Ruben Cardoso, Author at Fair Play

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Ruben CardosoJulho 27, 20176min0

À porta de mais uma época de Premier League, permanece uma nuvem de incerteza acerca do futuro competitivo e da sustentabilidade do projecto Arsenal. O Fairplay analisa alguns dos aspectos decisivos para a próxima temporada, uma em que os gunners, pela primeira vez desde 2000, não estarão presentes na Liga dos Campeões.

Arsène Wenger é um nome mítico para qualquer adepto do Arsenal. Tem hoje em dia a honra de ser o técnico há mais tempo à frente do mesmo clube na Premier League (tendo ultrapassado Sir Alex Ferguson), continua a ser um treinador intimamente ligado à cultura do clube, e é um homem que, para além de tudo, tem a sua filosofia muito orientada e consciente naquilo que pretende dos seus jogadores e do planeamento da época. No entanto, esta mesma percepção acerca do planeamento continua a custar, ano após ano, competitividade para o clube, que com o passar do tempo tem perdido o seu lugar nos holofotes da luta pelo título da Premier League – para além de sucessivas eliminações na Liga dos Campeões nos oitavos-de-final.

A táctica vencedora?

Já perto do final da época em Inglaterra, Wenger tomou uma decisão drástica, que causou algum choque na crítica e nos próprios adeptos, após uma sucessão de maus resultados, e de ainda piores exibições: a aposta num modelo de 3 centrais, num esquema algo similar aquele que Conte implementou no Chelsea. Não é a primeira vez que o técnico francês experimenta este modelo, no entanto, o timing para o fazer suscitou dúvidas. Sendo certo que a equipa estava em claro declínio exibicional e emocional, seria sensato apostar um esquema com o qual a maioria dos jogadores não está familiarizada?

Foto: BBC

Esta aposta surgiu após uma embaraçosa derrota com o Crystal Palace por 3-0, naquele que foi o quarto desaire consecutivo fora de portas. E o primeiro teste seria de fogo, frente ao Manchester City, num jogo a contar para a FA Cup (isto já depois de ter vencido o Middlesbrough na primeira experiência em 3x4x3). Não só o Arsenal venceu os citizens como rubricou nesse jogo uma das melhores exibições da época. Daí até ao fim da temporada, Wenger manteve o sistema, trazendo ao de cima o melhor de alguns jogadores como Chamberlain, Xhaka ou Monreal, elementos que tiveram épocas abaixo do que seria expectável.

Em 2017, prevê-se que a aposta seja para continuar, mas ainda existem algumas dúvidas, principalmente na defesa – apenas Koscielny e Mustafi se apresentam como alternativas claramente viáveis, para além do jovem Holding que surpreendeu na sua primeira época na Premier League -, e claro, na manutenção de Alexis como a alma da equipa e o jogador mais importante de um clube quase à deriva, que urge por títulos. O Arsenal continua a mostrar-se pouco activo no mercado de transferências – um assunto que desenvolveremos mais à frente.

Enfim, fora da Champions

Pela primeira vez em 17 anos, o Arsenal não vai estar presente na fase de grupos da Liga dos Campeões. Um dos maiores argumentos para a defesa de que a carreira de Wenger à frente do clube não é tão pálida como se julga é o facto de o francês ter colocado o clube na rota da Europa – apesar de só ter passado dos quartos-de-final 2 vezes neste período de tempo. E este é um factor que toma um peso particularmente importante, não apenas para as finanças do clube, mas como para a sua sobrevivência competitiva.

Não é estranho o facto de existirem enormes jogadores arredados da prova maior do futebol mundial a nível de clubes, porque os seus clubes não reúnem os meios necessários para alcançar a prova. No entanto, este não é o caso do Arsenal, que sendo um dos mais ricos clubes do mundo, tem toda a estrutura e mecanismos para construir um plantel competitivo e que deveria estar sempre presente na Liga dos Campeões. Este pode ser um dos principais problemas na óptica de manter os maiores activos do clube satisfeitos – nomeadamente Alexis Sanchéz, que termina o seu contrato com o clube em 2018 – , mas também para atrair novos reforços, pois deixa de existir o incentivo da montra da Champions.

Mais uma eliminação pesada na Champions, pela mão do Bayern. Foto: UEFA

Problemas de defeso

Neste defeso absolutamente louco, que já viu transferências como a de Lukaku para o Manchester United ou de Mendy para o City, o Arsenal mantém a postura que tem sido habitual nos últimos longos anos: muito pouco activo no mercado, e apenas a fazer contratações de “oportunidade”. Quando esta realidade é confrontada com o facto de só o United em Lukaku ter gasto mais do que o Arsenal neste defeso, comprova-se que continua algo errado no reino dos gunners. Não tanto pelas somas investidas, pois essas são refém da flutuação do mercado, mas pela aparente inoperatividade dos responsáveis do clube, quando existem claras lacunas em praticamente todos os sectores da equipa.

Um dos casos mais claros, porém, foi resolvido: o namoro antigo entre Wenger e Lacazzette finalmente deu em casamento, com o ponta-de-lança francês a chegar para trazer um dos aspectos que tem estado em claro défice no Arsenal – golos, golos, golos. Lacazzette marcou muitos pelo Lyon, e sendo um jogador com uma panóplia de recursos à sua disposição, pode continuar a fazê-lo na Premier League. O outro reforço foi Sead Kolasinac, que chega a custo zero depois do seu vínculo contratual com o Schalke ter terminado em Junho último. Um lateral que tem todas as condições para vingar em Inglaterra, e que pode significar a fixação de Monreal no eixo defensivo, onde já fui utilizado no final da temporada.

No entanto, continua a saber a pouco, principalmente quando é sabido que o Arsenal é um clube com imensos recursos financeiros à sua disposição, e que caso Wenger assim o quisesse, poderia investir bem mais no reforço da equipa. Já foram falados nomes como Mbappé, Lemar, Matic, Seri ou Mahrez, mas a verdade é que chegaram ao Emirates apenas dois jogadores, num plantel a pedir desesperadamente elementos de classe mundial para poder voltar a sonhar com a conquista do campeonato. Enquanto este obstáculo não sair da frente, será uma tarefa hercúlea para os gunners poderem ombrear com os adversários, sendo que a maior quota da responsabilidade deverá ser imputada a quem toma as rédeas de todo o futebol do clube, na pessoa de Arsène Wenger. O fim da linha nunca esteve tão próximo para o francês, que pode ter este ano a sua derradeira oportunidade de voltar a fazer história pelo clube londrino.

Lacazzette, a contratação mais sonante do defeso gunner. Foto: arsenal.com
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Ruben CardosoJulho 12, 20176min0

A contratação de Fábio Coentrão por parte do Sporting foi, provavelmente, a que mais celeuma e discussão criou no defeso nacional até ao momento. O Fairplay analisa aquela que é uma aquisição de alto risco por parte dos leões, mas que também pode significar o fim de um dos maiores problemas do Sporting nos últimos anos.

Fábio Alexandre Silva Coentrão. 28 anos. Lateral-esquerdo internacional português, natural de Vila do Conde. Na altura em que chegou ao Benfica, oriundo do clube vilacondense, Coentrão era um extremo puro de linha, que tinha no seu arsenal características como a velocidade e uma capacidade de cruzamento capazes de desequilibrar. No entanto, estas características, por si só, não seriam suficientes para vingar num contexto competitivo como é o do clube da Luz. A solução encontrada foram alguns empréstimos em Portugal e Espanha, sendo que o que teve mais sucesso acabou por ser no Nacional da Madeira, onde inclusive marcou dois golos no Estádio do Dragão.

No regresso aos encarnados, para a época 2009/2010, foi encontrada a melhor forma para retirar de Coentrão todo o seu potencial, para que pudesse ser um jogador para ter impacto imediato no Benfica: a sua adaptação ao lado esquerdo da defesa, para se tornar aquilo que chamamos hoje o “lateral moderno”, com muito mais peso a nível ofensivo do que defensivo. Uma alternativa encontrada por Jorge Jesus, que fez com que o homem das Caxinas fosse um elemento absolutamente preponderante na conquista do campeonato, acabando a época com 3 golos e 10 assistências. Apesar de na época seguinte o Benfica não ter conseguido revalidar o título, Coentrão voltou a protagonizar uma excelente época, que lhe valeu uma milionária transferência para o Real Madrid (30 milhões de euros), pela mão de José Mourinho, então treinador dos merengues.

