Muitas surpresas num fim-de-semana cheio de rugby internacional...e agora esperamos pelas Seis Nações 2018. A nossa análise ao último fim-de-semana dos Internacionais de Inverno
Muitas surpresas num fim-de-semana cheio de rugby internacional...e agora esperamos pelas Seis Nações 2018. A nossa análise ao último fim-de-semana dos Internacionais de Inverno
A famosa série japonesa marcou uma geração em todo o mundo, deixando os apaixonados pelo futebol colados à televisão e a gritar golo com as personagens. Transmitida em Portugal em 1993 e, depois, em 2004, a série é a mais mediática no que a futebol diz respeito. Relembra-te connosco!
Portugal perdeu ante o Japão na final do World Rugby Trophy por 14-03. Fica a conhecer a nossa análise, os destaques e a pontuação final da selecção Nacional de sub-20
As Bahamas, enquanto país-sede do mundial, gozam de apuramento directo para o torneio. Tratar-se-á da primeira presença do país na competição, o que por si só torna, na nossa opinião, controversa a atribuição da organização da prova à nação das Caraíbas.
Equipas apuradas: Panamá, México
Campeão: Panamá
Surpresa: Panamá
Decepção: El Salvador
Visando empreender um ensaio geral para a grande competição global, a capital das Bahamas apressou-se a assegurar a organização do torneio de qualificação da CONCACAF para o mundial. A iniciativa da federação anfitriã da prova constituiu também uma manobra estratégica inteligente na medida em que implicava a participação da formação da casa, que assim poderia integrar um torneio de elevada competitividade na sua preparação para o torneio onde se iria estrear (as Bahamas nunca haviam participado no mundial e tentavam a todo o custo atingir um nível condizente com o dos 15 adversários que iriam receber nas areias de Nassau). Orientados por Alexandre Soares, os locais procuravam contrariar o favoritismo dos históricos da região: El Salvador, México, EUA e Costa Rica. De facto, as previsões que colocavam estas 4 equipas nos lugares cimeiros da prova acabaram por se revelar redondamente enganadas; todavia, não seriam as Bahamas os tomba-gigantes da prova.
Antes da competição, poucos teriam imaginado que o estatuto de campeão da CONCACAF seria ostentado 2 meses mais tarde naquela mesma arena do Malcolm Park por uma nação que nunca passara a fase de grupos do torneio de qualificação. No entanto, assim foi a história escrita pela selecção do Panamá na competição continental: uma selecção que fez das fraquezas forças para se transfigurar jogo após jogo e acabar por derrotar um após outro cada um dos 4 colossos da América do Norte e Central. Com um estilo de jogo muito físico, baseado na condução de bola pelo chão, aqui e ali abrilhantada por um toque de criatividade por parte dos seus jogadores mais dotados tecnicamente (atente-se em Alfonso Maquensi, Pascual Galvez ou Gilberto Rangel), o Panamá demonstrou organização, união e crença na forma imponente como foi assegurou uma qualificação tão merecida quanto inesperada.
A derradeira (e porventura mais injustiçada) vítima dos panamenhos foi a selecção de El Salvador, que caiu aos pés da surpresa do torneio na sequência de uma derrota nas grandes penalidades, numa partida muito fechada em que o Panamá teve o mérito de anular as temíveis armas de Los Cuscatlecos. A eliminação trata-se de um golpe terrível para as aspirações de Agustín Ruiz e demais companheiros, arredados do mundial pela segunda vez consecutiva, mesmo tendo vencido todos os outros jogos da prova (incluindo um triunfo sobre o mesmo Panamá na fase de grupos, também por via do desempate na marcação de grandes penalidades). Para chegar ao jogo decisivo das meias-finais, o Panamá escavou um canal através da CONCACAF, deitando por terra as ambições de EUA (derrotados por 6-4 nos quartos de final e mais uma vez afastados do mundial após uma prestação sem brio) e Costa Rica (Los Ticos caíram precocemente na fase de grupos mercê das derrotas diante de El Salvador e Panamá).
Mais sorte teve a selecção do México, que contou com um calendário mais apetecível na caminhada rumo ao mundial. Apesar de as exibições dos Aztecas não terem sido especialmente convincentes, a turma de Ramón Raya não apresentou dificuldades perante as formações menos experientes do Canadá, de Trindade e Tobago e de Guadeloupe, capitalizando da melhor forma a sua experiência. Ramón Maldonado foi o herói da qualificação mexicana ao apontar 12 golos que lhe valeram o estatuto de melhor marcador da competição, numa equipa que mantém como vozes da experiência Angel Rodríguez e Benjamim Mosco, agora complementados por muitas caras novas. Contudo, também esta nova geração mexicana se submeteu de forma mais ou menos passiva ao jugo totalitário do Panamá, numa final em que a maior consistência dos homens do Canal foi evidenciada (4-2). Restam, por isso, muitas dúvidas sobre as reais chances do México neste campeonato do mundo.
