Arquivo de Borda D'Água - Fair Play

João BastosJulho 2, 20175min0

Junho foi o mês da definição das diversas selecções nacionais para as competições mais importantes da época. A convocatória para os campeonatos do mundo de Budapeste trouxe surpresas e desilusões

Ainda antes de serem constituídas as selecções que vão representar Portugal nas diferentes disciplinas da natação nos campeonatos do mundo, já a convocatória para os Campeonatos da Europa de Juniores causava alguma polémica.

Não pela convocação dos nadadores que integraram a equipa portuguesa, mas pela ausência do treinador do Algés, Miguel Frischknecht, uma chamada que faria todo o sentido tendo em conta que Raquel Pereira partia com as melhores posições na start list, entre os portugueses, que Roberto Gomes chegou a Portugal há um ano e é, por isso, o nadador menos integrado na equipa e no país e que Rafaela Azevedo era a nadadora mais jovem presente em Netanya. Apesar de não ser ainda treinada por Frischknecht, a presença do treinador principal do seu clube aportar-lhe-ia uma dose extra de confiança.

Pelo facto de Raquel Pereira ser a única nadadora com mínimo para o Mundial de Juniores, a ausência de Miguel Frischknecht do Europeu de Juniores pode-se perceber numa lógica da maior rotação possível de treinadores convocados para acompanhar a selecção nacional. Pode-se perceber, mas não se deixa de discutir…

Foto: Algés – natação

Já em relação à convocatória para o Mundiais absolutos, a controvérsia prendeu-se com a renúncia de Diogo Carvalho à competição. O capitão da selecção iria participar nos seus 5ºs mundiais de piscina longa mas pediu à Federação Portuguesa de Natação que fosse dispensado, num mês em que pôs termo à sua ligação de apenas 6 meses com o técnico Vítor Ferreira, voltando a ser treinado por Élio Terrível.

Foto: FPN

Na convocatória para as provas de águas abertas, a nota dominante é a ausência do tri-campeão nacional dos 10 km, Rafael Gil. É verdade que não cumpriu o critério de obtenção de classificações no 1º terço da tabela em etapas da Taça do Mundo, mas o Plano de Alto Rendimento das Águas Abertas dá ao Director Técnico Nacional o ingrato ónus de ter a última palavra sobre os critérios definidos.

Daí que o nadador do Benfica acalentasse legítimas esperanças de chegar ao Mundial. Este revés não deve desmotivar Rafa que terá muitas oportunidades, ao mais alto nível, para mostrar o seu valor, mas deixará, certamente, os seus adversários em Portugal a pensar na distância que os separa de um Mundial se o que ele fez este ano não foi suficiente para lá ir.

Foto: Luís Filipe Nunes

Portugal estará representado no feminino, com as suspeitas do costume: Angélica AndréVânia Neves.

Sobre as nadadores do Fluvial Portuense, duas questões se levantam: se Angélica conseguirá replicar a boa forma que exibiu quer nos nacionais, quer na etapa da Taça do Mundo de Setúbal e se Vânia vai já cumprir a sua ambição de tentar a prova dos 25 km como confidenciou na entrevista que deu ao Fair Play.

Outra dupla feminina que estará a defender as cores da natação portuguesa na Hungria é a composta pelas nadadoras de natação sincronizada Cheila Vieira e Maria Beatriz Gonçalves, que competirão nas provas de dueto livre e dueto técnico. Ainda as acompanharão a colega de equipa na Gesloures, Bárbara Costa como suplente.

Foto: FPN

Esta é apenas a terceira vez que Portugal está representado nuns campeonatos do Mundo na disciplina de natação sincronizada, mas o facto mais relevante é que é a segunda participação consecutiva, depois de em Kazan2015, Portugal ter participado nas mesmas duas provas, com dois duetos diferentes. Este facto mostra que a variante está a sofrer uma evolução consistente, como também já o tinha evidenciado Maria Beatriz Gonçalves quando, há uma semana nos Europeus de Juniores, fez história ao ser a primeira nadadora portuguesa a ultrapassar os 70 pontos numa prova internacional. Marcou 75,5 no solo de figuras e foi 14ª classificada.

