Arquivo de Les Bleus - Fair Play

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Francisco IsaacJaneiro 27, 20178min0

Última tranche de análise às selecções participantes nas Seis Nações, desta feita com a França e a Itália. Entre a novidade, relançamento, questões e dúvidas, as selecções vizinhas têm uma palavra a dizer? As Seis Nações no Fair Play

Em caso de não terem lido a primeira e segunda parte que foca a Irlanda-Escócia, Inglaterra-Gales, aconselhamos que o faça: Irlanda-Escócia e País de Gales-Inglaterra

FRANÇA

Estrela: Wesley Fofana (Centro);
Jovem promessa: Baptiste Serin (Formação);
Jogador a seguir: Rémi Lamerat (Centro/Ponta);
Capitão: Guilhem Guirado (Talonador);
Posição final em 2016: 5º Lugar (1 vitória, 1 empate e 1 derrota);
Momento de 2016: Vitória ante a Argentina em Buenos Aires;
Provável posição final em 2017: 5º lugar;
Ponto positivo a destacar: formação ordenada e trabalho rápido após perfuração;
Ponto negativo a destacar: solidez defensiva, equílibrio mental e reacção;

Uma nova França ao estilo e gosto de Guy Novés prepara-se para ser uma das equipas “promessa” destas Seis Nações. O antigo treinador lendário do Toulouse (conquistou 15 títulos enquanto treinador da equipa do Stade Toulousain) tem conseguido moldar os Les Bleus ao seu gosto, onde há um regressar ao rugby champagne e ao show que antes os franceses pulsavam a cada jogo. Agora há velocidadeoffloads, capacidade de choque, jogo no risco e, mais importante de tudo, há formação ordenada capaz e resistente!

A formação ordenada da França tem sido sempre um dos grandes problemas dos últimos quatro anos, altamente “dominada” pelos seus adversários e que peca nos momentos capitais dos jogos. Se recuarmos até 2016, frente à Inglaterra, os franceses cometeram 11 penalidades, em que 7 delas foram na formação ordenada (Owen Farrell aproveitou para obter 12 pontos ao pontapé).

De lá para cá houve uma autêntica revolução no sector dos avançados, onde a eficácia e assertividade deixaram de ser palavras vãs para serem conceitos “duramente” assumidos pelos 8. Nos jogos de Inverno, a França foi uma dor de cabeça para a Nova Zelândia por exemplo.

Guy Novés (Foto: RBS 6 Nations)

Nesse encontro, a França só cometeu uma penalidade na Formação ordenada e chegou mesmo a forçar um erro no seu adversário. O eixo Guirado, Chiocci e Atonio (extraordinária temporada do pilar do La Rochelle) garante umimpacto “agressivo”, para depois receber um reforço de Devedec (boa descoberta de Novés) e Vahaamahina.

Par além desse 5 da frente, há uma 3ª linha altamente móvel, veloz e ágil que tem garantido não só metros, mas como ensaios, quebras de linha e uma leitura de jogo de ponta, onde Goujon, Gourdon e o “monstro” de Northampton, Louis Picamoles. O 8 tem conquistado uma excelente reputação por Inglaterra, o que acabou por ser fundamental para dar um novo estímulo à sua carreira na selecção. Uma “rocha” no contacto, uma “fortaleza” na defesa e um líder sem necessitar da braçadeira de capitão.

Depois há todo um mundo de escolhas nas linhas atrasadas onde destacamos nomes como Nakaitaci, Camille Lopez, Scott Spedding, Rémi Lamerat (a nossa aposta para uma das grandes “caras” da França nestas 6 Nações), Virimi Vakatawa, Baptiste Serin e Wesley Fofana. Vamos “agarrar” nestes dois últimos porque merecem o nosso destaque individual.

Serin é um nº9 que está a conquistar o público do Top14, onde a sua velocidade, raça e qualidade de jogo rápido conquistaram a atenção de Novés. Serin está convocado, tendo atirado Morgan Parra para fora da selecção de XV, o que demonstra a atenção que devemos ter no jovem do Bordeaux-Bégles. No jogo frente à Nova Zelândia, o formação tem um passe soberbo para Picamoles, que vale a pena ver e rever.

Wesley Fofana é, neste momento, o melhor jogador a “desfilar” em França. O centro tem sido um dos elementos que explicam a excelente época do Clermont, com a sua capacidade de explorar a linha de de defesa e correr em direcção à área de validação. Seja os ensaios (já vai com 7 esta temporada), as assistências (5) ou outros elementos, Fofana traz muito ao jogo da França.

Novés tem tudo para fazer uma boa campanha nas Seis Nações, apesar de partir atrás da Irlanda, Escócia, Inglaterra, batendo-se de igual para igual com um País de Gales em “convalescença”. A França vai “atacar” pelas fases estáticas com os seus avançados, apostando depois na velocidade e artimanha de Fofana, o equilíbrio táctico e risco de Lopez e “drible” de Vakatawa.

Wesley Fofana (Foto: L’Equipe)

ITÁLIA

Estrela: Sergio Parisse (Nº8);
Jovem promessa: Carlo Canna (Abertura);
Jogador a seguir: Michele Campagnaro (Centro);
Capitão: Sergio Parisse (Nº8);
Posição final em 2016: 6º Lugar (5 derrotas);
Momento de 2016: Vitória frente à África do Sul;
Provável posição final em 2017: 6º lugar;
Ponto positivo a destacar: Capacidade de choque e reacção rápida ao contra-ataque;
Ponto negativo a destacar: falta de estabilidade nos avançados e fraco apoio nas linhas de 3/4’s;

Bella Italia que tem novo “comandante”, chamado de Conor O’Shea. O irlandês, que foi um dos grandes jogadores dos London Irish e da Irlanda, assumiu desde Junho de 2016 o lugar de seleccionador italiano após a saída de Jacques Brunel. O’Shea vai ter uma missão delicada pela frente, que passa por agarrar as novas gerações italianas e formatá-las não para fazer os mínimos, mas para se superarem e atingirem outro patamar.

A Itália está há anos a prometer que vai conseguir fazer uma oposição séria contra as suas congéneres europeias e, agora, tem de ser o momento ideal para “calar as vozes” que pedem uma substituição da Itália pela Geórgia. Na verdade, O’Shea tem de capitalizar a vitória contra os Springboks em Novembro passado, usando-a como catalisador e motivação para atingirem outro lugar na classificação.

“Mão de obra” não lhe falta, pelo contrário, há agora que aproveitar os grandes jogadores que tem ao seu dispor: o experiente e brilhante Sergio Parisse, o “legionário” Michele Campagnaro, o entusiasta e maestro Carlo Canna, o mestre da placagem Simone Favaro ou a “formiga” atómica Edoardo Gori. Para nós, Campagnaro rouba as atenções muito pela qualidade que possui.

Conor O’Shea (Foto: RBS 6 Nations)

O centro, que alinha pelos Exeter Chiefs, tem algumas qualidades que vale a pena observar com atenção como: capacidade de choque e tomada de decisão (Campagnaro procura entrar no contacto, procurar um espaço e conseguir devolver a bola a um colega que entre a “abrir”), agilidade e sentido de oportunidade (sempre que joga pelos Chiefs, Campagnaro tem um faro para o ensaio) e placagem (é um dos melhores placadores a jogar na Premiership).

Com Campagnaro a centro, a Itália ganha uma “arma” de alto impacto que pode ajudar nos jogos mais complicados, desde que a equipa esteja toda na mesma sintonia. Será fundamental que Sergio Parisse consiga manter a sua qualidade de jogo (é um autêntico maestro a jogar rugby), influenciando positivamente a sua equipa de forma a que nos momentos críticos não se deixem ir no “calor das emoções” (a Itália deixa-se ir em discussões com os árbitros, algo que os penaliza severamente).

