Arquivo de Pinto da Costa - Fair Play

jn.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1
Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Mais uma época se passou, e, volvido mais um ano o balanço feito para os Dragões continua a ser pouco positivo. Nova época sem conquistas que marca o fim da uma hegemonia portista que durava há mais de 30 anos.

“É um momento de grande emoção, de enorme prazer e é uma honra estar aqui e sentir que fui a pessoa em que o FC Porto confiou para ser treinador para a próxima temporada. Creio que não é o momento de promessas, mas de garantias. Sou uma pessoa que segue as suas convicções e que tem uma convicção absurda de que podemos ganhar sempre. Garanto à nação portista que com trabalho e união vamos conseguir o que todos pretendemos, que é ganhar”.

Estas foram as primeiras palavras de Nuno Espírito Santo há sensivelmente um ano no relvado do Dragão aquando da sua apresentação como treinador-principal dos azuis e brancos. Palavras fortes, ambiciosas e de esperança dirigidas a toda a nação portista que ouvia atentamente o novo timoneiro. O homem que há uns anos, numa célebre conferência de imprensa, foi autor da palavra “Somos Porto” que hoje vulgarmente é utilizada. Esperava-se o regresso da mística e de alguém que coloca-se o clube na rota dos títulos.

Nuno Espírito Santo recebeu em mãos um plantel com algumas lacunas – não tantas como se quis passar – a nível defensivo, e, sem um avançado de créditos firmados, alguém com maior maturidade competitiva. Houve também casos estranhos como o “vende, não vende” de Yacine Brahimi, o afastamento e logo depois a reintegração de Adrián Lopez. Houve também a aposta numa fase inicial da pré-época em Vincent Aboubakar, Juanfer Quintero e Josué, mas, que na hora da verdade acabaram dispensados. Sentia-se a necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central e um avançado para competir com André Silva.

O plantel foi emagrecendo mas ainda assim foram ficando algumas “gorduras” como Evandro, Sérgio Oliveira e Adrián Lopez (que numa fase ainda chegou a ser aposta) as quais só foram resolvidas pelo novo director-geral Luís Gonçalves no mercado de inverno.

INVESTIMENTO DEFENSIVO

Os reforços foram chegando a conta-gotas e só mesmo no dia 31 de Agosto já pela noite dentro o plantel ficou completo com a entrada de Boly. O defesa-central que faltava para ser alternativa a Felipe e Marcano.

O investimento desta época foi todo canalizado para o reforço defensivo, o sector que na época de 2015/2016 mais críticas recebeu. Da época passada manteve-se Layún, Maxi e somente um defesa-central, o espanhol Iván Marcano.

Um dos grandes louros de NES esteve na forma como conseguiu montar muito bem a sua teia defensiva durante toda a época. Além do quarteto defensivo conseguiu ainda potencializar ao máximo Iker Casillas e o médio-defensivo Danilo Pereira. Estes seis jogadores foram fundamentais na temporada e só mesmo lesões ou castigos os afastaram das escolhas iniciais.

O FC Porto terminou a época com menos onze golos sofridos em relação à época passada, desta vez sofreu apenas 19 golos e foi durante largas jornadas a melhor defesa do campeonato, e, também da Europa. É factual que em termos defensivos o trabalho do timoneiro azul e branco foi meritório.

MARASMO OFENSIVO

Se do ponto de vista defensivo a época esteve dentro das expectativas – até mais tendo em conta os números da época passada -, do ponto de vista ofensivo a época não foi um regalo para a vista. Apesar de os números – por mais incrível que pareça – nos dizerem exactamente o contrário. Foram 72 golos marcados – menos um que o campeão nacional Benfica.

As equipas de Nuno Espírito Santo nunca foram conhecidas por terem uma grande organização ofensiva, de resto nas épocas do Rio Ave os vila-condenses eram conhecidos por ganhar mais pontos fora de casa do que em casa. Não gostam de assumir o jogo as equipas do (agora) ex-treinador do FC Porto. E isso como se sabe é um contra-senso muito grande quando pensamos que os dragões têm de assumir o jogo e manipular o adversário através da posse de bola.

As ideias ofensivas foram sempre muito viradas para o lado mais individual e menos colectiva do grupo. Viveu sempre das referências individuais. Numa primeira fase da época graças à afirmação de André Silva na frente de ataque e na criatividade de Otávio. Mais tarde coube a Yacine Brahimi tomar conta da batuta ofensiva.

O avançado para competir com André Silva só chegou em Janeiro, talvez já tarde demais, uma vez que, a primeira opção passou por Laurent Depoitre, um avançado belga totalmente desconhecido do público em geral e até do presidente.

Ainda hoje está-se para perceber as razões que levaram o FC Porto a comprar o “pinheiro” Belga ao Gent por uma módica quantia de 6,5M€. Ainda assim conseguiu ser decisivo contra o Desportivo de Chaves numa altura do jogo que o FC Porto perdia por 1-0, foi o belga que empatou o jogo e ajudou na reviravolta.

O OXIGÉNIO VINDO DA FORMAÇÃO

O momento marcante da temporada teve como protagonista um Sub-19. Rui Pedro de apenas 18 anos. O inexperiente avançado foi uma carta lançado numa altura em que os dragões atravessavam a maior seca de vitórias da época. Eram seis jogos sem vencer, entre Liga NOS, Liga dos Campeões e restantes competições internas.

O jogo com o SC Braga foi o ponto de viragem, e, quando já se esperava pelo sétimo empate consecutivo, um passe de Diogo Jota isolou o jovem de Cinfães e este “só” teve de picar a bola – cheio de classe – sobre Marafona.

Este jogo marcou um ponto de ruptura com os seis jogos que ficaram para trás e deram ao timoneiro e ao clube um balão de oxigénio para atacar as jornadas que faltavam até à pausa natalícia. As exibições foram melhores, houve afirmação definitiva de Brahimi, melhoraram os resultados e houve uma aproximação clara ao líder do campeonato.

[Foto: maisfutebol.iol.pt]

DA AFIRMAÇÃO AO ESQUECIMENTO

André Silva prometeu e cumpriu. O jovem gondomarense na época passada deixou boas sensações quando foi chamado à equipa principal pela mão de José Peseiro. O avançado teve um arranque de época muito bom, e, como qualquer avançado que se preze, conseguiu fazer o gosto ao pé por várias vezes. A afirmação foi imediata e rapidamente conseguiu a chamada à selecção principal.

No decorrer da época o rendimento foi sendo inconstante, apesar dos bons sinais demonstrados no início da mesma, o rendimento colectivo acabou por prejudicar o individual de André Silva. E como os golos não apareciam as culpas foram começando a ser colocadas em André Silva.

Como aqui já analisamos as tarefas do artilheiro-mor (antes de Soares) dentro de campo eram, por vezes, algo exageradas para aquelas que um ‘9’ deve ter em campo. Não raras vezes desgastava-se com acções que em nada o ajudavam para ter frescura naquilo que é mais forte: a finalização. Um problema de impetuosidade e de excesso de tarefas dadas por Nuno Espírito Santo.

A época do internacional A foi de mais a menos, e, depois de experiência como extremo-direito acabou mesmo por cair do onze portista. A chegada de Tiquinho Soares acabou por relegar para segundo plano a jóia do Dragão. Um término de época bastante abaixo do que seria de esperar. Ainda assim para época de estreia foram 21 golos em 44 jogos.

O DESCARRILAMENTO DO COMBOIO

[Foto: sicnoticias.sapo.pt]

A máquina azul e branca a determinado momento pareceu ter entrado nos eixos, e, após o empate na Mata Real, na 16ª jornada, os azuis e brancos puseram pés a caminho e melhoraram de forma exponencial os seus resultados. Foram nove vitórias em nove jogos consecutivos.

Neste iate de tempo houve a chegada de Tiquinho Soares que ajudou bastante ao óptimo momento de forma do FC Porto. Dava boas sensações o momento que se vivia no Dragão e tudo parecia estar a conjugar-se para que houvesse um final feliz. Vitórias em catadupa, entre as quais uma por 7-0 ao Nacional da Madeira no reduto azul e branco.

O comboio do Dragão ia a uma velocidade elevada e parecia chegar a bom porto, no entanto, tudo começou a desmoronar-se em casa contra o Vitória FC em vésperas da ida ao Estádio da Luz. Um empate que acabou por tirar a oportunidade aos dragões de assaltarem a liderança da Liga NOS.

Os empates após a jornada 26 voltaram em força e as boas sensações voltaram a dar lugar à incerteza e ao desespero entre adeptos, e, também deu sinais de chegar aos jogadores. As exibições eram más e os resultados por arrasto também o eram.

Voltou o fantasma da (in)eficácia. Já nem Tiquinho Soares conseguiu salvar a honra do Dragão, sobretudo desde que sentiu ser o artilheiro-mor do Dragão, o rendimento do brasileiro, que chegou em Janeiro vindo do Vitória SC, baixou jogo após jogo, já não era o mesmo. Nem ele, nem o mesmo grupo que tinha conseguido nove vitórias em nove possíveis. Um descarrilamento há muito anunciado na recta final da Liga NOS.

FALTA DE EXPERIÊNCIA OU DE MAIOR OUSADIA?

Nuno mostrou sempre ser um treinador conservador. [Foto: DN.pt]

É factual que o plantel azul e branco é jovem e faltou alguma ponta de maior maturidade e/ou experiência em momentos decisivos da época. Como foi a deslocação à Luz e os jogos em que, uma vitória poderia levar os portistas para a liderança isolada do torneio.

Nos momentos de maior tensão / pressão não houve discernimento suficiente. E em muitos momentos sentiu-se a falta de ousadia do timoneiro. Na forma pausada como abordava os jogos nas conferências de imprensa (não passava mensagens fortes para o exterior e interior), e nas escolhas técnicas e tácticas que foi fazendo ao longo do tempo.

O conservadorismo esteve sempre presente e, inclusive, na última jornada do campeonato, sem nada a ganhar ou perder, esse conservadorismo não deixou de existir. Em momentos oportunos não houve maior ousadia, assumir o risco e procurar somar mais alguma coisa ao jogo que não faço o previsível, o lado mais seguro.

Um problema que parece já ser intrínseco de Nuno Espírito Santo, um modo de estar dentro do futebol. Muito seguro, muito equilibrado e sem fugir muito a esse padrão da segurança máxima. Prepara o jogo com um objectivo muito claro: não o perder. Falta dar o passo seguinte, assumir mais o jogo e preparar os jogos para vencer, sem ter em mente que um ponto pode ser suficiente. Sobretudo quando estamos a falar de um clube como o FC Porto.

RESTANTES COMPETIÇÕES

A época do Futebol Clube do Porto começou com um teste de fogo, o jogo com a AS Roma a contar para o Play-Off da Liga dos Campeões. Um jogo de máxima importância até para as contas do clube que procurava o encaixe financeiro para atacar ainda o mercado, e, com isso atrair ainda mais 2/3 jogadores. Foi que aconteceu, chegou Óliver Torres, Diogo Jota e Boly.

Uma eliminatória de risco, mas de uma certeza inicial, passar este teste era uma demonstração de força. Melhor o jogo em Roma que no Dragão, logo a começar pelo resultado, como é óbvio, mas também, muito pela qualidade exibicional. Algo atípico em Roma, com duas expulsões para os romanos, num jogo que culminou com uma vitória sem espinhas por 3-0.

A carreira europeia foi inconstante e chegou a correr riscos. Num grupo extremamente insólito com Leicester, Copenhaga e Brugge, a decisão final ficou guardada para a última jornada onde os dragões conseguiram o 2º lugar com uma vitória esmagadora de 5-0 sobre o Leicester. Chegados aos oitavos de final e defrontado a Juventus era impossível pedir mais. Em suma, cumpriram com os objectivos estabelecidos. Chegar à fase de grupos e depois aos oitavos de final.

Nas Taças internas, os dragões não fizeram boa figura. Em ambas foi eliminado por muito cedo, na Taça de Portugal caíram em Chaves, num jogo muito polémico. E na Taça da Liga ficaram-se pela fase de grupos da prova. Um desempenho muito pobre, sobretudo na Taça de Portugal.

QUE FUTURO PARA O FC PORTO?

Qual será o projecto que Jorge Nuno Pinto da Costa apresentará ao novo treinador? [Foto: rr.sapo.pt]

O futuro não avizinha-se risonho, muito pelo contrário, há a necessidade de fazer urgentemente receitas a rondas os 115M€ para escapar a uma multa pesada da UEFA por incumprimento do Fair-Play Financeiro.

Novamente o timoneiro cai, o elo mais fraco é sempre o treinador e o caminho mais fácil é o de rescindir contrato com o mesmo. Ainda que, de certa forma, era já anunciado que NES pudesse sair do clube, por todas as razões. Resultados, falta de títulos e um futebol triste, pobre e que definitivamente não se coaduna com o Porto.

Ainda sem novo treinador, a resposta urge e tem de marcar pela diferença. Os adeptos já começam a desconfiar da capacidade de decisão da actual SAD, a resposta dos mesmos terá de ser afirmativa e audaz.

A massa associativa chama por alguém que marque pela diferença e com um passado de sucesso, ideias fortes, mas também, um modelo de jogo ofensivo, alguém que tecnicamente e tacticamente seja superlativamente superior aos antecessores. Um discurso forte e cativante e um bom condutor de homens, alguém que saiba liderar e potencializar todas as unidades do plantel.

DISTINÇÕES FAIR-PLAY

Jogador do Ano: Danilo Pereira

Revelação do Ano: Alex Telles

Desilusão do Ano: Miguel Layún

Melhor Guarda-Redes: Iker Casillas

Melhor Defesa: Iván Marcano

Melhor Médio: Danilo Pereira

Melhor Avançado: Francisco Soares

GOLO DO ANO

DEFESA DO ANO

ONZE DO ANO

mw-860.jpg?fit=860%2C573&ssl=1
Diogo AlvesNovembro 28, 20167min0

Zero. Zero é o número de golos que o Futebol Clube do Porto marcou nos três últimos jogos consecutivos. A crise de golos agudiza-se de jogo para jogo, e mais, a crise será só dos golos? Ou da forma como a bola chega à zona de finalização? Uma questão que só o técnico azul e branco pode responder, mas de conferência em conferência, Nuno Espirito Santo refugia-se apenas, e somente, na «falta de eficácia». Portanto, atira as culpas para o último momento do jogo: a finalização.

O FC Porto continua numa espiral negativa e acumula maus resultados que deixam os adeptos à beira de um ataque de nervos, ansiedade, revolta e sentimento de frustração perante o futebol anárquico, pouco pensado e rudimentar que os dragões têm praticado neste mês frio de Novembro. Novembro ficará marcado pelo mês em que o FC Porto foi eliminado na Taça de Portugal, em Chaves, após 0-0 no tempo regulamentar e prolongamento, os dragões acabaram eliminados nas grandes penalidades. Para piorar adiaram o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, empatando a zero em Copenhaga e viram o rival Benfica aumentar a vantagem pontual. De 5 para 7 pontos.