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João BastosJunho 5, 20174min0

Três notícias aparentemente não relacionadas, mas com muito em comum tiveram muito eco na comunidade nacional e internacional da natação. Os intervenientes foram Tamila Holub, Katie Ledecky e o Comité Olímpico Internacional. Perceba a relação

Começando pela primeira notícia, que é aquela que mais interessa aos portugueses, ficamos a saber na semana passada que a campeã da Europa, Tamila Holub, irá estudar nos EUA e representar a equipa de natação da North Carolina State, a 7ª melhor equipa feminina universitária no último NCAA.

Será treinada por Bradon Holloway, e terá como colegas de equipa nomes como Ryan Held (ouro olímpico dos 4×100 metros livres pelos EUA), Andreas Vazaios (o campeão europeu dos 200 estilos, na mesma prova onde Alexis Santos foi bronze) ou Anton Ipsen

O historial do clube na formação de nadadores de fundo é um excelente cartão de visita para Tamila Holub, ela que na entrevista que deu ao Fair Play já tinha assumido que gostava de ter uma experiência de treino internacional.

Tamila Holub. “Já comecei a fazer a contagem decrescente para Tóquio”

Tudo se conjuga para que Tamila possa dar um salto de gigante rumo ao topo mundial e que a sua “contagem decrescente para Tóquio” entusiasme todos os que vibram com a natação portuguesa, porque, à conta desta sua decisão, Tóquio pode ser um pequeno passo para a nadadora do Sporting de Braga mas um grande passo para a natação portuguesa!

#GoPack

Foto: FPN

Passando para Katie Ledecky, a enérgica americana continua a fazer das suas. Na quinta-feira passada, logo a abrir a etapa de Santa Clara das Arena Pro-Swim Series, marcou o tempo de 15:35.65, o 5º melhor tempo de sempre, atrás de outros 4 tempos seus, constituindo-se como a líder mundial do ano por meio minuto de diferença para a húngara Boglarka Kapas.

Ainda está a 10 segundos do seu record do mundo estabelecido em Kazan, nos mundiais de há dois anos, mas mesmo assim chega para fazer melhor que a 2ª melhor nadadora de sempre nos 1500 metros. Mais um feito notável, que para Katie Ledecky é só uma 5ª feira normal.

A americana detém agora 7 das 10 melhores marcas de sempre na prova:

  1. Katie Ledecky, Kazan (2015), 15:25.48
  2. Katie Ledecky, Kazan (2015), 15:27.71
  3. Katie Ledecky, Gold Coast (2014), 15:28.36
  4. Katie Ledecky, Shenandoah (2014), 15:34.23
  5. Katie Ledecky, Santa Clara (2017), 15:35.65
  6. Katie Ledecky, Barcelona (2013), 15:36.53
  7. Lotte Friis, Barcelona (2013), 15:38.88
  8. Lauren Boyle, Kazan (2015), 15:40.14
  9. Katie Ledecky, Mesa (2015), 15:42.23
  10. Kate Ziegler, Mission Viejo (2007), 15:42.54

Katie Ledecky, ou como chegar ao topo do mundo em apenas 20 anos

Finalmente, a terceira notícia, a qual as duas nadadoras anteriormente visadas terão muito interesse em conhecer o desfecho.

À semelhança da Olimpíada do Rio de Janeiro, a FINA fez um requerimento ao Comité Olímpico Internacional para incluir no programa olímpico da natação mais 10 provas (50 bruços, costas e mariposa masculinos e femininos, 4×100 livres e estilos misto, 800 livres masculinos e 1500 livres femininos).

