17 Ago, 2017

Here comes the amazing All Blacks – Os 33 Convocados para os Lions

Francisco IsaacJunho 8, 201711min0

Here comes the amazing All Blacks – Os 33 Convocados para os Lions

Francisco IsaacJunho 8, 201711min0

Os Lions já estão em terras kiwis e os All Blacks finalmente apresentam as suas “armas”. Quem são os líderes, as surpresas, as grandes ausências e as dúvidas? A análise à convocatória no Fair Play

Junho de 2017, os British&Irish Lions chegam à Nova Zelândia… uma vitória na estreia frente aos Provincial NZ Barbarians e uma derrota frente aos Auckland Blues marcaram as primeiras duas semanas de treinos e jogos dos britânicos.

Contudo, silêncio absoluto entre as hostes dos All Blacks… nem dos Maori All Blacks (uma “espécie” de 2ª equipa da Nova Zelândia) há informações. Quem serão os 33 jogadores a formar a mítica selecção que vai ter que estragar (ainda mais?) o Tour dos Lions?

Steve Hansen, à meia-noite portuguesa (12h00 na Nova Zelândia) anunciou os 33 All Blacks que voltarão a tentar fazer história frente à lendária formação das Ilhas Britânicas.

Os 33 TODO-PODERSOS DE HANSEN

Sem o “espectáculo” do anúncio dos Lions em Abril, os 33 All Blacks foram escolhidos com algumas surpresas como podem ver abaixo.

3/4’s
Formações: Aaron Smith, TJ Perenara e Tawera Kerr-Barlow
Aberturas: Beauden Barrett, Lima Sopoaga e Aaron Cruden
Centros: Lienert-Brown, Ryan Crotty, Sonny Bill Williams e Ngani Laumape
Pontas: Waisake Naholo, Julian Savea e Rieko Ioane
Três de trás: Jordie Barrett, Israel Dagg e Ben Smith

Avançados
Pilares: Owen Franks, Joe Moody, Wyatt Crockett, Ofa Tuungafasi e Charlie Faumuina
Talonadores: Dane Coles, Nathan Harris e Cody Taylor
2ªs linhas: Broadie Retallick, Scott Barrett, Luke Romano e Samuel Whitelock
Asas: Ardie Savea, Liam Squire, Jerome Kaino e Sam Cane
Nº8: Kieran Read

Substitutos em caso de lesão: Liam Coltman (Talonador), Vaea Fifita (2ª linha), Akira Ioane (asa), Matt Todd (asa) e Jack Goodhue (centro)

The man of the hour (Foto: Getty Images)

AS NOVAS ESTRELAS

Rieko Ioane / Ponta ou Centro / Auckland Blues / 20 anos

O novo Malakai Fekitoa com umas “pitadas” de Nehe Milner-Skudder, Rieko Ioane mereceu a confiança de Steve Hansen para os jogos frente aos Lions. Na sua 2ª época no Super Rugby (2016 marcou a estreia do centro/ponta, apesar de só ter realizado quatro jogos, uma vez que esteve quase sempre com a selecção de 7’s), Rieko foi sempre um dos highlights dos Blues, com duas mãos cheias de ensaios em quase mil metros conquistados com a oval na mão. Rieko tem uma capacidade de “partir” a defesa adversária tanto com um side-step maldoso ou um atropelamento carregado de classe. Figurará a ponta ou a centro nos All Blacks?

Ngani Laumape / Centro / Hurricanes / 24 anos

Fixar bem este nome: Ngani Laumape. Um estrondoso centro que desmancha com qualquer bloco defensivo que se apresente pouco expedito e disponível para placar. O centro dos Hurricanes beneficiou da ausência de Halaholo (transferiu-se para o La Rochelle em Agosto de 2016) para se afirmar no centro do terreno dos campeões do Super Rugby. Com 14 ensaios marcados, Laumape é o melhor centro do Super Rugby da actualidade, com uma capacidade explosiva de encontrar espaços no meio da defesa, de trabalhar no contacto, da percepção de jogo que apresenta e da defesa muito ardilosa que demonstra possuir. Uma dupla com SBW seria demasiado nociva para os British&Irish Lions.

