Arquivo de Bola de Ouro - Fair Play

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Já passaram dez anos desde que Kaká arrecadou o prémio de Melhor Jogador do Mundo, em virtude da sua temporada de sonho ao serviço do AC Milan, pontuada pela conquista da Liga dos Campeões. O craque brasileiro foi o último a vencer o troféu, antes de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo o terem monopolizado, ainda não sabemos até quando.

A discussão sobre quem é o melhor do mundo recentrou-se assim em duas figuras com poderes futebolísticos sobre-humanos, afastando dos holofotes mediáticos outros jogadores talentosíssimos. Segue-se uma listagem em jeito de reconhecimento a todos aqueles que estiveram próximos de derrubar a barreira imposta por Messi e Ronaldo na última década, mas que se ficaram pela prata e pelo bronze. Isto sem esquecer o futuro, e por isso tentamos também perceber qual será o futebolista responsável por interromper este ciclo impressionante.

FERNANDO TORRES (Liverpool / Espanha)

(Bola de Bronze em 2008)

Começou a guarda-redes, na tentativa de seguir as pisadas do irmão mais velho, mas mudou o seu propósito dentro do campo a tempo de se sagrar um avançado temível. Capitão do Atlético de Madrid ainda aos 19 anos, Torres evidenciou desde muito cedo os seus dotes de goleador nos relvados do campeonato espanhol. Transferiu-se para o Liverpool, onde confirmou o estatuto logo na época de estreia. 33 golos em 46 jogos, a temporada mais prolífera da sua carreira. Nesse mesmo ano seguiu com o Liverpool de Rafa Benítez até às meias-finais da Liga dos Campeões, e sagrou-se campeão europeu pela selecção espanhola, num torneio em que marcou o golo decisivo na final, frente à Alemanha. Por menos consensual que seja nos dias de hoje, ninguém poderá contestar o brilho incandescente de Fernando Torres em 2008.

XAVI (Barcelona / Espanha)

(Bola de Bronze em 2009, 2010 e 2011)

Com quatro letras apenas se escreve o nome de um dos melhores centrocampistas da história do futebol. Xavi é perito em alargar a dimensão do metro quadrado, ao encontrar espaços aparentemente inexistentes. Conseguiu assimilar como poucos a filosofia do tiki-taka no Barcelona, tendo transformado uma partida de futebol num grandioso jogo da rabia. Apesar de nunca ter recebido o troféu de melhor do mundo, Xavi surgiu como finalista em três anos consecutivos, em resultado dos anos gloriosos experienciados tanto em Barcelona, como na selecção espanhola. Entre 2009 e 2011, Xavi foi tricampeão espanhol, conquistou duas vezes a Liga dos Campeões, venceu o Campeonato do Mundo de Clubes, e sagrou-se campeão do mundo pela selecção espanhola, só para enumerar alguns dos títulos averbados.

ANDRÉS INIESTA (Barcelona / Espanha)

(Bola de Prata em 2010 e Bola de Bronze em 2012)

Porventura o jogador que esteve mais perto de quebrar a hegemonia vigente, em 2010, aproveitando as temporadas colectivamente menos vitoriosas do que o habitual de Messi e Ronaldo. Parceiro inseparável de Xavi durante longos anos no meio-campo catalão, onde formaram ambos uma combinação incrivelmente complementar e agradável à vista, Iniesta figura igualmente como um dos grandes médios criativos de todos os tempos. Atinge este estatuto com o mérito adicional de conseguir ocupar diversos papéis na zona intermédia do terreno, sempre de forma exemplar. Perto da ala, mais recuado, ou junto ao avançado, Iniesta nunca perde valor, porque a bola é sempre a mesma, e ele sabe cuidar dela como ninguém, qualquer que seja o seu ponto de partida no desenho táctico. Ofuscado em parte pelo génio de Messi no Barcelona, teve direito ao seu merecido púlpito durante a campanha impressionante protagonizada pela selecção espanhola entre 2008 e 2012. Apontou o único golo da final do Campeonato do Mundo de 2010, diante da Holanda, e foi eleito melhor jogador do Europeu de 2012.

FRANCK RIBÉRY (Bayern Munique / França)

(Bola de Bronze em 2013)

O futebol francês necessitava de uma grande referência para Zinedine Zidane poder entregar o testemunho, e encontrou-a em Franck Ribéry, salvo as devidas distâncias e estilos. Deu-se a conhecer ao grande público no Campeonato do Mundo de 2006, quando ainda actuava em Marselha. Entretanto, o Bayern Munique acenou com uma proposta, e nunca mais Ribéry deixou a Baviera. É na extrema-esquerda que se sente mais confortável, zona do terreno onde usa e abusa da sua velocidade galopante e da sua capacidade de fintar adversários como poucos. Desequilíbrios, desequilíbrios, desequilíbrios. Há dez anos que os faz continuamente em Munique, sem que os adversários consigam inventar um antídoto. Apesar dos problemas físicos, nunca cai no esquecimento, e retorna sempre na máxima força. Foi Bola de Bronze em 2013, no ano em que fez parte do conjunto que venceu tudo na Alemanha e conquistou a Liga dos Campeões.

MANUEL NEUER (Bayern Munique / Alemanha)

(Bola de Bronze em 2014)

O único guarda-redes a ocupar o pódio na corrida pela Bola de Ouro na última década. Curiosamente, notabilizou-se pelo seu “jogo de pés”, e sentido posicional digno de líberos em extinção, para além da sua qualidade entre os postes, está claro. Já tinha revelado a sua característica de ‘jogador de campo’ no Schalke 04, mas foi em Munique, com Pep Guardiola, que essa funcionalidade extra ganhou uma importância redobrada, face ao estilo de jogo de posse sufocante imprimido pelo técnico espanhol. Os títulos sucederam-se no Bayern, numa altura em que a selecção alemã também dominava. O Campeonato do Mundo de 2014 foi exemplo disso mesmo, com a Alemanha a erguer a taça, e Neuer a ser eleito melhor guarda-redes do torneio.

NEYMAR (Barcelona / Brasil)

(Bola de Bronze em 2015)

Para muitos, o herdeiro natural da dupla Messi-Ronaldo, no que à Bola de Ouro diz respeito. A verdade é que Neymar está na sua melhor forma de sempre, e caso a sua evolução exponencial se mantenha com o passar dos anos, o futebol brasileiro pode muito bem voltar a ter um jogador no topo do mundo. Começou bem cedo a dar nas vistas no Santos, emblema pelo qual venceu a Copa Libertadores, e onde marcou o melhor golo de 2011 frente ao Flamengo. A sua forma de jogar explosiva e imprevisível, aliada à competência evidenciada em qualquer zona avançada do terreno, condiciona todo o tipo de marcação defensiva dos oponentes. Só existem três jogadores com mais golos do que Neymar na selecção brasileira (Romário, Ronaldo e Pelé), e será uma questão de tempo até serem suplantados. As próximas épocas vão revelar-se decisivas para percebermos se Neymar terá estofo para ascender ao Monte Olimpo.

ANTOINE GRIEZMANN (Atlético Madrid / França)

(Bola de Bronze em 2016)

No mesmo ano, Griezmann saiu derrotado das duas finais mais importantes do futebol europeu. Ainda assim, o seu talento não passou despercebido. Brilhou inicialmente no Real Sociedad, mudando-se pouco depois para o Atlético Madrid, onde a sua média de golos aumentou drasticamente. Estamos a falar de 82 golos em três épocas, incluindo todas as competições. Números que definem um avançado completíssimo, cuja frieza na altura da finalização não é a sua única característica. Griezmann sabe trabalhar com a equipa, e reconhece o poder de uma boa combinação ofensiva. Eleito melhor jogador do Campeonato da Europa de 2016, foi também o artilheiro do torneio ao serviço da selecção francesa.

E AGORA…QUEM SE SEGUE?