Naturalmente que se dependesse da opinião de Ledecky e Tamila, a prova de 1500 metros livres femininos já estava mais que aceite no calendário. E à luz do critério da igualdade entre géneros, chega a ser aberrante que haja uma prova de fundo para as mulheres e uma diferente para os homens.

Apesar disso, os observadores internacionais não crêem que nenhuma das provas propostas seja incluída no programa de Tóquio 2020, mas até pode haver um pormenor que fará pensar os responsáveis do COI. Previsivelmente, Katie Ledecky e Simone Biles serão as grandes atracções dos JO de Tóquio.

Com a perda das referências Michael Phelps e Usain Bolt, uma decisão que favoreça o espectáculo de ver Ledecky a levar mais um ouro e dar-lhe a hipótese de ser a mulher com o maior número de vitórias na mesma edição (Kristin Otto conseguiu 6 em 1988) pode fazer o COI ceder…à quarta tentativa.

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João BastosMaio 24, 20173min0

O último Congresso da Liga Europeia de Natação (LEN) teve lugar em Marselha e para além das rotineiras aprovações dos Relatórios e Contas, contou com o prato forte do anúncio da candidatura do actual Presidente da LEN à Presidência da Federação Internacional de Natação (FINA).

A reunião que teve lugar no dia 13 de Maio e juntou as 75 federações nacionais que compõem a Liga Europeia que aclamaram por unanimidade a candidatura do italiano Paolo Barelli à Presidência da FINA.

A eleição do órgão máximo que tutela a natação mundial ocorrerá a 15 de Julho e Barelli surge na corrida a desafiar o actual Presidente, o uruguaio Julio Maglione.

Maglione dirige os destinos da natação mundial desde 2009 (há dois mandatos) e a relação com o italiano, nos últimos tempos, tem sido tudo menos pacífica. Numa carta que escreveu às Federações, em jeito de manifesto eleitoral, Barelli levantava graves suspeitas sobre a idoneidade dos membros do Bureau da FINA, nomeadamente o 1º Vice-Presidente, Husain Al Musallam que viu o seu nome ser associado aos escândalos de suborno que levaram à deposição de Blatter na FIFA.

Barelli questiona ainda os procedimentos que a FINA tem tomado nos últimos Congressos, tornando a recandidatura de Maglione elegível, quando em 2013 tinha sido determinado que o Presidente não podia cumprir mais de 2 mandatos, nem ter mais de 80 anos (Maglione tem 82).

Apesar de correr conta o actual Presidente, o italiano tem boas hipóteses de vencer a corrida. O apoio unânime das Federações Europeias assim o indicia.

Acresce o facto de nunca a FINA ter estado tantos anos sem um Presidente Europeu, o que não acontece desde 1984, quando o jugoslavo Ante Lambasa presidiu à Federação.

As linhas estratégicas de Paolo Barelli para a FINA passam por:

  1. Desenvolver um plano de suporte financeiro para as Federações com menores recursos;
  2. Desenvolver um plano de suporte financeiro que favoreça as Federações que apresentem melhores resultados desportivos;
  3. Desenvolver um plano de suporte financeiro às Organizações Continentais;
  4. Reforçar as regras de transparência da FINA;
  5. Dotar a FINA de mecanismos que permitam a sua defesa em casos de conflitos de interesse e interferência política (em clara menção ao 1º Vice-Presidente, Al Musallam);
  6. Separação do poder político do poder judicial, dentro da FINA;
  7. Desenvolver um plano que reforce os mecanismos à disposição da FINA na luta contra o doping;
  8. Limitar o número de mandatos e o limiar da legibilidade etária para todos candidatos ao Bureau;

Pode ler o manifesto completo aqui.

Os dados estão lançados e, em plenos mundiais de desportos aquáticos, ficaremos a conhecer o novo Presidente de uma das mais influentes federações desportivas a nível mundial.

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João BastosMaio 8, 20174min0

Caro amigo leitor,

O Troféu Maria Lenk disputou-se de 2 a 6 de Maio, no Rio de Janeiro, no período de maior instabilidade que há memória na natação brasileira. Coaracy Nunes, o presidente da Confederação Brasileira dos Desportos Aquáticos nos últimos 28 anos, foi recentemente indiciado de vários crimes de corrupção, o que provocou um furacão no seio da comunidade aquática brasileira, expondo várias dúvidas sobre o futuro da organização que gere a natação no Brasil.

Por isso, este ano, a competição mais importante disputada em solo brasileiro decorreu num contexto muito particular.

Mas o que se assistiu dentro da piscina foi exactamente o oposto. O desempenho dos nadadores brasileiros não esteve em consonância com o dos dirigentes e o Troféu Maria Lenk 2017 produziu grandes resultados.

Foram várias as marcas de destaque mundial, de tal forma que já se discute o alargamento da equipa que estará presente no mundial de Budapeste. Quinta-feira a direcção técnica da CBDA decidirá se o número inicial (de 8 nadadores) será aumentado.

No Maria Lenk, o tempo de maior projecção foi o do veterano (37 anos) Nicholas Santos nos 50 metros mariposa. Os 22.61 colocam-no na liderança do ranking mundial do ano, superando os 22.80 de Ben Proud (GBR) que lhe tínhamos dado conta no último Borda D’Água.

Este tempo é o terceiro melhor de sempre, apenas a 18 centésimos do record do mundo, ainda do tempo dos fatos, e colocam, naturalmente, o brasileiro na pole position para aos 37 anos ser pela primeira vez campeão do mundo de piscina longa, ele que foi prata há dois anos em Kazan. Colocam, caso seja seleccionado. É que as provas não olímpicas não davam direito a qualificação directa. Tem agora a palavra a Comissão Técnica da CBDA.

Foto: Globoesporte

Quem tem acesso a esta prova nos mundiais é o nadador que marcou a terceira melhor marca do mundo este ano (até agora). Henrique Martins marcou 22.98 e, conjuntamente com Nicholas Santos e Ben Proud são os únicos que baixaram dos 23 segundos aos 50 mariposa este ano. Ao contrário de Nicholas, Henrique garantiu a sua presença na Hungria por via de se ter apurado nos 100 mariposa.

Saltamos para a grande revelação dos campeonatos, o nadador de 21 anos Gabriel Santos. Os 100 metros livres são uma prova icónica no Brasil. O actual recordista do mundo é brasileiro e estava a participar na prova, a estafeta 4×100 livres do Brasil foi 5ª classificada nos últimos Jogos Olímpicos e o peso histórico da prova é grande consubstanciado por nomes como Gustavo Borges, Fernando Scherer ou Manuel dos Santos.

Por isso, ganhar os 100 livres não é coisa pouca. E Gabriel conseguiu-o com o terceiro melhor tempo mundial da época, com uma evolução assinalável. 48.11 deu-lhe o título à frente de Marcelo Chierighini e do recordista do mundo César Cielo. Com este tempo pode bem furar as contas que fizemos aqui.

Outra prova onde o Brasil tem grandes executantes é nos 50 metros bruços masculinos onde conta com nomes como Felipe Lima (bronze nos campeonatos do mundo de piscina curta o ano passado), Felipe França (campeão do mundo em 2011) e João Gomes Júnior, o menos premiado dos três a nível internacional.

Pois bem, mas foi precisamente João Gomes Jr. que se superiorizou e levou os 50 bruços com o extraordinário record pessoal de 26.83, tendo à sua frente no ranking deste ano, apenas, o recordista mundial da prova, Adam Peaty.

Para além destes quatro nadadores que registaram marcas dentro dos três primeiros da temporada, houve vários outros que marcaram tempos de grande valia, como o caso de Bruno Fratus e César Cielo nos 50 livres, Leonardo de Deus nos 200 mariposa ou Etiene Medeiros nos 50 costas.

