António Pereira Ribeiro, Author at Fair Play - Página 2 de 6

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António Pereira RibeiroJulho 31, 20174min0

Em vésperas do encontro amigável entre as estrelas da Major League Soccer e o Real Madrid, actual campeão europeu em título, o Fair Play decidiu, com a ajuda dos comentadores da Eurosport Portugal Luís Cristóvão e Rodrigo Albergaria, escolher as figuras de uma competição entusiasmante cuja Fase Regular iniciou recentemente a sua segunda metade.

LUÍS CRISTÓVÃO

O XI Ideal de Luís Cristóvão

Mid-Season MVP – David Villa (New York City FC)

Continua a ser um jogador decisivo, um líder para uma equipa de NYC que está bastante mais forte. Sente-se que está mais liberto e confiante de que tem equipa para lutar pelo título.

Jogador Revelação – Miguel Almirón (Atlanta United)

Almirón, ainda que pelo estatuto que trazia, não se tratará tanto de uma revelação, mas de uma confirmação. Entre jogadores que não conhecia tão bem, Ring está a mostrar-se muito eficiente, levando mesmo Pirlo a passar a suplente.

Jogador Desilusão – Jermaine Jones (Los Angeles Galaxy)

Confesso que não percebi a sua contratação pelos LA Galaxy, porque não me parecia ser ele o jogador necessário para dar maior qualidade à ligação defesa-ataque da equipa. Entre lesões e más exibições, fica-lhe bem o lugar de desilusão do ano.

RODRIGO ALBERGARIA

O XI Ideal de Rodrigo Albergaria

Mid-Season MVP – David Villa (New York City FC)

Aos 35 anos, mantém todas as suas virtudes individuais no desempenho da função de homem mais avançado, ao qual tem aliado um sentido colectivo notável, que tem contagiado toda a equipa e sobretudo ajudado a crescer a malta mais nova como Jack Harrison ou Jonathan Lewis… tem sido fundamental no moldar da equipa às ideias ambiciosas do treinador Patrick Vieira.

Jogador Revelação – Julian Gressel (Atlanta United)

Nascido na Alemanha, onde chegou a fazer formação, destacou-se no futebol universitário Norte Americano e foi selecionado pelos Atlanta United no SuperDraft de 2017… Conquistou brilhantemente lugar no onze de Tata Martino que tem dado grandes espetáculos nesta 1ª metade da época e já marcou 3 golos e fez 6 assistências…

Jogador Desilusão – Kei Kamara (New England Revolution)

Em 2015 o avançado da Serra Leoa, então nos Columbus Crew, lutou com Giovinco pelo titulo de melhor marcador do campeonato… 2 anos depois o próprio jogador mostra-se desiludido com as suas prestações… depois de se ter incompatibilizado com Federico Higuain, forçando a transferência para os Revs onde, como o Austin Powers em “The Spy Who Shagged Me”, parece que perdeu o “Mojo”…

AS ESCOLHAS DO FAIR PLAY

O XI Ideal do Fair Play

Mid-Season MVP – David Villa (New York City FC)

Se no último ano, Villa recebeu o troféu de Jogador Mais Valioso de forma algo injusta, desta vez, em 2017, arrisca-se a repetir a façanha, mas com mérito incontestável. Mais do que os 14 golos e as 7 assistências, o avançado espanhol de 35 anos transforma o New York City FC numa equipa de topo a nível nacional.

Jogador Revelação – Nemanja Nikolic (Chicago Fire)

É verdade que Nikolic tem 29 anos, e já trazia consigo um historial profícuo da Hungria e da Polónia, mas poucos esperavam que o seu impacto em Chicago fosse tão substancial. Com 21 rondas da MLS disputadas, lidera isolado a lista de melhores marcadores, por ter concretizado 16 remates certeiros, contribuindo decisivamente para a boa classificação dos Fire na tabela.

Jogador Desilusão – Gyasi Zardes (Los Angeles Galaxy)

Determinante no último título conquistado pelos Galaxy em 2014, Zardes não tem conseguido confirmar o seu estatuto de promessa, e tarda em assumir-se como uma das figuras principais do plantel. Na presente temporada, o seu rendimento caiu ainda mais, coincidindo dessa forma com o mau momento colectivo do emblema californiano.

 

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António Pereira RibeiroJunho 29, 20174min0

Aos 12 anos, David Accam foi descoberto por um observador arguto, enquanto desfilava o seu talento futebolístico cru nos campos de Accra, capital do Gana. Agarrou a oportunidade, e trilhou um caminho ascendente primeiro em Inglaterra e mais tarde na Suécia, que lhe valeu a presença na selecção nacional. Hoje, o avançado ganês assume-se como um dos jogadores mais empolgantes da Major League Soccer, e pode muito bem retornar à Europa já este Verão. Sabe tudo sobre esta figura em ascensão, com a ajuda da Talent Spy.

Fundada em 1999, a Right to Dream Academy tem vindo a cumprir a sua missão de recrutar jovens talentos africanos nas ruas, e oferecer-lhes as condições para se tornarem futebolistas profissionais. Na sua lista de graduados podemos encontrar o ganês David Accam, que começou o seu percurso nas divisões inferiores britânicas, ao mesmo tempo que concluía a sua licenciatura. Com 22 anos, mudou-se para o terceiro escalão sueco, onde causou impacto imediato na época inaugural. Surgiu o interesse do campeão nacional em título Helsingborg, que se disponibilizou a pagar dois milhões de euros pela transferência de Accam, valor recorde para futebolistas da terceira divisão sueca.

