Domínio oferece resultado histórico – o “grubber” do World Rugby Trophy 19′

Francisco IsaacJulho 10, 20197min0

Domínio oferece resultado histórico – o “grubber” do World Rugby Trophy 19′

Francisco IsaacJulho 10, 20197min0
Portugal entrou a ganhar no World Rugby Trophy 19 com uma vitória por 59-27 ante Hong Kong. A análise à exibição dos Lobos sub-20 no Fair Play

Portugal entrou a “matar” no World Rugby Trophy 19 com uma vitória por esclarecedores 59 ponto a 27 no jogo de estreia na competição frente a Hong Kong. Foi o resultado mais volumoso conquistado pelas Quinas em participações nesta competição e foi construído através de um jogo rápido, intenso e solidário, com Raffaele Storti, Jerónimo Portela, Rodrigo Marta, Pedro Lucas e José Roque a serem alguns dos destaques do encontro.

A análise à participação dos Lobos sub-20 no Mundial “B” da categoria de sub-20 neste grubber do World Rugby Trophy 2019.

TOTAL RUGBY COM GENIALIDADE PORTUGUESA À MISTURA – 8 PONTOS

Pontapé para a direita, pontapé para a esquerda, sprint para dentro, sidestep para fora… foi desta forma (dito de uma forma demasiado simples) que Portugal criou sucessivas dificuldades a Hong Kong, numa procura constante pelas roturas defensivas, quebras-de-linha ou outras formas para encontrar o caminho para o ensaio.

No meio das boas combinações e movimentações e de um rugby sempre jogado a alta velocidade, onde Pedro Lucas (finalmente viu-se a verdadeira qualidade do formação português, depois de um Europeu menos bom) Jerónimo Portela e Simão Bento foram fundamentais, foi no jogo ao pé que se construiu a vantagem para a vitória de Portugal logo na primeira-parte. Jerónimo Portela e Simão Bento foram atirando pontapés venosos para as costas da defesa da formação asiática que tanto Raffaele Storti ou Francisco Salgado foram na perseguição, conseguindo recuperá-la sempre com uma excelência total.

O jogo à mão foi pautado pela excelência de processos, destacando-se bem o par de médios e de centros, onde José Câmara foi importante no trabalho de ligação e de segurança defensiva, enquanto que Rodrigo Marta foi uma constante preocupação de Hong Kong ao ponto que os asiáticos ofereceram demasiado espaço à ponta, em particular à zona de incidência do MVP da noite, Raffaele Storti.

A aceleração do ponta e o poder de manobra que apresentou no jogo, foram essenciais para que conseguisse ganhar a frente aos seus placadores abrindo constantes brechas na defesa adversária, sem que nada nem ninguém o conseguisse bloquear na primeira cortina defensiva.

Em suma, assertividade na transmissão e captação da bola, boas entradas no contacto que forçaram um maior envolvimento do adversário, aberturas rápidas e exploração dos espaços quer à mão ou ao pé, foram os elementos definidores de uma exibição de qualidade de Portugal no ataque.

FISICALIDADE, INTELIGÊNCIA E PODER DE ACTUAR… COMO SE GANHOU O BREAKDOWN – 6 PONTOS

Começamos logo com um exemplo do que foi Portugal na luta no contacto, não só na placagem mas no ir “roubar” a oval… minuto 41, Hong Kong muito próximo da área de ensaio e de repente surge Manuel Pinto a retirar a bola das mãos do adversário e a pôr fim a uma jogada minimamente perigosa para o lado luso.

O rigor e a capacidade de actuar neste aspecto fundamental do jogo foi uma das chaves para o sucesso dos comandados de Luís Pissarra no final dos 80 minutos, destacando não só o papel de Manuel Pinto, mas também o de Frederico Simões, Martim Belo, Helano Alberto, José Câmara (na 2ª parte tem uma acção que quase deu turnover, ficando por milímetros um saque perfeito depois de uma excelente placagem) ou Rodrigo Marta na disputa pelo breakdown.

Já no Europeu de Abril passado foi decisiva a forma como os jovens portugueses se ofereceram ao sacrifício de batalhar no contacto, aparecendo bem na primeira cortina defensiva, para depois surgir logo no imediato uma unidade de “assalto” no ruck, criando diversos problemas ao adversário, que no caso de Hong Kong foi forçado a comprometer um extra de jogadores que preferiam estar fora do ruck à espera de uma oportunidade para atacar.

