Arquivo de Ténis - Página 2 de 2 - Fair Play

berdych.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
André Dias PereiraJunho 5, 20173min0

Durante seis anos Tomas Berdych foi figura permanente no top-10 mundial. O tenista checo, que começou a jogar aos 5 anos de idade, tornou-se profissional em 2003 e desde então tem-se cotado como um dos mais consistentes jogadores do circuito. Mas apesar de ter sido semi-finalista em todos os Grand Slam, Berdych parece claudicar nos momentos-chave. Dos seus 13 títulos ATP, nenhum é Major.

Tomas Berdych é um caso muito especial, quase único no ténis. O checo, de 31 anos de idade, actualmente no 14º lugar do ranking ATP, é um dos mais experientes e consistentes jogadores do circuito, que se manteve durante anos a fio no top-10 mundial, sem nunca, contudo, conseguir conquistar um Grand Slam.

Sobre ele disse um dia Andre Agassi que é um dos tenistas que melhor atacava a bola. No entanto, Berdych também conhecido por ser o homem do quase.

E também não foi em Roland Garros, que se joga até ao próximo domingo, que o checo conseguiu a glória. Antes pelo contrário. Berdych foi afastado precocemente pelo russo Karen Khachnov – que cumpre o terceiro Grand Slam e ocupa o 53º lugar na hierarquia mundial – pelos parciais de 7-5, 6-4 e 6-4.

O jogador checo, num bom dia, pode vencer qualquer um. Já venceu seis vezes Roger Federer e Andy Murray, quatro a Rafael Nadal e duas vezes a Novak Djokovic, só para citar alguns exemplos. Passou grande parte da sua carreira no top-10 mundial e integra o restrito lote de jogadores que alcançou as meias-finais de todos os Major, incluindo o Master Final. No entanto nunca conseguiu vencer nenhum, ganhando a fama de sempre morrer na praia, precisamente pelo facto de falhar sempre nos momentos decisivos.  O momento mais alto foi em 2010, quando atingiu a final de Wimbledon, após deixar para trás Roger Federer e Novak Djokovic, perdendo, todavia, para Rafael Nadal.

Desde que se estreou no circuito ATP, em 2003, o checo jogou 18 finais, tendo vencido 13 torneios, o último dos quais em Shenzhen, o ano passado.

Filho de um engenheiro e de uma médica, Tomas Berdych começou a jogar ténis aos 5 anos de idade. Aos 12 venceu o seu primeiro torneio nacional, para a sua categoria de idade, que o estimulou a continuar a investir neste desporto. Mudou de cidade, para Prostejov, na Republica Checa, tendo chegado a número seis do mundo em juniores.

A sua chegada ao profissionalismo deu-se em 2003 e no ano seguinte conquistou o primeiro troféu, em Palermo, Itália. O ano de 2010 terá sido, porventura, o seu melhor ano, atingindo as meias-finais de Roland Garros, para além da final de Wimbledon. Foi nesse ano que atingiu o top-10 mundial, de onde só saiu em 2016. Em 2012 e 2013 liderou ainda o seu país a duas vitórias consecutivas na Taça Davis.

Pode dizer-se que está a construir uma carreira bonita, sólida, mas à sombra das estrelas de Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray ou Stanislas Wawrinka.

Vencer um Grand Slam será, já, muito pouco provável. E até as estatísticas dizem isso. Não apenas porque sempre claudicou nas fases mais avançadas, mas também porque, depois do 30 anos, muito poucos foram os que conseguiram atingir esse feito. Federer é, como sempre, a única excepção ainda em actividade. Mas esse, é de outro planeta.

Fedal.jpg?fit=1024%2C733&ssl=1
André Dias PereiraAbril 7, 20175min0

Os anos passam, os jogadores também, mas as finais entre Roger Federer e Rafael Nadal continuam a ser as mais esperadas. A rivalidade entre os dois tenistas tem apaixonado, ao longo da última década, não apenas os amantes do ténis, como do desporto no geral, elevando o patamar da modalidade a outro nível. No domingo, os dois jogadores disputaram o 37º jogo entre ambos e mostraram porque, mesmo trintões, estão na restrita galeria dos maiores tenistas e desportistas de todos os tempos.

Palmas, palmas, palmas! Roger Federer e Rafael Nadal voltaram a fazê-lo. Tem sido quase sempre assim ao longo dos últimos 12 anos. Sempre que o suíço e o espanhol se encontram, as bancadas dividem-se entre aficionados de um e de outro. O mundo pára em suspense. Adeptos de todos os desportos reúnem-se em volta da televisão. É a rivalidade Fedal! 

Tal como Muhammed Ali e Joe Frazier, Larry Bird e Magic Johnson, John McEnroe e Bjorn Borg ou Ayrton Senna e Alan Prost, a rivalidade entre o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal há muito que ultrapassou a fronteira da modalidade.

Simplesmente, não é possível falar de um sem referir o outro. Os dois funcionam como Nêmesis um do outro e dificilmente poderiam atingir o nível que se lhes conhece se o outro não existisse ou não fosse seu contemporâneo. Ao longo dos últimos 12 anos, foram vários os jogos, jogadas e momentos inolvidáveis, que ajudaram a construir a lenda e a projectar ainda mais o ténis. Finais como a de Wimbledon, em 2008, em que o espanhol venceu pela primeira vez o mítico torneio britânico, colocando ponto final no reinado de Federer, ao fim de 4h48, ou as lágrimas derramadas por Federer após perder também para o espanhol, em 2009, a final do Australian Open, tornaram-se icónicas.

Mas, por esta altura, estávamos no final da década de 2000 e os dois jogadores digladiavam-se pela liderança do ranking mundial, com Novak Djokovic em crescendo e à espreita da sua oportunidade. Federer estava com 29 anos e 14 Grand Slam e Nadal jogava no seu auge, com 24 anos. Hoje, um com 36 anos e outro com 30, a rivalidade mantém-se como uma marca intacta no ténis e no desporto. E, mesmo com o passar dos anos e o surgimento de novos rivais – Djokovic, Murray ou Wawrinka – os dois continuam a mostrar porque estão para durar e entre os maiores da história.