O registo frutífero de 30 golos em 62 partidas acabou por ser recompensado com a primeira internacionalização pelo Gana, em Novembro de 2014, frente ao Uganda. Vários emblemas europeus disputaram a compra do seu passe, mas Accam decidiu assinar pelos norte-americanos Chicago Fire. Desde a sua chegada em 2015 que o veloz avançado se tornou a principal figura do clube orientado actualmente por Veljko Paunovic, só que em 2017, após o evidente fortalecimento do plantel (Nemanja Nikolic, Bastian Schweinsteiger…), o rendimento de Accam conseguiu disparar para níveis ainda mais elevados. Dez tentos e seis assistências em 16 encontros fizeram despertar o interesse do outro lado do Atlântico, sendo que os candidatos mais fortes à sua contratação, por enquanto, são os turcos do Bursaspor.

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Não é exagero nenhum afirmar que David Accam é um dos futebolistas mais rápidos do mundo. Aos mais cépticos, lanço o desafio de comprovarem essa velocidade supersónica com os seus próprios olhos. Mas cuidado, é fácil perdê-lo de vista no sprint. Combina a ligeireza com uma boa capacidade de drible, aliança fatal para qualquer defesa contrário. Outra das suas grandes valências é o remate portentoso que utiliza, eficaz em 29 ocasiões, nos 64 jogos realizados envergando a camisola dos Fire. Tradicionalmente podemos vê-lo no flanco esquerdo, a atacar o espaço nas costas da defesa, embora já tenha sido colocado no centro do ataque. As suas características aconselham sobretudo a faixa, algo que Paunovic percebeu, e continua a utilizar a seu favor.

Contudo, todos os jogadores têm as suas debilidades, e apesar da descrição enfática gizada no parágrafo anterior, Accam não é excepção. Para começar, apresenta fragilidades evidentes no jogo aéreo. Por outro lado, a velocidade extrema característica, acima de qualquer limite, retira-lhe frequentemente a clarividência na hora do passe. Finalmente, a sua principal função dentro de campo, a de explorar adversários descompensados com incursões rápidas, tem forte influência na disponibilidade defensiva, que se dilui rapidamente ao longo da partida.

BOA OPÇÃO PARA…

Légia Varsóvia – O bicampeão polaco precisa de sangue novo no ataque para tentar o terceiro título consecutivo, sobretudo após as saídas de Nemanja Nikolic e Ondrej Duda. Neste contexto, David Accam seria a opção certa, e os lugares cimeiros da lista de artilheiros da Ekstraklasa estariam certamente reservados para o ganês.

CS Marítimo – A eliminatória de qualificação da Liga Europa está aí à porta, e se os insulares quiserem fazer boa figura na competição europeia, e não vacilar internamente, precisam de garantir algumas figuras de valia adicional. A contratação de um extremo rapidíssimo como Accam, especialista em capitalizar os contragolpes, seria excepcional.

 

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António Pereira RibeiroJunho 25, 20174min0

Nos meandros incógnitos do segundo escalão do futebol colombiano, os olheiros do Sporting Kansas City conseguiram encontrar um jovem Jimmy Medranda. Anos mais tarde, converteram o lateral em extremo, e estão agora a colher os frutos sumarentos da sua aposta certeira. Conhece melhor este ala colombiano que se tem destacado na MLS, num artigo desenvolvido em parceria com a Talent Spy.

Os primeiros passos de Jimmy Medranda no futebol foram dados no Deportivo Pereira, emblema que milita na segunda divisão da Colômbia. Por lá manteve-se até completar 19 anos. O seu estatuto de desconhecido iria provavelmente prolongar-se por mais algum tempo, só que um acaso chamado Octavio Zambrano concedeu-lhe uma oportunidade inesperada. O técnico equatoriano tinha concluído uma ligação de três anos como assistente no Sporting KC quando chegou ao Deportivo Pereira, e, ao testemunhar o potencial de Medranda, decidiu referenciá-lo aos seus ex-patrões. Este networking deu a origem a um empréstimo em 2013, que convenceu os responsáveis norte-americanos a assegurarem o jogador em definitivo um ano mais tarde.

Os minutos não apareceram de imediato, e foi preciso esperar até 2016, para vermos Jimmy Medranda de forma regular no lado canhoto da defesa do Sporting KC. A sua vocação ofensiva deu tanto nas vistas ao longo da época, que o técnico Peter Vermes achou por bem adiantar o seu posicionamento no corredor. O rendimento e a influência de Medranda cresceram substancialmente no 4x3x3 da equipa, contribuindo de forma decisiva para o sucesso colectivo evidenciado na primeira metade de 2017.

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O colombiano também chegou a ser testado no meio-campo, onde deu uso à sua leitura de jogo acima da média, mas é mesmo na ala que exprime melhor o seu futebol. Apesar da sua posição mais avançada no terreno, Medranda não convence pelas estatísticas ofensivas. Medranda assume-se como um extremo combativo, capaz de proteger todo o corredor, como poucos o fazem na MLS. Combina a velocidade com a resistência e a agressividade, tornando-se um obstáculo difícil de ultrapassar, mesmo para os laterais mais afoitos. Sabe fazer incursões rápidas e soltar colegas quando é necessário, da mesma forma que recua e bloqueia as investidas dos adversários com bravura.

Nos aspectos a melhorar, devemos apontar o seu jogo aéreo deficitário, e o pouco esclarecimento que demonstra muitas vezes na hora de rematar à baliza. Outra questão que se tem colocado prende-se com a condição física do jovem lateral, sempre um assunto sensível desde a sua chegada aos Estados Unidos. Contudo, a partir do momento em que começou a jogar regularmente, as maleitas físicas dissiparam-se. Veremos até quando.

