Perder não é falhar: é pagar o preço da coragem
No desporto, perder faz parte. Sempre fez. Desde os tempos em que a competição era resolvida no corpo a corpo, na pista de terra ou no campo enlameado, até aos palcos modernos com tecnologia e estatísticas, uma coisa nunca mudou: só perde quem compete.
E é aqui que muitos se enganam. Quando um atleta perde, não está a provar que é fraco. Está a provar que teve coragem. Coragem de sair da zona de conforto, de se expor, de aceitar o risco. Isso, por si só, já o separa da maioria.
Os verdadeiros perdedores não são os que falham numa prova, num combate ou numa final. Os verdadeiros perdedores são os que ficam de fora. Os que preferem a segurança da opinião ao desconforto da ação. Os que criticam da bancada porque nunca tiveram a ousadia de entrar em campo.
No desporto — como na vida — a derrota é uma lição crua, mas justa. Mostra o que falta, onde dói, onde é preciso trabalhar mais. Antigamente era assim: perdias, levantavas a cabeça, treinavas mais duro e voltavas melhor. Não havia atalhos nem desculpas. Havia responsabilidade.
Quem compete aprende algo que ninguém pode ensinar: autocontrolo, humildade, disciplina e resiliência. Aprende a lidar com a frustração sem fugir dela. Aprende que o progresso raramente é confortável. Aprende que vencer é consequência, não garantia.
Uma derrota não define um atleta. O que o define é a resposta que dá depois dela. Desistir é escolha. Ajustar, insistir e evoluir também.
Olhar para o futuro no desporto exige manter estes valores antigos bem vivos. A cultura do esforço, do mérito e da repetição. A tecnologia ajuda, os métodos evoluem, mas o princípio é o mesmo de sempre: quem aguenta mais tempo no caminho, cresce.
Por isso, se perdeste, não te encolhas. Não te justifiques em excesso. Aprende. Regista mentalmente o que falhou. Volta ao treino. Volta ao básico. O respeito no desporto não vem de um resultado isolado, vem da consistência.
Competir já é uma vitória que muitos nunca terão. E isso ninguém te tira.