Foi exactamente sob a orientação do técnico português que Coentrão teve a sua melhor época desde que abandonou a Luz. Apesar da presença de um jogador como Marcelo, o internacional português conseguiu afirmar-se nas duas primeiras épocas foi sempre muito utilizado – e muitas vezes como titular -, mas foi na época 2013/2014 que tudo se começou a complicar, e quando as primeiras lesões começaram a aparecer. O empréstimo ao Mónaco parecia uma forma de catapultar a carreira, e o início foi extremamente promissor, mas as lesões voltaram, e até à época passada, Coentrão viveu um autêntico calvário a nível físico. Agora, o desafio que se coloca perante Fábio é o grande rival do clube onde foi mais feliz: o Sporting. Uma hipótese de ouro para o internacional português catapultar os seus últimos anos ao mais alto nível.

Foto: UEFA.com

O Melhor Cenário

Mantendo-se saudável do ponto de vista físico, é completamente indiscutível a qualidade de Fábio Coentrão. É um jogador dinâmico, com grande capacidade ofensiva e de fazer todo o flanco, inteligência para explorar todas as zonas do campo, seja exterior ou interior, características que no contexto do futebol português têm uma influência tremenda naquilo que se pede a um emblema que luta para ser campeão. Coentrão pode encontrar finalmente, com Jorge Jesus, a forma de dar a volta às dificuldades encontradas nos últimos anos, trabalhando com o técnico que fez ele o jogador que é hoje, e um lateral que outrora foi dos melhores do mundo. Até porque há um campeonato do mundo para disputar em 2018, e todos os minutos contam se Fábio quiser ainda alcançar uma grande competição pela equipas das Quinas.

A sua chegada ao Sporting vem, acima de tudo, tentar apagar um problema há muito presente no clube, que é a ausência de soluções que sejam uma verdadeira mais valia no lado esquerdo da defesa. O último a passar com relativo sucesso foi Jefferson, mas desde a segunda metade da época de Marco Silva no comando dos leões que tem caído a pique em termos exibicionais, sendo inclusive este ano emprestado ao Sporting de Braga. Coentrão é, sem ponta de dúvida, o melhor lateral-esquerdo a figurar nas fileiras do Sporting nos últimos largos anos, e só por aí é automaticamente um grande acréscimo de qualidade ao plantel. Até porque há um elemento nos bastidores em Jonathan Silva, que poderá aprender muito com a experiência e o conhecimento do lateral português.

O Pior Cenário

Se Coentrão não conseguir manter índices físicos aceitáveis, e apesar de ser apenas uma contratação para o imediato – visto tratar-se de um empréstimo -, concluirá mais um ano em que o Sporting não consegue ter um elemento de qualidade numa zona importantíssima do terreno, e que tem sido uma das mais problemáticas do sector defensivo leonino. E aqui voltará a soar o alarme da questão dos empréstimos de jogadores que não conseguem tempo de jogo nos seus clubes de origem, e que acabam por ser apenas mais um problema, como foi o caso de Markovic na época passada. Também do ponto de vista desportivo, se Coentrão fizer uma boa época, e ajudar o Sporting a conquistar títulos, será difícilimo (para não dizer impossível) que continue a atuar de verde-e-branco, dado o seu elevado vencimento e o facto de o Real Madrid ainda poder fazer um encaixe financeiro com a sua venda. Deste ponto de vista, trata-se uma solução para o curto prazo, que nada resolve a médio/longo prazo um probema que tem sido recorrente.

Veredito

Não existem muitas dúvidas que o principal ponto de interrogação na contratação de Fábio Coentrão é somente o cepticismo perante a sua condição física. As suas principais características, apesar de algo limitadas não só pelas lesões mas também pela idade, continuam a estar presentes, e é um enorme acréscimo de qualidade e competitividade a um clube sedento de regressar às vitórias. Será talvez a derradeira oportunidade de Coentrão relançar a sua carreira a nível internacional, estando já perto dos 30 anos. Em Junho do próximo ano disputa-se o Campeonato do Mundo, e será certamente com olhos postos na competição que o homem das Caxinas encara o desafio em Alvalade.

Cabe também ao clube leonino fazer a melhor gestão possível de um activo valioso e que pode ser um elemento diferenciador num campeonato como o português, em que a presença de laterais de características claramente ofensivas é decisiva (nos últimos anos, Grimaldo, Alex Telles, Nélson Semedo, ou os próprios Alex Sandro e Danilo são os exemplos mais evidentes) para o sucesso a nível interno. A expectativa é grande no reino do leão, num ano em que é obrigatório voltar a ganhar.

Foto: Público
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Ruben CardosoMaio 26, 201713min0

Acabada mais uma época de “seca” em Alvalade, e com uma recta final de campeonato algo turbulenta, a hora é de efetuar um balanço intensivo ao que impediu o Sporting de, 15 anos depois, alcançar o título nacional – para além de mais um ano afastado das decisões nas restantes competições. Analisamos alguns dos aspectos principais que marcaram a época, e levam ao aumentar da tensão no reino do leão, na antecâmara de uma temporada que promete ser decisiva.

No final de 2015/2016, poucos seriam aqueles que esperariam que a presente época do Sporting trouxesse um sentimento de regressão e de “paragem no tempo”, na evolução que os leões tinham registado na primeira temporada com Jorge Jesus no comando dos destinos da equipa. Um recorde de pontos alcançado no campeonato, futebol atractivo, baseado na performance de elementos como João Mário, Slimani ou Bryan Ruiz, uma massa associativa crente nos destinos da equipa, e um desempenho que acima de tudo trazia esperança para o universo leonino, de que o Sporting estaria cada vez mais perto de se voltar a sagrar campeão nacional.

O desfecho da época não podia ter causa sensações mais inversas e contrárias ao que se esperava. O clube ficou arredado de praticamente todas as competições entre Dezembro e Janeiro, e a miragem do campeonato não passou disso mesmo – quando poderia haver uma hipótese de aproximação aos dois primeiros, o Sporting vacilou. Sequência de uma série de más decisões, tanto a nível de contratações, gestão do plantel e comunicação, que fizeram com que os alarmes voltem a soar em Alvalade, e apesar de Jesus já ter anunciado que irá continuar, a margem de erro está em níveis mínimos, pelo que a próxima época poderá ser derradeira, não só para o técnico, como para Bruno de Carvalho.

O vazio de João Mário

Após ser anunciada a sua saída para o Inter de Milão, poucos esperariam que a saída de João Mário causasse um impacto tão significativo no onze leonino. Não só pela influência que o médio tinha em toda a manobra ofensiva e defensiva da equipa, mas também porque a sua saída obrigou a uma modificação profunda na forma de jogar da equipa. Se o Sporting da primeira época de Jesus procurava variar a sua forma de jogar, controlando sempre a posse de bola de forma dinâmica e proactiva, e sempre na busca de soluções explorando todas as zonas do terreno, já este ano muito da produção ofensiva da equipa veio em exclusivo dos flancos.

Saindo João Mário, a escolha óbvia para a posição recaiu sobre Gelson Martins, que já havia sido bastante utilizado por Jesus na temporada anterior. Um jogador quase exasperante de ver jogar, devido à sua vertigem e à sua capacidade de desequilibrar no 1×1, uma qualidade no drible de cortar a respiração, mas que forçou a equipa a adaptar-se ao seu estilo de jogo. O Sporting deixou de ser uma equipa imprevisível, devido à dinâmica implementada por Ruiz e João Mário, para ser uma equipa facilmente anulável, pois Gelson ainda é um jogador a tentar aperfeiçoar-se e a conseguir modificar o seu jogo dependendo das circunstâncias do mesmo. A incrível quebra de forma de Ruiz foi também um factor decisivo para esta situação, mas mesmo as alternativas, como Campbell e Bruno César, nunca conseguiram devolver à equipa outra capacidade de encarar o jogo e de explorar zonas mais promissoras do terreno no momento ofensivo.

Foto: Gazzetta dello Sport

Contratações sonantes – mas apenas isso

Na primeira época de Jorge Jesus, o principal objectivo de Bruno de Carvalho era de conseguir dar à equipa soluções suficientes para criar um onze forte para atacar o campeonato, e principalmente opções que trouxessem experiência a uma equipa maioritariamente ainda jovem. As contratações de elementos como Bryan Ruiz e Teófilo Gutiérrez, elementos que tiveram um impacto muito significativo no modelo de jogo, foram talvez as melhores aquisições da época desportiva – para além de Coates, que viria a ser adquirido em definitivo já durante este ano.

Este ano, e olhando para o que foram a totalidade das contratações, o paradigma mudou significativamente. As aquisições foram feitas em muito maior número, para dotar o plantel de uma profundidade suficiente para fazer frente a todas as competições, incluindo a Liga dos Campeões. Quem visse os novos reforços do Sporting no início da época desportiva, estaria longe de imaginar que apenas 2 deles iriam ter um verdadeiro impacto na equipa titular.