Este ano os dois já disputaram nada menos do que duas finais, sendo que a do Australian Open bateu recordes de audiência pelo mundo fora. Só no canal Eurosport foram quase 21 milhões de espectadores, com o pico de mais de 15 simultaneamente, o maior da história do canal. “Não é surpresa que esta partida de ténis foi a mais assistida em nossas plataformas, pois a rivalidade entre Roger e Rafa é uma das maiores da história do desporto”, declarou Peter Hutton, presidente do Eurosport.

Quem é freguês de quem?

Uma coisa, contudo, parece estar a mudar: o sentido da vitória! Os números não mentem. Em 37 jogos entre ambos, Rafael Nadal continua a manter a sua supremacia sobre o suíço. São ao todo 23 triunfos para El Toro Miura e apenas 14 para o helvético. Contudo, em 2017 Roger Federer tem sido arrasador, jogando a um nível nunca visto para alguém da sua idade. Nos três jogos disputados entre ambos – Indian Wells, Australian Open e Miami – Federer venceu todos. “Estou feliz por estarmos aqui juntos. Foi aqui que a nossa rivalidade começou, quando eras um miúdo. Entretanto, tornaste-te um homem forte. Tivemos grandes batalhas ao longo dos anos. Nessa primeira vez (2005) disse-te que ias ganhar este torneio e ainda acredito que o vás fazer“, disse Federer a Nadal, no domingo, após vencer em Miami por 6-3 e 6-4.

O excelente desempenho dos dois jogadores nesta temporada devolveu-os ao top-5 mundial. O espanhol está no quinto posto e o suíço no terceiro, atrás de Murray e Djokovic.

Tendo em conta o nível que Roger Federer vem apresentando, podemos considerar a hipótese de regressar a número 1 do mundo? É certo, são só três meses de temporada, mas Rafael Nadal acredita que sim: “Se continuar a jogar assim vai ser número um mundial este ano”. No entanto, contra o suíço está o facto de esta temporada não jogar mais até Roland Garros, falhando os demais torneios de terra batida. “Só quero manter-me saudável. Quando estou saudável consigo produzir ténis como este”.

Rafael-Nadal-960x540
Nadal jogou cinco finais de Miami, mas nunca venceu (Newdaily.com)

Que início de ano, Nadal…

É duro perder três finais em quatro meses, mas a última vez que o espanhol conseguiu atingir três finais antes do início de temporada na terra batida foi em 2009 quando era número um mundial. Mesmo em total de pontos é preciso recuar até 2014 (2390 pontos) para encontrar um período tão favorável. “Sou o segundo melhor tenista no momento (depois de Federer), preciso ganhar e consolidar esta boa fase”, comentou o espanhol, que quer recuperar, agora, o ceptro de Roland Garros, perdido para Wawrinka.

De resto, nunca antes Nadal tinha perdido quatro jogos seguidos para Federer – finais de Australian Open e Miami, oitavos de final de Indian Wells e final de Basileia, em 2015. O contra-ataque pode, até, dar-se em Paris, onde o espanhol já venceu por nove vezes e onde é recordista de títulos. Quis também o destino que a única vitória de Federer na terra batida de França fosse no ano de 2009, o ano em que Nadal dominava o mundo. Depois de o espanhol ter dobrado a tormenta das lesões e atravessado o seu período mais negro na carreira, será que o destino lhe reservou algum capricho? A resposta é dada entre 28 de Maio e 11 de Junho.

grigor-dimitrov.jpg?fit=1024%2C682&ssl=1
André Dias PereiraMarço 9, 20175min0

O seu perfil e vida fora dos courts valeram-lhe a alcunha de “playboy” e “David Beckam búlgaro”, e o seu talento valeu-lhe o cognome de “novo Federer” ou “Show Man”. Assim é Grigor Dimitrov, o tenista que já é o maior nome do ténis do seu país mas que tem construído uma carreira intermitente, em que os seus relacionamos com Maria Sharapova e, alegadamente, Nicole Scherzinger, são quase sempre mais notícia que os seus feitos. Em 2017, contudo, e depois de mudar de treinador, o búlgaro renasceu e já venceu dois títulos, sendo ainda semi-finalista no Australian Open. Entre o playboy e o novo Federer, Dimitrov procura  afirmar definitivamente o seu espaço no circuito. Será este o seu ano?

Quando se pensa em ténis e na sua história, dificilmente a Bulgária será um país que surge como top of mind, ou seja, como uma das primeiras referências.  Sobretudo num país com lacunas sociais e de infra-estruturas, e numa era de domínio tripartido por Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic na cena mundial, Grigor Dimitrov surge como um herói improvável no desporto búlgaro, em que o ténis está longe de ser o mais popular do país. 

Numa nação com falta de referências mundiais no desporto contemporâneo, Dimitrov sempre foi visto como um prodígio e um diamante por lapidar. Aos 25 anos parece, finalmente, estar a corresponder à grande expectativa sempre gerada em torno da sua carreira. Só este ano, já venceu dois dos seus seis títulos ATP – Sofia (Bulgária) e Brisbane (Austrália) – para além de ter sido semi-finalista no Australian Open. 

