Arquivo de AIS Agronomia - Fair Play

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Francisco IsaacJunho 6, 20178min0

Desde do Verão de 2009 que na Ericeira “reina” o rugby, em particular o Beach Rugby. Com a chegada da 9ª edição da prova do Ericeira Beach Rugby, o Fair Play foi convidado a desvendar os pormenores, detalhes e skills de uma das etapas mais emblemáticas da variante em Portugal.

11 meses… são 11 meses de rugby em Portugal… começamos em Setembro com os primeiros jogos da Divisão de Honra e Supertaça não parando nem na quadra natalícia, na celebração intensa do Ano Novo, na Páscoa (relembrar que os sub-18 de Portugal jogaram no sábado de Páscoa) ou na “porta de entrada” para o Verão.

Por muito que não se consiga fazer jus aos valores e princípios da modalidade tão bem como se gostava, a modalidade é um “vício” consciente da sua comunidade. Chegamos a Junho, já dentro do “forno” de Verão em que tudo está expectante não só para os 7’s mas, e principalmente, para o Beach Rugby.

O Fair Play tem falado do Figueira Beach Rugby todas as semanas, já que se trata da maior prova da variante não só em Portugal, mas de toda a Europa. Porém, existem outras “casas” que merecem um destaque máximo não só pela sua antiguidade, mas também por aquilo que representam.

Neste caso, falamos do Ericeira Beach Rugby, prova que resiste desde 2009 (a mais antiga do país) e tem lançado as “sementes” para fomentar o rugby na Ericeira… um caso de sucesso da modalidade em Portugal. É o maior torneio de beach rugby do Mundo para os escalões de formação, construindo um puzzle muito curioso com o Figueira beach rugby.

Na saída para a sua 9ª edição, a realizar-se nos dia 24 e 25 de Junho, na Praia da Foz do Lizandro, o Ericeira Beach Rugby vai contar com três provas: masculinos seniores, femininos e escalões de formação. Esta última prova (dos sub-8 aos 18) será realizada no dia 25, enquanto que os mais “velhos” terão o 24 de Junho por sua conta.

Um fim-de-semana em cheio (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Mas realmente, qual é o impacto do Ericeira Beach Rugby? Para o rugby Nacional foi sempre a etapa que abria a época do rugby de praia, uma prova mais “curta” em número de equipas, mas bastante intensa com participações do GD Direito (uma das equipas dominantes da variante), AEIS Técnico (campeões em algumas edições), os Caparica Sharks (as “gemas e diamantes” do rugby Nacional), CF “Os Belenenses” (campeões em duas edições, nunca falharam esta prova) ou os habitués do Belas (nunca falham esta prova).

É uma prova que reúne um interesse amplo e um carinho partilhado por todos, com um bom prize money (sempre um pormenor bem apetecível) e com excelentes condições em redor da área de jogo.

Mais uma vez, pode não ser “mega” em termos de dimensões, mas é enorme quando se fala na atmosfera, ambiente e participação. E quem foi o grande “maestro” de todo este acontecimento? João Silva. O director técnico actual do Ericeira Rugby, “sonhou” em 2009 com o rugby na região de Mafra… e o seu “sonho” passou a realidade quando um conjunto de pais e amigos uniram-se para criar a “Associação de Amigos Rugby Ericeira)” fundada no ano de 2010.

De lá para cá, o rugby na Ericeira tem vindo a crescer, tem bons escalões de formação (alguns jogadores que iniciaram a sua formação no Ericeira, já jogam pela equipa sénior de Agronomia, na Divisão de Honra), pratica os valores correctos da modalidade e tem uma “paixão eterna” pela oval que deveria ser a regra e exemplo para todos.

Uma pequena parte do que é o Ericeira Beach Rugby (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

O sonho de João Silva é hoje uma forte realidade, com raízes cada vez mais profundas e que só deve orgulhar os altos dirigentes do rugby Nacional (há uma série de outros projectos como o Braga ou Guimarães rugby que merecem, também, uma atenção especial por exemplo) e que deve ser apoiada com afinco (a Federação Portuguesa de Rugby e o Município de Mafra celebraram um protocolo de cooperação).

Na ausência de umas Beach Rugby Series em Portugal, temos a Figueira e Ericeira como torneios-residentes.