A Itália precisa de começar a apostar no risco, de conseguir fazer algo que os adversários não estejam à espera e, ao mesmo tempo, serem responsáveis a defender ou apoiar o portador da bola no momento do contacto. A Itália vai ter que ganhar a “guerra” nas fases estáticas, porque só assim conseguem evitar que o adversário explore as fraquezas em termos de resistência física e organização defensiva.

Conor O’Shea terá que demonstrar algo que Brunel nunca conseguiu… estabilidade, organização e concentração. São vários elementos para a Itália “encaixar” em poucos meses, mas não terão outra solução, pois mais uma campanha negativa pode e vai levar um coro de debate sobre a admissão da Geórgia.

Michelle Campagnaro (Foto: The Guardian)
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Francisco IsaacNovembro 25, 201610min0

Derradeiro jogo do Tour da Nova Zelândia pela Europa termina em Paris frente aos Les Bleus. Conseguirá Novés surpreender o Mundo? Ou será mais um jogo “fácil” para os All Blacks? Um jogo com mais de 110 anos de História, transmitido na Eurosport1 no dia 26 de Novembro às 20:00

All Blacks Les Bleus, um duelo centenário pela Glória. Desde 1906 que os franceses desafiam os neozelandeses a cada novo ano que passa (houve hiato entre jogos, com os maiores a verificaram-se entre as duas Grandes Guerras, ou seja, 1906-1924 e 1925-1954). Nos últimos nove jogos, a Nova Zelândia conquistou 9 vitórias, com a última a ser um autêntico rolo compressor  em pleno Mundial de Rugby em 2015. Nesse jogo Julian Savea tratou de “imitar” Jonah Lomu, com três ensaios de grande qualidade, onde a expressividade física e o detalhe técnico do ponta, criaram sérios problemas para uma defesa débil, pouco flexível e sem a “raça” necessária para parar as intenções de vitória dos All Blacks.

A última vitória francesa foi no distante ano de 2009, quando os Les Bleus se deslocaram até Dunedin (Nova Zelândia). No dia 13 de Junho, desse ano, a França de Marc Lièvremont conquistou uma vitória por 27-22, expondo algumas das debilidades de então da Nova Zelândia. De 2009 para 2016, a França manteve, na convocatória, só um jogador: Louis Picamoles. Entre reformas, jogadores que caíram do “pedestal” do Top14 ou as sucessivas “revoluções” dentro do rugby dos Les Bleus, Louis Picamoles resistiu e voltará a jogar contra a Nova Zelândia. Maxime Médard, Vincent Clerc e François Trinh-Duc (lesionado até Janeiro) são outros três nomes que poderiam estar ao serviço da selecção para este encontro mas Novés teve outras ideias, ou pelo menos, foi forçado a mudar a equipa.

A queda de 2007 (Foto: Rugbyrama)
A queda de 2007 (Foto: Rugbyrama)

Mas o que há de especial com esta Nova Zelândia? Em poucas palavras podemos dizer que entre 2009 a 2016 conquistaram 90 vitórias em 100 jogos, um recorde único entre selecções mundiais de todos os desportos. 8 derrotas (três contra Austrália e África do Sul, uma contra Inglaterra e Irlanda) e 2 empates (sempre contra a Austrália) são o registo mais “negativo” nestes últimos sete anos, o que demonstra o espectacular trabalho de Sir Graham Henry (sobreviveu ao Mundial 2007, quando a Nova Zelândia perdeu nos quartos-de-final…contra França) e Steve Hansen. A Nova Zelândia fez jus à ideia que o Mundo tinha de si, transformando-se num “monstro” quase imbatível de “abater” com um elenco de 50 jogadores que mantêm a qualidade de jogo para jogo, mês para mês e ano para ano.

Os dois mundiais (2011 e 2015), cinco rugby championships (em oito) e vários recordes batidos espelham um domínio total por parte dos All Blacks que parece não ter data para terminar. Mas como chegaram a estes números e recordes? Já fizemos várias alusões em artigos anteriores ao facto da Nova Zelândia ter os básicos bem limados, em que os detalhes mais práticos são trabalhados ao ponto em que não há erros críticos que os impeçam de seguir no caminho da vitória. Vejamos os dados estatísticos dos últimos quatro jogos (3 vitórias e 1 derrota):

  • 2629 metros conquistados (max. contra a Itália com 1079 / min. contra a Irlanda com 470 metros);
  • 23 ensaios (max. contra a Itália com 9 / min. contra a Irlanda no 2º jogo com 3);
  • 76  erros forçados/próprios (max. contra a Itália com 22 / min. contra a Irlanda no 2º jogo com 17);
  • 535 placagens efectivas com 66 falhadas, o que perfaz 12% do número total de tentativas (max. contra a Irlanda no 1º jogo com 193 / min. contra a Itália com 71);
  • 31 turnovers conquistados;
  • Formações ordenadas com 95% de eficácia (22 em 23 tentativas bem sucedidas);
  • Alinhamentos com 90% de eficácia (31 em 37 tentativas bem sucedidas);

O que provam estes números? Eficiência, concentração, equilíbrio, consistência e um trabalho bem executado. A Nova Zelândia procura ter as fases estáticas (formações ordenadas e alinhamentos) quase nos 100% de modo a garantir uma base de saída para fases de ataque. Com Beauden Barrett essa ideia ficou ainda mais bem vincada, já que no The Rugby Championship, a Nova Zelândia marcou 38 ensaios, sendo que 20 provieram de alinhamentos (12) e de formações ordenadas (8), o que prova o trabalho exaustivo do staff dos All Blacks em ter estas “secções” na sua máxima qualidade (91% de alinhamentos conquistados e 93% de formações ordenadas ganhas).

Outro dado importante de vincar, é a forma como a Nova Zelândia dá uso aos pontapés que recebe dos adversários, verificando-se 12 ensaios dos últimos 9 jogos (excluímos o jogo da Itália) a partir desse ponto. Nisso as linhas atrasadas (maioritariamente composta por Israel Dagg, Julian Savea e Ben Smith) e o formação (melhor TJ Perenara que Aaron Smith neste ponto) conseguem transformar uma recepção num lance de perigo iminente para o adversário que teve de “despejar” a bola para o território neozelandês.

A somar a isto tudo, os avançados dos All Blacks são uma “máquina oleada” que está em perfeita sintonia com os 3/4’s, já que gostam de ter a oval na mão, sabem manobrá-la como poucos (veja-se Dane Coles, Kieran Read, Ardie Savea, Broadie Retallick ou Jerome Kaino), conquistam bons metros e têm noção de como podem fazer a diferença no espaço aberto. Dane Coles é o principal “rei” nestas características, já que é um autêntico “ponta” a jogar com a camisola nº2, provando-se como um jogador letal e fulcral para a manobra defensiva ou ofensiva dos All Blacks.

Isto explica o porquê da Nova Zelândia ser bi-campeã Mundial em título, do porquê de tornar uma situação de “aperto” numa jogada de perigo e do porquê de conseguir ganhar qualquer jogo. Para além do mais, a NZRU tem produzido inúmeros jogadores de um talento e qualidade inegável, que sabem que têm de ser os melhores na sua posição para chegarem ao nível de selecção.