O arranque de ano fulgurante afasta os fantasmas que o assombraram nas últimas temporadas em que foi mais vezes notícia pelo seu relacionamento com Maria Sharapova do que pelos seus êxitos dentro do court. O seu estatuto de enfant terrible e de playboy, bem como o seu talento, valeram-lhe alcunhas como “baby Federer” ou “David Beckam búlgaro”. Mas desde que mudou de treinador, o ano passado, tudo parece ter mudado. Dani Vallverdu parece ter encaixado bem no perfil que Dimitrov procurava para se afirmar em nome próprio e elevar a Bulgária a um patamar nunca visto no ténis. “Nestes últimos anos vivi uma montanha russa, mas estou feliz pela forma como as coisas aconteceram”, admitiu o búlgaro quando atingiu as meias-finais do Australian Open, igualando o seu melhor registo  enquanto sénior, depois de ter também chegado à semi-final de Wimbledon em 2014, aquele que é ainda o seu melhor ano com três títulos: Queens, Bucareste e Acapulco.

grigor
Grigor-dimitrov.com

Prodígio precoce

Nascido em Haskovo, Bulgária, e filho de um treinador de ténis e de uma professora de educação física e ex-jogadora de voleibol, Dimitrov pegou pela primeira vez numa raquete de ténis com apenas 3 anos de idade e a partir dos 5 começou a jogar regularmente. Sem chances de evoluir o seu ténis no seu país, rumou para Paris onde viveu a sua adolescência, treinando na prestigiada Academia de Patrick Mouratoglou, onde passaram também Serena Williams e Anastasia Pavlyuchenkova.

O seu primeiro título chegou com 14 anos de idade no Europeu da categoria. Em 2016 venceu o Orange Bawl tendo, no ano seguinte, sido nomeado para estrela internacional em ascensão. O seu ténis valia-lhe também a alcunha de “Show Time”. Ainda como juvenil conseguiu chegar aos quartos de final de Roland Garros, mas o seu maior feito teve lugar em Wimbledon. Venceu o torneio sem perder qualquer set e jogando lesionado do ombro. 

Dimitrov decidiu depois elevar-se a outro patamar, passando para o profissionalismo onde acumula seis títulos. Actualmente em 13º do ranking mundial, o búlgaro é já o maior jogador da história do seu país e promete não ficar por aqui. Depois de alguns resultados vexatórios, perante adversários menor cotados e saídas precoces de torneios, o tenista reconhece que “houve momentos em que não dei tudo de mim. Não estava concentrado e não treinava da maneira correcta”. “Eu não queria só um treinador, mas alguém que me entendesse e pudesse confiar“, reconheceu o búlgaro, que regressou este ano a Sofia após sete anos de ausência.

Se há jogador no circuito com capacidade de jogar de igual para igual com qualquer um, é Grigor Dimitrov. No seu currículo conta com uma vitória sobre Novak Djokovic, outra sobre Rafael Nadal, três sobre Andy Murray e quatro diante de Stan Wawrinka. Aliás, Stan apenas conseguiu por duas vezes derrotar o búlgaro.

Até ao final da temporada, a expectativa é grande para ver o que pode fazer em Roland Garros, mas sobretudo em Wimbledon, onde já chegou às meias-finais. Aos 25 anos de idade, o ano de 2017 pode ser o momento-chave na carreira do búlgaro e funcionar como o primeiro dia do resto da sua vida. Entre o playboy e o novo Federer, Dimitrov procura  afirmar o seu espaço no circuito. Será este o seu ano?

Sports.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
João BastosFevereiro 10, 20171min0

Gostas de acompanhar diferentes modalidades mas nem sempre sabes as datas das principais competições? O Fair Play faz-te a agenda mensal dos eventos desportivos que não podes perder até ao final de 2017!

federer4.jpg?fit=960%2C640&ssl=1
André Dias PereiraJaneiro 31, 20176min0

Numa final épica entre, muito provavelmente, os dois maiores da história do ténis, Federer aumentou a sua lenda! O suíço e Rafael Nadal podem já não ser os melhores da actualidade, mas são ainda os maiores ícones do circuito! Tão grandes que conseguem ainda chamar audiência para além dos aficionados de ténis! Mas a edição deste ano do Australian Open foi muito mais que uma final entre o suíço e o espanhol! Foi um regresso ao passado recente, que nos lembra que não há idade para o talento e para cumprir sonhos!

Sublime! Histórico! Todos os adjectivos parecem poucos face ao que Roger Federer conseguiu este domingo. Sim, é possível a lenda crescer! Essa parece ser a primeira lição que não apenas o tenista suíço nos ensina, mas também o que a edição deste ano do Australian Open proporcionou aos amantes do ténis e do desporto no geral.

Aos 35 anos, Roger Federer tornou-se no primeiro jogador desde Ken Rosewall, em 1972, a vencer um Grand Slam na era Open. No seu 100º encontro disputado em Melbourne, o helvético ampliou para 18 o número de Majors, aumentando ainda mais o registo mais vitorioso da história do ténis. O triunfo deste domingo foi ainda o quinto do suíço (2004, 2006. 2007, 2010 e 2017)  em Austrália, tornando-se no primeiro tenista a conquistar, pelo menos, cinco títulos em três Grand Slam diferentes (Australian Open, Wimbledon e US Open).

Mais do que os resultados, impressiona o nível que Federer apresenta aos 35 anos de idade. Ainda assim, poucos apostariam numa reedição da final de 2009. Porque o suíço veio de uma lesão de oito meses e porque Nadal tem oscilado muito a sua consistência, sobretudo em pisos que não sejam de terra batida. Mas o mundo dá voltas. Se em 2009, era Federer quem chorava a parecia sucumbir à pressão de conquistar o 15º Major, agora foi a vez de Nadal ser vice-campeão e ficar também às portas de ultrapassar o registo de Pete Sampras.

Federer e Nadal proporcionaram uma final épica, à boa maneira antiga, quando os dois dividiam o domínio dos courts e os títulos de Grand Slam. Com pancadas de excelência técnica, incerteza no resultado e, claro, cinco sets:  6-4, 3-6, 6-1, 3-6 e 6-3. Anunciado como a final de sonho, o duelo entre os dois rivais rebentaram audiências em todo o mundo, provando que ainda hoje são os maiores ícones do ténis. Só na Austrália 4.4 milhões de telespectadores assistiram à final pela televisão.

O ressurgimento dos dois astros coincide também com a quebra de Andy Murray e Novak Djokovic, as duas grandes desilusões do torneio. O britânico, número um mundial, caiu nos oitavos-de-final diante do alemão Mischa Zverev (7-5, 5-7, 6-2 e 6-4), irmão do proeminente Alexandr Zverev. Mais impressionante ainda foi a eliminação de Novak Djokovic perante o uzbeque Denis Istomin (7-6, 5-7, 2-6, 7-6 e 6-4). Desde 2008,  em Wimbledon, que o sérvio perdia tão rapidamente num Grand Slam. Boris Becker, antigo treinador de Nolan, acredita que o ténis não é mais a prioridade do sérvio e que isso se reflecte no seu nível. De resto, é preciso recuar até 2004 para que os dois primeiros do ranking mundial não tenham chegado aos quartos de final de um Major (Roland Garros).

2017, o renascimento de Dimitrov

No sentido inverso, Grigor Dimitrov foi uma das boas notícias do torneio. O búlgaro, de 25 anos, é um dos bons valores da nova geração mas que tem sentido dificuldades em ser consistente. Em Melbourne conseguiu, contudo, repetir o feito de Wimbledon, em 2014, e chegar pela segunda vez às meias-finais de um Grand Slam. Só que Rafael Nadal acabou por ser o último a cair numa batalha de 4.56 horas:  6-3, 5-7, 7-6 (5) 6-7 (4) e 6-4. “É sempre duro perder assim, mas estou feliz com muita coisa”, reconheceu o búlgaro. E tem razões para isso. O início de 2017 tem sido promissor. Em Brisbane conquistou o seu quinto título ATP, o primeiro desde 2014. Os bons resultados não são alheios ao facto de contar com um novo treinador,  Dani Vallverdu, que tem feito uma autêntica revolução na forma como o búlgaro treina e prepara os seus jogos. Dimitrov tornou-se mais agressivo, obrigando, de resto, Nadal a jogar muito mais no fundo do court. A evolução do búlgaro, que nos últimos anos foi muito mais notícia pelo conturbado relacionamento com a ex-namorada Maria Sharapova do que pelo seu ténis, é um dos pontos a acompanhar no circuito durante este ano.

serena 2
Foto: ATP

Serena, a maior da Era Open

Se Roger Federer aumentou o seu legado nos masculinos e nos fez lembrar que, mesmo aos 35 anos, é possível alcançar ainda o Olímpo num desporto tão competitivo como o ténis, Serena Williams, aos 36 anos, tornou-se a maior campeã da Era Open, com 23 títulos, deixando para trás a alemã Steffi Graf (22). Mais importante ainda, a mais nova das irmãs Williams regressou ao topo da hierarquia mundial, depois de ter perdido a liderança o ano passado para a alemã Angelique Kerber, eliminada surpreendentemente nos oitavos de final perante a norte-americana Coco Vandeweghe em dois sets (6-2 e 6-3).

A final feminina foi, tal como a masculina, representou um regresso ao passado, com as duas manas Williams, Serena e Venus, a repetirem a final de 2003. Desta vez como então, a vencedora foi a do costume. Serena ganhou à irmã mais velha por duplo 6-4, vencendo o torneio pela sétima vez, igualando Margaret Court, a recordista absoluta de Grand Slam (24).

Roger Federer e Serena Williams. Dois dos maiores nomes da história do ténis voltaram a gravar os seus nomes entre os vencedores do Australian Open. Aos 35 e 36 anos voltam a reescrever a história do ténis provando que o talento não tem idade nem lugar. A prova da sua grandeza não está apenas nos títulos mas, acima de tudo, na grande capacidade de jogo que ainda apresentam. E basta os melhores da actualidade baixarem a guarda, que eles aí estão para desafiar o tempo e o lugar. Porque tal como diamantes, eles também são eternos.

ana-ivanovic-the-tennis-superstar-who-never-was-is-on-fire-at-the-australian-open.jpg?fit=1024%2C768&ssl=1
André Dias PereiraJaneiro 8, 20174min0

Ana Ivanovic foi uma campeã improvável que só a tenacidade, espírito de sacrifício e persistência tornou possível. Cresceu a ver a compatriota Monica Seles levar a Jugoslávia aos píncaros do ténis, sucedendo-lhe, em 2008, já como Sérvia. Pelo caminho, cresceu a treinar em plena guerra e enfrentou lesões que, agora, precipitaram o final de carreira, aos 29 anos. Estrela dentro e fora dos courts, o que Ana Ivanovic nunca será é ser recordada como uma tenista comum. Embaixadora da Unicef, a sérvia quer agora virar uma nova página na sua vida.

No final de 2016 o ténis mundial ficou mais pobre e porque não dizê-lo, menos estético. Ana Ivanovic, ex-número um mundial, disse adeus aos courts, não conseguindo recuperar de uma lesão que a levou, em Setembro último, a fazer uma pausa na carreira.

Foram ao todo 13 anos de profissionalismo e um título de Grand Slam. Foi em 2008, em Roland Garros, altura em que estava no auge da sua carreira. Era, então, líder da hierarquia mundial. Agora, na hora do adeus, ocupava um modesto 63º lugar. “Foi uma decisão difícil, mas há muito o que celebrar. Atingi altos com os quais eu nunca havia sonhado. Ganhei 15 títulos WTA, disputei três finais de Grand Slam. Não posso mais jogar ao mesmo nível que antes. É tempo de mudar”, anunciou a sérvia nas redes sociais.

No início da década de 90 Mónica Seles exibia talento nos courts e no pequeno ecrã. Ivanovic, então com 5 anos de idade, apaixonou-se pelo seu ténis e ficou determinada a seguir-lhe as pisadas. Ficou longe dos títulos Major da compatriota (nove Grand Slams) mas ainda assim conseguiu alguns troféus importantes. Para além de Roland Garros, em 2008, ganhou outros 14 títulos desde que se estreou em 2003, para além de ter sido finalista vencida em outro Roland Garros.

