Surf: muito crowd, alguns acidentes já no final da época balnear do Verão 2018

Palex FerreiraSetembro 20, 20185min0

Surf: muito crowd, alguns acidentes já no final da época balnear do Verão 2018

Palex FerreiraSetembro 20, 20185min0
O Surf cresceu muito nos últimos anos e com esse crescimento surgiram alguns riscos. O final da época balnear em Portugal trouxe algumas más novidades. Fica a saber quais

A parte final do verão da Costa da Caparica foi um pouco acidentado, houve surfistas retirados da água, acidentes graves, entre outras incidências, mas as ondas vêm a caminho e tudo se acalma com a mudança de estação.

A semana passada (setembro 2018) falou-se que um grupo de surfistas tinha sido “expulso” da água pelas autoridades marítimas. Toda a gente ou muita gente associada ao surf caparicano se indignou.

Mas o que se passou? Não deve ter sido só por embirrança das autoridades para com os surfistas.

A meu ver, deve ter havido uns surfistas a surfar e a terminar “naquela junção” (parece que nesse dia as ondas estavam pequenas) em cima dos banhistas e as autoridades (nadadores-salvadores) não alteraram a zona de banhos para um dos lados, mas não opino por não saber da história completa.

Enfim uma novela ao estilo dos anos 80, em que era mesmo proibido surfar, mas tal após com tantos salvamentos realizados, os banhistas mudaram a sua posição perante os surfistas.

De facto o “edital” nunca foi alterado (a fundo) e perante a lei continua a ser ilegal surfar na época balnear. e isto urge em alterar, num país que vende surf em todo o mundo.

Com o aumento do número de surfistas, a massificação trouxe outros problemas que se podem tornar bem graves de futuro, caso ninguém de direito se dê ao trabalho de regulamentar, falo dos acidentes dentro de água que costumam acontecer com maior incidência quando as ondas estão pequenas.

Se por um lado são surfistas iniciantes que vêm “mal formados” das SurfSchool, mal formados da forma como são dadas as aulas, não culpa de quem dá aulas, que costumam ser surfistas que conhecem bem as regras básicas do surf, mas observando escolas de surf no geral (quer seja cá em Portugal, seja em Espanha e França, é tudo segundo o mesmo método), basta uma onda vir quebrada ou já rebentada (em espuma) e vão vários surfistas iniciantes na mesma onda, colocados lado a lado na procura de meter em pé e seguir até à areia.

Como são parabenizados quando conseguem com sucesso fazer o takeoff seguem em pé nas pranchas até à areia, eles ficam com a ideia que aquilo está certo, e é aqui que devem ser comunicadas que isto é válido apenas para a iniciação, depois é preciso ver se vem alguém na onda, se está alguém à frente, com vista a minimizar potenciais embates e bater noutra pessoa.

Todas as escolas têm os seus monitores credenciados, e cabe a eles informarem o que é correto, para depois os surfistas iniciantes, o aplicarem quando chegam a um lineup com outros surfistas, e dessa forma minimizar potenciais perigos de acidentes graves, que tendem a aumentar devido de população a surfar nas mesmas zonas.

A culpa do “caos”, não é de ninguém e é de todos. O surf actual é um mercado que já mexe com muita gente, e é preciso o bom senso sempre, para evitar problemas quando estamos a surfar em qualquer praia.

Na zona de surf (onde se desenvolve toda actividade de surf), coexistem vários níveis de surfistas (englobando todas as formas de deslizar nas ondas) desde miúdos muito novos até aos profissionais que dominam bem as pranchas. Mas o surf e quem faz, sabe que um simples desequilíbrio nos manda abaixo imediatamente, logo é preciso antever esse tipo de situações anormais e evitar ao máximo qualquer tipo de acidentes.

Mas na semana passada constou que aconteceram acidentes graves, um com uma quilha e uma cara, foi grave porque parece que a vitima acabou desfigurada, grave porque andam muitas crianças inocentes na água, e outro que terminou com danos no genitais graves, entre os menos graves que acontecem diariamente nas praias.

A questão da segurança no surf pode ficar mais grave, por diversos factores, entre os quais:  há a moda de surfar no crowd sem o uso de leash, todos os níveis se misturam, diversos tipos de pranchas, entre outras.

Pessoalmente sou contra isso em zonas de crowd (ou seja, de público comum), deve haver códigos de surf e etiqueta para todos mediante o seu knowhow, de que adiante gritar a um iniciante se ninguém lhe dizer o que ele está a fazer de mal, devemos procurar encontrar soluções para que todos nos sintamos confortáveis no “nosso” ecossistema que é a praia.

Por isso em zonas de muita gente misturada devem todos ter maior atenção, e evitar ao máximo, porque há muitas ondas, e aquela manobra que íamos fazer naquela onda, pode ficar para outra mesmo que fosse uma grande manobra que podia sair dali. Minimizar ao máximo acidentes.

O mercado do surf cresceu muito e os perigos também proporcionalmente.

Temos todos noção e conhecimento que noutros países, Califórnia (EUA), Austrália, França e Espanha já existem regras que em Portugal não entram, não sei porquê, cabe a quem gere o surf ter esse cuidado par a que tudo evolua da melhor forma.

Nota do autor deste artigo: Apesar de criticar, sugerir entre outros, o intuito é que nas próximas época balneares continue a ter uma relação saudável entre surfistas e os banhistas. Logo devemos procurar o bom senso. By the way vem lá outono e Inverno e estes “problemas” ou “situações” acalmarão como sempre aconteceu.

(este artigo teve a parceria com o Ahoy Coffee Bar)

Foto: Pedro Ramires

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