21 Ago, 2017

Goodbye McKenzie? – 5 pontos da 17ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacJulho 17, 20179min0

Goodbye McKenzie? – 5 pontos da 17ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacJulho 17, 20179min0

Crusaders caem no Westpac ante os campeões em título, Hurricanes, enquanto que Lions confirmam o seu 1º lugar na fase regular com uma vitória clara. Matt Hodgson disse adeus da melhor forma à Force e há surpresa nos Chiefs. A 17ª ronda do Super Rugby

A SURPRESA: DAMIAN “DIAMOND” MCKENZIE IS OUT!

Um dos jogadores mais decisivos no Mundo do Rugby, Damian Mckenzie, voltou a produzir mais uma exibição de altíssimo nível ante os Brumbies.

Um ensaio, duas assistência, 120 metros conquistados, etc… o usual de Mckenzie, o rei dos stats do Super Rugby. Os Brumbies sentiram enormes dificuldades para conseguir bloquear os Chiefs na primeira placagem (mínimo de dois placadores em várias situações de defesa), o que permitia à equipa da casa passar a linha de vantagem e sair a jogar rápido.

McKenzie só teve de esperar para desferir os “golpes”, sempre a surgir ao largo, com uma pastilha nas pernas que punha a defesa dos australianos sem elasticidade suficiente para apanhá-lo. O passe delicioso para Michael Leitch, a forma como consegue surgir em apoio num instante de um segundo e a qualidade do jogo ao pé são três “ferramentas” necessárias para os Chiefs conquistarem pontos.

Porém, a bomba não chegou no fim-de-semana mas caiu nesta segunda-feira: Damian McKenzie está de saída para os Leicester Tigers. O defesa neozelandês terá percebido que o seu tempo nos All Blacks terminou, com o favoritismo dado a Jordie Barrett para suceder a Dagg ou Ben Smith. Sendo assim e com as saídas de Kerr-Barlow, Leitch, Cruden e mais uns quantos dos Chiefs, McKenzie estará a pensar no seu futuro a nível económico e conseguir mudar o seu “show” para o Hemisfério Norte.

É uma infelicidade enorme para o Super Rugby que vive, em grande parte, dos “espectáculos” que alguns jogadores reproduzem. Perder diamantes como McKenzie é um flagelo enorme para quem gosta e vive o Super Rugby.

Conseguirá levar os seus Chiefs ao título? Faltam três jogos para tal, adivinhando-se uma missão difícil mas não impossível… começa já em Cape Town frente aos Stormers.

O DESASTRE: UMAGA…EM QUE É QUE FICAMOS?

Segunda parte temível dos Blues que permitiram aos Sunwolves passar de um 05-21 para um 48-21 em menos de 42 minutos. Desastre portanto!

A franquia dos Blues tem tido dificuldades para regressar a um esplendor que lhes foge desde os primeiros anos deste século, apesar da enorme qualidade da formação de Auckland. Em 2017 muitos pensaram ser possível retornar a esses tempos idos, com os irmãos Ioane, Pulu, Nanai, Sonny Bill Williams, Kaino, Faumuina, entre outros. Todavia, e no final das contas os Blues voltaram a terminar em último na conferência neozelandesa e em 9º na geral.

No jogo de “adeus” 2017, os Blues viajaram até Tóquio onde foram pulverizados pelos nipónicos do Sunwolves em menos de 45 minutos… foi um cataclismo de altas proporções que “danificou” a máquina dos Blues e colocou uma pressão extra em Tana Umaga.

Onde esteve a principal diferença? Os Sunwolves tiveram vontade de jogar e ganhar, enquanto que os Blues apresentaram uma postura na defesa pouco séria e concentrada. Timothy Lafaele, por três ocasiões, chegou à área de validação e realizou mais uma exibição de classe (um reforço a ver para os Chiefs?) ao serviço dos nipónicos.

Os Blues efectuaram 25 (!) erros de controlo de bola, com vários avants, passes para fora ou simplesmente deixarem a oval cair… mal isto acontecia, os japoneses impunham uma bela pressão, recuperavam a bola e seguiam para um contra-ataque mortífero.

A disponibilidade física da equipa de Auckland foi fraca, muito abaixo do que se pede no Super Rugby… os Sunwolves aproveitaram bem esse factor e os oito ensaios em 600 metros devem servir de prova para a qualidade dos japoneses, assim como de alerta para Umaga que agora está sob pressão… a vitória ante os British and Irish Lions não pode servir como único factor para a sua manutenção… que futuro para os Blues, este será o principal critério para uma discussão da permanência ou não, de um dos maiores All Blacks dos últimos trinta anos.

