Arquivo de Stefanos Tsitsipas - Fair Play

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André Dias PereiraNovembro 11, 20223min0

Arranca este domingo, dia 13, o ATP Finals. O último grande torneio da temporada reúnes os jogadores que mais se destacaram em 2022. Mas terá uma baixa importante. Carlos Alcaraz, número um do mundo e vencedor do US Open, lesionou-se e é uma baixa confirmada para o torneio. Aconteceu nos quartos de final do ATP Paris. Alcaraz deverpa parar seis semanas. O espanhol dominou a época, com maior número de vitórias, e uma ascensão incrível no ranking até chegar ao topo, aos 19 anos de idade.

Para o lugar de Alcaraz entrou Taylor Fritz. Esta é a primeira vez que o norte-americano jogará o torneio. Campeão de Indian Wells (1000), Tóquio (500) e Eastbourne, Fritz fez, provavelmente, o melhor ano da sua carreira.  Jogar o ATP finais acaba por ser um prémio justo independentemente do resultado final.

Sem Alcaraz, mas com Nadal e Djokovic, é dificíl apontar um favorito claro. O espanhol leva vantagem se olharmos aos títulos esta temporada, entre eles Australian Open e Roland Garros. Mas Djokovic tem uma motivação extra. Em caso de vitória igualará Roger Federer como maior campeão do torneio, com seis títulos. Nolan soma os mesmos cinco títulos que ivan Llendl e Pete Sampras. Este é, aliás, a 15 participação do sérvio no torneio.

E bem se pode dizer que Djokovic não terá tarefa fácil. No sorteio realizado em Turim, onde o torneio acontece, o sérvio calhou no grupo vermelho, que inclui também Medvedev e Tsitsipas, Rublev. Este é apontado como o grupo mais difícil.

A 17ª vez de Nadal

O agora número 8 do mundo foi um dos primeiros a chegar a Turim para treinar. Medvedev, campeão em 2000, teve um ano com mais baixos do que altos. Caiu para número 5 do mundo e venceu “apenas” torneios menores, como o de Áustria e o de Los Cabos.

O ano de 2022 foi mais um para consolidar Rublev. O russo ganhou nada menos do que 4 títulos, contudo, continua ainda à procura de um grande troféu. O ano passado foi finalista vencido em Cinicinnatti e Indian Wells. O atual número sete do mundo pode surpreender no torneio, mas terá pela frente também Tsitsipas. O grego venceu este ano os torneios de Monte Carlo e Maiorca. Apesar de não ter ganho títulos maiores, tem sido consistente e é número três mundial.

No grupo verde, Nadal enfrentará Taylor Fritz, Zverev, Casper Ruud e Felix Aliassime. Esta será a 17ª participação do espanhol no torneio, o único grande título que lhe falta conquistar. Neste grupo, o canadiano Felix Aliassime está em grande momento e pode surpreender. Os quatro torneios que já ganhou como profissional foram todos conquistados este ano: Roterdão, Florença, Antuérpia e Basileia. Já Zverev tem sido um tanto irregular mas é sempre um adversário que cresce no torneio.

Casper Ruud, que tem feito um ano em crescendo e caso apresente o nível do US Open, onde foi finalista vencido, pode causar estragos nos principais candidatos.

O ATP Finals joga-se entre os dias 13 e 20 de setembro.

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André Dias PereiraOutubro 30, 20223min0

A partir de 13 de novembro e até 20 de novembro, joga-se o último grande torneio do ano. O ATP Finals vai reunir, em Turim, Itália, os maiores jogadores do ano. Daniil Medvedev, campeão em 2020, já garantiu a sua presença após vencer este sábado, dia 29, Grigor Dimitrov e avançar para a fnal do ATP 500 de Viena. É a quarta vez que o russo joga esta competição.

O antigo número 1 mundial teve um ano discreto. Em 2022 conquistou, para já, apenas o título em Los Cabos, no México, e três vice-campeonatos, incluindo o Australian Open. É verdade que pode ainda ganhar o torneio de Viena, onde defrontará Shapovalov. E há ainda o ATP Paris. Mas não é menos verdade que desde 2018 Medvedev nunca ganhou menos que dois torneios.