No campo das surpresas pela positiva destaca-se ainda a prestação notável de Guadaloupe, uma selecção que nunca poderia estar presente no mundial por não ser membro FIFA, mas deu provas de grande crescimento ao atingir as meias-finais da prova, num percurso que incluiu a eliminação das Bahamas, após um sólido triunfo por 5-3. Em sentido inverso, a prestação tímida da selecção da casa reforça as dúvidas sobre o que poderá ser alcançado por St. Fleur e demais companheiros nas suas areias natais e levanta sérias questões relativamente à legitimidade da escolha de um país com escassa tradição na modalidade como sede do mundial.
Equipas apuradas: Irão, EAU, Japão
Campeão: Irão
Surpresa: EAU
Decepção: Omã

Já depois de o sorteio do mundial ter sido efectuado (numa cerimónia que teve lugar em Nassau a 28 de Fevereiro, após a conclusão do torneio de apuramento da CONCACAF), chegou finalmente a vez de as selecções asiáticas entrarem em campo por forma a determinar as vagas em falta nos grupos B, C e D. Desta vez, as praias malaias de Kuala Terengganu substituíram o Qatar como anfitriãs da prova, numa edição marcada pela escassez de participantes (apenas 12, um número que contrasta com as 16 equipas de edições passadas).
No meio de tantas mudanças, a imutabilidade da qualidade exibicional do Irão sobressai, principalmente se atendermos ao registo avassalador dos comandados de Mohammad Mirshamsi: 6 vitórias em outras tantas partidas, todas por pelo menos 2 golos de diferença (a maioria dos quais por resultados bem mais dilatados) e a reconquista do estatuto de reis asiáticos de forma contundente. Apenas a partida decisiva das meias finais frente ao arqui-rival Japão se investiu de maiores dificuldades para os persas, mas a maior intensidade de jogo e consistência táctica do Irão acabaria por estabelecer uma diferença entre as duas selecções traduzida no 8-6 final. A final frente aos Emirados Árabes Unidos constituiu um momento de celebração e júbilo para Ahmadzadeh e companhia, coroando a conquista do ceptro asiático com nova goleada por 7-2. Acima de tudo, o Irão prima pela maturidade técnico-táctica que foi adquirindo ao longo da última década, demonstrando uma coesão defensiva assinalável e sistemas de jogo muito bem trabalhados, que oscilam inteligentemente entre o 3:1 e o 2:2 clássicos e resultam num estilo particularmente rápido e directo. Num plantel equilibrado e coeso, Mohammadali Mokhtari foi, desta vez, o maior destaque, assenhoreando-se dos prémios de melhor marcador e melhor jogador do torneio com 12 golos.
O segundo destaque pela positiva vai para a selecção dos Emirados Árabes Unidos, que se sagrou vice-campeã asiática contra todas as expectativas. É certo que a equipa do golfo apresenta pergaminhos na modalidade, contando com 4 mundiais no currículo, e já com este plantel havia dado provas de qualidade, ao derrotar Rússia e Portugal na Copa Intercontinental de 2015. Todavia, o 8º lugar alcançado na última Copa Intercontinental, na qual o conjunto então comandado por Guga Zlockowick revelara efectiva falta de competitividade, permitiam entrever dificuldades para a formação dos emirados, tornando mais verosímil o apuramento de equipas como Omã ou Líbano. Foi, por isso, uma agradável surpresa verificar que a inépcia táctica evidenciada 4 meses antes no Dubai pelos homens do golfo não deixou vestígios numa equipa que começou a deixar uma excelente imagem desde o primeiro instante, vencendo veementemente o Iraque (6-0) e o Qatar (8-1) nas rondas inaugurais. Sendo necessário vencer o Japão para assegurar a presença nas meias finais, os pupilos de Mohamed Bashir confirmaram o excelente momento de forma que atravessam ao surpreender os nipónicos com um triunfo por 5-4. A qualificação para o mundial ficaria selada com uma vitória nas semi-finais arrancada a ferros sobre o sempre combativo Líbano, após grandes penalidades (empate 4-4 em tempo regulamentar), carimbando o regresso dos Emirados Árabes Unidos aos grandes palcos mundiais.