Depois de uns Jogos Olímpicos caseiros em que a natação (de piscina) brasileira não obteve nenhuma medalha, ficando aquém do que desejaria e tinha potencial para alcançar, é numa fase de grande instabilidade que os nadadores do nosso país irmão melhor reagem e mostram-se capazes de ir à Hungria dar boa conta de si.

Nós, por cá, torceremos para que isso aconteça, pois certamente será a melhor resposta para dar a volta à situação e iniciar o processo que dê à natação brasileira os dirigentes que os nadadores merecem.

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João BastosAbril 24, 20175min0

Caro amigo leitor,

Hoje começamos no ponto onde tínhamos ficado no último Borda D’Água, ou seja, vamos espreitar o que se passou em terras de sua Majestade, nos campeonatos britânicos de natação.

De 18 a 23 de Abril a equipa britânica que vai estar presente nos mundiais de Budapeste ficou definida em Sheffield e os resultados são, no mínimo, promissores.

O histórico recente da natação britânica em Campeonatos do Mundo (e nos últimos 2 Jogos Olímpicos) tem provado que os ingleses estão num processo de ascenção meteórica na hierarquia mundial. Em Xangai 2011, um ano antes dos “seus” Jogos, os britânicos arrecadaram 5 medalhas, sendo duas de ouro, em Barcelona 2013 tiveram um “acidente de percurso” e apenas conquistaram um bronze pela recentemente retirada Francesca Halsall, mas em Kazan 2015 foram a 4ª melhor selecção coleccionando 9 medalhas, sendo 5 de ouro.

Para este ano, tudo parece conjugar-se para mais uma participação histórica da Team Britain. No Rio, o ouro solitário de Adam Peaty aos 100 bruços soube a pouco e a equipa (sobretudo a masculina) posiciona-se para ombrear com equipas como a Rússia, a China, o Japão e a Hungria (os EUA e a Austrália ainda parecem inacessíveis), estando, nesta fase, muito à frente de selecções europeias que outrora eram as referências do velho continente (França, Alemanha e Holanda).

Nos nacionais britânicos, foram quatro os principais destaques, que esmiuçaremos em seguida:

Em primeiro lugar, James Guy. O nadador de 21 anos, natural de Bury (Manchester) foi o maior ganhador dos campeonatos. Venceu os 200 e 400 livres e os 100 e 200 mariposa. Em termos cronométricos, o maior destaque foi a última prova que nadou – 200 metros livres – onde marcou a segunda melhor marca mundial do ano, apenas superado por Sun Yang, com 1:45.55. Nos 100 mariposa é o terceiro do mundo com os seus 51.52 e merece menção, sobretudo pelas contas que os britânicos estarão a fazer para a estafeta 4×100 estilos. Com Peaty a bruços, Guy a mariposa e Scott a livres, falta aguardar por um Walker-Hebborn ao seu melhor nível para poder sonhar com o ouro na Hungria.

Precisamente Duncan Scott foi outro nadador em destaque em Sheffield. O australiano McEvoy não chegou a aquecer o lugar no topo do ranking mundial dos 100 livres. O britânico, de apenas 19 anos, fez 1 centésimo melhor que o australiano e é agora o melhor nadador do mundo aos 100 livres em 2017 com o tempo de 47.90.

O “menino” também vendeu cara a derrota nos 200 livres para James Guy. Os 1:45.80 fazem dele o 3º melhor do ano e com Calum Jarvis e Nicholas Grainger começa a “cozinhar-se” uma bela estafeta de 4×200 livres, quem sabe capaz de bater o record britânico estabelecido nos JO do Rio e que valeram medalha de prata.

Foto: British Swimming

O terceiro destaque foi o “sprinter” Ben Proud que não deu hipóteses nos 50 livres e nos 50 mariposa, tornando-se o líder mundial do ano em ambas as provas. Os 21.32 dão-lhe entrada no top-10 dos melhores de sempre dos 50 livres, sendo apenas superado por Flaurent Manaudou na era pós-fatos.