Fomos falar com um dos jogadores que “nasceu” para a modalidade a partir do desenvolvimento da modalidade na Ericeira, Francisco Silva, jogador da AIS Agronomia (clube no qual tem uma parceria com o AMREriceira, como clube-satélite) e que já alinhou pela equipa da Divisão de Honra em 2015-2016 e 2016-2017, tendo até sido campeão de 7’s por Agronomia em sub-18 ou ter estado nos trabalhos da Selecção Nacional de formação.

Francisco Silva, começou a jogar nos sub-14 do Ericeirense e aos poucos começou a ganhar “gosto” pelo rugby, tendo ingressado nos sub-18 dos “agrónomos” em definitivo conquistando um espaço no novo clube. Mas qual terá sido o verdadeiro impacto do AMR Ericeira na vida do jogador?

O Beach Rugby da Ericeira foi importante para ti, na tua formação e desenvolvimento? E se sim porquê?
F.S.: Sim , porque em cada edição do Beach Rugby da Ericeira pude estar em contacto com novas experiências, tais como arbitrar jogos, publicitar o evento, montar o recinto, entre outras atividades que no fim do evento me fez um melhor atleta, profissional e cidadão.

Vale a pena participar no Torneio que se realiza na Foz do Lizandro? E porquê?
F.S.: Vale sempre a pena participar neste torneio, que para os mais novos foi durante muitos anos o único torneio de beach rugby. Este torneio tem sempre como objetivo fechar e abrir uma grande época de rugby e como tal tentamos sempre oferecer uma grande fim de semana de rugby onde a terceira parte é sempre garantida.

Como pode a comunidade do rugby ajudar o torneio em si?
F.S.: Qualquer ajuda é sempre bem vinda desde bolas, árbitros, elásticos para marcar os campos, patrocínios, mas o mais importante para este evento é a divulgação do evento e a presença da comunidade do rugby no mesmo.

Por isso, é um torneio que sobretudo prima por dar importância à competição de formação (algo exclusivo, para já, do Ericeira Beach Rugby), dando a possibilidade aos escalões de sub-8, 10, 12, 14, 16 e 18 de virem até à Ericeira e começarem a “afiar as garras” e a experimentarem o Beach Rugby.

Em 2016,  o GD Direito levou o título para casa, com os Caparica Sharks a terminarem em 2º e o CF “Os Belenenses” em 3º. Já no feminino foi a equipa do GDS Cascais a subir ao pódio com o “caneco” na mão, deixando o CR São Miguel como vice-campeão.

Haverá bi-campeonato? (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Para participarem no Ericeira Beach Rugby devem contactar a organização, sabendo desde logo que há um fee de inscrição de 100€ (as equipas podem ir com 10 a 12 jogadores, o que representa um valor baixo) e de terem de estar inscritos num clube federado (por motivos de seguro desportivo, isto norma geral para todos os torneios em Portugal).

O impacto do evento na Ericeira é monumental, já que foram uns bons milhares de pessoas que “invadiram” a praia nesse dia (seja para usufruir das instalações, acompanhar rugby ou passear junto à beira-mar) e acompanharam os torneios de seniores e formação. De acordo com a própria organização, “o evento de 2016 foi visitado por cerca de 6.000 pessoas nos dois dias, contou com presença de 700 atletas que representaram 70 equipas dos diversos escalões, estamos certos que foi o torneio que juntou mais equipas de sempre. Para este ano pretendemos continuar a crescer e aumentar o número de equipas.”

São eventos destes que podem bombear o rugby, fazê-lo a acordar do seu “sono”  e dinamizar não só um fim-de-semana mas toda uma região que de um ano para o outro pode ficar apaixonada pela modalidade, abrindo portas e iniciando todo um processo de crescimento na modalidade.

É altura de meterem as “botas” no armário, vestirem os calções e a camisola, preparem para o choque com a areia e de lutarem não só contra a oposição mas também contra o sol e calor… é a época do Rugby de praia, uma altura a não perder!

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Francisco IsaacNovembro 4, 20168min0

Rui Carvoeira e a sua equipa técnica volta a pegar numa nova “fornada” de jogadores sub-18: o novo futuro de Portugal começa a sua preparação para o Campeonato da Europa do escalão. Quem são, quais os objectivos e, mais importante de tudo, como apoiá-los? Fique a conhecer os novos jovens Lobos

O futuro do rugby português passa pelo Estádio Nacional neste sábado, dia 5 de Novembro, quando os jovens Lobos sub-18 enfrentarem a Irlanda (especificamente, as Escolas da Irlanda, que compõe os melhores jogadores a nível escolar do país do Trevo) com o início de jogo marcada para as 17:00.