Quando em 2015 Ma’a Nonu, Conrad Smith, Daniel Carter, Richie McCaw e Kevin Mealamu se retiraram, muitos temeram pelo futuro dos All Blacks… poucos meses depois surgiram Anton Lienert-Brown, Ryan Crotty, Beauden Barrett, Sam Cane e Ofa Tu’ungafasi como soluções directas ao problema, para além de Sonny Bill Williams, Charlie Faumuina, George Moala, Waisake Naholo ou Codie Taylor, jogadores que já se estavam a afirmar no universo neozelandês. E, melhor ainda, os vários jovens que despontam a cada dia como Ardie Savea, Damian McKenzie, Akira e Rieko Ioane, Vaea Fifita, Patrick Tuipulotu ou Seta Tamanivalu, vão dar outra coesão aos eleitos de Steve Hansen.

Barrett the Best Player on The World 2016 (Foto: The Guardian)
Barrett the Best Player on The World 2016 (Foto: The Guardian)

No meio disto tudo está a França que tem a missão ingrata de parar os All Blacks no Saint Denis em Paris neste sábado. Guy Novès não poderá contar com Trinh-Duc ou Jefferson Poirot, verdade, mas a chamada de Camile Lopez ou a titularidade de Charles Ollivon foram adições importantes para o jogo contra a Austrália (23-25) e que quase deram uma vitória aos Les Bleus.

A França está à beira daquilo que Novès procura, com uma equipa que sabe conquistar as suas fases estáticas e que consegue, também, “roubar” as do adversário. Frente à Austrália a França ganhou os seus alinhamentos (10) e formações ordenadas (6), o que permitiu sair para o ataque, conquistando metros e até ensaios (ensaio de Doussain veio de um alinhamento no meio-campo). A França já consegue, até, conquistar formações ordenadas dos adversários, o que penalizou a Austrália em três faltas e três pontos (Spedding e Machenaud falharam os outros dois pontapés). Por isso, será importante que mantenham a postura, concentração e qualidade exibicional que se fizeram sentir nos dois últimos jogos.

O problema dos avançados “gauleses” passa pela sua participação no jogo ao largo, que ainda está longe de ser “agradável”. Os níveis estão no “satisfaz”, o que não é positivo quando se preparam para enfrentar a Nova Zelândia. Para evitar riscos, talvez, o melhor é manter o jogo fechado, intenso e cansativo, obrigando os All Blacks a cometer erros no ruck (é o sector do jogo onde os neozelandeses cometem mais faltas e subsequentemente penalidades) e a perder a paciência, dois elementos que foram vistos em Chicago. Se Guirado e Picamoles conseguirem um equilíbrio entre “risco” de sair com a bola em direcção à linha de vantagem e de manter a oval “parada”, em certos momentos do jogo, talvez consigam bloquear o plano de Steve Hansen.

Mais atrás está uma boa linha atrasada que sabe criar, construir e executar o plano estabelecido com Wesley Fofana a assumir o protagonismo, com Lamerat e Spedding a encaixarem-se bem na lógica estabelecida por Novès. Fofana conquistou 160 metros, fez duas assistências e marcou um ensaio, para além de 6 quebras-de-linha e 9 defesas “fintados”, completando estes números com 8 placagens e 1 turnover (que deu ensaio no jogo com a Samoa). Com o crescimento de Fofana, a França conseguiu ganhar outra proporção e está mais confiante quando tem de atacar a defesa ou tem de esperar pelo ataque.

Um pouco de Fofana para quebrar os All Blacks (Foto: L'Equipe)
Um pouco de Fofana para quebrar os All Blacks (Foto: L’Equipe)

Frente à Nova Zelândia, Camille Lopez assume o lugar de 10, completando com Fofana, Lamerat e Nakaitaci o quarteto do ASM Clermont. Para além disso, Vakatawa está numa forma espectacular (quatro ensaios em dois jogos), sendo um verdadeiro perigo para as equipas que defendem de uma forma “estática” e sem pressão alta. Spedding falha o jogo, o que obrigou ao staff dos Les Bleus promover Dulin para a posição de 15, podendo ser um dos problemas da equipa francesa.

De qualquer das formas, não será uma reedição do Mundial 2015, estando uma vitória por uma margem excessiva fora de questão. A França terá poucos argumentos para conseguir conquistar uma vitória que lhe escapa desde 2009, mas fará uma exibição personalizada.

Poderão assistir ao jogo na Eurosport1 a partir das 19:45 num dos últimos jogos dos Internacionais de Outono. Não percam a possibilidade de ver a Nova Zelândia em canal aberto pela primeira vez em 18 anos!ffrnz

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Francisco IsaacNovembro 22, 201617min0

Fim-de-semana cheio para o rugby internacional, com jogos entre os “grandes” mundiais: Inglaterra “domina” as Fiji; Austrália sai vitoriosa graças a uma “mão final”; Escócia e Itália colocam Argentina e África do Sul num vórtice negativo; Nova Zelândia sem brilhantismo põe termo ao sonho irlandês. Os Internacionais de Outono em 5 pontos

Um sábado de intensa loucura, com grandes jogos, algumas surpresas e médios de abertura a distribuírem espectáculo por onde passaram. Fiquem com os nossos destaques do fim-de-semana

A Coincidência: MÉDIO DE ABERTURA SIGNIFICA ESPECTÁCULO

Uma mera mas feliz coincidência neste fim-de-semana de jogos, já que em 12 nº’s 10, 3 conseguiram chegar à linha de ensaio, 4 assistiram colegas seus para esse efeito, para além de 10 quebras-de-linha e mais 82 pontos marcados entre todos. Finn Russell, Johnny Sexton, Josh Matavesi, Carlo Canna, Gareth Ascombe, Patrick Lambie e Yu Tamura não realizaram umas exibições de “encher o olho”, mas ainda assim foram importantes para o esboçar de algumas jogadas de maior impulso, com bons dinamismos (aqui foram especialmente interessantes Russell e Canna) e de ideias claras. Para compensar, George Ford (duas assistências para ensaio, um defesa batido e uma quebra de linha), Nicolas Sánchez (11 pontos convertidos e dois defesas batidos), Bernard Foley (nº10 de recurso para suplantar a ausência força de Quade Cooper, somou um ensaio, uma quebra de linha, 25 pontos e 26 metros conquistados), Jean-Marc Doussain (“calou” os críticos pela boa exibição que realizou, coroada com um ensaio e uma série de boas mudanças de linha que alteraram a velocidade da França) e Beauden Barrett (voltou às grandes exibições, com um ensaio marcado, uma assistência, três quebras de linha, 90 metros conquistados e dois defesas batidos para além dos 11 pontos).

Na hora H, Foley apareceu para animar o jogo da Austrália, que estiveram em risco de sair de Paris com uma derrota… Foley fez um bom ensaio, ao aparecer junto ao ruck, completamente lançado e sem que o poste conseguisse parar a corrida do nº10. Nesse momento (42 minutos de jogo), Foley se apercebeu que a França estava a defender de forma pouco pressionante, estando sempre na expectativa e com uma postura pouco “agressiva” junto do ruck, aproveitando Foley para “cortar” o espaço e surgir bem junto a esse perímetro do jogo para fazer o 20-11. Passados dez minutos, foi a vez de Doussain aproveitar um ruck rápido, para captar a oval e explorar o eixo do ruck, atirando-se para dentro da área de validação, naquele que foi um ensaio “carregado de manha”.

