Arquivo de European Champions Cup - Fair Play

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Francisco IsaacMaio 17, 201711min0

A Europa foi tomada pelos “sarracenos” de Londres, o Munster voltou a “acordar”, o Racing desiludiu e uma série de outros acontecimentos que marcaram a competição. Este é o balanço da competição de 2016/2017 pelo Fairplay

Temos bicampeão europeu, os Saracens, com Owen Farrell, Chris Ashton, Billy Vunipola e entre outros, a levantarem o “caneco” após um encontro sufocante ante o ASM Clermont.

Infelizmente para equipa francesa foi “só” a 3ª vez que ficaram a escassos pontos de conquistar uma competição que lhes foge desde 2012. Estão predestinados a terminar como vice-campeões?

Foi uma competição intensa, esgotante com algumas surpresas e desilusões, com ensaios de levantar os estádios (e porque não, também, o banco de suplentes?) e com alguma tristeza.

Este é o balanço do Fair Play à European Champions Cup.

CAMPEÕES – SARACENS

Stats
Ensaios Marcados: 29;
Ensaios Sofridos: 11;
Jogador c/ mais pontos: Owen Farrell (126);
Sequência de Jogos: 17 vitórias e um empate (bicampeões invictos)

Não há dúvida alguma que os Saracens de Londres são a equipa a “abater”, com um rugby que transita do puramente físico (fulcral para aguentarem aqueles minutos em que o Clermont tentou subir a “bitola” de jogo e recuperar da desvantagem) para o tecnicamente bem construído com uma série de fases dinâmicas (Brad Barritt, Alex Goode, Chris Ashton, Owen Farrell e Richard Wigglesworth ou Chris Wyles fazem a diferença em termos de skills e construção de jogo), permitindo-lhes uma adaptação mais rápida, mais eficaz a qualquer adversário.

Mike McCall, o director técnico dos sarries, dispõe de uma super-equipa com vários atletas a pertencerem à Rosa de Eddie Jones, como os irmãos Vunipola, Maro Itoje, George Kruis, Jamie George ou Owen Farrell (126 pontos dos pés e mãos do abertura/centro). Para além disso, tem uma lenda Springbok chamada de Schalk Burger, um asa destemido e que vale a pena seguir chamado de Michael Rhodes e um Puma que garante metros, ensaios e virtuosismo, o grande Marcelo Bosch.

Os Sarracens foram objectivos a garantir o seu lugar na competição, não deram mínima hipótese quer na fase de grupos (o maior susto aconteceu ante os Scarlets no País de Gales, com um empate de 22-22, “salvo” na bola de jogo) ou na fase a eliminar, saindo directos e sem contestação para o título europeu.

Rapidamente vamos explicar aonde e como os Sarracens sobrepuseram as adversidades durante a campanha de 16/17: fases estáticas 95% conquistadas (mérito para o excelente trabalho de Kruis e Itoje, para além da assertividade da 1ª linha com Vunipola, George e Vincent Koch); trabalho exemplar no contacto e velocidade no ataque ao 1º e 2º canal (Michael Rhodes e Billy Vunipola foram os carriers de serviço, seguindo-se Marcelo Bosch) e aproveitamento do espaço para quebras-de-linha (Chris Wyles e Chris Ashton sempre com a bomba nas pernas em direcção à linha de ensaio). Um rugby muito simples, mas extremamente dinâmico, com uma carga física alta e uma resistência que garantia os 80 minutos sem “quebrar”.

Esta onda dos Saracens é para continuar? Se o plantel não sofrer grandes alterações (um par de jogadores vão “pendurar as botas”), receber mais dois ou três reforços de luxo (Liam Williams, Christopher Tolofua e Dominic Day já estão confirmados) vai ser muito complicado “bloquear” a máquina de McCall.

A DESILUSÃO – RACING METRÓ

Se não há dúvidas que os Saracens mereceram erguer o título de campeões da Europa, também não há em relação à escolha para equipa desilusão em 2016/2017: Racing Metró 92′.

A equipa parisiense terminou em último lugar da fase-de-grupos conquistando só 5 pontos em 30 possíveis. Nem Dan Carter (entre jogos fenomenais a exibições de “apagão” total) ou Juan Imhoff conseguiram salvar a “honra” do Racing, que apresentou um rugby tão desapontante que deixou várias reticências para o que virá aí no futuro.

Um dos principais problemas foi a intensidade de jogo e a capacidade de dar sequência a uma série de fases, com a equipa francesa a não possuir “arcabouço” para aguentar com a insistência “irritante” do Munster ou a eletricidade do Glasgow Warriors.

Em 2015/2016 tinham ido até à final da competição, caindo ante os Saracens… nesta temporada nem do último lugar do seu grupo conseguiram passar.

Uns “magros” 12 ensaios marcados provam que algo se passou nas hostes do Racing Metró que precisa se revitalizar e reencontrar aquela classe e charme demonstrada na época anterior.

O RECORDISTA – CHRIS ASHTON

Quem é que disse que os bad boys não podem vingar no desporto? Chris Ashton, o ponta que conseguiu tirar Eddie Jones, Warren Gatland, Martin Johnson e vários outros seleccionadores nacionais ou dos Lions do sério, bateu o recorde de ensaios das competições europeias.

O ponta inglês de 30 anos (não representa a selecção da Inglaterra desde 2014, apesar de ter conseguido 25 ensaios em 53 internacionalizações) atingiu os 37 ensaios em 50 jogos na Champions/Heyneken Cup, ultrapassando Vincent Clerc (36) ou Brian O’Driscoll (33).

Este foi o “adeus” de Ashton aos Saracens já que vai para o RC Toulon, onde poderá tentar chegar aos 40, uma meta formidável para um dos grandes finishers ingleses dos últimos 20 anos. Para além de estar munido de uma bela velocidade, o ponta tem uma boa noção do jogo ofensivo, tem capacidade de perfuração e tenta entrar no espaço “X” para partir a linha de vantagem e criar uma boa situação ofensiva.

Seis ensaios em cinco jogos (Isa Nacewa do Leinster acabou com 7), decisivo frente ao Clermont (3 quebras de linhas e 5 pontos saídos das suas mãos) ou Scarlets (aquele ensaio no último segundo de jogo que garantiu um empate precioso), Ashton merece um lugar no patamar das “lendas da Champions Cup”.

A SURPRESA – MUNSTER RUGBY

Revivalismo… é uma conceito que se pode “afixar” na European Champions Cup desta temporada, com os regressos em força do Leinster, Munster ou ASM Clermont. Especialmente o regresso às boas exibições das equipas irlandesas, que durante os últimos dois anos andaram bem longe dos grandes palcos (o Leinster chegou em 2014/2015 às meias finais da competição).

Essencialmente, o Munster voltou à “chama” que outrora os galgou para as grandes conquistas europeias, muito pela capacidade de Anthony Foley em transformar o rugby “sonolento” irlandês para uma aceleração constante de jogo e um ritmo de alto “quilate”.

O falecimento do treinador, na noite antes do encontro frente ao Racing Metró 92′, foi uma “dor” total na Red Army que se viu privada do seu comandante, de uma lenda do clube e do país… mas a “dor” foi convertida em uma dose ainda maior de “paixão” e entrega, que levou o Munster até às meias-finais da competição sucumbindo à maior pressão e dinamismo dos Saracens.

Mas foi uma época essencial para o futuro da equipa de Rassie Erasmus (o director técnico que assumiu o papel de treinador do Munster após a morte de Foley), com CJ Stander a comandar os avançados (um placador exímio e um autêntico “tanque” com motor de porsche no ataque) e Tyler Bleyendaal a despontar como um “maestro” com capacidade de elevar o jogo da sua equipa.

O Munster está a “refazer” a sua vontade de conquistar títulos e prova disso foram os apuramentos quer para as meias-finais da Champions Cup quer para a PRO12 (frente aos Ospreys). Para o rugby europeu é necessário termos de volta a energia irlandesa, a magia de Zebo (o jogador com mais erros próprios de toda a competição com 15 no total) e a liderança de Peter O’Mahony.

O MVP – CJ STANDER

CJ Stander, que nº8 “monstruoso” foi o rugby irlandês “resgatar” às planícies da África do Sul. O asa da selecção da Irlanda (um dos melhores jogadores nas duas últimas Seis Nações pelo Trevo) fez uma campanha “deliciosa” na European Champions Cup.

O ensaio marcado frente ao Racing Metró 92′ é um tipo de cartão de visita que deixa qualquer adepto com vontade de conhecê-lo mais e melhor. Com três ensaios na competição de 16/17, Stander sobressaiu-se na hora de reorganizar a avançada, nas saídas com potência (133 carries no total com 292 metros conquistados), no breakdown (8 penalidades conquistadas, 8 turnovers conseguidos), na “agressividade” da placagem (59 placagens no total, está no top-15 de melhores placadores da época) e dotado de uma leitura de jogo que merece destaque.

Stander é o protótipo de jogador que qualquer treinador gostaria de ter: leal, trabalhador, enérgico, “mágico”/criativo e que se impulsiona para a frente dando o exemplo aos seus colegas.

Owen Farrell foi até à final, marcou ensaios, colocou pontos entre os postes, foi decisivo em vários momentos…tudo verdade. Mas Stander fez o Munster respirar rugby, deu outros “contornos” à avançada da Red Army e foi o melhor 8 de toda a competição.

AS NOVAS ESTRELAS – GARRY RINGROSE, ZANDER FAGERSON E THOMAS YOUNG

Garry Ringrose – Ensaio de antologia em casa do Clermont; Zander Fagerson – pôs as primeiras-linhas do Munster e Racing Metró em “fúria”; e Thomas Young – o tackling machine dos Wasps. Foram três protagonistas “jovens” que deixaram uma marca profunda na competição.

Ringrose é aos 22 anos o novo Brian O’Driscoll, de acordo com alguns comentadores e fãs. É preciso ter um cuidado extremo a etiquetar os jogadores, mas na verdade Ringrose foi surpreendente. Um jogador nato em explorar o erro defensivo do adversário, tem um pace e um ritmo de jogo muito diferente do que estamos habituados a ver em Henshaw ou Payne, para além dos “truques” na hora de tirar o defesa da frente. As excelentes prestações pelo Leinster podem ainda valer um “cartão de viagem” até à Nova Zelândia.

Zander Fagerson, o pilarão dos Glasgow Warriors, foi um “rochedo” autêntico. Com 21 anos, o nº1 escocês tem tudo para se afirmar como um dos melhores pilares do Hemisfério Norte, muito pela sua excelente postura e trabalho na formação ordenada (Mako Vunipola teve uma autêntica “guerra” com o escocês), a forma como gosta de “comer” metros, o ritmo que impõe nas entradas curtas ou a “agressividade” que apresenta na placagem (55 placagens) são alguns pontos fortes do pilar.

Por fim, Thomas Young, asa dos London Wasps pode ser um novo James Haskell (pode parecer uma blasfémia) tanto pela sua qualidade como placador (um rácio de 95% de placagens efectivas, terminou com 76 placagens em 7 jogos), na disponibilização para ganhar metros (106 no total, não é por onde passa a estratégia de jogo de Dai Young) e na fisicalidade que apresenta no contacto seja no ataque ou defesa. Com 24 anos, o galês tem tudo para seguir os trilhos quer de Haskell ou Warburton.

O 23 DO ANO

Suplentes: 16 – Vincent Koch; 17 – Benjamin Kaiser; 18 –  Tadgh Furlong; 19 – Sean O’Brien; 20 – Richard Wigglesworth; 21 – Finn Russell; 22 – Alex Goode; 23 – Nemani Nadolo;

EM MEMÓRIA – ANTHONY FOLEY

Anthony Foley deixou o mundo do rugby mais pobre ao “partir” cedo. Uma das grandes referências do Munster e da Irlanda, conseguiu em 2014 assumir o lugar de treinador principal da equipa da região.

Foley foi sempre uma presença assídua desde novo entre o Munster, seguiu as pisadas do pai, carregou a Irlanda às “costas” em alguns momentos e acabou por conquistar uma Heyneken Cup por duas ocasiões (05/06 e 07/08) como jogador.

O Munster de 2016/2017 existiu graças a “Axel” Foley e Rassie Erasmus, uma parelha que iria fazer estremecer não só a PRO12 mas também a European Champions Cup.

A saudade vai apertar… Foley tinha um jeito característico de sentir o rugby, uma paixão única, um envolvimento com os adeptos e jogadores inesquecível, sempre com um sorriso brilhante e simpático.

A memória de Foley, os valores que ele defendia e a forma como lutou pela Irlanda dentro e fora do campo são marcas únicas para esta modalidade.

Foto: RTE

Stand Up and Fight em memória de Foley

 

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Francisco IsaacAbril 26, 20177min0

Os Saracens vão voltar a marcar presença no maior palco europeu de Rugby, onde encontrarão o ASM Clermont que terá mais oportunidade para “agarrar” um título que já deu grandes “pesadelos”, isto tudo à custa de Munster e Leinster. 4 pontos sobre as meias-finais da European Champions Cup

O CAMPEÃO: SARACENS COM O SONHO DA DUPLA DOBRADINHA

Um jogo extremamente físico, fechado e “apertado” entre Munster e Saracens não deu grandes ensaios, mas não deixou de ser vivido com um ritmo altíssimo de jogo.

A equipa londrina sabia que para sair da casa dos Stags com a vitória tinha de trazer o seu melhor jogo a nível defensivo, sem erros, sem brechas, sem quedas de intensidade ou de concentração.

Para além disso, o ataque tinha de ser, a todos os pontos, “venenoso”, obtendo pontos sempre que conseguissem explorar os últimos 40 metros dos irlandeses.

A estratégia de Mike McCall funcionou, já que o Munster teve vários problemas em conseguir penetrar na defesa inglesa, especialmente nos primeiros 35 minutos. Até a esse momento tinham o dobro dos carries, tinham conquistado mais metros, mas sem tirar grande proveito desses números.

Os sarries estiveram “perfeitos” no que toca à defesa, seja individual ou colectiva, combinando bem a 3ª linha (Michael Rhodes volta a realizar um jogo “gigante” com 17 placagens) com as restantes unidades.

Destacar o papel de Mako Vunipola, Vincent Koch e Jamie George, com os  três a completarem 40 placagens e dois turnovers. O primeiro está numa forma assombrosa, ocupando com “agressividade” o seu espaço, assim como soube ajudar na pressão externa ao Munster que nunca conseguiu meter a oval em condições em Zebo ou Earls.

80 minutos sem quebras de linha para o Munster prova que os Saracens são, neste momento, a melhor defesa a nível da Europa e do Hemisfério Norte.

