23 Mai, 2018

Volta a Portugal 2017 – Rui Vinhas: “Temos o Gustavo (Veloso) como líder e eu estarei às ordens do diretor”

Davide NevesAgosto 3, 20177min0

Volta a Portugal 2017 – Rui Vinhas: “Temos o Gustavo (Veloso) como líder e eu estarei às ordens do diretor”

Davide NevesAgosto 3, 20177min0

Rui Vinhas é o próxima convidado na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido e de Helena Dias. O ciclista português foi destaque no ano passado, com a vitória na Volta a Portugal. Este ano, por exemplo, foi segundo nos Campeonatos Nacionais de Estrada. A um dia do início da Volta a Portugal, o Fair Play falou com o atual dorsal nº1.

 

fp: Rui, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play,
por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: qual é a sensação de vencer a nossa volta, a Volta a Portugal?

RV: Uma sensação muito boa. Trata-se da prova rainha do ciclismo nacional

fp: A W52-FC Porto é uma equipa que domina no ciclismo nacional, havendo rumores de uma possível subida de escalão. O trabalho desenvolvido é diferente de outras equipas, ou a qualidade do grupo faz a diferença?

RV: O trabalho é desenvolvido de forma normal com muita dedicação e muito profissionalismo. Quanto ao
grupo somos muito unidos e isso faz toda a diferença.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

RV: Muita dedicação de toda a equipa e uma boa tática por parte do diretor desportivo.

fp: 2016 foi o seu melhor ano?

RV: Sim, sem dúvida.

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

RV: A Volta a Portugal e ser o atleta do ano do FC Porto

Rui Vinhas está optimista na vitória da W52-FC Porto.
(Foto: desporto.sapo.pt)

fp: O Rui disse, após a sua vitória na Volta, que é um ciclista que “faz o que lhe pedem”. A vitória na Volta a Portugal foi algo surpreendente, tendo em conta que não era o líder da equipa. Houve uma mudança de liderança na equipa depois daquela fuga fantástica?

RV: Não. O líder continuou a ser o Gustavo mas fui igualmente protegido, pela equipa, após a fuga.

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr? 

RV: Portugal.

fp: No ano passado, a W52 venceu a Volta a Portugal, colocando três ciclistas no top-5, com o Rui a vencer. Como está a ser planeada a Volta a Portugal pela equipa e pelo Rui?

RV: Da mesma forma que o ano transato. Temos o Gustavo como líder e eu estarei às ordens do diretor

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas
que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua
opinião, o grande problema?

RV: O calendário não é propicio devido ao “poder” das outras grandes voltas.

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta.

RV: Nuno Ribeiro, Gustavo Veloso, Cândido Barbosa, David Blanco, e Joaquim Gomes

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

RV: Gustavo Veloso, Raul Alarcón, Edgar Pinto, Sérgio Paulinho, Alejandro Marque, Rinaldo Nioncentini,
Vicente de Mateos e João Benta

fp: Em 2017, ficou em 2ºlugar nos campeonatos nacionais de estrada. Quando poderemos ver o Rui Vinhas a vestir como campeão nacional?

RV: É um dos grandes objetivos envergar as cores nacionais. Este ano estive perto, não foi possível mas
continuarei na luta.

fp: Portugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

RV: Sim. O Rui Costa encontra-se num bom caminho e os restantes têm estado em bom plano e a qualquer
momento podem surgir essas vitórias

fp: A nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

RV: Sim. Os mais jovens têm mostrado garra e dedicação e espero ver grandes vitórias.

fp: Como viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013? Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

RV: Foi um orgulho para nós portugueses ver o Rui Costa a sagrar-se campeão mundial de ciclismo

fp: Em jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

RV: Eddy Merckx e o Joaquim Agostinho, apesar do Rui Costa estar no caminho indicado para ser o melhor
ciclista português de todos os tempos.

fp: Qual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

RV: Era bom isso acontecer.

fp: Num nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

RV: Não é fácil. São muitos dias fora de casa, muito empenho, dedicação e sofrimento.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

RV: Dentro da corrida cada equipa tem os seus objetivos, fora de competição existe uma boa relação entre
todos.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter