ao clube – quando conseguiu vencer a Copa Sul-Americana num trajecto imaculado que culminou com a vitória sobre o Atlético Nacional. 1-1 em Medellín e 2-0 em Buenos Aires. Foi inclusive a primeira vez que o River venceu tal competição.

Se o final do ano de 2014 tinha sido positivo, o verão de 2015 guardava o título maior do continente Sul-Americano: a Libertadores. Uma fase de grupos muito inconstante – e aqui estão os sinais da irregularidade do River – mas uma fase a eliminar muito boa – é a praia de Gallardo. O Tigres do México foi o rival na final e acabou goleado no Monumental de Nuñez por 3-0 no segundo jogo. Gallardo mostrava mestria nos jogos a eliminar, um estratega neste tipo de eliminatória.

Foto: Taringa.net
Foto: Taringa.net

Já a nível interno o desempenho não tem sido assim tão bom ao longo destes dois anos e meio, se na primeira época de Gallardo o título foi possível tendo terminado a época em 2º lugar a apenas dois pontos do campeão Racing, de lá para cá nunca mais foi exequível ver o River nas grandes decisões da Primera Divisón.

Gallardo não tem conseguido mostrar-se um estratega nas provas longas como o campeonato argentino que tem ao todo trinta jornadas e para ser campeão é preciso manter um bom nível de regularidade. E cada vez mais as grandes equipas da Argentina mostram uma boa evolução do seu jogar, o que torna o campeonato muito mais atractivo e difícil ao mesmo tempo. Se tivesse de apontar o grande defeito a Gallardo seria este, a falta de regularidade no campeonato.

Ainda assim esta época parece estar a ser a mais constante dos últimos tempos e apesar do 6º lugar, a diferença para o Estudiantes é de apenas seis pontos. Seis pontos hoje em dia na Primera Divisón não é nada dado o bom nível competitivo que a Primera Divisón tem mostrado esta época com muitas equipas próximas do líder Estudiantes. E a recente passagem à final da Copa da Argentina pode dar à equipa um ânimo extra para afrontar os desafios que terá pela frente nos próximos tempos.

Cabe agora a Gallardo conseguir manter a regularidade na sua equipa, uma equipa jovem e recheada de bons talentos como Driussi ou “Pity” Martínez. Mas que conta também com a experiência de D’Alessandro, Ponzio e Maidana. Uma mescla de juventude e experiência que Gallardo trouxe ao River e que lhes dá doses de criatividade, irreverência mas também maturidade. Assim como Gallardo que ainda é um jovem treinador de apenas 40 anos, tanto esta equipa como o seu treinador podem conseguir feitos históricos para o River, e quem sabe, se nos próximos anos não teremos Marcelo Gallardo de volta à Europa para mostrar o seu trabalho, mas agora como treinador principal.


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