Mas os senhores aberturas foram Beauden Barrett e George Ford. O primeiro voltou a deslumbrar com um punhado de “aparições” decisivas no jogo frente à Irlanda, naquela que foi a vingança pela derrota de Chicago. Barrett assistiu Fekitoa para o 1º ensaio, com um cross-kick teleguiado que o nº13 (excelente regresso à titularidade) não desperdiçou para chegar à linha de meta. Passado uns minutos, foi o próprio nº10 a seguir para o ensaio, aproveitando um erro defensivo irlandês, para quebrar a linha e meter a bola no chão (ainda foi necessário ir ao TMO para certificar que Barrett tinha colocado a bola ou não no chão). Ainda participou no 3º ensaio dos All Blacks, com uma bela jogada entre ele, TJ Perenara e Fekiota. Barrett é, actualmente, o Melhor Jogador do Mundo para World Rugby e, talvez, assim o seja. Uma exibição “grande” que brilhou um jogo pouco brilhante dos All Blacks em Dublin.

Mas, poderá existir um nº10 que tenha a mesma capacidade que Barrett? De acordo, com Eddie Jones, sim e o nome dele é George Ford. O médio de abertura inglês do Bath, conseguiu a proeza de “meter” Owen Farrell a nº12, conquistando o seu espaço no XV da Inglaterra. Já vem sendo assim desde Junho, altura em que a Inglaterra foi à Austrália. De lá para cá, Ford tem vindo a amealhar boas exibições e no jogo frente às Fiji não fugiu a este novo “paradigma”. Duas assistências para ensaio, participou em mais três jogadas para esse objectivo, num resultado que terminou em 58-15 a favor dos ingleses. Ou seja, George Ford está em 5 dos 8 ensaios da sua selecção, algo fundamental para o que Eddie Jones e Paul Gustard querem da equipa de Sua Majestade: jogo rápido, ágil e com consequências “pesadas” para os seus adversários. Ford é/será fundamental para esta nova “realidade” do rugby inglês, já que é um jogador que gosta de viver na intensidade, em criar espaços onde só existem obstáculos e de levar ao jogo a um ritmo vertiginoso. Um detalhe bem interessante do jogo de Ford foi a execução do seu passe (100% eficácia, com uma qualidade de elevada categoria) e o posicionamento na defesa (10 placagens e 1 turnover) ou ataque (as Fiji sentiram dificuldades em ler os movimentos de Ford).

Um fim-de-semana em cheio para os médios de abertura, que tiveram a liberdade necessária para fazerem “magia”, assim como um engenho sempre especial.

O Momento: UMA “MÃOZINHA” PARA A VITÓRIA

Um fim-de-semana recheado de momentos que proporcionaram aos adeptos grandes momentos de espectáculo, intesidade, “terror” e paralização. Seja o final de jogo entre a Itália-África do Sul, que marcou um momento de glória para a equipa de Conor O’Shea (este é o 2º jogo do novo seleccionador da Itália), já que nunca antes os transalpinos tinham conseguido arrancar uma vitória frente aos temíveis Springboks. O perfume da Inglaterra, com dois ensaios de excelência, que ditam os momentos de loucura ou de maior espectáculo (o terceiro ensaio de Semesa Rokoduguni, é uma jogada tremenda de equipa, com todos os envolvidos a desempenharem as suas funções com extrema eficácia); o País de Gales-Japão foi de uma loucura total, em que o 30-30 aos 79′ colocou vários adeptos galeses a “roer as unhas”, no desespero de poderem ter mais um revés neste Novembro de jogos internacionais… porém, a frieza de Sam Davies possibilitou que os Red Dragons arrancassem uma vitória por 33-30, com um belo drop final.

No assunto de drops e momentos de “pânico”, o França-Austrália foi um hino a essas dois conceitos… os Les Bleus conseguiram realizar um jogo bem conseguido, com uma excelente articulação do seu pack avançado (10 alinhamentos e 6 formações ordenadas conquistadas, tendo ainda “roubado” 1 alinhamento e 3 formações ordenadas dos australianos), que foi bastante agressivo, impedindo a avançada Wallaby de conseguir ganhar nas fases estáticas. Porém, o ataque francês nunca foi o mais “rápido”, com vários erros (15 “erros” forçados), tendo desaproveitado alguns lances para chegar à área de validação australiana.

Do outro lado, a equipa da Austrália que não esteve bem nas fases estáticas, cometeu alguns erros no jogo curto e permitiu algumas falhas de placagem, minimamente, graves que foram “salvas” com os ensaios de resposta de Foley e Kuridrani (espectacular ensaio do nº13, que tem o descernimento e a lucidez de meter a bola no canto da área de validação antes que seja empurrado para fora das linhasde jogo). A França foi muito leviana junto ao ruck, concedendo certos espaços que a selecção de Michael Cheika aproveitou para marcarem os tais ensaios (veja-se o ensaio de Bernard Foley, que entra a “abrir” perante a passividade de Vakatawa ou a má dobra de Ollivon.

No entanto o momento do jogo estava reservado para o final dos 80′, aliás, já estávamos 2 minutos para lá do tempo com a França a tentar chegar a uma penalidade ou ensaio que possibilitasse a reviravolta final de 23-25 para 26-25. Os Wallabies defenderam com calma e paciência, não cometeram erros ou faltas no chão, o que premeditou que a equipa da casa tivesse de arriscar todo o jogo num drop de Camille Lopez. O nº10 do Clermont “armou” o pontapé, a bola bateu no chão e recebeu o pontapé que finalizou o jogo… por escassos centímetros a bola não entrou, passou ao lado e a Austrália coleccionaram uma nova vitória na sua demanda pelo Grand Slam Tour (querem somar só vitórias neste “estágio” de final de ano) de final 2016.

Mas houve algo que ditou que a bola não conseguisse passar por entre os postes e terá sido a carga final de Foley com Kyle Godwin (estreia de gigante do jovem centro) que terão dado uma “mãozinha” para que o pontapé de Lopez não tivesse o desfecho que Novés tanto queria.

O Jogador: THE LIFE AND WORK OF POCOCK

Não há palavras suficientes para descrever a imensidão de jogador que é David Pocock. O asa prepara-se para tirar o seu semestre sábatico do rugby internacional (ainda não sabemos para onde irá treinar e estudar durante esse tempo) e deixará saudades à comunidade do rugby. É um jogador com uma classe tremenda, não há adversário que no final não queira apertar a mão e de trocar algumas palavras com o 7 dos Brumbies e, acima de tudo, representa os valores do jogo da melhor forma possível.

No jogo frente à França, Pocock voltou a vestir a camisola de nº7 dos Wallabies, uma vez que já não a assumia desde 2012 (lesões e a ascensão de Michael Hooper). Por isso, David Pocock teria de demonstrar ao Mundo que ainda é um dos melhores asas abertos do Planeta… e ao fim de 80 minutos, não restaram dúvidas disso mesmo, ao ponto que já se discute em meter Hooper a 6 e manter Pocock a 7. Mas o que aconteceu neste jogo que levou os comentadores, analistas, adeptos e outros jogadores ao êxtase?

O jogo defensivo de Pocock foi soberbo: 18 placagens (três delas fundamentais para parar ataques), 4 turnovers (mais uma vez é o “Rei” desta secção)e três penalidades (no risco de tentar tirar a bola no ruck, Pocock foi castigado com três penalidades, sempre no meio-campo francês). No ataque esteve mais “escondido” que o costume, realizando um trabalho de apoio ao portador da bola, de decoy quando Foley assim o pedia, terminando o encontro com apenas 10 metros conquistados, 6 carries e sem erros atacantes forçados. Acima destes números e secções do jogo, Pocock foi um líder gigante dentro do campo, guiando a sua equipa em direcção da vitória e capitaneando (Stephen Moore ficou no banco neste encontro) com excelência.