A SAD quando contratou Nuno Espirito Santo esperava que o treinador português pudesse dar aos jogadores que tem à disposição ferramentas que os levassem de novo à rota dos títulos, mas neste início de época não é isso que se tem visto. Temos visto um Nuno Espirito Santo muito tenebroso e indeciso nas decisões que tem tomado de jogo para jogo. Muda o jogar da sua equipa de jogo para jogo e isso não tem contribuído em nada para o processo evolutivo da ideia de jogo que o técnico portista tanto tem falado ao longo dos últimos meses.

Nuno fala em dinâmicas em vez de sistemas (4.3.3, 4.4.2, etc…), mas não temos visto um Porto com grandes dinâmicas nem ideias em jogo. Defesas-centrais sem apoios na primeira fase de construção, os médios com dificuldades em juntar-se para associarem-se com os avançados, e o avançado – André Silva – a ter de sacrificar-se muitas vezes para comunicar com o resto da equipa em vez de estar numa posição privilegiada onde “apenas” tivesse de finalizar.

Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto Foto: maisfutebol.iol.pt
Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto
Foto: maisfutebol.iol.pt

Tem sido um Porto com um futebol pouco elaborado e daí a pergunta inicial: É um problema de eficácia ou de processo? O que temos visto e cada vez mais é visível é que quando a bola chega à zona de finalização, nem sempre chega nas melhores condições para que os homens mais adiantados consigam ter sucesso na finalização.

Em Belém foi altamente notório a dificuldade que o FC Porto teve em conseguir construir uma jogada com qualidade, apenas uma em que aí sim, pode-se “culpar” Óliver pela decisão duvidosa que tomou quando estava na cara do guarda-redes e decidiu passar em vez de rematar. Mas, tirando essa jogada não houve mais nenhuma em que os avançados, ou médios, pudessem finalizar com qualidade.

Pelo meio há também decisões muito duvidosas que Nuno Espirito Santo tomou ao longo do mês. O afastamento súbito de Yacine Brahimi da equipa quando o argelino é claramente um dos melhores jogadores do plantel, não se entende a sua ausência nas duas últimas deslocações (Copenhaga e Belém), e o porque de não ter entrado com o Chaves ou o Benfica, por exemplo.

Por explicar está também a ausência de Adrián Lopez, Sérgio Oliveira, o porquê de João Carlos Teixeira não ter uma oportunidade digna e justa na equipa e o desaparecimento súbito do capitão Herrera das opções no pós-Benfica. Estará a pagar pelo erro cometido no último lance com o Benfica? Uma questão que só Nuno e a SAD poderão responder.

Empate dramático com o Benfica terá destruído psicologicamente os jogadores?

Foto: maisfutebol.iol.pt
Foto: maisfutebol.iol.pt

O jogo com o Benfica teve uma carga emotiva muito grande em cima dos atletas do FC Porto, mais do que jogar bem, os adeptos e toda a massa associativa pediam que fossem Porto e dessem tudo em campo para conseguir os 3 pontos que tão importantes eram naquele momento, uma vez que podiam reduzir a desvantagem de 5 para 2 pontos.

A mensagem para dentro do grupo era clara: ganhar ou ganhar. E os jogadores entenderam isso, até porque na véspera do jogo Óliver disse que «Domingo vamos morrer em campo» e Felipe nas redes sociais também deixou uma mensagem a toda a nação azul e branca «Vai ser até à última gota de sangue». Portanto, os jogadores estavam decididos em vencer e prometeram a tal raça que os adeptos muito gostam.

E justiça seja feita aos atletas e a Nuno, a primeira parte e os primeiros quinze minutos da segunda parte mostraram que havia um FC Porto decidido a vencer e, mais que isso, houve uma ideia de jogo, houve dinâmica, houve um FC Porto a praticar um futebol que o adepto gosta de ver e se delicia, mas faltou ser contundente na hora de “matar o jogo”.

A vencer por 1-0 Nuno Espirito Santo decidiu recuar a equipa e defender a sete chaves o resultado mínimo. Mas a mensagem que passou para a equipa não foi a melhor e os últimos vinte minutos foram já de extrema dificuldade em conseguir reter bola e colocar o Benfica longe do seu meio-campo. Nuno conseguiu em vinte minutos estragar o que estava de bom na equipa e viu a sua equipa sofrer um golo aos 90+2’ minutos. Dramático e cruel.

Após este jogo o FC Porto não mais marcou, não mais voltou a jogar um futebol refrescante e entretido que mostrou em 60’ minutos com o Benfica e mostrou sinais de fraqueza. Se desportivamente o FC Porto não estava muito bem, parece que psicologicamente este empate com o Benfica esvaziou por completo o tanque motivacional dos jogadores. Amorfos, sem ideias, pouco lestos e muito perdulários em vários momentos.

As ideias do treinador já são tenebrosas, mas que será deste FC Porto com jogadores fisicamente e psicologicamente em baixo? Dias negros aproximam-se e dentro do FC Porto alguém terá de reabilitar rapidamente a equipa para que não se volte a repetir o filme da época passada, de há duas épocas e há de três épocas atrás.

São muitos anos sem conquistar títulos e os adeptos mostram sinais de impaciência e por este andar já nem o amado presidente Jorge Nuno Pinto da Costa fugirá à contestação. O FC Porto precisa rapidamente de reconquistar a cultura de vitória que tem feito tanta falta nos últimos anos.

Foto: maisfutebol.iol.pt
Foto: maisfutebol.iol.pt
IMG_0933-blackwhite.jpg?fit=1024%2C765&ssl=1
Francisco da SilvaOutubro 22, 201626min0

3 épocas sem glórias, troféus ou, sequer, certezas lançaram o FC Porto e a atual direção num pântano de dúvidas, críticas e mudanças que têm abalado com alguma da confiança dos adeptos azuis-e-brancos. Numa discussão entre autores e adeptos, dois Mundos coexistem, convivem mas diferenciam-se… há futuro e optimismo no Dragão? Ou é o início de uma era de incertezas e cataclismos?

A seguinte discussão centra-se em pontos de vista amplamente diferentes e que demonstram os tons de preto e branco que se vivem no Dragão. Num reino mitológico claramente fragmentado de muitos milhões, reunimos uma amostra de 2 portistas por forma a testar 2 hipóteses estatísticas em análise. Por um lado o optimismo e a certeza que a atual situação termine em novo título nacional e reafirmação no palco europeu e, do outro, as críticas profundas e duras à gestão da administração que está a “condenar” esse regresso tão desejado pelas hostes dos azuis-e-brancos. O exercício que aqui faremos não será certamente significativo a nível estatístico devido ao tamanho da amostra, nesse sentido, queremos saber a opinião dos nossos leitores. Qual o seu ponto de vista? Embarca nos aplausos dos otimistas ou junta-se ao coro de assobios dos pessimistas? Há espaço para certezas e/ou críticas em 2016/2017 ao FC Porto e à sua estrutura? 

NOTA: As opiniões são dos autores deste texto que acompanham o FC Porto enquanto escritores e adeptos desde 2013, altura em que já forneciam o seu dedilhar à blogosfera nacional. Iniciaram o percurso em sites individuais, passando pelo recém-extinto Planeta Desportivo, fazendo agora parte do Universo do Fair Play. Qualquer crítica ou dúvida perante o discurso dos autores, podem contactá-los via a página “Quem Somos”.

