19 Ago, 2017

Djokovic e Brasil. A história de um amor de Verão

André Dias PereiraAgosto 11, 20162min0

Djokovic e Brasil. A história de um amor de Verão

André Dias PereiraAgosto 11, 20162min0

Djokovic não disse adeus ao Brasil. Disse até já. O número um mundial caiu com estrondo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro mas soube seduzir e conquistar o público brasileiro. Na hora da despedida, o número um mundial chorou e o Brasil chorou com ele.

Há amores assim. Curtos mas intensos. E o Verão é cheio deles. Djokovic não é exactamente um adolescente, aos 29 anos de idade vive o melhor período da sua carreira desportiva. Mas o grande favorito à conquista do ouro olímpico leva da Cidade Maravilhosa apenas uma história de amor para com o Brasil.

Juan Martin del Potro, que este ano regressou à alta roda do ténis mundial após longa paragem por lesão, fez-nos recordar que os Jogos Olímpicos são, de facto, um torneio à parte em que o espírito olímpico e de superação encurtam distâncias entre os desportistas, mesmo em modalidades altamente profissionais como o é o caso do ténis.

Djokovic, que chegou ao Rio de Janeiro a grangear sorriso e carisma, tirando selfies com os fãs e aproximando-se à comunidade local, saiu de cena lavado em lágrimas após perder para o argentino logo na primeira ronda por 7-6 (7-4) e 7-6 (7-1). O sérvio, que construiu quase toda a sua carreira na sombra da popularidade de Roger Federer e Rafael Nadal e que tantas vezes se queixou da falta de apoio nos courts mundiais, encontrou, no Brasil, o seu público. “Djoko, Djoko”, gritava o sonoro público brasileiro a cada ponto que o sérvio fazia.

Só que a vitória não chegou e Del Potro eliminou, pela segunda vez na sua carreira, Djokovic em olimpíadas. A primeira foi em Londres, em 2012. Ficou o sonho de ouro, sobraram as lágrimas. “É uma das derrotas mais dolorosas da minha carreira. Não foi a primeira vez que perdi nem será a última, mas é uma Olimpíada, o que aumenta a dor”, sintetizou o sérvio, que não se cansou de agradecer ao público, recolhendo aos balneários levando as raquetas num saco verde e amarelo.

Já esta segunda-feira o adeus foi definitivo aos courts dos Jogos Olímpicos. Na competição de duplas Djokovic e Nenad Zimonjic foram afastados pela dupla da casa Bruno Soares e Marcelo Melo. Foi um doce adeus, pela relação construída com o Brasil. “Senti-me em casa. Parecia que eu era brasileiro”, referiu o número um mundial dizendo que o provo brasileiro “é agora irmão”.

Como todos os amores de Verão a passagem de Djokovic pelo Rio de Janeiro foi fugaz mas intensa. E para quem fica, continuará para sempre a esperar outro regresso.


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