O ataque apareceu quando tinha de “picar o ponto”, com ensaios de Mako Vunipola (através de um bom maul) e Chris Wyles (o norte-americano saiu do banco para “tremer” o jogo), para além dos 16 pontos a partir do pé de Farrell.

O Munster e a sua forma de viver o jogo, com uma paixão imensa que depois é transmitida numa intensidade única, foram bem paradas por aquela que poderá ser a nova formação dominante a nível do Hemisfério Norte nos próximos anos.

O MVP: LOPEZ REMÉDIO PARA TODOS OS MALES

Durante 2015 e 2016, os franceses choravam pelo facto de não possuírem um nº10 que enchesse as medidas e respeitasse o champagne que os Les Bleus gostam tanto de praticar (já nem tanto).

Bem, a temporada de Camille Lopez poderá servir de demonstração que o abertura do Clermont é, sem dúvida alguma, o homem que tanto precisam e sonham. Já nas Seis Nações 2017 (findadas em Abril), Lopez tinha dado provas que estava diferente, mais confiante, mais participativo com vontade de mexer o jogo sempre que possível.

Frente ao Leinster não teve vida fácil, uma vez que um dos planos de jogo dos irlandeses passava por atacar o canal interior e exterior do 10, impossibilitando-o de se “mexer” ou de criar soluções ofensivas mais “profundas”.

Veja-se que os dois ensaios do Clermont aconteceram após um trabalho exigente na saída do ruck, em picks e depois num lançamento sempre rápido do 9 para as unidades que estavam montadas mais cercas dessa fase dinâmica. Lopez estava mais longe e profundo, à espera de um aglomerar irlandês para receber a oval e meter a bola na outra ponta… mas nunca foi preciso.

O Leinster, por Isa Nacewa ou Sexton, tentaram explorar o canal do 10, a nível ofensivo, só que Lopez esteve resiliente e aguentou todas as investidas que passaram ao seu lado, como provam as 8 placagens.

Para finalizar, Lopez coroou uma boa exibição com dois drops de alto nível, sendo que o primeiro é de difícil execução metendo uma pressão e efeito na bola de grande qualidade e mestria. Numa altura em que é raro vermos este tipo de pontapé, Lopez avisou os seus adversários que o Clermont tem capacidade para marcar de todas as formas e feitios.

Um nº10 que merece uma ovação pela qualidade, raça e entrega que traz ao jogo, para além de todo um “perfume” com a bola nas mãos.

A DECEPÇÃO: METROS TÊM DE SIGNIFICAR ENSAIOS LEINSTER

Dois factos que nos precipitam para afirmar que o Leinster realizou uma exibição abaixo do expectável: 650 metros conquistados deram só um ensaio e os primeiros 40 minutos oferecidos ao Clermont.

Se uma equipa consegue fazer mais de meio km de metros com a oval na mão e não consegue fazer ensaios, então há algo de errado nos processos e na forma como atacam a linha de defesa no último quarto de terreno.

Não foi por insistência de Sexton (jogo mediano do nº10 irlandês) ou do trabalho do par de centros que não tiveram mais pontos, mas foi essencialmente pela falta de capacidade de ler a defesa e de explorar as (poucas) falhas que o Clermont demonstrava na sua linha defensiva.

Sem capacidade de penetração tudo fica mais difícil, pois não há pontos e sem pontos não há vitória. Jamie Heaslip é um jogador fundamental na criação de roturas defensivas, já que o seu físico e mobilidade permite ao Leinster sair a jogar mais rápido e encontrar outros pontos de ataque.

O segundo ponto foi algo que trouxe a “sombra” da derrota à equipa do Leinster: os 40 minutos de avanço concedidos ao Clermont. A primeira parte terminou num 15-03, onde um dos ensaios dos franceses era evitável (desatenção à ponta e sem placagens efectivas) e a concentração dos irlandeses esteve em “baixa”.

As linhas atrasadas do Leinster efectuaram 9 erros forçados de ataque, separados do 9 ao 15, alguns deles de alguma gravidade já que lhes tiraram boas oportunidades para chegarem à área de validação.

Por isso, com uma defesa mais “branda” na 1ª parte (Sean O’Brien foi outro jogador que fez falta) e um ataque soft, o Clermont aproveitou para ganhar uma boa margem que seria inultrapassável para o Leinster e o sonho de tentar conquistar uma 4ª Champions Cup.

A REVELAÇÃO: GARRY RINGROSE VAI MARCAR UMA NOVA ERA?

Voltamos a revisitar e escolher um detalhe do jogo do Clermont-Leinster para fechar os 4 pontos das meias-finais da Champions Cup: Garry Ringrose.

O centro está a passar por uma fase de momentum espectacular com uma série de pormenores que podem levá-lo a atingir um patamar do mais alto possível… fazer jus ao nome e lenda de Brian O’Driscoll.

O centro, de 22 anos, já realizou 8 jogos pela Irlanda e tem sido uma das coqueluches da selecção de Joe Schmidt. No Leinster assumiu um papel preponderante na defesa e ainda mais no ataque… o ensaio contra o Clermont prova toda essa “sofisticação” que o centro possui e que pode mudar, radicalmente, a forma de atacar do Leinster.

Essa jogada mirabolante, carregada de toda uma excentricidade e noção de como aproveitar o espaço e os erros de placagem do adversário. O explorar dos “buracos” e a forma como acelerou neles, tornaram-no impossível de segurar.

Ringrose fez 134 metros em 15 carries, bateu 14 defesas e acabou com duas quebras de linha… sem qualquer erro de controlo de bola (foi o único dos 3/4’s nesse aspecto). Tem tudo para ser um dos novos mastros do rugby irlandês.

Referência muito breve a Niall Scannell, o talonador do Munster. Jogo de alta qualidade do nº2, que teve excelente nas fases estáticas (15 alinhamentos conquistados mais a 5 formações ordenadas) para além de ser um excelente apoio a quem carrega a oval ou na forma como disputa os rucks.

Garry Ringrose e Niall Scannell são o futuro do rugby irlandês, que precisa rapidamente de uma mudança para aproveitar esta “bolsa” de crescimento que foi conquistada na Champions Cup, na Pro12 ou nas Seis Nações 2017.

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Francisco IsaacJaneiro 24, 20178min0

Ponto final na fase de grupos da European Rugby Champions Cup, com a surpresa dos Glasgow Warriors a “desembrulhar-se” em Leicester; os Saracens acabam invictos; Clermont passa o “rolo compressor” ao sonho dos Chiefs; Quartos-de-final decididos, com um Leinster-Wasps a abrir. A 6ª jornada em 5 pontos

Uma formidável exibição escocesa em terras inglesas premiou a PRO12 com mais uma equipa na fase a eliminar. Os Saracens continuam invictos na Europa (a última derrota na Europa foi em 2015, ou seja, 14 vitórias e 1 empate em 15 jogos possíveis), o Clermont está pronto para voltar ao “domínio” (com ou sem títulos este ano) e o Munster “assusta” meia-Europa.

Para os que não leram a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qdgoo.gl/yQqzopgoo.gl/28HYX6 e goo.gl/tI0Hes

A Equipa: IT IS DONE, SCOTLAND REACHED THE FINALS!

Finalmente! Ao fim de tantos anos a Escócia volta a ter um representante na fase a eliminar da European Champions Cup, com os Glasgow Warriors de Gregor Townsend a confirmarem o excelente momento de forma.

A equipa de Glasgow precisava de uma vitória para chegar à fase seguinte… porém, o jogo era em casa dos Leicester Tigers, uma equipa “agressiva” dentro de portas e que, raramente, deixa os adversários fazer a festa no seu terreno. Ora, o mais improvável aconteceu para surpresa dos 20,000 adeptos que estiveram em Welford Road pois os escoceses “varreram” os adversários ingleses por 43-00.

Uma “orquestra” de Glasgow em sintonia e harmonia, começou a desenhar o seu “bilhete” para os playoffs logo a partir dos 5 minutos, com Tommy Seymour (grande exibição do ponta da Escócia) a “rasgar” os tigres, impondo os primeiros 5 pontos do jogo. A partir daqui foi, como dissemos, uma “orquestra” que não parou de acreditar no apuramento com ensaio atrás de ensaio.

As boas movimentações no meio-campo que resultavam em incursões até à área de validação da equipa da casa ou penalidades cometidas pela mesma equipa (os Tigers cometeram 16 penalidades, algo que não lhes acontecia desde 2014) que permitiam a Finn Russell ou Stuart Hogg colocar a bola nos últimos metros de jogo.

O trabalho de excelência dos avançados (dos seis ensaios, quatro foram da autoria dos 8 da frente e os outros dois de movimentações das linhas atrasadas), a eficácia dos 3/4’s (Price e Russell têm formado uma parelha de médios de grande qualidade) resultou num resultado “pesado” e que carimba, assim, o seu bilhete para os quartos-de-final. Agora é ganhar ao campeão em título: Saracens!

A Confirmação: FIBRA DE CAMPEÃO, UMA LIÇÃO DOS SARACENS

Por falar no diabo, os Saracens voltaram a ganhar e desde 2015 que não sabem o que é perder um jogo para a Champions Cup. São 1200 minutos sem derrotas, o que prova o domínio total da equipa de Mark McCall e que parece estar longe de acabar.

Num jogo muito duro contra o Toulon, em que o resultado final de 10-03 serve de prova máxima para essa ideia, a equipa londrina soube sofrer e garantir a vitória já na segunda parte com novo ensaio de Chris Ashton (está imparável o ponta inglês, que não conta para Eddie Jones). Para além disso, foi um jogo “fechado” e, por vezes, algo parado já que as equipas tentaram tirar o máximo das suas avançadas, que raramente conseguiram avançar com eficácia após os alinhamentos.

O Toulon “carregado” com as suas estrelas de todo o planeta pouco conseguiu para quebrar a “fortaleza” do wolfpack de Londres, que terminou com 140 placagens (20 falhadas, sendo que 14 foram no meio-campo do adversário) forçando alguns erros da equipa de Ma’a Nonu, Matt Giteau ou Bryan Habana.

A fibra de campeão foi notória em campo, valendo a pena reverem os dez minutos finais deste encontro para perceberem do que são feitos os campeões: saber sofrer e dar a volta em situações difíceis. Daqui a 1 ano talvez ninguém se lembre da placagem gigantesca de Michael Rhodes a Giteau a escassos 3 metros da linha de ensaio ou de Will Skelton a Samu Manoa num choque de titãs.

O Regresso: HERE COMES THE MEAN MACHINE: JAMES HASKELL

Porventura um dos melhores asas a nível mundial, James Haskell marcou o seu regresso na Champions Cup no jogo frente ao Zebre. Após 7 meses de fora por lesão, o super asa voltou a pisar os campos de rugby (da Champions Cup, já que tinha feito o regresso na Premiership) com uma exibição q.b., onde a “arte” de defender foi um must

Haskell somou 12 placagens (o segundo jogador com mais placagens em campo) e 2 turnovers, num jogo que esteve sempre controlado pelos Wasps, com um 27-41 final. Haskell pouco atacou, já que a aposta de Dai Young foi criar o máximo de jogadas rápidas de forma a infligir ensaios e dano suficiente na defesa italiana.

Notou-se que o 7 ainda não está na forma perfeita, com alguma lentidão em acompanhar as movimentações de Kurtley Beale (novo jogo de classe e magia do defesa Wallaby) ou de Chris Wade (segue com 10 ensaios em toda a temporada), mas aos poucos voltaremos a ter o asa na sua melhor forma.

Para já ficamos com um regresso de força a defender e a prometer algo mais a atacar de um jogador que é um dos líderes da nova Inglaterra de Eddie Jones.

Haskell de regresso (Foto: BBC)

O Resultado: LA RESISTANCE À LA JAUNARDS DU CLERMONT

Se o Clermont não está a preparar-se para fazer um assalto ao título de Campeão Europeu, então está a fazer um péssimo esforço por disfarçá-lo. A equipa francesa tem estado numa forma incrível nesta temporada, tendo somado só 5 derrotas em 22 jogos, ocupando o 1º lugar do Top14 e da sua Pool na Champions Cup.

No último jogo da fase de grupos, os Jaunards receberam a equipa dos Exeter Chiefs que sonhava conquistar um lugar na fase seguinte da competição. Contudo, a capacidade ofensiva e a organização consistente francesa levaram a melhor num jogo com quase 80 pontos no total.

Um equipa perfumada com a velocidade e garra de Fofana, a aceleração e inteligência de Camille Lopez ou a capacidade de choque e vontade de superação de Benjamin Kayser, só tem um objectivo a cada jogo: ganhar. O ASM Clermont tem tudo para ser um dos grandes campeões desta temporada e a formo como “despachou” os Exeter Chiefs, é um argumento para essa “tese”.

Um 34-00 na primeira parte, para depois “relaxar” suavemente e terminar num 48-26, pode ser considerado um dos encontros da ronda 6 e mesmo de toda a fase de grupos, com os Chiefs a ficarem à porta da fase seguinte.

A “Besta”: NADOLO SINÓNIMO DE ATROPELAMENTO E ENSAIO 

Nemani Nadolo deixou um caminho polvilhado de “destruição e caos” no adeus do Montpellier às competições europeias. O ponta fijiano marcou mais dois ensaios nesta prova, somando aos três que já tinha conseguido fazer nos jogos anteriores. Um dos melhores estreantes de sempre na prova, Nadolo despediu-se à sua maneira: atropelando adversários pelo caminho até à área de validação.

Aos 50′, Nadolo recebe a bola à ponta e com ainda mais de 40 metros pela frente até que conseguisse atingir a linha de ensaio, o fijiano foi correndo e atirando adversários para o lado… Tuala, Mallinder, Estelles ou North, bem tentaram parar o TGV das Fiji mas ninguém conseguiu-o.

O ponta já tinha sido o responsável pela criação do primeiro ensaio da sua equipa, com uma boa quebra de linha e um offload inexplicável para as mãos de Gelletier, que só teve de correr em direcção dos postes.

Nadolo em 6 jogos, marcou 5 ensaios e assistiu por 4 vezes, impondo todo o seu peso, impacto e agilidade sempre que tinha a oportunidade de o fazer. Um jogador de extrema qualidade que veio para “dominar” as alas em França.

