23 Nov, 2017

Arquivo de Surf - Fair Play

FlyingAway_LuisBento.png?fit=628%2C418
Palex FerreiraJulho 19, 20175min0

Selfie Time Foto: Luisbento.com

 

Luís Bento é presença assídua nos line ups em dias clássicos, as suas fotos têm conquistado a atenção tanto de marcas como atletas, é actualmente apoiado por Dafin Europe, Theboardhole e DCK Boardshorts.

A paixão pela fotografia acompanha-te desde quando?

LB: Desde sempre, o meu avô paterno já era um amante da fotografia e o meu pai a mesma coisa, naturalmente segui as pisadas deles.

O que te inspira ao ir para dentro de água, esteja frio ou calor, para fotografar?

Flying Away Foto: LuisBento.com

LB: pelos registos que tenho desde que nasci, ir para dentro de água nunca foi um problema para mim. Em adolescente fui nadador federado no Benfica onde cheguei a ser campeão de Lisboa e vice campeão nacional e até ganhei umas medalhazitas em provas internacionais, por isso sinto-me muito bem dentro de agua seja a fotografar ou a surfar. Fotografar na agua é um 2 em 1.

Tens algum fotógrafo que desenvolva um trabalho semelhante ao teu que te sirva como inspiração?

LB: Quem me fez avançar foi o Brek (João Bracourt), uma viagem que fiz à Indonésia e ele era o fotografo de serviço. Fiquei fascinado com toda aquela logística e principalmente pelas fotos que tirava. Quando cheguei a Lisboa a primeira coisa que fiz foi encomendar uma caixa estanque para a minha maquina que na altura até era igual à dele. Sem duvida que continuo a te-lo como referencia e há alguns anos atrás conheci outro monstro da fotografia de surf mundial que dispensa apresentação, Diogo D´Orey.

Que elementos deve ter a fotografia “perfeita”?

LB: Luz, muito importante a luz para qualquer tipo de foto.

Que dificuldades alguém que queria iniciar esta atividade pode esperar encontrar?

LB: Algumas dificuldades, não é fácil estar la fora só de barbatanas e maquina. O meu primeiro conselho é a segurança. É fundamental saber nadar muito bem e “perceber” o surf, saber ler a linha da onda, saber posicionar-se para não interferir com o atleta.

Tubo no Zavial Foto: LuisBento.com

Qual a melhor sessão que tenhas fotografado que te lembras?

LB: Tenho várias mas deixo uma foto da minha ultima sessão no Zavial

Analisas de perto e constantemente o surf e o bodyboard, pois além de presenciares ao vivo voltas a ver as imagens várias vezes, tendo em conta que és um espectador privilegiado, o que achas sobre a evolução destas modalidades e o que o futuro reserva a Portugal?

LB: Com o impacto que o surf e o bodyboard têm na economia nacional não percebo porque razão não há revistas da especialidade em portugal. Elas sim são o principal meio de divulgação das tuas fotografias, sejam dentro ou fora de agua.

Perfection Foto: Luisbento.com

Quais o surfistas que mais te tem impressionado ultimamente?

LB: Sem duvida o Nicolau, não só pelo surfista que é como também com a preocupação que ele tem em trabalhar a sua imagem que por sua vez dá um excelente retorno aos patrocinadores. A imagem de um surfista é importantíssima para a sua evolução.

E os bodyboarders?

LB: Tó Cardoso, Manuel Centeno, Horta, Nuno Leitão “Batata” e André leite.

Nuno “Batata” Leitão, em Dropknee na Ericeira Foto: LuisBento.com

 

Qual o material que usas quando vais para dentro de água?

LB: Trabalho com Nikon, e Dafin e wave solution water housings

Pedro boonman Foto: Luisbento.com

Qual é o kit básico para alguém que queira iniciar esta atividade?

LB: Atitude, vontade, persistência :))

Uma mensagem para a nova geração e para quem é importante ter boas fotografias e filmagens para poderem mostrar o seu potencial ao mundo?

LB: Já o disse anteriormente, a imagem é importantíssima para a evolução de um atleta.

Para terminar, se te fosse dada a oportunidade de fotografar uma pessoa à escolha a fazer o que quisesses, quem seria e o que estaria a fazer?