Antes de irmos ao “agora”, viajemos, subtilmente, até Abril de 2016 altura em que Portugal conquistou o 3º lugar no Campeonato da Europa de Sub-18. Jogos de alto nível frente à Alemanha (vitória por números “gordos”), um jogo de alto equilíbrio frente à Geórgia (derrota injusta) e um “bronze” ante a Bélgica (jogo sufocante) permitiram que Portugal, pela primeira vez na sua História em sub-18, subisse ao pódio como uma das melhores formações europeias. Verdade que as equipas das Ilhas Britânicas não se dignaram a comparecer (motivado pela descida de divisão da Escócia, situação na qual a RFU/Federação Inglesa não aceitava), mas em nada tirou o espectacular 3º lugar.

Mas o tempo passou, a geração do Bronze subiu de escalão (a maioria integra o trabalho dos sub-20 de Luís Pissarra e João Pedro Varela) e agora é necessário algo novo para manter o trabalho de excelência dos técnicos nacionais.

Desde Maio que a equipa de Rui Carvoeira, com o apoio de Francisco Branco, tem vindo a trabalhar junto da ARS e das selecções regionais/nacionais de sub-17 para encontrar um novo grupo de trabalho, bem alargado, que fizesse jus ao passado recente da Selecção sub-18.

Master and Commander (Foto: Luís Cabelo Fotografia)
Master and Commander (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Passaram os meses de Maio (encontros inter-regionais), Junho (jogos frente a Academias inglesas), Julho (participação em torneios de Beach Rugby de forma a garantir um training camp diferente), Agosto (participação no Campeonato da Europa de sub-18/19) e Setembro até chegarmos a Novembro de 2016, mês que marcará o baptismo duro dos jovens Lobos.

A equipa do Fair Play disponibilizou-se para conhecer e dar a conhecer ao público estes novos atletas, percebendo de onde vêm, quais as condições de trabalho e que ideias e objectivos estabeleceram para 2016/2017.

Fomos recebidos pelo Professor Rui Carvoeira, que nos recebeu como sempre: vontade de falar, discutir ideias, passar noções dos processos e o que esperar desta nova geração de sub-18.

FairPlay: Como se apresenta esta nova “fornada” de jogadores de sub-18? Diferente da anterior?
Rui Carvoeira: Sem dúvida. São mais “físicos”, têm outro poder no choque, a nossa primeira-linha tem uma capacidade diferente, temos segundas-linhas com outra altura. Falta-lhes, talvez, um pouco mais de talento, mas é um aspecto que com os treinos e jogos de preparação será melhorado!

FP: E a preparação até aqui como foi?
RC: Começámos no Natal de 2015, onde as selecções da Associação Rugby do Sul nos proporcionaram a criação de um grupo de trabalho largo e forte. Dos 60 iniciais (que foram entrando uns e saindo outros) agora estão 30 e poucos. Fizemos vários estágios, alguns jogos, treinámos várias vezes e nos envolvemos em diversas actividades. Daqui até Abril ainda vamos treinar e nos reunir bastantes vezes… é um grupo capaz e que tem desejo de trabalhar.

Grupo capaz e com vontade de trabalhar

FP: E qual é o vosso objectivo?
RC: Em termos melhorar e consolidar princípios e processos, formas de jogo e ideias. A longo prazo é o que queremos para eles… vão ter que saber viver os 70 minutos, de lutar por eles a cada instante, nunca baixar o ritmo ou intensidade. É fundamental que eles percebam o espírito de sacrifico e quererem ir mais além.

FP: E que surpresas vai ter o grupo de trabalho? O que é preciso eles quererem mais?
RC: Num dos próximos estágios, faremos um Estágio Não-desportivo, ou seja, será mais focado para o team building, para o espírito de coesão de grupo, importante neste momento. Nós queremos manter a ideia de jogar no risco, deles quererem arriscar com a bola na mão, de sujeitarem-se à pressão da profundidade de jogo. Apesar de hoje (sexta-feira) estarmos mais focados na defesa, é a nossa vontade manter o princípio do risco e do ataque rápido.

