20 Set, 2017

Arquivo de Surf - Fair Play

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Palex FerreiraJulho 19, 20175min0

Selfie Time Foto: Luisbento.com

 

Luís Bento é presença assídua nos line ups em dias clássicos, as suas fotos têm conquistado a atenção tanto de marcas como atletas, é actualmente apoiado por Dafin Europe, Theboardhole e DCK Boardshorts.

A paixão pela fotografia acompanha-te desde quando?

LB: Desde sempre, o meu avô paterno já era um amante da fotografia e o meu pai a mesma coisa, naturalmente segui as pisadas deles.

O que te inspira ao ir para dentro de água, esteja frio ou calor, para fotografar?

Flying Away Foto: LuisBento.com

LB: pelos registos que tenho desde que nasci, ir para dentro de água nunca foi um problema para mim. Em adolescente fui nadador federado no Benfica onde cheguei a ser campeão de Lisboa e vice campeão nacional e até ganhei umas medalhazitas em provas internacionais, por isso sinto-me muito bem dentro de agua seja a fotografar ou a surfar. Fotografar na agua é um 2 em 1.

Tens algum fotógrafo que desenvolva um trabalho semelhante ao teu que te sirva como inspiração?

LB: Quem me fez avançar foi o Brek (João Bracourt), uma viagem que fiz à Indonésia e ele era o fotografo de serviço. Fiquei fascinado com toda aquela logística e principalmente pelas fotos que tirava. Quando cheguei a Lisboa a primeira coisa que fiz foi encomendar uma caixa estanque para a minha maquina que na altura até era igual à dele. Sem duvida que continuo a te-lo como referencia e há alguns anos atrás conheci outro monstro da fotografia de surf mundial que dispensa apresentação, Diogo D´Orey.

Que elementos deve ter a fotografia “perfeita”?

LB: Luz, muito importante a luz para qualquer tipo de foto.

Que dificuldades alguém que queria iniciar esta atividade pode esperar encontrar?

LB: Algumas dificuldades, não é fácil estar la fora só de barbatanas e maquina. O meu primeiro conselho é a segurança. É fundamental saber nadar muito bem e “perceber” o surf, saber ler a linha da onda, saber posicionar-se para não interferir com o atleta.

Tubo no Zavial Foto: LuisBento.com

Qual a melhor sessão que tenhas fotografado que te lembras?

LB: Tenho várias mas deixo uma foto da minha ultima sessão no Zavial

Analisas de perto e constantemente o surf e o bodyboard, pois além de presenciares ao vivo voltas a ver as imagens várias vezes, tendo em conta que és um espectador privilegiado, o que achas sobre a evolução destas modalidades e o que o futuro reserva a Portugal?

LB: Com o impacto que o surf e o bodyboard têm na economia nacional não percebo porque razão não há revistas da especialidade em portugal. Elas sim são o principal meio de divulgação das tuas fotografias, sejam dentro ou fora de agua.

Perfection Foto: Luisbento.com

Quais o surfistas que mais te tem impressionado ultimamente?

LB: Sem duvida o Nicolau, não só pelo surfista que é como também com a preocupação que ele tem em trabalhar a sua imagem que por sua vez dá um excelente retorno aos patrocinadores. A imagem de um surfista é importantíssima para a sua evolução.

E os bodyboarders?

LB: Tó Cardoso, Manuel Centeno, Horta, Nuno Leitão “Batata” e André leite.

Nuno “Batata” Leitão, em Dropknee na Ericeira Foto: LuisBento.com

 

Qual o material que usas quando vais para dentro de água?

LB: Trabalho com Nikon, e Dafin e wave solution water housings

Pedro boonman Foto: Luisbento.com

Qual é o kit básico para alguém que queira iniciar esta atividade?

LB: Atitude, vontade, persistência :))

Uma mensagem para a nova geração e para quem é importante ter boas fotografias e filmagens para poderem mostrar o seu potencial ao mundo?

LB: Já o disse anteriormente, a imagem é importantíssima para a evolução de um atleta.

Para terminar, se te fosse dada a oportunidade de fotografar uma pessoa à escolha a fazer o que quisesses, quem seria e o que estaria a fazer?

LB: Adorava fotografar o Kely Slater a surfar em HT’s

 

Sigam os trabalhos do Luís Bento:

http://luisbento.com
https://www.facebook.com/LUISBENTOcom
https://www.instagram.com/luisbento_com/ 

Artigo criado em parceria com TheBoardHole.com

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Palex FerreiraJulho 13, 20174min0

Do decorrer desta série de entrevistas a alguns fotógrafos nacionais, (Ricardo Bravo e Nuno Fontinha) hoje o escolhido é João “Brek” Bracourt, conhecido surfista e fotógrafo no sul do país, mas precisamente na Costa Vicentina. Costuma estar sempre nas melhores ondas por ali espalhadas, com paisagens um pouco diferente do resto do país.

Desde há muito tempo, é um nome bem conhecido no que respeita a fotografias de surf no sul de portugal, onde figuram alguns dos melhores atletas nacionais de desportos de ondas (Surf, Bodyboard, Longboard entre outros). Onde sobressaem Marlon Lipke, Alex Botelho, Luís Esteves, Manuel e Zé Mestre (pai e Filho), Joana Schenker, Neuza Mochacho e seu irmão Ivo Mochacho entre outros tantos, que habitualmente são encontrados nesta zona do país a desfrutar das belas ondas existentes nesta área do nosso país.

100% Natural Enviroment Foto: João Bracourt

Os fotógrafos e o surf – com João “Brek” Bracourt

Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

JB: Faço surf há 30 anos

Deixaste de surfar, ou manténs essas atividades de fotografias e surfar umas ondas?

JB: Continuo a surfar, faço caça submarina e vela também.

Como surgiu essa paixão da fotografia?

JB: No rally de Portugal, ainda nos anos oitenta, tinha para aí 9 anos.

Selfie at the Office. Foto: João Bracourt

Onde gostas de fotografar mais?

JB: Na Costa Vicentina.

Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

JB: Como apanhava perceves a mergulho, a fotografia aquática foi uma coisa natural. Por acaso comecei ao mesmo tempo do Clark Little, mas os fotógrafos que gosto não são de surf. Como fazia surf, lia bem as ondas e cedo consegui fotos boas na água de surfistas como o Owen Wright, Julian Wilson, por exemplo.

Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, e depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

JB: Tenho tido material de média gama e até baixa, acho que o material não é o mais importante, mas sim a criatividade, visão, etc. Tive alguns sustos com água na caixa estanque, mas consegui salvar o material. Já me roubaram uma teleobjetiva… Ossos do ofício.

Nic Von Rupp Açores Foto: João Bracourt

O estado da fotografia de surf

JB: É um pouco como a música, temos de nos adaptar à nova realidade e não chorar e dizer que antigamente é que era bom.

Qual a foto que falta teres?

JB: Qualquer fotógrafo tem de ter uma ideia, uma visão e deve por algo de si, algo original na imagem que cria. O melhor fotógrafo para mim é o Ray Collins.

Posing at the nose Eurico Romagueira. Foto: João Bracourt

O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (Waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

JB: Shorebreak há em todo o lado. Ele (Clark Little) tem fotos lindas, mas é um pouco repetitivo para o meu gosto.

Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

JB: Está a evoluir bastante, se abrirmos uma revista de há 20 anos atrás as fotos são muito fracas. Tanto em Portugal como no estrangeiro vão aparecer talentos e vão ser feitas coisas que nunca imaginámos, acho

Podes seguir os trabalhos do João “Brek” Bracourt em:

https://www.instagram.com/joaobracourt/

https://joaobracourt.blog/

Artigo realizado em parceria com o The Board Hole

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Palex FerreiraJunho 30, 201714min0

É uma realidade que já ninguém passa despercebido, os fotógrafos costumam estar sempre no local certo à hora certa. Mas uns parecem ter outros ângulos diferentes, e cativam o público através de fotos nas principais publicações mundiais.

Nos últimos anos, passaram a fazer parte do crowd na água, já em Pipeline (famosa onda da ilha Oahu-Havaí) eram muitos colocados estrategicamente para tirar a melhor foto duma sessão.

 

Kelly Slater perante um “crowd” de fotografos. Fonte: Stabmag.com / Ryan Miller/ Redbull.com/surfing

 

Para tirar aquela foto melhor, foram arranjando melhores ângulos, outro tipos de lentes. E no final surgem fotografias mágicas que qualquer surfista / bodyboarder / longboard e outros desejam pagar para ter expostas na sua vida.