Bas Dost – foi o verdadeiro abono de família da equipa, com a saída de Islam Slimani. O panzer holandês rubricou numa época fabulosa, com números de tal ordem incríveis que esteve praticamente até à última jornada na luta pela Bota de Ouro Europeia. 34 golos em 31 jogos para o campeonato é uma marca de registo, e que faz pensar o que seria o Sporting desde ano sem a presença de um homem como Bas Dost na frente de ataque. 10 milhões que valeram cada cêntimo.

Foto: Record

Alan Ruiz – a pré-época não foi brilhante, mas este parecia um “projecto JJ” – um jogador para crescer com o técnico leonino, passar pelo habitual processo de adaptação ao futebol português, e para Jesus moldar. Um investimento avultado, na ordem dos 8.5 milhões de euros, mas que apesar de ter tido um ínicio tímido, teve o seu momento alto na segunda metade da época, quando se afirmou decididamente como a melhor opção para apoiar Bas Dost na frente de ataque. Vários golos e assistências, que prometem um 2017/2018 ainda melhor.

Joel Campbell & Lazar Markovic – aqui entramos no campo das contratações a pensar no curto-prazo, puramente. Empréstimos de jogadores razoavelmente consolidados, e que seriam claras mais-valias na realidade do campeonato português. A verdade é que, à excepção de alguns momentos esporádicos do costa-riquenho do Arsenal, nenhum dos dois foi capaz de dar à equipa aquilo que era pretendido na altura em que foram recrutados. Markovic, depois das lesões, é uma sombra daquilo que mostrou na Luz, e que fez o Liverpool gastar 20 milhões de euros por ele, enquanto que Campbell procurava um clube para poder ganhar minutos, e tentar nova oportunidade no Emirates. Nenhum conseguiu chegar perto das expectativas criadas sobre si.

Foto: O Jogo

Elias, Douglas e André – o trio de brasileiros, segundo rezam as “lendas”, foram pedidos expressos de Jorge Jesus, sendo que os dois primeiros já eram pretendidos pelo técnico leonino nos tempos em que treinava o Benfica. Elias não teve uma primeira passagem feliz por Alvalade, e dada a forma como abandonou o clube, era pouco expectável que fosse regressar. No entanto, na iminência de uma saída de Adrien, o clube agiu, e recrutou o ex-Corinthians para tentar compensar o lugar deixado pelo capitão. Elias ficaria na sombra, até ao momento em que Adrien se lesionou com alguma gravidade, e o médio brasileiro foi chamado a intervir. Foi o culminar da pior série de jogos da época, em que a equipa pareceu sempre totalmente desequilibrada em campo, e com Elias muitas vezes perdido na sua missão de substituir um dos médios mais influentes do campeonato – sendo que viria a sair a meio da época. André chegou ao Sporting como uma alternativa de recurso, e para acrescentar profundidade à posição de avançado, mas fora raríssimas excepções, nunca foi capaz de mostrar a qualidade que os leões precisavam, acabando também por regressar ao Brasileirão no mercado de Inverno. Já Douglas era uma contratação já há muito desejada pelo clube, e que se veio a concretizar, mas que causou pouco ou nenhum impacto na equipa inicial – Paulo Oliveira e Semedo tomaram sempre conta da posição ao lado de Coates.

O regresso da juventude

A meio da época, e vendo que a situação desportiva estava na iminência de se deteriorar severamente, Bruno de Carvalho teve que tomar uma decisão: encurtar o plantel ao máximo, na medida de começar a resolver eventuais problemas que pudessem surgir no futuro. Elias, André, Meli saíram do plantel em definitivo, enquanto que Petrovic foi emprestado ao Rio Ave. No entanto, o grande destaque do mercado de Inverno leonino foi outro.

Com a saída de jogadores considerados mais experientes, o Sporting fez regressar alguma da juventude emprestada na Primeira Liga. Podence e Geraldes, vencedores da Taça da Liga pelo Moreirense, foram dois elementos que rubricaram uma primeira metade de época soberba, sendo que também André Geraldes e Ryan Gauld também regressaram do empréstimo ao Vitória Futebol Clube. Podence, em particular, regressou com claras indicações de que, dadas as dificuldades de adaptação de Alan Ruiz na altura, o pequeno avançado leonino teria a sua oportunidade. Um festival de irreverência, velocidade, que com certeza verá muito mais oportunidades na próxima época.

A expectactiva será que, com o início de 2017/2018, regressem mais jovens jogadores às fileiras do clube de Alvalade. Um nome em particular tem estado sobre os holofotes do campeonato português. Iuri Medeiros revolucionou por completo a equipa do Boavista, sendo constantemente o jogador em foco, aquele que conseguiu sempre elevar o nível exibicional da equipa para outros patamares competitivos. A próxima temporada desportiva será decisiva, pois Iuri não pode continuar a ser esquecido pelos dirigentes leoninos, depois de dois empréstimos de grande sucesso no campeonato português. Depois dos falhanços que se revelaram Markovic e Campbell, é crucial que a “prata da casa” seja vista com maior atenção.

Foto: Record

O estranho caso de Chico

O caso de Francisco Geraldes é, em particular, o mais interessante. Quem acompanhou a época de Chico em Moreira de Cónegos, teve a possibilidade de apreciar a elegância e inteligência de um jogador raro no futebol português, por vários motivos. O primeiro, é que Chico é um jogador ambidestro que, apesar de ter o pé direito como favorito, consegue jogar em perfeitas condições com o pé esquerdo, a todos os níveis, o que lhe dá uma versatilidade em campo muito significativa. Depois, é um jogador com uma amplitude territorial fantástica e acima de tudo, sem qualquer medo em ter a bola. Capaz de desequilibrar em progessão ou através do passe, é um híbrido que, em circunstâncias ditas normais, seria um elemento com entrada praticamente direta no onze do Sporting.

Uma das principais bandeiras do esquema montado por Jorge Jesus na temporada anterior foi o aproveitamento das alas para incluir jogadores com outra capacidade de construção, e não extremos puros de linha e desequilíbrio. A adaptação de João Mário (que já tinha desempenhado a posição nos sub-21) ao lado direito do meio-campo proporcionou ao Sporting um jogador com grande capacidade com bola, de progressão e com uma qualidade no momento da decisão ímpar no plantel. Do outro lado, Bryan Ruiz fazia as delícias dos adeptos, e foi seguramente a grande desilusão da presente época. O costa-riquenho teve uma queda abrupta de rendimento a todos os níveis, e fala-se inclusive da sua saída como uma certeza. Francisco Geraldes será, porém, um bom equilíbrio entre estes dois jogadores. Sem ter as rotinas de avançado de Ruiz já possuia dos tempos do Twente, nem o pulmão de João Mário para conseguir manter o seu rendimento durante os 90 minutos, Francisco tem uma dinâmica quase refrescante no momento em que se posiciona no centro do terreno. Capaz de aparecer entre-linhas, de descer no terreno para começar a construção, poderá ser, assim o treinador do Sporting queira, um elemento fundamental não apenas no plantel, como até no onze inicial – seja em que posição for.

Foto: Record

O ano derradeiro de Jesus e Bruno de Carvalho

Estamos prestes a entrar na terceira época de Jorge Jesus ao comando do Sporting – isto se os rumores da saída para o PSG não se confirmarem. Uma época em que o campeonato fugiu apenas por 2 pontos; e outro em que o clube ficou fora de praticamente todas as competições a meio da época, e com uma clara regressão na qualidade exibicional. Bruno de Carvalho venceu as eleições de Março de maneira categórica, mas já deu a entender na recta final da época que, caso o Sporting não se sagre campeão em 2017/2018, ponderará anunciar eleições antecipadas. O projecto inicial, em 2013, era de fazer do Sporting campeão no período de 5 anos – mas estes já passaram, e entramos num ano de decisões. O clube terá que voltar a afirmar-se como candidato ao título, na antecâmara de uma época onde o Benfica procurará fazer história novamente, conquistando o pentacampeonato, e onde o Porto voltará a apostar tudo na conquista do título que foge há 4 anos.

Certo é, que o planeamento da época leonina está a ser feito com alguma antecedência, com já algumas contratações efetuadas que, para além de trazerem a necessária profundidade ao onze inicial, trazem com eles experiência no campeonato português ou na Europa. No entanto, há jogadores no plantel imensamente cotados no panorama europeu, e que com nova competição de selecções a ocorrer em breve, poderá trazer de novo os holofotes sobre elementos como Adrien, Rui Patrício, William Carvalho e Gelson. Depois de uma época marcada pelo fracasso em todas as competições, poderá ser hora de uma das jóias da coroa abandonar o clube, não só para manter a saúde financeira, mas também para permitir um investimento sério na reconquista do título, 16 anos depois.

Foto: Maisfutebol
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Ruben CardosoJaneiro 26, 20175min0

Miguel Ângelo da Silva Rocha. No mundo do futebol, Xeka. É, possivelmente, um dos nomes mais entusiasmantes a surgir nos últimos anos no campeonato português, principalmente devido ao seu quase súbito aparecimento no Sporting de Braga. O Fairplay traz-lhe a análise a um dos elementos mais promissores nos sectores intermédios da Liga NOS, com o apoio do Talent Spy.

Nos últimos anos, os escalões de formação portugueses têm sido especialmente frutíferos em criar jogadores para o meio-campo, com capacidade para chegar a um patamar competitivo médio-alto, principalmente olhando para a formação dos três grandes (com elementos como William, João Mário, Renato Sanches ou Rúben Neves), mas também para casos como Danilo Pereira e André Horta, que cresceram e ainda crescem num contexto competitivo mais elevado.

Xeka é apenas mais um dos exemplos do bom trabalho das academias nacionais, na hora de formar excelentes médios, com características únicas para brilhar no futebol. Fez o seu processo de formação entre o Paços de Ferreira e o Gondomar, sendo que em 2011 aceitou o desafio do Valencia para rumar a Espanha, reforçando os escalões de formação do emblema che. A aventura não correu da melhor forma, voltando no ano seguinte aos castores. Logo nessa época começou a jogar nos juniores do Paços, até que surgiu a proposta do Braga.

O percurso de Xeka. Fonte: Soccerway

Depois de um frutífero empréstimo ao Sporting da Covilhã, tendo efetuado 35 jogos na época transata, Xeka finalmente foi aposta na equipa principal dos bracarenses, pela mão de José Peseiro, tendo a sua estreia no dia 15 de Outubro, num encontro frente à Oliveirense, para a 3ª eliminatória da Taça de Portugal. Impressionou de tal forma que fez a sua estreia no campeonato apenas 9 dias depois, fazendo os 90 minutos frente ao Desportivo de Chaves. Desde esse jogo, Xeka não mais voltou à equipa B, assumindo-se como um jogador que começava a crescer num contexto mais competitivo.

O jovem médio do Braga é, acima de tudo, um jogador com características muito particulares, e raras num jogador que ocupa a sua posição. Apesar de ter uma compleição física interessante (1.86m e quase 80kg), as principais virtudes que sobressaem em Xeka são as suas qualidades com a bola nos pés, mais do que a sua capacidade defensiva ou o seu poderio físico. Revela um entendimento do jogo apuradíssimo que lhe permite encontrar soluções em quase todos os momentos, solicitando os colegas ou ele próprio queimando linhas através da progressão.

A forma como é capaz de distribuir jogo a partir de zonas recuadas facilita drasticamente toda a construção de jogo do Braga, principalmente depois da saída de um elemento com outra capacidade criativa em zona avançada como era Rafa. Não só através do passe Xeka é capaz de desequilibrar, mas também ele é capaz de tomar a iniciativa, progredindo com bola, e criando problemas na zona intermédia do adversário. É um jogador com alguma mobilidade, conseguindo estender-se pelo campo à medida que o resto da equipa se movimenta, seja pelos flancos ou pela zona central.

É um elemento ainda jovem, e fruto do seu futebol mais refinado e técnico, ainda tende a por vezes exagerar nas suas acções individuais, e não prima por colocar muita intensidade no seu jogo, pois por norma aparece sempre bem posicionado, sem necessidade de “correr atrás” para compensar um erro. Já engloba em si todas as características necessárias para brilhar ao mais alto nível, faltando agora um treinador que lhe possa passar os estímulos necessários para crescer nesse sentido. Se o fizer, poderá ser mais um nome a ter em conta para a lista de Fernando Santos na seleção nacional.

BOA OPÇÃO PARA…

Três Grandes – Qualquer uma das grandes equipas do campeonato português beneficiaria bastante com a adição de um elemento como Xeka, em particular Benfica e Sporting (visto que, com Danilo e Rúben Neves, o Porto já tenha a posição devidamente acautelada). Desde logo, poderia ser uma opção a ter em conta para substituir William CarvalhoFejsa, nos respectivos clubes. Encontraria um contexto mais competitivo ainda que o do Braga, e oportunidades para poder mostrar todo o seu futebol em equipas que lutam por títulos e participam com frequência nas competições europeias.

Sevilla – Com uma eventual saída de N’Zonzi no final da época, ou mesmo que o francês não abandone a Andaluzia, Xeka poderia ser uma opção interessante para Jorge Sampaoli trabalhar. É um jogador combativo q.b., e que dá à equipa atributos com bola que poderiam interessar bastante ao técnico argentino. Não só encontraria um contexto fantástico para crescer, um clube que está em clara evolução, um campeonato extremamente competitivo, e uma nova realidade que poderia catapultar o seu futebol para outro patamar. Poderá ser um passo demasiado grande? É uma afirmação subjectiva, no sentido em que os bons jogadores não terão dificuldades em adaptar-se a uma realidade mais exigente.

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Ruben CardosoJaneiro 20, 20176min0

Sebastián Coates na mira do Benfica; Lyon garante contratação de Depay; Ex-Benfica a caminho da Chapecoense; Com a saída de Soares, Vitória procura reforçar-se com um velho conhecido do campeonato português; Gerrard volta ao futebol, para apoiar os escalões de formação do Liverpool.

OFICIAL

  • Memphis Depay  foi apresentado como reforço do Lyon, sendo que vai ter na camisola o #9. O ex-jogador do Manchester United chega ao emblema francês por uma verba a rondar os 16,5 milhões de euros, sendo que pode chegar aos 24,5 milhões mediante alguns objectivos. : Foi, acima de tudo, uma saída muito precoce, e um passo demasiado grande para o jovem jogador holandês, quando trocou a Eredivisie pela Premier League, e ainda mais notório quando chegou a um emblema com a exigência dos red devils. É um elemento com uma qualidade técnica muito elevada, com capacidade de desequilíbrio, no entanto, não se conseguiu adaptar a um futebol mais rígido como o inglês, e tentará agora a sua sorte às ordens de Bruno Genésio, num campeonato mais talhado para as suas características.

  • Artur Moraes, guarda-redes ex-Benfica e Braga, reforça a Chapecoense, assinando um contrato válido por uma temporada.
  • Marco Silva teve um dia movimentado, com Jack Livermore a abandonar o Hull City, para ingressar no West Brom, a troco de cerca de 12 milhões de euros, mas conseguindo a contratação de Omar Elabdellaoui, lateral proveniente do Olympiakos de Paulo Bento.  : Ainda antes de o técnico português chegar à Premier League, já era falada a possibilidade de Livermore deixar os tigers, facto que veio a ser consumado esta Sexta-Feira. Era um elemento influente no onze inicial e no balneário, mas nas palavras do próprio Marco Silva, será uma transferência que permitirá ao Hull atacar o mercado para garantir alguns reforços, sendo que o primeiro é o lateral norueguês, que vem reforçar uma posição algo “manca”, a carecer de qualidade no capítulo ofensivo.

  • Aston Villa garante a contratação de Henri Lansbury, ex-jogador do Nottingham Forest.
  • Bruno Zuculini (Manchester City) parte para mais um empréstimo, desta vez para o Hellas Verona, depois de ter passado a primeira metade da época no Rayo Vallecano.
  • Cristian Rodríguez está de volta ao futebol uruguaio, para representar o Peñarol.
  • O Internacional anunciou a contratação de Alemão, lateral-direito que se notabilizou no último Brasileirão ao serviço do Botafogo. O clube de Porto Alegre garantiu também a contratação de Klaus, ex-Juventude.
  • Gerard Deulofeu, entusiasmante extremo espanhol do Everton, é reforço do AC Milan até ao final da temporada, por empréstimo. O jovem de 22 anos poderá assim ganhar mais tempo de jogo, que não tem conseguido obter sob o comando de Ronald Koeman. : Um bom reforço para os rossoneri, que podem ter em Deulofeu uma espécie de Suso, tentando aproveitar o talento de um jogador que tem falhado em corresponder ao potencial que se lhe reconhece. Poderá ter em Milão derradeira oportunidade para provar ao mundo que continua a ser um dos elementos mais promissores a sair da formação do futebol espanhol.https://twitter.com/acmilan/status/822515914251698176
  • Standard Liége garante a contratação de Razvan Marin, médio romeno de 20 anos, proveniente do Viitorul.
  • Depois de abandonar a carreira de futebolista, Steven Gerrard aceitou o convite do Liverpool para integrar a estrutura do clube, especificamente a equipa técnica dos escalões mais jovens dos reds.
  • Antonio Floro Flores, experiente avançado italiano, é reforço do Bari, que procura reforçar o ataque para ainda sonhar com a subida à Serie A.

RUMORES

  • Depois do caso de André Carrillo, poderemos estar em vias de ver nova troca Sporting-Benfica, com Sebastián Coates na mira dos encarnados para reforçar o eixo defensivo. As notícias apontam para um contrato até 2022, com um salário na ordem dos 1,4 milhões de euros anuais líquidos. (RR e O JOGO);
  • Gastón Ramirez, um dos elementos mais influentes do Middlesbrough, poderá ser mais um reforço de Ranieri no Leicester. Em sentido inverso, Leonardo Ulloa já fez chegar aos responsáveis do clube a sua vontade de rumar a outras paragens. (Sky Sports)
  • Jucilei, médio brasileiro do Shandong Luneng, deverá ser reforço do São Paulo, sendo que apenas faltarão alguns detalhes para acertar a transferência.(Esporte)
  • Danilo, médio do Braga que passou a primeira metade da época emprestado ao Benfica, já está na Bélgica para acertar novo empréstimo, desta feita para o Standard de Liége. (Maisfutebol)
  • David N’Gog, ex-avançado do Liverpool que representa agora o Panionios, está na mira do Boavista para reforçar o ataque dos axadrezados. (Zerozero)
  • Beto da Silva, promissor avançado do PSV Eindhoven, poderá ser reforço do Grêmio. (ESPN)
  • Segundo alguns rumores em Inglaterra, Sergio Agüero poderá estar na iminência de abandonar o Etihad, depois de algumas divergências com Pep Guardiola. (Bleacher Report)
  • Depois de várias tentativas, o West Brom terá finalmente aceitado uma proposta por Saido Berahino, com o atacante agora a acertar os detalhes do contrato com o Stoke City. (Sky Sports)
  • Marselha já comunicou ao West Ham que apenas chegará aos 30 milhões de euros por Dimitri Payet. (L’Équipe)
  • Carl Jenkinson (Arsenal) poderá estar a caminho do Crystal Palace, segundo as últimas declarações de Sam Allardyce. (Daily Mail)
  • Rafael Martins (Levante) é o alvo do Vitória SC, para suprir a saída de Tiquinho Soares. (O JOGO)
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Ruben CardosoJaneiro 8, 20173min0

Conte chama Aké de volta; Felipe Melo reforça o verdão; Troca Llorente-Michy iminente na Premier League; Gilardino assina pelo seu 10º clube em Itália; Julian Brandt rejeita o Bayern; Dele Alli, possivelmente a grande história do Verão.

OFICIAL

  • Felipe Melo é o mais recente reforço do Palmeiras. O médio brasileiro ex-Inter de Milão chega aos campeões em título, para reforçar o meio-campo e acrescentar mais experiência a um conjunto jovem.
  • Confirma-se o maior receio dos adeptos do Bournemouth. O Chelsea ordenou o regresso de Nathan Aké ao plantel dos blues, depois de ter passado metade da temporada emprestado ao conjunto orientado por Eddie Howe. fp: É um duro golpe para os cherries, que se vêem privados de um dos elementos de maior qualidade no plantel. Aké tem sido uma das boas surpresas da Premier League, e volta então a Stamford Bridge, possivelmente para dar alguma profundidade ao sector defensivo de Antonio Conte.
  • Lucas Alcaraz renova o seu contrato com o Granada até Junho de 2018.
  • Alberto Gilardino confirmado como reforço do Pescara. O experiente avançado chega então ao seu 10º clube no campeonato italiano, depois de na primeira metade da época ter representado o Empoli.
  • Hernan Toledo (Fiorentina) emprestado ao Las Palmas até ao final da temporada.
  • Zhou Haibin troca o Tianjin Teda pelo Shandong Luneng. fp: Contratação surpreendente dado o estatuto de Zhou Haibin na equipa do Tianjin Teda – capitão e titular absoluto. As chegadas de Obi Mikel e Gudelj reduziram espaço ao experiente médio que decidiu rumar ao Shandong. Reforçará, sobretudo com muita experiência, o meio-campo dos Guerreiros Laranjas cujo sector revelou imensas dificuldades a nível táctico e essencialmente a nível qualitativo.
  • Depois de uma experiência falhada na Turquia, ao serviço do Osmanlispor, Cheick Diabaté reforça o Metz por empréstimo, contemplando uma cláusula de compra obrigatória.
  • O internacional panamiano Harold Cummings, ex-Alajuelense, é o mais recente reforço dos San Jose Earthquakes.
  • A baliza dos Chicago Fire já conhece o seu novo dono. Trata-se do veterano uruguaio Jorge Bava, ex-Atlético Bucamaranga.

RUMORES

  • Troy Deeney (Watford) poderá estar na mira do Hebei Fortune, estando na disposição de oferecer 28 milhões de euros pelo avançado inglês. (Skysports)
  • Antonio Conte procura reforçar o ataque do Chelsea, e Fernando Llorente (Swansea) poderá ser o alvo, com Michy na porta de saída. (Marca)
  • Jack Wilshere (Arsenal) é um dos nomes na lista de Milan e Roma para a próxima época. (Tuttomercato)
  • Julian Brandt (Bayer Leverkusen) terá rejeitado uma proposta do Bayern para reforçar os bávaros na próxima época. (Bild)
  • A luta por Dele Alli (Tottenham) promete aquecer o próximo verão, com Barcelona e Real Madrid a serem os clubes em melhor posição para garantirem os serviços do médio inglês. (Guardian)
  • Dayro Moreno (Tijuana) está a horas de assinar pelos colombianos do Atlético Nacional. (Vavel)
  • Lucas Melano (Portland Timbers) pode estar de saída da MLS, a caminho da Argentina. (The Oregonian)
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Ruben CardosoJaneiro 7, 20173min0

Garcia Pitarch abandona o Valencia; Guardiola pretende reencontrar Badstuber; Krkic é um dos alvos preferenciais do Middlesbrough; Ricardo Carvalho poderá ser o “novo chinês”; Calvário de Sakho prestes a terminar, com o interesse do Southampton no central francês.

OFICIAL

  • Depois da demissão de Cesare Prandelli, foi a fez de Garcia Pitarch abandonar a estrutura técnica do Valencia. fp: Mais uma machadada no emblema che, desta vez num dos nomes fortes que compunham a estrutura montada por Peter Lim. Pitarch já estava na mira da fúria dos adeptos e de alguns notáveis do clube, devido à qualidade duvidosa de alguns reforços, e depois da saída de Prandelli, a sua imagem ficou ainda mais fragilizada. A cada dia que passa, está cada vez mais próxima a sombra negra da descida de divisão.
  • Trabzonspor acciona a opção de compra, e adquire Fábian Castillo, ex-FC Dallas, de forma definitiva.
  •  Jesus Dátolo é reforço do Vitória, depois de terminar o seu vínculo contratual que o ligava ao Atlético Mineiro.
  • Adanaspor garante a contratação de Charles Itandje, guarda-redes costa-marfinense que era um jogador livre, depois de abandonar o Gaziantepspor.
  • Real Salt Lake anuncia a contratação de Albert Rusnák, promissor médio-ofensivo eslovaco de 22 anos, proveniente do Groningen.
  • Lewis Page, lateral esquerdo inglês de 20 anos, troca o West Ham pelo Charlton, assinando um contrato válido para as próximas 2 épocas e meia.
  • Milan Jevtovic (Antalyaspor) reforça o Rosenborg a título de empréstimo, válido até ao final da presente temporada.
  • Club Brugge mexe-se no mercado, assegurando as contratações do lateral-direito colombiano Helibelton Palacios (ex-Deportivo Cali), e do médio-ofensivo holandês Lex Immers (ex-Cardiff).
  • Guy Demel, ex-internacional pela Costa do Marfim, agora com 35 anos, é reforço do Red Star FC, proveniente do GS Consolat.

