Arquivo de Next Level Sports - Fair Play

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Nas costas de uma das balizas do relvado do Complexo Desportivo da Abóboda, em Cascais, vislumbra-se um vasto mural, onde figuram os diversos patrocinadores do clube anfitrião, o Abóboda. Entre os mais proeminentes está o cartaz da Next Level Sports, que nos convida a jogar futebol e a estudar numa universidade norte-americana. Ao olharmos para o cartaz com a devida atenção, rapidamente percebemos que o local onde nos encontramos não é apenas o palco de confrontos entre equipas da 2ª Divisão da Associação de Futebol de Lisboa, mas também uma antecâmara para algo ainda maior.

A presente temporada marcou a estreia oficial da equipa de futebol sénior do Abóboda, muito por via da parceria estabelecida com a Next Level Sports, empresa de consultoria que se define enquanto “especialista na localização de Bolsas de Estudo em Universidades norte-americanas para atletas/estudantes das modalidades de Futebol e Ténis”. José Justo, responsável pela Central 32, organização que orienta todo o futebol do Grupo de Instrução Musical e Desportivo da Abóboda, reconhece a importância desse contributo. “Não tínhamos capacidade para ter os seniores sozinhos, e com a Next Level conseguimos. A ideia é continuarmos a crescer juntos, e a trabalhar para construirmos um clube cada vez mais forte”, adianta.

Por enquanto, o emblema de São Domingos de Rana ocupa a sétima posição do escalão de entrada da AFL, ainda com uma mão-cheia de jogos por disputar, mas já sem perspectivas de almejar uma subida no seu ano inaugural. O representante da Next Level Sports em Portugal, Tasslim Sualehe, explica-nos que a promoção estava nos planos, todavia, a jovem média de idades da equipa, a difícil adaptação ao estilo de jogo físico que se pratica neste escalão, e o aparecimento em simultâneo de vários clubes com sérias pretensões à subida, acabaram por embargar o objectivo. Ainda assim, o balanço é claramente positivo. “Tem sido óptimo para o clube, que inscreveu uma equipa sénior, e tem sido óptimo para nós, porque podemos oferecer competição aos nossos jogadores sem clube, enquanto se preparam para viajar até aos Estados Unidos. Vamos enviar entre 20 a 25 atletas este ano, nunca tínhamos enviado tanto, e tem muito a ver com o clube”, revela Tasslim Sualehe.

Nem só de futebolistas da Next Level Sports se compõe o plantel do Abóboda, embora representem uma fatia substancial do grupo, com tendência para aumentar nas próximas temporadas, tal como esclareceu Tasslim Sualehe. “Neste primeiro ano, eu tive de colocar um bocado de experiência na equipa, e fui buscar mais jogadores fora, pelo que a percentagem de jogadores da Next Level rondará os 30%. Para o ano, projectamos cerca de 70%”.

E será que a coexistência destes dois perfis distintos de jogadores no mesmo balneário pode comprometer o espírito colectivo? O actual treinador do Abóboda, Daniel Simões, garante-nos que não. “Os atletas que não pertencem ao projecto Next Level, assim que vieram ao primeiro treino, já sabiam ao que vinham. Antes de assinarmos com cada um dos atletas, tivemos uma conversa, explicando o projecto, e que seria diferente de um clube dito ‘normal’ […] Se colocarmos tudo em cima da mesa, logo desde o início, não existe qualquer problema na gestão do grupo”.

Alguns dos jogadores inscritos na Next Level Sports ultimam os detalhes para atravessar o Oceano Atlântico já em Agosto. É o caso de Hugo Martins, que irá frequentar a Licenciatura em Robótica e Automação na University of Ohio. O guarda-redes do Abóboda ressalva a utilidade da equipa, pela oportunidade de somar minutos antes de ingressar numa aventura desportiva e académica além-fronteiras. “É muito importante, especialmente para um guarda-redes, ter minutos de jogo, para estar pronto, e chegar lá com o ritmo que preciso. Foi uma das coisas que me ajudou a escolher o Abóboda”.

Nuno Sousa, outro dos atletas que está prestes a pisar solo norte-americano, tem aproveitado os treinos regulares e a competição para colmatar o défice físico resultante de quatro anos de paragem. “O grande foco do futebol nos Estados Unidos é o físico, e mesmo tendo muita técnica, se não nos apresentarmos bem fisicamente, não jogamos. Por isso, o facto de estar aqui a treinar é bastante bom para melhorarmos a nossa condição física e chegarmos lá em forma”. O centrocampista do Abóboda prepara-se para tirar uma pós-graduação em Business Leadership, na Ohio Valley University.

A marca da Next Level Sports e do jogador português está cada vez mais latente no ensino superior norte-americano, e não tardará muito até podermos ver os primeiros resultados desse trabalho, que ganha uma nova força com a edificação de uma equipa própria. Da Abóboda para os Estados Unidos, e daí logo veremos.

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António Pereira RibeiroDezembro 6, 20165min0

A presença de futebolistas portugueses em universidades norte-americanas tem vindo a aumentar de forma exponencial nos últimos anos, muito por via do aparecimento de empresas de educação especializadas em preparar os candidatos para esta opção de carreira. Gonçalo Soares e Manuel Cordeiro, dois jovens que actuam na equipa de futebol da University of Akron, uma das instituições de ensino mais reputadas dos Estados Unidos, são bons exemplos deste recente fenómeno. O Fair Play fez questão de conhecer melhor a sua história.

Conseguir conciliar os estudos com a prática do futebol é o grande atractivo para todos aqueles que querem atravessar o Atlântico, incluindo para Gonçalo Soares. “A possibilidade de conhecer e viver num novo continente também ajudou”, rematou o centrocampista dos Akron Zips. Antes de ter viajado para os Estados Unidos em 2015, Gonçalo Soares representou o Grupo Sportivo de Carcavelos, na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.

Sobre a experiência universitária, o atleta português desfaz-se em elogios a uma instituição que acolhe mais de 20 mil alunos por ano lectivo. “A faculdade é excelente! Tem vários atletas olímpicos e é bastante forte em todas as modalidades! Tem um dos programas mais fortes de futebol! Vive-se futebol, pois o programa é muito respeitado na região! As condições de trabalho são as melhores e os adeptos são fantásticos!”.

Estudante da licenciatura em Gestão, Gonçalo Soares explica que o grande desafio passa por contrabalançar os treinos com os estudos, durante as viagens da equipa. “Quando perdes dias de aulas porque estás noutro estado a jogar, tens de recuperar a matéria”.

Contudo, Gonçalo não é o único português do plantel dos Akron Zips. Também Manuel Cordeiro rumou ao Estado do Ohio em 2015, após um acidente de automóvel que resultou na fractura do fémur. “Depois de várias conversas com diferentes médicos, soube que não iria estar preparado para o início da próxima época e então decidi vir para os Estados Unidos. Era uma oportunidade excelente de voltar a estudar e ter a possibilidade de continuar presente numa equipa”. Até então, Manuel Cordeiro dedicava-se exclusivamente ao futebol, tendo somado passagens pelo Padroense, “Os Limianos”, Fafe e Tirsense.

Apesar do impedimento físico que o afastou dos relvados no primeiro ano, e de estar inserido numa licenciatura diferente do compatriota (Economia), o processo de adaptação foi sempre uma experiência partilhada. “Como é óbvio, ter outro português na mesma faculdade, na mesma equipa e como colega de quarto foi muito bom. Podíamos falar português todos os dias, o que ajudou tremendamente a nossa integração no estrangeiro”.

À imagem do parceiro luso, Manuel Cordeiro ficou igualmente impressionado com aquilo que encontrou na University of Akron. “O que mais me surpreendeu foi o primeiro jogo que assisti ao vivo, em que o estádio estava completamente cheio (cerca de 5 mil pessoas) e a reacção dos adeptos durante o jogo foi inesquecível. Parecia que estava presente num jogo da Liga dos Campeões”.

Em 2015, já com ambos no plantel, os Akron Zips conseguiram chegar às meias-finais do campeonato universitário, onde foram afastados nas grandes penalidades. Sucesso semelhante não foi alcançado na presente temporada, e a dupla portuguesa caiu na eliminatória dos 16-avos-de-final.

Mas afinal, como surge a oportunidade de colocar dois futebolistas portugueses numa das principais universidades norte-americanas, de onde saíram os internacionais Darlington Nagbe, Perry Kitchen ou DeAndre Yedlin? É aqui que entra a Next Level Sports, empresa de consultoria que se define enquanto “especialista na localização de Bolsas de Estudo em Universidades norte-americanas para atletas/estudantes das modalidades de Futebol e Ténis”. A operar em Portugal desde 2014, a Next Level Sports já encaminhou mais de 20 jovens para os Estados Unidos, após um rigoroso processo de preparação desportiva e académica. O seu representante em território luso, Tasslim Sualehe, esclarece-nos relativamente ao caso da University of Akron: “Neste momento temos três atletas com bolsa completa em Akron. Dois de futebol e uma menina no ténis, a Rita Pedroso. Temos uma óptima relação com os treinadores da Akron e um deles esteve em Portugal a ver os nossos atletas, tendo escolhido o Manuel Cordeiro e o Gonçalo Soares. Gostou de os ver jogar, falou com um dos nossos treinadores e ofereceu as bolsas”.

O balanço da presença dos dois jogadores em Akron é claramente satisfatório para Tasslim Sualehe, que confirma o interesse crescente das universidades norte-americanas pelo futebolista de nacionalidade portuguesa, sobretudo desde a chegada da Next Level Sports. Salienta ainda a estrutura robusta da empresa, dotada de “uma equipa que disputa o Campeonato Distrital, e de uma estrutura de 3 treinadores residentes nos Estados Unidos que falam directamente com as universidades”.

Aos jovens que estão neste momento a lutar pelo seu espaço no futebol universitário, assiste-lhes o sonho de jogar na Major League Soccer, a principal competição de clubes dos Estados Unidos. Já não faltará muito até vermos pela primeira vez um jogador português a ser escolhido no Super Draft da MLS. Aguardemos por esse momento histórico.


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