24 Ago, 2017

Um jogo para a História – Portugal versus Brasil

Francisco IsaacNovembro 30, 20169min0

Um jogo para a História – Portugal versus Brasil

Francisco IsaacNovembro 30, 20169min0

Lobos e Tupís, voltam a estar juntos num campo de rugby, em Taveiro no dia 1 de Dezembro pelas 15h00; A equipa de Martim Aguiar vai ter que demonstrar o seu “uivo” frente à turma de Rodolfo Ambrósio; Portugal versus Brasil, um jogo para a História da Oval

Portugal versus Brasil, Lobos versus Tupís, uma potência em modo “reboot” versus uma potência “prestes a acordar” para o rugby Mundial. Jogos entre portugueses e brasileiros está sempre recheado de um sentimento forte, intenso e de amizade, já que as ligações entre países se estendem há mais de 500 anos.

Portugal e Brasil nunca esqueceram os seus problemas e convívios, as suas similitudes e diferenças ou os seus conflitos e alianças. Sobretudo, nunca deixaram de ter uma relação suportada por bons valores, uma ética equilibrada e um paixão em estarem sempre unidos.

No dia 1 de Dezembro, na celebração da Restauração da Independência, os Tupís (nome associado à equipa principal do Brasil) viajam até Coimbra para a desforra de 2013. Nesse ano foi Portugal a ir a terras de Veracruz para realizar um jogo amigável, que terminou favorável aos portugueses (68-00). De 2013 para 2016 muito mudou em ambas as selecções, com o Brasil em pleno crescimento, procurando afirmar-se no plano internacional, enquanto que Portugal está a “reiniciar” todo o seu “sistema”, na esperança de voltar aos grandes palcos em 2023.

Como nota de curiosidade, da equipa que jogou em 2013 no Brasil (em Barueri), só dois jogadores chegaram à selecção em 2016: Francisco Magalhães e Gonçalo Uva. O 2ª linha do GD Direito conseguiu inclusivé um ensaio no encontro que opôs Tupís e Lobos. Uma segunda curiosidade é que Julian Bardy foi um dos jogadores a alinhar nesta selecção, assim como Éric dos Santos e Pedro Bettencourt, todos jogadores a jogar em França (e desde Agosto, Adérito Esteves). Na equipa brasileira já houve uma transição mais consistente de jogadores com sete a chegarem a 2016: Guilherme Coghetto, Nicholas Smith, João Luiz da Ros, Lucas Piero, Daniel Danielewicz, Jonatas Paulo e Bruno Garcia.  (Para ver mais sigam o seguinte link aos nossos parceiros do Portal do Rugby: goo.gl/yB3va8).

O Brasil conseguiu derrotar os Estados Unidos da América em 2016, um momento icónico e que pode servir de rampa de lançamento para os Tupís. Infelizmente, na Tour europeia, nem tudo correu bem já que em dois jogos, somaram duas derrotas, sempre frente à Alemanha. No primeiro jogo um 24-21, demonstrou que os brasileiros estão praticamente ao nível da Alemanha, selecção que está na European Nations Cup (considerada como a 2ª divisão europeia de rugby, onde está Roménia, Geórgia, Rússia, entre outras).

Bancada da Língua de Camões (Foto: Portal do Rugby)
Bancada da Língua de Camões (Foto: Portal do Rugby)

Já no segundo encontro, os brasileiros deixaram a equipa alemã chegar ao intervalo com uma vantagem “gorda” (o português-alemão-sul-africano Sebastian Ferreira marcou um dos ensaios), 24-03, e só na segunda-parte tiveram uma reacção mais positiva mas que mesmo assim de pouco serviu. 31-16, resultado final, com a selecção dos Tupís a ter sérias dificuldades em alguns parâmetros do jogo como: defesa activa, formações ordenadas, ataque com apoio e pontapé.

O Brasil tem sérias dificuldades em conseguir realizar um acompanhamento do portador de bola de forma consecutiva, aguentando apenas duas a três fases, para depois perderem a oval numa penalidade ou num turnover. As linhas atrasadas do Brasil e a 3ª linha têm algumas responsabilidades neste sector, já que a confiança entre colegas na hora de garantir o ruck não é a melhor, assim como a falta de comunicação nesses momentos. É um ponto onde Portugal pode explorar se for rápido o suficiente para arrancar a bola do ruck.

Noutro sentido, os alinhamentos serão alvo de uma batalha intensa pelo controlo de bola, uma vez que ambas as equipas têm algumas dificuldades em ter uma eficácia preponderante que lhes permita sair a atacar com rapidez e velocidade. Portugal tem Gonçalo Uva que traz sempre experiência na “luta pelos ares”, enquanto que no Brasil Nick Smith é um belo organizador de operações nos avançados.

Em termos de linhas atrasadas e jogo corrido, valerá a pena ter atenção à forma como tanto o Brasil e Portugal jogam: os Tupís têm um jogo mais anárquico, que tanto exige uma concentração de unidades próximo ao ruck  ou como “esticam” e atacam rápido por meio de Daniel ou Felipe Sancery, com Moisés Duque a ser o “mágico” de serviço (o irmão Lucas está de fora das convocatórias por lesão) e a poder causar estragos a partir da posição 12.

Há, também, o bom jogo ao pé de Felipe Sancery, que pode colocar uma pressão alta no três-de-trás de Portugal (possivelmente composto por João Belo, Duarte Moreira/Manuel Vilela e Duarte Marques) na tentativa de garantir uma conquista no ar ou forçar um erro dos jogadores de Portugal.

O Panzer suprimiu o Tupí (Foto: Portal do Rugby)
O Panzer suprimiu o Tupí (Foto: Portal do Rugby)

No lado dos Lobos, a dupla do CDUL, Francisco Magalhães e Nuno Costa, podem conferir estabilidade, capacidade de choque e um bom trabalho de coordenação (não é a dupla que pode dar mais velocidade ou ritmo ao jogo, mas a mais confiável no momento), delegando a criação de jogo ofensivo em José Limpa e Tomás Appleton, uma duo que pode começar a “crivar” o seu nome no rugby português. Os Lobos vão ter que ser “ágeis” na movimentação defensiva, não podem parar de pressionar alto (os brasileiros dão-se bem com defesas que pressionem de forma lenta e, supostamente, mais reservada) e a placagem tem de ser “agressiva”, ao ponto de conseguir parar o adversário no lugar.

O ataque tem de ser sempre dinâmico, rápido e bem apoiado (ou seja, o normal do que se pede às principais selecções do rugby mundial), onde Duarte Moreira pode fazer a diferença na ponta. O ponta do Belenenses é um jogador que faz uma falta tremenda às selecções nacionais, em que a sua velocidade, sprint e poder no contacto conseguem criar quebras de linha fundamentais para quem quer ir ao ensaio. Do outro lado estará a dúvida entre Manuel Vilela ou Pedro Silvério, ambos jogadores do GD Direito e que trazem boas qualidades para a segurança defensiva na camisola 14. A defesa podia estar um dos grandes jogadores do Técnico, Duarte Marques, um 15 que para além de um bom entendimento do jogo, consegue comunicar e organizar a equipa.

Martim Aguiar optou por José Lima, uma escolha sólida e que pode trazer outros argumentos na posição de defesa. Veloz, incisivo e altamente competente, José Lima ainda tem uma qualidade de pontapé muito trabalhada que pode fazer a diferença na altura de “sacudir” a pressão. A ida de Lima para 15, possibilita a titularidade de Vasco Ribeiro que se tinha estreado contra a Bélgica (amigável) e acabou por marcar um ensaio no seu 2º jogo com as Quinas ao peito frente à Suíça.

Olhando para estes pormenores todos (e haveriam muitos mais para falar ou abrir uma discussão) o jogo entre Portugal e Brasil será um bom “tubo de ensaio” para ambos seleccionadores já que ambas as nações procuram adquirir processos e rotinas que permitam lutar por outro patamar no rugby. Portugal está na 3ª divisão da Europa, tendo começado com o melhor “pé”, com uma vitória frente à Suíça, em casa dos helvéticos. O Brasil por sua vez quer “intervir” no Sul-Americano e no Americas Rugby Championship de outra forma, já que seria importante derrotarem o Chile e Paraguai com “força”, fazer outra “frente” ao Uruguai, naquilo que tem de ser o início do processo para lutarem por uma vaga no Mundial 2023.

O jogo terá transmissão da SportTV (2) às 15:00 directo do Estádio Sérgio Conceição em Taveiro, cerca de Coimbra.

Os XV (hipotéticos) do Portugal-Brasil

PORTUGAL
1- Francisco Bruno; 2- Duarte Diniz; 3- Bruno Medeiros; 4- Gonçalo Uva; 5- João Lino; 6 – Maxime Vaz; 7 – Sebastião Villax; 8 – Pedro Rosa; 9 – Francisco Pinto Magalhães; 10 – Nuno Penha e Costa; 11 – Duarte Moreira; 12 – Vasco Ribeiro; 13 – Tomás Appleton; 14 – Pedro Silvério; 15 – José Lima

16 – João Côrte-Real; 17 – Duarte Foro; 18 – José Conde; 19 – Miguel Macedo; 20 – José Fino; 21 – João Belo; 22 – Duarte Marques; 23 – Manuel Pereira.

BRASIL
1 – Alexandre Alves; 2 – Yan Rosetti; 3 – Wilton Rebolo; 4 – Lucas Piero; 5 – Gabriel Paganini; 6 – Matheus da Cruz Daniel; 7 – Cleber Dias; 8 – Nick Smith; 9 – Beukes Cremer; 10 – Guilherme Coghetto; 11 – Stefano Giantorno; 12 – Moisés Duque; 13 – Felipe Sancery; 14 – Mateus Estrela; 15 – Daniel Sancery

16 – Daniel Danielewicz; 17 – Jonatas Paulo; 18 – Flavio Chuahy; 19 – João Luiz da Ros; 20 – Joabe Souza; 21 – Bruno Garcia; 22 – Luan Smanio; 23 – Robert Tenorio

Em terras Helvéticas (Foto: FPR)
Em terras Helvéticas (Foto: FPR)


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