Como um surfista competidor planeia o seu ano?

Palex FerreiraFevereiro 20, 20263min0

Como um surfista competidor planeia o seu ano?

Palex FerreiraFevereiro 20, 20263min0
Palex Ferreira oferece conselhos para aqueles surfistas que querem competir por torneios e títulos neste artigo para o Fair Play

Um ano de competições não se improvisa. No surf, quem entra numa época sem planeamento está a depender da sorte — e o mar respeita muita coisa, menos a sorte. Sempre foi assim. O primeiro passo é aceitar uma verdade simples: não se consegue estar no pico da forma o ano inteiro. O corpo não aguenta, a cabeça quebra e a motivação desgasta-se. Um bom planeamento para um surfista de competição começa por dividir o ano em fases claras: preparação, pico competitivo e recuperação.

Na pré-época, o foco não é ganhar campeonatos. É construir base. Muito tempo de água, sim, mas também treino físico, mobilidade, força e resistência. Antigamente, isto fazia-se quase só a surfar. Hoje sabemos que quem não treina fora de água chega curto quando o calendário aperta. O mar seleciona, mas o corpo tem de acompanhar.

Depois vem a escolha dos eventos. Nem todas as competições merecem a mesma energia. Um surfista inteligente escolhe batalhas. Analisa picos, épocas do ano, tipo de ondas e até o próprio histórico nesses locais. Competir muito não é o mesmo que competir bem. Às vezes, menos eventos bem preparados valem mais do que um calendário cheio e resultados medianos.

Durante a época competitiva, a rotina manda. Horários de sono, alimentação, alongamentos, leitura de mar e sessões específicas para o tipo de onda da prova. Aqui não há espaço para romantismo. O surfista que trata cada dia como especial acaba exausto a meio do ano. O que trata o dia como trabalho, aguenta até ao fim.

A parte mental é tão importante quanto o físico. Um ano longo traz más ondas, heats injustos, pranchas partidas e decisões discutíveis. Sempre trouxe. Quem não aprende a desligar entre eventos leva frustrações antigas para provas novas. Isso pesa no take-off, na escolha de onda e na confiança.

Entre blocos de competição, o descanso é obrigatório, não é luxo. Uma semana sem competir, com surf livre e sem pressão, muitas vezes vale mais do que mais um evento feito em piloto automático. O surf nasceu da liberdade, e o competidor que se esquece disso perde sensibilidade.

Olhar para o futuro do surf competitivo não é abandonar os valores antigos. É reforçá-los com método. Respeito pelo mar, paciência, repetição e humildade. Planeamento não tira espontaneidade — dá-lhe espaço para aparecer no momento certo.

No fim do ano, o surfista que planeou bem não é necessariamente o que ganhou tudo. É o que chegou inteiro: fisicamente forte, mentalmente estável e com vontade de voltar no ano seguinte. E no surf, como sempre foi, quem consegue voltar é quem acaba por vencer.


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