1. Tem o FC Porto capacidade ou não para lutar pelo Campeonato Nacional?

Francisco “otimista” Silva: Sim. Por mais que o mercado de transferências não tenha permitido colmatar devidamente em termos quantitativos e qualitativos as carências do plantel, os valores individuais existentes continuam a ser mais do que suficientes para tentar vencer as provas nacionais. Não partimos na vanguarda como nas últimas temporadas, contudo, se há lição que podemos e devemos retirar das últimas 5 temporadas é que nem sempre a equipa com melhores valores individuais venceu, venceu sim aquela que melhor congregou a heterogeneidade de cada um dos seus jogadores. Neste âmbito, o fator-chave para o sucesso ou insucesso do clube estará no homem do leme, Nuno Espírito Santo. A equipa até pode ser praticamente a mesma, porém, o que faltou nos últimos anos não foi ter o melhor guardião, o melhor patrão, o maior criador ou o maior goleador, faltou sim alguém que no banco de suplentes potenciasse o talento emergente do plantel e que nos momentos decisivos desse estabilidade emocional aos jogadores. Acredito hoje no FC Porto mais do que acreditava com Paulo Fonseca ou Lopetegui, pois sei que ao leme está alguém que sente o clube, que sabe dar um murro na mesa e que não olha simplesmente para a sua performance com base na posse de bola. Eu não preciso que o FC Porto goleie os pequenos, domine os derbies ou seduza os jornais com um futebol carregado de perfume, velocidade e eficácia. Só quero é chegar ao final dos 90 minutos da jornada 34 no trono do Campeonato Nacional. Até lá o caminho vai ser longo mas o plantel permite sonhar. Na baliza, até posso recear as saídas do Casillas, no entanto, dentro dos postes continua a ser uma enorme mais-valia. Já José Sá dá plenas garantias de substituir o espanhol a qualquer momento. A defesa é o maior handicap pois nas laterais faltam alternativas e no centro faltam referências, porém, há pontos fortes a destacar: o contributo nas bolas paradas de Layún e Felipe, a propensão ofensiva de Layún, Maxi e Alex Telles, a maior solidez defensiva de Marcano e a altivez aérea de Boly e Felipe. A casa das máquinas portista será o cérebro e o coração da mentalidade plástica que Nuno Espírito Santo pretende imprimir, nesse sentido, a chegada cirúrgica de Óliver é uma pedrada no charco da dormência que afetava o meio campo do FC Porto. Assim, se Danilo, Herrera e Óliver oferecem respetivamente consistência defensiva, capacidade de pressão e inteligência, as restantes alternativas do banco de suplentes são soluções que adicionam profundidade. Há também aqui mais um desafio para NES, nomeadamente, para averiguar as capacidade do treinador portista de fazer crescer jovens como Rúben Neves, João Carlos Teixeira e Sérgio Oliveira tornando ainda mais válida a 2ª linha de opções. Nas alas, podia apontar a falta de experiência das novas adições do setor, Otávio e Diogo Jota, contudo, prefiro salutar a irreverência, o potencial e o compromisso com a equipa que existe com as extremidades entregues preferencialmente a Otávio, Jota e Corona. Apesar de estar psicologicamente morto, Brahimi é um trunfo que a capacidade de motivação de Nuno Espírito Santo pode ainda recuperar, tornando o argelino útil para o cumprimento dos objetivos do clube. Uma nota final para a estrela emergente André Silva que, apesar de ainda estar ao nível de Aboubakar, adiciona uma inteligência e uma dinâmica ao ataque que o camaronês não proporcionava. Em suma, por mais distante e difícil que seja o objetivo de terminar o campeonato em primeiro, temos os nossos próprios argumentos e temos, sobretudo, uma enorme vontade de vencer. São 11 contra 11 e no final espera-se um FC Porto campeão.

Francisco “pessimista” Isaac: Respondendo directamente à questão, não. Sem entrar em comparações com os adversários (SL Benfica e Sporting CP), faço uma análise ao alcance e qualidade do atual plantel de Nuno Espírito Santo. Nas laterais as soluções transitam entre o satisfatório e o medíocre: Alex Telles foi um “achado” da direção do FC Porto, já que é um lateral esquerdo dentro da mesma lógica que era Alex Sandro, ou seja, rápido, tecnicista, com boa capacidade de centrar e que não se roga a partir para o ataque sem descurar cobrir o seu corredor. Como suposto suplente estaria Miguel Layún, que apesar de ser um autêntico assistente para golos, deixa várias reticências no que concerne a defender… sempre que defronta uma equipa que saiba explorar com 2 jogadores esse flanco, Layún vê-se em “trabalhos” e acaba por falhar seja na comunicação ou leitura dos movimentos; se formos ao “outro” lado, temos Maxi Pereira e Silvestre Varela. O primeiro consegue fazer meia temporada de bom nível, com a raça e vontade de mostrar serviço a notarem-se… todavia, fisicamente já deixa a desejar, com uma queda abrupta ao fim de uns ritmados 45 minutos. Depois o suplente seria Varela, que parece já não ter condições para jogar no FC Porto, seja pela falta de qualidade ou capacidade em ser um lateral minimamente interessante… o que diz tudo sobre a atual gestão da direção do FC Porto. Entre a falta de um centralão (continuo com dúvidas sobre Felipe) ou um avançado suplente decente (Depoitre não me parece ser uma aposta correta para o futebol que NES quer praticar no Dragão ou fora dele), o plantel tem outro problema, que poderá vir a ser uma virtude… a juventude. Olhemos para a frente de ataque do FC Porto no jogo frente ao Nacional da Madeira: Otávio (21), Óliver Torres (21), Diogo Jota (19) e André Silva (20). A juntar a estes temos Jésus Corona (23) ou João Carlos Teixeira (não consigo entender a não utilização do médio-ofensivo, já que tem uma série de apontamentos de relevo para o futebol do FC Porto). Brahimi parece não querer mesmo voltar ao 1º ano de dragão ao peito, naquela que foi a sua melhor época; André André é um comandante, mas aguenta 50 minutos e depois a sua capacidade física vai do bom ao abaixo de razoável: Hector Herrera não consegue ter uma forma exibicional consistente, denotando-se uma falta de primor no passe que aniquilou e aniquila com uma série de combinações ou jogadas de perigo (veja-se o jogo em Alvalade por exemplo). Um pouco mais de juventude no meio, pela “mão” de Rúben Neves (outro jogador pouco utilizado sem explicação, já que oferece algo mais em termos ofensivos e leitura de jogo do que o seu outro colega) e “agressividade”, pela força de Danilo Pereira (início de época pouco “elegante”). No cômputo geral, o FC Porto tem um bom plantel, mas não para ganhar o campeonato no imediato. Não me parece que Nuno Espírito Santo saiba que futebol quer aplicar no FC Porto, tendo em Leicester trocado de esquema  táctico por três vezes (surpreendente)… para além de que a mensagem “Somos Porto” não está a ser imposta como se pensava (em Alvalade a equipa pouco se uniu para dar volta aos acontecimentos). Talvez, para os dragões serem campeões é necessário ter um futebol “feio” mas altamente eficaz, que atordoe os adversários de forma a impedir que seja um “carrossel” de emoções ao longo de 90 minutos. Era necessário trazer 2 ou 3 jogadores de topo para dar outra dimensão à equipa… para já a juventude vai dando uma resposta muito interessante, só que até quando? E quando começarem a faltar as “pernas”, quando aparecerem algumas derrotas contra clubes, supostamente, inferiores? Quem vai agarrar a equipa? Hector Herrera, que de capitão tem pouco? Nuno Espírito Santo, um treinador que quando tem de mexer na equipa fica completamente petrificado (relembrar o episódio com Rúben Neves)?

Plantel 2016/2017 [Foto: fcporto.pt]
Plantel 2016/2017 [Foto: fcporto.pt]

2. A direção de Pinto da Costa, apoiada em Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa, tem capacidade para liderar o clube?