LB: Adorava fotografar o Kely Slater a surfar em HT’s

 

Sigam os trabalhos do Luís Bento:

http://luisbento.com
https://www.facebook.com/LUISBENTOcom
https://www.instagram.com/luisbento_com/ 

Artigo criado em parceria com TheBoardHole.com

Brek.jpg?fit=1024%2C682
Palex FerreiraJulho 13, 20174min0

Do decorrer desta série de entrevistas a alguns fotógrafos nacionais, (Ricardo Bravo e Nuno Fontinha) hoje o escolhido é João “Brek” Bracourt, conhecido surfista e fotógrafo no sul do país, mas precisamente na Costa Vicentina. Costuma estar sempre nas melhores ondas por ali espalhadas, com paisagens um pouco diferente do resto do país.

Desde há muito tempo, é um nome bem conhecido no que respeita a fotografias de surf no sul de portugal, onde figuram alguns dos melhores atletas nacionais de desportos de ondas (Surf, Bodyboard, Longboard entre outros). Onde sobressaem Marlon Lipke, Alex Botelho, Luís Esteves, Manuel e Zé Mestre (pai e Filho), Joana Schenker, Neuza Mochacho e seu irmão Ivo Mochacho entre outros tantos, que habitualmente são encontrados nesta zona do país a desfrutar das belas ondas existentes nesta área do nosso país.

100% Natural Enviroment Foto: João Bracourt

Os fotógrafos e o surf – com João “Brek” Bracourt

Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

JB: Faço surf há 30 anos

Deixaste de surfar, ou manténs essas atividades de fotografias e surfar umas ondas?

JB: Continuo a surfar, faço caça submarina e vela também.

Como surgiu essa paixão da fotografia?

JB: No rally de Portugal, ainda nos anos oitenta, tinha para aí 9 anos.

Selfie at the Office. Foto: João Bracourt

Onde gostas de fotografar mais?

JB: Na Costa Vicentina.

Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

JB: Como apanhava perceves a mergulho, a fotografia aquática foi uma coisa natural. Por acaso comecei ao mesmo tempo do Clark Little, mas os fotógrafos que gosto não são de surf. Como fazia surf, lia bem as ondas e cedo consegui fotos boas na água de surfistas como o Owen Wright, Julian Wilson, por exemplo.

Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, e depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

JB: Tenho tido material de média gama e até baixa, acho que o material não é o mais importante, mas sim a criatividade, visão, etc. Tive alguns sustos com água na caixa estanque, mas consegui salvar o material. Já me roubaram uma teleobjetiva… Ossos do ofício.

Nic Von Rupp Açores Foto: João Bracourt

O estado da fotografia de surf

JB: É um pouco como a música, temos de nos adaptar à nova realidade e não chorar e dizer que antigamente é que era bom.

Qual a foto que falta teres?

JB: Qualquer fotógrafo tem de ter uma ideia, uma visão e deve por algo de si, algo original na imagem que cria. O melhor fotógrafo para mim é o Ray Collins.

Posing at the nose Eurico Romagueira. Foto: João Bracourt

O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (Waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

JB: Shorebreak há em todo o lado. Ele (Clark Little) tem fotos lindas, mas é um pouco repetitivo para o meu gosto.

Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

JB: Está a evoluir bastante, se abrirmos uma revista de há 20 anos atrás as fotos são muito fracas. Tanto em Portugal como no estrangeiro vão aparecer talentos e vão ser feitas coisas que nunca imaginámos, acho

Podes seguir os trabalhos do João “Brek” Bracourt em:

https://www.instagram.com/joaobracourt/

https://joaobracourt.blog/

Artigo realizado em parceria com o The Board Hole

RB_Photo01.png?fit=1179%2C603
Palex FerreiraJunho 30, 201714min0

É uma realidade que já ninguém passa despercebido, os fotógrafos costumam estar sempre no local certo à hora certa. Mas uns parecem ter outros ângulos diferentes, e cativam o público através de fotos nas principais publicações mundiais.

Nos últimos anos, passaram a fazer parte do crowd na água, já em Pipeline (famosa onda da ilha Oahu-Havaí) eram muitos colocados estrategicamente para tirar a melhor foto duma sessão.

 

Kelly Slater perante um “crowd” de fotografos. Fonte: Stabmag.com / Ryan Miller/ Redbull.com/surfing

 

Para tirar aquela foto melhor, foram arranjando melhores ângulos, outro tipos de lentes. E no final surgem fotografias mágicas que qualquer surfista / bodyboarder / longboard e outros desejam pagar para ter expostas na sua vida.

