O peso da camisola “10” na Major League Soccer
Se, para alguns jogadores, o número na camisola é apenas uma formalidade que tem de ser respeitada, a verdade é que muitos atletas fazem questão de jogar com determinado número. No mundo do futebol, nenhum outro dorsal tem tanta história como o 10. De Messi no Barcelona a Aimar no Benfica, passando ainda por Zidane e Platini na seleção francesa, muitos foram os magos que envergaram/envergam a mítica camisola 10. Até há uns anos esta combinação de algarismos estava quase destinada ao médio-ofensivo, ao armador de jogo no seu estado mais puro. Com a evolução da modalidade, esse hábito, tendo em conta que são cada vez menos as equipas no futebol europeu que atuam com um “número 10”, acabou por se perder, mas a verdade é que a cultura do médio-ofensivo ainda prevalece na Major League Soccer.
Futebol espetáculo com o maestro a comandar a orquestra
O objetivo deste artigo não passa por defender ou descredibilizar o tipo de futebol praticado na principal competição da modalidade nos Estados Unidos da América e do Canadá, mas apenas evidenciar uma característica na qual a MLS é muito distinta em relação ao futebol europeu. Sendo certo que a Major League Soccer, em termos táticos, sai a perder quando comparada com os campeonatos da Europa, quem procura futebol espetáculo e de ataque tem no acompanhamento da competição uma opção muito válida.
Enquanto muitos treinadores de equipas europeias têm optado por abdicar do médio-ofensivo, jogador que, por norma, não contribui tanto no processo defensivo (os 10’s no futebol europeu são “empurrados” para as alas), na MLS esse caso não se verifica. São várias as formações que atuam com um armador de jogo declarado, um atleta com a missão quase exclusiva de fazer a diferença a nível ofensivo na sua equipa.
Nem sempre o médio-ofensivo atua com o número 10 nas costas, mas na Major League Soccer são vários os casos nos quais isso acaba por acontecer.
Tango argentino à conquista da MLS
Falar-se de médios-ofensivos e de “camisolas 10” da MLS sem se referir o nome de Miguel Almirón é uma tarefa praticamente impossível. O jogador dos Atlanta United é apontado por muitos como o melhor jogador da competição e, aos 24 anos, tem tudo para dar o salto para um “grande” europeu ( o internacional paraguaio tem sido associado com insistência ao Arsenal). Para além da rapidez com que consegue avançar no terreno com bola controlada, Miguel Almirón tem ainda uma excelente visão de jogo e uma grande capacidade de finalização (soma 21 golos em duas temporadas nos Atlanta). Se conseguir melhorar o facto de, por vezes, levar demasiado longe os seus esforços individuais, o médio tem tudo para brilhar em palcos de maior expressão.
Um pouco mais a este, na equipa dos DC United, vem brilhando Luciano Acosta, também ele um argentino de 24 anos. Depois de um época de adaptação e de alguns problemas de indisciplina na temporada passada, Acosta tem conseguido mostrar de forma consistente aquilo que vinha mostrando a espaços nos anos anteriores. Jogador com uma qualidade técnica fora do comum, o ex-Boca Juniors tem uma capacidade incrível de sair com a bola controlada das situações mais adversas (verdadeiras “cabines telefónicas”, por vezes). Formando uma parceria muito interessante com Wayne Rooney, Luciano Acosta soma nove golos na presente edição da Major League Soccer.
Viajando até ao estado de Ohio, Federico Higuaín tem vindo a ser figura de destaque dos Columbus Crew nos últimos anos. O argentino de 33 anos é já um dos atletas com mais tempo de MLS (chegou em 2012), tendo apresentado sempre um registo muito interessante de golos e assistências em todas as épocas em que representou os Crew (este ano soma cinco golos e oito assistências). Ainda na Conferência Este, destaque para a capacidade de liderança e de finalização de Nicolás Lodeiro dos Seattle Sounders, para a forma como Alejandro Romero Gamarra substituiu Sacha Klejstan como médio-ofensivo dos New York Red Bulls e para a inteligência do “pequenino” Maximiliano Moralez dos New York City.
Para além dos Philadelphia Union com Borek Dockal, dos Houston Dymano com Tomás Martínez e dos LA Galaxy com Giovani dos Santos (equipas nas quais o “10” é efetivamente usado pelo médio-ofensivo), são muitos os jogadores de classe que atuam com a mítica combinação de algarismos nas costas. Desde Giovinco nos Toronto FC, a Carlos Vela nos Los Angeles FC, passando ainda por Sebástian Blanco dos Portland Timbers, Ignacio Piatti dos Montreal Impact e Kellyn Acosta dos Colorado Rapids, é facilmente percetível que são vários os motivos para se assistir à Major League Soccer.
Artigo escrito por Diogo Matos, administrador e fundador da página MLS Portugal.