Uns fazem disso vida, outros são fotógrafos profissionais que juntam outros trabalhos de fotografia no seu espólio de imagens. Fiz uma escolha, entre os fotógrafos que conheço melhor, e pessoalmente, para entender o que os levou a mudarem da prancha para a fotografia. E trago a primeira parte hoje!

Lembro-me de um fotógrafo que tirava as fotografias do bodyboard nacional, o meu amigo Pedro Crispim, bodyboarder da antiga, que se dedicava a gravar nas suas lentes as imagens dos melhores atletas nacionais e internacionais, ainda de forma analógica.

Crowd, de surfistas e fotógrafos, é uma realidade hoje. 

Atualmente, vem-me à cabeça alguns talentosos fotógrafos que se mantêm ativos nesta área da fotografia e das ondas. Fui até eles para lhe colocar umas questões sobre esta forma de captar novos ângulos de surfistas no “nosso” espaço sagrado, que é o mar.

Poderia ter  colocado aqui mais fotógrafos, mas a ideia do artigo foi colocar de outras zonas de ação (Caparica por exemplo, temos outros fotógrafos, como o Pedro Morais (XtremePhotography), Nuno Fernandes (Water Visuals), Romeu Ribeiro (WalurBeachHouse), entre outros).

Hoje ficas com Ricardo Bravo!

Os fotógrafos e o surf

Tiago Pires sob o olhar de Ricardo Bravo. Foto: RicardoBravo.pt

Quem nunca quis ter a foto de surf/bodyboard tirado dentro de água? Pois são na grande parte “esquecidos” após a foto ou filme. Todos os surfistas querem ter uma fotografia a surfar, mas dentro de água tem outro encanto.

Existem alguns que já se dedicam a tirar cada vez melhores fotos dentro de água e a malta que desliza nas ondas adora isso,  até compram fotografias de surf, negócio que vem crescendo de ano para ano, tal como a população que se dedica a esta actividade que tanto prazer nos dá.

A evolução tecnológica veio aumentar a possibilidade de termos altas fotografias/filmagens no nosso ecossistema, as máquinas evoluíram, ficaram com mais mobilidade, caixas estanques, lentes todas “xpto”, GoPros em muitas pranchas. Todos queremos a tal foto na água.

Fomos procurar alguns fotógrafos conhecidos do mundo do surf, nomes como Ricardo Bravo, João “Brek” Bracourt, Nuno Fontinha, Luís Bento, entre outros tantos que não conseguiram dar o seu contributo para este artigo de opinião.

Se nós enquanto surfistas (englobando tudo e todos que deslizam nas ondas) às vezes custa-nos levar com as ondas, o que dizer dos fotógrafos que ficam grande parte do tempo, na zona de impacto? A meu ver, devem sair da água com o cartão cheio e o corpo bem massajado com água salgada (risos), mas as fotos ficam boas, depois de escolherem entre centenas, porque hoje me dia uma máquina dispara centenas de fotos em segundos e no meio dessas, estará aquela foto de luxo.

O investimento de um fotógrafo, deve ser enorme, porque tudo nesse campo da imagem (fotografia/filme) é caro, adicionando os programas de ajustamento de imagens (Adobes, entre outros), e que ainda se sujeitam a levar com um gajo em cima e perder o material ou danificá-lo em nome de uma grande foto de gala.

Ricardo Bravo. “A função de um fotógrafo é conseguir imagens para transmitir uma ideia…”

fp Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

RB: Para o ano celebro 30 anos de bodyboard e é para continuar com umas incursões ao bodysurf nos intervalos.

Visão de peixe. Foto: Ricardo Bravo

fp Deixaste de surfar, ou manténs essas actividades de fotografias e surfar umas ondas?

RB: Entre trabalho e família não é fácil ir tantas vezes como gostaria, mas tento ir pelo menos uma vez por semana.

fp Como surgiu essa paixão da fotografia?

RB: Não sei bem, foi acontecendo…já tirava umas fotografias por brincadeira, mas quando terminei o liceu acabei por experimentar um curso de fotografia. Gostei tanto que fui tirar outro mais completo e a partir daí passei a ter bases técnicas e artísticas que contribuíram decisivamente para gostar tanto de fotografia.

fp Onde gostas de fotografar mais?

RB: Não penso muito nisso. Pode ser no mar ao nascer do dia, como em minha casa. Depende da luz, do momento que estou a viver ou simplesmente do estado de espírito.

O surfista, a onda e o fotógrafo. Foto: Ricardo Bravo

fp Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

RB: No início passava horas nos pontões da Caparica a tentar apanhar aqueles momentos de surf e bodyboard…depois aos poucos fui tendo algum trabalho publicado na Surf Magazine, Surf Portugal e Bodyboard Portugal e fui conhecendo as pessoas. A primeira vez que estive nos Coxos foi o Bubas que me levou, é um bocado ir a um estúdio de fotografia pela primeira vez, porque ali tudo se conjuga, tanto pela qualidade das ondas como pela possibilidade de fotografar de diversos ângulos. Na Costa fotografava muito com o Bubas e com o Frey Tuck que sempre tiveram um estilo muito bonito. O Tiago Oliveira também era uma referência pelo estilo a surfar, algo que sempre valorizei muito, mais até que a performance. Entretanto estava a geração do Tiago Pires a despontar e acabei por fazer o meu percurso um bocado em paralelo com o deles, ainda que sempre mais “caseiro” porque embora goste de viajar, sinto-me muito bem em Portugal. Temos muita sorte com estas praias, o clima, a luz…. Acho que estes factores também me ajudaram no meu percurso. O resto tem sido paixão e dedicação.

fp Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

RB: Gasta-se realmente muito dinheiro, mas a maior parte das compras são completamente racionais, é um investimento. Mesmo o que não é utilizado na água, só por estar na praia é sujeito a um desgaste intenso – o ar do mar é terrível para o equipamento fotográfico.

fp Já perdeste dentro de água algum material?

RB: Já perdi a conta…várias máquinas e objectivas.  Faz parte da profissão e quem não estiver disposto a correr esse risco, nem vale a pena entrar na água. Acontece a todos os fotógrafos.

fp Numa sessão, o que é que te dá mais prazer?

RB: Conseguir uma boa imagem. É só isso e já é muito…

Ricardo Bravo na sua “secretária de trabalho” Foto: Ricardo Bravo

fp Qual a foto que falta teres?

RB: Todas. Não tenho nenhuma foto que posso dizer que é perfeita. Há sempre espaço para melhorar, podemos sempre fazer melhor. No mar tudo se altera, todos os dias são diferentes e nós enquanto pessoas também mudamos muito ao longo da vida e por consequência o nosso olhar vai evoluindo, a nossa interpretação do que estamos a fotografar altera-se com o passar do tempo e o acumular de experiências. A paternidade, por exemplo, mudou completamente a forma como vejo as coisas. A dada altura recuperei uma ingenuidade, uma capacidade de continuar a ver coisas novas em sítios onde já tinha fotografado inúmeras vezes, que pensava já ter perdido.

fp Quem é ou foi o surfista que te deu mais alegrias fotografar até hoje?

RB: Trabalho com muitos surfistas diferentes, é um desporto individualista e como tal acabas por conhecer todo o tipo de pessoas com atitudes e capacidades completamente distintas. Para mim o desafio acaba por ser encontrar o caminho para conseguir trabalhar da melhor forma com cada um. Claro que pelo caminho conheces pessoas especiais que se tornam amigos para a vida.

fp Um fotógrafo na água passa muito mal, debaixo das ondas? (Fala um pouco das sessões de inverno quando o frio se instala).

RB: Fotografar na água é sempre um desafio na medida em que não controlas quase anda. Preparas o equipamento, tentas posicionar-te no melhor local, mas estás condicionado pelas correntes, marés, ondas e até pela maior ou menor vontade do surfista estar disposto a sacrificar algumas ondas boas só para conseguirem uma aquela fotografia especial. Ao mesmo tempo são estas variáveis que tornam esta actividade tão especial. Na questão do frio, sinceramente acho que não temos frio a sério em Portugal. Ok, há um dia ou outro em Janeiro em que realmente é desconfortável, mas nada que um fato de 5mm, um gorro e umas luvas não resolvam.  Até nesse aspecto somos uns privilegiados em Portugal.

fp Como conseguiram vingar no mercado cada vez mais tecnológico, e com mais pessoas a tentarem esse tipo de trabalho?

RB: A evolução da fotografia digital trouxe realmente mais gente para o mercado porque passou a ser mais fácil tirar uma boa fotografia, mas um fotógrafo profissional tem que o conseguir de forma consistente e não apenas fazer uma boa imagem de vez em quando. Embora a base seja essa – produzir trabalho de qualidade de forma consistente – há uma série de outros factores que são decisivos para sobreviver no mercado e que passam pela relação com os clientes, capacidade de adaptação a cada situação que surge, cumprimento de prazos, etc. Fotografar bem é a base da pirâmide, mas é preciso construir o resto…

fp Para ti quem é o melhor fotógrafo e que características deve ter um bom fotógrafo na água?