Francisco “otimista” Silva: Não, de forma alguma. Por mais profundamente gratos que os portistas possam estar por tudo aquilo que foi alcançado nos vários mandatos de Pinto da Costa, hoje unanimemente os sócios e adeptos não acreditam na “estrutura” liderada pelo papa. A gratidão e a admiração deram nos últimos 3 anos lugar à desconfiança e à repulsa. A culpa não é só do insucesso desportivo mas sobretudo dos elevados sintomas de compadrio, presentes nos negócios envolvendo Alexandre Pinto da Costa, e da situação financeira do clube cada vez mais alarmante e fora de controlo. Não faltam negócios ruinosos, não faltam telenovelas mexicanas, não faltam imbróglios típico de negociantes amadores. Os adeptos e sócios não estavam nada habituados a isto e todos se questionam: Onde está a super estrutura? Onde está o líder autocrático? Obviamente que este cenário dantesco é percecionado pelos jogadores e equipa técnica, o que retira confiança e tranquilidade para que se possa trabalhar no Dragão. Pessoalmente, deixei de acreditar em quem comanda os destinos do meu clube. A apresentação do Relatório de Contas atingiu mesmo os pícaros da falta de vergonha e da incompetência pois, após apresentar-se um prejuízo colossal de mais de 58M€, não há qualquer tipo de responsabilização pela gestão profundamente danosa, havendo inclusive o descaramento de se dizer que “podíamos estar a falar de lucros se vendêssemos alguns jogadores”. Antero Henrique já foi, mas ainda há muita tropa por desmilitarizar. O FC Porto deve ser dos portistas, não dos agiotas. O que mais me incomoda é o silêncio, o vazio de ideias e a falta de alternativas. Não há um sócio distinto que conteste em eleições esta ditadura numa clara demonstração de impotência e esterilidade perante o sumo pontífice do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.

Francisco “pessimista” Isaac: Outra vez de forma curta, não. Jorge Nuno Pinto da Costa foi o grande “obreiro” de três décadas de domínio do futebol português… o FC Porto conseguiu atingir um tamanho colossal na Europa e no Mundo (podemos discutir o que são adeptos verdadeiros, se os “likes” de facebook devem contar assim como o alcance de notícias relacionadas com o FC Porto, etc), somou títulos europeus, praticamente “toldou” o juízo aos seus adversários diretos e causou rebuliço suficiente para virar todos os olhos em sua direção. Mas isto foi até há 3 anos atrás, altura em que a equipa começou a perder “fogo”, os adversários portugueses começaram a encontrar jogadores de igual ou melhor qualidade, especialmente o SL Benfica ou Sporting CP na temporada que está a decorrer (Bas Dost encaixaria que nem uma luva ao lado de André Silva) e parece existir uma falta de “respeito” total dos clubes mais pequenos (no Dragão o atrevimento é fenomenal e meritório) que não se coíbem de tentar a sua sorte frente ao FC Porto (mais do que contra o SL Benfica ou Sporting CP). A imagem da atual direção tem sido, no melhor dos seus dias, um cinzento… escuro. Quando ganham jogos, Pinto da Costa e a sua entourage fazem questão de vir para os jornais, tv ou redes sociais dizer tudo e mais alguma coisa, desde promessas (o FC Porto vai ser campeão por exemplo) a ataques verbais a quem se opõe à equipa… quando perde, esfumam-se. Veja-se o episódio no ano passado da derrota frente ao Chelsea, em Londres… Pinto da Costa entrou no autocarro da equipa lá, mas cá não surgiu junto da equipa, do treinador ou do diretor para o futebol, que na altura ainda era Antero Henrique. Num momento totalmente decisivo, em que os dragões falharam os oitavos de final da Liga dos Campeões, teria sido fundamental para os destinos da equipa, que Pinto da Costa surgisse ao lado da equipa e desse o “corpo às balas”. Optou por se esconder… com a restante direção. O descontrolo que se viveu (e se vive) nos últimos três anos, em termos de transferências abortadas (Alex, felizmente, foi uma delas), jogadores que não encaixaram na equipa (Adrián Lopez, Evandro, Aboubakar, Marega, Martins Indi, Alberto Bueno, Hernâni, Diego Reyes, José Campaña, Cristian Tello), dossiers mal resolvidos (a saída de Hélton é, no mínimo, ridícula ou o assunto Josué), fraca presença junto aos adeptos, uma Assembleia Geral que foi espalhafatosa (com ameaças dos Super Dragões aos adeptos que criticaram publicamente a direção atual) entre outras imagens menos boas. Definitivamente é o momento do FC Porto mudar de rumo, encontrar uma nova direção competente e transparente (os negócios de Alexandre Pinto da Costa e as “brincadeiras” de Antero Henrique minaram a equipa) que queira realmente lutar pelos títulos e não por comissões e % de passes.

3. A Política de treinadores tem sido a correcta?

Francisco “otimista” Silva: A posteriori, é sempre fácil avaliar escolhas e decisões. Focando exclusivamente os últimos 3 anos, não restam dúvidas que Paulo Fonseca, Julien Lopetegui e José Peseiro foram fiascos completos, porém, há fatores isentáveis que devemos considerar sob o risco de cometermos injustiças. Em relação a Paulo Fonseca, os portistas até podem estar ainda hoje enojados com a obsessão pelo duplo pivot ou dormentes com a falta de dinâmica dos jogadores e da equipa técnica, no entanto, não nos podemos esquecer que a Junho de 2013, Paulo Fonseca era visto como the next big thing do futebol português que colocou o Paços de Ferreira na Liga dos Campeões e a jogar um futebol bastante atrativo. Perante o paupérrimo fio de jogo apresentado pelo FC Porto sob o comando de Vitor Pereira, a escolha de Paulo Fonseca não foi de toda descabida e recolheu a minha simpatia. Como se diz na gíria e para mal dos meus pecados, o atual mister do Shaktar deu claramente um passo maior do que a perna e não soube lidar com a pressão do Dragão, mesmo que também considere que PF não foi só vilão como também vítima pois apanhou um plantel limitadíssimo e com reforços low cost. Seguiu-se Lopetegui que desde logo, uma vez que não aprecio nada o Tiki-Taka, me gerou enorme desconforto. Aqui a escolha não só foi errada como o poder dado ao espanhol, que desde logo tentou hispanizar o clube, foi excessivo. Depois de um ano completamente para esquecer com Paulo Fonseca e Luís Castro, exigia-se um técnico mais experiente e que garantisse resultados imediatos capazes de saciar a massa adepta portista. A passagem de Lopetegui até tem os seus pontos positivos – Oliver, Rúben Neves, Danilo Pereira, campanha nas champions ou vendas milionários -, porém, o que ficará na memória é um treinador demasiado agarrado à sua filosofia, uma equipa completamente de posse de bola estéril e um enorme recrutamento de flopada espanhola. Neste caso, é impossível defender Lopetegui e a direção portista. Falta apenas mencionar o mais malogrado deste trio, José Peseiro, que chegou como enésima opção da SAD portista e após um longo período em que a equipa não teve treinador principal. A ideia que sempre tive do Peseiro era de um treinador voltado para o ataque, defensor de um futebol mais rápido e vertical e com bastante experiência na Primeira Liga, inclusive num grande de Portugal. Assim, vi com otimismo a chegada do homem de Coruche, até porque, o que o FC Porto precisava mesmo era de jogar rápido, em transição e sem rodriguinhos. Também aqui fui traído pelo meu otimismo e pela minha vontade de querer tirar os pés do chão à procura dos 2 grandes de Lisboa, mas a coisa não correu bem. Final de época fraco e uma derrota dececionante na final da Taça de Portugal aos pés de um Sporting de Braga que só teve que aproveitar as oferendas portistas. Analisando friamente os 3 técnicos, não há como negar que apenas 1 título foi conquistado após tantos milhões gastos, todavia, há que reconhecer que o insucesso dos resultados não é fruto exclusivamente dos treinadores, mas também de uma estrutura cada vez mais alheada dos interesses da equipa e do FC Porto. Hoje felizmente, uma vez que temos um portista ao leme com capacidade técnica e psicológica para encarar as adversidades e gritar “Somos Porto” no balneário, acredito que esta decisão/política não só vai ser correta como se vai traduzir em resultados desportivos.

Francisco “pessimista” Isaac: Roubando as palavras de um colega nosso, que trata da NBA mas que não deixa de ser um amante de futebol, o FC Porto parece uma Boneca Russa/Matriosca com os treinadores de André Villas Boas. Gostem de AVB ou não, estejam ofendidos ou não pela saída abrupta (o FC Porto também pouco fez para o manter no Reino do Dragão), foi o melhor treinador do FCPorto dos últimos 7 anos. A seguir Vítor Pereira que não era um primor no ataque (até deixava os adeptos com os “cabelos em pé” pelo futebol deficitário na frente) mas a equipa sabia o que era defender, sabia o que era “comer a relva”, correr com a bola… fazia os adeptos sentir a camisola, mesmo com um futebol pouco atrativo. Seguiu-se a seguinte fase da “boneca” com Paulo Fonseca, que foi uma desilusão autêntica, não só pela forma como se apresentou taticamente no FC Porto (o duplo pivot nunca funcionou) mas também pelos reforços que recebeu deixando a equipa “coxa” durante um ano inteiro (desde Licá a Fabiano, passando por Ghilas até Carlos Eduardo) sem capacidade de resposta… a meio veio o “bombeiro” Luís Castro tentar salvar a situação mas pouco fez apesar de todo o coração evidenciado pelo treinador, naquele que foi o início dos três anos de terror do Dragão. Surpreendentemente, Pinto da Costa anunciou Julen Lopetegui (a época nem tinha acabado, ou seja, supostamente estariam a preparar o plantel para a próxima época), um treinador sem experiência em futebol sénior que acabou por ter todo o tipo de recursos à sua disposição (Casemiro, Óliver, Adrián, Brahimi, Martins Indi, Aboubakar, Campaña, Tello e Marcano) e acabou por falhar em dois anos qualquer objetivo no FC Porto (excetuando o apuramento para os quartos-de-final na Liga dos Campeões), tendo a equipa jogado um futebol esquizofrénico, isto é, entre exibições de gabarito e de alto nível (jogo frente ao Bayern de Munique ou Sporting CP em casa) a prestações de uma fraca e pálida imagem (jogo contra o Nacional e CF “Os Belenenses” fora). Ao fim de dois anos, rompeu-se com o treinador num momento em que a equipa já não estava tão unida em redor do treinador e saiu pela porta pequena. Veio o 2º “bombeiro”, chamado de Rui Barros que aguentou a equipa durante 3 semanas, até que chegasse alguém para ocupar a vaga… entre os treinadores que negaram o convite (e pelo tempo que demorou terão sido uns quantos) só um encontrou vontade para tentar dar à volta ao caos instalado: José Peseiro. Se o FC Porto já tinha problemas graves a defender, com Peseiro triplicou a dose e o FC Porto acabou mesmo por cair em 3º lugar, longe dos lugares de decisão, perdendo até a Taça de Portugal para o SC Braga. Dragão bateu no fundo, viu os 3 rivais da frente ganharem todos troféus no espaço de um ano (algo inédito nos últimos 40 anos) e sem rumo. Para esta época os adeptos do Porto foram brindados com Nuno Espírito Santo, um homem da casa que teve uma experiência agridoce no Valência e destacou-se no Rio Ave (Paulo Fonseca também se tinha destacado no Paços de Ferreira… ironicamente, Villas Boas não conseguiu fazer melhor que um 11º lugar com a Académica, antes de ter seguido para a Invicta). Isto tudo para dizer que, Jorge Nuno Pinto da Costa bateu um recorde pessoal… 5 treinadores em 3 anos, em que nos maus momentos nunca esteve ao lado de quem mais sofria com os assobios e críticas (maioria compreensíveis). A política de treinador foi a errada, o caminho foi “destruído” e agora há que refazer toda uma operação, ao mesmo tempo que SL Benfica e Sporting CP estão em alta rotação e no caminho da glória.

Treinadores da temporada 2015/2016: Julen Lopetegui | Rui Barros | José Peseiro
Treinadores da temporada 2015/2016: Julen Lopetegui | Rui Barros | José Peseiro (Foto: Google Images)

4. A pressão dos sócios e adeptos em relação à equipa aumentou de forma exagerada ou há razão nas críticas?

Francisco “otimista” Silva: Não é preciso nenhuma ciência social ou económica estabelecer que a pressão dos sócios/adeptos está proporcionalmente ligada à ausência de títulos, logo, per si o período estéril que se vive no Dragão coloca sob imensa e crescente pressão os jogadores, a equipa técnica e a direção. Nesse sentido, a pressão sob a equipa não é de todo exagerada, antes sim é uma pressão justificadamente nunca antes exercida, pois o FC Porto nunca tinha estado na sua história recente numa posição tão delicada em relação aos seus rivais. Também aqui, as críticas estão proporcionalmente ligadas mas ao desempenho da equipa dentro das 4 linhas. Todo e qualquer sócio/adepto deve manifestar-se via assobios quando há claros sintomas de displicência, desinteresse e desrespeito, até porque não é a existência ou intensidade do assobio que avalia o portismo de cada um. Depois das inarráveis exibições individuais e coletivas dos últimos 3 anos, se há algo que jogadores, equipas técnicas e direção mereceram foi que o cântico tivesse sido substituído pelo assobio. Porém, acredito que a entrada do Nuno Espírito Santo marca o início de um novo ciclo ao qual se exige tempo e paciência. Certamente que um dos pecados mortais dos portistas é a falta de paciência, contudo, deve-se dar tempo ao tempo e não criticar acerrimamente uma equipa ainda em fase de construção que demonstre vontade de aprender, honrar a camisola e lutar até ao último apito. Não me importo de esperar mais 12 meses para ter a certeza que tenho uma equipa portistamente vitoriosa, mas pelo contrário, não me peçam mais 1 mês para sofrer com uma equipa humilhantemente ociosa.

Francisco “pessimista” Isaac: Fome de títulos e vontade de ver o Porto a jogar o futebol de ataque avassalador… é essa a razão pela subida de tom nas críticas e na pressão sobre toda a estrutura do FC Porto. Como é óbvio, há alguns exageros… mas ao mesmo tempo há também alguma passividade. Veja-se os Super Dragões, que nos momentos mais “estranhos” criticavam com fúria a direção e demonstravam o seu desagrado. Agora? Agora aplaudem tudo, puxam pela equipa q.b. e não têm qualquer postura negativa perante as “brincadeiras” da Administração. Restam os adeptos e sócios em geral que pouco têm feito para modificar a situação… votar da mesma forma na actual direção, prova que ainda existe um espírito de sebastianismo empregue no Reino do Dragão. Os adeptos ainda acreditam que Jorge Nuno Pinto da Costa e a sua entourage, vão acordar e meter a equipa na senda dos títulos. Quanto a mim, parece-me que não… a avaliar pelo que foi o mercado de transferências do Porto, que desde Abril estavam a preparar a época… o central que tanto precisávamos chegou no fim, encima da hora, na forma de Boly (para além da guerra que foi para trazer Felipe). Tem de existir uma pressão diferente, não tanto encima da equipa mas na direção, deixar cair a falácia de que como o Porto com Pinto da Costa foi campeão europeus 2 vezes mais uma série de conquistas e pensarmos que existe má gestão da atual administração, que se vê mais preocupada em ganhar comissões (já Alexandre Pinto da Costa foi apanhado num “esquema” de comissões muito complicado de explicar) e apostar em percentagens de passes de vários atletas. Enquanto acharem que quem critica é “mal-agradecido”, o FC Porto está destinado a ser um clube dictatorial e sem vontade de evoluir.

5. O FC Porto deixou de ser um clube de novas glórias para se preocupar com as honras do passado?

Francisco “otimista” Silva: Não. Nunca existiu até hoje no FC Porto um saudosismo bacoco que tentasse esconder os insucessos presentes, existe sim é uma enorme ambição de hegemonia e glória. Aliás, esta dinâmica vencedora é mesmo a principal responsável pelo investimento desmesurado dos últimos 2 anos. O clube não sabe viver com o insucesso nem com as glórias do passado, pelo menos enquanto não se tornar o clube com mais títulos em cada uma das competições nacionais. No epílogo de 3 anos sem ganhar rigorosamente nada, obviamente que é difícil ficar indiferente à falta de conteúdo mediático que o insucesso do futebol tem originado, nesse sentido, considero perfeitamente normal que os canais de comunicação do clube concedam preciosos minutos aos últimos triunfos nacionais e europeus. No dia em que o FC Porto se esquecer da forma leal e valente com que conquistou o Norte, o País, a Europa e o Mundo, perde completamente a identidade do clube.

Francisco “pessimista” Isaac: Completamente! E vemos isso pelo que a comunicação social do FC Porto, seja pelo Dragões Diário, Facebook, Canal Porto ou Twitter passam do Porto… é sempre a relembrar o que foi feito antes de 2013 e a “apagar” os traços das asneiras dos últimos anos. É uma política que o SL Benfica fez uso durante os seus piores anos, na qual ficou bem empregue na mentalidade das águias. Com o regressar dos títulos, essa vontade e necessidade (desnecessária) em fazer uso desse “escudo” do passado caiu. No FC Porto parece que se quer montar o mesmo esquema, para ocultar todo o processo negativo que a administração impôs ao clube da Invicta. Vejam a página do facebook do FC Porto que até aproveita para fazer um exercício à Bruno de Carvalho, com as imagens de lances mal apitados pelos juízes de jogo… por isso, o FC Porto está a pegar em todas as matérias negativas dos rivais e a “engoli-las” como se fosse remédio para o que se passa no Dragão.

O último êxito internacional do FC Porto
O último êxito internacional do FC Porto (Foto: Uefa.com)
0534099626476bb1.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1
Francisco IsaacSetembro 1, 201612min2

Jorge Nuno Pinto da Costa, Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa são os protagonistas de um Mercado de Transferências de pesadelo para o Dragão. Sem contratações sonantes ou reforços para colmatar as claras deficiências do plantel, Nuno Espírito Santo enfrentará a vaga de críticas sozinho e sem apoio. Um Manual de como não dirigir um plantel.

Voltemos, por escassos momentos, ao final de temporada do FC Porto de 2015/2016. Final da Taça perdida para o Braga, 3º lugar longe do 1º e 2º, e um plantel debaixo de um coro de assobios e críticas. E aonde estavam os membros da direcção da SAD e/ou do Clube? Escondidos atrás do púlpito, sem grandes manifestações ou promessas… para além da notícia de que Rafa, Josué e Paciência iriam ser reforços para a nova temporada dos Dragões (curiosamente nenhum dos três ficou às ordens de Nuno Espírito Santo).

Com o término da época, os adeptos e analistas desportivos apressaram-se em indicar que sectores estavam com claras deficiências, apontando, desde logo, a faixa da defesa (três centrais e todos eles de qualidade média-baixa) ou a questão de ser necessário um nº 10 criativo que fizesse o público vibrar. Porém, ao fim de dois meses de Mercado, o FC Porto conseguiu fazer quase o oposto, numa política de transferências caótica, anormal e sem rumo aparente. Nem o apuramento para a Liga dos Campeões valeu de alguma coisa para os Dragões, que tiveram sérias dificuldades em convencer jogadores de gabarito europeu/mundial a aceitar entrar nas contas de Nuno Espírito Santo. A questão do fairplay financeiro também terá preocupado os administradores da SAD que acabaram por voltar a ter um ano horriblis em termos de mercado e de preparação da equipa para a nova época. Observemos por sectores as mudanças (ou não) em termos de chegadas e saídas, para além de perceber se o plantel ficou deficitário.

Na baliza tudo igual, com Iker Casillas a iniciar o seu 2º ano de Dragão ao peito sem a competição de Helton (a saída do lendário guarda-redes brasileiro foi tudo menos agradável) mas com José Sá a ganhar a confiança da equipa técnica. Até que ponto Casillas conseguirá ser mais um protagonista de vitórias do que um arauto da “desgraça”? Para já, e perante o cenário actual, o FC Porto fica bem apetrechado.

Uma Defesa de Betão feita de Madeira

É na defesa que começam os graves problemas e as questões mais críticas: saídas de Maicon, Reyes, Indi, José Angel ou Lichnovsky colmatadas com a vinda de Felipe (ex-Corinthians, muito criticado no Brasil pela falta de capacidade de lidar com a pressão), Willy Boly (um negócio em cima da linha de meta) e Alex Telles (temporada mediana ao serviço do Inter de Milão). Por isso, para a nova temporada o FC Porto vai lutar pelo campeonato com quatro centrais: Felipe (começou com a “cabeça quente”, apontando dois golos), Marcano (um dos responsáveis por algumas das derrotas dos Dragões nas últimas duas temporadas), Boly (transferência de última hora, com as opiniões a divergirem em relação à real qualidade do central) e Chidozie (o nigeriano acabou por ser uma “ilusão” e nem na equipa B tem sido uma escolha consensual).

Por escassos segundos a faixa central iria ficar ainda mais “pobre” do que na temporada transacta, com a contratação de Boly a pacificar – q.b. – a massa adepta. Dificilmente o FC Porto aguentará estar em quatro competições diferentes só com 4 jogadores (se contarmos com Chidozie) para o lugar de defesa-central. Nas faixas, Alex Telles chegou para a esquerda, tendo Layún conseguido a tão desejada renovação. Maxi Pereira ficou “sozinho” na direita, com a invenção de Peseiro a estender-se a Espírito Santo, colocando Silvestre Varela como um lateral direito de recurso. Se Telles é um lateral de origem, com uma qualidade interessante, com picos e quedas (uma crítica geral em todos os clubes por onde passou), já não se ter assegurado mais um lateral direito de raiz poderá ser um problema de maior. Ou seja, nada mudou em 3 anos: o FC Porto continua numa política de invenções no que toca à defesa, um sector que foi sempre tratado como realeza no Reino do Dragão.

O jogo do meinho com os mesmos protagonistas? 

Avancemos para o sector intermediário. Danilo Pereira continuará a lutar com Rúben Neves pelo lugar de trinco (as questões divergem no tipo de médio-defensivo que o Porto precisa), com Héctor Herrera (muito associado ao Nápoles, acabou por voltar a ficar) e André André a enfrentarem a competição de João Carlos Teixeira, Diogo Jota e Óliver Torres (o reforço mais sonante do Porto), com Evandro e Sérgio Oliveira a serem suplentes dos suplentes.

Em Alvalade, na derrota por 2-1 frente ao Sporting CP, a equipa de Nuno Espírito Santo vacilou neste sector, com Danilo a perder quase todos os confrontos físicos e técnicos, Héctor Herrera a falhar mais de 55% dos passes (especialmente para zonas mais dianteiras, com as tentativas de passes profundos a não surtirem qualquer efeito) e André André a aguentar apenas 45 minutos de jogo (foi a unidade que melhor conseguiu movimentar-se, mas caiu a pique na segunda metade do jogo). Mas o técnico azul-e-branco optou por colocar Adrián López (um regresso que até tinha começado com o pé direito mas as exibições têm vindo a piorar) e Laurent Depoitre (um reforço “mistério” para os lados do Dragão), mantendo intocável o meio-campo até ao minuto 75′, quando retirou André André do campo. Óliver Torres estreou-se, porém sem qualquer papel importante no jogo (natural a falta de entrosamento), não querendo isto dizer que o “mago” espanhol não vá ser fundamental para a manobra ofensiva do FC Porto.

Por isso, as vindas de Jota e Teixeira serão reforços a sério ou apenas recursos de 2ª categoria? Só o tempo dirá se Nuno acredita ou não nestas soluções para o meio-campo. Para já, o FC Porto tem soluções mas parece que só algumas contam, num meio-campo titular muito pálido, estático e confuso.

Juventude ao Cubo no ataque aos golos

Depois no sector mais avançado do terreno, Otávio, Corona e André Silva têm composto o tridente de ataque (se recuarmos 6 anos atrás, a frente de ataque estava dividida por Varela, Hulk e Falcão, um tridente  com mais experiência, qualidade e força), com Adrián López, Óliver Torres e Laurent Depoitre a apresentarem-se como os substitutos.

Há, claro, Yacine Brahimi que ficará mais uma temporada (ou pelo menos até Janeiro) a jogar no Dragão. Todavia, o argelino nunca foi opção para Nuno durante a pré-temporada e terá agora que fazer uma autêntica “revolução” mental para surgir como opção na lista de convocados do treinador português. André Silva tem qualidade e ao jeito que foi com Gomes, Domingos Paciência (o filho poderia ter entrado nas contas para uma 3ª solução para a frente de ataque), Hélder Postiga e Hugo Almeida, o Reino do Dragão volta a confiar a frente do ataque a um jovem português das camadas jovens. Se tem qualidade para fazer 20 golos por época? Dependerá de como as alas e meio-campo forneçam jogo ao bomber luso. Corona é sempre um vertiginoso, com Otávio a assumir um papel preponderante, apesar da tenra idade.

Todavia, até que ponto a juventude em excesso pode comprometer em jogos de maior impacto contra equipas com maior experiência? Adrián López e Laurent Depoitre são os substitutos, com o avançado belga a ser uma “espécie” de Marc Janko ou Edgaras Jankauskas (parece possuir um toque de bola mais apurado) e o extremo espanhol a não reunir a capacidade mental para se afirmar no onze do FC Porto (bom final de temporada pelo Villarreal, com 16 jogos, 4 golos e 3 assistências).

Queda anunciada de um Gigante ou reforma para o longo-prazo?

Por isso, em dois meses de contratações (não dando o mês de Abril e Maio de graça) o clube liderado por Jorge Nuno Pinto da Costa reforçou-se só com 8 jogadores, sendo que apenas 3 entraram para o sector defensivo.

E o que dizer das vendas – ou, melhor, não vendas? O FC Porto que tinha assumido o estatuto de maior exportador até 2014, acabou no último lugar, mesmo atrás de SC Braga ou Vitória SC (Guimarães). Isto demonstra descrédito do FC Porto no seio europeu? Rafa, Paciência, Martins Indi, Josué, Diego Reyes, Alberto Bueno, Moussa Marega, Hernâni, Licá, Andrés Fernandéz, Suk ou Aboubakar renderam cerca de 12M€ (9M€ por Maicon e 3M€ por Aboubakar) aos cofres do FC Porto, uma vez que saíram todos por empréstimo. Curiosamente, alguns destes nomes teriam lugar no plantel do FC Porto como solução para o banco de suplentes (Bueno, Josué ou Reyes), só que não foi essa a ideia do novo treinador dos portistas ou da direcção.

Isto sem falar dos investimentos em vários jogadores que têm corrido da pior forma possível, com a parceria com a Doyen Sports a verificar-se “dolorosa” (o caso Imbula ainda paira na memória). Para além da ideia que os media portugueses foram transmitindo, de que Jorge Mendes iria fornecer jogadores de qualidade acrescida ao plantel do FC Porto como forma de “ajuda” ao seu treinador (Nuno é agenciado por Jorge Mendes) que acabou por se provar uma ideia estapafúrdia e desprovida de qualquer sentido. Não houve os investimentos duvidosos de outrora, o que acaba por ser um ponto positivo – o despesismo com alguns jogadores como Juan Quintero, Yacine Brahimi, Aboubakar, Adrián López, Marega ou Reyes demonstra a perda de qualidades dos departamentos de scouting e desportivo dos dragões –, pondo fim, para já, às constantes “brincadeiras e devaneios” de agentes e administradores do clube da Invicta.

Os rivais da Luz e Alvalade souberam “capturar” excelentes activos para a nova época, com as chegadas de Markovic, Bas Dost, Castaignos, Campbell ou Meli (perderam o “mágico” João Mário e o “matador” Islam Slimani) no Sporting CP. Já o SL Benfica ganhou a corrida por jovens pérolas como Cervi, Cellis ou Horta, para além dos fortes reforços como Carrillo, Danilo e Rafa (a “novela” do extremo terminou no último dia de mercado), num ano em que ‘apenas’ perderam Renato Sanches e Gaitán. Ou seja, o FC Porto está em clara desvantagem perante os seus rivais de sempre e terá de fazer algo de “milagroso” para “roubar” o título a qualquer um dos clubes de Lisboa.

Alguns números que interessa observar:

2014/2015

Valor gasto em entradas: 40M€
Transferência mais cara: Adrián López (11M€ por 70% do passe)
Pior transferência: Martins Indi (7,7M€)
Transferência para o futuro: Otávio (3M€)
Valor total ganho em saídas: 80M€
Transferência mais rentável: Eliaquim Mangala (35M€);
Pior decisão de transferência: Jorge Fucile (rescisão a custo zero)

2015/2016

Valor gasto em entradas: 38M€
Transferência mais cara: Gianelli Imbula (20M€)
Pior transferência: Gianelli Imbula (20M€) / Moussa Marega (3,5M€)
Transferência para o futuro: José Sá (valor não divulgado)
Valor total ganho em saídas: 100M€
Transferência mais rentável: Jackson Martínez (35M€)
Pior decisão de transferência: Rolando (rescisão a custo zero)

2016/2017

Valor gasto em entradas: 30M€
Transferência mais cara: Felipe (7M€)
Pior transferência: Zé Manuel (valor não divulgado)
Transferência para o futuro: Nenhuma
Valor total ganho em saídas: 12M€
Transferência mais rentável: Maicon (9M€)
Pior decisão de transferência: Diego Reyes (empréstimo)

Em suma, o que dizer do Mercado de Transferências do FC Porto? Um caos total, acompanhado de várias desilusões, um tremer irreconhecível e uma falta de ideias e/ou categoria sem igual. O FC Porto de 2016/2017 relembra o FC Porto de 2001/2002 quando chegaram Quintana, Alessandro, Rafael, Ruben Junior, Paulo Costa, Mário Silva ou Esnáider/Kaviedes às Antas, naquilo que, para além de desastre classificativo e de temporada, viu José Mourinho assumir o lugar de treinador a partir de Janeiro de 2002.

Neste momento ainda há alguns sorrisos e abraços, uma harmonia entre direcção e treinador, muito pelo feito de se ter conquistado a eliminatória da CL frente à Roma. Mas como aconteceu com José Peseiro, Paulo Fonseca e Julen Lopetegui, mal haja uma queda de forma e resultados a ganharem contornos “negros”, a administração do clube e da SAD desaparecerá da “tela”, abandonando Nuno Espírito Santo ao acaso dos assobios, lenços brancos e críticas. O fracasso no Mercado de Transferências deverá ser uma “desculpa” para Nuno Espírito Santo em caso de uma época negativa? Ou o treinador dos azuis-e-brancos terá as soluções necessárias para fazer uma temporada de mudança e de luta pelo título?

A chama findou no Dragão? (Foto: Lusa)
A chama findou no Dragão? (Foto: Lusa)

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS