Treinador de Formação: o tão descurado saber ensinar
Na senda dos outros artigos que já escrevi sobre esta temática, reitero que não os escrevo num tom autoritário, sobranceiro e crítico, mas sim num tom meramente opinativo.
O presente artigo serve para alertar todos os treinadores e seus aspirantes àquela que deve ser a sua primeira responsabilidade quando treinam escalões de formação.
É sabido por todos que é diferente treinar miúdos de 6,7,8,9,10 anos e treinar homens de 20 ou 30. Mas não será assim tão diferente quanto muitos pensam.
Isto porque o saber fazer, quase todos sabem. A relação técnico-tática é a que tem sido mais aprofundada pelos treinadores. Mas questões psicológicas e o saber estar e o saber ser muitas vezes falha.
E é quando temos que ensinar o jogo que a diferença vem ao de cima. Se isto não for bem pensado todas as outras qualidades não o vão salvar, já que “é necessário adaptar o jogo à criança e não obrigar o jovem futebolista a adaptar-se ao jogo dos adultos.” (Wein, 1995).
Acima de querer ganhar todos os jogos (especificamente no contexto de formação), tem que estar a preocupação com a aprendizagem dos jogadores.
E aprendizagem a nível futebolístico (técnico; tático; físico; mental) mas também a nível socio-cultural, tendo sempre um papel importante na vida dos jovens que treina.
E é para isso mesmo que este artigo vem alertar. Para que o foco passe cada vez mais em ensinar os jogo aos jovens. E sempre de uma maneira lúdico-didática e divertida – principalmente em escalões mais baixos.
E ensinar significa descurar a parte estratégica da competição e tentar que os atletas realmente aprendam algo com aquele treino. Fazendo isto tentando que o atleta perceba aquilo que está a fazer e o porquê de fazer tal coisa.
É ainda preciso refletir sobre como ensinar o jogo. É preciso compreender que nem todos os atletas têm a mesma capacidade de compreensão e, por isso, nem todos aprendem as coisas ao mesmo tempo;
É necessário perceber que precisam de repetir aquilo que lhes tentam ensinar, pois só com a repetição vão conseguir aperfeiçoar a ação;
E ainda que, nos escalões mais baixos, que lhes deixem jogar futebol; que eles se divirtam e estejam com os amigos. Isto porque com 6,7,8 anos, é difícil para a criança compreender quais são os princípios do jogo e conseguir aplicá-los em campo.
Quando o treinador conseguir compreender estes – e outros – conceitos, vai compreender que quem tem ganhar (em competição e na vida) são os atletas e não ele.
Acima de tudo, que as crianças gostem do que fazem; que a hora do treino seja a melhor hora do seu dia!