Para além do russo, estão também garantidos no ATP Finals, Carlos Alcaraz, Rafael Nadal, Casper Ruud, Novak Djokovic e Stefano Tsitsipas.

Djokovic soma cinco títulos, ao lado das lendas Ivan Lendl e Pete Sampras. O recordista é o agora aposentado Roger Federer. Isso quer dizer que o sérvio pode-se tornar o maior campeão do torneio ao lado do suíço, caso vença este ano. Djokovic é também o único a ganhar a prova quatro anos consecutivos (2012-15). Mas, claro, é sempre preciso considerar Rafael Nadal. O espanhol continua em altíssimo nível mesmo aos 36 anos. Este ano já ganhou o Australian Open, Roland Garros e os torneios de Melbourne e Acapulco. Curiosamente, Nadal nunca venceu o ATP Finals. Foi finalista vencido em 2013 e 2010. Este é, aliás, o único grande título que lhe falta na carreira.

ATP Paris será determinante

Apenas dois tenistas espanhóis venceram o ATP Finals. O primeiro foi Manuel Orantes, em 1976, e o último foi Alex Corretja, em 1998. Desta vez, há boas razões para acreditar num sucesso espanhol. É que para além do número dois mundial, Nadal, há ainda a sensação Carlos Alcaraz, o líder do ranking.

Alcaraz será um estreante na prova, é certo, mas essa condição nunca foi problema para se colocar entre os favoritos. Este ano tornou-se o mais jovem número 1 da história e também a vencer o US Open. De resto, o espanhol tem alcançado todos os recordes de precocidade e é o atleta que mais ganhou em 2022. Para além do sucesso em Nova Iorque, ganhou outros quatro títulos: Masters de Madrid e de Miami e os torneios de Rio Janeiro e Barcelona.

Casper Ruud é outro jogador em ótima forma. Já venceu este ano três torneios (Gstaad, Buenos Aires e Genebra) e foi finalista vencido no US Open. Ele repete a experiência do ano passado e será um nome a ter em conta.

Ao todo estão seis tenistas já classificados. Isso quer dizer que há duas vagas em aberto. Por enquanto, Felix Aliassime e Andrey Rublev são os mais bem posicionados. Mas o ATP Paris será determinante. Uma coisa é certa, este ano o torneio de Turim não terá representantes italianos. O triunfo de Aliassime em Basileia retirou matematicamente as chances a Jannik Sinner e Matteo Berrettini de lutarem pelas vagas. Pablo Carreño Busta (2415 pontos) e Cameron Norrie (2410) também estão longe de o conseguirem. Por outro lado, o norte americano Taylor Fritz e o húgaro Hubert Huckacz podem intrometer-se entre Aliassime e Rublev.

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André Dias PereiraSetembro 30, 20223min0

O Resto do Mundo conquistou, pela primeira vez, o título da Laver Cup, mas o grande destaque foi Federer. O tenista suíço despediu-se dos courts, num jogo de duplas emotivo e simbólico ao lado de Rafael Nadal.

Sem jogar em 2022, Federer foi adiando o seu regresso até à confirmação que ninguém queria escutar. A Laver Cup seria a sua última participação em torneios profissionais. E, como seria de esperar, as homenagens sucederam-se umas atrás das outras.

A mais emotiva foi a de Nadal. O tenista espanhol não conteve as lágrimas, enquanto segurava a mão do rival em uma imagem que correu o mundo. Afinal, “uma parte” de si foi com o suíço, disse, numa clara alusão à rivalidade e à forma como os dois se desafiaram e trabalharam para serem melhores ao longo das últimas duas décadas.

A despedida de Federer quase que ofuscou a primeira vitória (13-8) de sempre do Resto do Mundo na competição. E equipa europeia era constituída por uma constelação histórica: Federer, Nadal, Djokovic, Murray, Casper Ruud e Berretini. Entraram ainda Tsitsipas e Cameron Norris. Por outro lado, o Resto do Mundo era composto por Felix Aliassim, Taylor Fritz, Diego Swartchzman, De Minaur, Francis Tiafoe, Jack Sock e Tommy Paul.