RUMORES

  • FC Dallas aponta a Julio Chiarini (River Plate) para reforçar a baliza do emblema texano. (El Liberal)
  • Depois dos recentes anúnios de Obi Mikel e Gudelj como as novas contratações do mercado chinês, as atenções viram-se agora para Lukas Podolski (Galatasaray), sendo que o Beijing Guoan estará interessando em contratar o internacional germânico. Não só o alemão, mas também Ricardo Carvalho estará na mira do Shanghai SIPG, emblema treinado por André Villas-Boas.  (Tuttomercato)
  • Antonio Conte estuda a possibilidade de fazer regressar Nathan Aké já nesta janela de transferência, na sequência das excelentes exibições que o médio tem protagonizado ao serviço do Bournemouth. (Skysports)
  • Aly Cissokho, lateral ex-Porto e Vitória FC, poderá estar a caminho do Olympiakos. (Calciomercato)
  • Alberto Gilardino deverá assinar um contrato válido até ao final da temporada com o Pescara, tendo representado o Empoli na primeira metada da temporada. (Gazzetta dello Sport)
  • O Manchester City poderá ser o destino de Holger Badstuber, central do Bayern. Guardiola pretende contar com o central alemão por empréstimo até ao final da época, ficando com opção de compra. (Guardian)
  • Após apresentar a sua intenção de sair, José Fonte poderá já ter um substituto no Southampton, com o emblema de Claude Puel atento à situação de Mamadou Sakho (Liverpool). (L’Équipe)
  • Vadim Demidov (Brann) e Adam Kwarasey (Rosenborg) são alvos do Minnesota United. (FiftyFive)
  • Aitor Karanka admite publicamente que Bojan Krkic (Stoke City) é um dos alvos do Boro para este mercado de transferências. (Daily Mail)
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Ruben CardosoJaneiro 2, 20175min0

Axel Witsel confirma que irá jogar na Chinese Super League; Ryan Babel assina pelo Besiktas; Saídas e entradas no Belenenses; Joey Barton de regresso ao Burnley; Luiz Gustavo na mira da Juventus; Dries Mertens começa a despertar a atenção dos colossos ingleses.

OFICIAL

  • Ryan Babel é reforço do Besiktas. O extremo holandês troca assim o Deportivo pela capital turca, numa transferência cujos valores envolvidos não foram revelados, mas que irá unir o clube turco e o ex-Liverpool por duas temporadas e meia. Será assim companheiro de algumas caras conhecidas, como Quaresma, Talisca e Aboubakar. fp: Voltou aos holofotes do futebol europeu quando assinou pelos emblema da Galiza, e depois de uma primeira metade de temporada com alguns pontos positivos, fará provavelmente o seu último grande contrato, num clube de nível médio como é o Besiktas, que está na luta pelo campeonato turco. Ainda se mantêm algumas das características que fizeram de Babel um dos jogadores holandeses mais promissores da última década da Laranja, no entanto a sua frescura física começa a deteriorar-se, e possivelmente não será uma opção indiscutível no onze montado por Senol Gunes.
  • Thomas Delaney, médio e capitão do FC Copenhaga, é a mais recente contratação do Werder Bremen. O jogador belga reforça a equipa de Alexander Nouri, num contrato válido até 2021.
  • Joey Barton (Glasgow Rangers) está de volta ao Burnley, assinando um contrato com os Clarets até ao final da temporada.
  • No 96º aniversário do Cruzeiro, o presidente anunciou que Thiago Neves será reforço da Raposa, tendo ainda que tratar da desvinculação com o Al-Hilal.
  • Se passar nos habituais exames médicos, Axel Witsel (Zenit) será reforço do Tianjin Quanjian. O anúncio foi feito pelo próprio Witsel, que assim ruma ao campeonato chinês, recusando uma proposta da Juventus. fp: A última “excentricidade” do mercado chinês, depois dos anúncios de Óscar e Tévez. Witsel é um jogador que já tinha alguma reputação no contexto do futebol europeu, depois de passagens com muito sucesso pelo Benfica e pelo Zenit, mas quando parecia que teria tudo acertado para reforçar a vecchia signora, o belga assume que a proposta do Tianjin era irrecusável, e consegue assim, aos 28 anos, rubricar o seu grande contrato da carreira (deverá receber um vencimento na ordem dos 20 milhões de euros por ano).
  • Ruca (Vitória FC) vai ser reforço do Tondela, depois de rescindir o contrato com os sadinos.
  • Marin Sverko, jovem promessa croata do Karlsruhe, irá reforçar o Mainz na próxima temporada, mantendo-se emprestado até ao final da época ao emblema que milita na 2. Bundesliga.
  • Jordar Larsson (Helsingborg) é reforço do NEC Nijmejen. O filho do lendário Henrik Larsson assina um contrato válido para as próximas 3 temporadas e meia com o emblema da Eredivisie.
  • Após o embate com o West Ham, José Mourinho anunciou que Joel Pereira, jovem guarda-redes português que esteve emprestado ao Belenenses, irá regressar ao Manchester United no mercado de Inverno.
  • Hernán Barcos (Sporting) segue por empréstimo para o Atlético Nacional, depois de 6 meses a jogar na mesma condição pelo Veléz Sarsfield.

RUMORES

  • Paul Clement (Bayern Munique), técnico adjunto de Carlo Ancelotti, está em conversações para se tornar o novo técnico do Swansea, depois da saída de Bob Bradley. (Skysports)
  • Junior Flores, jovem das reservas do Borussia Dortmund, parece cada vez mais certo na MLS. Columbus Crew SC e Atlanta United afiguram-se como as principais opções para acolher o médio norte-americano. (Washington Post)
  • Andy Delort (Tigres) pode regressar a França para reforçar o Lorient, último classificado da Ligue 1, por empréstimo até ao final da temporada. (L’Equipe)
  • Scott Hogan, avançado de 24 anos que milita no Brentford, está no radar do RB Leipzig, que pode avançar com uma proposta de 18 milhões de euros pelo inglês, que já leva 14 golos em 26 jogos no Championship. (SkySports)
  • Depois de falhada a contratação de Axel Witsel, a Juventus aponta agora baterias para a contratação de Luiz Gustavo (Wolfsburgo), ainda durante esta janela de transferências. (Calciomercato)
  • A realizar uma época de altíssimo nível, Dries Mertens (Nápoles) começa a suscitar o interesse de vários emblemas ingleses, entre eles Liverpool, Arsenal e Manchester City. (Gazzetta dello Sport)
  • Benfica intensifica interesse em Maksimovic, médio do Astana. (O JOGO)
  • Matheus Pereira (Sporting) poderá estar perto de reforçar o Belenenses, por empréstimo dos leões. (O JOGO)
  • O Aston Villa terá aceite a oferta de 8 milhões de euros do Middlesbrough pelo avançado Rudy Gestede, que deverá concluir os exames médios até ao final desta semana. (Skysports)
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Ruben CardosoDezembro 3, 20167min0

Com quase metade de campeonato jogado, a época do leão tem sido de altos e baixos. Desde exibições de valia contra gigantes europeus, a resultados que roçaram a humilhação, como em Vila do Conde. Mas algo que nunca faltou na análise aos jogos do Sporting, foram as dúvidas em relação às opções de Jesus, e à forma como consegue motivar (ou não) as suas equipas mediante o adversário.

Quando os leões abandonaram o Santiago Bernabéu no passado dia 14 de Setembro, poucos seriam aqueles que colocariam em dúvida a qualidade da exibição que o Sporting protagonizou na capital espanhola, uma performance que poderia catapultar a equipa para novos níveis de motivação e intensidade. Mas cedo a queda ocorreu, e uma nova tendência começou a surgir, logo com a derrota inacreditável em Vila do Conde: após os compromissos europeus realizados até à data de lançamento deste artigo, apenas em duas ocasiões o Sporting conseguiu vencer, somando dois empates e uma derrota.

A componente emocional e motivacional pode ter um papel determinante neste tipo de situações. Com naturalidade, e para qualquer jogador do futebol mundial, o prazer de jogar no Santiago Bernabéu é algo único nas suas carreiras, e que a nível anímico, pode sempre aumentar os índices do mais comum dos jogadores. O mesmo não acontece, obviamente, na altura de receber o Arouca em Alvalade, ou numa deslocação à Choupana. E não acontece pois os jogadores não encaram os jogos da mesma forma, o que num campeonato como o português, pode perfeitamente custar a conquista de um título.

Cabe a Jorge Jesus encontrar o equilíbrio necessário, e gerir as emoções dos jogadores neste capítulo em específico. Mas não apenas de sentimento se faz a situação algo oscilante do leão, na generalidade das competições. Se é verdade que a equipa não tem estado sempre à altura dos desafios que encontra, as opções do técnico leonino são um dos motivos que mais pode levar a contestação por parte do adepto regular do clube. Optar por jogador X em vez de jogador Y, quando é notório à generalidade da opinião pública que o jogador Y tem muito mais qualidade é uma situação que tem sido recorrente ao longo destes anos na vida de Jorge Jesus.

Fonte: Record
Fonte: Record

Uma questão lateral

Desde logo, as escolhas nos laterais têm levantado uma série de dúvidas entre a massa associativa, e inclusive na cabeça do técnico do Sporting. Schelotto e Zeegelaar, os habituais titulares, são os típicos laterais à Jesus, que primam mais pela capacidade física do que técnica, e que apesar de conseguirem subir sem grandes dificuldades no terreno, não têm um leque de recursos que os faça serem imprevisíveis perante os adversários. A opção lógica do lado direito, porém, parece ser a menos valorizada por Jesus. João Pereira, pese embora já ir avançando em idade, continua a ter a clarividência necessária para conseguir diversificar o seu jogo, e tem já uma experiência considerável, vital num conjunto que normalmente prima por alguma juventude. No entanto, a menor frescura física do português pode ser um handicap.

Já do lado esquerdo, as opções não são assim tão fáceis para Jorge Jesus. Entre Zeegelaar e Jefferson, têm sido somados erros incontáveis, e nenhum dos dois chega sequer perto do nível que apresentam as soluções de Porto e Benfica. Uma alternativa que Jesus já explorou na temporada transacta foi a adaptação de Bruno César ao lugar, mas com o bom momento deste em terrenos menos adiantados, não têm sido opção para a lateral esquerda. Jesus pode, no entanto, ainda ter em consideração duas escolhas. Primeiro, Jonathan Silva. O lateral argentino ainda não teve uma verdadeira oportunidade sob a tutela do mister, e parece inclusive ter algumas características que podem agradar ao treinador do Sporting. A outra, muito menos possível, tendo em conta o historial de aposta na formação de Jesus, seria Pedro Empis, que continua a ganhar pontos com algumas prestações de qualidade na equipa B dos leões.

Fonte: Olé
Fonte: Olé

Equilíbrio ou desequilíbrio?

Não só de más dores de cabeça se pode queixar Jorge Jesus, se olhar para as opções que tem à disposição do meio-campo para a frente. Se é verdade que Castaignos ainda não convenceu em nenhuma da ocasiões em que foi utilizado, tanto os reforços André, Ruiz, Campbell e Markovic já demonstraram serviço de leão ao peito. Todos com aparições frequentes na equipa (seja como titulares ou suplentes utilizados), são elementos que dão acima de tudo profundidade ao plantel leonino. Neste particular, apenas para a posição de Adrien poderão existir algumas dúvidas, pois durante o período em que o capitão esteve lesionado, apenas Bruno César conseguiu dar alguma qualidade naquela posição, coisa que Elias e Petrovic não conseguiram em qualquer circunstância.

A verdade é que alguns onzes montados por Jesus, na sua essência, acabam por desequilibrar a equipa logo no ponto de partida. Desde logo, quando Bryan Ruiz é o eleito para jogar no flanco esquerdo, não tem em nenhuma altura um lateral que seja capaz de acompanhar a inteligência dos seus movimentos e o seu posicionamento. Um facto ainda mais relevante, quando a esmagadora maioria dos ataques do Sporting são conduzidos pelo flanco direito, onde está um jogador que é a total antítese do futebol do costa-riquenho. Gelson Martins, fruto da sua explosão e irreverência, é naturalmente mais solicitado, e chama mais a si a responsabilidade do jogo, não só porque tem do seu lado laterais mais competentes no momento ofensivo, como tem outra capacidade de desequilíbrio, que Ruiz por norma demonstra não ao nível da velocidade ou drible, mas através do passe e da sua visão de jogo.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Uma das grandes diferenças para o Sporting versão 2015/2016 está na forma como a equipa aborda o jogo e se distribui em campo. Com um jogador como João Mário do lado direito do meio-campo, e com Montero ou Teo a serem as alternativas a Slimani, os leões tinham uma aptidão mais natural para controlar o ritmo do jogo, jogar de forma mais pensada e elaborada, e raramente perder o controlo do jogo. A versão de 2016/2017 é muito mais desequilibrada, e ver um jogo em que o Sporting consiga controlar as operações durante os 90 minutos é, até agora, uma miragem. Muito se deve às diferenças nos jogadores que Jorge Jesus tem utilizado. João Mário mais cerebral, Gelson mais vertical. Slimani mais em profundidade, Dost mais posicional. Pequenas modificações, que mudaram drasticamente a forma de jogar da equipa. Se será para melhor ou para pior, será um facto a tirar a limpo no final da época.

É uma situação complexa, mas que não terá uma solução lógica, pois as saídas foram compensadas com jogadores de igual ou melhor valia. Simplesmente são jogadores de características distintas, e que não conseguem oferecer as mesmas soluções ao Sporting da época passada. Daí que neste momento, a equipa de Jesus possa estar a atravessar uma nova fase de adaptação a uma ideia de jogo implementada pelo técnico leonino, e que está a revelar-se ainda não ter sido completamente apreendida por alguns jogadores. O melhor a fazer, é esperar para ver como serão os resultados finais, sendo que, neste momento, o objectivo Liga dos Campeões já está fora do alcance, mas ainda existem outras competições em que o Sporting terá que entrar com a meta de as vencer.

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Ruben CardosoAgosto 4, 201613min0

A pré-época leonina não foi a melhor, em termos de resultados, mas outros valores acabaram por se elevar, e a permitir uma maior tranquilidade ao trabalho de Jorge Jesus. Os golos sofridos, muitos deles por parte da defesa habitualmente titular, são um dos sinais de alerta, bem como o da ausência de uma verdadeira alternativa a Islam Slimani.

A calendarização protagonizada pelo Sporting, para a pré-época de arranque para a temporada 2016/2017, colocou desde logo algumas questões. É sempre um tema que divide o mais comum dos adeptos: jogar contra equipas de maior-valia, para habituar os jogadores, por exemplo, à exigência da Liga dos Campeões, mas correndo o risco de ter o efeito contrário, e permitir resultados menos positivos; ou jogar contra conjuntos de menor valia individual e colectiva, com o foco no resultado, mas que poderá mascarar algumas das debilidades da equipa? Jorge Jesus optou pela primeira, certamente ciente dos riscos que iria correr. A escolha, por exemplo, de equipas como o PSV ou o Zenit, já bastante adiantadas na sua preparação para a próxima época, com índices físicos mais elevados, revelou-se um osso duro de roer para os leões, que encaixaram só nesses jogos 9 (!) golos. Para quem dá demasiada importância aos resultados na pré-época, os alarmes soaram bem alto.

A explicação mais lógica para a grande percentagem de problemas que o Sporting enfrentou nesta pré-época prende-se com a ausência daquele que pode ser considerado o coração e o núcleo duro da equipa. O trio composto por William Carvalho, Adrien Silva e João Mário oferece ao Sporting uma capacidade incrível tanto com bola como sem bola, e uma maior capacidade em controlar o jogo em todos os seus momentos. Jesus testou uma solução pouco ortodoxa no meio-campo, ao colocar Bryan Ruiz como 8, muitas das vezes apoiado por um dos novos reforços, Radosav Petrovic. O médio sérvio, como seria expectável, ainda está em período de adaptação e a tentar ganhar os melhores índices físicos, mas órfão de um elemento mais posicional que lhe desse outro apoio na transição defensiva, muitas vezes teve dificuldades em suster a capacidade ofensiva dos adversários. O jovem João Palhinha também foi chamado à acção, mas nota-se ainda algum receio em alguns momentos, fruto da idade e da pouca experiência na equipa principal.

Foto: Site Oficial do Sporting Clube de Portugal
Foto: Site Oficial do Sporting Clube de Portugal

Também se pode juntar à equação a ausência de Rui Patrício, se tivermos em conta que tanto Vladimir Stojkovic e Azbe Jug tiveram situações no mínimo irreais para um guarda-redes que quer ser tido em conta nas cogitações de Jorge Jesus para a próxima época, com vários erros a manchar este início de época. Aqui pode estar um dos grandes problemas do Sporting em 2016/2017. Se por alguma eventualidade o guardião da selecção nacional tiver algum impedimento ou lesão, não existe no banco capacidade para o substituir devidamente.

Os verdadeiros reforços

 Nem tudo foi negativo na pré-temporada verde e branca, e se é verdade que a produção ofensiva nem sempre foi o ponto forte da equipa, foi neste sector que surgiu uma das boas surpresas. Alan Ruiz, virtuoso médio-ofensivo do Cólon, estabeleceu-se como um dos indicadores positivos na equipa desde os primeiros minutos em campo. A sua qualidade técnica é deliciosa, e a capacidade que tem de tirar os adversários da frente, com a bola colada ao pé esquerdo, para conseguir ficar de frente para o jogo, pode ser uma arma fortíssima para a manobra ofensiva dos leões. Ainda procura ganhar a melhor forma física (veio com algum peso a mais do período de férias, algo que ficou bastante notório pela sua falta de stamina nos primeiros encontros), e o entendimento com Slimani, com o qual ainda teve poucos minutos em simultâneo, precisa ainda de ser trabalhado e aperfeiçoado.

No entanto, os reforços em maior destaque acabaram, em certa parte, por ser homens já da casa, isto porque já faziam parte dos quadros do clube, estando ou na equipa B, ou em empréstimos para poderem ter tempo de jogo e ganhar outra experiência. Um dos casos cabais é o de Iuri Medeiros. O jovem extremo não foi desde logo opção na pré-época, mas aos poucos foi ganhando tempo de jogo, e revelou-se uma aposta ganha, especialmente pela sua visão de jogo e capacidade de criar jogadas de perigo quase do nada. Em alguns destes lances, até ficava a ideia de que o jovem Iuri estava a pensar muito para além dos demais colegas, com uma capacidade de analisar o jogo ao alcance de poucos jogadores ao serviço de Jorge Jesus. Também de notar uma notável evolução na vertente defensiva, com muito mais disponibilidade para fechar o flanco e apoiar o lateral.

Também Daniel Podence aproveitou bem a oportunidade, nomeadamente no estágio realizado em solo suíço. O pequeno avançado, jogando como apoio ao ponta-de-lança, realizou exibições muito interessantes, jogando bem entre-linhas, a dar apoios, e a aproveitar os espaços para fazer uso da sua velocidade de ponta, criando problemas às defensivas adversárias. Nos jogos em casa, e no confronto frente ao Villarreal, em Badajoz, foi menos eficaz nas suas acções, e até demasiado individualista em determinados momentos. A pior notícia, no que diz respeito aos reforços, que Jorge Jesus poderia receber, foi a grave lesão de Lukas Spalvis. O avançado lituano, que até deu boas indicações nos primeiros minutos de leão ao peito. Uma ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco interno do joelho direito vai provocar uma paragem de 6 meses a Spalvis, que perde assim o comboio da adaptação ao futebol português, numa altura em que começam a escassear opções para o técnico leonino para a frente de ataque.

O regresso dos campeões

Com a chegada do dia 27 de Julho, chegariam aqueles que Jesus encarava como os verdadeiros e necessários reforços para que a equipa estabilizasse. O regresso dos campeões europeus resolveu por si só uma série de problemas (para além das especulações que eliminou, nomeadamente em relação a João Mário). Como ponto de partida, Rui Patrício eliminou desde logo o problema na baliza, com as oportunidades desperdiçadas por Jug e Stojkovic para impressionar o treinador. E o guardião não só reclamou o seu lugar, como realizou uma excelente exibição frente ao Wolfsburgo, com um par de intervenções decisivas. A atravessar provavelmente o melhor momento da sua carreira, Rui Patrício é um dos grandes esteios da equipa, tanto a nível futebolístico como emocional, pela liderança que passa para dentro do campo.

Foto: Bleacher Report
Foto: Bleacher Report

Mas a zona que mais se ressentiu com as ausências devido a compromissos internacionais, foi o sector intermediário, que se viu desde o início refém de João Mário, William Carvalho e Adrien Silva. O trio português foi, na época passada, a sala de máquinas que fez todo o futebol leonino funcionar. A dinâmica que os três imprimiam ao jogo da equipa, a capacidade de organizar e de estarem presentes em todos os momentos da partida – seja defensiva como ofensivamente -, dá ao Sporting uma qualidade no meio-campo como há muito não se via. Principalmente a influência do capitão Adrien, que com Jorge Jesus elevou o seu jogo para níveis que ainda não tínhamos visto no internacional português. O mesmo espírito guerreiro que lhe era característico, mas toda uma nova dinâmica pela forma de trabalhar com ex-técnico do benfica.

Já João Mário e William, parecem ter o futuro mais incerto no clube, pois o assédio de grandes emblemas do futebol europeu promete intensificar-se neste mês de Agosto. William está, como há 2 anos, no ponto para poder dar o salto para um campeonato mais competitivo, e será sempre um elemento difícil de substituir, pela calma, tranquilidade com que trata a bola, e porque melhorou bastante a nível de intensidade sem bola e capacidade defensiva na segunda metade da época passada. João Mário é, provavelmente, o grande ativo que o Sporting tem nas suas fileiras, neste momento. Se for verdade o que se veicula na comunicação social, estão a chegar junto de Bruno de Carvalho propostas na ordem dos 50 milhões de euros, valores que, racionalmente, são praticamente irrecusáveis no futebol português. E a saída de João poderá ter ramificações profundas no seio da equipa e na sua dinâmica.

Foto: Record
Foto: Record

Uma nova abordagem de Jorge Jesus

Com a chegada tardia de Slimani, a pouca afirmação de Barcos (apesar de ter mostrado bons índices físicos e movimentações interessantes, principalmente de costas para a baliza), Jorge Jesus tentou explorar outras variantes do seu afamado 4x4x2. Uma das vertentes que tentou introduzir foi um ataque mais móvel, assente na presença de dois jogadores que tenham menos capacidade como pontas-de-lança, mas sim como segundos avançados, no apoio ao homem-alvo.

O caso mais claro foi o de Alan Ruiz, muitas vezes utilizado como principal referência. Poderá ser uma solução interessante a médio-prazo, mas que para já, não passará de uma opção de recurso, visto que sendo o argentino o preferido para fazer esse papel, não tem ainda a disponibilidade física e entendimento da posição que deve ocupar. Acompanhado quase sempre por Podence, apareceram movimentações com alguma qualidade, mas deixa dúvidas que consiga ser algo a aplicar no imediato. Mas terá que ser algo a que Jesus tem necessariamente que dar alguma atenção, pois esta época vai trazer um problema acrescido.

Foto: A BOLA
Foto: A BOLA

A presença mais do que provável de Slimani na Taça das Nações Africanas promete deixar o ataque do Sporting “manco”, e muitas dores de cabeça ao técnico leonino. Se é verdade que o Sporting já se viu privado do avançado argelino noutras alturas nos últimos 3 anos, foi na época passada que ele demonstrou todo o seu futebol, chegando a números fantásticos, em todas as competições. Mais do que isso, a sua entrega, capacidade física e energia são um dos principais factores do relativo sucesso da época 2015-2016 em Alvalade. É ele que começa o processo defensivo, é ele um dos grandes responsáveis pelo facto de a equipa conseguir recuperar a bola em zonas adiantadas do terreno. Sem um elemento deste calibre, Jorge Jesus terá que inventar uma alternativa (a não ser que ainda cheguem reforços) para tentar suavizar a ausência forçada de Slimani. Se vai ser por intermédio de uma mudança apenas de um jogador, ou pela modificação de praticamente todo o processo ofensivo da equipa, é esperar para ver, mas o técnico dos leões com certeza quererá estar preparado para os dois cenários.

Com a possibilidade de inserir outro elemento mais móvel na frente de ataque, Jesus procurará decerto que, através das suas movimentações constantes, jogadores como Bryan, Alan Ruiz, Iuri Medeiros ou Gelson, consigam deambular pelo campo, arrastando marcações, criando espaços de penetração para os colegas, e aproveitar a zona interior para perfurar, com apoio dos médios mais posicionais. É uma perspetiva de jogo que promove uma alta dose de criatividade e de magia, dependendo dos executantes, jogadores com capacidade para rasgar uma linha defensiva através de um passe que mais ninguém viu, ou de um drible a aproveitar a zona interior para desequilibrar.

Foto: Jornal de Notícias
Foto: Jornal de Notícias

Veredito da pré-época do Sporting

A pré-época leonina não produziu os melhores resultados, do ponto de vista do adepto comum. Mas foram lançadas algumas bases e acima de tudo Jorge Jesus está a tentar criar um plano B para a equipa, para quando alguma eventualidade lhe tira algum dos melhores jogadores. Vai acontecer inevitavelmente, seja por competições continentais de seleções (caso da CAN), ou por eventuais lesões que possam surgir, ou mesmo castigos para algum jogador, e o treinador do Sporting está atento e a tentar habituar os jogadores a outras formas de abordar o jogo, sendo que não só a equipa se torna mais versátil, como os próprios jogadores ganham outra capacidade de entender o jogo, nos seus mais variados momentos. O trabalho intensivo que tem feito com elementos como Iuri ou Alan Ruiz é prova disso mesmo, e ambos estão a evoluir gradualmente nesta pré-época, e praticamente no ponto para serem opções válidas para Jesus.

A grande interrogação do Sporting, nesta fase, é saber se vai conseguir aguentar os jogadores nucleares da equipa, perante o assédio dos tubarões do velho continente. É certo que a reputação de dureza de Bruno de Carvalho, no momento das negociações, é um cartão de visita que pode afastar alguns clubes, mas o talento presente no plantel leonino deixará com certeza atentos os emblemas que ainda se pretendam reforçar neste defeso. Continua também no ar a possibilidade de chegarem mais reforços a Alvalade, nomeadamente um ponta-de-lança – falta saber se será para ser uma alternativa aos titulares, se será um substituto direto, para uma hipotética saída de Slimani -, e de alguns nomes para entrarem nas laterais defensivas. Na cabeça de Jesus, tudo estará já praticamente pronto para o arranque do campeonato, a 13 de Agosto, frente ao Marítimo.

Foto: Diário de Notícias
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