Podendo não parecer tão pesados ou fisicamente desenvolvidos como os adversários contrários, a verdade é que Portugal foi sempre melhor na placagem, na recuperação defensiva, no redisponibilizar para nova defesa e na disputa no ruck, superando o adversário em alguns momentos críticos no encontro que acabaram por dar uma dose de confiança, ajudando os atletas a caminhar no sentido certo da vitória.

Na 2ª parte houve menos eficiência no trabalho no chão, cometendo algumas penalidades que Hong Kong aproveitou para chegar aos postes, para além de que o contra-ruck foi algo inexistente quando se pedia uma tentativa de incómodo pelo eixo-defensivo, já que o adversário a certo momento deixou-o de defender com tanto “peso”.

PRESSÃO DEFENSIVA E O CUIDADO A TER QUANDO SE HESITA – 3 PONTOS

Se na primeira-parte Portugal saiu para o intervalo como uma larga vantagem sem qualquer ensaio consentido, na segunda metade do encontro acabou por oferecer três ensaios a Hong Kong, todos nascidos dos mesmos erros: hesitação defensiva, mau apoio e alguma displicência.

Hong Kong tentou basear o seu jogo no contacto em pura “agressividade”, procurando impor um certo medo a Portugal que nunca foi encontrado… todavia, a equipa das Quinas subiu em falso em alguns momentos e permitiu que o nº10/15 adversário conseguissem bater o pé e entrar pelo meio da defesa, surgindo Simão Bento em alta velocidade a estancar esses golpes (exibição de excelência do defesa nesse sentido).

O 1º ensaio de Hong Kong foi o exemplo máximo de aproveitamento do adversário em relação à hesitação e comunicação deficitária na linha defensiva portuguesa… ruck formado e controlado, José Câmara, nº12 de Portugal, acaba por cair em falso ao pensar que o adversário ia atacar pelo lado oposto e dá dois passos atrás, abrindo uma brecha na defesa que vai ser aproveitada para chegar ao ensaio, sem que houvesse “socorro” possível.

O centro que até rubricou uma exibição completa no que toca à placagem, ao ir no apoio do placador, para além de ter oferecido uma linha de condução de bola no ataque de qualidade, foi um dos alguns jogadores a caírem neste tipo de erro que Hong Kong só conseguiu aproveitar em duas ocasiões.

Não há dúvida que os sub-20 possuem uma capacidade placagem de excelência e uma “agressividade” de topo quando é necessário bloquear o maior poder físico do adversário, mas as hesitações defensivas são pormenores problemáticos nos jogos que se seguem.

PONTUAÇÃO FINAL: 17 PONTOS

Pontos Positivos: jogo ao pé foi de alta qualidade a partir dos 8 minutos de jogo, com Jerónimo Portela e Simão Bento a nortearem bem a equipa nesse sentido; formações-ordenadas deram outro nível e forma ao domínio português, em especial nos segundos 40 minutos; fisicalidade na placagem foi de qualidade, bloqueando por completo a estratégia de jogo de Hong Kong; excelente abordagem ao breakdown, onde foram recuperadas pelo menos 6 bolas durante todo o jogo; capacidade para encontrar os espaços e aproveitá-los em alta velocidade; jogo à mão foi impressionante, registando-se poucos erros na transmissão e captação da bola; intensidade e capacidade física de aguentar 68 minutos sempre em grande ritmo;

Pontos Negativos: hesitações na linha-defensiva abriu espaço para Hong Kong conseguir ter oportunidades ofensivas; alinhamentos não entraram, perdendo 7 bolas durante todo o encontro para o adversário; maul dinâmico foi bem defendido por Hong Kong, mas sentiu-se que Portugal podia ter sido mais lesto para garantir uma primeira vantagem; as primeiras mexidas não correram como pretendido;

XV TITULAR COM SUPLENTES (1 A 15 COM MARCADORES)

David Costa, Frederico Simões, António Cunha, Sebastião Silva, Martim Belo, Manuel Pinto, Helano Alberto, José Roque(C), Pedro Lucas (5), Jerónimo Portela (3+2+2+2+2+2+2+2) Francisco Salgado (5+5), José Câmara, Rodrigo Marta (5), Raffaele Storti (5+5+5), Simão Bento,

Suplentes: Márcio Pinheiro, Rodrigo Bento, Duarte Conde, José Madeira, André Gouveia, Manuel Maia, Joaquim Félix, Tomás Lamboglia (5+2+2), João Vieira,  José dos Santos e Francisco Rosa


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