BOA OPÇÃO PARA…

Grêmio Porto AlegrenseApesar de apresentar o melhor futebol do Brasileirão neste arranque de temporada, a Máquina Tricolor ainda não conseguiu dar o salto até à liderança da tabela classificativa. A contratação de um polivalente como Medranda, capaz de ocupar qualquer espaço na faixa esquerda, e até no centro do terreno, poderia ser a peça que faltava.

GD Estoril Praia – O técnico Pedro Emanuel está a acertar agulhas no seu plantel para a época que se avizinha, e Medranda seria, sem dúvida, uma opção interessantíssima, não só para 2016/17, mas sobretudo considerando uma perspectiva a longo-prazo. Acessível ao bolso dos canarinhos, o jovem colombiano tem um potencial desportivo e financeiro que não pode ser descurado.

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António Pereira RibeiroJunho 21, 20175min0

O futuro da Taça das Confederações tem sido alvo de discussão, e a décima edição do torneio, a decorrer, pode muito bem ser a última. Por isso, decidimos revisitar os melhores momentos da história de uma competição cada vez menos consensual.

1995

A DINAMARCA CONQUISTA NOVA PROVA INTERNACIONAL

A vitória da selecção dinamarquesa no Campeonato da Europa de 1992 continua a ser uma das maiores surpresas da história do futebol mundial. Três anos depois do feito inesquecível, os comandados de Richard Møller Nielsen passaram de revelação a confirmação, ao triunfarem na segunda edição da Taça das Confederações, ainda disputada na Arábia Saudita, sob a denominação de King Fahd Cup.

Tudo começou com um golo fantástico de Brian Laudrup diante da equipa anfitriã, ilustrativo de toda a sua maestria técnica. Após derrotarem os sauditas, eliminaram o México, trilhando um percurso até à final contra a Argentina. Os golos de Michael Laudrup e Peter Rasmussen construíram o 2-0 a favor dos dinamarqueses. Há quem diga que esta partida deu o mote para a maldição argentina das finais perdidas. Quanto a isso não sabemos, mas o jogo colocou certamente Dinamarca no topo do futebol mundial.

1997

DUPLO HAT-TRICK NA FINAL

A primeira Taça das Confederações a merecer o selo oficial da FIFA foi erguida pela selecção brasileira, com pompa e circunstância. No jogo decisivo diante da Austrália, os campeões do mundo em título conseguiram explanar todo o seu potencial ofensivo, num autêntico recital que quando terminou, o marcador estava em 6-0.

Ronaldo e Romário, os avançados designados para colocar a bola no fundo das redes, apontaram três golos cada um, proeza digna de registo, mesmo para esta fabulosa parelha. Os prémios individuais também acabaram quase todos nas mãos dos campeões. Denílson foi eleito o melhor jogador da prova, ao passo que Romário juntou a Bola de Prata ao título de melhor marcador, com sete remates certeiros em cinco encontros disputados.

1999

O TRIUNFO INESPERADO DOS MEXICANOS EM CASA

Jogar na condição de visitado constitui quase sempre uma vantagem inestimável. Ainda assim, ninguém esperava que o México fosse capaz de vencer uma Taça das Confederações onde estavam presentes as selecções brasileira e alemã, por exemplo. Evitaram as duas principais ameaças na Fase de Grupos, por capricho do sorteio, e saíram líderes do agrupamento. Derrubaram os rivais norte-americanos nas meias-finais, ganhando o direito de defrontar o Brasil na grande final.

Eram 110 mil espectadores nas bancadas do Estádio Azteca, uma moldura humana apropriada, tendo em consideração o espectáculo que se desenrolou no relvado. No embate entre Cuauhtémoc Blanco e Ronaldinho Gaúcho, foi mesmo o mexicano quem levou a melhor, por 4-3.

2009

A CAMPANHA IMPRESSIONANTE DOS NORTE-AMERICANOS

Após um par de derrotas infligidas pela Itália e Brasil na Fase de Grupos, a selecção norte-americana parecia ter o seu destino traçado. Porém, uma combinação de resultados favorável, fomentada pelo triunfo inesperado do Egipto sobre a equipa italiana, devolveu a esperança aos homens de Bob Bradley.

Para seguir em frente, era preciso obter um resultado volumoso diante do conjunto egípcio na derradeira jornada. 3-0 acabaria por se revelar suficiente. À sua espera nas meias-finais estava a selecção espanhola, campeã europeia em título, e dona de um recorde de invencibilidade que já tinha chegado aos 35 encontros consecutivos. E foram mesmo os norte-americanos os responsáveis inesperados por interromper este ciclo incrível, com uma vitória ainda mais espantosa por 2-0. A surpresa ganhou novos contornos na final, quando os Estados Unidos chegaram ao intervalo a vencer o Brasil por 2-0, e o choque só ficou a meio caminho porque Lúcio e Luís Fabiano (bis) deram a volta no segundo tempo.

2013

DEZ A ZERO

O que acontece quando a selecção líder do ranking FIFA defronta o 135.º classificado? O resultado mais desnivelado da história da Taça das Confederações. Foi exactamente isso que aconteceu no Maracanã, no jogo que colocou frente-a-frente a equipa espanhola, campeã da Europa e do Mundo, e a desconhecida selecção do Tahiti. Uma goleada que chegou aos dois dígitos.

Os minutos 5’, 31’, 33’, 39’, 49’, 57’, 64’, 66’, 78’ e 89’, sinalizaram a evolução do marcador. Fernando Torres perfilou-se como o avançado mais frutífero do encontro, com quatro tentos apontados. Historicamente falando, este jogo detém igualmente o recorde de maior diferença de golos entre equipas, em todas as competições da FIFA realizadas até hoje.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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António Pereira RibeiroJunho 20, 20177min0

Algures na Costa Oeste dos Estados Unidos, os conceitos de inovação e de mudança aliam-se de forma única, numa startup que é ao mesmo tempo um clube de futebol. Os recém-nascidos San Francisco Deltas partem na vanguarda com um projecto ambicioso, que promete contagiar outros mercados num futuro próximo, e onde curiosamente, também se fala português.

Tudo começou no início de 2015, quando o actual CEO Brian Andrés Helmick foi desafiado pelo empresário brasileiro Fabio Igel a construir uma equipa de futebol profissional do zero. “Tive de colocar de lado o meu amor pelo desporto, porque quando amas demasiado algo, podes ficar cego”, explicou o empreendedor de origem colombiana, notabilizado pela fundação da empresa Algentis, e posterior venda por valores não divulgados, à seguradora HUB International. No seu currículo, podemos não encontrar experiência profissional relevante associada ao desporto, mas Helmick soube fazer as contas certas, na altura em que se impunha, como qualquer bom empreendedor. “Se olhares para as cinco equipas mais valiosas do mundo, três são de futebol. No top-50 de clubes desportivos, 42 estão nos Estados Unidos, mas nenhum desses são de futebol. O maior desporto do mundo não está no maior mercado desportivo do mundo a um nível significativo. Acredito que podemos tirar partido dessa lacuna”.

Aproveitando a proximidade de um dos centros tecnológicos mais importantes do mundo, Helmick conseguiu atrair vários investidores de Silicon Valley para arrancar com a startup. Entre os mais reconhecidos, destaque para Jonathan Peachey (antigo CEO da Virgin na América do Norte), Danny Khatib (Co-Fundador, Presidente e COO da Livingly Media) e Josh McFarland (Director de Produto na Twitter), para além do acima referenciado Fabio Igel, principal investidor desta empresa emergente. Aparentemente, não foi difícil conquistar o coração dos investidores, e Helmick estabeleceu inclusive uma lista de quatro critérios a cumprir, na altura de fazer os convites. “1. Tinha de conhecê-los verdadeiramente. Conheço a maioria deles há mais de dez anos. 2. Têm de ser inteligentes e capazes de acrescentar valor ao projecto. 3. Têm de mostrar uma afinidade pelo desporto, e idealmente, amar o futebol. 4. Mais importante, têm de ser simpáticos”.

E será o funcionamento de uma startup de futebol assim tão diferente de um clube tradicional? Brian Helmick explica-nos. “Se visitares as nossas instalações, repararás que não existem telefones, nem lugares marcados, nem funções atribuídas. Trabalhamos todos num ambiente aberto que realça a colaboração e a comunicação. Muitos dos nossos funcionários estão a usar a sua experiência em várias áreas fora do desporto, pelo que tendemos a olhar para as coisas de maneira um pouco diferente do que tipicamente olharíamos com uma lente desportiva”.

Os San Francisco Deltas iniciaram o seu percurso competitivo este ano, na North American Soccer League, prova referente ao segundo escalão da pirâmide norte-americana. Com quase metade dos jogos da Fase Regular disputados, os Deltas ocupam a segunda posição na tabela classificativa. No entanto, pese embora a importância dos resultados dentro de campo, Brian Helmick ressalva o valor da comunidade, um dos pilares do projecto. “Fazemos um esforço concertado para garantir que apoiamos a comunidade que nos apoia. Temos uma hashtag que utilizamos, #OnlyTogether. Isto só funcionará se o fizermos juntos”. Nesse sentido, existem várias iniciativas em curso para envolver cada vez mais a comunidade na vida do clube, muitas delas em parceria com associações não-lucrativas locais. Tornar os bilhetes mais acessíveis a todos, combater a exclusão social e a precariedade, e ajudar as mulheres empreendedoras da região, são alguns dos eixos de actuação primordiais dos Deltas.

“Em última análise, decidi correr este risco porque quero fazer crescer o futebol a todos os níveis, e quero partilhar a minha paixão pelo ‘desporto-rei’ com as pessoas de San Francisco. Esta é a minha casa há 14 anos, e acredito que conseguimos fazer algo muito especial”, garante o CEO dos Deltas.

A liderar o departamento do futebol, encontramos uma cara bem conhecida do futebol norte-americano. Todd Dunivant, ex-internacional pelos Estados Unidos, e campeão da MLS em cinco ocasiões, estreia-se assim nas lides dos bastidores, pouco depois de ter anunciado a sua retirada do futebol profissional. “Adoro futebol, e tive a felicidade de jogar profissionalmente por 13 anos. Sempre quis continuar a trabalhar no futebol,  e utilizar a minha experiência enquanto jogador para fazer o desporto avançar”.

Dunivant mostra-se bastante confiante quanto às chances do clube alcançar os Playoffs logo na primeira época, graças a uma estratégia bem delineada. “Começar uma equipa do zero é entusiasmante e desafiante ao mesmo tempo. A nossa abordagem centrou-se na construção de uma mentalidade colectiva forte, com excelente organização. Queremos ser uma equipa difícil de defrontar e de derrubar. Esse é um bom ponto de partida para qualquer equipa, e depois podemos construir a partir daí”.

UM TREINADOR LUSO-DESCENDENTE E ALGUMAS CARAS CONHECIDAS

No balneário dos Deltas também existe quem fale português. A começar pelo seu treinador, Marc dos Santos, um luso-canadiano que continua a fortalecer a sua reputação nas divisões secundárias norte-americanas. Depois da experiência postiiva nas reservas do Sporting Kansas City, da MLS, o técnico confessou o desejo de voltar a orientar uma primeira equipa. “A cidade, a oportunidade de construir outro clube do zero, e de regressar a um certo nível competitivo, foi o que me atraiu para os Deltas”.

Revela que já  foi abordado para trabalhar em Portugal, mas que nem o clube nem a altura eram os certos. “Neste momento, o meu único foco são os Deltas. Quero fazer o melhor que posso aqui, e não concentrar-me demasiado no futuro. Ele não me pertence”. Já em relação aos jogadores lusos, a história pode ser diferente. “A qualidade dos jogadores é fantástica, mas actualmente o valor do futebolista português é elevado, e cria um desafio no recrutamento. Muito provavelmente irei a Portugal observar alguns jogadores no próximo defeso”.

Contudo, não é preciso esperar pelo próximo mercado de transferências para encontrar caras conhecidas do futebol português no plantel californiano. A guardar a baliza temos Romuald Peiser, francês que acumulou passagens pela Associação Naval 1ª Maio e pela Associação Académica de Coimbra, esta última onde venceu inclusive a Taça de Portugal, em 2011/12. “Adorei jogar em grandes estádios com 40, 50, 60 mil espectadores por causa da pressão dos media e dos sócios. Foi incrivelmente desafiante jogar contra jogadores de classe mundial, e contra grandes jogadores portugueses”.

Após deixar os ‘estudantes’ em 2014, Peiser rumou à América do Norte, onde se assumiu rapidamente como um dos principais guarda-redes do segundo escalão. “Sempre acreditei no meu trabalho, e durante grande parte da minha carreira estive sempre entre os melhores guarda-redes da minha liga, quer fosse em França, Portugal, ou América do Norte”. Independentemente do desfecho de temporada, Peiser já entrou a ganhar, quando no início da época pediu a namorada em casamento no relvado, instantes antes de uma das partidas ter começado.

Outra figura dos Deltas que também passou por Coimbra foi Reiner, e a sua contratação contou com a ajuda do próprio ex-colega Peiser. O defesa brasileiro esteve na Coreia do Sul e na Turquia, antes de viajar até San Francisco. “O mister já me tinha visto a jogar em Portugal, e já me conhecia como jogador, então entrou em contacto com o Peiser, que tinha sido jogador dele nos Ottawa Fury. Deu tudo certo para mim, e vim para cá, através do Romuald”.

Sobre o seu tempo em Portugal, Reiner guarda boas recordações. “Aprendi muito como jogador, tive grandes técnicos, e cresci como jogador. Aprendi muito como pessoa, os portugueses são um povo acolhedor e estão sempre dispostos a ajudar quem chega novo. Fiz grandes amigos no país e sinto muito a falta deles”.

Vale a pena seguir a história dos San Francisco Deltas, não só pelos pontos de convergência entre a cidade e Portugal, que vão muito para além de pontes semelhantes, treinadores ou jogadores. Estamos perante uma experiência nova e excitante, onde o futebol, a tecnologia e a inovação encontraram um espaço comum. E se ‘delta’ significa uma foz de um rio composta por vários leitos dispostos de forma triangular, é caso para dizer, esperemos para ver como tudo isto ‘desagua’.

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António Pereira RibeiroJunho 14, 201714min1

Aos 34 anos, Tiago Lopes é hoje um dos presidentes mais jovens no panorama desportivo internacional. O português comanda os destinos do Harrisburg City Islanders, emblema que milita na USL Pro, segundo escalão do futebol norte-americano. Descobre o seu percurso inspirador que o levou até aos Estados Unidos, através desta entrevista exclusiva.

fp Como é que foste parar aos EUA em 2006, para assumir um cargo importante numa das dIvisões inferiores norte-americanas (USL)?

TL. Formei-me na Faculdade de Motricidade Humana, em Gestão do Desporto, e na Universidade de Liverpool. Em Inglaterra estagiei com o Manchester United após convite do Prof. Carlos Queiroz.

O Francisco Marcos era na altura Presidente da USL e conhecemo-nos no Verão de 2006. Ele estava em Lisboa e eu estava a regressar de Inglaterra. Lembro-me como se fosse ontem. Ele foi directo ao assunto e disse-me: ‘olha miúdo, eu falei com o Queiroz sobre ti e ele falou-me muito bem de ti. Sou Presidente da USL e tenho um projecto na Florida, Estados Unidos, que passa por estabelecer ligações entre clubes nos EUA e Europa. E assim foi. Aos 23 anos fui convidado por ele para director de relações internacionais da USL.  

A USL é hoje uma das 2ª divisões mais prestigiadas no mundo. São 32 equipas em mercados com uma população total de 75 milhões de pessoas. Temos jogos com transmissão nacional na ESPN e chegamos a 17 milhões de fãs. A assistência total no ano passado em jogos do campeonato superou 1.5 milhões de adeptos nos estádios. Marca que será por certo superada este ano.

fp Para além do teu percurso nos EUA, tens um interessante historial em projectos de grassroots. Fala-nos um pouco disso.

TL. Eu adoro o futebol profissional e a pressão que dai advém. A pressão de ganhar e dos resultados imediatos. Mas os projectos que geram resultados sustentáveis requerem normalmente que tenhas um conceito mais ‘’grassroots’’. Explico isto no sentido de sermos genuínos na nossa mensagem, estar no terreno, ver as coisas acontecer, desenvolver, melhorar e relacionarmo-nos com todos os stakeholders na criação e desenvolvimento do projecto.

Eu estive na criação de alguns desafios marcantes na minha vida e em todos fui um executivo preocupado em idealizar, planear e concretizar a curto, médio e longo prazo. Em 2008, aos 25 anos de idade, fui apontado como CEO do projeto do Manchester United em Portugal que contou com mais de 100 eventos e milhares de participantes de Norte a Sul do pais. Para além de ter participado activamente na formação de jovens treinadores e profissionais que representam hoje projectos de sucesso.

Em 2011, lancei um dos primeiros projectos de futebol na Índia com a criação da BBFS, um projecto de formação de futebol idealizado para Baichung Bhutia, uma das maiores referências na Índia e antigo capitão da seleção nacional. Projecto ainda hoje activo e com centros em diferentes cidades e dezenas de milhares de praticantes em toda a Índia.

Mesmo hoje aqui no Harrisburg não existe projecto que eu desenvolva que não tenha um cariz ‘’grassroots’’ na sua génese. A equipa principal e o futebol profissional tomam muito o meu tempo mas em 4 anos à frente do clube somos um dos clubes mais respeitados ao nível de desenvolvimento de jovens jogadores. Colocámos 12 jogadores na MLS e no estrangeiro. Outra prova é que até Janeiro de 2018 nós vamos anunciar um dos maiores negócios no futebol de formação nos Estados Unidos. Através de acordos estabelecidos com clubes internacionais e na região, teremos acima de 40.000 jovens na nossa pirâmide de futebol formação do clube.

fp Elucida-nos sobre o trabalho que tens desenvolvido com a Makesphere, empresa que fundaste em 2013.

TL. A minha actividade na Makesphere é muito limitada neste momento mas eu mantenho relacionamentos em diferentes países desde 2011, momento em que fundei a empresa e me levou a fazer consultoria a atletas, treinadores, clubes, federações e executivos nos quatro continentes. A minha paixão sempre foi encontrar soluções em diferentes contextos. Implementar planos e gerar resultados. Os desafios de hoje no futebol obrigam cada vez mais a que se tenha um conhecimento aprofundado de varias vertentes do negócio. Sejam elas ligadas ao treino, aos negócios ou mesmo à gestão de pessoas. Olhando para trás eu orgulho-me de ter trabalhado com profissionais que hoje considero amigos, de ter sido capaz de gerar soluções e resultados nas suas carreiras e até na suas vidas pessoais.

fp No meio de tudo isto, como é que surgiu a oportunidade de comandar os Islanders?

TL. Em 2013, o Philadelphia Union da Major League Soccer convidou-me para ser Presidente do Harrisburg, que na altura era o seu clube satélite.

O inicio no Harrisburg não podia ter corrido melhor: nos dois primeiros anos batemos todos os recordes na história do clube em termos de assistência, receitas de bilheteira e patrocínios. Fomos ainda à final do campeonato em 2014, inaugurámos novo centro de treino e novo estádio, alcançando uma significativa valorização do clube. Acabei por sair do Harrisburg em 2016 após ter vendido o clube a um novo grupo de accionistas por um valor também ele record.

Após esse período foquei-me na minha licenciatura e em concluir o curso The Business of Sports, Media and Entertainment pela Universidade de Harvard. Poucos meses depois o Harrisburg convidou-me para regressar.  Desde ai tem sido um novo ciclo de desenvolvimento e recentemente, mais uma vez, concluímos a venda do clube para um novo accionista maioritário. A minha actividade tem sido um pouco esta, pegar em projetos e transformá-los de raiz. Passa por analisar os factores de crescimento e valorização de um clube e criar riqueza para os seus accionistas.

fp Estás perto de completar 4 anos à frente do clube. Quais dirias que têm sido os teus maiores triunfos, dentro e fora do campo?

TL. Eu gosto de ser minucioso nos projectos e tudo começa com um plano bem claro e definido. Eu quando iniciei o Harrisburg, apresentei ao meu Board um plano de negócios com objectivos a alcançar. O meu trabalho ao final de cada período é provar que esses objectivos estão a ser atingidos. Nos últimos 4 anos este clube joga num novo estádio, aumentou as receitas em mais de 100% e a valorização do clube em mais de 500%, concluída a recente aquisição. Mas o futebol é igual em todo o mundo. Podemos declarar os melhores resultados no papel mas se a equipa não ganha temos que questionar quais as peças que faltam no puzzle. Tivemos um ano brilhante em 2014 com a final do campeonato, mas a presente época é sem duvida importante e queremos estar de novo nos playoffs.

fp O facto de seres um dos presidentes mais jovens dos franchisings norte-americanos trouxe-te algum obstáculo no exercício das funções? Sentiste algum tipo de preconceito ou desconfiança devido à idade?

TL. O preconceito e desconfiança sempre existem mas eu costumo dizer sempre às minhas equipas que o importante é estarmos focados naquilo que podemos controlar. O trabalho será sempre a tua melhor resposta.

Mas essa questão da idade é uma questão interessante. Eu diria que é preciso olhar à experiência e não à idade. Essa pergunta faz-me lembrar muitos momentos da minha vida.  Repare, embora eu não fosse um rapaz viajado, aprendi muito sobre negociações e relacionamento com pessoas no meu próprio bairro, onde aos 10 anos eu já armazenava prateleiras e atendia os clientes no restaurante dos meus pais – fez-me lidar com problemas e soluções. Foi uma experiência importante ou não? Claro que sim, sobretudo ajudou-me a criar uma personalidade de arregaçar as mangas e trabalhar. Às vezes passamos por situações que só mais à frente na vida conseguimos valorizar.  Joguei futebol muitos anos e quase progredi no futebol profissional, não fossem alguns obstáculos e rejeições. Mas essas contrariedades revelaram ser importantes. O jogo tinha outros planos reservados para mim. É tudo uma questão de perspectiva com que se olham as situações

A minha consolidação profissional nos Estados Unidos não foi diferente. Foi um processo que requereu passar por muitas provas. Podemos analisar a idade, a língua, a experiência em liderar um clube e tantos outros obstáculos colocados.  Eu diria que é preciso ter uma grande dose de coragem, perseverança e honestidade para contigo e com os outros. 

Hoje posso dizer que trabalhei com alguns dos melhores jogadores, treinadores, clubes e executivos. Lembro-me de pessoas como o Francisco Marcos, Carlos Queiroz, Alec Papadakis, Nick Sakiewicz e Eric Pettis que me apresentaram diferentes desafios. Foram eles que me abriram as portas para eu estar onde estou hoje. Conto uma pequena história que nunca contei publicamente: quando tomei posse como Presidente do Harrisburg, ainda em 2013, recebi uma carta no clube e nela dizia entre outras coisas ‘’Parabéns, maiores sucessos e espero que seja o começo de algo especial para ti’’ – assinado Sir Alex Ferguson. Isto para dizer que a indústria do futebol é muito um mundo de relacionamentos, reputação e competência. O teu maior currículo é quando alguém analisa os teus projectos, os profissionais com quem trabalhaste e verifica que a credibilidade está lá. Esse é o nosso passaporte profissional.

fp Os Islanders tiveram recentemente Martim Galvão à experiência, mas o jovem português acabou por não ficar no plantel. O que correu mal?

TL. O Martim apresentou qualidades que se destacaram e é um jogador que vamos acompanhando. Infelizmente para ele na altura que ele treinou connosco nós já tínhamos concluído as nossas inscrições na Liga e com um número limitado de 7 jogadores estrangeiros, que nos obriga a uma selecção mais criteriosa.

fp Acreditas na multiplicação de fenómenos como o de Martim Galvão, ou seja, no aumento de jogadores portugueses a saltarem das universidades norte-americanas para o Draft?

TL. Admiro e respeito muito os jovens portugueses que deixaram o país em busca de um futuro melhor. Eu próprio deixei Portugal com 20 anos e penso que isso me deu muitas ferramentas que hoje são fundamentais. Penso que as Universidades aqui sempre procuram talentos dentro e fora de campo. Aqui oferecem uma formação que pode muito bem ser decisiva para muitos atletas: quer eles possam ingressar no futebol profissional quer no mercado de trabalho por via das suas qualificações. A minha recomendação passa sempre por dominar o inglês, ter um percurso desportivo atractivo e não olhar para trás, no sentido de ser perseverante perante quaisquer adversidades.

fp Sentes alguma tentação em recrutar jogadores para os Islanders em Portugal?

TL. Hoje recrutamos jogadores em todo o mundo. Já tive jogadores portugueses, moçambicanos, nigerianos, senegaleses, costa-riquenhos, brasileiros. Óbvio que o jogador português é um jogador evoluído mas isso requer muitas das vezes parcerias com clubes portugueses para a cedência ou empréstimo dos atletas. Hoje nós temos parcerias com clubes na Dinamarca, Gana, Costa Rica, Alemanha, Itália, entre outros países. Portugal acontecerá naturalmente, estou certo.

fp Tens a intenção de voltar a Portugal a médio ou longo prazo? Ou pretendes continuar a crescer no futebol norte-americano?

TL. Aqui nos Estados Unidos eu já estou integrado e mantenho relações com todos os clubes profissionais, com a liga e federação. Estou a construir o meu percurso aqui e sinto-me valorizado. Repare, aos 34 anos eu lidero todos os departamentos do meu clube. Eu hoje sei o que é desenvolver um plano de negócios, de marketing, desenvolver um jogador ou um clube, relacionar com os media e patrocinadores, vender um bilhete ou comercializar um produto, dinamizar uma academia, entre outras aprendizagens e competências. Amo o que faço e sou apaixonado por aprender e aperfeiçoar-me cada vez mais. É uma experiência que não tem preço.

O meu regresso a Portugal é uma pergunta que me fazem com frequência. Sou apaixonado pelo nosso país onde mantenho relações. Para dizer a verdade o telefone não tocou para apresentar o desafio certo. Quem sabe um dia.

fp Os Islanders qualificaram-se para a próxima fase da US Open Cup, onde irão defrontar os Philadelphia Union. Qual o plano para eliminar o antigo clube satélite, numa altura em que no campeonato, as coisas não estão a correr tão bem?