E apesar de a Laver Cup ter um cariz forte de exibição, ela é levada muito a sério por jogadores. E a Europa investiu muito, sobretudo em Djokovic, para equilibrar um torneio que o Resto do Mundo quis ganhar desde o início. E a Europa até começou bem. Com Casper Ruud a vencer Jack Sock (6-4, 5-7 e 10-7), confirmando a grande temporada que fez. Tsitsipas deu boa sequência derrotando Diego Schwartzman, por 6-2 e 6-1. Só que De Minaur, ainda no primeiro dia, reduziu a desvantagem para 7-5, 3-6 e 7-10.

A última dança de Federer

O primeiro dia de torneio ficou marcado pelo último jogo de Federer. Ao lado de Nadal, numa dupla simbólica, os europeus perderam para a dupla Sock e Tiafoe (4-6, 7-6 e 11-9). Mas isso acabou por ser secundário. A estrondosa salva de palmas do público e lágrimas de Federer homeagearam uma carreira lendária que chegou ao fim. No segundo dia, os europeus aumentaram a vantagem, com vitórias de Berretini sobre Aliassime (7-6, 4-6 e 10-7), de Djokovic diante Tiafou (6-1 e 6-3), e da dupla Berretini e Djokovic contra De Minaur e Sock (7-5 e 6-2). O único triunfo do Resto do Mundo no dia pertenceu a Fritz sobre Norrie (6-1, 4-6 e 10-8).

A grande reviravolta deu-se no último dia. O Resto do Mundo dominou completamente com o um registo 100% vitorioso. E até Aliassime levou a melhor sobre Djokovic (6-3 e 7-6), depois de Sock e Aliassime vencer Murray e Berretini em duplas. Por isso, tudo ficou em cima da mesa na partida ente Tsitsipas e Tiafoe. O grego ainda venceu o primeiro set por 6-1 mas o norte americano virou para 7-6 e 10-8.

Foi a primeira vitória do Resto Mundo, e muito celebrada. De uma forma ou de outra, este é um torneio que parece ter chegado para ficar. No próximo ano, já sem Federer, mas ainda com muitos argumentos para continuar a ser interessante e envolver o público.

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André Dias PereiraAgosto 26, 20223min0

Borna Coric sempre foi um dos mais talentosos e promissores tenistas do circuito. A verdade, porém, é que a sua carreira tem sofrido altos e baixos dos quais resultam dois títulos ATP. Um em Marraquexe, em 2017, e o último, em Halle, em 2018. E se é verdade que a posição 152 do ranking na qual entrou no Masters 1000 de Cincinnati não é condizente com o seu talento, a verdade, porém, é que reflete essa inconstância na carreira e também as lesões e longa recuperação que marcam os seus últimos anos.

Talvez por isso, a sua vitória em Cincinnati, no passado final de semana, seja vista como surpreendente mas também como a possibilidade de ser um ponto de viragem. Diante do favorito Stefanos Tsitsipas, Coric venceu por 2-0 em sets: 7-6 e 6-2.

“Há 5 dias não estava pronto para este discurso. Pensava que ia perder na primeira ronda”, assumiu Coric na hora da vitória. Mas não poderia estar mais errado. Após derrotar Lucas Musetti na ronda inaugural (7-6 e 6-3), na segunda ronda levou a melhor sobre ninguém menos que Rafael Nadal (7-6, 4-6 e 6-3) em um jogo de quase 3 horas de duração. Seguiram-se Bautista Agut (6-2 e 6-3), e Felix Aliassime (duplo 6-4). O canadiano tem confirmado a sua evolução no circuito conforme mostram os jogos com Jack Sinner e De Minaur.

Mas antes de chegar à final, Coric deixou ainda para trás o britânico Cameron Norrie (6-3 e 6-4). Por esta altura do torneio, o croata esbanjava a confiança que, por vezes, falta ao seu jogo.