 

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Francisco IsaacJaneiro 18, 201710min0

Penúltima jornada da European Champions Cup, com o melhor jogador de rugby da Europa a partir “corações” em Gales e a dar o apuramento aos Saracens; Munster, Clermont e Leinster já têm o passaporte assegurada para o playoff. Quem se segue? A 5ª jornada em 5 pontos

Um inglês que não “respeitou” paixões no Parc y Scarlets em gales, um Leinster demolidor e com o sonho de voltar a reinar na Europa, passando pelo Clermont cínico e calculista, terminando numa vitória enorme dos Chiefs perante o Ulster de Piutau. Alguns pontos de discussão, uma análise e uma ode a Owen Farrell, quiçá o melhor jogador da Europa do momento

Para os que não leram a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qdgoo.gl/yQqzop e goo.gl/28HYX6

O Jogador: O MELHOR JOGADOR DA EUROPA, OWEN FARRELL

Amado pelos adeptos “sarracenos” de Londres, odiado por todos aqueles que sentem o cruel toque dos seus pés ou mãos, Owen Farrell tem vindo a ser um dos grandes jogadores a “passear” pelos relvados europeus nos últimos dois anos. Nesta 5ª jornada voltou a decidir um jogo que parecia perdido para os Saracens.

Quando o relógio já ultrapassava os 80 minutos, Farrell tirou do “chapéu” uma enorme jogada que deixou por terra James Davies e Tadgh Beirne. Com a quebra de linha só teve de esperar o momento X para passar a bola a Chris Ashton, com o bad boy dos campeões europeus a sprintar até à área de validação… 20-22, ainda faltava a conversão de Farrell que foi bem sucedida.

Mas não foi só nesse momento que Farrell surgiu no encontro… o nº10 no 2º ensaio da sua formação encontrou Marcelo Bosch no lado interior e, com um passe subtil, meteu a bola no argentino que só teve de esperar pelo aparecimento de Ashton para igualarem, na altura, o encontro.

O passe de Farrell “abriu” a defesa dos Scarlets (que estavam a efectuar um jogo de elevadíssima categoria) e repôs uma igualdade que pouco depois foi perdida, para mais tarde conseguirem “apanhá-la” com o tal 1º lance descrito.

Farrell tem tudo a seu favor: é o melhor chutador do Mundo, neste momento, é um jogador que gosta do contacto físico (já vai em 40 placagens em 5 jogos na EPCR), participa nos actos de decisão de jogo (já vai em 5 assistências) e “veste” o papel de grande cara dos Saracens, que estão sem os irmãos Vunipola, Barritt, Alex Goode e George Kruis.

Vejam as movimentações de Farrell durante 80 minutos, é um jogador enigmático que procura cansar os seus adversários mais directos ao ponto de conseguir, depois, arrancar para a linha de vantagem e explorá-la com vantagens para a sua equipa. Um 10 que pode jogar a 12 ou 13, que sabe a importância em manter a bola viva e de motivar os seus colegas sem ter que ser o foco do jogo.

O melhor jogador da Europa no momento? Sim, sem dúvida que sim.

A Surpresa: NEVER PLAY LIKE A COWBOY WITH A REAL INDIAN CHIEF

Ora quando todos estavam à espera de uma vitória do Ulster em terreno inglês, os Exeter Chiefs conseguiram “estragar” a festa da equipa de Belfast que tinha como grande objectivo atingir a fase seguinte da competição.

Rob Baxter flamejou a “alma” dos seus Chiefs, que precisavam de repor o orgulho perdido nas primeiras 4 jornadas da competição. Em casa, a jogar para um Sandy Park praticamente cheio, a equipa do “fundista” Jack Nowell, carimbou uma exibição gigante que já não se via a algum tempo.

Na primeira parte manteve-se um empate a 12-12, após duas trocas de ensaios, onde o ensaio de Campagnaro foi um regalo para os olhos, estando nomeado para melhor da semana (ver vídeo infra) assim como o de Charles Piutau, com uma bela troca de pés (no mesmo vídeo).

Piutau estava a ser uma autêntica dor de cabeça para a defesa dos Chiefs, enquanto que o pack avançado inglês, comandado por Thomas Waldrom, ia subindo no terreno através de boas movimentações curtas ou alinhamentos bem executados.

Na 2ª parte tudo mudou, com os Chiefs a meterem toda a sua confiança no máximo e com uma série de movimentações de alta solidariedade em grupo, onde as unidades de ataque encontram o ponto de equilíbrio. Ian Whitten, Jack Nowell, Don Armand e Greg Holmes foram sempre autênticos “lobos” a “morder” a defesa do Ulster, com boas quebras de linha.

Nem as 150 placagens encaixadas valeram de muito ao Ulster, que se deixou ir num “tumulto” provado pelos vice-campeões ingleses. A falta de vontade de explorar a linha e de acreditar ser possível ainda chegar à próxima fase (tinham tudo para atingi esse objectivo), acabou por lhes valer uma derrota por 31-19 e um “adeus” precoce à Europa, que acontece desde 2014.

Os Chiefs agora têm ainda uma efémera oportunidade de seguir para o playoff, para isso “basta” ganhar com uma vitória bonificada em França. Contra quem? Clermont…

O Jogo: A GAME BETWEEN WARRIORS AND STAGS

Belíssimo encontro entre irlandeses e escoceses com o apuramento directo a ser jogado até ao apito final… correu melhor para os Stags de Munster que através de um enorme ensaio de Francis Saili garantiram o apuramento directo para o playoff.

Um jogo muito cínico, sem ensaios até aos 70, mas com uma série de tentativas bem esboçadas e de grande qualidade que representaram bem as capacidades intrínsecas da paixão e entrega escocesa contra a chama e loucura irlandesa. No final como acabou? Vitória para a “chama” e o arriscar do Munster perante a tristeza e “pânico” dos escoceses que sonhavam com um “carimbo” para o playoff, algo que não acontece há vários anos.

240 placagens no total, 120 para cada lado, com apenas 34 falhadas representa bem o trabalho minucioso de ambas as formações na hora de defender. Rob Harley na equipa de Glasgow, com 13, e Jack O’Donoghue, com 11, foram os “senhores” da placagem.

Um exemplo da excelente prestação defensiva do Munster foi logo dentro do primeiro minuto de jogo, com a linha de defesa a subir de forma organizada mas desenfreada pondo fim a uma possível vantagem à ponta para os Warriors.

Na ausência de ensaios, surgiram os pontapés de penalidade bem convertidos quer por Finn Russell e Stuart Hogg assim como o irlandês Tyler Bleyendaal. Aos 45′ tivemos prazer de ver uma das melhores jogadas da semana, com a equipa escocesa a galgar metros, a conseguir duas quebras de linha mas o Munster provoca uma falta “inteligente”, que pára toda a máquina ofensiva da equipa da casa.

Até que chegámos ao momento fatídico da partida… 71 minutos… alinhamento, maul parado em falta e em três passes aparece Saili a receber um passe delicioso de Keith Earls. O neozelandês ficou a escassos milímetros de sair para fora de campo, mas não saiu… é o que separa da “imortalidade”, aquele separação entre o quase e o conseguir e Saili conseguiu-o.

14-12, ponto final no encontro, Munster sai de Scotstun com 4 pontos e Munster com 1 ponto, ponto esse que poderá vir a ser precioso no jogo final frente aos Tigers de Leicester.

O Caso: RUGBY HASN’T GONE SOFT… FRANÇOIS STEYN HAS GONE BARBARIC

Muito têm falado das novas leis de contacto e placagem, muitos “atropelos” têm-se feito à leitura das mesmas e das dificuldades que o rugby vai enfrentar daqui para a frente. É verdade que há algumas dúvidas em relação aos jogadores que se baixam antes do contacto, o que torna quase impossível não acontecerem acidentes ou placagens mais “acima” que o permitido, mas sempre foi uma vicissitude do rugby. Há Rugby Union, Rugby League, Touch Rugby e Tag Rugby. É preciso saber o que cada um representa e que riscos acarretam.

Posto isto, a placagem de François Steyn a Jonathan Sexton não é, de forma alguma, legal. Além do mais, o vermelho é a cor acertada… o sul-africano nunca teve a intenção de placar de forma “positiva”, indo em direcção da linha acima dos ombros. Steyn é um jogador que gosta de defender no limite da falta e neste jogo foi demasiado tempestivo e teve um approach que não respeita as leis de jogo.

Vermelho directo, não há discussão e poderá vir suspensão a caminho caso o jogador do Montpellier não assuma culpa. Para os adeptos/jogadores/técnicos que estão a entrar em pânico com as novas leis (podem questionar e duvidar, apresentar propostas e dificuldades de forma cordial, como foi o caso de Eddie Jones, Dai Young ou Rob Baxter), é preciso ter alguma atenção a casos e casos.

O Montpellier acabou por sair prejudicado e perdeu por 57-03 frente à equipa de Dublin que jogou para os 18,000 adeptos presentes na RDS Arena. Jogo imenso de Sexton, jogo extraordinário de Jack Conan e um “lugar reservado” para a fase a eliminar. O Montpellier ainda tem uma esperança, mas não deverá passar mais do que isso.

O Placador: DON’T CRY FOR ME ENGLAND, YOU HAVE THOMAS YOUNG – WORDS FROM ROBSHAW

A Inglaterra na rampa de lançamento para as Seis Nações está a viver uma fase difícil com várias lesões de algumas das suas principais “estrelas”, com a última a ser Chris Robshaw, o dono da camisola nº6. Perante esse cenário, o “medo” instalou-se nos pensamentos dos adeptos da selecção da Rosa. Porém, não temam, pois há um asa em grande forma que merece a oportunidade de voltar a ser titular pela Inglaterra.

Tom Wood dos Northampton Saints é o homem que falamos. No último jogo da formação inglesa, o asa “encaixou” 15 placagens e “roubou” uma bola do ruck, provando que é uma “rocha” sólida na defesa. Wood é um jogador versátil, algo mais “pesado” que Robshaw mas mais duro e combativo no jogo curto. Wood tem sido uma das melhores peças dos Northamtpon Saints em 2016/2017, tendo sido chamado por Eddie Jones para jogar durante os Jogos de Inverno.

A participação do asa foi fundamental para a vitória da sua equipa frente aos franceses do Castres Olympique, conseguindo o ensaio que quebrou o empate e deu a vitória por 28-21 (ver minuto 1:26). Tanto os ingleses como os franceses não avançam para a fase seguinte.

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Francisco IsaacDezembro 31, 20169min0

A última jornada antes da paragem para Natal, trouxe várias “prendas” de última hora tanto para o Munster como para os Wasps. Mas, foi em terras escocesas que se fez ouvir o mair estrondo da semana: os Glasgow Warriors “abateram” os vice-campeões europeus e campeões do TOP14, o Racing 92. Este jogo e outros 3 pontos na nossa análise da 4ª jornada

Será a temporada 2016/2017 o “grito” das equipas da PRO12? Munster, Ulster, Leinster, Connacht e Glasgow Warriors são todos candidatos a passar à fase a eliminar da Champions Cup, algo que seria inédito para o rugby europeu. Mas no horizonte estão os Saracens que são, para já, a única equipa que não consentiu derrota nesta fase-de-grupos. Fiquem com as nossas ideias, opiniões e questões da 4ª jornada da ERCC

Para os que não leram a 1ª, 2ª e 3ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qd e goo.gl/yQqzop

A Equipa: NEVER PLAY GAMES WITH A SCOTTISH WARRIOR!

Bem-vindos a Scotstun, reino dos Glasgow Warriors, reino onde tudo é possível para as gentes que vivem nas Highlands. Em 2015/2016 a equipa de Gregor Towsend terminou em 3º lugar com 14 pontos, muito devido às duas vitórias ante os Scarlets que se ficaram pelo último lugar com 0. Coincidência ou golpe do destino, a equipa escocesa voltou a encontrar o Racing 92 nesta nova temporada na fase-de-grupos.

Na altura, tinha conseguido uma vitória e uma derrota – frente aos parisienses -, insuficientes para seguir em frente na competição máxima de clubes da Europa. Porém, esta temporada já foi diferente… a 1ª vitória aconteceu em Paris (23-14) e “impulsionou” os escoceses para o 2º lugar do grupo. Para poderem continuar a sonhar com um apuramento quase histórico (a última vez que foram à fase a eliminar foi exactamente há dez anos), tinham de garantir quatro pontos em casa.

Perante a sua massa adepta, as cores do azul escuro brilharam com grande fulgor naquela que foi uma das melhores prestações de sempre da equipa escocesa em provas europeias. Com Finn Russell a “deslumbrar”, a equipa dos Warriors “varreu” os vice-campeões europeus com facilidade. 18-00 no final da 1ª parte, com ensaios de Josh Strauss (100 jogos com a camisola de Glasgow ao peito) e Fraser Brown (o 1ª linha pode ser uma das revelações da Vern Cotter para as Seis Nações), permitiram um segundo tempo ainda mais “calmo”, sem necessidade de acelerar o jogo (excelente Russell, Hogg e Price nesse aspecto), aproveitando da falta de capacidade em transformar posse de bola e metros (550 metros conquistados).

Foram 20 os erros ofensivos da equipa de Paris, com 11 avants, 8 turnovers e um pontapé interceptado, algo incomum para uma equipa do TOP14. A somar isto tudo, Dan Carter acabou o jogo sem qualquer metro conquistado, quebra-de-linha, defesa batido e com meros 15 passes, ao contrário que o seu adversário escocês, Russell, completou 81 metros, 1 assistência para ensaio, 4 quebras de linha e 5 defesas batidos.

Feita as contas, a equipa de Glasgow está com a “passagem” nas mãos, para isso basta só ganhar ao Leicester ou Munster que garantirão um lugar na fase a eliminar. Conseguirá Gregor Towsend quebrar com a malapata que dura há dez anos? Será interessante ver como Towsend vai voltar a montar o “cerco” às equipas do Munster e Leicester Tigers. A receita para ganhar o jogo frente ao Racing, passou pela construção de fases curtas e “pesadas”, com a avançada escocesa a não perder o controlo da oval.

Depois de “amontoar” a defesa parisiense, Russel/Hogg/Dunbar pediam a bola para colocar uma jogada de alta rotação (com a participação mínima de um avançado na linha da frente de ataque), abrindo espaço entre os defesas. Depois foi só explorar os “buracos”, encontrar o caminho e garantir uma linha de corrida com grande apoio. É o jogo que a Escócia gosta de jogar, mas com um pouco mais de velocidade e mais disponibilidade mental para assegurar boas transições de jogo.

Fiquem com a exibição de Finn Russell:

O “David” da Jornada: CONNACHT ALERT!

Tínhamos alertado que o Connacht podia ser uma “caixinha de surpresas” durante esta prova… os campeões da PRO12 em título, receberam a equipa dos London Wasps, que esperava um jogo controlado e que a vitória não fugiria, mesmo que fosse por um ponto.

Bem, a surpresa caiu encima dos 82 minutos (dois minutos para lá do tempo regulamentar), quando a equipa irlandesa Galway marca um ensaio para Jack Carty converter… o olhar atento do médio de abertura a fitar os postes… silêncio profundo, pontapé enviado e bola a voar… passou! 20-18 e o Connacht está na disputa para seguir em frente na competição.