TL.Vai ser um jogo extremamente difícil numa fase também conturbada que estamos a tentar ultrapassar. Às vezes basta um jogo destes para que a confiança da equipa possa subir a outros níveis. E é isso que esperamos. Eu lembrei aos jogadores a fase que passámos em 2014 e na mesma altura da época estávamos atravessando um período difícil. Acabámos por perder esse jogo da taça também para o Union mas ganhamos uma equipa a partir dai. Nesse ano conseguimos acesso aos playoffs e chegar à final. É isso que espero na quarta-feira, ganhar mas independentemente do resultado, espero que possamos sair desse jogo como uma equipa mais forte e mais preparada para enfrentar os próximos desafios.

fp Este ano ficou marcado pela confirmação da USL Pro como uma competição valorosa, depois da promoção ao segundo escalão da pirâmide norte-americana. A juntar isto aos emblemas que trocaram de provas no último defeso, o que achas que pode acontecer num futuro breve? Poderão a NASL e a USL Pro fundir-se?

TL. Como disse anteriormente, a USL é hoje uma das 2ª divisões mais prestigiadas no mundo. Temos estádios cheios com 20.000, 10.000 pessoas todos os jogos. Os clubes que compõem a liga têm capitais muito sólidos que pertencem a grupos muito conceituados. Temos muitos clubes em que os donos lideram também equipas da MLS, NBA, NFL, NHL, MLB. Isso gera influxo de capital, competência e sustentabilidade à USL e os números começam a aparecer. São 17 milhões de adeptos que seguem a USL neste momento. Imagine, mais do que a população toda de Portugal.

Isto para dizer que o crescimento da USL depende de si própria e tenho total confiança na liderança e estratégia de Alec Papadakis e da sua equipa. Nos próximos meses serão anunciadas novas equipas na USL em mercados chave nos Estados Unidos. Ao invés, a NASL está a passar por uma fase muito conturbada que só poderá ser ultrapassada sobretudo com uma mudança de estratégia na sua operação, e no meu entender, com investimentos significativos e entrada de novos grupos formando equipas em mercados chave. Até lá, penso que vamos continuar a ver exemplos de clubes como o Tampa Bay Rowdies a integrarem a USL e fazerem da liga uma das melhores 2ª divisões do mundo.

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Ao olhar friamente para o ano futebolístico do FC Porto, torna-se claro que o duplo empate frente ao Belenenses, em Novembro, constituiu um momento decisivo e paradigmático no percurso dos ‘dragões’. Não pelos pontos perdidos, mas sim pela identificação de certas lacunas que viriam a manifestar-se novamente numa fase mais decisiva do campeonato.

Desde o início do ano que o plantel dos portistas suscitou algumas questões relativamente à diversidade e qualidade das soluções disponíveis. Do lado de fora, torna-se impossível perceber se este cenário seria do agrado de Nuno Espírito Santo, ou se foi consequência da política de transferências orientada pela direcção do clube. Tanto quanto sabemos, a responsabilidade até pode ser abarcada às duas partes, mas é injusto e irresponsável fazer qualquer tipo de especulação sobre o assunto.

O plantel parecia curto, só que era preciso um ‘stress test’ para poder corroborar a teoria. Ora essa oportunidade surgiu em meados de Novembro. No espaço de um mês, o FC Porto disputou um total de nove partidas, referentes a todas as competições em que estava envolvido. Este período intenso saldou-se em 5 triunfos e 4 empates, todos eles a zero. A invencibilidade, ainda que positiva, não foi suficiente para disfarçar vários défices.

Aos nulos em Chaves e em Copenhaga, seguiu-se o duplo compromisso como Belenenses, uma ocasião soberana para recuperar os índices de confiança do grupo. Porém, os 180 minutos serviram apenas para transformar desconfianças em certezas, e trazer a lume as maleitas da equipa. Uma amostra quase perfeita para ilustrar o ano problemático dos portistas.

Começando do individual para o colectivo, a deslocação ao Restelo confirmou a inépcia de Laurent Depoitre no papel de alternativa a André Silva. O avançado belga contratado ao Gent teve a primeira grande oportunidade de provar o seu valor dias antes, na eliminatória perdida com o Chaves, onde não foi decisivo. No Restelo, dificilmente teria corrido pior. Entrou a meia-hora do final, e protagonizou uma exibição completamente inócua, coroada com um falhanço desastroso aos 69’. Adensava-se assim a pressão sobre um jovem André Silva, que carregou durante demasiado tempo o peso incomportável de goleador único e invencível.

Infelizmente para os pupilos de Nuno Espírito Santo, o problema não residia somente no erro de casting que foi Depoitre. Ainda evocando aquilo que se passou no terreno do Belenenses, Diogo Jota acusava uma quebra física decorrente de uma utilização intensiva, ao passo que figuras como Óliver e Otávio (todos eles substituídos), apresentavam um rendimento abaixo do nível habitual. No banco de suplentes, o cenário era desolador, mesmo para o adepto mais optimista. A saber: José Sá, Willy Boly, Rúben Neves, Evandro, André André, Silvestre Varela e Laurent Depoitre. A missão de desfazer o nulo perfilava-se assim oficialmente como espinhosa. Não admira portanto, que o encontro tenha terminado com o marcador inalterado. Mais do que isso, tornou-se claro que o FC Porto, daí para a frente, iria ter de lidar com esta realidade castradora em todos os jogos mais difíceis de resolver.

Três dias depois, as segundas linhas portistas tiveram uma oportunidade única de mostrar o seu valor, e de forçar pontos de interrogação na hora de escolher o onze inicial. Novamente frente ao Belenenses, desta vez em partida da Fase de Grupos da Taça CTT, os ‘dragões’ gizaram uma das performances mais pobres e angustiantes de toda a temporada (salvo raras excepções individuais). Comprovou-se em definitivo que a manta para 2016/17 tinha pouco tecido, e nem a entrada fulgurante de Soares no Mercado do Inverno foi suficiente para compensar tamanho défice.


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