FP: Alguma diferença entre este grupo de 2016/2017 do anterior?
RC: Bem, são mais “conservadores”, mais fechados… mas é fruto da idade. Com os jogos e estágios vão começar a falar mais, a sair mais da “casca”.

Os skills em acção (Foto: Luís Cabelo Fotografia)
Os skills em acção (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

De seguida, fomos agraciados com dois capitães da selecção. Diogo Cabral (CF “Os Belenenses”) e Manuel Nunes (RC Montemor).

O 1º joga na posição de centro e já vai na sua 8ª época como jogador da modalidade. Manuel Nunes é campeão Nacional de sub-18 pelo RC Montemor, ocupando a posição de 3ª linha.

Manuel Nunes confidenciou que “é uma responsabilidade imensa saber que estamos a usar as camisolas de grande referências do rugby português. Temos de dar o nosso melhor.”

Diogo Cabral sustentou que “tenho um orgulho imenso fazer parte da História do rugby português. O Professor Rui Carvoeira tem vindo a passar a mensagem que temos de ser diferentes dos outros todos, que não somos iguais. Somos a referência, temos de dar o exemplo dentro e fora de campo.”

Ambos apoiaram a ideia de que esta é uma selecção “unida e que gosta de jogar junta. Apesar de estarmos em diferentes equipas, o minuto que entramos no balneário somos todos do mesmo clube. Há uma grande amizade!”.

Manuel Nunes que vai para a sua 9ª temporada como jogador do Montemor, deixou escapar que “gosto da placagem e do contacto. Sempre gostei de placar. É a minha forma de contribuir para a equipa”.

Uma equipa Unida com grande Espírito

Por outro lado, Diogo Cabral, ao bom jeito da escola do Belenenses, disse que “sou um jogador focado na linha de vantagem… gosto de explorar a velocidade, de procurar o espaço e fazer a diferença nele.”

Quando questionados sobre qual a qualidade que têm de aperfeiçoar, foram ambos explícitos “talvez a parte física… temos de ir para além daquele limite. Só assim faremos a diferença no campo.”.

Manuel Nunes gostava de “elevar o nível, melhorar o que já está feito, assumir a responsabilidade da geração anterior!”, ao qual Cabral acrescentou “somos gerações diferentes, vimos o Mundial com outra “fome”, gostamos de jogar um rugby mais veloz, com outra vontade técnica.”

Curiosamente, ambos são apaixonados pelo Super Rugby, “os offloads, a forma como atacam a linha ou como gostam de jogar.”.

D. Cabral ainda fez menção que nesse sentido, Pedro Silva, seu antigo treinador fez-lhe a diferença no processo de aprendizagem.

Em termos de apoio nas bancadas, Manuel Nunes gostava de ter apoio do público português já este sábado porque “é importante para nós… com o apoio crescemos, tornamos-nos gigantes e a confiança é outra.”, já Diogo Cabral afirma “que é sempre bom ter público, mas o nosso foco é o jogo.”.

Antes de nos despedirmos, questionámos a ambos qual seria o melhor futuro do rugby português para eles, “oportunidade de competir com as selecções mais fortes…. e quem sabe ser profissional da modalidade.”.

Após um treino de aperfeiçoamento de defesa, discussão de ideias e de objectivos, a equipa portuguesa  partiu para os balneários para um breve descanso, já que no dia há o grande jogo contra a equipa das Escolas da Irlanda.

Entre a vontade de mostrarem o seu melhor rugby, o nervosismo de saltar cá “para fora” com a camisola das Quinas e o excitamento por poder desafiar os irlandeses para um desafio de placagem, a selecção liderada por Rui Carvoeira prepara-se, concentrada e motivada, para o jogo de amanhã às 17:00 no Estádio Nacional, especificamente no CAR Jamor (campo junto à pista de atletismo com acesso por cima). Os vossos Lobos precisam do vosso apoio!

