23 Mai, 2018

The time for Lions and Crusaders – 3 pontos das meias-finais do Super Rugby

Francisco IsaacJulho 31, 20176min0

The time for Lions and Crusaders – 3 pontos das meias-finais do Super Rugby

Francisco IsaacJulho 31, 20176min0

De um susto da semana passada para um vitória esmagadora, os Lions voltam a estar numa final frente aos supra Crusaders, que derrotaram com “facilidade” os Chiefs. As meias-finais do Super Rugby no Fair Play

A EXIBIÇÃO: 40 MINUTOS DE CAMPEÃO

Duas partes distintas, mas com o final desejado… os Lions sobreviveram aos 12 pontos de diferença dos primeiros 40, para terminar com 44-29 frente aos campeões em título, os Hurricanes. Sem um Elton Jantjies no seu melhor (pouco mais para além do ensaio e alguns pontapés), foi Ross Cronjé, o formação, a liderar os Leões de Joanesburgo.

Se na primeira metade do jogo foi domínio dos Hurricanes, que podiam até ter chegado com uma vantagem “pacífica” ao intervalo não fossem arriscar em excesso, perdendo oportunidades importantes nos últimos 10/5 metros, o jogo nos 2ºs 40 pertenceram, por inteiro, à equipa da casa. Cronjé, como dissemos, “mexeu” com a equipa, que gozou de um “acordar” de Kwagga Smith e Jaco Kriel (outra exibição fenomenal do asa da África do Sul) que assumiram uma agressividade altíssima.

A velocidade de jogo atingiu um timbre alto que os Hurricanes não conseguiram acompanhar, muito pela alguma falta de qualidade do seu 5 da frente (Allen, May, Abbot ou Lousi foram uma decepção durante todo o tempo que jogaram) e da falta de banco que não trouxe melhorias no momento que precisavam.

Para além disso, Jordie Barrett e Vince Aso foram, também, duas desilusões. O defesa All Black fracassou na mudança de velocidades, na tomada de decisões e até em dois dos seus cinco pontapés. Jordie é um jogador excelente, mas o excesso de importância dada ao 15 não ajudou nada nos momentos de maior pressão… Chris Boyd, mais uma vez, cometeu um erro na leitura do jogo.

Os Lions entraram nos 2ºs 40 a abrir, sem paragens “cerebrais” e cresceram fisicamente para um jogo que pedia exactamente esse aspecto. Foi “assustador” a forma como tomaram controlo dos rucks, a entrega na luta do breakdown e o aproveitamento na hora de ter a oval nas mãos (90% das oportunidades passaram a linha de vantagem). Passar de 10-22 para 44-29 só está à altura de uma equipa que acredita em si mesmo e que quer ser campeã na maior prova de clubes do Mundo.

Destaque final para Andries Coetzee, o defesa, que deu uma autêntica lição de jogar com 170 metros conquistados. Coetzee pode ser uma das armas para desarmar quer os Crusaders quer os All Blacks nas próximas semanas… para além de velocidade, soma um jogo ao pé fora-de-série e uma visão de jogo fora do normal.

A VANTAGEM: A MELHOR AVANÇADA DO MUNDO?

Segundo jogo a eliminar e os Crusaders voltam a dominar na arte da defesa, reacção imediata no contacto e contra-ataque, três elementos que foram fundamentais para garantir o bilhete para a final do Super Rugby.

Os Chiefs até tiveram bem mais metros com a oval, mas sempre que chegavam aos últimos 15/5 metros acontecia alguma coisa… ora era um avant ou um mau passe, ou uma jogada que isolavam o portador da bola e permitia um turnover dos Crusaders, acontecia sempre um erro que permitia à equipa da casa “sobreviver” ao super ataque dos Chiefs.

Os números provam esse facto: Crusaders com 185 placagens realizadas e 11 turnovers, com 360 metros a atacar, enquanto que os Chiefs só tiveram que realizar 66 placagens, arrancaram 5 turnovers e correram 540 metros com a bola nas mãos, tendo ainda dominado no território com cerca de 67% (!) de controlo do mesmo. Ou seja, todos os indicadores e números dão “vantagem” ofensiva à equipa de Cruden, McKenzie ou Lowe.

Mas uma defesa tão bem apetrechada, com uma avançada altamente móvel, resistente e dura, permitiu aos Crusaders saírem vitoriosos do encontro. Nas seis oportunidades que tiveram dentro dos 22 metros, saíram de lá com 4 ensaios, onde Israel Dagg foi um dos desbloqueadores, com duas assistências e um ensaio.

A atitude na placagem, a forma como trabalham no chão, a reacção rápida à saída para o ataque e a simplicidade na montagem do seu jogo, permitiram aos Crusaders devastar com a defesa dos Chiefs que não teve a capacidade de parar no sítio os portadores de bola da equipa da casa (o ensaio de Seta Tamanivalu é um exemplo disso mesmo).

É difícil não conseguir dizer que estes 8 avançados dos Crusaders não são dos melhores do Planeta… dos oito titulares, seis são All Blacks neste preciso momento, com Matt Todd com possibilidades de voltar já para o Rugby Championship… dos seis, cinco são titulares, o que lhes dá uma enorme consistência exibicional. 90 placagens e 5 turnovers  foi o registo dos 8 titulares no seu papel defensivo.

Os erros foram acumulando-se, os Chiefs atacavam de forma inconsequente e os Crusaders devolviam o nervosismo com uma demonstração de eficácia e firmeza. Ao fim de dois anos, a equipa de Kieran Read, Israel Dagg, Sam Whitelock, Matt Todd e Owen Franks está de novo na final do Super Rugby… conseguirão voltar aos títulos?

A DÚVIDA: QUEM PODE SER O CAMPEÃO?

Lions e Crusaders, uma final sob os timbres de duas formações altamente dominantes, fisicamente consistentes e com particularidades que vão “abanar” o jogo desde o 1º minuto.

Se os Crusaders são enormes na questão dos avançados (fenomenais no trabalho nas formações ordenadas ou no avançar do maul), os Lions têm sido “gigantes” na velocidade de jogo e condição física.

Nas meias-finais ambas as formações derrotaram as melhores equipas a nível individual, caindo Beauden Barrett, Julian Savea, TJ Perenara, Broadie Rettalick, Anton Lienert-Brown ou Damian McKenzie, perante aquelas que foram os melhores colectivos de todo o Super Rugby.

Não há forma de o negar ou de contrariar, tanto os Lions como os Crusaders dominaram as suas divisões e terminaram em 1º e 2º lugar na fase regular, respectivamente. Ambas consentiram apenas uma derrota (Jaguares para os sul-africanos e Hurricanes para os de Christchurch) em 15 jogos, foram autoras de reviravoltas nos resultados (os Crusaders viraram jogos nos últimos cinco minutos, como aconteceu no encontro frente aos Highlanders) e ainda conseguiram uma pequena renovação dentro das próprias equipas.

Se os Lions voltam a possuir uma (bela) oportunidade de conquistar o título (após o perderem em 2016 frente aos Hurricanes), os Crusaders vão tentar conquistar o título pela 8ª vez… a última vez foi há quase 10 anos, em 2008.

O favoritismo vai para os Lions, que jogam em casa, estão no pico de forma (e motivação) e têm algo que os Crusaders não se dão totalmente bem… a velocidade de jogo.

No entanto, os Chiefs também possuíam esse pormenor, mas fraquejaram na hora de jogar em equipa (desapoio total entre linhas de ataque), o que dá alguma possibilidade de resposta à equipa de Scott Robertson.

Naquele que é o ano do adeus de Ruan Ackermaan e de Faf de Klerk, que partirão para Inglaterra após esta final, os Lions não vão querer desiludir os seus adeptos em casa.


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