Bonança após a tempestade

Com o triunfo sobre Tsitsipas, Coric tornou-se o jogador com a posição mais baixa no ranking a vencer em Cincinnati. E isso garante-lhe uma subida até ao 29 lugar da hierarquia mundial. Esta talvez seja a melhor coisa que aconteceu a Coric nos últimos anos. Em 2021 foi submetido a uma cirurgia que o atirou para fora do circuito, acabando o ano em 73 lugar.

Coric foi um dos primeiros jogadores a preparar-se para o Australian Open, já este ano. Mas foi outra vez traído pelo ombro. Regressou à competição em Indian Wells, em Março, mas caiu na primeira ronda.

Será, por certo, interessante entender como vai evoluir a partir de agora. A tendência é ir subindo no ranking mas ainda é cedo para saber se terá consistência suficiente para ser top-10 mundial. O ranking mais alto que já teve foi 12.

O torneio de Cincinnati também fica marcado pelo segundo lugar de Tsitsipas. O grego conta em 2022 com triunfos em Maiorca e Monte Carlo. Tsitsipas atravessa um bom momento de forma e deixou isso bem vincado com o triunfo sobre Medvedev nas semi-finais. Também Cameron Norrie voltou a mostrar que está em crescendo. O britânico alcançou também as semi-finais, tendo deixado para trás a sensação Carlos Alcaraz e Andy Murray.

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André Dias PereiraMaio 11, 20223min0

Começa a ser difícil encontrar sinónimos para o que tem sido a ascensão de Carlos Alcaraz. Ele deixou de ser o jogador do futuro para passar a ser o jogador do momento. Por outras palavras, já não é uma promessa, é uma certeza.

O espanhol tornou-se, no domingo, o mais jovem de sempre a ganhar o Masters de Madrid. E fê-lo em grande estilo, diga-se. Alcaraz venceu na final o Alexander Zverev por 6-3 e 6-1, naquele que foi o corolário de uma semana perfeita.

O triunfo sobre o alemão, de forma tão autoritária, já seria um feito digno de registo. Mas o que o espanhol fez ao longo da semana foi muito além disso e merece várias leituras.

A começar pelo óbvio: Alcaraz é, eventualmente, o melhor jogador da atualidade. Ou, pelo menos, quem está em melhor momento de forma. Este foi o segundo triunfo consecutivo do espanhol no seu país – em Abril ganhou o ATP Barcelona – e o seu quarto título do ano. Recorde-se que para além de Madrid e Barcelona, venceu no Rio de Janeiro e em Miami. Um registo que o fez ascender à sexta posição da hierarquia mundial. Considerando que há um ano não estava sequer no top-100 e que só este mês completou 19 anos de idade não deixa de ser impressionante o que tem vindo a fazer.

Mas não sendo pouco, o espanhol conseguiu ainda o feito de se tornar o primeiro jogador a derrotar, numa semana, em terra batida, e de virada, ninguém menos que Rafael Nadal (6-2, 1-6, 6-3) e Novak Djokovic (6-7, 7-5, 7-6). Aconteceu nos quartos de final e meias-finais. Esperava-se, por isso, que Alcaraz pudesse chegar fisicamente e emocionalmente desgastado à final. Nada mais errado. No vigor dos seus 19 anos e altamente motivado, despachou o número 2 do mundo de forma arrasadora. “Tu és o melhor do mundo”, reconheceu Zverev, claramente rendido ao espanhol. Também Nadal não poupou elogios ao compatriota mostrando-se feliz por Espanha ter produzido outro jogador de topo.

Roland Garros a ferver

Com Roland Garros à porta – arranca dia 22 de maio –  o ATP Madrid serve como um apalpar de pulso ao que podemos esperar de Paris. E a verdade, porém, é poderemos esperar tudo de bom. Sim, Rafael Nadal continua a ser o grande favorito, mesmo aos 35 anos. É o campeão do Australian Open e mostrou alto nível em Madrid. Tal como Novak Djokovic. Pese embora todas as contrariedades e polémicas que o têm acompanhado. É o campeão em título, quer igualar o espanhol com 21 Majors, e tem sido o único a contrariar o favoritismo de Nadal.

Só que, agora, há um novo rosto na área. Carlos Alcaraz mostrou em Madrid que está pronto para o nível seguinte e pode jogar de igual para igual com Nadal e Djokovic. E levar a melhor sobre eles fisicamente. Mas, já sabemos, um Grand Slam é um torneio e realidade à parte. Será, pois, interessante saber como Alcaraz vai encarar Roland Garros, agora com a pressão acrescida da expectativa.

E há ainda, não podemos esquecer, Zverev e Tsitsipas, ambos muito fortes na terra batida. O alemão chegou à final de Madrid e o grego às semifinais (perdeu para Zverev – 6-4, 3-6, 6-2), mostrando que estão não apenas preparados, como em bom momento de forma.

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André Dias PereiraJaneiro 19, 20223min0

Arrancou o Australian Open. Mas independentemente do que acontecer nos courts, esta edição é marcada pelo que acontece fora deles. Porque mesmo não jogando, Djokovic é nome dominante. Após uma novela que durou mais de uma semana, certo é que o sérvio não disputa o primeiro Grand Slam do ano.

Nolan foi deportado para o seu país natal por não cumprir os regulamentos de segurança sanitária em Austrália, chegando a ser detido. Djokovic não está vacinado e mantém uma postura ativista na luta pela liberdade individual de vacinação. Uma luta que, para já, o afasta da possibilidade de disputar o seu décimo título em Melbourne e alcançar o 21 Major da carreira. Mas as coisas podem não ficar por aqui, porque a participação em Roland Garros também está condicionada à vacinação.

Mesmo com Djokovic de fora, o show tem que prosseguir. Salvatore Caruso assume, assim, a vaga deixada em aberto pelo número 1 do mundo. “O perdedor mais sortudo do mundo” foi como o próprio “lucky looser” se assumiu. De todo o modo, o italiano foi eliminado por Miomir Keckmanovic (6-4, 6-2, 6-1).

Sem Djokovic em court, quem são então os grandes favoritos ao título? À cabeça, Daniil Medvedev. O número 2 do mundo foi finalista vencido o ano passado e deu o passo em frente no US Open. Melbourne poderá ser, pois, o momento de transição na sua carreira, com vista ao topo da hierarquia. Mas pela frente poderá ter que ultrapassar o sempre incómodo Nick Kyrgios na segunda ronda. O russo tem um jogo muito consistente, é regular e possui uma força mental que o torna fiável.

Mas não é pela ausência de Djokovic que Medevedev terá uma passadeira estendida. Até porque Zverev é agora o segundo cabeça de série e um dos mais consistentes jogadores do circuito.

Nadal de regresso

Claro que é importante ficar de olho também em Tsitsipas e Nadal. Em 2021 o grego eliminou Nadal e Federer, mas a verdade é que durante o segundo semestre do ano decaiu. Que jogador teremos nesta fase? Bom, isso é uma resposta que teremos durante o torneio. E ninguém dúvida do que Tsitsipas pode fazer em um bom dia.

Sem Djokovic nem o lesionado Federer, Nadal será o único integrante do Big-3 a jogar em Melbourne. O espanhol regressa após uma longa paragem por lesão. Não tem o fulgor de outros tempos, é certo, mas é sempre um nome a ter em conta quando se fala em favoritos. Até porque em caso de vitória torna-se o maior campeão da história de Majors, ganhando vantagem sobre o sérvio e o suíço.

Outro nome para seguir com atenção é o de Andy Murray. O britânico já não é o que foi, mas a verdade é que tem vindo a tornar o seu ténis mais consistente. Aliado à sua experiência é um nome que, em um bom dia, pode causar surpresas. E para já começou bem. Contra Basilashvili levou a melhor, ganhando por 6-1, 3-6-4, 6-7 e 6-4. Outros “jokers” podem ser Francis Tiafoe, Alex de Minaur ou até mesmo Carlos Alcaraz.

De uma forma ou de outra, há mais Australian Open para além de Djokovic. Mas este pontapé de saída da temporada poderá marcar uma viragem no que tem sido o ATP nas últimas décadas.