A lista de convocados de Portugal: goo.gl/rytF8I
A lista de convocados da Irlanda: goo.gl/Gdg289

A jovem alcateia (Foto: Luís Cabelo Fotografia)
A jovem alcateia (Foto: Luís Cabelo Fotografia)
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Francisco IsaacOutubro 5, 20168min2

Supertaça de emoções fortes, a AIS Agronomia sai com o troféu debaixo do “braço”, após uma lição de bem defender, perante um GD Direito “perdido” no ataque. António Duarte, Vasco Ribeiro e António Monteiro foram as “estrelas” nos agrónomos, enquanto que no GD Direito pouco há a destacar

Um resultado final de 17-09, a beneficiar a equipa da AIS Agronomia (finalista vencido da Taça de Portugal 2015/2016), deu por concluído o dia do Rugby no Estádio do Jamor. Uma intensa entrega, alguma confusão e dois ensaios saídos de pura “manha”, levaram a que o GD Direito entrasse com o “pé” errado para a nova temporada. E por culpa de quem? Dois factores foram decisivos neste encontro: a defesa de excelência agrónoma; falta de qualidade do ataque dos “advogados”. Na primeira parte o jogo foi equilibrado, com o GD Direito a gozar de duas boas possibilidades de chegar ao ensaio (numa delas Manuel Vilela não conseguiu passar por Guilherme Covas, numa jogada que ia com cunho de ensaio), mas a falta de qualidade no último passe (normalmente os “lances” já começavam mal, com falta de velocidade e dinâmica nos grupos de ataque) acabou por ajudar à equipa de Agronomia. Notou-se, especialmente, que a bola parava, mal chegava a Nuno Sousa Guedes, o entusiasta defesa que foi brindado com a possibilidade de jogar à abertura. Iríamos notar que no final dos 80′ foi uma das piores decisões da equipa técnica do Direito, liderada por Francisco Aguiar. Foi uma primeira parte mal jogada por ambos os lados, como viríamos no factor dos alinhamentos já que só 60%  foram bem aproveitados, com os restantes a terminarem em bolas mal postas, avants ou faltas dentro dessa fase estática. Ou seja, a esses erros fomos brindados com uma “avalanche” de formações ordenadas onde, e a contrariar as duas últimas épocas, foi a equipa da Tapada a imperar e a forçar o erro dos seus adversários (Vasco Fragoso Mendes raramente teve uma formação ordenada que lhe possibilitasse sair em boas condições ou fornecer a bola a Pedro Leal).

José Rodrigues abriu o marcador aos 27′ para só aos 40′ Nuno Guedes empatar o encontro em 3-3. O encontro teve algumas escaramuças, o normal num jogo de emoções fortes e de alta intensidade, foram bem resolvidas pelo juiz de jogo, Paulo Duarte (o rugby português ficou a saber que hoje, o mesmo árbitro foi designado para fazer parte do painel de juízes do HSBC World Series), castigando com amarelo, António Duarte e José Maria Vareta (já José D’Alte tinha recebido a mesma admoestação no decorrer do jogo). Perto da hora de intervalo, houve um momento que podia ter “transformado” o jogo e que provou, por outro lado, a falta de compromisso dos “advogados”: 35′, ruck nos 22 metros do Direito, que parecia estar perfeitamente controlado, acabou por ser bem limpo por Gustavo Duarte, possibilitando os “agrónomos” de jogar rápido (por falta de paciência perderiam a bola a seguir). Todavia, vimos nesse momento a falta de concentração e entrega do Direito, que acabou por descurar a defesa no ruck, quando Pedro Leal pedia; e a vontade dos “agrónomos” de quererem provar que estavam ao mesmo nível que os seus rivais de Monsanto. Um empate no final dos 40′, não beneficiava ninguém, e em abono da verdade, nenhuma das equipas estava com as “garras” certas no ataque.

Ora, na 2ª parte foi um show de horrores para quem apoiava o GD Direito, muito pelos 12 erros forçados (7 avants no contacto ou na tentativa de passe) que aniquilariam com o ataque da própria equipa, um capítulo a rever por Francisco Aguiar e a sua equipa técnica. Nuno Sousa Guedes foi “engolido” pela defesa da Agronomia, que o impediu de fazer as típicas jigajogas e, também, de tirar velocidade e profundidade às linhas atrasadas do GD Direito. Do outro lado, a equipa “agrónoma” atacou q.b., jogando com paciência e lucidez, mesmo quando aos 63′ estavam a perder por 09-03 (Sousa Guedes tinha transformado duas penalidades no decorrer da 2ª parte, após faltas de fora-de-jogo e bola presa), algo que foi fundamental para reviravolta no marcador, com a chegada da hora dos ensaios: o primeiro ensaio proveio de um pontapé mal aplicado pelo defesa do GD Direito, que Manuel Murteira aproveitou para responder com um up and under de força e alto, que acabaria por apanhar e a dar a primeira estocada nos bicampeões nacionais quando o cronómetro batia os 64′. Não há qualquer falta de Tomás Gonçalves que no momento da bola a cair no chão, está a recuar com os braços levantados… lance bem ajuizado pela equipa de arbitragem. A partir daqui, a equipa dos “advogados” perdeu-se e começou a tentar jogar em todo lado, mas sempre de forma inconsequente e sem a capacidade de penetrar necessária para quebrar a linha dos seus opositores.