RB: Há vários que considero referências, como Brian Bielmann, Jon Frank, Ted Grambeau, Joli, Art Brewer, Tod Glasser, Morgan Maassen e muitos outros. Cada um com o seu estilo.  Alguns destes nem fotografam na água, que é uma confusão recorrente na fotografia de surf. A função de um fotógrafo é conseguir imagens para transmitir uma ideia, ajudar a vender um produto, passar uma emoção, dar a conhecer alguém… e pode consegui-lo com um telemóvel, uma super objectiva profissional, um drone ou a fotografar na água. Estas são as ferramentas à sua disposição e cabe-lhe decidir qual a melhor para cada situação e em função das suas capacidades.

Relativamente à segunda parte da tua pergunta, um bom fotografo na água precisa de conhecer bem o mar, estar bem fisicamente e dominar as técnicas fotográficas.

fp O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

RB: Acho que é admirável se pensarmos no que envolve em termos físicos e curioso em termos conceptuais, já que ele acabou por especializar-se em fotografar o mesmo tema no mesmo local e com resultados surpreendentes. Pessoalmente interesso-me mais pela linha de trabalho do Jon Frank, que é uma visão mais poética do mar com que me identifico bastante.

Tubo! Foto: Ricardo Bravo

fp Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

RB: Vai continuar a existir, não sei se profissionalmente também ou apenas a nível amador. Acho que ninguém pode prever.

fp Que futuro tem a fotografia no surf?

RB: Estamos a viver uma fase de transição em que os conteúdos de vídeo são cada vez mais apelativos, o que não invalida o lugar da fotografia, mas eventualmente, tira-lhe algum protagonismo.  Sendo tudo imagem, são formas diferentes ler o mundo que nos rodeia e se calhar para consumo imediato – redes sociais – o vídeo vai continuar a ganhar terreno nos próximos anos, mas enquanto forma de comunicação ímpar a fotografia vai estar sempre presente. Uma fotografia por si só, ou acompanhada por uma boa história, é algo que nos deixa a imaginar um mundo de possibilidades…”

Agradecemos a disponibilidade do Ricardo Bravo e convidamos a visitar o site dele http://www.ricardobravo.pt/, e também o podes seguir no instagram.com/ricarbravo/

Para a semana, mais um nome estará à conversa connosco.

Aloha

 

Palex

Fairplay

Theboardhole.com/

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Palex FerreiraJunho 26, 20176min0

Que material deve cada surfista utilizar? Num mercado que cresceu muito nos últimos anos, onde proliferaram marcas de pranchas, marcas de roupa, escolas de surf, lojas em todo o lado, quem fornece a informação ao iniciante? Que tipo de material deve usar para evoluir?

No passado os surfistas (englobando como sempre da minha parte todos os que deslizam nas ondas) eram mais autodidatas do que hoje, não havia quem desse uma informação nem dicas de como se fazia isto ou aquilo, era tudo por experimentação, eu lembro-me de arranjar as minhas pranchas com um amigo (o Nunão) em pires de café e material comprado na Loja do Falcão em Sete Rios – Lisboa. Como era feita a mistura com a resina e catalisador? Era por testes. A quilhas vinham colocadas pelos shaper (aquele que faz as pranchas), e era o que havia. Hoje, com um mercado gigante e milhões de consumidores, é fácil adquirir qualquer tipo de prancha, de quilhas, de decks, isto para o surf e longboard.

Rodrigo Bessone, clássico do Bodyboard português a demonstrar habilidade nos tubos caparicanos. [Foto: Nuno Fontinha]

Já no Bodyboard, cuja modalidade pratiquei no início com orgulho, eram todas da mesma medida e mudavam pouco de formato, hoje ao ver as pranchas na loja do Fontinha (MiramarBBshop) na Caparica, até fico baralhado, umas com stringers, vários tamanhos disponíveis, umas mais flexíveis outras mais rijas, uma panóplia de material ao dispor do mercado.

Mas e dentro de água?

O autor do artigo , Palex Ferreira,  no teu “escritório” da Costa de Caparica. [Foto: Nuno Fontinha]
 

Com tanto material disponibilizado nas lojas, porque razão o nível português ainda é médio, desculpem lá a frontalidade, mas é médio para não dizer baixo.

Por outro lado, já um nível bem alto, exemplo é os atletas profissionais, que já competem de igual com os melhores do mundo, isso houve evolução, mas é necessário perceber o que não está a ser bem feito.

Hugo “Jamaica” Carvalho metendo pressão nas suas quilhas. [Foto: Nuno Fontinha]
 

Que tipo de quilhas gostas? Eu sei que gosto delas maiores, apesar de fazer longboard prefiro quilhas tamanho L em vez de estabilizadores e uma quilhas central entre as 5’5 e as 7 polegadas, sinto-me bem com essa configuração/Setup, mas numa prancha pequena (5’10 já prefiro as L, ou em caso de serem QUAD (4 quilhas) as da frente L e atrás S).

Porque grande parte dos surfistas e bodyboard não conseguem gerar velocidade suficiente para manobras boas?

Fazendo uma analogia, se o Sebastien Loeb andasse como eu de carro, nunca seria piloto do WRC, certo? Ele sabe o que faz o carro andar, como fazer para que o carro ande mais rápido nas curvas, etc. Nas ondas é igual, é preciso desenhar e perceber para evoluir em como se deve melhorar a linha numa determinada onda.

Que tipo de pranchas devem ter determinado surfista, mais reta, mais curva, com curva no tail ou a meio, um surfista tem que saber o que uma prancha lhe vai permitir evoluir, senão não vai andar. Vou ser acusado que “isso não interessa nada, o que interessa é a diversão e estar com os amigos e bla bla”, mas eu quero evoluir e isso passa por aproveitar ao máximo quando estou na água, tentar destruir uma ondas da melhor maneira possível, deviam ser todos assim.

No Longboard e nos Hangtens (colocar os dois pés no bico da prancha) é preciso ter as quilhas certas para o equilíbrio Carlos Bahia (LUFI SURF CO Rider) [Foto: Nuno Fontinha]
 

Se virmos bem, todos queremos ser melhores, ser como os melhores atletas nacionais e claro os mais mediáticos mundiais. Só assim iremos evoluir e ficaremos muito mais felizes connosco próprios. Mas cada se diverte à sua maneira, concordo, e se utilizasse de forma correta os materiais que utiliza? Se calhar a evolução seria mais breve, porém a cena do surf é curtir a vida e a praia, respeitando tudo e todos, cada um tem o seu estilo.

Hoje temos milhares de formas e tipos de material disponíveis em qualquer loja, mas temos que ser nós enquanto amantes das ondas a saber o que precisamos, se alguém nos perguntar sobre determinado tipo de quilha, devemos ser amigos e dizer se gostamos ou não devido ao tipo da quilha, porque como em tudo na vida não gostamos, nem somos todos iguais, apesar de haver ténues diferenças na praia.

The Board Hole

Que tipo de prancha devo usar, onde posso saber disso? Estou a iniciar um trabalho como social media (utilizar algumas ferramentas que o meu mestrado me ensinou, que o google não explica tudo- sou um engraçadinho e cheio de ironia) num site que foi para o ar há um mês, e que permite dar uma ajuda com a participação de bons surfistas (englobando todas as formas de deslizar nas ondas) para permitir esse feedback a quem precisar dele.

Imagem: theboardhole.com

Devido a essas mesmas questões abracei um projecto que me parece estar em falta no panorama deste tipo de desportos de deslize (Surf, Longboard, Skate, bodyboard, ski, snowboard entre outros tantos), um site onde se pode ver os aconselhamentos, ou advisory em inglês que todos dominamos. Acho que faz sentido obter essa informação, quer os iniciados no desporto, mas bem como obter esse feedback dos experts, quem melhor para testar pranchas, quilhas, fatos, rodas, snowboards… que os pros?

No tal projeto que abracei, www.theboardhole.com procura-se dar essas dicas e aconselhar que material estaremos a utilizar, com vista à melhoria das performances, pelo que vos convido a visitarem e a registaram-se.

E mensalmente, trago ao Fairplay.pt, um artigo especial para ti. The Board Hole e Fairplay.pt na tua evolução na arte de deslizar!

No fim deste artigo, chegaremos a pensar se estaremos bem equipados para a prática que adoramos.

