19 Ago, 2017

Jorgensen confirmou o favoritismo

João BastosAgosto 20, 20165min0

Jorgensen confirmou o favoritismo

João BastosAgosto 20, 20165min0

Capacabana recebeu a prova feminina de triatlo, depois de ter consagrado os irmãos Brownlee há dois dias. Se na prova masculina o favoritismo era ligeiro para o Brownlee mais velho, na prova feminina o favoritismo era absoluto para a bi-campeã do mundo Gwen Jorgensen.

Partida da prova feminina de triatlo | Foto: Wagner Araujo
Partida da prova feminina de triatlo | Foto: Wagner Araujo

A competição feminina olímpica de triatlo tinha na norte-americana Gwen Jorgensen a clara favorita, a dominadora das etapas da Taça do Mundo nos últimos dois anos. Inclusive, atribuía-se mais favoritismo a Jorgensen no sector feminino que a Alistair Brownlee no sector masculino, apesar de Brownlee ser o campeão olímpico.

Contudo, havia um forte contingente que podiam desafiar a lógica e o ouro da americana. Desde logo o fortíssimo trio britânico composto por Helen Jenkins, Vicky Holland e Non Stanford, todas com hipóteses de chegar ao ouro, a triatleta e forte ciclista das Bermudas Flora Duffy e a neozelandeza Andrea Hewitt. Num segundo lote de favoritas surgiam triatletas consagradas mas que nos últimos tempos ou não se tinham mostrado em grande forma, como Emma Moffatt, da Austrália, medalha de bronze em Pequim (atrás de Vanessa Fernandes) ou que vinham de lesão como a campeã olímpica em título, Nicola Spirig, da Suíça.

A prova começou forte com a espanhola Carolina Routier a assumir as despesas no segmento da natação, levando a americana Katie Zaferes e a australiana Emma Moffatt nos seus pés. O objectivo inicial passava por impedir que a super favorita Jorgensen e a super ciclista Duffy não integrassem o grupo da frente no ciclismo, mas no final do segmento, as duas saíram relativamente perto da frente e quando se iniciou o percurso de ciclismo integraram o grupo de cerca de 25 triatletas que seguia na frente e que incluía todas as favoritas…todas menos Helen Jenkins que ficou no segundo grupo, o que se veio a revelar fatal para as suas aspirações.

Flora Duffy é a principal esperança de medalhas das Bermudas | Foto: Nigel Farrow
Flora Duffy é a principal esperança de medalhas das Bermudas | Foto: Nigel Farrow

Como se previa Flora Duffy foi imediatamente para a frente do grupo da liderança tentando provocar a descolagem das adversárias. Quando se percebeu que Jenkins estava irremediavelmente para trás, as britânicas Holland e Stanford deram uma ajuda a Duffy, assim como a suiça Nicola Spirig. O forcing fez descolar algumas triatletas, deixando o grupo com 18 unidades, mas onde continuava a estar de forma confortável Gwen Jorgensen. O esforço infrutífero para descolar a americana levou a que a meio do segmento de 40 km de ciclismo o ritmo abrandasse com as principais candidatas a resguardarem-se e a estudarem-se mutuamente. Apenas Spirig tentava mexer na corrida, mas sem que alguém lhe acompanhasse na intenção.

E foi com esse grupo de 18 atletas que se fez a transição para o segmento de corrida, onde Mari Rabie, da África do Sul, saiu à frente mas mal teve tempo para ser filmada porque a inevitável Jorgensen veio imediatamente para a frente, com a companhia de Spirig. Na perseguição à campeã olímpica e à campeã mundial vinham Holland, Stanford, Riveros e Moffatt formando um quarteto que se manteve até aos 4 km, altura em que as britânicas se desenvencilharam da chilena e da australiana.

Nicola Spirig foi a campeã olímpica de há 4 anos | Foto: Getty Images

Quem não desarmava era Spirig, que inclusivamente fez grande parte do segmento de corrida à frente de Jorgensen, de tal forma que aos 7 km as duas quase que param e ficam a discutir quem deve assumir a despesa da corrida. Um momento insólito, só permitido pela vantagem que as duas já tinham para as britânicas. A altura decisiva da prova viria pouco depois com Jorgensen a transpor a sua superioridade teórica para a prática e a fazer o arranque vitorioso para a meta.

A americana provou que se a deixam chegar à corrida com hipóteses de vencer, ela não tem rival. Chegou com 1 hora 56 minutos e 6 segundos, cavando uma diferença para Nicola Spirig (que depois do ouro em Londres, ficou com a prata do Rio) de 40 segundos num espaço de apenas 1,5 km!

As britânicas tiveram de discutir ao sprint o bronze, superiorizando-se a mais velha Vicky Holland, conquistando a terceira medalha para o triatlo britânico.

Gwen Jorgensen levou o ouro para os EUA | Foto: Triatletas en Red
Gwen Jorgensen levou o ouro para os EUA | Foto: Triatletas en Red


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