A lista de apurados asiáticos fica completa com a referência ao Japão – a única equipa a par do Brasil que consegue assim marcar presença em todas as 9 edições da prova. Porém, os discípulos de Marcelo Mendes não contaram com facilidades, atendendo à inesperada derrota com os Emirados Árabes Unidos (que haviam sido treinados por Mendes durante largos anos). O país do sol nascente teve de aguardar os resultados dos outros agrupamentos para no final do dia ser repescada para as meias finais enquanto melhor 2º classificado dos 3 grupos, cabendo-lhe a difícil tarefa de defrontar o Irão nas meias finais. Sendo notória a qualidade técnica do plantel nipónico, tal como a organização táctica rigorosa que actualmente enverga, o Japão parece permanecer neste momento um degrau abaixo do estatuto de superpotência mundial ostentado pelos iranianos, o que acabou por condizer com a derrota nas meias finais. Ainda assim, foi sem margem para dúvidas que o Japão venceu o Líbano (6-3) na partida de apuramento do 3º lugar, assegurando o passaporte para as Bahamas.
Em sentido inverso vale a pena destacar o desempenho desapontante da selecção omanesa, presente no mundial de Espinho. Yahya Al Araimi, Ghaith e Khaled Al Oraimi não foram além da fase de grupos do torneio asiático nesta ocasião, mercê da derrota por 4-3 diante do Líbano na partida decisiva. Os libaneses, por sua vez, repetiram o 4º lugar de 2015, uma vez que o bom momento iniciado com a vitória perante Omã não encontrou eco numa meia final teoricamente acessível frente aos Emirados Árabes Unidos, acabando depois goleado pelo mais experiente Japão. Ainda não foi desta que Haitham, Merhi e restantes companheiros reservam um lugar no mundial, mas vale a pena sublinhar o bom trabalho efectuado, que mais tarde ou mais cedo deverá ser premiado (veja-se o caso do Equador, que após 3 torneios no 4º lugar da CONMEBOL carimbou a presença no mundial das Bahamas).
Por seu turno, outra selecção que deixou uma boa imagem em Kuala Terengganu foi o Bahrain, liderado pelo português João Almeida, que terminou a sua participação na fase de grupos apenas com uma derrota frente ao Irão, mas 3 vitórias meritórias nas outras partidas. Como nota final, cabe-nos destacar a prestação do Afeganistão, também integrante do grupo A, uma selecção oriunda de um país em guerra que mesmo assim demonstrou bons indícios de qualidade desportiva, vencendo as formações da Malásia e da China.
Equipa nomeada: Taiti
Lamentavelmente, o último torneio de qualificação disputado na Oceânia tendo em vista o mundial de futebol de praia remonta a 2011, quando o Taiti se apurou pela primeira vez para a prova. Desde então, a confederação tem-se limitado a nomear um representante para participar no campeonato do mundo, que inevitavelmente acaba por ser o Taiti, mercê das duas presenças consecutivas no Top 4 do mundial. O actual vice-campeão do mundo irá assim disputar o seu 4º mundial consecutivo, mas poderá ressentir-se da falta de competitividade que enfrenta nos longínquos confins da Polinésia.
As dúvidas sobre o estatuto de favorito do Taiti começam a dissipar-se dentro em breve, após o pontapé de saída da competição no Malcolm Park, em Nassau, cabendo a Irão e México a honra de dar início à competição. Um duelo que promete, aliás como tantos outros a que irmos assistir ao longo de uma semana e meia.
Portugal deixa escapar o 3º lugar no Campeonato da Europa de sub-18 após uma derrota por 16-22 frente ao Japão, que consegue “roubar” as medalhas de bronze neste Open Invitational.
Os jovens Lobos tiveram boas possibilidade de chegar à vitória mas alguns erros e faltas de calma precipitaram para o resultado final.
Esta é a Bola Rápida do Europeu de sub-18
Placar é, quase, a instituição máxima de uma equipa de rugby. Uma equipa que plaque com eficácia e sem conceder espaço está destinada a ganhar… Portugal foi exímio a defender nos últimos metros, onde garantiu quatro bolas (o Japão não conseguia passar) e saiu a jogar.
Porém, voltámos a pecar nas placagens em jogo corrido, com algumas falhas, especialmente, no meio do campo. A pressão não foi tão “categórica” como devia ter sido (era necessário pressionar no lado oposto à saída de bola), o que permitia ao Japão terem mais espaço para jogar.
Depois quando os portadores da bola aceleravam no contacto, Portugal tinha de os parar no sítio, não podia dar espaço. Em dois ensaios dos nipónicos tudo começou por uma falha de placagem no meio, que deu espaço suficiente para saírem a jogar rápido e entrarem numa intensidade alucinante que só parou dentro da área de validação.
Portugal foi uma equipa muito forte na defesa, mas precisou de comunicar mais, sentir ainda mais o aspecto da placagem dura e de meter a agressividade num ponto total, que bloqueie o adversário.
Melhor nos alinhamentos, “agradável” nas formações ordenadas, Portugal voltou a demonstrar que conseguia aguentar contra um adversário mais poderoso e que iria procurar pontos de “ataque” por aí.
Duas penalidades e três bolas perdidas na formação ordenada e alinhamento, respectivamente, foram os piores pontos nas fases estáticas. Porém, Portugal forçou o erro japonês em quatro situações (duas para cada lado) e partiu para conquista de pontos importantes.
José Costa converteu duas penalidades, em que uma proveio de um dessas penalidades, e o ensaio de Vasco Morais aconteceu após uma formação ordenada portuguesa ter ganho a sua bola e garantido uma ponte de estabilidade.
Se há alguns anos atrás Portugal sentia grandes dificuldades para aguentar estas situações de jogo, hoje em dia há um crescimento exponencial e boas novidades que estes Lobos sub-18 trouxeram.
Seria interessante, num futuro próximo, conseguirmos ser mais estáveis nos alinhamentos e sair a jogar em velocidade máxima, que é algo que ainda nos difere de equipas como a Geórgia.
Os ensaios do Japão não foram, sobretudo, falhas de placagem, foram sim um problema de comunicação entre a equipa que já dependia de algumas quedas de intensidade nesses momentos.
A forma como se “vive” o jogo é importante, a entrega, o sacríficio e a solidariedade para com os colegas de equipa. Mas a intensidade é um factor decisivo, é aquilo que garante um domínio claro de uma equipa sobre a outra, ainda por mais em jogos como este contra o Japão.
Sentiu-se que os portugueses “desligavam-se” por vezes do ritmo de jogo, ficavam na expectativa, o que permitia ao Japão respirar e ter outra calma na execução do seu plano de jogo. Um pouco mais de pressão, uma pitada de carga no ataque ou um pontapé mais “agressivo” podiam ter feito a diferença frente aos nipónicos.
Sentiu-se falta disto com alguns eixos de Portugal (o 6-7-8 ou 12-13) em certos momentos do encontro. A comunicação é um segundo passo importante e que foi escassa naqueles momentos de maior intensidade (que existiram) e que tinha sido fulcral para aguentar as tentativas de ensaio do Japão.
São processos que fazem parte da aprendizagem e que só podem ser apurados com jogos de preparação, estágios e a criação de um core de treinos mais “profissional” e capaz de dar aos seleccionadores aquilo que precisam para obter sucesso. Portugal está no bom caminho, está a saber crescer e evoluir, só falta esses pormenores para subir sucessivamente aos pódios.
Portugal não pode “dominar” e não fazer ensaios, ainda por mais quando dispõe de algumas oportunidades de ouro para fazê-lo. Aos 24′ e 35′, a equipa dos Lobos sub-18 esteve praticamente em cima da linha de ensaio, mas por falta de paciência não conseguiu “matar” a bola.
Para atingir um patamar de vitórias e domínio “normal” há que aproveitar as oportunidades concedidas, até porque depois, no final, poderão fazer uma diferença significante no placard.
Os jovens Lobos trabalharam bem no contacto, garantiram a oval no ruck (alguma infelicidade da parte da arbitragem não ter penalizado os nipónicos no jogo faltoso no chão) e saíram a atacar.
Pedro Afra, Manuel Nunes (um batalhador com a oval nas mãos), Diogo Cabral ou José Costa (tem uma dose de impacto e agressividade interessante mas que tem de ser trabalhada e acreditada pelo próprio) foram catalisadores de boas situações de jogo que tinham de ter consequências mais significativas para o Japão.
Saber finalizar nos últimos dez metros, ter calma e presença de espírito e contornar o que a defesa contrária oferece são pormenores fundamentais para Portugal. Neste jogo, houve o risco (o ensaio de Duarte Matos foi um hino a isso mesmo), houve a vontade de fazer algo mais, mas faltou a paciência e capacidade de gerir a intensidade de jogo.
ASPECTOS POSITIVOS: Defesa nos últimos metros, combatividade no contacto, fases estáticas bem trabalhadas, capacidade de arriscar, pontapé de pressão de qualidade, disponibilidade física, rucks claros;
ASPECTOS NEGATIVOS: 1ª placagem, comunicação não foi sempre a melhor, finalização pouco eficaz, intensidade quebrou em certos momentos, concentração nem sempre foi a melhor;
PORTUGAL: Manuel Giões, Francisco Simões , David Costa, Martim Bello, Tiago Gellweiler, António Cunha, Manuel Nunes, José Roque, Vasco Morais, Miguel Morais, Francisco Afra, Diogo Cabral, José Costa, Rodrigo Marta e Duarte Matos.
Suplentes: João Almeida, Duarte Conde,João Carneiro, Manuel Barros, Tiago Norton, Manuel Maia, José Borralho, Pedro Lucas, Francisco Almeida, José Câmara, Tomás Marrana, Francisco Nobre.
Equipa Técnica: Rui Carvoeira, Francisco Branco, João Mirra (seleccionadores e treinadores Nacionais), Paulo Vital (Fisioterapeuta) e Pedro Tavares Rodrigues (Director de Equipa);
MVP do Torneio: Manuel Nunes – Asa (Camisola 7) do RC Montemor;
Podemos começar por falar do facto de este mundial ter sido cheio de surpresas. Da Noruega conseguir um inédito 2° lugar, a Eslovénia ter chegado pela primeira vez às medalhas, o Chile ter conseguido a sua primeira vitória em mundiais no 1º jogo, ou a Espanha e a Dinamarca não terem sequer chegado às meias-finais. Individualmente novas estrelas surgiram como Sagosen ou Blaz Janc e outros foram os jokers das suas seleções como Vincent Gerard ou Bezjak. A verdade é que no andebol cada vez há mais selecções/equipas “fortes”, ou seja, há um maior equilíbrio de forças, onde todos podem ganhar a todos. Vamos seguir então para o primeiro ponto.
Não foi no futebol, mas sim no andebol que a França conquistou uma grande competição desportiva a jogar em casa, repetindo o feito de 2001. Esta vitória pode também marcar o regresso da dominância francesa no Andebol, visto que depois de um período de anos avassalador onde conquistaram tudo, estavam em branco desde Janeiro de 2015 (Mundial do Qatar). Em termos de andebol, o jogo Francês não se afastou muito do normal. A presença de Dinart no banco vem trazer uma mais valia ao processo defensivo, que só por si já era fortíssimo, e no ataque foi o típico jogo de atacar os 6 metros tendo níveis de eficácia bastante altos. Individualmente são dois os jogadores que queremos destacar, Vincent Gerard, para nós o MVP da seleção Gaulesa, que aproveitou um “pior” período de Omeyer para se destacar na baliza, e Valentin Porte, que provou mais uma vez que com um pouco mais de regularidade no seu jogo poderia chegar ao top-3 de melhores do mundo, tal é diferença que consegue fazer a lateral ou à ponta, de remate exterior ou no 1 contra 1. Sem deslumbrar mas bastante certos, assim se descreve esta seleção Gaulesa durante o Mundial.

Em 2016 foram a sensação do Europeu ao garantir o 4º lugar e na nossa previsão nem os tínhamos a passar a fase de grupos, mas a verdade é que os Noruegueses surpreenderam e convenceram todos ao conquistar o 2º lugar no Mundial. Aos 20 anos Sander Sagosen assumiu-se como o líder desta seleção e para muitos (Fair Play incluído) é considerado o MVP da competição. Com espaço, é um jogador extraordinário no 1 contra 1, muito rápido nos seus movimentos e caso ganho um pouco mais de poder físico pode vir a ser ainda melhor. Bergerud foi para muitos o melhor guarda-redes da competição. Com o seu estilo descontraído o guarda redes de 22 anos terminou o Mundial com um grande número de fantásticas defesas e com uma eficácia a rondar os 43%. Em termos de andebol destacaram-se pelo seu jogo muito rápido e com constantes cruzamentos para tentar abrir espaços na defesa. O contra-ataque (apoiado e direto) foi a grande arma durante a competição, sendo bastante eficazes e rápidos a conseguir uma boa situação de remate. O 6-0 defensivo era pouco coeso, com bastantes espaços no meio, mas isso era compensado com a agressividade com que atacavam o portador da bola tendo logo acabar com o ataque em falta. 2016 foi a ameaça, 2017 a confirmação dessa ameaça. Estamos perante uma nova potência.

Não houve maior desilusão neste Mundial que a Polónia. Se era verdade que não se esperava tanto como noutros anos devido às baixas de alguns dos seus melhores jogadores, também é verdade que a qualidade dos atletas presentes neste Mundial era mais que suficiente para, pelo menos, chegar aos quartos de final. Acontece que nem da fase de grupos passaram. Dujshebaev, selecionador, bem avisou que este Mundial seria para testar novos jogadores e novos processos e foi isso que aconteceu, com vários jogadores a sobressaírem, como Gebala (lateral poderosíssimo fisicamente e muito forte no remate exterior), ou o guarda-redes Malchar. Mas em termos de andebol, deixaram muito a desejar. No ataque eram muito estáticos, sem atacar a baliza e revelaram uma grande dependência do que Gebala conseguia fazer. Um aspecto positivo a tirar é que o andebol Polaco melhorava sempre que o central Gierak estava em campo, ele que impunha muita mais velocidade no jogo e embalava muito bem os atiradores. Na defesa utilizam o seu maior poderio físico para tentar fazer a diferença mas os erros que cometiam eram tantos que nem aí deixaram uma boa imagem, ficando na memória a dificuldade de defender os pontas adversários. Há muito para trabalhar nesta seleção caso Dujshebaev queira conseguir concretizar o objetivo de vencer os Jogos de 2020.

Desta seleção bem avisámos que caso tudo corresse bem poderiam chegar a um grande resultado e o seu primeiro pódio (3º lugar) da história representa isso mesmo. Mesmo sem os três jogadores de maior renome da Eslovénia (Bombac, Zorman e Gajic) outros apareceram para brilhar e conseguir levar esta seleção a uma pequena glória. Em conjunto com a Noruega devem ter jogado o melhor andebol do Mundial, pelo menos aquele que mais gozo deu de ver e que só foi travado pela França numa espetacular meia-final. Um andebol muito rápido de ataque onde Bezjak brilhou. Pouca gente dava algo por este central, mas a verdade é que foi um dos melhores jogadores do Mundial. Muito discreto no seu jogo que privilegia o jogo de equipa, optando sempre por um passe para um colega em melhor posição do que um remate seu, foi notória a importância deste jogador no andebol da Eslovénia. A defesa por vezes deixou algo a desejar, mas o ataque compensava as falhas defensivas que eram regularmente causadas pelas dificuldades de vários jogadores no 1 contra 1 defensivo. Há muito potencial nesta equipa (Blaz Janc ou Henningman) para explorar e acreditamos que Veselin Vujovic e companhia não fiquem por aqui.

Japão. Não iremos falar desta seleção pelos resultados que conseguiu (apenas uma vitória) mas pela surpresa que causaram com a qualidade do seu andebol. Eram desconhecidos, pouco se esperava deles, mas com Antonio Ortega no banco era sabido que algo de bom podia aí vir. E assim foi, com jogadores muito limitados tecnicamente mas sem medo de atacar a baliza e ir para cima do defensor, o Japão e o seu andebol “atabalhoado” foram causando dificuldades a quase todos os seus adversários na fase de grupos. Na memória ficam os grandes contra-ataques apoiados que faziam, com o destaque aqui a ir para o ponta esquerda Doi. Quem se sobressaiu bastante neste Mundial e pode ter ganho um contrato numa equipa Europeia é Hiroki Shida, central/lateral-esquerdo. Com certeza o jogador mais evoluído da seleção, apresenta um remate exterior muito forte e com um grande leque de opções (apoiado, em suspensão, na passada). A evolução tem sido constante e agora com o novo selecionador, Dagur Sigurdsson (venceu o Europeu 2016 com a Alemanha) só parecem existir condições para melhorar.

1º Lugar: França
2º Lugar: Noruega
3º Lugar: Eslovénia
4º Lugar: Croácia
Guarda-Redes: Torbjorn Bergerud (Noruega)
Ponta-Esquerda: Jerry Tollbring (Suécia)
Lateral-Esquerdo: Sander Sagosen (Noruega)
Central: Daniel Narcisse (França)
Lateral-Direito: Valentin Porte (França)
Ponta-Direita: Kristian Bjornsen (Noruega)
Pivot: Bjarte Myrhol (Noruega)
MVP: Sander Sagosen (Noruega)
Melhor Marcador: Kiril Lazarov (Macedónia) com 50 golos