Ronda 2 do Men’s 6 Nations 2026: Escócia trava Inglaterra
A segunda jornada do Men´s Six Nations, trouxe a Calcutta Cup para Murrayfield e deixou a Inglaterra de mão no queixo. Irlanda cumpriu e França passeou por Gales.
No Aviva Stadium, a Irlanda conseguiu levar de vencida os Azuurri mas muito por conta de um banco mais recheado e uma inspiração tardia.
A selecção Italiana já demonstrou que está nesta edição para ser um pouco mais aguerrida e competitiva que nas últimas edições, com os avançados a trabalharem a um nível de qualidade muito elevado.
Neste jogo arbitrado pela Escocesa Hollie Davidson, houve lugar a dois amarelos, um para cada lado.
Os irlandeses foram inconsistentes, num “trava-arranca” difícil de explicar; talvez um pouco pelo facto de a Itália estar mais pressionante e muito assertiva nas fases estáticas do jogo. O ensaio do talonador na sequência de um alinhamento com drive, é um momento do jogo de elevada capacidade técnica e merece ser analisado pelos estudiosos da modalidade e acima de tudo, pelos praticantes da mesma, se querem melhorar o seu jogo.
Manuel Zuliani, terceira-linha, fez 16 placagens, 5 turnovers e foi um deleite assistir ao seu jogo. Leonardo Marin esteve bem na vez de Brex e todos os avançados na sua totalidade estiveram muito competentes.
A Irlanda viveu muito da entrada em jogo de British and Irish Lions como Beirn, Furlong e Gibson-Park mas não deu para sentir que estivessem uma equipa sólida para defrontar os restantes embates. Craig Casey não me convence e o Sam Prendergast continua a mostrar algumas fragilidades que precisam ser tratadas com urgência.
A Inglaterra teve um início de jogo muito atípico, com Henry Arundell, o herói da primeira jornada a ser admoestado com um amarelo logo aos oito minutos de jogo. A Escócia aproveitou muito bem essa situação e viu-se a liderar por 17-0 nos primeiros vinte minutos de jogo. Não satisfeito, Arundell faz uma placagem perigosa no ar e o amarelo passou a vermelho, deitando as esperanças Inglesas de recuperação de resultado, por terra, que se quedou nuns 31-20. (Alguém lembre o Arundell, que é placar e largar e no ato de placar, tem de fazer menção de fechar os braços, no sentido de proteger o opositor).
Foi um bálsamo para os Escoceses este jogo com os eternos rivais: depois de terem perdido frente à Itália na jornada inaugural, o desatino Inglês e a masterclass de Finn Russell e Bem White, catapultaram a seleção do Cardo para uma espetacular vitória perante a seleção da Rosa, e pondo uma pausa naquelas que já eram 12 vitórias consecutivas e um domínio superior. Notou-se uma dinâmica maior no jogo, uma maior rapidez de execução e os pontas Escoceses, criticados anteriormente, jogaram em sintonia e muitas vezes em apoio, lado a lado, criando vantagem frente à defesa (Jamie Dobie e Kyle Steyn).
No último jogo desta segunda jornada, Gales recebeu no Principality Stadium a França e acabou por encaixar oito ensaios num resultado que se quedou em 12-54.
Houve mudanças no 15 de Galthié, nomeadamente com Fabien Brau-Boirie e Émilien Gailleton na dupla de centros e Théo Attissogbe a ponta direito.
A França está a jogar muito bem; neste jogo, tanto busculou e abriu o jogo como inundou certos canais, fazendo com que a defesa Galesa não se conseguisse organizar. Jalibert e Ramos fazem o que querem da bola e quando assim é, com dois grandes playmakers e o Dupont, é virtualmente impossível pôr um travão.
Registo aqui o Charles Ollivon: joga na segunda ou terceira linha mas tem um passo de corrida verdadeiramente impressionante. De ressaltar que neste momento já não são os pilares, os que são financeiramente melhor compensados no rugny gaulês: temos os médios e logo a seguir os segundas-linhas! A refletir…
França é a única ainda com hipótese do Grand Slam e pelo que se vê, será difícil que surja aqui novidade.