Uns fazem disso vida, outros são fotógrafos profissionais que juntam outros trabalhos de fotografia no seu espólio de imagens. Fiz uma escolha, entre os fotógrafos que conheço melhor, e pessoalmente, para entender o que os levou a mudarem da prancha para a fotografia. E trago a primeira parte hoje!

Lembro-me de um fotógrafo que tirava as fotografias do bodyboard nacional, o meu amigo Pedro Crispim, bodyboarder da antiga, que se dedicava a gravar nas suas lentes as imagens dos melhores atletas nacionais e internacionais, ainda de forma analógica.

Crowd, de surfistas e fotógrafos, é uma realidade hoje. 

Atualmente, vem-me à cabeça alguns talentosos fotógrafos que se mantêm ativos nesta área da fotografia e das ondas. Fui até eles para lhe colocar umas questões sobre esta forma de captar novos ângulos de surfistas no “nosso” espaço sagrado, que é o mar.

Poderia ter  colocado aqui mais fotógrafos, mas a ideia do artigo foi colocar de outras zonas de ação (Caparica por exemplo, temos outros fotógrafos, como o Pedro Morais (XtremePhotography), Nuno Fernandes (Water Visuals), Romeu Ribeiro (WalurBeachHouse), entre outros).

Hoje ficas com Ricardo Bravo!

Os fotógrafos e o surf

Tiago Pires sob o olhar de Ricardo Bravo. Foto: RicardoBravo.pt

Quem nunca quis ter a foto de surf/bodyboard tirado dentro de água? Pois são na grande parte “esquecidos” após a foto ou filme. Todos os surfistas querem ter uma fotografia a surfar, mas dentro de água tem outro encanto.

Existem alguns que já se dedicam a tirar cada vez melhores fotos dentro de água e a malta que desliza nas ondas adora isso,  até compram fotografias de surf, negócio que vem crescendo de ano para ano, tal como a população que se dedica a esta actividade que tanto prazer nos dá.

A evolução tecnológica veio aumentar a possibilidade de termos altas fotografias/filmagens no nosso ecossistema, as máquinas evoluíram, ficaram com mais mobilidade, caixas estanques, lentes todas “xpto”, GoPros em muitas pranchas. Todos queremos a tal foto na água.

Fomos procurar alguns fotógrafos conhecidos do mundo do surf, nomes como Ricardo Bravo, João “Brek” Bracourt, Nuno Fontinha, Luís Bento, entre outros tantos que não conseguiram dar o seu contributo para este artigo de opinião.

Se nós enquanto surfistas (englobando tudo e todos que deslizam nas ondas) às vezes custa-nos levar com as ondas, o que dizer dos fotógrafos que ficam grande parte do tempo, na zona de impacto? A meu ver, devem sair da água com o cartão cheio e o corpo bem massajado com água salgada (risos), mas as fotos ficam boas, depois de escolherem entre centenas, porque hoje me dia uma máquina dispara centenas de fotos em segundos e no meio dessas, estará aquela foto de luxo.

O investimento de um fotógrafo, deve ser enorme, porque tudo nesse campo da imagem (fotografia/filme) é caro, adicionando os programas de ajustamento de imagens (Adobes, entre outros), e que ainda se sujeitam a levar com um gajo em cima e perder o material ou danificá-lo em nome de uma grande foto de gala.

Ricardo Bravo. “A função de um fotógrafo é conseguir imagens para transmitir uma ideia…”

fp Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

RB: Para o ano celebro 30 anos de bodyboard e é para continuar com umas incursões ao bodysurf nos intervalos.

Visão de peixe. Foto: Ricardo Bravo

fp Deixaste de surfar, ou manténs essas actividades de fotografias e surfar umas ondas?

RB: Entre trabalho e família não é fácil ir tantas vezes como gostaria, mas tento ir pelo menos uma vez por semana.

fp Como surgiu essa paixão da fotografia?

RB: Não sei bem, foi acontecendo…já tirava umas fotografias por brincadeira, mas quando terminei o liceu acabei por experimentar um curso de fotografia. Gostei tanto que fui tirar outro mais completo e a partir daí passei a ter bases técnicas e artísticas que contribuíram decisivamente para gostar tanto de fotografia.

fp Onde gostas de fotografar mais?

RB: Não penso muito nisso. Pode ser no mar ao nascer do dia, como em minha casa. Depende da luz, do momento que estou a viver ou simplesmente do estado de espírito.

O surfista, a onda e o fotógrafo. Foto: Ricardo Bravo

fp Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

RB: No início passava horas nos pontões da Caparica a tentar apanhar aqueles momentos de surf e bodyboard…depois aos poucos fui tendo algum trabalho publicado na Surf Magazine, Surf Portugal e Bodyboard Portugal e fui conhecendo as pessoas. A primeira vez que estive nos Coxos foi o Bubas que me levou, é um bocado ir a um estúdio de fotografia pela primeira vez, porque ali tudo se conjuga, tanto pela qualidade das ondas como pela possibilidade de fotografar de diversos ângulos. Na Costa fotografava muito com o Bubas e com o Frey Tuck que sempre tiveram um estilo muito bonito. O Tiago Oliveira também era uma referência pelo estilo a surfar, algo que sempre valorizei muito, mais até que a performance. Entretanto estava a geração do Tiago Pires a despontar e acabei por fazer o meu percurso um bocado em paralelo com o deles, ainda que sempre mais “caseiro” porque embora goste de viajar, sinto-me muito bem em Portugal. Temos muita sorte com estas praias, o clima, a luz…. Acho que estes factores também me ajudaram no meu percurso. O resto tem sido paixão e dedicação.

fp Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

RB: Gasta-se realmente muito dinheiro, mas a maior parte das compras são completamente racionais, é um investimento. Mesmo o que não é utilizado na água, só por estar na praia é sujeito a um desgaste intenso – o ar do mar é terrível para o equipamento fotográfico.

fp Já perdeste dentro de água algum material?

RB: Já perdi a conta…várias máquinas e objectivas.  Faz parte da profissão e quem não estiver disposto a correr esse risco, nem vale a pena entrar na água. Acontece a todos os fotógrafos.

fp Numa sessão, o que é que te dá mais prazer?

RB: Conseguir uma boa imagem. É só isso e já é muito…

Ricardo Bravo na sua “secretária de trabalho” Foto: Ricardo Bravo

fp Qual a foto que falta teres?

RB: Todas. Não tenho nenhuma foto que posso dizer que é perfeita. Há sempre espaço para melhorar, podemos sempre fazer melhor. No mar tudo se altera, todos os dias são diferentes e nós enquanto pessoas também mudamos muito ao longo da vida e por consequência o nosso olhar vai evoluindo, a nossa interpretação do que estamos a fotografar altera-se com o passar do tempo e o acumular de experiências. A paternidade, por exemplo, mudou completamente a forma como vejo as coisas. A dada altura recuperei uma ingenuidade, uma capacidade de continuar a ver coisas novas em sítios onde já tinha fotografado inúmeras vezes, que pensava já ter perdido.

fp Quem é ou foi o surfista que te deu mais alegrias fotografar até hoje?

RB: Trabalho com muitos surfistas diferentes, é um desporto individualista e como tal acabas por conhecer todo o tipo de pessoas com atitudes e capacidades completamente distintas. Para mim o desafio acaba por ser encontrar o caminho para conseguir trabalhar da melhor forma com cada um. Claro que pelo caminho conheces pessoas especiais que se tornam amigos para a vida.

fp Um fotógrafo na água passa muito mal, debaixo das ondas? (Fala um pouco das sessões de inverno quando o frio se instala).

RB: Fotografar na água é sempre um desafio na medida em que não controlas quase anda. Preparas o equipamento, tentas posicionar-te no melhor local, mas estás condicionado pelas correntes, marés, ondas e até pela maior ou menor vontade do surfista estar disposto a sacrificar algumas ondas boas só para conseguirem uma aquela fotografia especial. Ao mesmo tempo são estas variáveis que tornam esta actividade tão especial. Na questão do frio, sinceramente acho que não temos frio a sério em Portugal. Ok, há um dia ou outro em Janeiro em que realmente é desconfortável, mas nada que um fato de 5mm, um gorro e umas luvas não resolvam.  Até nesse aspecto somos uns privilegiados em Portugal.

fp Como conseguiram vingar no mercado cada vez mais tecnológico, e com mais pessoas a tentarem esse tipo de trabalho?

RB: A evolução da fotografia digital trouxe realmente mais gente para o mercado porque passou a ser mais fácil tirar uma boa fotografia, mas um fotógrafo profissional tem que o conseguir de forma consistente e não apenas fazer uma boa imagem de vez em quando. Embora a base seja essa – produzir trabalho de qualidade de forma consistente – há uma série de outros factores que são decisivos para sobreviver no mercado e que passam pela relação com os clientes, capacidade de adaptação a cada situação que surge, cumprimento de prazos, etc. Fotografar bem é a base da pirâmide, mas é preciso construir o resto…

fp Para ti quem é o melhor fotógrafo e que características deve ter um bom fotógrafo na água?

RB: Há vários que considero referências, como Brian Bielmann, Jon Frank, Ted Grambeau, Joli, Art Brewer, Tod Glasser, Morgan Maassen e muitos outros. Cada um com o seu estilo.  Alguns destes nem fotografam na água, que é uma confusão recorrente na fotografia de surf. A função de um fotógrafo é conseguir imagens para transmitir uma ideia, ajudar a vender um produto, passar uma emoção, dar a conhecer alguém… e pode consegui-lo com um telemóvel, uma super objectiva profissional, um drone ou a fotografar na água. Estas são as ferramentas à sua disposição e cabe-lhe decidir qual a melhor para cada situação e em função das suas capacidades.

Relativamente à segunda parte da tua pergunta, um bom fotografo na água precisa de conhecer bem o mar, estar bem fisicamente e dominar as técnicas fotográficas.

fp O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

RB: Acho que é admirável se pensarmos no que envolve em termos físicos e curioso em termos conceptuais, já que ele acabou por especializar-se em fotografar o mesmo tema no mesmo local e com resultados surpreendentes. Pessoalmente interesso-me mais pela linha de trabalho do Jon Frank, que é uma visão mais poética do mar com que me identifico bastante.

Tubo! Foto: Ricardo Bravo

fp Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

RB: Vai continuar a existir, não sei se profissionalmente também ou apenas a nível amador. Acho que ninguém pode prever.

fp Que futuro tem a fotografia no surf?

RB: Estamos a viver uma fase de transição em que os conteúdos de vídeo são cada vez mais apelativos, o que não invalida o lugar da fotografia, mas eventualmente, tira-lhe algum protagonismo.  Sendo tudo imagem, são formas diferentes ler o mundo que nos rodeia e se calhar para consumo imediato – redes sociais – o vídeo vai continuar a ganhar terreno nos próximos anos, mas enquanto forma de comunicação ímpar a fotografia vai estar sempre presente. Uma fotografia por si só, ou acompanhada por uma boa história, é algo que nos deixa a imaginar um mundo de possibilidades…”

Agradecemos a disponibilidade do Ricardo Bravo e convidamos a visitar o site dele http://www.ricardobravo.pt/, e também o podes seguir no instagram.com/ricarbravo/

Para a semana, mais um nome estará à conversa connosco.

Aloha

 

Palex

Fairplay

Theboardhole.com/

2bb717e2b058e5283d50a5128c7b72ae.jpg?fit=1200%2C801
Palex FerreiraJunho 26, 20176min0

Que material deve cada surfista utilizar? Num mercado que cresceu muito nos últimos anos, onde proliferaram marcas de pranchas, marcas de roupa, escolas de surf, lojas em todo o lado, quem fornece a informação ao iniciante? Que tipo de material deve usar para evoluir?

No passado os surfistas (englobando como sempre da minha parte todos os que deslizam nas ondas) eram mais autodidatas do que hoje, não havia quem desse uma informação nem dicas de como se fazia isto ou aquilo, era tudo por experimentação, eu lembro-me de arranjar as minhas pranchas com um amigo (o Nunão) em pires de café e material comprado na Loja do Falcão em Sete Rios – Lisboa. Como era feita a mistura com a resina e catalisador? Era por testes. A quilhas vinham colocadas pelos shaper (aquele que faz as pranchas), e era o que havia. Hoje, com um mercado gigante e milhões de consumidores, é fácil adquirir qualquer tipo de prancha, de quilhas, de decks, isto para o surf e longboard.

Rodrigo Bessone, clássico do Bodyboard português a demonstrar habilidade nos tubos caparicanos. [Foto: Nuno Fontinha]

Já no Bodyboard, cuja modalidade pratiquei no início com orgulho, eram todas da mesma medida e mudavam pouco de formato, hoje ao ver as pranchas na loja do Fontinha (MiramarBBshop) na Caparica, até fico baralhado, umas com stringers, vários tamanhos disponíveis, umas mais flexíveis outras mais rijas, uma panóplia de material ao dispor do mercado.

Mas e dentro de água?

O autor do artigo , Palex Ferreira,  no teu “escritório” da Costa de Caparica. [Foto: Nuno Fontinha]
 

Com tanto material disponibilizado nas lojas, porque razão o nível português ainda é médio, desculpem lá a frontalidade, mas é médio para não dizer baixo.

Por outro lado, já um nível bem alto, exemplo é os atletas profissionais, que já competem de igual com os melhores do mundo, isso houve evolução, mas é necessário perceber o que não está a ser bem feito.

Hugo “Jamaica” Carvalho metendo pressão nas suas quilhas. [Foto: Nuno Fontinha]
 

Que tipo de quilhas gostas? Eu sei que gosto delas maiores, apesar de fazer longboard prefiro quilhas tamanho L em vez de estabilizadores e uma quilhas central entre as 5’5 e as 7 polegadas, sinto-me bem com essa configuração/Setup, mas numa prancha pequena (5’10 já prefiro as L, ou em caso de serem QUAD (4 quilhas) as da frente L e atrás S).

Porque grande parte dos surfistas e bodyboard não conseguem gerar velocidade suficiente para manobras boas?

Fazendo uma analogia, se o Sebastien Loeb andasse como eu de carro, nunca seria piloto do WRC, certo? Ele sabe o que faz o carro andar, como fazer para que o carro ande mais rápido nas curvas, etc. Nas ondas é igual, é preciso desenhar e perceber para evoluir em como se deve melhorar a linha numa determinada onda.

Que tipo de pranchas devem ter determinado surfista, mais reta, mais curva, com curva no tail ou a meio, um surfista tem que saber o que uma prancha lhe vai permitir evoluir, senão não vai andar. Vou ser acusado que “isso não interessa nada, o que interessa é a diversão e estar com os amigos e bla bla”, mas eu quero evoluir e isso passa por aproveitar ao máximo quando estou na água, tentar destruir uma ondas da melhor maneira possível, deviam ser todos assim.

No Longboard e nos Hangtens (colocar os dois pés no bico da prancha) é preciso ter as quilhas certas para o equilíbrio Carlos Bahia (LUFI SURF CO Rider) [Foto: Nuno Fontinha]
 

Se virmos bem, todos queremos ser melhores, ser como os melhores atletas nacionais e claro os mais mediáticos mundiais. Só assim iremos evoluir e ficaremos muito mais felizes connosco próprios. Mas cada se diverte à sua maneira, concordo, e se utilizasse de forma correta os materiais que utiliza? Se calhar a evolução seria mais breve, porém a cena do surf é curtir a vida e a praia, respeitando tudo e todos, cada um tem o seu estilo.

Hoje temos milhares de formas e tipos de material disponíveis em qualquer loja, mas temos que ser nós enquanto amantes das ondas a saber o que precisamos, se alguém nos perguntar sobre determinado tipo de quilha, devemos ser amigos e dizer se gostamos ou não devido ao tipo da quilha, porque como em tudo na vida não gostamos, nem somos todos iguais, apesar de haver ténues diferenças na praia.

The Board Hole

Que tipo de prancha devo usar, onde posso saber disso? Estou a iniciar um trabalho como social media (utilizar algumas ferramentas que o meu mestrado me ensinou, que o google não explica tudo- sou um engraçadinho e cheio de ironia) num site que foi para o ar há um mês, e que permite dar uma ajuda com a participação de bons surfistas (englobando todas as formas de deslizar nas ondas) para permitir esse feedback a quem precisar dele.

Imagem: theboardhole.com

Devido a essas mesmas questões abracei um projecto que me parece estar em falta no panorama deste tipo de desportos de deslize (Surf, Longboard, Skate, bodyboard, ski, snowboard entre outros tantos), um site onde se pode ver os aconselhamentos, ou advisory em inglês que todos dominamos. Acho que faz sentido obter essa informação, quer os iniciados no desporto, mas bem como obter esse feedback dos experts, quem melhor para testar pranchas, quilhas, fatos, rodas, snowboards… que os pros?

No tal projeto que abracei, www.theboardhole.com procura-se dar essas dicas e aconselhar que material estaremos a utilizar, com vista à melhoria das performances, pelo que vos convido a visitarem e a registaram-se.

E mensalmente, trago ao Fairplay.pt, um artigo especial para ti. The Board Hole e Fairplay.pt na tua evolução na arte de deslizar!

No fim deste artigo, chegaremos a pensar se estaremos bem equipados para a prática que adoramos.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias