Arquivo de Paulo Meneses - Fair Play

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Fair PlayMaio 26, 20216min0

Neste artigo, vamos falar dos capitães de equipa e suas “funções”, através da minha visão e perspectiva como treinador. Vamos dar uma noção daquilo que podem ser as funções e responsabilidades dos capitães de equipa dentro e fora do balneário.

Começamos por afirmar que, não se trata somente de um capitão, mas sim de vários capitães. É obvio que é só um capitão que escolhe campo ou bola, que é só um capitão que leva a braçadeira, mas as funções e as responsabilidades podem (devem) alargar-se aos demais capitães da equipa.

E por falar em vários capitães de equipa, falamos de lideres. Podemos considerar aqui, que existem lideres formais (os 3 ou 4 capitães de equipa) e os lideres informais (os jogadores mais carismáticos da equipa). Joguei oficialmente em 9 equipas, onde tive grandíssimos capitães. Em algumas equipas, eu fui um “capitão” indirecto, funcionando mais como líder informal. Na Faculdade de Motricidade Humana, fui capitão de equipa.

Nos vários países onde trabalhei como treinador, tive grandes capitães de equipa. Praticamente todos, me marcaram com a sua personalidade e caracter, o que levou, por vezes, a situações que se transformaram em histórias de vida, e que me fizeram crescer muito.

Cada um deles com as suas características, onde podemos realçar os diversos perfis:

Tive capitães mais interventivos no plano emocional e controlo do grupo, onde eram eles que sempre motivavam os colegas, que não deixavam “adormecer” a equipa, tive outros capitães que funcionavam quase como treinadores em campo – que eram a extensão no campo às minhas ideias e às minhas mensagens como treinador, tive capitães com um perfil mais “na sombra” funcionando somente como capitães carismáticos, etc.

Falar de capitães, é falar de lideres, e também é falar da relação que eles têm com o treinador. Dessa forma, parece-nos fundamental falar do papel das emoções, tanto nos capitães, como na influência destes perante o grupo, e não deixar e referir, na influência, na liderança emocional que os treinadores têm com os capitães.

Os grandes lideres emocionam-nos, ascendem as nossas paixões e inspiram o melhor que há em nós. Quando tentamos explicar porque somos tão eficazes, falamos de estratégia, de visão ou de ideias poderosas. Mas a realidade é muito mais básica: A Grande Liderança baseia-se nas emoções.

Em tudo o que os lideres fazem – seja criar estratégias ou mobilizar equipas para a ação – o sucesso depende DA FORMA COMO O FAZEM. Ou seja, se os lideres fizerem tudo bem, mas falharem na tarefa fundamental que é encaminhar as emoções na direção certa, nada do que fizerem funcionará bem.

Emoção – A diferença do relacionamento

Os resultados no alto rendimento, é o que realmente mais importa. Obter resultados, atingir metas e cumprir objetivos é o que dá sentido ao trabalho diário esforçado de uma equipa profissional. Para mim, o caminho para atingir os objetivos, é o relacionamento, a empatia e a pressão certa, o calor humano, o cuidado com o outro e o desafio constante.

Pode-se dizer que, para se obterem grandes desempenhos, o bom relacionamento com os profissionais é fundamental. A criação de um bom ambiente, a empatia, a proximidade do líder e dos profissionais seria o comportamento tipo, os resultados viriam como uma consequência. Para obter os resultados, e alcançar os objectivos, o relacionamento é a estratégia natural e mais eficaz para os alcançarem.

Temos que saber distinguir este tema, isto não quer dizer que o relacionamento, a empatia e a cumplicidade entre profissionais da equipa seja instrumental ou não seja genuína, e também há que afirmar que esse relacionamento não tem que ser obrigatoriamente sinónimo de uma simpatia constante. Aqui evocamos a pressão, o desafio, o conflito, o apoio (desportivo e/ou social) são algumas das estratégias de relacionamento a utilizar para conseguir obter altos níveis de rendimento.

A relação próxima visa que o jogadores se envolvam integralmente no meu trabalho como treinador, de uma forma racional, psicológico e emocionalmente. Na minha opinião, faz toda a diferença que um jogador se sinta integrado na organização porque também o responsabiliza, também o estimula, faz com que ele coloque toda a sua criatividade em prática, e no fundo e mais importante, dá-lhe a entender que ele pode fazer a diferença.

Então, posto isto, é notório que toda a energia da equipa, e todos os departamentos do clube têm que estar focados no objetivo de ganhar o próximo jogo. Todas as actividades da organização devem estar cientes dos objectivos que visam, devem estar alinhadas, focadas, nos desafios que se querem vencer. Esta atitude implica uma cultura comunicativa e colaborativa.

Ressonância VERSUS Dissonância

Quando os líderes encaminham as emoções de forma positiva, conseguem o melhor das pessoas. Um líder com liderança dissonante, é um líder que não está em sintonia com os sentimentos das pessoas que lidera.

Isto acontece quando os lideres não conseguem ler correctamente as emoções do grupo ou estabelecer relações de empatia. O impacto de um líder dissonante sobre as emoções e o grupo podem ser facilmente avaliado: as pessoas ficam perturbadas, desestabilizadas e o desempenho sai prejudicado.

Pelo contrário, a liderança com ressonância, é quando o líder está sintonizado com o sentimento das pessoas e segue um caminho emocional positivo. Por vezes, os lideres ao serem autênticos, ao falarem com autenticidade sobre os seus próprios valores e dar eco às emoções de quem o rodeia, também transmitir as mensagens no tom certo, deixa as pessoas animadas e inspiradas.

A forma como os lideres gerem os sentimentos e os conduzem de modo a que o grupo atinja os seus objectivos depende da inteligência emocional. A ressonância é um dom natural dos lideres emocionalmente inteligentes. Sob a orientação de um líder emocionalmente inteligente, as pessoas sentem-se mutuamente apoiadas. Partilham ideias, aprendem umas com as outras, tomam decisões em clima de colaboração, fazem as coisas avançar.

Se o líder não tem ressonância, os jogadores somente fazem apenas o essencial ou o habitual, em vez de darem o seu melhor. Se não utilizar uma boa dose de sentimentos, o líder pode ser capaz de dirigir – mas não consegue liderar.

Na segunda parte abordaremos várias histórias de capitães que se cruzaram com o treinador Paulo Meneses.


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