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André Dias PereiraNovembro 23, 20214min0

Alexander Zverev conquistou, pela segunda vez, o Masters Final. Em uma final contra Medvedev, o alemão venceu por duplo 6-4. O título premeia uma temporada em cheio de Zverev. Aos 24 anos, o alemão é um nome grande do circuito, já há muito tempo entre top-10, mas que ainda não conseguiu ganhar um Major.

Mas se os Grand Slam são o seu calcanhar de Aquiles, o mesmo não se pode dizer de Masters. E em 2021 ninguém ganhou mais do que o alemão. São ao todo 59 vitórias que culminaram em 6 títulos: Acapulco, Madrid, Viena, Cincinatti, Jogos Olimpícos Tóquio e ATP Finals. Na carreira são já 19 troféus.

Em Turim, onde se jogou o ATP Finals, Zverev conseguiu vencer na final aquele que tem sido o seu algoz no circuito. Medvedev tinha vencido os últimos cinco confrontos entre os dois. Incluindo na fase de grupos deste ATP Finals. Também por isso, reconheceu o alemão, fez um dos seus melhores jogos do ano.

Zverev  começou por vencer Hurkackz (6-4 e 6-2) e o Berretini, que desistiu por lesão. A única derrota foi precisamente para Medeved (3-6. 7-6, 6-7). Os dois avançaram para as meias finais onde encontraram Djokovic e Casper Ruud.

Ruud confirma bom momento

O norueguês voltou a mostrar que atravessa um bom momento. Na primeira vez que jogou o ATP Finals, Ruud levou a melhor sobre o repescado Cameron Norrie (1-6, 6-3 e 6-4) e Hurkacz (6-2 e 6-2). A única derrota na fase de grupos foi diante Djokovic, que ganhou os três jogos.

Casper Ruud, número 8 do mundo, ganhou 5 torneios em 2021. É já o melhor tenista norueguês de sempre e o primeiro do seu país a jogar a competição. Pela consistência demonstrada e até pela idade, 22 anos, o mais provável é que no futuro possamos continuar a vê-lo neste torneio. Este ano, o sonho terminou nas meias-finais, diante Medvedev (6-4 e 6-2).

Quem também caiu nas meias finais foi Djokovic. Zverev repetiu o triunfo das meias finais em Tóquio, desta vez por 7-6, 4-6 e 6-3. Foi a quarta vez, em 11 jogos, que o alemão ganhou do sérvio. Apesar do desaire, este foi um grande ano para Nolan com triunfos em três dos quatro Grand Slam do calendário, igualando Federer e Nadal com 20 Majors.

Menos felizes estiveram Stefanos Tsitsipas e Matteo Berretini. O grego desistiu da prova devido a uma lesão no ombro direito. Jogou apenas um jogo, perdendo para Rublev por duplo 6-4. Para o seu lugar entrou Cameron Norrie, que acabou por perder os dois jogos feitos. O italiano também foi afastado na partida com Zverev. Foi substituído por Jannik Sinner. O também italiano ganhou de Hurkackz (duplo 6-2) mas perdeu para Medvedev.

Os registos de Zverev

“Não há melhor forma de terminar a temporada, por isso estou pronto para as férias”, disse Zverev. Com 59 vitórias é o jogador que mais ganhou em 2021. Mas os registos do alemão vão muito além disso. Ele é o décimo jogador da história a ganhar o torneio por mais de uma vez. Os outros são Federer (6), Djokovic, Sampras e Lendl (5), Nastase (4), McEnroe (3), Borg, Hewitt e Zverev (2).

Zverev é também o quarto jogador da história ganhar do número 1 e número 2 do mundo nas meias finais e final do torneio. A última vez que isso aconteceu foi em 1990.

O alemão olha agora para 2021 com forças renovadas. O próximo passo será a conquista de um Grand Slam. E esse tem sido o “Nemesis”. Mas até pelo declínio do Big-3, sobretudo Nadal e Federer, é bem possível que possamos começar a ver Zverev mais vezes em finais. Mesmo tendo a concorrência de Medvedev, Tsitsipas ou Rublev.

Para do processo passará também pela sua força mental. E o alemão tem investido muito nisso nos últimos anos. Agora, porém, seguem-se férias…

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André Dias PereiraAgosto 30, 20213min0

A grande interrogação do US Open, que arrancou esta segunda-feira, dia 30, é saber quem pode travar Novak Djokovic. O número um mundial é o grande favorito à conquista do torneio nova-iorquino. E não é para menos. Sem Nadal, Thiem (lesionados) e Federer (sujeito a nova operação), o sérvio surge como o grande favorito.

Em caso de vitória, Djokovic consegue dois feitos importantes: tornar-se o primeiro jogador a ganhar 21 Majors e vencer os 4 Grand Slam no mesmo ano, algo que nenhum tenista conseguiu desde Rod Laver.

E há razões para acreditar que Nolan se apresentará ao mais alto nível. A principal das quais é a que, desde as olimpíadas, o sérvio abdicou dos torneios de Tóquio e Cincinatti para se preparar para o US Open. Isso quer dizer que Djokovic se deverá apresentar no seu auge físico, técnico e mental.

É verdade que o líder do ranking mundial saiu feio na fotografia dos jogos de Tóquio, mas a história do sérvio mostra-nos que é nestes momentos que ele se supera. É através dos pontos baixos que Djokovic responde com o seu melhor ténis. Um bom exemplo foi o Australian Open deste ano.

O contra poder do US Open

Mas sem Nadal, Federer e Thiem, quem pode travar o sérvio? Bem, a verdade é que as ausências de jogadores históricos tem feito emergir finalmente novos talentos. Sobretudo Zverev, Tsitsipas e Medvedev. Os três encontram-se, provavelmente, no seu auge de carreira. E a tendência é continuar a melhorar. O alemão, por exemplo, tem melhorado muito o seu saque. Não por acaso, eliminou Djokovic nas meias finais dos Jogos Olímpicos. Medvedev, número 2 do mundo, tem jogado o fino do ténis. Só este ano já ganhou em Marselha, Maiorca e o ATP 1000 do Canadá. É bem verdade que não tem um estilo elegante, mas é extremamente eficiente e tem uma ambição e força mental como poucos.

Tsitsipas também é uma boa aposta para alcançar, pelo menos, as quartos de final Em Roland Garros, por exemplo, empurrou Djokovic para um jogo de cinco sets. Será interessante acompanhar o primeiro jogo da ronda inaugural contra Andy Murray. Apesar do estatuto do britânico, o grego encontra-se hoje em outro patamar e é amplamente favorito. Caso avance, Tsitsipas poderá enfrentar Cameron Norris, Ugo Humbert ou Cristian Garin.

Há ainda Andrey Rublev. O número sete do mundo procura ainda ser consistente. Este ano ganhou o torneio de Roterdão mas mostrou ter condições para vencer qualquer um.

Entrada tranquila de Djokovic

Se olharmos para o ranking mundial, pela primeira vez desde 2005, apenas um jogador do Big-3, Djokovic, está no top 3. Isso diz-nos que, aos poucos, o ténis se vai renovando. Mesmo tendo em conta a longevidade de Federer, Nadal e Djokovic.

Se olharmos para a chave do torneio, percebemos que o sérvio não deverá ter problemas nos primeiros jogos. A começar com o dinamarquês Rune. Mais à frente poderá jogar com Nishikori. O japonês tem-se mostrado este ano bem regular e consistente mas longe dos melhores tempos. Caso dê a lógica, apenas nas meias finais o sérvio poderá defrontar Zverev. Caso o faça será a reedição das semi-finais de Tóquio. O ouro olímpico então conquistado pelo alemão mostra a boa fase em que se encontra. Aliás, este pode ser também o momento chave para o alemão conquistar o seu primeiro Major. Apontado como um dos mais promissores tenistas do circuito, a verdade é que o alemão tem falhado nos momentos chave. Veremos, pois, se os Jogos de Tóquio foram o virar de ficha ou uma exceção que confirma a regra. Certo é que olhando para o ténis de Zverev, o alemão está muito mais sólido e com um saque que já se tornou uma arma. Veremos se é o suficiente.