Mas o início esteve longe de ser fácil. Em plena guerra dos Balcãs, Ivanovic só podia treinar pela manhã, para evitar o período dos bombardeamentos. A dificuldade para encontrar um espaço para treinar era tal que chegou a admitir fazê-lo em cima de uma piscina congelada. Mas Ivanovic era determinada e estava focada em ser profissional. Essa estreia teve lugar em 2004, ano em que foi finalista vencida do torneio de juniores de Wimbledon. Os primeiros títulos vieram no ano seguinte, o primeiro dos quais em Camberra, na Austrália. A sua ascensão teve lugar depois de vencer, ainda nesse ano, adversárias poderosas como Svetlana Kuznetsova, Nadia Petrova e Vera Zvonareva. As primeiras lesões começaram a surgir logo nesse ano travando a evolução no ranking.

Dura em court, bela fora dele

ivanovic 1
A sérvia conquistou Roland Garros e foi nº1 mundial

Com um estilo de jogo agressivo no fundo do court e a profundidade dos seus golpes de direita, Ivanovic foi consolidando o seu lugar no ténis e em 2007 chegou ao top-5 mundial. Nesse ano venceu em Tóquio e Berlim e chegou, pela primeira vez, à final de um Grand Slam. Foi em Roland Garros. No entanto, acabou por perder para a favorita Justin Henin. Ainda nesse ano, outra lesão, causada em Wimbledon, impediu que jogasse a Fed Cup. Só que em 2008, provavelmente o ano mais profícuo da sua carreira, a menina sérvia que cresceu na guerra, conquistou o mundo. Venceu, finalmente, Roland Garros, derrotando na final a francesa Amélie Mauresmo, foi finalista vencida do Australian Open, e a 9 de Junho chegou a número um mundial.

Ao seu lado, a sua mãe nunca deixou de acompanhar todos os seus jogos. A sérvia caiu de rendimento, depois, e só em 2012, ano em que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos, voltou a entrar no top-20 mundial e em 2014, no top-5.

Mas Ivanovic não brilhou só em court. A sua beleza não passou despercebida e tornou-se o rosto de várias campanhas e disputada pelas maiores marcas de desporto. Mas Ivanovic é muito mais do que um rosto bonito. Em 2007 foi nomeada embaixadora da boa vontade da UNICEF, tendo um importante papel nas áreas de educação e defesa dos direitos das crianças, sendo habitual visitar várias escolas na sérvia. O seu casamento com a estrela de futebol alemã Bastian Schweinsteiger voltou a chamar a atenção do mundo.

Mas Ivanovic é, acima de tudo, alguém que sempre soube o que quer e para onde quer ir. Na hora da despedida não poderia ser diferente. “Não tenho qualquer ambição de voltar, nem como treinadora. Estou muito feliz com a carreira que tive. Agora é momento de tentar outra coisa”.

murray-1.jpg?fit=620%2C465&ssl=1
André Dias PereiraNovembro 29, 20166min0

Talvez mais importante do que qualquer vitória, ou conquista de Grand Slam, a coroação de Andy Murray como número um seja o mais importante feito do escocês, que se tornou no primeiro britânico a chegar à liderança do ranking mundial na era moderna.

Treino. Persistência. Perserverança. Estes são, por certo, três pilares fundamentais para o sucesso de qualquer desportista de topo. Para Andy Murray  não foi diferente. O escocês, cujo talento foi quase sempre olhado com desconfiança por muitos críticos do ténis, precisou de chegar aos 29 anos para se tornar número um do mundo, o primeiro britânico na era moderna a fazê-lo. E é também o segundo tenista mais velho a conquistar essa condição, sendo apenas superado por John Newcombe, em 1974, com 30 anos de idade. Mas ao contrário do tenista australiano, é expectável que o britânico se mantenha por lá mais do que oito semanas. Se vai, ou não, suplantar as 122 completadas por Novak Djokovic parece um cenário difícil de prever, mas que só o tempo o dirá.

“O Andy mostrou uma dedicação incrível e uma determinação muito grande no seu caminho para se tornar número um. É difícil pensar num atleta que mereça mais, já que vivemos numa das eras mais competitivas deste desporto”, admitiu Chris Kermode, presidente do ATP.

Certo é que o ano de 2016 figurará como o mais glorioso da carreira do Britânico – vencedor do Torneio de Wimbledon, do Ouro Olímpico no Rio de Janeiro e, mais recentemente, do Masters Final – e um marco na história recente do ténis Mundial. É preciso recuar até 2003 para encontrar um número um que não fosse Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic. E esse será, porventura, o maior mérito do escocês. Não sendo o mais talentoso do circuito, conseguiu intrometer-se na elite e, com treino, persistência e preserverança, fez com que, no final, tudo valesse a pena. Para aqui chegar Murray teve que atravessar o caminho das pedras. Derrotas, lesões, e a enorme supremacia do Big-3. Dizem que nada é mais inexorável do que o tempo. E foi com o tempo que Murray foi ganhando o seu espaço e estatuto, alargando o conceito para Big-4. Apesar de contar “apenas” com três Grand Slam, o seleccionador britânico, Miles Maclagan, concorda que Murray “merece estar ao lado de Boris Becker e John McEnroe – tenistas que venceram mais de cinco Grand Slam e que foram também números um. Ele tem três Slams neste momento mas as duas medalhas olímpicas e Taça Davis colocam-no entre os maiores”.

Desde que se tornou profissional em 2005 Murray conquistou 44 títulos, sendo 2016 o ano mais profícuo, com nove no total: Roma, Queens, Wimbledon,  Rio Janeiro (Jogos Olímpicos), Pequim, Shangai, Viena, Paris e ATP Masters Finals.