Pocock não se assume como uma “Estrela” ou “Astro”, ele é o jogador que define melhor o conceito de “colectivo”, com uma entrega absoluta (já sofreu 13 lesões pela selecção, o que demonstra a forma como se sacrifica em prol da Austrália), uma raça inesquecível e uma vontade para gerar jogo para os Wallabies das situações de “desespero” (os turnovers que arranca possibilitam aos australianos partir para novas situações de ataque) em que se encontram. Pocock merece ser analisado à luz dos analistas de performance, pela forma como ele “estuda” o jogo, como consegue adaptar-se ao adversário (é o jogador que tem mais facilidade em jogar contra os All Blacks por exemplo) e encontrar formas de retirar os devidos dividendos nos momentos em que é chamado a intervir.

The Great Leader (Foto: L'Equipe)
The Great Leader (Foto: L’Equipe)

O Jogo: THE DRAGON ALMOST FELL TO THE WAY OF THE SAMURAI

Ponto prévio: o País de Gales não está na sua melhor forma. Segundo Ponto Prévio: O Japão partiu para estes jogos de Outono com 15 lesionados, o que impossibilitou ter a melhor selecção em jogo. A equipa de Warren Gatland (o homem que vai guiar os Irish&British Lions em 2017 na tour por Nova Zelândia) tinha uma missão única para o jogo frente ao Japão: ganhar! Do outro lado, está uma das “raposas velhas” do rugby Mundial, Jamie Joseph. O antigo treinador dos Highlanders (levou a equipa de Aaron Smith e Ben Smith ao título do Super Rugby em 2015) está a dar continuação do trabalho de Eddie Jones (o homem que deu a estocada nos Springboks no Mundial de 2015) e molda a cada dia que passa os seus Samurais no caminho certo para uma nova “realidade”.

O País de Gales obteve uma vitória em dois jogos, “sorrindo” frente à Argentina (24-20) e caíndo perante a Austrália (08-32) para a pior derrota desde 2006 em casa. Os japoneses jogaram frente à Argentina (derrota por 20-54 em Tóquio) e Geórgia (vitória por 28-22 em Tbilisi), ficando a faltar o tal jogo frente aos Dragões galeses e um final frente às Ilhas Fiji. Ou seja, como coincidência ambas conquistaram uma vitória por 4 pontos de diferença e ambas somaram derrotas em casa complicadas e por números avolumados.

No jogo de sábado passado, o Japão foi um problema sério para Gatland, já que obrigaram os Red Dragons correr durante 80 minutos, atrás de um prejuízo que os próprios causaram. O Japão passou a maior parte do tempo a defender (35% de posse de bola e mais de 19% no seu próprio meio-campo), esperando pelos momentos X para saírem em contra-ataque e garantirem pontos necessários para lutarem por uma vitória que poderia ter sido histórica. O ensaio aos 73′ de Amanaki Lotoahea, que tirou dois jogadores da frente, após um passe brilhante e carregado de risco de Amanaki Mafi, para chegar à área de validação e lançar o público do Millenium Stadium num frenesim… 30-30 a 5 minutos do apito final.

Com o tempo a passar, o Japão a defender cada vez mais “fechado” e sem falhas e o País de Gales sem a velocidade necessária para quebrar a linha e chegar a novo ensaio, Ascombe pediu a “obrigação” de chutar e atirou um drop bem medido e calculado que passou pelo meio dos postes… 33-30 a 1 minuto do final. A equipa galesa já não deixou a vitória fugir e puderam respirar melhor no final do encontro, apesar de todos os erros somados, das falhas consentidas e da falta de ideias para passar uma defesa (180 placagens e só 18 falhadas) que esteve intratável. O Japão está em grande crescimento e poderá ser mesmo uma super-nação para o futuro… Eddie Jones, Richie McCawe, Jean De Villiers já tinham apontado para esse sentido. Um grande jogo, que merece ser observado vezes sem conta!

A Queda: SPRINGBOKS E PUMAS EM EXTINÇÃO?

É verdade… Springboks e Pumas estão em queda num 2016 muito complicado para ambas as selecções. A Argentina soma só três vitórias em dez jogos, consentindo derrotas frente à Nova Zelândia (2x), Austrália (2x), França, País de Gales e Escócia, naquilo que está a ser um “complicado” para Daniel Hourcade. Esperávamos todos mais da equipa das Pampas, já que o rugby carregado de raça, vigor e “agressividade” deveria estar a “florescer” e a abordar as nuances de intensidade nas linhas atrasadas, ideias para criar roturas defensivas e outra mentalidade dentro de campo. Infelizmente, os Pumas continuam a preocupar-se mais com as arbitragens que o jogo jogado, entregam-se a um rugby demasiado físico e “duro de rins”, que consente perante a maior intensidade e frescura física das equipas de maior gabarito. Hourcade terá que procurar uma maior elasticidade da sua linha de ataque, encontrar soluções para penetrar nos canais exteriores e garantir que a sua equipa tenha 100% de eficácia nas fases estáticas (têm consentido vários erros nesses departamentos).

Para além disto tudo, há que ter outra mentalidade na abordagem ao jogo. A Argentina parece querer vestir o “fato de mártir”, que está a lutar contra todo o tipo de “males” do Mundo da Oval, bracejando e protestando com os árbitros ou adversários como se fosse obter vitórias desse perímetro do jogo. Em dez jogos, são 7 derrotas e algo terá de ser feito para que a nação dos grandes Pumas não caia num “tufão de negativismo”.

No mesmo Hemisfério, está a África do Sul que atravessa a sua fase mais conturbada dos últimos 15 anos. Uma equipa que não assume e não processa o plano de jogo como devia, que não se reconhece como a potência que é e que caiu no erro de aceitar todas as polémicas em seu redor, está sem rumo e sem direcção. Alistair Coetzee recebeu uma herança envenenada, já que o novo sistema de quotas (a SARU deve uma explicação à sua comunidade em porquê estar a aplicar medidas tão “pesadas” e graves no escalão máximo, invés de se preocupar com a igualdade nas escolas e rugby de formação) tem criado alguns cismas dentro da equipa. Há jogadores que estão no lugar de outros, simplesmente porque são de uma raça e não porque são melhores… mesmo assim, a África do Sul não tem desculpas para cair perante a Itália, como aconteceu neste fim-de-semana por 20-18. Os sul-africanos consentiram uma derrota histórica (nunca antes a Itália tinha sentido o prazer de ganhar aos Springboks), apesar de terem realizado uma exibição defensiva imaculada (90 placagens e só 3 falhadas) em que mesmo no sector das faltas esteve bem (7 faltas apenas).

Porém, Carlo Canna aproveitou para fazer 7 pontos e dar o seu contributo à sua Itália. Os Springboks a atacar estão lentos, pouco motivados e sem as características que se pede de uma selecção de topo. Curiosamente, neste jogo só jogaram três jogadores de raça negra, algo que “finta” o sistema de quotas… por isso será que a culpa das derrotas é só do sistema ou algo mais? É possível que os jogadores não estejam satisfeitos com a SARU, que as ideias de Coetzee ainda precisem de tempo para solidificarem ou que há que encontrar soluções boas para o futuro do rugby sul-africano. 2016 está a acabar, as 6 derrotas (Nova Zelândia 2x, Argentina, Austrália, Itália e Inglaterra 1x) e 1 empate (Barbarians) em 10 jogos terão de servir de lição para um 2017 mais “feliz”. Mas será que Coetzee ainda estará no banco dos Springboks em Março de 2017?