Mas vamos recuar no tempo de jogo para percebermos como é que isto pode ter acontecido a uma das grandes equipas da actualidade da Europa. Os Wasps começaram com a “guerra” de ensaios, com o primeiro a surgir aos 13′ pelo formação Joe Simpson. Excelente insistência de Thomas Young e Nathan Hughes, para depois o nº9 captar e “afundar” na área adversária.

O domínio de jogo inverteu-se a partir deste momento, com o Connacht a duplicar esforços e a tentar ir ao ensaio. Porém, uma boa defesa dos ingleses (Thomas Young estava irrepreensível na hora de parar os seus oponentes, com 16 placagens no final do encontro, para além do “monstro” Joe Launchbury), impediu a equipa de Pat Lam de chegar ao ensaio… até ao 39′.

Nesse momento, após 5 fases de ataque e em cima dos últimos 5 metros, Carty (MVP deste encontro) “arma” um crosskick que Danie Poolman consegue apanhar do ar, passando a linha da área de validação, deixando a oval pelo caminho.

Uma entrega completa, uma vontade de apostarem no virtuosismo e um acreditar, motivou ainda mais os homens do Connacht que iam atrás das investidas de Bundee Aki (novamente foi um dos jogadores com mais metros percorridos, com 94 em 19 carries, o que prova que é a peça principal deste esquema de Lam).

Só que o “balde de água fria” (o primeiro daquela noite gelada) veio por parte dos Wasps, quando Simpson sai rápido de um ruck e atira um passe para Bassett marcar o seu 3º ensaio na competição à ponta. Gopperth não converte e deixa o resultado num 18-13 com 5 minutos para jogar. Os Wasps nunca pensaram no que se iria suceder a seguir… primeiro uma sequência de faltas que os recuou até à sua área de 22, com os irlandeses a terem noção que uma penalidade não lhe servia de nada.

Os ingleses de Coventry defenderam, defenderam e defenderam, atirando as intenções de ensaio para trás… não havia jogada que passasse pela linha de defesa, bem montada, com uma pressão alta. Chegámos aos 80′, nova penalidade… alinhamento e ensaio… 18-18. E pronto, voltamos ao primeiro parágrafo deste 2º ponto. A força de provar que até os mais “pequenos” têm uma palavra a dizer na maior competição europeia de rugby.

O Jogador: MY NAME IS FARRELL… OWEN FARRELL! 

2016 marca um ano formidável para vários atletas: Israel Dagg, Beauden Barrett, Samu Kerevi, Stuart Hogg, Maro Itoje, James Haskell, Brice Dulin, entre outros… mas Owen Farrell é outro dos nomes a incluir.

A sua importância no desenho táctico e estratégia de jogo dos Saracens demonstra o seu peso a todos os níveis. Nos 24 pontos da vitória no fim-de-semana passado frente aos Sale Sharks (24-19), Owen Farrell foi responsável por 19, tantos como os seus adversários (pouco importa este dado, mas sempre importante de observar o “peso” da pontuação final de um jogador).

Farrell é um jogador moderno, rápido, com uma visão de jogo soberba, para além de reunir todas as competências e valências que gostamos de ver num abertura/centro. No jogo frente aos Sale Sharks, Owen Farrell completou duas quebras-de-linha, 40 metros conquistados, um ensaio (excelente a captar um offload de Bosch) e oito placagens (mais que qualquer outro colega dos 3/4’s), num jogo muito intenso e duro.

Farrell foi sempre uma peça fundamental para que o jogo estivesse – quase – sempre sob domínio dos campeões em título. No final dos 80′ nova vitória sorria aos londrinos que agora são a única equipa que não perdeu na European Champions Cup e devem isso, em muito, a Owen Farrell. 67 pontos em quatro jogos, dá uma média de 17 pontos (aproximadamente) por jogo.

O Caso: NOT SO SAINT(S) AS WE THOUGHT

Um pouco de polémica? Os Northampton Saints estão sob alçada disciplinar porque possivelmente não levar a sua melhor equipa até Dublin, naquela que foi uma das maiores vitórias de uma equipa irlandesa ante uma formação inglesa. 60-13 a favor do Leinster, com um atropelamento dos Saints a ficar bem  vincado.

Os irlandeses foram imperiais em todos os sectores do jogo, como provam os 60 pontos finais. A equipa de Northampton ainda começou com o “pé direito” com um ensaio espectacular de Pisi aos 20’… só que depois começou tudo a tremer e, com facilidade, a equipa liderada por Jamie Heaslip somou uma vitória em grande. Passado um dia de ter terminado o jogo, começaram a sair as grandes questões… terão os Saints jogado com a sua melhor equipa? Houve alterações deliberadas para poupar jogadores para o campeonato?

Até este momento, a EPCR (organização que rege as competições europeias de rugby de clubes) afirmou que está a analisar a situação uma vez que destaca que o rugby é um desporto que faz valer o espírito do fairplay, da honestidade e integridade. Há dúvidas se os Saints assim o fizeram, uma vez que já tinham poucas oportunidades por passar à fase seguinte.

É possível que tenha existido um problema desta magnitude? Ou será simplesmente excesso de zelo da EPCR? Dúvidas por esclarecer nas próximas semanas.

Seguem-se duas jornadas de grandes decisões com muito por decidir, em que só há uma equipa invicta (Saracens), dois candidatos em queda (Wasps e Ulster) e uma reafirmação da PRO12. Quem serão os finalistas?

 

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Francisco IsaacDezembro 12, 201610min1

Retorno da European Champions Cup para a 3ª jornada, com o novo amanhecer irlandês, a classe dos campeões, a invasão dos Warriors de Glasgow em Paris e a estreia de um Wallaby na Ricoh Arena. A 3ª jornada em 5 pontos de Belfast a Paris!

Regresso aos jogos da European Champions Cup, num fim-de-semana glorioso para as equipas irlandesas, com Munster, Ulster e Leinster a somarem só vitórias; Glasgow Warriors invadem Paris e nem o génio de Carter “salva” o Racing;

Para os que não leram a 1ª e 2ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8k e goo.gl/7yO3Qd

O Jogo: LES JAUNARDS NÃO SOBREVIVEM À REVOLUÇÃO ULSTERINA

No jogo mais improvável de ganhar o “título” de Clássico ou Lição de Perfeição, o Ulster-Clermont desta 3ª jornada foi um regalo para os “olhos”. 39-32, 71 pontos no total, 9 ensaios e três pontos de bónus (1 para o Ulster e 2 para o Clermont), foram alguns dos números marcantes do jogo da Pool 5. Sem Julien Bardy (ainda a contas com uma lesão), a equipa francesa entrou a “matar” com um ensaio logo no 1º minuto por P. Yato, o nº8 dos Jaunards.

A entrada forte do Clermont não ficou sem resposta e, obviamente, o Ulster ,motivado pelo bom rugby que têm praticado esta época, “respondeu” com um ensaio de belo efeito, com Paddy Jackson a descobrir Luke Marshall, que quebrou a linha, bateu Lamerat e Fofana e caiu dentro da área de validação.

No meio da disputa, Morgan Parra converte uma penalidade, num momento em que o Ulster já “gritava” por domínio que se materializou em novo ensaio, carregado de “engenho”. Ruan Pienaar  aplica um up and under mas em formato de cross kick, que vai ter às mãos de Louis Ludik com o ponta a conseguir fazer um offload para o imparável Ian Henderson.

A defesa do Clermont permitiu muito espaço aos irlandeses de Belfast, o que beneficiou a equipa de Les Kiss ao longo dos 80′. De qualquer forma, foi o Clermont a aproveitar duas penalidades para subir no terreno e sair “disparado” para a linha de ensaio, desta feita por Scott Spedding.

A partir dos 30 minutos o jogo pertenceu ao Ulster que foi ao ensaio por Paddy Jackson (grande visão do nº10 a descobrir espaço por detrás das costas da defesa do Clermont), Luke Marshall e Charles Piutau (ensaio da semana?), pondo os Ulstermen em polvorosa! Sempre tinham acabado de chegar aos 39-18 perante uma das equipas mais fortes dos últimos 10 anos do contexto europeu! O Clermont conseguiu mais dois ensaios por Abendanon e Chouly (em grande momento de forma), só que ficou num “avant” de Spedding.

Porquê ver este jogo? Pela intensidade dos avançados a cada formação ordenada, pelo génio de ambos os aberturas (especialmente o terrível Paddy Jackson), pela agressividade de Piutau e a entrega física de Spedding, pela classe que os 15,000 adeptos espalharam durante uma tarde de rugby clássico. O rugby saiu a ganhar, especialmente o irlandês.

Piutau é de Belfast! (Foto: Irish News)

A Estreia: AND NOW THE BEALE WALLABY SHOW STARTS

Novo “Rei” nos Wasps de Coventry, de seu nome Kurtley Beale! O centro/defesa/ponta australiano (60 internacionalizações e 118 pontos marcados), recuperou de uma lesão no joelho que o atirou para “fora dos relvados” durante 7 meses, impossibilitando-o de participar na selecção dos Wallabies, jogar o início de época pelos Wasps e dar o seu contributo ao rugby. Mas, todos os “males” podem ser debelados e Beale, ao jeito de um Wallaby que se recusa a “desistir”, voltou em força.

Na sua estreia com a camisola preta-amarela, a nova vespa espetou o seu “ferrão” na defesa do Connacht logo aos 4 minutos. Este ensaio foi uma “ode” ao que Kurtley Beale consegue fazer… lutar pela posse de bola, explorar a linha de defesa e batalhar pelos metros, sejam 10 ou 2.

O jogador de 27 anos entrou com uma “fome” de bola fenomenal,  abrindo caminho para a vitória dos Wasps, num jogo muito complicado até à chegada do 4º ensaio (32-17 final).

Beale recebeu mesmo ordem de expulsão aos 20′, por pretensa placagem alta (o jogador do Connacht, baixou-se no contacto, algo que complicou a missão de placar de Beale), voltando ainda mais forte e motivado para a segunda metade do encontro. Quando o resultado vibrava num 27-17, Beale pôs fim às esperanças dos campeões da PRO12 com um offload de sonho para Basset.

Toda a elegância de Kurtley Beale resultou em 10 pontos para os Wasps, no fecho da 3ª jornada da Pool 2. Para além disso, o centro foi responsável por 6 placagens e 2 turnovers (Joe Launchbury foi um autêntico devorador de roubos de bola, com 3 em todo o jogo), provando que não é só a atacar que é um dos jogadores de grande classe mundial.

O Campeão: MUST EUROPE BOW AT THE FEET OF THE SARACENS?

Saracens F.C., o novo paradigma de domínio nesta Europa de rugby? No regresso à “actividade” europeia (o campeonato local decorreu durante os três últimos jogos da Selecção inglesa, com os sarracenos a registar duas vitórias em três jogos), a equipa de Mark McCall cilindrou os “vizinhos” do Sale Sharks por 50-03.

Num jogo fácil para a equipa londrina, os Sharks pouco conseguiram fazer perante a “agressividade” física de Bosch, os “pezinhos eléctricos” de Maitland, a visão de Owen Farrell ou o génio de Maro Itoje (regresso à Champions do 2ª linha, após três meses de fora por lesão).

Melhor que tudo é a forma como o plano de jogo é executado com uma fluidez que deixa qualquer um fã dos Saracens. A grande dificuldade para as equipas que jogam contra estes sarracenos passa pelo facto de não ser só Farrell a produzir ou a ser o ponto de convergência das jogadas e movimentações, já que existem outros pontos de início.

Quem por exemplo? Goode (vejam como o defesa aplica o grubber para que Chris Wyles capte no limiar da linha de fora e marque o seu ensaio), Wigglesworth (aos 33 anos, o formação continua numa forma de invejar) ou Bosch (o 2º ensaio de Maitland tem um toque de fora de série do centro argentino) conseguem “vestir” essa responsabilidade de criarem/conduzirem o jogo ofensivo dos campeões ingleses e europeus de 2015/2016.

Vai ser muito complicado parar estes sarracenos que continuam na sua demanda de dominar o contexto nacional e europeu, com um rugby prático, alegre, eficaz e seguro.

Na sua máxima força (vão ter Will Skelton, 2ª linha da Austrália, até Março de 2017) são imparáveis, seja no ataque ou na defesa (num jogo que só atacaram, nos momentos em que foram obrigados a defender não falharam uma placagem, conseguindo 5 turnovers, argumentando a favor da tal eficácia que já mencionámos). Quem vai conseguir parar estes Saracens?

A Polémica: HARTLEY NO MEIO DA CONFUSÃO

Um jogador mal-amado pela comunidade internacional da Oval, Dylan Hartley voltou a dar espaço para que se questione a legitimidade de ser capitão ou sequer integrar os British&Irish Lions em 2017.

As críticas vão mesmo ao ponto de pedir que Hartley seja excluído da selecção inglesa nas próximas Seis Nações 2017 (isto poderá acontecer dependendo se o capitão seja chamado à comissão de Ética da World Rugby), o que não deixa de ser um exagero e, talvez, alguma “raiva” contida para com o nº2 dos Saints.

Quando Dylan Hartley entrou em campo, os Saints já perdiam por 20-10 (ensaio de Sean O’Brien a culminar o domínio do Leinster)… nem dois minutos passaram quando o talonador saiu disparado para a placagem e acertou em O’Brien com o braço, colocando o asa em KO.

Não houve solução... cartão vermelho e saída do jogo ao fim de uns poucos minutos em campo, isto quando faltavam 25 minutos para terminar o jogo. O Leinster voltou a carregar e acabou por cima, com mais três ensaios, atingindo o 37-10 final.

Olhando para as imagens, terá Dylan Hartley tido desejo em desferir um “golpe baixo” no seu adversário? Errou na avaliação à placagem? Todas as questões são pertinentes, mas o facto é que a acção de Hartley vai levantar uma discussão acesa sobre a capacidade mental do nº2. De qualquer forma, o jogador nascido na Nova Zelândia, mudou por completo o “chip”, tendo guiado a Selecção inglesa ao seu melhor período desde 2012… 16 vitórias em 16 jogos.

Não merecerá mais respeito pela comunidade? Hartley passou a fase das semanas a fio de castigo para chegar a uma estabilidade emocional e de nível de jogo de alta categoria, algo que deve ser considerado por todos aqueles que colocam-no como um jogador violento, mau e que não tem espaço na modalidade.