A defesa de Agronomia também foi elástica e altamente dinâmica, ocupando bem o terreno de jogo, placando os adversários de forma a que a bola não saísse rápida, destacando-se Fernando Almeida (retorno ao fim de quase 2 anos de lesão), Vasco Ribeiro e António Duarte. Os campeões nacionais, que pareciam ter melhores soluções no banco que os “agrónomos” acabaram por “tropeçar” nas suas próprias pernas e a efectuar jogadas de fraca qualidade. As ausências de João Correia (retirado após o término da época transacta), Vasco Uva, Adérito Esteves (transferido para França), Luis Salema, Luís Portela, acabaram por ter um peso grande na equipa do Direito que tem de aprender a viver sem os “veteranos” (excluir Portela e Salema desta categoria) e de encontrar soluções efectivas dentro do plantel. Pedro Leal bem tentou remar contra a “maré”, mas a posição 9 (que tem sido sua) prende o “Serevi” português e, talvez, nestes moldes colocá-lo a defesa não seria uma solução de todo despropositada. Antes do final do encontro, ainda houve oportunidade para Gonçalo Prazeres cruzar a linha de ensaio, numa saída inteligente do ruck em que nem Gonçalo Uva, Luís Salema ou Pedro Leal conseguiram se aperceber a tempo de pará-lo. 17-09, com 2 minutos no relógio e o jogo vai terminar com novo avant dos “advogados”, recuperação dos agrónomos, alinhamento e bola para fora.

Frederico de Sousa, antigo treinador do GD Direito e agora da AIS Agronomia, sai por cima do confronto com uma nota quase máxima, pelo trabalho que realizou na preparação de jogo e por ter conseguido passar para os seus jogadores a estratégia de como parar o Direito no contacto e no jogo corrido. A Supertaça volta para o “reino” de Agronomia até 2017, algo que não acontecia desde 2011 (vitória frente aos “advogados” por 35-10). Para o GD Direito esta perda pode ser benéfica de forma a voltarem à “terra” e lançarem-se na luta pelo tricampeonato (algo que conseguiram entre 2008 e 2011)… qualidade e valor não lhes faltam, com vários jogadores internacionais e que pode (e devem) fazer a diferença. Já a juventude “agrónoma” provou que está sedenta de títulos, apoiada pela experiência de alguns jogadores.

EQUIPAS QUE ALINHARAM:

GD Direito (1 a 15) 09

João Thomaz, Duarte Diniz, Francisco Bruno, Luís Sousa, João Travassos, Francisco Tavares, Pedro Rosa, Vasco Mendes, Pedro Leal, Nuno Guedes (3+3+3), Pedro Silvério, Manuel Vilela, José Vareta, Afonso Vareta e João Silva. Subs: João Moraes, Gonçalo Uva, Salvador Palha, Luís Salema e José Cabral.

Treinador: Francisco Aguiar

AIS Agronomia (1 a 15) 17

José Leal Costa, João Moreira, Gustavo Duarte, Fernando Almeida, João Rebelo de Andrade, José D’Alte, António Duarte, PJ van Ziyl, Gonçalo Prazeres (5), José Rodrigues (3+2+2), António Cortes, Francisco Mira, Vasco Ribeiro, Guilherme Covas e Manuel Murteira (5). Subs: João Paiva, Alexandre Garrett, Bernardo Campelo e Tomás Gonçalves.

Treinador: Frederico de Sousa

Última nota vai para as vitórias do SL Benfica frente ao Sporting CP na Supertaça (12-07), num jogo bem jogado, com os “nervos” à flor da pele mas sempre justo. E o CF “Os Belenenses”, no escalão sub-18, dominaram o RC Montemor, num jogo bem conseguido dos azuis do Restelo (29-06).

Supertaça é "agrónoma" (Foto: João Peleteiro Fotografia)
Supertaça é “agrónoma” (Foto: João Peleteiro Fotografia)

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