For one to go up, another must go down (Foto: Rugbyrama)
For one to go up, another must go down (Foto: Rugbyrama)
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Francisco IsaacNovembro 18, 201611min0

França e Austrália, uma “luta de galos” entre duas selecções à procura de redefinições, ideias e futuro(s). Entre a irreverência de Foley ou Folau e a consistência de Fofana e Picamoles, Novés e Cheika vão procurar uma vitória categórica, num jogo que terá de tudo um pouco. Sábado às 20:00 na Eurosport2 mais um jogo dos Internacionais de Outono

Os vice-campeões Mundiais de 2015 continuam na sua viagem de final de ano, atracando, agora, em França para defrontar a selecção dos Les Bleus em mais um jogo dos Internacionais de Outono. A equipa de Michael Cheika vem de três vitórias consecutivas (Argentina, País de Gales e Escócia), tendo conquistado o 2º lugar no The Rugby Championship (maior competição de selecções do Hemisfério Sul), naquele que tem sido um ano inconsistente dos Wallabies. Inconsistente? Sim, veja-se pela fracas prestações frente à Inglaterra, com três derrotas em três jogos, com um saldo negativo de 31 pontos (marcaram só 75 para os 106 sofridos), onde os problemas da defesa e do ataque se notaram em larga escala.

Os Problemas dos Wallabies

Numa análise rápida a defesa padeceu dos seguintes elementos: inteligência (falta de noções de parar o ataque adversário e fazer com que a bola tivesse uma saída mais lenta), velocidade (foram várias as situações em que a Austrália conseguia uma primeira e segunda placagem, mas já tinha dificuldades em estender o jogo para chegar a uma terceira situação defensiva) e agressividade (os australianos foram passivos na defesa em largos momentos dos três jogos, cometeram penalidades sucessivas em zonas que não o podiam fazer, entre outros pormenores).

Em termos de ataque vejamos que faltou: apoio (raramente houve um apoio que fizesse a diferença perante a boa e equilibrada defesa inglesa), opções (Bernard Foley procurava sempre opções que possibilitassem criar situações de rotura na Inglaterra, mas várias vezes a 3ª linha estava longe de poder dar um novo “par de mãos” ou os pontas ficavam longe do processo de movimentação de ataque) e aproveitamento das fases estáticas (a Austrália teve problemas em garantir uma bola de qualidade nos seus alinhamentos ou ganhar metros na disputa das formações ordenadas).

Estes problemas foram todos visualizados durante as 6 jornadas do The Rugby Championship, com Michael Cheika a conseguir corrigir certos “desvios de curso” e a dar um novo impulso aos Wallabies. Nos últimos 6 jogos, a Austrália saiu vencedora em quatro jogos (Argentina 2x, País de Gales e Escócia) consentindo duas derrota apenas (África do Sul e Nova Zelândia). Para atingir estes números bem mais satisfatórios (note-se que o período entre Novembro e Julho, a Austrália tinha somado 7 derrotas consecutivas), a Austrália realizou significativas mudanças no seu XV, assim como na sua forma de jogar, não deixando cair o modelo actual de gameplay traçado.

A Austrália optou por ter dois segundas-linhas mais trabalhadores e eficientes (Rory Arnold e Adam Coleman, que nem atingiram ainda a sua 10ª internacionalização), David Pocock saiu de 8 para 6 (fruto das lesões que sofreu e que o impediu de alinhar na recta final do Rugby Championship) com Lopeti Timani a trazer outro poder físico; Henry Speight e Dane Haylett-Petty (a melhor surpresa, a par de Samu Kerevi, em 2016 na Austrália) não têm a classe ou visibilidade de Adam Ashley-Cooper ou James O’Connor, mas são mais dedicados, intensos e procuram se intrometer na linha de vantagem sempre que há um “rasgão”; e Foley regressou definitivamente à posição de abertura, com Quade Cooper a assumir apenas a titularidade dependendo do adversário em mãos.

Mas isto é em termos de jogadores… o que realmente mudou nos Wallabies? Intensidade e disciplina sobretudo. Se os erros defensivos ainda insistem em aparecer (veja-se os dois primeiros ensaios sofridos ante a Escócia, em que o par de centros falha quer na abordagem à placagem ou na análise às movimentações dos escoceses), já a disciplina no último terço do seu território, praticamente, desapareceram. No último jogo frente à Escócia, a Austrália realizou cerca de 9 penalidades, 3 delas nos seus 22 metros, o que impediu a Laidlaw atirar pontapés aos postes, num resultado que terminou num 22-23 a favor dos Wallabies. Uma vez que a disciplina melhorou (rondam as 8 faltas por jogo), a Austrália ganhou outro fôlego nos momentos mais cruciais e assim ter outra postura para lutar pelos jogos.

Aí entra a intensidade, com a Austrália a ter outra dinâmica dentro dos 80 minutos. Um ataque mais concentrado, eficaz e claro, permite ter outra força para ganhar os jogos. Com a Escócia, houve um equilíbrio final em números (390-372 metros conquistados a favor da Escócia, 7-6 quebras de linha a favor dos Wallabies ou 16-13 defesas batidos mais uma vez, para a equipa da casa), com a Austrália a sair com a vitória graças a um ensaio de Kuridrani e ao pontapé de conversão de Bernard Foley, isto aos 75′. A Austrália teve sempre uma boa intensidade durante o jogo, tendo aumentado a partir dos 60′, melhor altura para meter todas as suas sinergias em jogo. Já com o País de Gales foi um show da Austrália, onde o País de Gales (em queda livre na sua forma de jogar e viver o rugby, precisará de uma reabilitação forte por parte de Warren Gatland) permitiu aos seus adversários terem o espaço suficiente para jogar da forma que mais lhes interessava.

Kuridrani makes the save (Foto: Ian MacNico)
Kuridrani makes the save (Foto: Ian MacNico)

O Duelo entre Galos e Wallabies

Chegamos a este fim-de-semana de 19 de Novembro, no encontro que colocará frente-a-frente a Austrália e a França. O que sairá daqui? Dos australianos já sabemos o que querem fazer, como o vão tentar fazer e quais as suas principais “armas”. E da França?

A vitória por 52-08 frente à Samoa deu um “balão de oxigénio” aos novos processos e ideias de Novés. O seleccionador francês está preocupado em tornar a França uma equipa eficaz, coerente e, minimamente, interessante para quem a acompanha. Já se denota a tal intensidade que era característica dos tempos do seleccionador em Toulouse, com uma boa dose de rugby champagne. Para isto foi fundamental ter um par de centros ágeis, eléctricos e que façam a diferença no jogo directo (Wesley Fofana foi uma unidade “nuclear” no ataque à linha defensiva da Samoa) que lhes garantiu uma “ponte” para atacar as alas.

Outro detalhe importante proveio da excelente capacidade de trabalho e eficiência das formações ordenadas e dos alinhamentos, que garantiram possíveis estáveis para sair para o ataque e chegar, com mais facilidade, a fases dianteiras do terreno.

O bom jogo contra a Samoa não deve ser usado como exemplo máximo do que a França consegue ou não produzir… foi um jogo bem acessível e fácil, perante o desnível entre ambas as formações. Mas, devemos dizer que a França mostrou-se mais responsável com o modelo jogo a seguir, eficiente perante a pressão defensiva do adversário e suficientemente articulada para não cometer faltas ou erros graves que quebrem com a sua “toada” ofensiva.

A lesão de François Trinh-Duc pode tirar alguma fluidez ao jogo dos Les Bleus (lesão no pulso que poderá rondar os três meses de ausência dos relvados), já que o médio de abertura do RC Toulon consiste numa parte importante na forma de jogar de Guy Novés. Quem assume a vaga? Jean-Marc Doussain ou Camille Lopez? Doussain é mais estático, confiável no que toca à execução de planos bem detalhados e um jogador com alguma classe individual. Camille Lopez é outro tipo de médio de abertura, mais técnico, consegue alterar os ritmos de jogo, fugindo, por vezes, ao plano estabelecido para surpreender o adversário e com um poder físico bem curioso para um nº10. Será uma questão para Novés solucionar.

Broken France? (Foto: L'Equipe)
Broken France? (Foto: L’Equipe)

O que ter em atenção

Como foco interesse de jogo, convidamos a seguirem a “guerra” entre as duas terceiras-linhas. Gourdon, Goujon e Picamoles versus Pocock, Hooper e Timani. Pocock e Hooper são dos melhores nas suas posições, com o primeiro a ser uma dor de cabeça nos rucks (média de 3 turnovers por jogo) e no choque físico (vai com tudo) e o segundo é um asa que gosta de aparecer no jogo ao largo (aqueles ensaios contra a Inglaterra provam essa “teoria”) e um placador tremendo (média de 10 placagens por jogo). Do outro lado, há Louis Picamoles, um nº8 de elevada categoria que faz a vida muito difícil ao primeiro placador, já que consegue conquistar metros e metros com boas cargas, assim como é um líder de excelência e bastante bom na formação ordenada.

A luta entre ambas as formações ordenadas será outro ponto a seguirem, muito pela qualidade que a França vem a mostrar nos últimos jogos (Poirot, Guirado e Atonio completam uma das melhores 1ªs linhas da Europa) que terá de ganhar nesse parâmetro à Austrália.

Por outro lado, os Wallabies têm em Israel Folau (o defesa) num catalisador de ataque de elevada categoria… sempre que o australiano dos Waratahs agarra na oval, é um sufoco para quem tem de defender… veloz, ágil e com uma finta ardilosa e “agressiva”, Folau pode ser o princípio do fim dos franceses.

Por isso, um excelente jogo para acompanhar na Eurosport2 neste fim-de-semana que se aproxima. Às 20:00!

Na SportTV teremos mais uns quantos jogos com o Inglaterra-Fiji, o Irlanda-Nova Zelândia (possível vingança dos All Blacks da derrota em Chicago?), País de Gales-Japão (bem curioso para saber o que os japoneses podem fazer) e Escócia-Argentina. Começa às 14:30 e vai até às 22:00.

A França e Austrália vão jogar o seu 47º jogo frente-a-frente, sendo que em 2014 os Les Bleus conseguiram arrancar uma vitória tangencial por 29-26 frente a uma Austrália ainda pouco “solta”. De qualquer forma, os australianos em 88 anos de história de jogos contra a França, somaram 26 vitórias e só dois empates, em quanto que a França fica-se pelos 18 jogos ganhos aos Wallabies. Quem sairá vitorioso deste embate?

Os XV anunciados com Doussain, Baille, Ollivon, Nakaitaci e Vahaamahina a assumirem os lugares de Trinh-Duc, Poirot (estes dois por lesão), Goujon, Huget e Devedec. Na Austrália, Michael Cheika revolucionou o seu XV por completo, com as saídas de toda a primeira linha (Slipper, Latu e Alaalatoa) e da segunda (Simmons e Douglas por Coleman e Arnold). Michael Hooper e Lopeti Timani falham o jogo também, com entrada de Fardy e McMahon. Quade Cooper recupera o lugar de 10, o que poderá ser uma vantagem para a França, já que o médio de abertura não tendo os melhores “companheiros” das linhas atrasadas pode vir a cometer diversos erros… um risco mal calculado por Michael Cheika.ffraustralie

 

O jogador a reter, Wesley Fofana (Foto: L'Equipe)
O jogador a reter, Wesley Fofana (Foto: L’Equipe)
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Francisco IsaacNovembro 10, 201610min0

Num país “dominado” pelo futebol, existem, ainda, algumas cadeias de televisão com vontade de nos mostrar outros “Mundos”. É o caso da Eurosport que vai trazer rugby à televisão portuguesa, em sinal aberto, com um França-Samoa, este sábado às 17 horas.

Num país dedicado à redonda, com um público absorvido entre as antevisões, jogos, resumos e debates do Domingo ou de Segunda-feira, as restantes modalidades vão lutando por um lugar ao “sol”.

A Sport TV, única empresa de transmissão televisiva de desporto, tem reservado alguns espaços para as modalidades nos seus cinco canais. Mesmo assim, continuamos a ter casos em que a transmissão X ou Y são reprogramadas para dar espaço a um jogo de futebol ou, pior ainda, a um debate entre convidados e comentadores pré-jogos que acabam por não ter um interesse tão grande como deviam.

O rugby foi sempre uma das modalidades de excelência da Sport TV, tendo decidido, logo ao início, ter um um programa (o Área de Ensaio) dedicado ao rugby português, onde podíamos ouvir algumas das personagens e personalidades do Campeonato Nacional e/ou da Selecção portuguesa. Do “menu” de programação constavam: Seis Nações (até 2002 a RTP2 passava alguns dos jogos desta competição europeia), o Tri-Nations (agora Rugby Championship), Super Rugby, Mundial de Rugby e mais uma competições, isto numa altura que a Sport TV tinha só entre 1 a 3 canais.

Com a expansão da cadeia, o rugby perdeu o seu “lugar” e foi sendo substituído… agora só podemos assistir a um programa semanal da World Rugby (traduzido e comentado por António Aguilar, um dos comentadores/repórteres com maior experiência, em Portugal), as Seis Nações (entre Fevereiro a Abril), o Mundial de Rugby e a European Champions Cup. Os jogos são poucos, a informação ainda menor e alguns dos comentadores não apresentam a qualidade pedida para que a comunidade da oval portuguesa perceba bem o que se passa no jogo (um mal comum na Sport TV).

A Comunidade do Rugby portuguesa: em expansão ou estagnação?

A comunidade da oval portuguesa também pouco fez para lutar contra este marasmo e problema, criticando pouco e mobilizando-se ainda menos para obter mais direitos e formas de ver os jogos. A liga Portuguesa foi, em tempos, explorada pela RTP2 ou Sport TV com alguns dos jogos a passarem na televisão… nos dois últimos anos ficámos arredados às finais de Campeonato e, também, da Supertaça. Mas em 2016 “saímos” de cena e só tivemos a final transmitida pela Review Sports, em parceria, com a Federação Portuguesa de Rugby no Youtube.

A RTP2 ainda chegou a transmitir uma variedade de jogos internacionais (notas para os Mundiais de 1995, para a França de Serge Blanco e pela chegada da Itália às Seis Nações). Assim como a selecção de Portugal que tinha a sua “casa” na TV pública, com os jogos dos Campeonatos da Europa de XV e 7’s a terem um espaço especial. Porém, com o tempo a RTP “desistiu” o rugby e hoje não há qualquer tipo de transmissão.

Numa primeira conclusão, podemos dizer que o rugby está a “desaparecer” do nosso dia-a-dia, que há menos jogos na televisão, com o impacto da modalidade a ser cada vez menor. Isto leva a que adeptos, que não estejam acostumados à modalidade, não se deixem “levar” tão facilmente (quantos jogadores, adeptos, pais ou amigos, ficaram entusiasmados com o rugby só por verem um bom jogo entre a Nova Zelândia e a Austrália?) o que tira a possibilidade de garantir novos espectadores. Isto representa a perda de um elemento importante para alimentar a nossa cultura da modalidade.

Os jogadores das camadas jovens dos vários clubes portugueses, são “filhos” de uma geração tecnológica, o que lhes permite ver os jogos em streamings, o que ainda requer algum esforço e vontade por parte destes para irem busca destas “fontes de informação”. Mesmo assim, os streamings têm problemas, seja pela qualidade de transmissão ou de variedade, existe a necessidade de ter uma boa net (e plataforma tecnológica) e de terem que ter uma boa dose de paciência para ir em busca de um canal que lhe possibilite ver o jogo.

A ReviewSports, uma empresa de multimédia, surgiu entre 2013-2016 como um dos streamers oficiais do rugby Nacional, com a passagem em directo dos vários jogos da Divisão de Honra. Foram responsáveis por transmissões de finais (Taça ou Campeonato) ou de BeachRugby’s. Todavia, para a nova temporada não haverá mais streaming dos jogos, ficando o Campeonato Nacional, para já, ao abandono.

No meio deste “deserto” de possibilidades, a Eurosport surge como uma nova forma de obtermos acesso aos jogos com um acompanhamento aos Jogos de Outono da França. Será o primeiro jogo internacional de seniores de XV, em sinal aberto, em muitos anos… acaba por ser um marco na História da comunidade do rugby portuguesa, um marco, também, terrível de assinalar… já que em tantos anos da nossa comunidade (o início da modalidade em Portugal remonta aos anos 40/50) só voltamos a ter rugby em sinal aberto na Eurosport em 2016, o que é um mau sinal, também.

A cadeia de televisão francesa, com um canal aberto (e dois fechados) em Portugal, já teve uma participação bem interessante na divulgação da modalidade com a transmissão de Campeonatos do Mundo de sub-escalão sénior ou Campeonatos da Europa de 7’s. O Pacific Nations foi, também, alvo de transmissão para Portugal, dando-nos um “aperitivo” do que era o rugby nas Ilhas do Pacífico.

A Eurosport como fomentadora da cultura desportiva em Portugal?

E que jogo escolheram para estrear em canal aberto? Bem, a Eurosport optou por França-Samoa, encontro que vai ter de tudo um pouco: desde o rugby champagne (menos efusivo que em outras alturas), poder físico (o impacto de ambas avançadas vai ser, no mínimo, curioso de assistir), o embate do espírito guerreiro (teremos a Samoa a fazer o seu Siva Tau) e detalhes técnicos de alguns dos jogadores mais intensos do Mundo (Louis Picamoles, François Trinh-Duc ou Ken Pisi).

Adiantamos as convocatórias de ambas as selecções:

FRANÇA

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SAMOA

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O França-Samoa será um jogo eléctrico, que Guy Novés sentirá a obrigação não só de ganhar, mas, e principalmente, deslumbrar os seus adeptos. Marcado para as 17:00 (horas portuguesas), o jogo será realizado em Toulouse, no Estádio local.

O que esperar da França? Entrega, vontade de mostrar as suas capacidades técnicas e provar que a sua avançada é uma das mais competentes a nível europeu. O último jogo teste (o qual, nós portugueses podemos chamar de amigáveis) foi frente à Argentina, com uma vitória por 27-00. Nesse encontro o rugby mais eficaz, competente e lúcido permitiu aos Les Bleus sair com uma vitória de Buenos Aires, com François Trinh-Duc e Louis Picamoles em grande forma. A selecção de Novés está muito longe do rugby champagne de outrora, apesar de ainda existirem em alguns momentos, pormenores fantásticos. Há uma ausência de velocidade dos 3/4’s ou uma falta intensidade do apoio ao portador da bola (o apoio existe, contudo sem vontade de jogar uma 2ª bola rápida), o que pode acarretar problemas para em jogos mais dinâmicos, como será contra a Nova Zelândia.

Numa convocatória cheia de “estrelas” e nomes de alta qualidade, destacamos os regressos de Eddy Ben Arous (falhou o último jogo das Seis Nações 2016 e os amigáveis de Verão), Brice Dulin (em grande forma o defesa ado Racing Metró), Noa Nakatici (tem sido um dos centros mais fortes do TOP14 2016-2017, dando vitórias ao seu Clermont) e Jean-Marque Doussain. Hugo Bonneval, Morgan Parra ou Yacoube Camará não mereceram chamada de Novés.

Vakatawa a toda a velocidade (Foto: L'Equipe)
Vakatawa a toda a velocidade (Foto: L’Equipe)

E do outro lado, quem estará? A poderosa Samoa. Não sendo uma das melhores selecções do planeta, é uma das que possui maior poder físico e com um nível de entrega/dedicação de se louvar. Alama Ieremia convocou vários “jovens”, ou seja, vários jogadores que jogaram pouco pela Samoa internacionalmente, naquilo que está a ser uma renovação dos “quadros” de atletas: só 15 destes 33 é que estiveram no Mundial 2015; e só 8 marcaram presença no amigável de verão frente à Geórgia (19-19). Nesse jogo, a maioria dos jogadores “europeus” não puderam jogar por ordem das suas equipas, o que obrigou a Ieremia a convocar muitos jovens e a dar uma oportunidade, percebendo se existe, ou não, material para o futuro da Samoa.

A equipa do Pacífico conseguiu com esta vinda à Europa, contar com vários dos seus melhores atletas como George Pisi (um dos irmãos Pisi, tem um jeito único de pegar a oval e sair com ela a jogar), Jack Lam (asa muito aguerrido do Bristol, equipa que foi promovida à Aviva Premiership), Paul Perez (ponta do Toulouse), Ole Avei (bom início de época do pilar do Bordeaux) ou Ken Pisi (rápido, ágil e com um offload de belo efeito).

O que é o rugby samoano? Físico, uma “agressividade” apaixonante e uma força “selvagem”. É uma equipa que gosta de estar no meio do “combate”, de lutar por cada metro, de “arregaçar” as “mangas” e trabalhar no ruck, maul ou formação ordenada. Porém, há problemas estruturais, por assim dizer, com a falta de ligação entre os seus 3/4’s, um apoio que acaba por se escassear quando “esticam” o jogo ou o excesso de penalidades que cometem, permitindo o seu adversário ir subindo no terreno. Não será um jogo fácil para a Samoa, que precisa de mostrar o seu melhor, para obter um resultado histórico.

O duelo entre o Champagne em fase de Revolução e o Espírito de Guerreiro em excesso

O França-Samoa será o primeiro de três jogos transmitidos pela Eurosport2, no qual o Fair Play estará envolvido como convidado no “banco” de comentadores (pela 3ª vez, já que antes António Ribeiro, com a MLS, e André Coroado, com o Futebol de Praia, marcaram presença no canal desportivo).  Um agradecimento especial a Bernardo Rosmaninho pela atenção ao nosso espaço de discussão e promoção de ideias, sendo ele o comentador-principal para o rugby no canal de origem francesa.

França vs. Samoa – 12 de Novembro (a partir 16h45)
França vs. Austrália – 19 de Novembro (a partir das 20h00)
França vs. Nova Zelândia – 26 de Novembro (a partir das 20h00)

A Sport TV também irá investir esforços na transmissão dos Jogos de Outono, com o Inglaterra-África do Sul, País de Gales-Argentina, Irlanda-Canadá e Austrália-Escócia. O Portugal-Bélgica também será merecedor de transmissão em directo, na mesma estação, com a hora de jogo marcada para as 15:00 (o jogo será no Complexo Desportivo de Setúbal) deste sábado, 12 de Novembro.

A lista de jogos da SportTV


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