Keep your chin high (Foto: The Guardian)

A Sequência: MUNSTER, NOVA VITÓRIA, NOVO SONHO

Sequência de excelência do Munster, que perdeu o seu grande timoneiro a 16 de Outubro… dessa data até ao dia 12 de Dezembro a equipa liderada agora por Rassie Erasmus jogou 6 jogos, somando só vitórias.

Quatro para a PRO12 e mais dois para a Champions Cup. No último jogo na Champions Cup, decidiram “varrer” a equipa dos Leicester Tigers por 38-00, com uma exibição de gala, onde o colectivo é a verdadeira força desta Red Army.

O sistema de Foley continua bem assente, onde a terceira-linha assume um papel importante na gestão de jogo (CJ Stander está na luta pelo melhor nº8 da Europa), seja no apoio ao ataque (Stander percorreu cerca de 60 metros com a oval na mão, em 18 tentativas) ou pela execução defensiva.

Depois há a excelente harmonia entre Connor Murray (grande final de 2016 para o formação da Irlanda) e Tyler Bleyendaal, que foram responsáveis por 28 pontos de forma directa/indirecta, com o nº9 a conseguir duas assistências para ensaio, enquanto que o médio de abertura completou 18 pontos ao pontapé (3 conversões e 4 penalidades) fundamentais para a vitória à passagem da 3ª ronda da prova máxima de clubes europeus.

Há toda uma intensidade, um “coração”, uma paixão em levar o Munster a vôos mais altos, que torna ainda mais apaixonante aquela “mancha” vermelha que acompanha o Munster para todo e qualquer lado… neste jogo, em casa frente aos Tigers, 25,600 adeptos marcaram presença no Thomond Park para mais uma grande tarde de rugby dos Red Army.

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Francisco IsaacOutubro 25, 201617min0

Segunda Jornada de sensações fortes: o “adeus” a Foley com uma vitória do Munster, Dan Carter deslumbra mas é o Leicester que sai com a vitória, Saracens continuam no seu domínio, Toulouse e Wasps uma “guerra” formidável e muito mais. 5 pontos sobre o fim-de-semana na Champions Cup

Segunda-semana de Liga dos Campeões do Rugby, com alguns resultados interessantes, derrotas assumidas, lendas em modo frenético e uma emoção total por todos os cantos do Mundo da Oval Europeu. 5 tópicos do fim-de-semana, com especial destaque para a grande exibição do Munster, a categoria dos Saracens, a brutalidade de Nadolo e a decepção no sul da Inglaterra.

Para os que não leram a 1ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8k

O “Adeus”: STAN’ UP AN’ FIGHT UNTIL YOUR HEAR DE BELL

O “adeus” final a Anthony Foley soou um pouco por toda a Europa, naquela que foi a despedida ao treinador da equipa dos Stags, o Munster. Foley foi um jogador exemplar, tanto no Munster (mais de 200 jogos) como da Selecção Irlandesa, tendo deixado o rugby europeu e Mundial rendido ao seu talento para mover “exércitos”, de mexer com as emoções de jogo e, até, para decidir encontros com a toda qualidade defensiva ou vontade arriscar que deixava qualquer adepto com o coração nas mãos. Neste fim-de-semana, o Munster recebeu os “vizinhos” do Glasgow Warriors, que vinham de uma vitória fenomenal frente aos Leicester Tigers. Seria um jogo “pesado”, carregado de emoção e tristeza, mas a equipa do Munster tinha de ir para a vitória para começar a sua campanha da melhor forma possível (lembrar que os irlandeses não jogaram na 1ª jornada em virtude do falecimento de A. Foley). Perante 26,000 pessoas, o jogo foi “quente”, espectacular, com o melhor que ambas as equipas têm para oferecer, onde até tivemos o “direito” de ver um cartão vermelho por Keith Earls, à passagem dos 18′. Quando tudo apontava para que isto beneficiasse os escoceses, a equipa do Munster (que já vencia por 14-03) ligou o “turbo” e realizou um dos melhores jogos de sempre no Thomond Park, com 5 ensaios e várias conversões.

Um jogo fenomenal do nº10, T. Bleyendaal (um ensaio, três quebras de linha, três defesas batidos e 6 placagens) levaram a que o Munster conseguisse ter uma linha atrasada bem mexida, em que Zebo, Rory Scannell (um ensaio e duas assistências, grandes detalhes do jovem irlandês que começa a dar alguns sinais a J. Schmidt, seleccionador da Irlanda) ou Murray aproveitaram para “destruir” a boa estratégia de Towsend que acabou por não resultar. Movidos por uma força fenomenal, a equipa do Munster chegou ao intervalo com o ponto de bónus de vitória com um 24-03, algo que já algum tempo não se via em jogos da Europa. A equipa de Glasgow ainda teve uma “espécie” de reacção com 14 pontos em 15 minutos, mas já nada foi contra os irlandeses que conseguiram os 5 pontos e puderam dar uma despedida em grande ao grande Anthony Foley, que marcou e marcará, para sempre, a formação dos Stags. Não percam a atenção de Bleyendaal, Scnnaell ou Darren Sweetnam, jogadores que farão parte da “Constelação” da Irlanda dentro de pouco tempo. Uma palavra final ao grande jogo da 3ª linha do Munster, composta pelos suas melhores opções com Peter O’Mahony, Tommy O’Donnell e CJ Stander (jogou com o nº24, uma vez que o nº8 de Foley foi retirado em Honra de Foley), somando 30 placagens, 60 metros conquistados e 20 carries, sacrificando em prol da equipa.

A Disputa: A GUERRA DAS ROSAS EM TOULOUSE

Grande jogo entre Wasps e Toulouse, naquilo que era sempre um encontro entre antigos campeões da Heyneken/Champions Cup, com duas formações na mesma situação: sedentas de títulos. Todos sabiam que ia ser um combate feroz entre as duas avançadas, que iam ter que trazer o seu melhor (e pior) para o campo, para conseguirem quebrar os seus adversários e sair com a vitória. Embora a grande vontade do Toulouse ou o acreditar dos Wasps, a contenda terminou com um empate (20-20) no final dos 80 minutos. Um jogo pouco bonito, já que o terreno pesado não permitiu grandes fugas (apenas 9 quebras de linha, 2 para os franceses e 7 para ingleses), espectaculares jogadas (C. Wade ainda esboçou três jogadas fenomenais mas que acabaram por dar em nada para os Wasps, uma vez que perderam a bola no contacto na sequência seguinte) ou um jogo rápido e vibrante. Os ingleses tiveram algumas dificuldades com o jogo no chão, com 8 das 12 faltas cometidas a serem nesse departamento, principalmente quando atacavam com a oval, permitindo que existisse uma distância complicada entre o apoio e o portador da bola o que permitiu um turnover fácil para os homens de Ugo Mola. Foi um jogo sobretudo virado para os avançados e para o que eles conseguiam fazer nas fases estáticas, com o Toulouse a imperar na 2ª parte nesse departamento, porém sem grande expressão em termos de pontos. Veja-se que tivemos 24 alinhamentos e 18 formações ordenas, tirando bastante tempo útil de jogo, quebrando ritmos, impondo combinações simples e esperando pelo erro do adversário.

Thierry Dusautoir regressou a jogos europeus (falhou a 1ª jornada) e consegui sair como o placador da tarde, com 15 placagens efectivas e um jogo brilhante a nível defensivo. A postura do capitão passou para o resto da equipa que conseguiram chegar ao ensaio por duas vezes, ambos após 15 fases consecutivas… isto, devido ao grande trabalho defensivo dos Wasps (Elliot Daly esteve a um nível incrível, com 4 placagens de “bombeiro”, parando adversários que iam soltos para a área de validação) que foram tentando bloquear a maior ferocidade da equipa da casa para atacar o contacto. Quando faltavam apenas 3 minutos para o final do jogo, em que o Toulouse estava com a vitória no “bolso” por 20-13, surgiu um erro defensivo dos franceses, que permitiu a Ashley Johnson correr pelo flanco e passar à ponta para a “besta” Nathan Hughes (que grande ano do nº8 inglês) que arremessou Perez para o chão e aguentou uma placagem de Doussain para chegar ao ensaio… Jimmy Gopperth converteu e o 20-20 final estava aí. Uma batalha acérrima, com 200 placagens (apenas 20 falhadas!), 130 rucks, 13 turnovers e uma série de outros pormenores que fizeram jus à Guerra das Rosas. A equipa do Toulouse pode e deve ficar chateada com o resultado final, já que só tinham de gerir melhor a posse de bola e os Wasps podem retirar pontos positivos deste empate, raro nesta competição.

Hughes on the way! (Foto: L'Equipe)
Hughes on the way! (Foto: L’Equipe)

O Jogador: NEVER TURN YOUR BACK ON FARRELL

Owen Farrell… jogador fenomenal da Selecção inglesa e que tem espalhado elegância, qualidade e velocidade por onde passa. O médio de abertura dos Saracens sabia que ia ter uma noite difícil contra os Scarlets, equipa galesa que placa duro, defende com veemência (nem sempre bem) e não desiste do jogo esteja a perder por 10 ou 50. É importante que partam destes dois números: 4 carries e 7 metros. E agora fica a questão: como é que Farrell fez a diferença com tão poucos carries em sua mão? Bem, no final terminou com 3 assistências para ensaio (Wyles, Vunipola e Rhodes), dizimando a equipa dos Scarlets, quando os galeses estavam a reagir bem ao ensaio de Bosch (aos 49′), realizando um show ao jeito dos grandes nº10’s. Farrell terminou o jogo com 26 passes, o que prova que o jogo dos Saracens passa muito pela qualidade técnica e visão de jogo do abertura, que sabe do apoio excelente que tem em Billy Vunipola (15 carries e 70 metros), Michael Rhodes (11 carries e 65 metros, com o tal ensaio) e Schalk Burger (11 carries e 11 metros), para além das restantes opções. O jogo dos Saracens permite a Farrell mexer-se, encontrar opções válidas (sem ter que procurar muito, uma vez que o apoio apresenta-se logo no imediato) e fazer a equipa jogar da melhor forma possível.

É o rugby mais efectivo, dominante e territorial do rugby europeu de clubes, não há dúvidas. É uma missão complicada parar os Saracens, muito pelo ritmo que tentam imprimir ao longo de 80 minutos, pela forma como atacam o espaço ou pela maneira que “dobram” as defesas a seu favor. Se isto tudo falhar, há sempre a possibilidade de pedir a Owen Farrell que chute aos postes… só neste jogo converteu cerca de 19 pontos (5 conversões e 3 penalidades), atingindo os 35 em duas jornadas e, subsequentemente, o topo da lista de melhores marcadores. Vale a pena ver a sua técnica de pontapé aos postes, que é tão bem trabalhada e delineada que demonstra que Farrell é um dos melhores (senão o melhor actualmente) neste capítulo a nível internacional, para além dos seus pontapés in game serem de excelência e de um recorte técnico de altíssimo nível. Concluindo, Owen Farrell é um nº10 versátil, completo e que se entrega ao jogo por completo, fazendo diferença com os seus passes (vejam o ensaio de Rhodes, a forma como Farrell abre a defesa com uma simulação de passe) ou destruindo defesas com os seus pontapés. A 2ª jornada foi dele, num jogo complicado frente aos Dragões dos Scarlet’s.

O Reforço: NADOLO RAN OVER THE ENTIRE LEINSTER TEAM

Nemani Nadolo e a formação do Montpellier passaram por cima do Leinster e conseguiram uma vitória fundamental em casa, nas aspirações dos franceses em seguir para a fase seguinte. Sim, estamos no início da competição mas estas vitórias acabam por marcar o tempo ” de jogo” e dão uma motivação-extra para o que se segue… no jogo frente ao Leinster a equipa do Montpellier teve um factor que mudou, por completo, a toada: Nemani Nadolo. O ponta fijiano, com os seus 138 kilos decidiu estragar a “vida” ao Leinster que queria capitalizar o resultado da semana passada… bem, o jogo nem começou com Nadolo a distribuir pontos, já que foi Isa Nacewa a dar os primeiros três pontos ao seu Leinster, que estava a sentir amplas dificuldades em furar a excelente defesa dos franceses (terminaram com 138 placagens efectivas) optando por ir aos postes. Porém, à passagem dos 28′ (logo a seguir à conversão de Nacewa) Vincent Martin apanha uma bola aos “saltos” no chão, agarra na mesma e sai disparado… perante Mike Ross, Mich Kearney e, até, o mítico Sean O’Brien, Martin fez uma “brincadeira feia” e escapou em direcção à linha de ensaio sem que ninguém o conseguisse derrubar. Aqui estava dado o mote para o Montpellier, que iria expor a defesa débil do Leinster (várias placagens falhadas, a nível de defesa individual foi uma total confusão e falta de qualidade gritante) ao longo de todo o jogo. À passagem do minuto 34 surgiu Nadolo… e que surgimento. Joffrey Michel, o defesa dos franceses, recebe a bola e vê que à ponta está Nadolo, no qual transmite a oval de imediato. Primeiro veio Kearney lançado para uma placagem, que acabou por ressaltar nas pernas de Nadolo e dar em nada, com Luke McGrath na mesma situação. Este ensaio confirmou a ida para o balneário com uma vantagem confortável de 14-03, complicado a missão do Leinster.

Para acabar o insult to injury, Nadolo ainda faria um segundo ensaio aos 57′ quando o resultado estava num 17-06. Uma formação ordenada do Leinster acabaria em ensaio para o Montpellier? Como? Bem, Jamie Heaslip, o experiente nº8 da Irlanda, sai dessa fase estática e tenta sair a jogar no lado fechado… Nadolo intercepta o passe e a defesa irlandesa nem teve possibilidade de sequer ver o movimento do fijiano. 22-06 com 20 minutos para jogar… Nadolo tinha acabado de infligir dupla estocada no Leinster, que precisava de manter o ritmo de vitórias na Champions Cup. Isa Nacewa ainda conseguiu dar o ponto de bónus defensivo com um ensaio aos 79′, mas a vitória já não fugiu a Jake White e aos seus Les Cistes, que continuam a demonstrar uma predilecção para as vitórias em casa na Europa. Com um “monstro” como Nadolo à ponta, tudo se torna mais fácil… e imaginem quando Tomane, o internacional Wallabie, recuperar e se juntar do outro lado ao fijiano? Será uma dupla de destruição maciça, que sonha com os quartos-de-final para a sua equipa… será possível? Para já estão bem na tabela, com cunho de Nadolo que em duas semanas marcou dois ensaios, assistiu outro e correu mais de 120 metros e realizou mais de 6 quebras de linha. Quem se arrisca a parar o incrível Hulk do rugby?

A Desilusão: HAS THE LEGEND OF THE EXETER CHIEFS ENDED?