Cristiano Ronaldo já celebrou os 32 anos, ao passo que Lionel Messi está a poucas semanas de chegar aos 30. Este ciclo bipartido impressionante que vigora há uma década terá, eventualmente, de chegar ao seu final. Por isso, coloca-se a seguinte questão: quem estará em condições de assumir a insígnia de melhor do mundo, quando chegar a altura?

Já mencionámos a hipótese Neymar, uma das possibilidades mais fortes, dado o crescimento do brasileiro no Barcelona, mas existem outros nomes a considerar num futuro próximo. Paul Pogba é um deles, e não por ser a transferência mais cara da história do futebol. O seu regresso à Premier League está a correr bem (a nível individual), e sob a orientação de José Mourinho, pode muito bem surgir brevemente como candidato a integrar o Top-3 de melhores do mundo. Finalmente, torna-se inevitável falarmos de Paulo Dybala, craque argentino da Juventus. Aliás, ao olharmos para a actual campanha do clube italiano na Liga dos Campeões, Dybala deverá imiscuir-se no pódio já este ano. Fiquem para ver o que o futuro nos reserva.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Victor AbussafiMarço 30, 20178min0

A imprensa brasileira repete insistentemente e se derrete em elogios ao jogador. O torcedor mais apaixonado não tem dúvidas. A promoção de Neymar ao título de melhor jogador do mundo ganha força com as recentes ótimas exibições e os resultados alcançados no Barcelona e na Seleção Brasileira. Será que chegou a hora do craque tupiniquim?

Nos últimos jogos de Dunga, na Copa América, e nos primeiros das Olímpiadas (dois empates do Brasil), a pressão da imprensa nacional sobre Neymar foi intensa. Criticado por estar nervoso em campo e tentar decidir os jogos sozinho, Neymar não conseguia jogar nem fazer jogar. Como resultado, o jogador se fechou e deixou de dar entrevistas coletivas nas convocações da Seleção.

O silêncio foi quebrado 244 dias depois, com Neymar em alta, num time que joga por música e já classificado para a Copa da Rússia. Até Galvão Bueno, maior narrador do país, e crítico da fase que viveu Neymar sob o comando de Dunga, já se rendeu:

O melhor Neymar da história

Uma coisa é fato. O avançado brasileiro tem jogado à um nível cada vez superior e vive, pelo menos até agora, seu auge e, com muitos anos úteis pela frente, certamente ainda evoluirá mais.

Neymar amadureceu. Isto é mais evidente na Seleção, onde é o principal destaque em campo e passou a desempenhar um papel ainda mais efetivo como líder técnico da equipe. Com Tite, que conduziu o escrete canarinho à 8 vitórias em 8 jogos pelas eliminatórias, o jogador mostra nova postura em campo e parece que tudo o que faz, dá certo.

Se com Dunga, Neymar parecia irritadiço em campo e mais caia e brigava do que resolvia jogos, com Tite, apesar de pegar menos na bola, a cada vez que aparece no jogo desespera dos defensores adversários. As últimas vítimas foram Uruguai e Paraguai pelas eliminatórias (Coates, zagueiro uruguaio do Sporting, deve ter pesadelos com ele até hoje).

Com os dois gols marcados, nos últimos jogos, faltam apenas quatro para igualar Romário, quarto maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. À sua frente, ficam Zico, Ronaldo e Pelé. Depois da conquista do Ouro Olímpico, a conquista da Copa do Mundo em 2018 colocaria Neymar num patamar dos Deuses do Futebol no Brasil, com apenas 25 anos.

Esse jogador, mais maduro e confiante, se mostra também na Catalunha, com Neymar a chamar para si o papel de decidir jogos e buscar o jogo. Isso ficou evidente no histórico jogo contra o Paris Saint-Germain:

O que dizem os números

Uma forma de tentar comparar Neymar aos mitos Messi e Cristiano Ronaldo é avaliar as estatísticas da atual temporada. Se juntarmos os jogos por clube e seleção neste ano, Neymar esteve envolvido em 16 gols (10 gols e 6 assistências).

Apesar de ter marcado menos gols do que em temporadas anteriores, sua média subiu de 0,3 gols por partida na primeira metade da época para 0,44 gols por partida em 2017. Entretanto, o novo Neymar é o novo recordista de assistências em uma edição da Liga dos Campeões, com 8, e fez em 2016 o seu recorde pessoal de assistências num mesmo ano 32 em 54 jogos.

Bons números, mas insuficientes contra os sempre eficientes craques que dominam a o prémio de Melhor do Mundo da Fifa. Os 22 gols com participação de Messi (18 gols e 4 assistências) e 19 de Cristiano Ronaldo (15 gols e 4 assistências) ainda colocam os jogadores mais experientes acima do jovem brasileiro.

Outro dado interessante é que o brasileiro é o jogador que mais sofre faltas entre as principais ligas europeias. Segundo o site “Who Scored?”, Neymar sofreu uma média 4,4 faltas por jogo na La Liga, contra 2,1 de Messi e 17 de CR7. Essa média de faltas tem aumentado todos os anos, o que mostra que o camisa 11 é cada vez mais visado pelos sistemas defensivos adversários e mais difícil de ser parado.

O que dizem os especialistas

O primeiro a rasgar elogios ao jogador é o comandante Tite: “O Neymar não pode falar, mas eu posso. Ele vai ser o melhor do mundo. Ele fez 25 anos agora e Cristiano e Messi estão nos 30 para lá. Nessa geração vejo Neymar, nesse processo de maturidade.”

Ronaldo, Ronaldinho, Belletti, Kaká e muitos outros ídolos do futebol brasileiro têm dito o mesmo e esse movimento parece ter superado os limites geográficos do Brasil.

O italiano Costacurta afirmou à Sky: “Acredito que, neste momento, Neymar seja melhor que Ronaldo ou Messi. É o melhor jogador agora, em 2017“. Para o italiano, o brasileiro tem sido mais consistente ao produzir sua melhor forma em todos os jogos. Além dele, são muitos os astros internacionais e jornais internacionais que afirmam que Neymar deve ser o próximo na linha sucessória dos Reis do futebol.

What a night for this man ✌ Future world No1? #Neymar #Barcelona #UCL

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Até o jornal argentino Olé já reconheceu o talento do jogador, após o jogo contra o Paraguai, e brincou com a ausência de Messi, suspenso na Seleção Argentina: “Como o melhor do mundo está suspenso e num momento delicado, o outro melhor do mundo fez reluzir o 10 do Brasil”.

Entre os grandes

Se a análise fria dos números ainda mostra uma certa distância para o panteão onde vivem Messi e CR7, é inegável para quem assiste os jogos dos três por clube e seleção que o brasileiro vive um momento mágico.

Neymar tem sido decisivo e cada vez mais importante para os times onde joga. Se no Barcelona ainda manda Messi, no campo o brasileiro é o responsável pela dinâmica ofensiva da equipa e foi fundamental para manter o clube vivo nas competições que disputa e nas quais pode, em 16 jogos, terminar com mais uma tríplice coroa.

Neymar comemora na vitória contra o PSG. Jogador liderou a remontada. (Foto: Reuters)

É muito cedo para cogitar um prêmio de melhor do mundo ao final do ano, até por que Messi pode ser decisivo num possível título europeu do Barcelona ou Cristiano Ronaldo pode faturar mais uma Champions League e tornar toda essa conversa irrelevante. Mas é evidente que Neymar hoje chegou a um nível em que está acima dos demais mortais, apesar de não ser um Deus Imortal como os dois rivais.

Neste ano ou no próximo, o semi-Deus Neymar completará suas missões e alcançará o Olimpo do Futebol. A Bola de Ouro o aguarda com a expectativa de quem, desde 2007, não é cogitada para nenhum outro jogador que não Messi ou Ronaldo. Só isso já faz com que Neymar mereça aplausos.


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