Jordie Barrett / Defesa ou Centro / Hurricanes / 20 anos

Começamos com intriga: não mereceria mais Damian McKenzie ser convocado para os All Blacks? Bem, Jordie no seu ano de estreia tem estado impressionante, com alguns pormenores que agarraram rapidamente Steve Hansen e uma série de antigos All Blacks. A leitura de jogo, a capacidade de perceber as necessidades da equipa num flash de segundo, o jogo ao pé, o apoio ao portador da bola e subsequentemente a explosão que aplica ao receber a oval , fazem de Jordie um jogador de alto calibre. Não deixa de ser uma jogada de marketing algo interessante, já que se junta aos seus irmãos na mesma selecção e ao mesmo tempo… mas pensemos, alguma vez Steve Hansen iria arriscar numa jogada de marketing e não tornar mais forte a sua selecção? Não, deixemos Jordie ser Jordie e cativar e conquistar o público como o fez com os Hurricanes.

Jordie time! (Foto: Getty Images)

OS COMANDANTES

Kieran Read / Nº8 / Crusaders / 31 anos / 97 internacionalizações

Será Read o melhor nº8 de todo o sempre ou estamos condicionados pela época em que vivemos? O 3ª linha dos Crusaders tem sido sempre um jogador de um patamar diferente, onde a classe encontra-se com a fisicalidade, a técnica de passe com a “manha” de explorar a defesa e a capacidade de liderar e comunicar com a vontade de não parar de participar e atacar. Read é um jogador fenomenal por todas as valências que apresenta… se tudo correr bem somará 100 internacionalizações no jogo 3 contra os Lions. Vale a pena notarem o comportamento táctico de Read durante os jogos, dispondo-se como um pêndulo, sempre a comunicar e a trabalhar directamente quer seja com o nº9 ou 15. Um jogador influente, um capitão carismático e uma lenda viva do rugby mundial.

Dane Coles / Talonador / Hurricanes / 30 anos / 49 internacionalizações

Uma escolha nossa algo polémica, uma vez que Coles poderá mesmo falhar toda a Series devido a uma concussão que cisma em não “abandonar” o talonador dos Hurricanes. Coles tem sido nos últimos três anos uma das melhores unidades do set-piece de Steve Hansen, com um jogo de mãos (quase) ao nível de um abertura, uma capacidade para encontrar os seus colegas ao largo e um placador insano que não pára de trabalhar até garantir estabilidade defensiva para a sua equipa. Nas palavras de Hansen, Coles “poderá estar bom já amanhã… como só daqui a uns tempos… já não joga desde Março por isso teremos de ver até onde vai.”. É um líder dentro de campo, um “maestro” no 5 da frente e uma peça nuclear no jogo rápido, eficaz e eléctrico dos All Blacks.

Beauden Barrett / Abertura / Hurricanes / 26 anos / 49 internacionalizações

Sem contestação possível, é o jogador para o qual todos os seus colegas olham nos momentos de maior necessidade… Beauden Barrett é, sem contestação, o melhor médio de abertura em 2017. A forma como consegue mudar o ritmo de jogo, de meter as linhas ofensivas a “mexer”, de ele próprio “rasgar” a defesa e dilacerar um pontapé venenoso, um passe assombroso ou ir para o ensaio sem que ninguém o agarre. Para além disso, Barrett sabe defender, é um médio de abertura que gosta de “sujar as mãos” (no sentido positivo de gostar de se envolver em tarefas defensivas de forma activa), de até ir ao ruck quando é preciso e de dar outra dimensão à “grelha” defensiva dos All Blacks. Barrett até “numa cadeirinha” consegue criar situações de ensaio… já aconteceu este ano pelos Hurricanes. É uma voz de confiança e um guia da equipa.

QUEM FICOU DE FORA E PORQUÊ?

Nehe Milner-Skudder / Ponta ou defesa / Hurricanes / 26 anos / 8 internacionalizações

Para alguns uma surpresa, para a maioria aceitável a ausência de Skudder da convocatória final de Hansen. É verdade que o ponta vai integrar a equipa dos NZ Maori (como que uma equipa “B” dos All Blacks), mas fica de fora pelo tempo que esteve de fora em 2017… no entanto, tal ideia poderia ser aplicada a Kaino, Dagg, Read, Coles ou Crotty. Mas o nível de Savea, Naholo, Ioane e Jordie retiraram espaço a Skudder (para já) nos All Blacks. Vai fazer falta, especialmente pelos ensaios ou assistências que cria do nada com uma simples mas brilhante troca de pés.

Malakai Fekitoa / Centro / Highlanders / 25 anos / 23 internacionalizações

Uma das “bombas” da convocatória, Fekitoa vai falhar os All Blacks. O centro com uma capacidade quase inigualável de defender, disputar o breakdown e recuperar a bola para depois rapidamente jogar, não conta para Hansen o que poderá ter desvendado o futuro do jogador dos Highlanders. Vai integrar os Maori, é certo, mas ficará um “sabor amargo” para Fekitoa por ter falhado a convocatória dos jogos contra os Lions. Um dos jogadores mais em forma do Super Rugby, Malakai Fekitoa fará falta aos All Blacks… ou não?

Fekitoa to be missed ? (Foto: Getty Images)

Damian McKenzie / Defesa / Chiefs / 22 anos / 2 internacionalizações

Um prefeito escândalo… o jogador que mais “decide” no Super Rugby, que te mais carries (178), metros (1260), no top-5 de quebras de linha (24) e que já deu vitórias aos Chiefs, ficou de fora dos All Blacks. A troca parece evidente… McKenzie ficou no “frio” para entrar Jordie Barrett. É o “motor” da equipa de Hamilton, é um dos jogadores mais sagazes quando tem a bola nas mãos, tem uma visão de jogo estupenda para além da capacidade de fazer a oval “girar” e entrar no espaço correto para um colega seu “furar” e ir para a linha de ensaio. McKenzie tem um jogo ao pé de qualidade e é um trabalhador nato. Irá, também, jogar nos Maori All Blacks, mas a sua ausência dos Lions é questionável.

COMO VÃO JOGAR OS ALL BLACKS

Existem várias questões a pôr a Steve Hansen e aos restantes treinadores, assim como à equipa dos All Blacks. Vejamos algumas:

Kaino, Read e Coles… são soluções para o jogo 1 contra os Lions ou não?

Três dúvidas e todas elas de um peso “enorme” para o XV inicial dos All Blacks. Coles irá falhar o 1º jogo é já uma perfeita certeza, mas Kieran Read e Jerome Kaino parecem estar no caminho da recuperação total e integrarem a equipa mal saiam da cabine de lesionados. Em todo o caso, a lesão de Coles será suprimida por Nathan Harris (ou Codie Taylor), enquanto Read tem Savea na sua “sombra” e Kaino pode ser suplantado por Squire (ou Scott Barrett… o 2ª linha pode jogar na 3ª).

Que tipo de centros vai Hansen optar?

Após o jogo com os Blues, o seleccionador dos All Blacks deve estar “feliz” com as “dores de cabeça” que tem… Sonny Bill Williams está de volta ao seu melhor estilo e deverá agarrar o spot a nº12 dos neozelandeses. Crotty ainda está a contas com uma lesão (entre 2 a 4 semanas), por isso será Laumape ou, mais certamente, Anton Lienert-Brown. Laumape é uma “caixa de dinamite”, um espectacular jogador na linha de vantagem e um defesa resiliente… Porém, Lienert-Brown tem todas as qualidades que fazem qualquer kiwi olhar e sentirem uma “paixão” brutal pelo jogo. Com SBW e Brown, a equipa vai ganhar a parte física e a magia dos offloads, com a capacidade de fugir à defesa ou mudar as linhas de corrida em instantes de segundos. Mas a Nova Zelândia está pejada de qualidade nos centros e será um factor fundamental para ganhar aos Lions.

Trio de trás… quem?

Rapidamente: Julian Savea, Waisake Naholo e Ben Smith. São os três jogadores mais em forma, mais acostumados aos lugares e que mais gostam de “destruir” equipas do Hemisfério Norte. Aqui podemos especular se Israel Dagg vai ter hipótese de entrar a ponta atirando Naholo para o banco. E se isto acontecer, qual é a razão? Naholo é forte, rápido e difícil de parar… porém, tem falhas anímicas durante os jogos, não é um jogador tão competente como Savea na leitura defensiva ou na recepção ao pontapé. Por outro lado, Israel Dagg é um jogador fenomenal a atacar, de confiança a defender e que está bem dentro da moldura de jogo que Hansen gosta de seguir. Dagg pode aparecer a defesa também, colocando Ben Smith a ponta. Se tudo correr bem… no 3º jogo Rieko Ioane e Jordie Barrett deverão fazer a sua estreia seja no banco ou titular, sendo eles (com McKenzie) o futuro do trio-de-trás da Nova Zelândia.

O Tour segue-se nos próximos dias e aqui deixamos a grelha de jogos e horas! Poderão ver os jogos em directo no George Pub (centro de Lisboa) e em mais alguns espaços no resto do país. Para quem está em casa recomendamos o Batmanstream.com


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