Confirma-se o cenário que apontávamos para os Chiefs de Exeter… tremenda desilusão. Dois jogos, duas derrotas, um ponto de bónus e um défice pontual de -28, provam que algo se passa com a formação comandada por Rob Baxter. O rugby não é o mesmo, com uma qualidade questionável, onde o rugby estático, pouco efervescente e sem dinâmicas fora de série, acaba por ultimar a derrota nestes jogos do “tudo ou nada”. A Champions Cup em rugby é “madrasta” nesse sentido… só passam os tais 4 1ºs lugares, logo de seguida os 3 melhores 2ºs e nada mais… pelo caminho vão ficar outras formações que não conseguiram ganhar jogos, demonstrar qualidade, tiveram azar nos momentos X ou que simplesmente não estavam preparados para o exigente nível europeu. Infelizmente, os Chiefs estão em todas as categorias à passagem da 2ª jornada… azar pelas lesões de Nowell, Cowan-Dickie, Don Armand e não só, os jogadores que chegaram acabaram por não trazer nada de novo (Devoto, Turner ou Holmes) e a falta de qualidade táctica/técnica tem decepcionado todos aqueles que esperavam por uma “revolta” dos Chiefs como em 2015-2016. A derrota com o Ulster por 19-18, na Irlanda, crivou uma “espinha” que Baxter terá de remover com muito cuidado e sob uma forte análise, já que o treinador inglês tem de perceber que esta forma de jogar dos Chiefs (que é largamente diferente do que foi na época passada) só trará resultados que o treinador não quer. Fez regressar James Short, o explosivo ponta que entre os primeiros 6 meses do ano passado fez as delícias dos adeptos; voltou a meter a dupla Slade-Whitten, um duo que pode criar dificuldades às equipas que procurem a penetração pelo eixo central. Porém, os Chiefs estiveram quase sempre na defensiva, tendo terminado o jogo com 180 placagens (25 falhadas) e só 160 metros conquistados com a bola em seu poder… não é que seja criticável, já que várias equipas fazem deste estilo uma forma de chegar às vitórias (Highlanders no Hemisfério Sul por exemplo), mas para isso é preciso total eficácia nos momentos cruciais da partida e frente ao Ulster isso não aconteceu.

No filme do jogo Paddy Jackson assumiu-se como maior tormento, com vários pontapés de alta categoria que foram somando pontos para o seu Ulster, com Gareth Steenson (como é que Baxter o deixou de fora dos titulares nas primeiros três jornadas da Aviva Premiership) sempre a responder da melhor forma, com grandes penalidades, boas decisões e uma cultura de jogo inesquecível. Aos 77′ Paddy armou um drop que acertou no meio dos postes, o que deu, nova reviravolta (o jogo foi todo de “cambalhotas”) para o 19-18 final. É verdade que Steenson, abertura dos Chiefs, ainda teve nos pés a possibilidade dar uma vitória encima dos 80′, mas a tentativa de drop saiu algo ao lado e confirmou a 2ª derrota dos Chiefs em duas jornadas. Azar, falta de qualidade e algumas escolhas questionáveis, parece ser o caminho dos Chiefs para a Champions Cup desta temporada… dificilmente Baxter irá mudar a forma de ser da sua equipa e dar outra qualidade de jogo, pois o objectivo será garantir uma boa prestação na liga inglesa, um cenário que lamentamos já que os Chiefs eram das equipas mais ambiciosas, mais fora do “sistema” e que tinham rugby muito próximo do que se pratica pelo Hemisfério Sul, sem perder o “charme” da luta de avançados. Como melhorar? Soltar as linhas atrasadas, tirar peso dos avançados, garantir um apoio melhor ao portador da bola (neste jogo já foi bastante melhor) e querer assumir o papel activo de atacante e não cingir-se à defesa. Haverá espaço para recuperação? Duvidamos que haja… mas Baxter já surpreendeu a Europa.

Piutau wrecking havoc between Chiefs (Foto: Irish News)
Piutau wrecking havoc between Chiefs (Foto: Irish News)

Extra: DAN CARTER STILL HAS THE MOVES

Será curto este extra, já que serve só para demonstrar o quão bom ainda é Daniel Carter, o mítico All Black. Depois de ter conquistado o Top-14, de ter somado dois mundiais com a sua “bota” e de ter espalhado “magia” por todo o lado, o abertura com 34 voltou a fazer uma “brincadeira” que os jogadores do Leicester Tigers ficaram completamente bloqueados, sendo que os adeptos ingleses bateram palmas de respeito pelo tremendo ensaio do nº10. O Racing 92′ não está a atravessar os seus melhores dias, de forma alguma… mas Carter sempre que joga, tenta trazer o seu melhor de forma a levantar as hostes parisienses em rumo à vitória. Como é que Carter com 34 anos faz uma maldade daquelas? Talento puro com uma dose de trabalho gigantesca para atingir o sucesso. Numa época em que a Nova Zelândia regozija-se com o seu “menino” novo, Beauden Barrett, o mito de Dan Carter continua bem presente na memória de todos… que digam os Tigers que ainda apanharam uns valentes sustos com as arrancadas e construção de jogo do nº10.

Para ver as tabelas classificativas siga o seguinte link: goo.gl/DZ9I2S
Para ver a próxima jornada siga o seguinte link: goo.gl/ORDqbh
Para ver os Highlights dos vários jogos ver: goo.gl/rj1d4P

 

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Francisco IsaacOutubro 11, 201637min0

Aí está o “Super Rugby” do Hemisfério Norte, a European Champions Cup, a competição que alberga as melhores formações dos principais campeonatos europeus. Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, França e Itália vão ter a oportunidade de meter as suas melhores “unidades” em campo… serão os Saracens os grandes candidatos? Voltará o Toulon a sonhar? E o Leinster terá coração para se reerguer? Parte I da análise à competição.

O confirmar de um sonho, o início de um Império ou o desiludir de toda uma Nação… é este o espírito da European Champions Cup. Com a final marcada para Maio de 2017 em Edimburgo, vamos começar já no fim-de-semana de 14/15 de Outubro com a 1ª jornada, de 6, das 5 Pools/Grupos da competição. Nesta primeira parte vamos destacar as Pools 1,2 e 3, para depois, na 2ª parte, destacar a 4, 5 com as nossas apostas pessoais de como vai decorrer a competição.

Como funciona a competição? 5 grupos, cada uma com cinco equipas, o que perfaz um total de 20 formações europeias a discutir uma passagem para a fase seguinte. Só os 1ºs de cada grupo é que têm apuramento directo para os quartos-de-final, enquanto que no caso dos 2ºs classificados só se apurarão os três melhores. Ou seja, das 20 equipas só ficarão oito, depois quatro e, no final, duas. Ou seja, vai ser uma luta altamente intensa para conquistar um lugar ao “sol” da maior competição de clubes da Europa… há candidatos anunciados que vão ficar de fora da fase final, newcomers (como o Connacht ou Montpellier) que vão surpreender e deixar os “gigantes” em brasa e todo um Universo de rugby europeu do mais alto nível. É um momento em que o físico vai contra o técnico, em que as formações ordenadas imperam sobre as quebras de linha, em que os rasgos de genialidade vão deixar por “terra” os melhores placadores deste lado do Hemisfério.

A Champions Cup vai para a sua 21ª edição, com os Saracens de Londres como campeões e favoritos a ir à 2ª consecutiva (não será inédito, atenção), teremos muito rugby para “beber e brindar” ao longo de 7 meses (a competição pára entre Fevereiro e Abril devido às Seis Nações). Uma atenção especial a todos os adeptos… a European Champions Cup só é jogada aos fim-de-semana, intercalando com as competições nacionais, algo quase único no desporto Mundial. Ao todo serão 9 fins-de-semana reservados para a competição, com os jogos a decorrer entre 6ªas, Sábados e Domingos.

Em caso de quererem conhecer os campeões europeus dos últimos 21 anos, propomos que vejam directamente no seguinte site oficial da competição: goo.gl/rqypmf. Algumas considerações: o Toulouse (máximo campeão da competição com 4 títulos) está a passar uma fase de reestruturação mas parece estar de volta ao caminho das vitórias, assim como o Leinster de Dublin, onde desponta Johny Sexton (esperemos que este seja o seu ano de regresso às grandes exibições) que estão a tentar voltar a dominar a PRO12… ambas as equipas têm três títulos de campeões europeus, cada. Depois o RC Toulon que vive num autêntico marasmo de emoções (apesar de uma excelente entrada na temporada) com as ameaças do seu presidente (Mourad Boudjellal afirmou que pode estar de saída de uma equipa “amamentada” pelos seus milhões), tendo também três títulos de campeão. De resto, Waps, Tigers, Ulster, Munster vão estar todos presentes para tentarem ir a mais um título da sua história… já o Bath Rugby (época desastrosa em 2015/2016) e o Brive (já afastado destas andanças há uns bons anos) não poderão lutar pelo seu segundo troféu já que estão afastados da European Champions Cup por uma época.

Passemos agora à análise das Pools 1, 2 e 3

POOL 1 – THE DOOM HUSTLE

Quatro super-representantes de cada uma das principais nações do Rugby vão ter que gladiar-se pelo 1º (em caso de queda para um 2º lugar, há que ter o máximo de pontos para ficarem em um dos 2ºs melhores). Da Escócia, o Glasgow Warriors, de França o Racing Metró 92 (vice-campeões da Champions Cup e campeões do Top14 em título), a renovada equipa do Munster (longe dos tempos em que tinha uma “palavra” a dizer na discussão do título europeu) e os Leicester Tigers (em busca de novas glórias, já que desde 2013 não tocam em algum tipo de título).

GLASGOW WARRIORS

Localização: Glasgow, Escócia
Estádio: Scotstoun Stadium (10,000)
Palmarés: 0 títulos europeus; 1x campeão da Pro12
2015/2016: 3º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Stuart Hogg (Escocês)
Treinador: Gregor Towsend (Escocês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

O ano do adeus de Grego Towsend ao seu Scotstoun Stadium e os Warriors, após 5 épocas em que conseguiu levá-los ao inédito título de campeões da Pro12 (liga que compõe os maiores clubes de Gales, Escócia, Irlanda e Itália), em 2014/2015. Com uma equipa recheada de talentos, poderão fazer algo mais na competição? Só por uma vez é que conseguiram seguir em frente e foi no distante ano de 1997, ainda quando a competição era apelidada de Heyneken Cup, tendo somado só 2ºs, 3ºs e 4ºs lugares na fase de grupo. Agora em 2016, na despedida de um treinador que ajudou a revolucionar os Warriors, a equipa de Glasgow tem uma pequena hipótese de seguir em frente, uma vez que os seus adversários parecem estar ao seu nível: o Racing 92 não está em boa forma (12º lugar no Top14), o Leicester Tigers está muito permeável na defesa (4ª defesa mais batida no Aviva Premiership) mas com um ataque algo “demolidor” e o Munster está a reerguer-se aos poucos (forte arranque de temporada). A equipa dos Warriors tem, talvez, dos melhores XV da Europa liderados pelo “mágico” Stuart Hogg (Internacional pela Escócia e um dos melhores atletas na sua posição a nível mundial), Tommy Seymour, Henry Pyrgos, Mark Bennett (uma autêntica “máquina de guerra”, com capacidade para fazer a diferença em qualquer jogo), Jonny Gray (o gigante capitão) e o regressado Finn Russell, que está desde Maio de fora com uma lesão grave (pescoço). O rugby é rápido na linha de 3/’4’s, há uma vontade de explorar com criatividade a defesa adversária, onde os pontapés altos de Stuart Hogg, são captados pelo mesmo com uma qualidade de excelente “quilate”. A questão está na avançada e na capacidade de gerirem os jogos mais complicados… trancar a oval durante vários minutos, deixar o adversário atingir um grau de frustração que permita a Russell ou Hogg pedirem “postes”, somando pontos preciosos a certos momentos do jogo. A maior experiência do squad fará diferença nesta fase-de-grupos… todavia, dificilmente conseguirão superá-la e deixar o Racing Metró e o Leicester Tigers de fora da fase final. Se é possível acontecer uma surpresa? Sim, claro que sim. Mas para isso há que Jonny Gray conseguir reunir a sua avançada (reforçada com o experiente talonador neozelandês Corey Flynn) e apontar o caminho de um rugby mais inteligente e dominador, em que o apoio tem de ser mais rápido (o problema de perder a oval no ruck ainda é um assunto nevrálgico para o rugby escocês) e efectivo.

Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)
Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)

LEICESTER TIGERS

Localização: Leicester, Inglaterra
Estádio: Welford Road (30,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 10x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Meias-finais
Jogador a seguir: Manu Tuilagi (Inglês)
Contratação a seguir: Matt Toomua (Australiano)
Treinador: Richard Cockerill (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Go Tigers! é o nosso pensamento para a nova temporada da formação comandada por Richard Cockerill, um treinador que já ajudou os seus Leicester Tigers a levantarem a Aviva Premiership por 3 vezes (2009, 2010 e 2013). Uma equipa pesada, de raça e com uma qualidade gritante, foi ao mercado reforçar-se com Matt Toomua, um dos grandes centros da Austrália que vai trazer entrega, velocidade e capacidade de leitura defensiva. Depois de uma temporada passada desanimadora, é agora o momento de os Tigers tentarem quebrar com a hegemonia dos Saracens e aplicarem o seu bom rugby na Europa. Têm, talvez, das melhores 1ªs linhas do Hemisfério Norte com Tom Youngs na posição de 2, ladeado por Marcos Ayerza (o “tanque” ex-Pumas faz a diferença na formação ordenada) e Dan Cole, o bad boy da Selecção de Sua Majestade. É uma equipa talhada para os jogos de luta e tem uma boa capacidade de resposta, já que acredita, quase sempre, que consegue dar a volta ao rumo dos acontecimentos (primeira jornada da Aviva, chegaram ao final da 1ª parte a perder por 31-03 e acabaram por ganhar 38-31 ao Gloucester). Infelizmente, Manu Tuilagi está a contas com uma lesão (continua a “saga” de injuries atrás de injuries) e Matt Toomua só vai começar a alinhar pelos Tigers a partir deste fim-de-semana (uma semana antes da estreia na Champions Cup). Ou seja, neste momento tem sido Matthew Tait e Peter Betham (o ponta aussie tem dado boa resposta, uma vez que alinha à ponta), com JP Pietersen a ser uma das caras fortes destes Tigers de 2016. Agora… estão num grupo em que o grande rival vai ser o Racing Metró 92, a equipa que o ano passado inviabilizaram a Cockerill a nova final europeia com um 16-19, que deitou por terra esse objectivo. Para esta nova temporada, a entrada de Pietersen e Toomua vai dar outra profundidade às linhas atrasadas, para além de terem uma avançada de grande capacidade. O 1º lugar parece-nos o objectivo mínimo, apesar de terem que ter cuidado com os guerreiros de Glasow e os “matreiros” da província de Munster.