Murray é hoje certamente um atleta muito diferente daquele que venceu, em 2006, em San José, o seu primeiro título ATP. O seu primeiro Grand Slam chegou em 2012, nos EUA, e teve sequência no ano seguinte, em Wimbledon. Um feito repetido este ano. Murray foi igualmente finalista vencido em Paris, também este ano, mas a sua grande pedra no sapato é Australia, onde já perdeu cinco finais: 2010, 2011, 2013, 2015 e 2016.

A HEGEMONIA E O ARRANQUE DE ANO FULMINANTE DE DJOKOVIC

wimbledon
Vencedor de Wimbledon, Masters Final e Ouro Olímpico. 2016 coroou Murray.

Foram ao todo 122 semanas no topo da hierarquia mundial. Novak Djokovic, que aproveitou a fase descendente de Roger Federer e Rafael Nadal para cravar a sua hegemonia no ténis, parecia um líder inabalável no início de 2016. Depois de ter conquistado 11 títulos em 2015 (41 entre 2011 e 2015) o sérvio arrancou o ano a vencer em Doha e o primeiro Grand Slam do ano, em Austrália, ganhando essa final precisamente a Andy Murray. Seguiram-se vitórias importantes em Indian Wells, Miami e Madrid, antes de vencer em Paris, naquele que foi, provavelmente, o mais simbólico e emotivo título de Djokovic. Ao ganhar Roland Garros, após perder as finais de 2012, 2014 e 2015, Nolan imortalizou-se no restrito lote de jogadores que completou o Carreer Grand Slam. A vítima foi, outra vez, Andy Murray. Djokovic é, provavelmente, o grande rival do britânico. Em 35 encontros que ambos disputaram o sérvio ganhou 24.

As derrotas para Nolan nas finais de Melbourne e Paris foram um golpe duro para Murray. E é também isso que torna esta conquista algo de especial. Chegar ao final de um ano como este, onde o maior adversário parece mais vigoroso do que nunca, com vitórias retumbantes a meio do percurso, e alcançar, ainda assim, a liderança mundial, só está ao nível que quem coloca diariamente, a cada treino, a cada jogada e em cada jogo, paixão pelo desporto. Murray recompôs-se e Djokovic começou a descer o seu nível, com algumas derrotas surpreendentes. De Junho atá aqui, o sérvio venceu apenas o torneio do Canadá. Murray soube ser consistente, pensou jogo a jogo, torneio a torneio e a janela de oportunidade surgiu. Para isso o escocês tinha que chegar à final do torneio de Paris. A desistência de Milos Raonic, nas meias-finais, foi o necessário. “Nunca pensei chegar a número um do mundo. Têm sido tantos anos de trabalho e tão difíceis devido ao alto nível dos meus adversários”, desabafou Murray, que, semanas mais tarde, defendia a sua nova condição no Masters Final. E, no derradeiro jogo, Murray e Djokovic reencontraram-se como que discutindo quem era o melhor de 2016. Afinal, foram os dois tenistas que mais venceram no ano e o torneio reunia os melhores entre Janeiro e Dezembro. A coroa de rei do ténis estavam também em jogo. E se Djokovic começou melhor 2016, Murray confirmou a tendência de que é o tenista em melhor forma no circuito. Venceu por 2-0 (6-3 e 6-4). O coroa ficara gravada definitivamente na cabeça do escocês.

Tendo em conta os anos e o trabalho que Murray teve para chegar aqui, tendo em conta o seu perfil, não é expectável que o reinado do escocês seja efémero. Andy já tinha feito história ao liderar a vitória na Copa Davis para o Reino Unido, que agora se pode orgulhar também de voltar a ter um número um, o primeiro na Era moderna.

A coroação de Murray é também a coroação do treino, da persistência e preserverança. E é sobretudo a prova de que sem trabalho, o talento de nada serve. Longa vida ao Rei.

djokovic-murray-tennis_3364818
Djokovic e Murray continuarão, em 2017, a discutir o trono do ténis mundial
012714-tennis-Stanislas-Wawrinka.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
André Dias PereiraOutubro 16, 20165min0

Não é o mais popular ou o maior vencedor. Tão pouco é a maior referência do seu país na modalidade. Nunca foi número um do mundo. Nem número dois. E raramente é o primeiro nome que vem à cabeça quando se pensa num favorito para vencer um major. Apesar de tudo, Stan Wawrinka está a um Grand Slam de se completar o carreer e gravar para sempre o seu nome entre os maiores na história do ténis.

O dedo indicador da mão direita apontado para a cabeça. O gesto já se tornou um clássico. Um ícone para Stan Wawrinka em representação da sua força mental, uma das suas principais armas em court. Nem podia ser de outra maneira. Só desenvolvendo um grande trabalho mental e uma gigante força de vontade poderia intrometer-se entre os maiores de uma das melhores gerações da história do ténis. Sendo contemporâneo e compatriota de Roger Federer, Stan parecia destinado ao papel secundário no circuito. O tempo tem mostrado que não é bem assim.

Stanislas Wawrinka, 31 anos de idade, não é o mais popular e também nunca foi o número um do mundo. Mas John McCanroe, antigo líder da hierarquia mundial, considera-o um dos mais completos tenistas do circuito. E não é para menos.  O seu palmarés conta com três Grand Slam em pisos diferentes. Australia (2014), Roland Garros (2015) e US Open (2016). Se vencer o torneio de Wimbledon, passará a integrar o restrito lote de atletas a completar o carreer Grand Slam, hoje composto por Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, André Agassi, Fred Parry e Roy Emerson.

Dos seus quinze títulos conquistados no circuito, onze foram nos últimos três anos, entre eles os três Grand Slam. Talvez o segredo do seu sucesso possa ser encontrado nas palavras que proferiu após vencer (outra vez) Novak Djokovic numa final, desta vez no US Open este Verão. “És um grande campeão. Por tua causa hoje sou quem sou”. Quando um grande torneio começa, o nome de Wawrinka normalmente figura entre os favoritos, mas raramente numa primeira linha. O helvético cresceu no circuito a ver Federer a tornar-se no maior de sempre e Nadal a superar-se fisicamente para atingir também um nível estratosférico. Depois, acompanhou a ascensão e a consolidação de Novak Djokovic e o surgimento de Andy Murray. Stan jogou, perdeu, caiu mas nunca atirou o tapete ao chão. O ponto de viragem, admite, teve lugar em 2014 quando venceu Novak Djokovic no Australian Open. “Foi aí que comecei a ser duro comigo mesmo. Se quero realmente ter chance com jogadores de topo, tenho que estar preparado mentalmente para isso”. O título alcançado nesse torneio, frente a Nadal, também ajudou. Foi o seu primeiro título de Grand Slam e a oportunidade de mostrar ao mundo que há outro suíço capaz de vencer os principais torneios. “Todos estão habituados a ver Federer em fases finais, não a mim”, disse na altura Wawrinka. Esta foi a primeira vez desde 2009 que um tenista fora do Big-4 (Djokovic, Nadal, Federer e Murray) venceu um major.

Mesmo como outsider, Wawrinka sempre se mostrou capaz de vencer qualquer adversário em court. Já venceu cinco vezes Djokovic, três Nadal, três Federer e sete diante Andy Murray. É número três mundial e já acumulou mais de 22 milhões de dólares em prémios ao longo da carreira.

indianexpress.jpg
Stan e Federer, uma parceria que valeu o Ouro Olímpico e uma Copa Davis à Suíça

A ASCENSÃO E A RELAÇÃO COM FEDERER

Stan, the man. É assim que também é conhecido este helvético, cujo nome é de origem polaca, apesar de o pai ser alemão e a mãe suíça. Aos 15 anos deixou a escola, pelo menos de forma presencial, para perseguir o sonho de se tornar em um tenista profissional. Em 2003 sagrou-se campeão de Roland Garros e chegou a sétimo entre os juniores. O seu primeiro título como profissional teve lugar em 2006, na Croácia. Nesse ano terminou no top-40 e no seguinte continuou a galgar posições. Em 2008 jogou ao lado de Roger Federer, alcançando a medalha de ouro em pares, nos Jogos Olímpicos de Pequim. A parceria com o rei do ténis suíço viria a dar mais frutos, em 2014, quando os dois lideraram a Suíça ao inédito título da Taça Davis. A relação entre ambos, contudo, nem sempre foi a mais pacífica. Em 2014, por exemplo, em vésperas da final da Copa Davis, de acordo com o Daily Mail os dois compatriotas terão discutido no hotel, na sequência de um desentendimento de Stan com a mulher de Federer, Mirka, que o terá provocado. Discussões à parte, os dois jogadores estiveram fora dos Jogos Olímpicos este ano no Rio de Janeiro.

O ano de 2015 está a ser tão bom como o ano passado, quando alcançou quatro títulos. Para além do US Open, Wawrinka venceu também em Geneva, Dubai e Chenai. Afastado recentemente do torneio de Xangai, perante Gilles Simon, tem ainda um importante título em disputa. O Masters no final do ano. Federer passará o ano em branco, já que não jogará mais em 2016.

Actualmente com 5910 pontos no ranking ATP, o número três mundial está longe de Murray (9845) e Djokovic (13540) parece inalcançável. No entanto, aos 31 anos de idade, Stan ainda tem muito para conquistar na carreira. Mas independentemente do que aí vem, Wawrinka conseguiu deixar a sombra a que parecia destinado a ficar. E isso está-lhe no corpo, no suor e também tatuado no braço, onde se pode ler o pensamento de Samuel Beckett: “Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fall again. Fail better”.

14002566_10205150957533999_1556642385_o.jpg?fit=1023%2C576&ssl=1
André Dias PereiraAgosto 11, 20162min0

Djokovic não disse adeus ao Brasil. Disse até já. O número um mundial caiu com estrondo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro mas soube seduzir e conquistar o público brasileiro. Na hora da despedida, o número um mundial chorou e o Brasil chorou com ele.

Há amores assim. Curtos mas intensos. E o Verão é cheio deles. Djokovic não é exactamente um adolescente, aos 29 anos de idade vive o melhor período da sua carreira desportiva. Mas o grande favorito à conquista do ouro olímpico leva da Cidade Maravilhosa apenas uma história de amor para com o Brasil.

Juan Martin del Potro, que este ano regressou à alta roda do ténis mundial após longa paragem por lesão, fez-nos recordar que os Jogos Olímpicos são, de facto, um torneio à parte em que o espírito olímpico e de superação encurtam distâncias entre os desportistas, mesmo em modalidades altamente profissionais como o é o caso do ténis.

Djokovic, que chegou ao Rio de Janeiro a grangear sorriso e carisma, tirando selfies com os fãs e aproximando-se à comunidade local, saiu de cena lavado em lágrimas após perder para o argentino logo na primeira ronda por 7-6 (7-4) e 7-6 (7-1). O sérvio, que construiu quase toda a sua carreira na sombra da popularidade de Roger Federer e Rafael Nadal e que tantas vezes se queixou da falta de apoio nos courts mundiais, encontrou, no Brasil, o seu público. “Djoko, Djoko”, gritava o sonoro público brasileiro a cada ponto que o sérvio fazia.

Só que a vitória não chegou e Del Potro eliminou, pela segunda vez na sua carreira, Djokovic em olimpíadas. A primeira foi em Londres, em 2012. Ficou o sonho de ouro, sobraram as lágrimas. “É uma das derrotas mais dolorosas da minha carreira. Não foi a primeira vez que perdi nem será a última, mas é uma Olimpíada, o que aumenta a dor”, sintetizou o sérvio, que não se cansou de agradecer ao público, recolhendo aos balneários levando as raquetas num saco verde e amarelo.

Já esta segunda-feira o adeus foi definitivo aos courts dos Jogos Olímpicos. Na competição de duplas Djokovic e Nenad Zimonjic foram afastados pela dupla da casa Bruno Soares e Marcelo Melo. Foi um doce adeus, pela relação construída com o Brasil. “Senti-me em casa. Parecia que eu era brasileiro”, referiu o número um mundial dizendo que o provo brasileiro “é agora irmão”.

Como todos os amores de Verão a passagem de Djokovic pelo Rio de Janeiro foi fugaz mas intensa. E para quem fica, continuará para sempre a esperar outro regresso.

Mens-Wimbledon-Final-Roger-Federer-v-Novak-Djokovic.jpg?fit=1024%2C538&ssl=1
André Dias PereiraAgosto 2, 20165min0

Pela primeira vez desde o ano 2000 o suíço termina a temporada sem títulos e há quinze anos que não acabava um ano fora do top-10, sem jogar o ATP Finals. As lesões foram o maior adversário do multicampeão suíço, que se recusa, aos 34 anos, a retirar-se. Não é um adeus. É um até já, promete a lenda.

Se há coisa que a carreira de Roger Federer nos ensina é que não há impossíveis. Foi assim quando, em 2009, ganhou Roland Garros e completou finalmente o carreer Grand Slam após ter perdido três finais para Rafael Nadal. E foi assim depois, quando continuou a contrariar o tempo e a manter-se, mesmo aos 34 anos, no top-3 três mundial a disputar finais.

Mas estará a lenda suíça no fim da linha? É cedo para dizer, mas uma coisa é certa. Pelo menos até ao início de 2016 não haverá mais aparições do multicampeão helvético em jogos oficiais.  É o ponto final numa época para esquecer, marcada por lesões, e a garantia que o suíço vai terminar o ano fora do top-10 mundial, o que acontece pela primeira vez nos últimos 14 anos.

E as coisas até nem começaram mal. Em Brisbane, na Autrália, Federer repetiu a final de 2015 mas perdeu para Milos Raonic. Apesar dos 34 anos de idade o helvético mantém-se fiél ao seu estilo e a um nível raramente visto num tenista da sua idade. É certo que não tem condições para discutir a liderança mundial com Novak Djokovic, no auge da sua capacidade física e de jogo, mas tem vindo a manter-se de forma consistente no top-3 a par de Andy Murray.

Desde 2009, quando Federer conseguiu, enfim, quebrar a maldição de Roland Garros e conquistar o 15º Grand Slam, que o suíço respirou fundo e passou a desfrutar mais do jogo. E isso deve-se, acima de tudo, a uma gestão física exemplar e a um planeamento de torneios criterioso.

E este ano, mais do que voltar a vencer mais um Grand Slam, Federer apostou as fichas nos Jogos Olímpicos. Depois de ter conquistado o ouro em Londres ao lado de Stan Wawrinka, o suíço preparava-se para disputar todas as categorias no Rio de Janeiro, incluindo pares mistos ao lado de Martina Hingis.

Mas a verdade é que Federer nunca conseguiu recuperar da intervenção cirúrgica a que foi submetido após ter sido afastado nas meias-finais no Australian Open. O helvético foi obrigado a parar vários meses, falhando os torneios de Roterdão, Dubai e Indian Wells. O regresso deu-se em Miami mas foi efémero. Um vírus no estômago obrigou Roger Federer a desistir após a primeira eliminatória, prolongando o seu calvário.

Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)
Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)

Lesões e desistências

E foi em França, em Monte Carlo, já no circuito da terra batida que regressou para vencer o primeiro jogo desde Australian Open, acabando por cair nos quartos-de-final perante Jo-Wilfred Tsonga. Seguiram-se mais duas desistências. O torneio de Madrid e o mais doloroso, Roland Garros, para recuperar de uma lesão nas costas.

Uma vez mais, o ex-número um mundial mostrou fibra de campeão e tentou reerguer-se, apontando baterias a Wimbledon. A caminhada começou em Estugarda, onde caiu nas meias-finais perante Dominic Thiem, um dos melhores do ano até ao momento. Depois, em Halle, onde ganhou por oito vezes, voltou a ser afastado às portas da final perante Alexandr Zverev.

O último capítulo teve lugar no All England Club. Em Wimbledon, a sua prova de eleição, conseguiu afastar Guido Pella, o surpreendente Marcus Willis, Daniel Evans e Steve Johnson, até cair, outra vez, na semi-final, para Milos Raonic.

Federer disse depois adeus à temporada, anunciando que vai recuperar até ao final do ano para tentar surgir na melhor forma no próximo Austrian Open. Pela primeira vez, desde 2000, que acaba uma época sem conquistar qualquer título. E será a primeira vez desde 2001 que terminará o ano fora do top-10 mundial e não jogará a ATP Finals.

As reações

O mundo do ténis e do desporto não demorou a reagir à ausência de Federer nos Jogos Olímpicos, US Open e ATP Finals. “Uma decisão triste, mas sábia”, disse Robin Soderling, tenista sueco que perdeu para o suíço, em 2009, a final de Roland Garros. “O ténis já sente a tua falta”, “É depressivo. Nem quero imaginar quando se retirar”, “É triste. Espero que venha ainda mais forte em 2017”. Kevin Anderson, John Isner, Rio Open, Wimbledon, Miami Open. As reações vieram de todos os lados e de todas as organizações

Que Roger Federer teremos em 2017 é a pergunta que está na cabeça de todos, sobretudo do próprio. Mas se há coisa que com que os grandes campeões são feitos é de fibra para renascerem das cinzas e se manterem no topo. Com Federer sempre foi assim e sê-lo-à até acabar a sua carreira, quando a lenda der lugar ao mito.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS