18 Ago, 2017

A lenda do cavalheiro de Wimbledon

André Dias PereiraJulho 17, 20174min0

A lenda do cavalheiro de Wimbledon

André Dias PereiraJulho 17, 20174min0

Roger Federer, outra vez. Oito vezes Federer. O helvético tornou-se, este domingo, o maior campeão de Wimbledon, ao vencer o Torneio dos Cavalheiros pela oitava vez. A lenda suíça soma agora o recorde de 19 títulos de Grand Slam.

Em 2001, Pete Sampras, 35 anos de idade e sete vezes campeão de Wimbledon, preparava-se para apadrinhar a estreia de um jovem, então de 19 anos e de rabo de cavalo, que surgia nos courts do All England Club pela primeira vez. Esse jogo viria a tornar-se histórico não apenas porque seria o único que colocou frente a frente Pete Sampras e Roger Federer, mas porque marcou a passagem de testemunho no ténis. Hoje é o suíço a ter 35 anos e, este domingo, tornou-se o maior campeão da história de Wimbledon (destronando o norte americano) ao conquistar o oitavo título em partida frente ao croata Marin Cilic (6-3, 6-1 e 6-4).

Roger Federer amplia para 19 o recorde de Grand Slam e mostra que aos 35 anos continua no auge e para durar, “até que a Mirka (mulher do suíço) diga que está cansada de viajar“. Depois de vencer o Australian Open, Federer tornou-se ainda o segundo jogador na lendária história de Wimbledon a vencer o torneio sem perder qualquer set, repetindo o feito de Bjorn Borg, em 1976.

A queda de Nadal, Murray, Djokovic e Stan

Num torneio em que Nadal foi eliminado precocemente (oitavos-de-final) em uma partida épica de quase cinco horas perante Giles Muller (6/3, 6/4, 3/6, 4/6 e 13/13) – que chegou pela primeira vez aos quartos de final, Andy Murray também não passou das meias-finais. O tricampeão britânico foi surpreendido por Sam Querrey (3/6, 6/4, 6/7 (4-7), 6/1 e 6/1). Murrray não vive o melhor momento de forma e até foi aconselhado pelo irmão a fazer uma pausa na carreira.

Na actualização do ranking ATP segue líder, ainda que os 7750 pontos sejam os mais baixos para um comandante desde 2009. Quem ainda poderia alcançar a liderança seria Novak Djokovic, mas o sérvio acabou por abandonar o jogo com Tomas Berdych por um “incómodo no cotovelo que incomoda há ano e meio”. O sério poderá ir à mesa de operações a falhar o resto da temporada. “Vou falar com vários especialistas para ver a melhor opção“, assumiu o sérvio, que deixou o caminho livre para Tomas Berdych para regressar às meias-finais de Wimbledon, depois de ter sido finalista vencido em 2010. Para trás, logo na primeira ronda, tinha ficado o número três mundial Stan Wawrinka, que se ressentiu também de uma lesão no joelho, perdendo para o russo Daniil Medvedev (6/4, 3/6, 6/4, 6/1).

O regresso da hegemonia Fedal

Com Murray, Djokovic, Nadal e Wawrinka de fora, Federer, a atravessar uma fase excepcional – e à qual não é alheia a forma como preparou e calendarizou este torneio e a sua época desportiva – tornou-se o grande favorito. Cilic foi o rival natural, depois de fazer um torneio em alto nível. O croata, ao vencer Sam Querrey –  6/7, 6/4, 7/6 e 7/5 – garantiu pela primeira vez o acesso à final de Wimbledon. Cilic, vencedor do US Open em 2014, chegou aos quartos de final sem ceder qualquer set, vencendo aí Giles Muller e, depois, Sam Querrey.

Este domingo, acabou por ceder perante “o melhor jogador de todos os tempos”. A incerteza durou apenas os primeiros quatro jogos, até Federer tomar conta das rédeas do jogo. Cilic foi condicionado por dores que o levaram às lágrimas mas manteve-se firme em court até final. Ainda assim, sem conseguir oferecer resistência ao melhor ténis de Federer.

De resto,  Roger Federer e Rafael Nadal têm mostrado porque têm dominado o ténis e os courts nos últimos década Pela quinta vez na história, os dois tenistas venceram os três primeiros Grand Slam da época. Falta agora o US Open, e, por esta altura, o suíço e o espanhol são os grandes favoritos à vitória final. A lenda continua.


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