Arquivo de Kwiatkowski - Fair Play

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Diogo PiscoFevereiro 15, 20219min0

Dominaram o ciclismo de estrada na 2ª década do milénio e começaram a construir uma carreira invejável muito cedo. No entanto, quando se esperava que fossem donos e senhores do mundo do ciclismo de estrada, a geração de Peter Sagan parece ter um declínio de carreira precoce.

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Davide NevesAbril 22, 20173min0

Decorre, este domingo, a última das “Clássicas das Ardenas”, a Liège-Bastogne-Liège, aquela que também é a clássica mais antiga do mundo, com a primeira edição a remontar ao ano de 1892. Este ano, a tristeza irá ser o ambiente da prova, devido aos acontecimentos deste sábado.

O ciclismo está de luto. Michele Scarponi, da Astana, faleceu hoje, enquanto treinava na sua terra natal. O italiano descansava, depois de ter terminado em quarto lugar no Tour dos Alpes (ou Giro del Trentino, como toda a gente o conhece). O mundo do ciclismo perdeu assim uma das suas figuras mais emblemáticas e mais divertidas.

Michele Scarponi, um grande atleta.
(Fonte: Facebook da Astana Cycling Team)

Passando para a clássica, a Liège-Bastogne-Liège é considera uma das provas mais exigentes do mundo, no que toca à dureza e, muitas vezes, às condições adversas que os ciclistas enfrentam. Começa na cidade de Liège, passa em Bastogne (na fronteira com o Luxemburgo) e regressa a Liège, tendo pelo meio 10 subidas curtas mais muito difíceis, com o destaque para o “Côte de Saint-Nicolas”. Em todas as 102 edições, o lendário Eddy Merckx lidera em vitórias, com 5, seguido de Moreno Argentin, com 4, e de Alejandro Valverde, com 3 vitórias (e mais três pódios). Na edição do ano passado, Wout Poels (Sky) venceu, à frente de Michael Albasini e do português Rui Costa, o primeiro português a subir ao pódia da “La Doyenne”.

Os favoritos

Michal Kwiatkowski é um dos favoritos na prova. Na fotografia, está acompanhado de Phillipe Gilbert, que falha o dia de amanhã por lesão.
(Fonte: Bettini Photo)

A edição deste ano conta com algumas ausências, mas continua um pelotão bem recheado com estrelas e especialistas na prova.

Michal Kwiatkowski é um dos principais favoritos. O polaco da Sky quer dar continuidade ao bom momento em que está neste ano, depois da vitória na Milano-San Remo e do segundo lugar na Amstel Gold Race.

Alejandro Valverde (Movistar) volta, novamente, a figurar nos favoritos. Depois da quinta vitória na Flèche Wallonne, e a quarta seguida, procura igualmente vencer esta prova pela quarta vez, depois das vitórias em 2006, 2008 e 2015.

Igualmente favorito é, também, o Deus do Olimpo, Greg van Avermaet (BMC). A prova encaixa bem nas suas características, e se estiver em boas condições, tem tudo para figurar no top-5, com a sua aceleração e explosão.

Rui Costa entra também neste lote. O português é, a par do campeão nacional José Mendes, a presença lusa em terras belgas. Esta clássica encaixa quase na perfeição nas características do ex-campeão do mundo.

Outros favoritos são Sergio Henao (Sky), Dan Martin (Quick-Step), Michael Albasini (ORICA), Warren Barguil (Sunweb) ou Romain Bardet (AG2R La Mondiale).

A previsão Fair Play para esta clássica é arriscada e, muitos dirão, completamente descabida, mas nós apostamos em Rui Costa para vencer a Liège-Bastogne-Liège e ser o primeiro português a vencer um monumento.

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Davide NevesAbril 15, 20174min0

Este domingo marca o início da semana em que todos os olhos estão virados para a região das Ardenas. Acontece apenas uma semana depois do tão emocionante Paris-Roubaix – onde um Deus subiu ao Olimpo (Greg van Avermaet, campeão olímpico, venceu de forma categórica) e outro pendurou o capacete (Tom Boonen despediu-se no domingo do ciclismo profissional).

Enquanto nos aproximamos de forma veloz da primeira ‘grande volta’ do ano – o Giro de Itália -, esta semana abre o apetite para todas aquelas etapas com subidas constantes e descidas vertiginosas. A Amstel Gold Race tem, no dia de amanhã, a sua 52º edição e, nos últimos anos, tem assumido alguma importância na preparação para o monumento que irá ter lugar precisamente uma semana depois: a Liège-Bastogne-Liège. No entanto, e apenas como curiosidade, é notável dizer que, apesar de fazer parte da tão famosa Semana das Ardenas, esta clássica, com 261 quilómetros de extensão, não faz realmente uma incursão pela região. Curioso, não é? Com as suas 35 subidas existem algumas que deixam sempre mais expectativa, como as três subidas ao Cauberg. As subidas, curtas mas extremamente difíceis, chegam a atingir os dois dígitos, em percentagem de inclinação.

Os ex-vencedores procuram nova glória

Gilbert procura vencer novamente. (Foto: veloclassic.com)

Todos os anteriores vencedores, desde 2010, estão presentes. Phillipe Gilbert tem alguma importância no pelotão: venceu em 2010, 2011 e 2014, o que aliado ao excelente início de época, faz dele um crónico candidato à vitória. Outro nome que causa expetativa é o de Enrico Gasparotto. O italiano, agora a defender as cores da equipa Bahrain-Merida (colega de Vincenzo Nibali), procura a terceira vitória na prova, depois das vitórias em 2012 e na anterior edição, em 2016. Este ano, Gasparotto tem a ajuda de Sonny Colbrelli, que fechou o pódio no ano passado. Também o ex-campeão do mundo Michal Kwiatkowski procura nova vitória (venceu em 2015), e lidera a Team Sky para esse efeito, bem como Roman Kreuziger (venceu em 2013), que assume o lugar de chefe de fila da ORICA-Scott.

Estes também têm uma palavra a dizer…

Alejandro Valverde (Movistar) procura a primeira vitória na prova. (Foto: skysports.com)

Para além dos anteriores vencedores, outros assumem-se como candidatos a vencer amanhã. Começamos com Alejandro Valverde (Movistar). O espanhol não tem na Amstel a sua corrida de eleição (prefere as outras duas – La Flèche Wallonne e a Liège-Bastogne-Liège, já que as venceu por quatro e três vezes, respetivamente), mas o seu momento e a forma que apresenta (Alberto Contador que o diga!) coloca-o no topo dos favoritos. As suas vitórias na Volta à Andaluzia, à Catalunha e ao País Basco mostram que Valverde, com os seus 36 anos, vem bem preparado para levar, finalmente, a Amstel no seu palmarés.

Michael Matthews (Team Sunweb) vai tentar aproveitar uma chegada com o pelotão mais compacto e sem grandes fugas, de forma a tentar a chegada ao sprint, assim como Bryan Couquard (Direct Énergie).

Outros como Tim Wellens e Tiesj Benooit (Lotto Soudal), Greg van Avermaet (BMC), Jakob Fulgsang e o segundo classificado do ano passado Michael Valgren (Astana), apresentam-se como favoritos a fechar, pelo menos no top 10.

Para o fim, fica a equipa de Rui Costa, a UAE Team Emirates. O português, ex-campeão do mundo, leva uma equipa que está preparada para qualquer desfecho possível: seja através de Rui Costa junto dos melhores trepadores, de Diego Ulissi em ataques calculados e de longe, ou de Ben Swift, para a chegada rápida e em pelotão compacto.

Espera-nos a emoção de sempre, com os melhores especialistas da modalidade presentes. Já para o vencedor, a previsão, por aqui, recai em Alejandro Valverde, para finalmente vencer esta prova.

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Davide NevesAbril 7, 20175min0

A temporada das clássicas marca um período de emoção e de adrenalina para os fãs do ciclismo. Com uma duração aproximada de dois meses, engloba algumas das provas com maior prestígio dentro do ciclismo mundial. Desde Itália até ao coração do Inferno do Norte, na região da Flandres, os ciclistas batalham para ter o seu nome inscrito na glória.

Em Itália, no início de Março, começou uma das alturas prediletas dos fãs do ciclismo: as clássicas; as longas, duras, fantásticas clássicas estavam de volta para, como sempre, dar magia e espetáculo a este desporto. E a primeira que chama a atenção é a Strade Bianche. Criada em 2007 (a mais recente), serve de introdução e de preparação para o que se segue na época. As suas secções de sterrato, aliadas à paisagem magnífica que a bela região da Toscânia nos proporciona, chamam cada vez mais nomes importantes do pelotão internacional, o que dá emoção e credibilidade à prova. O vencedor deste ano foi o polaco Michal Kwiatkowski (Team Sky), ex-campeão do mundo em 2015, apostado em regressar à ribalta, depois de uma época de 2016 marcada pela irregularidade. Os belgas Greg van Avermaet (BMC Pro Team) e Tim Wellens (Lotto-Soudal) fecharam o pódio.

Segue-se, ainda em Itália, La Classicissima, a Milano-San Remo. Esta é a predileta dos velocistas (sprinters) do pelotão, apesar de os punchers (os sprinters explosivos, com uma aceleração demoníaca e uma ponta final sempre venenosa) tentarem sempre figurar no top 10. Este ano, o vencedor repete o nome nesta análise: Michal Kwiatkowski mostrou o seu bom início de época e deixou enormes dores de cabeça a Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), atual bicampeão do mundo e o ‘eterno segundo’, visto que termina bastantes vezes em segundo lugar. O terceiro lugar ficou com a jovem pérola francesa Julian Alapphilipe (Quick-Step Floors).

Saímos da bota da Europa e passamos para a região da Flandres (região que, historicamente, compreende o Norte da Bélgica, e ainda regiões da França e da Holanda). A melhor maneira de entrar na Flandres seria, como é óbvio, pela porta, e é isso que o ciclismo faz. A Dwars door Vlaanderen (a tradução será algo como “A Porta da Flandres”, daí o trocadilho) iniciam as clássicas na região, que só irão terminar este domingo, no Paris-Roubaix. Esta clássica fez a estreia no calendário mundial (World Tour) A equipa Quick-Step Floors fez dobradinha, com Yves Lampaert e Phillipe Gilbert a terminarem em primeiro e segundo. O cazaque Alexei Lutsenko, da Astana Pro Team, fechou o pódio. De seguida, a E3-Harelbeke, com vitória de Greg Van Avermaet. O campeão olímpico bateu os compatriotas Phillipe Gilbert e Oliver Naesen (AG2R La Mondiale). A Gent-Wevelgem deu continuidade ao bom momento de Van Avermaet, que bateu Jens Keukeleire (Orica-SCOTT) e Peter Sagan.

O Tour de Flandres (Ronde van Vlaanderen) seguia-se, e a perspetiva de mais um monumento era bem aceite por Van Avermaet, que queria dar continuidade às vitórias. Não venceu, mas ficou em segundo lugar, batido apenas por Phillipe Gilbert, com uma fuga espetacular, a quase 60 quilómetros da linha da meta, que deitou por terra as aspirações do ciclista da BMC. O terceiro lugar ficou com Nikki Terpstra (Quick-Step Floors).

Tom Boonen prepara a sua última corrida enquanto profissional [Foto: record.pt]

Da chegada a Oudenaarde, passamos para o Inferno. O Paris-Roubaix, o “Inferno do Norte” realiza-se este domingo, com um sabor especial: o “Rei do Pavê”, o “Super Tornado”, Tom Boonen (Quick-Step Floors) irá correr pela última vez, deixando um palmarés invejável: quatro Paris-Roubaix, três Tour de Flandres, uma camisola de pontos no Tour de France (2007), entre outras vitórias fantásticas.

Podemos continuar: passada a travessia do Inferno, vêm as Clássicas das Ardenas, que têm como atração principal a corrida mais antiga do mundo: a Liège-Bastogne-Liège, cuja primeira edição data de 1892.

Uma conclusão que se retira é que existem três ciclistas que, até à data, dominam a temporada das clássicas: o polaco Kwiatkowski e os belgas Phillipe Gilbert e Greg Van Avermaet. Para domingo, espera-se a emoção de sempre e, lá no fundo, todos os fãs de ciclismo querem que o vencedor seja Tom Boonen, para fechar com chave de ouro a sua carreira no ciclismo mundial. A equipa que mais tem vencido, e colocado mais ciclistas nos pódios é a Quick-Step, equipa que, curiosamente, tem o seu futuro em causa, visto que o patrocinador ainda não garantiu a sua continuidade.

Foto: pelote.com.br

Seja em pavê, seja em sterrato, à chuva ou ao sol, os ciclistas dão tudo para colocar o seu nome nos livros de história destas provas. Os fãs, pois claro, agradecem.


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