Veja a prova dos 50 livres do londrino (pista 4) e atente na partida…literalmente meio caminho nadado para vencer a prova!

“At last but not least” o ícone actual (e provavelmente vai ser de sempre) da natação britânica: Sir Adam Peaty, um extraterrestre que está na Terra a divertir-se a fazer nas provas de bruços o que os melhores mortais só farão daqui a muitos anos. A forma como o faz também é muito particular, mas isso merecerá um artigo próprio.

No mundo inteiro ninguém se aproxima dos tempos que ele faz aos 50 e aos 100 bruços. Mais ninguém nadou o hectómetro abaixo de 58 segundos (e só van der Burgh o fez abaixo de 58’50) e ele fê-lo agora pela 5ª vez na carreira.

Os 57.79 marcados na final dos nacionais de Sheffield foi a 44ª vez que Peaty nadou os 100 bruços abaixo de um minuto. Na prova de 50 metros, venceu com 26.48 a apenas 6 centésimos do seu record do mundo, estabelecido nos Mundiais de Kazan há dois anos.

Do lado feminino, há que mencionar honrosamente as brucistas: em primeiro lugar, a jovem de 18 anos Imogen Clark que venceu os 50 metros bruços, com o segundo melhor tempo mundial do ano; e também Jocelyn Ulyett que alcançou igual posição no ranking, mas aos 200 metros, com o tempo de 2:22.08.

A experiente Hannah Miley também deu boa conta de si, nomeadamente nos 200 e 400 estilos, ao contrário da vice-campeã olímpica Siobhan-Marie O’Connor que acabou desqualificada na final dos 200 estilos.

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João BastosAbril 14, 20176min0

Caro amigo leitor,

A natação está na primeira época alta do ano, não só em Portugal com competições zonais, nacionais e internacionais ou estágios dos diversos escalões, mas por todo o mundo se joga muito do futuro da temporada durante o mês de Abril.

Foram vários os campeonatos nacionais ou outros eventos classificativos para os campeonatos do mundo que tiveram lugar no fim-de-semana anterior, ou que estão a ter neste ou que vão ter no próximo, de forma que os rankings mundiais foram moldados por essas competições à volta do globo.

Entre confirmações, revelações ou consagrações, foram já vários os nadadores que marcaram a sua posição e se posicionaram como mais ou menos favoritos para a grande competição do ano que se disputa em Julho na Hungria.

Aqui vamos tentar dar uma volta rápida ao mundo e trazer-lhe os maiores destaques dos últimos 15 dias.

Começando pelo outro lado do Atlântico, durante os campeonatos nacionais canadianos, a costista Kylie Masse marcou o tempo mais rápido de sempre sem borracha, ficando a escassos 9 centésimos de segundo do record do mundo da britânica Gemma Spofforth. 58.21 é o novo record pessoal de Masse e que a coloca, para já, na pole position para vencer este prova em Budapeste.

Veja a prova de Kylie Masse nos trials canadianos:

Mas não foi só no feminino que o record do mundo dos 100 costas esteve sobre forte ameaça. Aliás, mais perto de cair esteve o máximo dos 100 costas masculinos. Xu Jiayu ficou a apenas 1 centésimo (!) do máximo mundial que Ryan Murphy estabeleceu no último dia da natação do Rio. Xu marcou 51.86, e é apenas o terceiro homem de sempre a baixar dos 52 segundos (Aaron Peirsol – quem mais poderia ter sido? – foi o primeiro e único durante 7 anos). A expectativa é grande para o seu confronto com Murphy, nos mundiais de Budapeste.

Veja a fantástica prova do nadador chinês na pista 5:

O tempo de Xu foi o grande destaque dos nacionais chineses, mas não abafou a performance de Sun Yang, que parece estar definitivamente de volta (mas não aos 1500). Yang saltou para a liderança do ranking mundial com as suas marcas nos 200 metros (1:44.91) e nos 400 metros (3:42.16).