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André Dias PereiraMaio 25, 20211min0

Stefanos Tsitsipas conquistou em Lyon o seu sétimo título como profissional. E o segundo de 2021. O grego já tinha ganho em Monte Carlo e agora volta a vencer em França.

Mais do que o título, Tsitsipas dá um aviso que está em um grande momento de forma e que pode ser, sim, um forte candidato a Roland Garros, na próximas semana. Aos 22 anos, é um dos mais sólidos jogadores do circuito. Com finais e títulos relevantes, como o Masters Final em 2019.

Agora, em Lyon, voltou a dar uma demonstração de força; Contra Cameron Norrie, o grego venceu por duplo 6-3, somando mais 250 pontos, que consolida o seu quinto lugar na hierarquia. Para trás deixou adversários como Toomy Paul, Yhioshihito Nishioka e Lorenzo Mussetti. Mas o torneio contou com outros nomes de peso como Dominic Thiem, Gael Monfils ou Gasquet.

Apesar da derrota na final, Cameron Norrie tem razões para sair feliz de Lyon. O britânico jogou a sua terceira final, a segunda deste ano. Recorde-se que Norrie foi finalista vencido no Estoril, em Portugal. Os resultados mostram que está em uma boa fase, tendo derrotado o favorito Dominic Thiem em Lyon, por 6-3 e 6-2.

As baterias estão agora apontadas para Roland Garros

 

 

 

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André Dias PereiraAbril 27, 20212min0

Na terra batida não tem para mais ninguém. Enquanto Nadal jogar, dificilmente poderá ser destronado nesse piso. Embora, reconheça-se, alguns tenistas, com Thiem à cabeça, possam ser altamente competitivos. Mas a verdade é que o espanhol não parece abranda. Mesmo aos 34 anos. Para se ter uma noção melhor, são já 61 troféus em 82 torneios. São ao todo 452 vitórias em jogos de terra batida.

No passado final de semana, nova vitória em Barcelona. Foi a 12 do maiorquino na Catalunha, reforçando o seu estatuto de maior campeão. Frente a Stefanos Tsitsipas, Nadal levou a melhor por 6-4, 6-7 e 7-5. Foi a sétima vitória do espanhol sobre o grego, em 9 confrontos. O número 6 mundial já venceu, este ano, o torneio de Monte Carlo. Em Barcelona, atingiu a nona final da sua carreira no circuito ATP. Para além de Barcelona, Tsitsipas foi também finalista vencido, este ano, em Acapulco, no México.

Na Catalunha, o grego mostrou-se em bom nível, deixando para trás Jaume Munar, Alex de Minaur, Felix Aliassime e Jannik Sinner. Depois de um 2020 irregular, Tsitsipas parece apostado em elevar o seu nível e colar-se entre o top-5 mundial. E por falar em bom nível, Jack Sinner voltou a mostrar que o futuro também pode passar por si. O italiano, 19 anos de idade, caiu para o grego nas meias-finais. Antes disso, eliminou Egor Gerasimov, para além dos favoritos Bautista Agut e Andrey Rublev.  Sinner conta já com dois títulos ATP, um em Sofia (2020) e outro em Melbourne (2021).

Outra vez número 2

Mas o grande nome de Barcelona foi outra vez Rafael Nadal. O espanhol encontrou, contudo, um caminho espinhoso até à final. Primeiro eliminou Ilya Ivashka. depois Kei Nishikori e Cameron Norrie, e finalmente Carreno-Busta. Com este resultado Nadal sobe ao segundo lugar do ranking ATP, liderado por Novak Djokovic.

O torneio de Barcelona é um dos principais do ATP 500. A sua origem remonta a 1953 e desde então só em 2020 não se disputou por conta do Covid-19. Por ali já passaram campeões como Bjorn Borg, Ivan Lendll, Matts Wilander, Emilio Sanchez, Carlos Moya, Thomas Muster, Kim Nishikori ou Dominic Thiem.


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