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Eduardo MenezesMaio 27, 20174min0

Um abençoado campeão de volta ao lugar mais alto do pódio; um dos mais talentosos surfistas da atualidade longe da luta pelo título. Da mesma origem, mas completamente diferentes. Adriano de Sousa e Filipe Toledo, o protagonista e antagonista da última etapa no Rio de Janeiro.

Adriano de Sousa foi protagonista e venceu o CT#4 no Rio de Janeiro e encontra-se em 2º lugar na corrida pelo título do tour, empatado com o sul-africano Jordy Smith com 24,400, atrás apenas de John John Florence (HAW), 24,750 pontos.

O resiliente brasileiro, campeão mundial de 2015, parece estar voltando a sua melhor fase, sempre abençoado por Ricardo dos Santos, como Mineirinho costuma frisar em todas as suas entrevistas e dedicar todas suas vitórias – Ricardinho dos Santos, surfista brasileiro de ondas grandes,  foi assassinado em 2015, em frente ao seu avô, após uma discussão banal.

Tatuagem em homenagem a Ricardo dos Santos [Foto:ESPN.com.br]
 

Adriano, 30 anos, tendo mais de 11 anos na elite do surf, parece querer sempre mais. Se antes lhe faltavam vitórias e conquistas, isso mudou. Campeão de 2015 e primeiro vencedor brasileiro da mítica etapa de Pipeline no mesmo ano, não precisa provar mais nada a ninguém dentro e fora do tour.

Se comparado com outros surfistas brasileiros da elite, Adriano parece mais um estrangeiro, pois mesmo emotivo acaba por ser frio e calculista em suas batalhas. Aparecendo menos na mídia, tendo um surf mais focado, com mais power e talvez menos espetacular, treinando muito, mas muito mesmo, passando épocas tanto no Havaí como em Fiji, aprendendo aquilo que sabia menos e melhorando seus pontos fortes.

A sede por conquista e nunca desistir fazem com que possamos ver um protagonismo, vencedor acima de tudo. Adriano de Sousa é um exemplo que todos deveriam seguir, pois nem sua origem humilde, nem os contra-tempos da vida, o fizeram desistir. Pois soube reconhecer suas fraquezas e deficiências, fazendo disso motivação para ser melhor.

Mentalmente e tecnicamente, Mineirinho se superou e se supera a cada época. Um exemplo dentro e fora do mar, que leva consigo um irmão que o abençoa a cada heat e em todas as ondas do mundo.

[Foto: joliphotos.com]
[Foto: joliphotos.com]
 

Resiliência e humildade, características marcantes desse brasileiro devem ser notadas e aclamadas no mundo do surf. O capitão honra suas origens e seu amigo, fala menos e faz mais. Por outro lado…

O outro lado da moeda.

Filipe Toledo um dos mais talentosos e promissores surfistas do Brazilian Storm, parece às vezes estar um pouco perdido. E a pressão para que ele passe de promessa à realidade, pode estar pesando em suas performances e atitudes. Fazendo dele o grande antagonista da última etapa.

[Foto: Henrique Pinguim]
 

Se seus incríveis aéreos fazem o público e juízes ficarem boquiabertos, mas sua atitude de contestação e sua falta de controlo chamaram ainda mais atenção na última etapa. Filipinho foi penalizado por uma interferência em seu heat contra o Kanoa Igarashi (USA), tendo uma de suas notas cortadas pela metade, retirando em muito a sua chance de vencer a bateria e avançar na etapa, como também na corrida pelo título mundial.

Mesmo numa decisão delicada do juízes e até mesmo a ponto de ser contestada, o brasileiro não poderia ter a atitude que teve. Praticamente fora de si, manchando não somente a sua imagem, como também a de outros surfistas. Filipinho errou e foi punido, estando fora da próxima etapa em Fiji, retirando assim, grandes possibilidades de título ao jovem brasileiro.

Talvez, Toledo necessitasse ser um pouco mais Adriano de Sousa, se espelhar no atleta campeão, que anda a fazer muito. O perfil diferente não faz dele pior que Adriano, mas quem sabe um pouco mais de concentração, resiliência, atitudes pensadas e frias façam de Filipinho o grande surfista e atleta que tanto se espera. Se surf não lhe falta, atitudes de campeão e estrategismo devem ser acrescentados ao seu repertório, vencendo assim baterias mais complicadas mentalmente.

Tanto Adriano quanto Filipe são surfistas de elite, cabe a Filipe por a cabeça no lugar, parece que já começou quando assumiu a culpa no episódio de sua suspensão, e seguir os passos vencedores de Adriano. Dois grandes surfistas e quem sabe, dois grandes campeões.

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Eduardo MenezesAbril 28, 20178min0

Um país, três etapas, diferentes vencedores e um antigo líder. A perna australiana do WCT, da World Surf League, começou agitada e mostrando que, realmente, o campeonato de 2017 tende a ser o mais disputado dos últimos anos. Mas o domínio dos melhores, entre os melhores, tende a continuar.

Se em Gold Coast, pudemos ver a coroação da superação e do talento nato, com a vitória de Owen Wright (AUS). Em Margaret River, ficamos com exibições quase perfeitas do último campeão, John John Florence (HAW), confirmando aquilo que todos já sabiam, o Havaiano tem muito surf e está cada vez mais competitivo. Porém faltava alguém tocar o sino na última etapa da perna australiana – Bells Beach, uma das mais antigas e icónicas etapas do tour -, coube ao sul-africano, Jordy Smith, essa honraria, demonstrando que o seu vice-campeonato de 2016 não foi por acaso e que 2017 poderá ser diferente.

Os 3 primeiros e Andino

John John Florence, figura mais que carimbada em todos artigos e conversas de surf, como o surfista com mais potencial de dominar a cena mundial, começou o ano como ou melhor do que terminou  2016, surfando muito, tirando manobras improváveis, mas não impossíveis para ele. Consistente e cada vez mais estratégico, assegurou duas 3º posições e uma vitória, somando 23,000 pontos e a lycra amarela. Se assim continuar, poderá assegurar o Bi-campeonato antes da derradeira prova em sua casa, Pipeline.

Jordy Smith, o vice-campeão de 2016 parece estar cada vez mais decidido em se sagrar o novo rei do surf. Iniciou com uma 9ª colocação e pareceu estar apenas a aquecer, para a última etapa australiana em Bells Beach, onde detonou e levou o sino para casa. Já soma 19,200 pontos e está na cola do havaiano.

Owen Wright, como num enredo de cinema, o australiano iniciou o ano da melhor forma possível. Vencendo em sua casa, após um ano fora da elite, devido a uma grave lesão que o obrigou a reaprender a surfar. Nas etapas seguintes, continuou consistente, ficando com uma 5ª e 9ª colocação, empatado com Smith na 2ª posição do ranking.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

O surfista norte-americano, Kolohe Andino, merece sim um destaque nesse início do tour, o 4º colocado do ano passado, começou o ano tão bem quanto terminou a última época. Se conquistar alguma vitória nos próximo eventos, poderá chegar às últimas etapas do ano ou Pipeline com changes de título, e assim ser o underdog do ano. Andino está atualmente com 13,750 pontos e em 5º lugar.

Brazilian Storm

4 entre 12 dos melhores posicionados no ranking da WSL, são brasileiros. Com destaque a Adriano de Souza, o conhecido Mineirinho, com seu surf constante e competitivo, entretando muito potente e vistoso, chegou a dois quartos-de-final e uma 9ª posição, o que lhe garantem 14,400 pontos e a quarta posição na tabela de classificação, nada mal para quem tenciona ser campeão novamente.

Filipe Toledo em sua especialidade. [Foto: Henrique Pinguim]
 

Filipe Toledo se redimiu da péssima desclassificação logo no round 2 em Gold Coast, chegando a uma meia-final  e um 5º lugar nas etapas seguintes, dominando ondas pesadas, algo não muito comum no surf do brasileiro, caracterizado pelos seus aéreos. Sua melhora, o credencia para novamente ganhar a próxima etapa no Rio de Janeiro e lutar pela coroa ao final do ano.

O rookie de 2016, Caio Ibelli, surpreendeu em Bells Beach ao chegar a sua primeira final, após eliminar Frederico Morais (PT) nos quartos-de-final e ninguém menos que John John Florence, na meia-final. Junto com a dupla 13º colocações nas etapas iniciais, o zuca faz ótima figura em 2017, tendo o próximo evento em casa para consolidar entre os 10 primeiros, antes da ondas tubulares, que podem causar algum estrago as pretensoes do jovem surfista.

O grande expoente da geração brasileira, Gabriel Medina, aparece na 11ª colocação, muito aquém, daquilo que o surfista tupiniquim pode alcançar e da posição que costuma estar. Porém, todos já conhecem o grande potencial de Medina no tubos e na onda brasileira da próxima etapa, o que nos faz crer, que irá galgar posições no ranking nas próximas etapas.

Os novatos

Rookies 2017 – [Imagem: torcedores.uol.com.br]
 

Se assim podemos dizer, Leonardo Fioravanti (ITA) fica com o prémio de decepção nesse início de época, apesar dos resultados alcançados serem normais para um rookie, o jovem italiano e um dos primeiros classifcados pelo WQS de 2016 acostumou o mundo do surf com altas performances, quando assim competiu como wildcard no WCT 2016, por exemplo, sua 5ª colocação em Margaret River. Neste ano ainda não passou pelo round 2 e soma apenas 1,500 pontos.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Como destaques positivos temos o havaiano Ezekiel Lau, surfista que ficou com a úlitma vaga no WCT, graças a ajuda de Kanoa Igarashi (USA) que avançou a final em Pipeline e se garantiu também pelo WCT, deixando a vaga ao amigo pelo QS. Lau em Bells Beach alcançou sua primeira meia-final, perdendo apenas para Jordy Smith, campeão da etapa. O jovem já soma 8,750 e está em 11º, empatado com Medina e logo a frente de Kelly Slater.

Outro novato que iniciou o ano muito bem foi Connor O’Leary (AUS), o primeiro colocado do QS 2016, correu as três etapas em casa, uma grande vantagem nessa caminhada longa e dura que é o WCT. Logo na primeira prova do ano, chegou aos quartos-de-final, quando foi derrotado pelo campeão do evento e compatriota Owen Wright.

Não poderíamos deixar de falar dele, Frederico Morais (PT). O jovem português, caracterizado pelo seu power surf , continua muito estratégico e competitivo em todos seus heats. Alcançou um notável 5º lugar na última etapa da perna australiana, seu melhor resultado no ano, quando perdeu para o finalista do evento Caio Ibelli (BRA). O WCT é muito competitivo, mas Kikas já mostrou que tem força e mentalidade para se manter entre os melhores e se o campeonato acabasse hoje, Freferico estava na elite de 2018, uma vez que se encontra 19º lugar com 7,450 pontos.

Parece difícil e, realmente, é

Muitas vezes ao escrever um artigo sobre o WCT ou ao ler algo sobre a elite do surf, pareço estar sempre a ver os mesmos nomes. Os mesmo candidatos estão sempre lá, alternando apenas algumas peças e por assim dizer que dentro do dream tour, estar entre os melhores é uma tarefa muito difícil.

Se andarmos 2 anos atrás, quando o Capitão, Adriano de Souza (BRA) foi campeão e compararmos com a época passada, temos 5 atletas iguais nas 12 primeiras posições. E de notar que tanto Florence e Smith se lesionaram na época de 2015, Mick Fanning (AUS) não correu todas as etapas do tour de 2016 e Owen não participou da época passada, o que poderia significar 9 atletas iguais nas 12 primeiras posições.

Ao se comparar o ranking após os 3 eventos iniciais com o do final de 2016, 9 dos atletas classificados entre os 12 primeiros em 2017, estão na lista de 1 a 12 de 2016.

Ranking WCT 2016 e 2017. [Imagens: WSL]
 

Confira a classficação do WCT masculino aqui.

Podemos verificar algumas semelhanças e afirmar que estar na elite é muito difícil, mas estar entre os melhores da elite, requer muito mais. Demonstrando que no prime time, existe um domínio e para quebrá-lo, o atleta terá que dominar todos os tipos de ondas, desde de pequenas à enormes e tubulares.

Sem falar que apenas 6 surfistas, entre os 32 do WCT 2017, foram capazes de ficar no lugar mais alto do pódio.

Logo, podemos ver aqui que as prestações de Frederico Morais são muito boas e se notarem bem, ele tem os mesmos resultados que o tetra campeão, Mick Fanning. Ainda mais que pelo sistema da WSL, os heats cruzam os melhores classficados com os que vão mais abaixo da tabela, logo o Frederico está sempre a dividir ondas com àqueles acima citados. OBS.: com Fanning ocorre o mesmo nesse ano, uma vez que sua classificação em 2016 não foi a das melhores, ou alguém imaginaria um round 1 com Fanning e Slater? Ou round 2 contra Owen Wright?

Acreditar no power surf do português é uma realidade e que Kikas consiga se adaptar as mais diferentes ondas, como algumas menores que podem aparecer pelo tour e as usuais tubulares.

Ainda há muito a acontecer, 8 etapas com diferentes ondas e muitos candidatos ao posto mais alto, o WCT em seu melhor!

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Palex FerreiraAbril 15, 20177min0

O desporto é em geral, feito em determinada zona geográfica, e devido à repetição das rotinas, muitos adquirem pensamentos de pertença, a uma zona que não tem dono. No caso o mar é de todos, e de todos se deve manter, porque todos temos direitos a estar livremente em todo o lado (daí falarmos em democracia e liberdade).

Todos os que surfam tendem a ter ou a tentar ter tendências territoriais com as zonas onde praticam a sua atividade, com que fundamento?

O Localismo é palavra antiga, mas o problema maior por vezes, a meu ver, é a falta de respeito por quem não conhece e chega de forma intrusiva e desrespeita quem por lá anda.

Se no Golfe não é permitido ir para os greens, enquanto não se sabe os mínimos, porque razão no mar é a selva, entre inexperientes e experientes (assim por dizer)?

Não há nada que informe as regras do bom senso na praia e nos mares, apenas existe o bom senso, tal como nas estradas, nos passeios, existe ou deve existir.

O Crowd. Foto: SurfScience.com

Os Havaianos são locais agressivos, porquê? Porque o território não dá as ondas grandes e boas todo o ano, e quando dá, aparecem milhões de turistas ou como eles denominam de “haoles” a invadir o paraíso.

Na Caparica, onde surfo diariamente, vejo grupos em praticamente todas as praias, vejo imensa gente na água, mas no fundo não costumam existir assim tantos problemas, o que é sinónimo de evolução dos surfistas (englobando todos os que deslizam nas ondas).  Claro que como ironizei com a estrada, de vez em quando existem problemas, que costumam ficar sarados logo aí, de forma a não recorrer às autoridades, os problemas são resolvidos na hora. E porque se trata de uma zona à semelhança da Linha de Cascais, de zonas metropolitanas, onde vivem milhões de pessoas.

Crowd area. Foto: Surfer.com

A questão da massificação de gente a surfar ou a deslizar nas ondas.

Cada vez há mais gente no mundo, e já existem poucos recantos sem ninguém, não podemos ser ermitas e viver numa bolha sem ninguém por perto. A meu ver a “moda” do surf veio para ficar, de forma forte e claro, que com muito mais gente do que era, quando era considerado um desporto um pouco alternativo, marginal, faz parte da evolução de uma modalidade que sabe bem fazer.

O mercado que depende dessa gente toda, ganha-se muito dinheiro, as escolas de surf, as marcas de surf, as lojas de surf, as marcas de pranchas, de fatos, de tudo que se relaciona com o surf. Mas é preciso ser ponderado, porque há espaço para todos.

Os horários fora das 09h00-18h00 mete mais gente disponível para desportos, logo durante a semana e fim de semana a praia está cheia, ou com muita gente, mas vivendo nós num país com quase 1000 quilómetros de comprimento e plantado à beira mar, existe ainda espaço para encontrar locais com menos gente.

O Localismo é no fundo uma questão de defender a terra, a região, o país, existem grupos de surfistas mais aqui do que ali, é de notar que por vezes se acham locais por estarem no mesmo local durante algum tempo.Depois nem conhecem a história e os pioneiros da zona e por vezes tentam removê-los da zona que também é deles, então quem é o local, é o puto groom que surfa há 5/6 anos todos os dias, ou o veterano que surfa desde groom (décadas de surf)? Nem um nem outro, a praia é de todos, mas deve haver respeito, de ambos. E nesses casos por vezes fala-se de Localismo, sem se saber ao certo do que se fala.

O respeito deve acontecer sempre e quezílias vão sempre existir. O surf cresceu muito e de forma rápida, as pessoas que usam a praia, já respeitam a malta que se senta à espera de ondas, porque sabem que assim em caso de necessidade esses os salvarão.

Deveria e penso que existe e reina por cá algum bom senso entre o crowd, até porque dessa forma até corre melhor as ondas, a malta vai para se divertir e não se chatear. É normal que os melhores sejam mais energéticos e por isso se tornam “chatos” nas zonas, mas é assim, no mar não é como nas estradas, neste aspeto, mas também se buzina quando um acabado de tirar a carta ou um velhinho anda fora do regular movimento da estrada.

O territorialismo do humano é em tudo o que faz, no seu país, na sua casa, em todo o lado, existe a máxima “A minha liberdade acaba onde começa a dos outros” e deve ser respeitada assim mesmo.

O Localismo é no fundo a defesa da zona onde se pratica, de forma a proteger a zona, o bom senso, e não apenas visto pelo lado negativo, o da violência (até porque isso para além de não resolver nada, ainda dá chatices com autoridades, e outras chatices chatas…) por isso devemos ter em consideração tudo e todos, sejam surfistas, longboarders, Bodyboarders, Sup’ers, banhistas, todos os indivíduos que procuram ir até à praia para relaxar e divertir.

Um dos mais temidos grupos de Locais, DA HUI Made in Hawaii. Foto: SurferToday.com

Não à violência

Não à violência é um trunfo numa sociedade inteligente, que sofre atentados “terroristas” dos Daesh, Hooligans, Grupos racistas, etc., já chega de cenas violentas, stresses, guerras, entre outros factores negativos, queremos é paz e bem-estar em todo o lado, principalmente onde nos sentimos bem, no mar.

A findar, os que mais viajam são os que mais entendem que o Localismo não resolve nada, porque só quem não sai do seu canto é que pode pensar nisso, mas neste país (Portugal) com tantas ondas, porque haverá necessidade disso, o que acorda esses sintomas de pertença, é como já foi referido, a falta de respeito de alguns que se acham melhores, os mais espertos (chico-espertos) que os restantes, mas se todos se respeitarem tudo correrá bem. O Crowd hoje em dia é uma realidade que não existia há 40 anos, e então, temos que nos adaptar, ceder por vezes, tal como o fazemos quando decidimos que vamos viver com outra pessoa, não pode ser tudo como era.

Como autor deste artigo sei que vou ouvir algumas bocas, porque sou Local do Mundo, e respeito tudo e todos, desde que me respeitem (risos). Mas também já me habituei a isso.

Espero que se divirtam no mar, em terra, no ar e em todo o lado sem problemas, porque não vale a pena.

Agora quem compete e se habituou a surfar em todo o lado, por vezes dá para rir, algumas atitudes de pessoas que apareceram muito depois, mas que falam de localismo, e quando estão em locais onde isso existe nem reagem. Por isso deixem-se de cenas e sejam felizes e evoluam na forma de surfar (incluo todas as formas de deslize nas ondas).

Nota:  por Portugal o crowd ainda é relativo, comparando com países como a Austrália, onde chegam a ser mais de 300/400 por praia, por isso Crowd em Portugal ainda está bem longe da realidade (e ainda bem) americana e australiana e brasil. A título particular lembro-me de em 1999 na Austrália com os meus amigos Lufi e Necas, em Manly Beach onde eram mais que as mães e conseguimos surfar umas belas ondas, por isso deixem-se de cenas e sejam respeitadores e felizes.

#Aloha a todos

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Eduardo MenezesMarço 29, 20177min0

Vitória emocionante; rivalidades acirradas; rookie a despachar favoritos; tudo isso em apenas 1 etapa. O tour apenas começou, mas já demonstrou que não podemos perder nenhum minuto do surf da WSL. Agora, o que esperar no segundo evento? Muito mais…

O primeiro show, que deve continuar

Como prometido e previsto por nós, o ano da WSL começou em grande, já marcada pela emocionante conquista da primeira etapa pelo australiano Owen Wright. Após um ano de recuperação de uma grave lesão (concussão cerebral), que o impossibilitou de disputar o tour do ano passado, como também de simplesmente surfar.

Owen precisou “reaprender” a se por em pé numa prancha, dentro desse processo alguns duvidaram de sua volta, mas muitos fanáticos pela arte do surf e ouso dizer que 100% dos envolvidos no tour acreditavam e sabiam que o aussie voltaria a demonstrar seu talento ondas afora. Talvez uma vitória logo em sua volta, tenha sido inesperada, mas a emoção dessa vitória retratada pelo choro de Owen e de sua esposa ao abraçá-la juntamente com seu primogênito, é simplesmente impagável. Cenas que somente o desporto pode nos trazer.

A emoção que só o desporto proporciona [Foto: Corey Wilson]
 

A final em Gold Coast necessitava de um antagonista, este papel coube a Matt Wilkinson (AUS), que foi a surpresa do ano passado. Wilko iniciou 2017 de forma muito semelhante a 2016, com surf consistente em sua casa, vitórias a cada bateria e mais uma final. Promete novamente brigar pela coroa do surf e começar bem a perna australiana é fundamental.

Os australianos foram defrontados nas meias-finais, pelo atual campeão, John John Florence (HAW), e pelo sempre candidato ao bi campeonato, Gabriel Medina (BRA), – Wilkinson x Florence e Wright x Medina – . Demonstrando que os jovens campeões vieram, novamente, com sede de título e ser campeão pela 2ª vez é um objetivo, o qual podemos considerar plenamente atingível.

Se assim o podemos considerar, a velha guarda da elite foi representada por Kelly Slater (USA) e Joel Parkinson (AUS) nos quartos de final. Slater teve uma disputa épica, de novo, contra Medina decidindo a bateria na última onda, esperando a nota final e o vencedor do heat, já fora da água. O americano ainda questionou os juízes sobre uma possível interferência de Gabriel, o que não foi aceito pela comissão, mas essa atitude diz muito sobre o maior campeão de sempre, ele quer mais um título e vai brigar muito por isso. Já Parko foi parado pelo seu compatriota Matt Wilkinson numa bateria dominada pelo vice-campeão nas ondas de Snapper Rocks.

 

A juventude chegou e demonstrou para que veio. Connor O’Leary, rookie australiano, despachou ninguém menos que Julian Wilson (AUS) no round 3 e venceu o round 4, contra ninguém menos que Wright e Jordy Smith (ZAF), atual vice-campeão da WSL, indo diretamente para os quartos de final, onde encontrou novamente Wright que dessa vez não deu chances ao novato. (Nota: o round 4 não é eliminatório, o vencedor segue para os quartos de final, enquanto os outros 2 perdedores vão para uma repescagem – round 5).

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

Frederico Morais, o representante português, iniciou muito bem seu primeiro ano de “prime time”, vencendo sua bateria na primeira ronda, desbancando Filipe Toledo (BRA) e Adrian Buchan (AUS), porém não conseguiu repetir seu feito e bater o mito Slater no round 3. Sendo eliminado, ficando em 13º colocado no evento e acumulando 1,750 pontos no ranking. Pode parecer ruim, mas avançar baterias, se acostumar com o tour e o nível de disputa é muito difícil, Kikas segue num bom rumo e ritmo para almejar melhores posições. A prestação do português é de se aplaudir, torcer e acreditar no seu power surf é um fato que os portugueses devem levar adiante.

#2 Drug Aware Margaret River Pro

Se emoção e altas disputas não faltaram na etapa de estréia, o segundo evento do ano promete seguir a mesma linha. Pois já se inicia com um heat alucinante, Kelly Slater x Mick Fanning (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA), com os primeiros 2 nomes somam-se 14 títulos mundiais, o que significa muito surf no pé, adicione a isso a participação do estreante Leo, italiano que em 2016 fez bonito em Margaret River, saindo de wildcard a 5º colocado.

Os principais nomes em Gold Coast devem avançar rounds e acirrar a disputa pelo t-shirt amarela. Owen já demonstrou que está totalmente recuperado, logo voltar a tirar 10 perfeitos aliados a vitórias em baterias e etapas não será tão difícil assim 2017, talento não falta a esse aussie que deseja ser igualmente campeão do mundo, como sua irmã Tyler Wright, detentora do título do WCT feminino.

 

Já seu compatriota, Matt Wilkinson repete seu bom início de ano, calando muitos que disseram que o ano passado seria uma doce exceção na carreira do irreverente surfista australiano. Briga novamente pelo título dessa etapa e pela liderança do ranking.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Medina, expoente do Brazilian Storm, parece ter aprendido a lição do anos anteriores e se quer ser campeão novamente, teria que arrancar o ano em melhor forma, e assim o fez em Snapper. Apesar de uma pequena lesão, Medina tem tudo, surf e estratégia, para chegar longe novamente na segunda etapa da perna australiana.

Florence parece não ter ficado sem foco ou com menos gana, após seu primeiro título. Pelo contrários, o havaiano chegou em 2017 ainda mais calmo e confiante em seu surf. Se em 2016 caiu no round 3, esse ano aparenta que vai chegar mais longe e quem sabe já começar a liderar o tour e ter de volta sua camisola (lycra) amarela.