Ali ao lado, no Japão, os nacionais só terminam no dia 16 de Abril, faltando ainda disputar provas fortes naquele país como os 200 bruços masculinos, mas até ver, a grande performance vai para Yui Ohashi nos 400 estilos. Até agora a melhor marca do ano era da espanhola Mireia Belmonte com os 4:35.01 do Open de Espanha que lhe valeram o ouro à frente da portuguesa Victoria Kaminskaya, mas a japonesa detonou esse tempo, precisando apenas de 4:31.42 para completar a prova. Claro que ainda está longe do record do (outro) mundo de 4:26.36 de Katinka Hosszu mas é um tempo de enorme valia para a nadadora de 22 anos.

Já na Austrália, e como é natural num país onde a natação é desporto-rei, houve várias performances que podíamos destacar, mas em Brisbane foi Cameron McEvoy a estrela que brilhou mais alto. Vitória e primeiro lugar no ranking mundial nos 50 e 100 metros livres, superando nos 100 o campeão olímpico Kyle Chalmers. Na prova mais curta nadou em 21.55 e cumpriu os 100 em 47.91.

Veja a prova dos 100 metros livres, ganha por McEvoy (com os primeiros 50 em 22.73!) e em que Chalmers, na pista 3, fez uma má partida:

Vindo mais para ocidente, os russos que ao que tudo indica, e contrariamente ao que aconteceu no Rio, não terão nenhuma restrição parcial para participar nos mundiais de Budapeste, querem “limpar a face” e voltarem a aproximar-se do patamar competitivo onde estiveram nos finais dos anos 80 e início dos 90’s.

Para além da incontornável Yulia Efimova, que passa a ser a única este ano que já nadou 50 bruços abaixo de 30 segundos, Evgeny Rylov (de 20 anos) foi o grande destaque dos campeonatos russos de Moscovo, com os seus 1:53.81 aos 200 costas, que é o 7º melhor tempo de sempre. A marca de 24.52 aos 50 também é líder mundial do ano, mas não é condizente com os “fracos” 53.13 aos 100. Poder-se-á esperar que também Rilov entre nas contas pelo título mundial dos 100 costas em Budapeste, se fizer um tempo da valia dos seus 50 e 200.

Vamos da Rússia até à Itália, os transalpinos tiveram uns campeonatos nacionais de elevado nível. Zazzeri, Vendrame, Megli, Quadarella, Restivo ou Martinenghi são nomes para começar a assimilar porque vamos começar a vê-los com frequência em finais de grandes competições, mas o destaque vai para nadadores mais consagrados, os fundistas que têm protagonizado uma grande disputa interna que são Gregorio Paltrinieri e Gabrielle Detti.

É uma disputa interna, mas que se reflecte a nível global. Detti venceu Paltrinieri nos 800 livres, mas para isso teve de se tornar no líder mundial do ano, com Greg no segundo posto. Aos 1500, Detti não participou, mas Paltrinieri não fez por menos e marcou já 14:37.08, ficando a apenas 3 segundos do seu record europeu.

Para o final da volta, reservamos o melhor: Sarah Sjöström, a sueca que marcou a sua posição (e que posição) com a liderança mundial do ano aos 50 metros livres (2ª melhor de sempre e melhor sem fato de poliuretano), com 23.83, aos 100 metros livres (4ª melhor de sempre) com 52.54, aos 50 metros mariposa com 24.96 (única nadadora que já nadou esta prova abaixo de 25 segundos…desta vez foi a oitava) e aos 100 metros mariposa com 56.26. Não fosse a sueca ser contemporânea de Ledecky e Hosszu e já teria uma projecção mediática muito superior à que tem!

Foto: Kanal75

Para a semana continuamos a volta ao mundo, olhando para as Arena Series que já decorrem em Mesa (EUA) e para os campeonatos nacionais britânicos, que se disputam de 18 a 23 de Abril.

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PS: Caso esteja a ler na versão mobile, é favor ignorar o título 🙂


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