A new type of Leicester? (Foto: ESPN)
A new type of Leicester? (Foto: ESPN)

RACING METRÓ 92

Localização: Paris, França
Estádio: Stade Olympique Yves-du-Manoir (14,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 6x campeão do Top14
2015/2016: Finalista vencido
Jogador a seguir: Dan Carter (Neozelandês)
Contratação a seguir: Anthony Tuitavake (Neozelandês)
Treinador: Laurent Travers e Laurent Labit (Franceses)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Les Ciel et Blanc, em alusão às suas camisolas de jogo muito similares à Argentina, com o azul claro e o branco a preencherem todo o Yves-du-Manoir. Uma época que começou com o “pé” errado, tendo registado, até ao momento, 4 derrotas em 7 jogos do Top14, algo preocupante para os lados de Paris. Os campeões em título do Top14 e vice-campeões europeus, têm um plantel recheado de estrelas, como Daniel Carter, uma das lendas de sempre do rugby mundial, Johan Goosen (classe, velocidade e técnica de pontapé do defesa sul-africano), Bernard le Roux, Eddy Ben Arous, Camille Chat, entre outros jogadores do topo do rugby mundial. Porém, nem todas estas estrelas juntas significaram um início de temporada bom, com as tais derrotas que têm marcado a formação treinada pelos Laurent’s, Laurent Travers e Laurent Labit. Um rugby muito focado no jogo positivo, na procura do espaço, em combinações pulsantes a partir dos alinhamentos, com o eléctrico Imhoff a procurar as tais “brechas”, com o “mágico” Carter a 10 e o incrível gaulês Maxime Machenaud a 9. Falta alguma consistência física, já que o Racing atravessa uma onda de lesões sem precedentes, que tem tirado algumas das estrelas do jogo ou da sua melhor forma. Para além disso, falta profundidade ao jogo dos parisienses, que necessitam de encontrar outras fórmulas de “abater” equipas que se apresentam mais agressivas no contacto e de fechar melhor os gaps defensivos. Um 2º lugar tem de ser um objectivo obrigatório, mas a “batalha” pela European Champions Cup vai ser dura, muito dura… não poderão vacilar nas viagens a terras escocesas ou irlandesas e terão que mostrar ao Leicester o porquê de terem ido à final da temporada passada. Há hipóteses de ir à final, mais uma vez? Depende muito de como Carter recuperar, de como a avançada vai trabalhar nas próximas semanas e se as poucas contratações farão a diferença no fim (de grandes nomes assinou Tuivake, Ali Williams e pouco mais).

Le classe du Racing (Foto: L'Equipe)
Le classe du Racing (Foto: L’Equipe)

MUNSTER RUGBY

Localização: Limerick, Irlanda
Estádio: Thomond Park (25,600)
Palmarés: 2x campeões europeus; 3x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 3º do grupo;
Jogador a seguir: CJ Stander (Sul-Africano/Irlandês)
Contratação a seguir: Jean Klyne (Sul-Africano)
Treinador: Anthony Foley (Irlandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Be afraid, be very afraid from the Red Army of Limerick!, como são conhecidos entre as Províncias irlandesas. O exército vermelho está de regresso às grandes “marchas” e poderão ser uma surpresa na competição… se tudo correr bem aos irlandeses e algo de mal correr às formações do Leicester Tigers e Racing Metró 92. Desde 2010/2011 que não há títulos em Limerick, após uma final estupenda frente aos rivais do Leinster… de lá para cá, só foram à final da Pro12 por uma vez (2014/2015) perdida para os adversários da Pool 1, os Glasgow Warriors. Na primeira temporada de Foley, não correu da melhor forma já que ficaram de fora das decisões finais, algo que não acontecia desde 2012/2013, o que prova o carácter “esquizofrénico” desta equipa da província de Munster. Foley tem ideias bem vincadas no estilo de jogo a praticar no Munster, mesmo que 2015/2016 tenha sido uma temporada abaixo das expectativas. A partir de um colectivo forte, encabeçado pelo tremendo asa da Selecção da Irlanda, CJ Stander (Sul-africano de origem), o Munster vai tentar fazer um jogo fechado, de recuperação de bolas altas e de contínuas fases até atingir pontos mais avançados do terreno. Não são muito hábeis nos 8 “monstros”, antes pelo contrário, são muito terra-a-terra, optando por conquistar metros com um jogo mais rudimentar – e pouco entusiasta – mas que serve para atingir objectivos de jogo. Na linha de 3/4’s há alguns astros, seja Connor Murray (internacional irlandês e dono da camisola nº9), o “mago” Simon Zebo e algumas novas potências do rugby irlandês como Cian Bohane (grande início de época, contra o Edimburgo o centro conseguiu “trancar” 12 placagens) ou Darren Sweetnam (ponta rápido, com capacidade de choque e de lutar no “ar”). Peter O’Mahony parece finalmente estar de regresso e será um input fundamental para dar outro “corpo” à 3ª linha dos ulsterinos. Em relação à fase de grupos, como apontamos no BI do Munster, não conseguimos dar qualquer favoritismo à equipa de Foley e até arrisca-se a andar pelo 3º/4º lugar, dependendo de como se vai bater em casa frente às outras formações. Falta algum “charme” às linhas atrasadas e falta alguma consistência, assim como profundidade, para conseguirem “danificar” equipas como o Leicester Tigers ou Racing Metró 92′.

The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)
The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)

pool1

POOL 2 – WASPS IN FOR THE WIN

London Wasps terão uma missão “fácil” nesta Pool2, onde estão os enigmáticos do Connacht Rugby (campeões pela 1ª vez na Pro12, na temporada passada), os Zebre Rugby, que terão zero “chances” de ultrapassar esta fase da competição, e a “fénix” do Toulouse que parece ter uma – ou duas – palavra(s) a dizer na discussão da luta pelo 1º. Porém, a equipa inglesa está cada vez mais apetrechada e será difícil para qualquer um dos outros conseguir roubar o spotlight da equipa de James Haskell.

CONNACHT RUGBY

Localização: Galway, Irlanda
Estádio: Galway Underground (8,100)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Ultan Dillane (Irlandês)
Contratação a seguir: Eoin Griffin (Irlandês)
Treinador: Pat Lam (Samoano)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Devil’s Own, em honra de um regimento de infantaria, os Connaught Rangers, do exército do Reino Unido (findou em 1922) que não arredavam pé do campo de batalha. Toda a massa humana do Connacht é um autêntico “exército” de fiéis à causa em impressionar tudo e todos que duvidam da força da província de Connacht, que até 2016 nunca tinham tocado em qualquer título da Celtic League/Pro12/Heyneken Cup/Challenge Cup, quebrando a hegemonia de Munster, Ulster e Leinster, todas províncias que têm vivido sempre debaixo da “sombra” do sucesso. Agora é a vez dos jogadores de Pat Lam (treinador que pegou a equipa em 2013 e mudou radicalmente a forma de estar dos connachts) usarem o símbolo de campeão, pelo menos durante esta temporada. O início de época foi algo desastroso, com apenas 1 vitória em 4 jogos e quase o último lugar da tabela, so à frente do Edimburgo, Zebre e Bennetton Treviso. O ano passado foi o rugby imediato, de domínio electrizante e onde os 30 jogadores que compunham o plantel transcenderam-se física e tecnicamente, com o tal rugby de domínio, eléctrico, e que, a cada penalidade conquistada, pediam ao abertura de então, AJ MacGinty (transferência para os Sale Sharks), para esboçar um pontapé que lhes desse margem para conquistarem vitórias atrás de vitórias. Sem MacGinty, agora é Jack Carty a assumir o papel de nº10, enquanto não chega Marnitz Boshoff o abertura dos Lions que só chegará em Janeiro (instalou-se uma pequena “guerra” entre os irlandeses e sul-africanos devido a este tema). O rugby de Pat Lam promete muita luta, um rugby de apoio rápido (ao bom estilo dos All Blacks) com algum do sacrifício e garra do espírito à irlandesa. Nesta temporada, tem falhado a comunicação dentro de campo e os reforços ainda não deram mostras de responder às saídas de Rodney Ah You, Robbie Henshaw, George Naoupu ou Aly Muldowney. Para além disso, mais 6 lesionados têm tirado experiência, peso e força ao pack avançado, o que tira capacidade e qualidade ao XV de Lam. Naquela que será a 3ª experiência na fase-de-grupos da Heyneken Cup (última foi em 2013/2014), a equipa do Connacht não ficará em último, mas também não conseguirá atacar os lugares cimeiros da tabela, uma vez que o rugby imponente e imperial dos Wasps se fará sentir e o Toulouse não voltará a falhar a fase final (o ano passado foi um autêntico desastre) como demonstra o seu plantel bem apetrechado. Caberá a Pat Lam, ao grande Ultan Dillane (das novas revelações da Selecção do Trevo) e ao público do Connacht carregar a equipa para outros vôos… conseguirão?

Connacht, a style of life (Foto: PRO12)
Connacht, a style of life (Foto: PRO12)

WASPS RFC

Localização: Coventry, Inglaterra
Estádio: Ricoh Arena (33,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 6x campeão da AVIVA Premiership
2015/2016: Meias-finais;
Jogador a seguir: Danny Cipriani (Inglês)
Contratação a seguir: Kurtley Beale (Australiano)
Treinador: Dai Young (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The Hornet of the Wasps will make anyone run…. início de temporada devastador, para quem estava do outro lado do campo, dos jogos contra os Wasps. A equipa de Dai Young está com as ideias assentes em reconquistar um título que lhes foge desde 2007. Numa equipa polvilhada por excelentes jogadores, a administração Wasp decidiu trazer mais algumas estrelas para a constelação da equipa de Coventry: Danny Cipriani (desde que ingressou na equipa tem sido um dos melhores, com cross-kicks únicos, passes delirantes para abrir a equipa adversária ou uma visão de jogo bem mais madura), Kyle Eastmond, Nick de Luca, Tommy Taylor (o talonador de 24 anos pode ser uma das futuras soluções para Eddie Jones na selecção inglesa), Kurtley Beale (só regressa em Dezembro, visto que está com uma lesão desde Maio de 2016 no joelho) e Willie Le Roux, o defesa da África do Sul e um dos melhores na sua posição. É uma equipa formidável do princípio ao fim e será a única a conseguir fazer frente aos Saracens em Inglaterra, em termos de fase finais. Dai Young gosta primar por um rugby de “agressividade”, de força e de frieza, apoiado na velocidade imparável das suas linhas atrasadas, como Chris Wade e Frank Halai nas pontas, fornecidos por Danny Cipriani, onde Kyle Eastmond e Elliot Daly completam o par de centros… isto sem contar com as estrelas que ainda não chegaram, como Le Roux ou Beale… por isso, mal esta equipa tenha esses dois inputs e se Dai Young conseguir criar a harmonia perfeita, os Wasps podem “varrer” toda a competição nacional e internacional. Contudo, e com alguma atenção, há a questão da avançada que apesar de ser comprometida e trabalhadora, não é a das mais criativas e intensas… especialmente, sem James Haskell, o asa inglês que tem vindo a “calar” muitos críticos, demonstrando um rugby de raça, energia, onde a placagem é uma honra. Será importante em Dezembro Haskell entrar a “matar”, assim como Beale, para dar um novo reforço de vitalidade e ideias à equipa das vespas de que precisarão para aguentar uma longa temporada. Os jogos grandes com o Toulouse serão, sem dúvida, uma luta acérrima por cada metro, pontapé, placagem, ensaio e ponto, com o favoritismo a cair para o lado dos ingleses, já que o seu rugby parece mais lúcido e completo do que os franceses, que têm feito um bom arranque de época. 1º lugar é o objectivo para voltar à carga pela European Champions Cup.

The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)
The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)

STADE TOULOUSAIN

Localização: Toulouse, França
Estádio: Stade Ernest-Wallon (20,000)
Palmarés: 4x campeões europeus; 19x campeão do Top14
2015/2016: 4º lugar do grupo;
Jogador a seguir: Gaël Fickou (Francês)
Contratação a seguir: Richie Gray (Escocês)
Treinador: Ugo Mola (Francês)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os maiores campeões da European Champions Cup estão de regresso à boa forma. Após uma época algo decepcionante (5º lugar no Top14 e eliminados no playoff de acesso às meias), a equipa de Ugo Mola está de regresso às boas exibições. Neste início de temporada, e ao fim de 7 jornadas, o Stade Toulousain/Toulouse encontra-se em 5º lugar a 5 pontos do 1º, Clermont. Nas duas primeiras jornadas registaram 2 vitórias, para depois terem uma quebra de forma e, ao fim de 3 derrotas, lá voltaram às vitórias nas duas últimas semanas frente aos rivais do Stade Français e Brive. O rugby toulousiano tenta entrar dentro da linha do rugby francês, ou seja, o tal denominado rugby champagne, com uma ligação à qualidade técnica, à criação de lances de grande espectacularidade, em que a avançada assume o papel de “desmontar” a equipa adversária e os 3/4’s a quererem “brincar” aos pontapés e passes que deixam o público em delírio. Para ter isto, o Toulouse tem uma das linha atrasadas mais completas do rugby francês com os internacionais “gauleses” Sebastian Bézy a formação, Jean-Marc Doussain a 10, Gäel Fickou a 13, Yoann Huget à ponta no apoio a Maxime Médard que está a defesa. Pelo meio, aparece o inglês Tobias Flood, com alguma incerteza na hora de escolher o outro ponta, seja Alexis Palisson ou Semi Kunabuli. A grande contratação foi Richie Gray, o “gigante” escocês que saiu do Castres Olympique para ingressar na equipa de Mola, assim como Guitone. Entre 2015 e 2016, o plantel sofreu alguma “limpeza” com a saída de Louis Picamoles para Inglaterra, por exemplo, ou Corey Flynn para a Escócia… a grande perda – para além do nº8 Picamoles – foi a saída de Vincent Clerc para o Toulon, mas, para já, a linha de 3/4’s tem dado conta do recado. Em termos da European Champions Cup há muito trabalho pela frente, já que os Wasps vão ser um “osso” quase impossível de roer e o Connacht não poderá ser olhado como um simples outsider sem importância. Era bom para o Top14 que o Toulouse voltasse a pegar na “estaca” e impusesse respeito na Europa, já que são das equipas míticas do Continente Europeu… sem eles, parece que a Heyneken/European Champions Cup fica vazia e sem a mesma graça. Para contornar os Wasps (que será uma “batalha” entre 3/4’s), há que pedir um trabalho superior, mais rigoroso e bravo dos avançados do Stade Toulousain… se entrarem numa disputa territorial, sem velocidade ou ritmo, os ingleses vão aproveitar para criar espaços suficientes para irem direitos à vitória. Será uma luta ao estilo das Seis Nações e mal esperamos por vê-la.

Le Stade est moi! (Foto: L'Equipe)
Le Stade est moi! (Foto: L’Equipe)

ZEBRE RUGBY

Localização: Parma, Itália
Estádio: Stadio Sergio Lanfranchi (5,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 0x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Carlo Canna (Italiano)
Contratação a seguir: Joshua Furno (Italiano)
Treinador: Gianluca Guidi (Italiano)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Ao fim de de dois anos de espera, os italianos do Zebre estão de regresso à competição máxima da Europa. Este retorno à European Champions Cup será, mais uma vez, algo para “espevitar” as hostes italianas em acarinharem a o rugby como uma modalidade importante no contexto europeu e mundial. Todavia, o Zebre não conseguirá fazer qualquer ponto na competição, já que o desnível perante os restantes membros do grupo é avassaladora. Será tudo numa ideia de ganhar experiência, tirar alguns dividendos e tentar, em casa, criar alguma espécie de oposição forte e capaz de não sofrer muitos pontos. O Zebre Rugby ainda está a léguas dos seus restantes “colegas”, uma vez que o rugby italiano só entrou para as Seis Nações em 2000 e a partir de 2010 é que foram convidados para fazer parte da PRO12. Por isso, ainda teremos que esperar alguns anos até termos uma equipa italiana a forçar a sua presença na disputa pelos lugares na fase de grupos. A equipa guiada por Gianluca Guidi tem alguns nomes sonantes, a começar pela grande contratação da temporada: Joshua Furno. O asa italiano estava nos Newcastle Falcons, mas após duas temporadas, abandonou a equipa inglesa e agora ingressa no Zebre. Com ele, a equipa do nordeste italiano terá uma “arma” na 3ª linha, que possa desbloquear certos momentos de jogo assim como trazer uma boa voz na formação ordenada. Kurt Baker, atleta dos 7’s da Nova Zelândia, aceitou o desafio e sai do Hemisfério Sul para ingressar na sua primeira experiência na Europa. Dentro do plantel há o irrequieto e visionário, Carlo Canna, que tem sido uma das boas novidades da Itália nos últimos tempos. As linhas atrasadas têm algumas figuras de interesse “público”, a começar pelo três de trás que será completo com dois internacionais italianos: Mattia Bellini, Giovanbattista Venditti e Kayle van Zyl. Poderá ser por aqui que a equipa faça alguma mossa, sem criar grandes sustos aos seus adversários, uma vez que a formação ordenada não aguenta os 80 minutos e o alinhamento não é confiável… veremos até que ponto as saídas de Leonardo Sarto (Glasgow Warriors), Mils Mulaina (o veterano All Black rumou aos EUA), Mirco Bergamasco, Kelly Haimona, Jean Cook e Luke Burgess farão diferença no resultado final de cada jogo.

The Italian Zebra's (Foto: Zebre Twitter)
The Italian Zebra’s (Foto: Zebre Twitter)

pool2

POOL 3 – A CLASH NOT FOR THE FAINT OF HEART

O sorteio rodou, rodou e rodou…e na Pool 3 estão dois “gigantes” europeus, mais uns galeses prontos para distribuir “placagens” e uma surpresa da Aviva. Os campeões em título, Saracens, vão ter que disputar o 1º lugar com os “milionários” do RC Toulon que bem procuram igualar o feito do Toulouse, sabendo que têm os Dragões de Scarlett a “pairar” nos céus e os “tubarões” do Sale prontos para “mordiscar” a competição e sonharem com uma surpresa.

SARACENS FC

Localização: Londres, Inglaterra
Estádio: Allianz Park (10,000)
Palmarés: 1x campeões europeus; 3x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Campeão;
Jogador a seguir: Owen Farrell (Inglês)
Contratação a seguir: Schalk Burger (Sul-Africano)
Treinador: Mark McCall (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The wolfpack will take the crown? Os campeões em título estão de regresso com um plantel altamente “rico” e apetrechado, para aquela que é, a par do Toulon (Top14), a equipa que mais tem dominado nos últimos 4 anos no contexto Europeu. Em 2016 confirmou-se que também tinham direito à glória europeia e parece que não há fome que sacie estes “lobos” de Londres. Mark McCall está com os Saracens desde 2010 e tem sido uma das peças-chave para o sucesso conquistado por uma formação polvilhada de talento inglês, e não só. Seja por terem Owen Farrell, um chutador de classe mundial que faz lembrar Johny Wilkinson e que não se escusa a placar, terem um defesa de enorme categoria e “coração”, Alex Goode, a terem o melhor nº8 (a par de Kieran Read e David Pocock) do Mundo, Billy Vunipola. O talento internacional também existe já que conseguiram ir buscar o poderoso asa da África do Sul (e uma das lendas dos Springboks) Schalk Burger, que dará outra versatilidade e força à 3ª linha dos “lobos”. Para além disso, imaginem esta primeira linha: Vincent Koch (saída surpreendente dos Stormers), Jamie George (o talonador tem uma qualidade mãos e pés ao nível de Danes Coles) e Mako Vunipola. Se estes três entrarem em total harmonia, vai ser muito difícil quebrá-los no primeiro impacto na formação ordenada… já que nos segundos seguintes, há Maro Itoje (o jogador-sensação da Europa em 2016) e George Kruis (com Jamie Hamilton na sua “sombra”). Por isso, o pack avançado é altamente intenso, forte e capaz de criar problemas a equipas que se apresentem pouco motivadas para entrar numa autêntica “guerra” no chão e no contacto. A linha de 3/4’s é formidável, mesmo com a suspensão de 10 semanas de Chris Ashton (voltou a ter uma reacção e acto ilegais), uma vez que têm Sean Maitland e Chrys Wyles para responder à ausência. É uma equipa que gosta de dominar, de ter bola e de fazer um jogo dinâmico, sem entrar em picos altos de jogo… muito ao estilo de uma África do Sul do ano 2007. Jogam com cautela, mas sempre com um “olho aberto” para o risco, algo que Goode, Wyles, Ashton, Maitland, Taylor bem gostam de fazer. Será uma luta titânica com o Toulon, mas o favoritismo tem de estar do lado dos ingleses… são campeões europeus, têm um plantel recheado e pronto para qualquer problema e há uma vontade em continuar a dominar o contexto europeu.

The Saracen Menace (Foto: David Rogers)
The Saracen Menace (Foto: David Rogers)

RC TOULON

Localização: Toulon, França
Estádio: Stade Mayol (15,000)
Palmarés: 3x campeões europeus; 4x campeão do TOP14
2015/2016: Quartos-de-final;
Jogador a seguir: Ma’a Nonu (Neozelandês)
Contratação a seguir: François Trinh-Duc (Francês)
Treinador: Diego Domínguez (Italo-Argentino)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os “milionários” não estão num momento feliz… não é em termos desportivos, já que estão em 3º lugar a 3 do 1º lugar, com um rugby até bem interessante e mexido. O problema é o presidente Mourad Boudjellal que parece estar “cansado” das críticas que é alvo todas as semanas… muito por culpa sua, já que tem tido algumas opiniões e ideias pouco fundamentadas, ou alimentadas por ameaças suas a quem não seguir o que ele pensa. Em termos do European Champions Cup, o Toulon vai bater-se pelo 1º lugar com os “rivais” do Saracens, numa luta que terá de ser bem delineada, já que o ano passado o Toulon via-se na frente em alguns jogos e depois, quase do nada, dava um passo em falso e perdia jogos que estavam ao seu alcance. Já foi uma equipa mais “animada” e que tinha claramente uma fome em dominar todos os jogos, com um rugby sempre muito característico e diferente do típico rugby francês. É o “Real Madrid” do rugby moderno, com uma constelação de estrelas que deram títulos e honras, mas agora parecem estar sob alvo de críticas do seu presidente… entre elas está Ma’a Nonu, um dos bicampeões mundiais pela Nova Zelândia e que tem estado intermitente no RC Toulon; Duane Vermeulen que quando chegou a Toulon era um 8 rápido, com boa capacidade de aceleração e de conquista de metros, acabou por ficar mais pesado e cair numa forma pouco agradável para um jogador internacional. Estas são duas das várias estrelas residentes em Toulon, sendo que para esta temporada foram buscar um novo abertura (Quade Cooper saiu sem ter tido um bom jogo pelos franceses), o internacional francês François Trinh-Duc. O médio de abertura vai ser fundamental para meter a equipa em outra rotação, com um pontapé sempre estratégico, uma capacidade de ser mais um a defender na linha (não foge à placagem ou a luta no contacto) e de ser um dos jogadores com melhor visão de jogo no Top14. Se conseguirem meter Leigh Halfpenny ao nível que estava antes da lesão, terão uma três-de-trás de grande categoria (completada com Josua Tuisova e Bryan Habana que estará de regresso a partir da próxima semana, assim como Drew Mitchell ou James O’Connor que estão lesionados). O que esperar do Toulon de 2016/2017? Melhor que o de 2016. Houve redefinições em termos do plantel, os reforços que chegaram serão importantes e decisivos (seja Clerc ou Goromaru por exemplo) e a “limpeza” foi importante para dar outra mentalidade à equipa. Se chega para serem campeões? Depende dos dois jogos frente aos Saracens.

Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)
Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)

SALE SHARKS

Localização: Barton-upon-Irwell, Inglaterra
Estádio: AJ Bell Stadium (12,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Mike Phillips (Galês)
Contratação a seguir: AJ MacGintyc (Norte-americano)
Treinador: Steve Diamond (Inglês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Sharks are looking for fresh hunt… a equipa de Steve Diamond quer ser uma surpresa na Pool 3 da European Champions Cup. Mas terão capacidade para tal? A equipa dos tubarões realizou uma excelente temporada na época anterior, com um 6º lugar que lhes valeu o apuramento para a maior competição de clubes da Europa. Todavia, esses bons resultados significaram algumas saídas de jogadores que tinham sido fundamentais: Danny Cipriani (Wasps), Tom Brady (Leicester Tigers), Tommy Taylor (Wasps) e Nick McLeod (Newport Gwent Dragons). Cipriani foi, com certeza, a saída mais fracturante para o plantel e forma de jogar, mas a direcção dos Sale Sharks soube responder a esta saída com a contratação de AJ MacGinty, que trará um médio-de-abertura similar a Cipriani, com capacidade de decidir jogos. Não é uma equipa de estrelas, é uma equipa de colectivo de somar alguns jogadores de grande calibre com novas revelações, o que potencia um rugby mais “jovem” com os toques da experiência. Com Mike Phillips a 9, a equipa terá sempre uma rotação inesgotante o que obriga aos avançados quererem trabalhar, correr e apoiar o portador da bola seja em 5 ou 30 metros. Assente nessa ideia, a equipa dos Sale Sharks recebeu dois novos pilares, Laurence Pearce e Kieran Longbottom, que trarão experiência e capacidade de trabalhar bem nas formações ordenadas. Os Sale gostam muito de trabalhar o jogo curto e depois lançar pontapés bem colocados nas laterais, para tentar ganhar algum ascendente sobre os seus adversários. Para além disso, a equipa gosta de procurar capacidade de “comer” território, de encontrar através dos alinhamentos soluções para ganhar pontos importantes nesta presente época. O arranque de época não foi famoso, com 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas (117 pontos marcados para 119 sofridos), mas é algo que se espera de um clube que poucas condições tem de ir ao título. Este regresso à Champions Cup (falharam a temporada passada) vai ser importante para dar força mental aos seus jogadores em quererem algo mais… um descuido e podem cair para último do Pool e terem uma resposta negativa na liga.

A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)
A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)

SCARLETS

Localização: Llaneli, País de Gales
Estádio: Parc y Scarlet (15,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 4º lugar no grupo;
Jogador a seguir: Liam Williams (Galês)
Contratação a seguir: Jonathan Davies (Galês)
Treinador: Wayne Pivac (Neozelandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

E nos céus, paira o Dragão de Llaneli! Ao jeito do País de Gales, a equipa de Llaneli tem como símbolo o dragão, um símbolo muito ligado a estas paragens do Reino Unido. Infelizmente, os Scarlets parecem estar a atravessar uma fase da sua existência complicada, com um arranque terrível na PRO12 (só 8 pontos conquistados em 5 jornadas, a 13 do 1º lugar), os Scarlets ainda estão a definir o seu XV base para atacar da melhor forma possível a sua temporada. Houve várias chegadas desde o fantástico centro Jonathan Davies (um jogador que é a emulação do espírito galês de luta, raça e qualidade técnica), à surpreendente vinda do antigo Crusader Johny McNicholl (deverá só chegar em Novembro, altura que expira o seu contrato com a NZRU), ao portentoso Wayne Kruger (saída dos Blue Bulls poderá catapultar Kruger para outro nível) e ao “mago” Rhys Patchell, para além de mais algumas “afinações”. Porém, ao contrário do que se pensava, estas contratações ainda não deram o tónico necessário para mudar os destinos da equipa galesa que anda muito longe dos lugares de decisão da PRO12 (a última vez que passaram a fase regular, foi em 2012/2013 quando atingiram as meias-finais). O problema está na forma lenta e algo desorganizada que os avançados dos Scarlets têm operado e,também, a fraca postura ofensiva dos 3/4’s… felizmente, contra o Connacht (que também não está “famoso” em termos de arranque) conseguiu fazer um jogo completo, equilibrado, em que Liam Williams decidiu desbloquear ao fazer dois ensaios. A partir de meados de Outubro já terão 90% da equipa a jogar, com DTH Van der Merwe a ter regressado no último fim-de-semana (marcou um ensaio), para além de mais uns quantos, que poderão fazer a diferença. Wayne Pivac terá uma época dura pela frente e a European Champions Cup será um teste muito complicado para os seus dragões, que precisarão de “inventar” formas de atacar a linha, para garantir território e bola… seria interessante termos uma equipa galesa em forma, porém duvidamos que seja – ainda – a época dos Scarlets. Para ganhar pontos aos Saracens ou Toulon teriam de fazer o jogo perfeito, imaculado e em que o domínio de bola fosse totalmente garantido, sem perder o “fio à meada” na defesa e sem erros em termos de aproveitamento de lances no ataque. Será uma missão muito difícil, mas na European Champions Cup pode dar-se uma surpresa.

Never play with the Dragons (Foto: PRO12)
Never play with the Dragons (Foto: PRO12)

pool3A parte II fica reservada para a Pool 4 e 5 e uma conclusão final.


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