A baixa do evento será o brasileiro Ítalo Ferreira, após se lesionar no free surf não poderá competir a segunda perna australiana. O rookie de 2015, iniciou muito bem 2017, mas essa lesão o tira de ação e esperamos que se recupere e volte logo.

Classificação 2017. [Imagem: WSL]
 

Se alguém precisa melhorar, leia-se ficar melhor colocado, para ganhar confiança e brigar pelo sonhado título, esse é Jordy Smith (ZAF), vice-campeão do WCT 2016, acumula 4,000 pontos, relativo ao 9º lugar em Gold Coast. E quem o conhece, tem a certeza que o gigante sul-africano chegará em Margaret River com muita gana para passar heats e subir na classificação.

Como sabemos, o surf sempre reserva o imprevisto a cada swell, os favoritos começaram bem e tem tudo para seguir assim. Mas nunca podemos declarar um vencedor por antecedência, por isso a única coisa de devemos fazer é não perder o segundo show do ano.

E que nesse espetáculo, tenhamos Kikas a demonstrar todo seu repertório da arte do surf. Para o português seria ideal avançar diretamente ao round 3, trazendo maior tranquilidade e confiança, dado que disputará uma vaga contra o atual rei da coroa do surf, John John Florence. Se ano passado, a vitória em cima do prodígio havaiano não veio, nem na última nota (faltou 0,01), que esse ano reserve uma melhor sorte a Frederico, pois surf, como já dissemos e gostamos de repetir, não lhe falta.

Não perca o CT #2 Drug Aware Margaret River Pro, com janela de disputas entre 29/03 e 09/04 e chamadas as 7:30 do horário local (00:30 de Portugal). Confira em direto no site da World Surf League ou pelo Facebook.

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Palex FerreiraMarço 28, 20179min0

Nos últimos anos temos vindo a reparar, enquanto surfistas livres, que cada praia e cada spot tem por norma uma ou mais escolas de surf a funcionar. É o preço da massificação da melhor experiência do mundo, o de deslizar numa onda. Sensação única, que, actualmente, muitos procuram numa escola de surf perto de si.

A alta no ensino de surf, bem como o aumento de provas, são sinónimos de que a modalidade do deslize está a crescer e bem. Há alguns anos, esta modalidade era só para a malta mais autodidacta, que tentava se equilibrar em cima das pranchas, sem ter ninguém para dar dicas, tendo que aprender tudo à custa de muitas horas de surf.

Com o tempo muita coisa mudou, actualmente o acesso à pratica desse desporto está tão massificado, que é super fácil encontrar alguma “coisa” perto da zona de residência ou de férias para praticar. Na Costa de Caparica existem dezenas de escolas, bem como na Linha de Cascais e um pouco por todo o País.

Mas o Mercado do Surf é um activo que cresce anualmente de forma controlada ou descontrolada? Não sei, apenas visualizo que praticamente todas as praias têm escolas de surf, isso é bom para o mercado e para quem trabalha nele. Pois cria mais emprego, traz mais visitantes ao nosso país, consequentemente gera receitas ao turismo português.

Aulas de surf em ação. [Foto: Dario Rodrigues]
 

Porém, como será o futuro deste negócio, que cresce de ano para ano, em todo o lado? Os professores são certificados? Como confiar e escolher uma escola de surf? Há treino/ensino há todos ou é necessário alguma experiência na modalidade?

Apesar do crescimento ser ótimo a economia e ao desporto, muitas questões ficam em aberto e geram dúvidas a todos. Por isso, para perceber melhor forma de como é ou são dadas as aulas, as quais variam de escola para escola, de professor para professor, e como o mercado de escolas de surf tem-se comportado, nesse novo cenário da modalidade em Portugal.

Conversei com uns companheiros de ondas, Dário Rodrigues e Leonor Bento, Nokas para os amigos, que dirigem a Lufi Surf School.  Dário é surfista há mais de 30 anos e Nokas foi campeã de longboard em 1998 e é irmã de um dos maiores nomes de Longboard nacional e mundial, detentor de 5 títulos nacionais, conhecido nas praias por Lufi, que orgulhosamente viu a sua filha, Raquel Bento sagrar-se campeã nacional de Longboard, em 2016.

A escola abriu as suas portas na Costa de Caparica em 2009, é uma escola certificada pela Federação Portuguesa de Surf e inscrita no Turismo de Portugal. Eles nos explicam um pouco mais sobre a dinâmica desse mercado.

fp. Actualmente existem muitas escolas, o que a vossa escola tem como vantagem competitiva que a difere de outras?

LSS. A grande diferença está na qualidade das nossas aulas e a atenção que damos a todos os nossos alunos. Para tal apostamos em bons treinadores certificados, métodos de ensino correctos e na segurança, quer através de rácios correctos alunos/treinador. quer através de número máximo de alunos na água por sessão.

fp. O ensino de surf actualmente está organizado de melhor forma, devido ao boom dos últimos anos, o que terá catapultado essa procura, para se iniciarem neste desporto?

LSS. O aumento da procura, e de número de praticantes efectivos, é, precisamente, pela facilidade com que agora qualquer pessoa se pode dirigir a uma escola e sentir-se em segurança e com companhia para se iniciar neste desporto. Aproveitamos para aconselhar a quem procure uma escola que se informe bem se esta é legal, que treinadores têm, como funciona, se tem instalações, seguros, etc.

fp. Em termos competitivos como preparam os vossos atletas para as provas, psicologicamente e fisicamente? Que tipo de treino é destinado ao aspirantes a carreira competitiva?

LSS. Temos vários níveis na nossa escola:

Iniciados: para todos aqueles que estão a começar com aulas simples com os princípios e métodos básicos.

Intermédios: para aperfeiçoamento daqueles que já controlam e fazem o básico. Nesta classe já há também alguma introdução de exercícios específicos para surf

Avançados: para aqueles que querem evoluir mais em termos competitivos ou apenas como freesurf. Esta classe já possui um esquema mais completo de treino, com exercícios específicos, objectivos e analise de vídeos e fotos após o treino.

fp. Hoje o número de formadores é elevado, devido à existência de cursos para esse efeito, como escolhem os “professores”, para a vossa escola?

LSS. O perfil dos treinadores para a nossa escola é um ponto fundamental; a sua formação e certificação pela FPS e IPDJ são pontos que, aliados à educação e idoneidade do seu carácter, são determinantes na nossa escolha.

fp. As marcas do surf colaboram/patrocinam a atividade?

LSS. Somos uma escola powered by Deeply e com o apoio e parceria do Hotel Costa de Caparica.

fp. O facto de estarem associados a uma marca, permite mais credibilidade, ou isso não é importante para o sucesso do ensino?

LSS. O sucesso de uma escola estará sempre ligado à qualidade do seu ensino, nunca por causa da marca que representa ou a patrocina. O facto de estarmos associados a três marcas de renome como a LUFISURFCO, a Deeply e o hotel do Hotel Costa de Caparica (futuramente Tryp Lisboa Caparica Mar) é um orgulho e uma responsabilidade acrescida.

fp. Como interagem os atletas da LUFI SURF CO, com os alunos da vossa escola?

LSS. Temos por vezes a oportunidade, quando estão em Portugal, da sua ajuda nas nossas aulas e troca de ideias sobre os métodos de ensino praticados noutros países.

fp. Uma última palavra sobre vocês e o que, quem procura por uma determinada escola, deve ter em conta, por exemplo o que procura um aspirante a iniciar-se no surf, como comunicam?

LSS. Quem queira procurar uma escola para se iniciar deverá ter sempre em atenção a certificação da escola e dos treinadores pela Federação Portuguesa de Surf e Instituto Português de Desporto e Juventude, se tem as licenças da capitania e seguros em dia e que instalações possui ou se as tem. Para além disto tudo também se deve informar como e onde funcionam, os seus métodos, rácios alunos/treinador e o seu número máximo por aula.

O que não podemos nos esquecer

Após esta conversa com estes dois amigos meus, podemos perceber como uma escola de surf deve funcionar e o que os potenciais alunos devem procurar. Como professores certificados, escolas com bom rácio entre intrutores e alunos, licenças e outros critérios de segurança que farão a experiência em surfar uma onda ser única e inesquecível.

Fora esse exemplo, vejo que os processos de aprendizagem utilizados, são de uma forma geral, igualmente usados na grande parte das escolas. Acredito também, que não se dê aulas apenas pelo sentimento de ganhar dinheiro, mas mais pelo prazer de ensinar esta arte que é o deslizar nas ondas.
(Nota: que me desculpem os outros tantos amigos com escolas de surf, mas não dava para escrever sobre todas.)

Espero e acredito que a maioria destas escolas funcionem de forma legal, porque as multas não devem ser de fácil digestão. Sendo que dessa forma tornam-se num negócio ainda maior e mais protegido para todos, cuja dimensão crescerá muito mais.

Crowd caos [Foto: Facebook.com/xtremesurfers – Pedro Morais]
 

A praia e o surf como porta de entrada para turistas

O surf está de boa saúde actualmente, mas como será suportar este crescimento no futuro? A resposta está em cada vez mais em empregar força de trabalho especializada na área do lazer, e assim por dizer, no serviço do turismo. Porque as escolas de surf, no geral, prestam um serviço de turismo. Associado à esta actividade de ensino, temos cada vez mais locais de acolhimento, as chamadas surfhouses, que em sua maioria estão interligadas a escolas de surf, reforçando ainda mais a vertente turística.

Turismo em si muito bom e importante ao país, mas cabe a todas as escolas de surf assegurar e evitar problemas com a restante população que surfa.

Aos que querem fazer surf, vejam uma escola de surf perto de vocês e experimentem, não vão querer mais nada. Espero que todos sejam felizes, e que se dêem bem, mas não se esqueçam dos que já cá andavam, e que ainda procuram o surf como um estilo de vida.

#Aloha

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Palex FerreiraMarço 19, 20177min0

O bodyboard e as conquistas dos atletas portugueses desde a década 80 até hoje, um caso de sucesso contínuo. É sempre um privilégio partilhar ondas com estes senhores do oceano, sem nunca esquecer das meninas (mulheres). Com vocês uma visão do bodyboard português – um caso de muitos sucessos e muitos troféus.

O bodyboard aparece em Portugal nos finais dos anos 70/80, onde já existiam alguns grupos de surfistas nas zonas balneares mais conhecidas como Linha de Cascais, Caparica, Peniche e Ericeira.

Nomes como Rodrigo Bessone, Miguel Simões, Paulinho Costa, Nuno Neto, Ricardo Horta, Hans Peter, Edmundo Veiga, Sérgio Machado e Gonçalo Faria entre centenas de outros que marcaram a modalidade até hoje, com performances acima da média, quem elevaram o bodyboard português a um nível excelente, o qual ainda hoje se mantém. Recheado de títulos internacionais, individuais e coletivos, como por exemplo, Portugal campeão europeu na Irlanda, pela seleção de Surf – Federação Portuguesa de Surf.

Campeões Nacionais do Bodyboard Open e Dropknee – Manuel Centeno e Nuno “Batata” Leitão [Foto: CMPeniche]
 

Para além dos já citados, temos no bodyboard lusitano, Hugo Pinheiro, filho da Costa de Caparica, que tem-se aproveitado das ondas grandes do Mar da Calha (Foz do rio Tejo) e de outras mutantes, em suas viagens pelas melhores ondas mundiais. Hugo já detém vários títulos nacionais e europeus.

Já o atual campeão Nacional do Bodyboard Open Masculino, Manuel Centeno, que também se sagrou Campeão Europeu de Brazilian Jiu Jitsu, em Odivelas 2016, é uma demonstração da evolução do bodyboard português e de atletas que praticam mais de uma modalidade desportiva, no mais alto nível.

Campeão Europeu na água e no Tatame – Manuel Centeno – [Foto: Arq. Pessoal]
 

Nota-se que nos dias de hoje, os principais artistas do Bodyboard português, são atletas consagrados noutras modalidades, e isso veio tornar o bodyboard um desporto de elevada destreza física. Quando as ondas estão grandes, eles estão sempre em condições para as “atacar” e destruir com manobras arrojadas.

Temos também, o Local da Nazaré, António Cardoso, em destaque dentre  vários nomes sonantes do bodyboard nacional. Cardoso tem provado que o bodyboard português está de saúde de ferro e continuará a trazer para o nosso país títulos internacionais.

Não nos podemos esquecer, do lado feminino da modalidade, onde figuram nomes como Dora Gomes, Rita Pires, Catarina Sousa, Marta Leitão e a atual campeã nacional e campeão europeia, Joana Schenker – a viver em Sagres – , que vieram mostrar que no mar não há gênero, elas dominam ondas pesadas também e são exímias competidoras.

Campeão Nacional e Europeia – de Sagres a rainha do Bodyboard português – Joana Schenker [Foto: perfil Facebook]
 

Portugueses com atitude

A descoberta de novos spots difíceis pela longa e extensa costa portuguesa, que produz ondas de qualidade mundial, permitiu que os atletas tenham evoluído bastante, quer em termos de performances, quer em campeonatos.

Saiba mais: Bodyboarders e a sua atitude no mar – parte I.

Junto com as prestações no arquipélago havaiano, que já vem de há muito tempo, desde a década de 80/90 o caparicano Rodrigo Bessone chegou, viu e desceu com a atitude go for it, contra tudo e todos.

Rodrigo Bessone a descer uma Rainha em Pipeline – Havaí [Fhoto: Chank/Surfing]
 

Depois foram uns atrás dos outros, como Hugo Pinheiro, Manuel Centeno, Rita Pires e todos os guerreiros portugueses sempre a puxarem por grandes performances aos olhos do mundo, no principal palco de surf, na Onda Rainha, Pipeline – Havaí. Informando ao mundo, que os portugueses estavam de novo a dominar os oceanos. Deve ser genético do nosso povo, dominar os oceanos tal como os nossos antepassados que conquistaram este planeta por mares nunca dantes navegados.

Desenvolvimento e competições

O Bodyboard português está bem lançado, mas segundo alguns, em termos de competição ainda falta determinado caminho a percorrer, queixam-se de não terem ainda um circuito nacional digno, mas decerto que o futuro será melhor para todas as modalidades em Portugal e não só para o surf.

Lembramos que o Surf tem um circuito nacional patrocinado por grandes marcas e tem produzido melhores condições para os surfistas. Devem os bodyboarders seguir o mesmo caminho, criarem condições melhores para circuitos e para eles próprios, aumentando dessa forma a competição na modalidade.

Joana Schenker a desfilar estilo. [Foto: João Nuno Gonçalves]
 

A modalidade, atualmente, acaba por ter um circuito com poucas etapas e premiações ainda abaixo do talento que estes atletas demonstram quando o mar sobe. É necessário que se unam e criem as infraestruturas para terem um grande circuito nacional.

Portugal tem um leque vasto de campeões de bodyboard (Nacionais, Europeus, pela Seleção Portuguesa de Surf), como já comentamos, bodyboarders como Rodrigo Bessone, Gonçalo Faria, Paulo Costa, Hugo Pinheiro, Manuel Centeno, António “Tó” Cardoso, Joana Schenker, Rita Pires, Hugo Carvalho “Jamaica”, Sérgio Machado e muitos outros são e sempre foram verdadeiros campeões dentro e fora de água, uns verdadeiros embaixadores do bodyboard português.

O bodyboard português atingiu um elevado grau de competitividade, mas ainda falta terem um circuito forte para que se exponham perante potenciais patrocinadores. A etapa do Circuito do Mundial que decorre há vários anos na Praia Grande (Sintra), costuma ter atletas portugueses nas fases finais mais avançadas, e demonstra o potencial que Portugal e o bodyboard nacional precisam explorar.

Edmundo “Peixeiro” Veiga e Hugo Pinheiro na Lente de MTN – Mar da Calha- Uma dupla de sucesso. [Foto: MTN-Photography]

A ligação entre os melhores surfistas e os bodyboarders

Os nomes, que já referimos anteriormente, costumam estar junto de alguns dos melhores surfistas portugueses atuais. Quando as ondas estão tubulares e grandes, nos locais mais arriscados, é regular acompanhar as performances desses bodyboarders com surfistas como Frederico Morais – atualmente o único surfista português na elite da World Surf League – WSL – , Vasco Ribeiro, Tiago Pires (primeiro atleta português que entrou no circuito mundial WSL), Francisco Alves, Nicolau Von Rupp, entre outros talentos que Portugal produziu nas últimas décadas e prevê-se que esses números aumentem, existem bons juniores no bodyboard e no surf  como por exemplo, Afonso Antunes e Joaquim Chaves.

Bodyboarders Playground. [Foto: MTN – Photography]

Entre todos estes atletas são divididas sessões intensas de surf, onde os tubos imperam, e manobras aéreas são cada vez melhores, podendo afirmar com isso que estas modalidades estão no bom caminho da excelência, e irão a curto e médio prazo lançar mais atletas para os principais circuitos mundiais.

Perdeu a parte I? Chegou a hora de ler…Bodyboarders e a sua atitude no mar.


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