O AGRADECIMENTO: MATT HODGSON… OBRIGADO PELA PAIXÃO

Sabem qual é a melhor forma de dizer “adeus” no desporto? Com uma brutal exibição no último jogo, ao serviço da equipa que “mora” no coração. Matt Hodgson, ao fim de 140 jogos pela Western Force, pôs termo a uma carreira que dura desde os seus 21 anos (iniciou a carreira de senior pela equipa de 7’s da Austrália) com uma exibição tremenda coroada com um ensaio, 15 placagens e uma conversão de penalidade aos 80′ para fechar em “grande”.

Um jogador soberbo, que fez parte dos Wallabies por 11 ocasiões, Hodgson marcou o Hemisfério Sul pela imensa paixão que sentia pelos Force e pelo rugby. Não sendo um “estratega” fenomenal dentro de campo, Hodgson compensava pelo factor liderança, “paixão” e a agressividade que pedia aos seus colegas para imporem na defesa e placagem.

Naquele que foi o seu último jogo, Hodgson aguentou os 80 minutos (36 anos atenção), foi o maior placador em campo, susteve os Force em dois momentos de enorme intensidade (naquele que foi o melhor período de uns “fracos” Waratahs) e terminou o jogo a chutar aos postes para converter aquele que foi o seu único pontapé no Super Rugby.

O rugby vive de lendas e símbolos, seja Jonah Lomu, Sean Fitzpatrick, Brian O’Driscoll, Johny Wilkinson, Richie McCaw, Gareth Edwards, Ollie Campbell, George Gregan, John Smith, entre outros tantos… Hodgson merece, igualmente, fazer parte destas lendas por toda a visibilidade que trouxe para o rugby em Perth, pelo imenso símbolo de espírito de sacrifico, amor pela oval e raça demonstrada.

O CAMPEÃOR: HURRICANES PÕE FIM À INVENCIBILIDADE… E AO SONHO?

Os Crusaders não conseguiram o “sonho” de chegar aos playoff sem qualquer derrota… culpa dos Hurricanes que voltaram a fazer uma daquelas exibições de “encher o olho”.

Mesmo sem Beauden Barrett (por motivos de saúde não participou no encontro), a equipa de Chris Boyd entrou em campo a todo o vapor e criou enormes dificuldades aos Crusaders que tiveram problemas em montar o seu jogo mais “pesado”, físico e de domínio territorial.

Ngani Laumape esteve irrepreensível no seu papel de primeiro “perfurador” com dez conquistas da linha de vantagem (é bem curioso como o centro consegue entrar na linha e garantir metros nas suas oportunidades para “brilhar”), para depois “soltar” na fase seguinte uma saída de bola com Ardie Savea ou Jordie Barrett, sempre bem apoiado quer por Savea, Skudder ou Goosen.

Os Crusaders defenderam bem, mas a intensidade de jogo nunca foi a necessária para nivelar o encontro, que entrou num desequilíbrio total a partir dos 65′, quando os Hurricanes passaram para a frente do resultado.

O ensaio de Fifita, criado por um belo trabalho de equipa dos Hurricanes com um alinhamento bem ganho, para uma entrada em rompante dos irmãos Savea (Julian esteve no seu melhor nível, com um ensaio, quatro quebras de linha e 50 metros conquistados) para depois, na 3ª fase, surgir Black a assistir Laumape e este a aguentar duas placagens antes de desferir o passe para Fifita mergulhar para a área de ensaio.

A partir daqui os Crusaders tiveram dificuldades em cruzar os últimos 10 metros de terreno, com vários erros na condução de bola, na comunicação entre jogadores e até no domínio dos rucks. Os Hurricanes deram a estocada final com uma penalidade de Jordie Barrett que retirou o ponto de bónus defensivos à formação de Chirstchurch perdendo desta forma o 1º lugar na fase regular.

E agora pergunta para “queijinho”: dará isto um boost de confiança aos campeões em título? A derrota afectará o moral dos Crusasders? E os Lions sentem que há possibilidade de explorar estas duas formações neozelandessas? Nas meias-finais logo saberemos.

O CANDIDATO: LIONS… O VERDADEIRO TESTE COMEÇA AGORA

Brilhante temporada (mais uma) dos Emirate Lions, tendo conquistado, pelo 2º ano consecutivo, o 1º lugar na fase regular. A equipa de Ackermann (de saída para o Gloucester) dominou por completo a África do Sul, “limpou” as formações australianas (duas das vitórias foram por uma margem muito curta, mas são vitórias) e só perderam frente aos Jaguares em Buenos Aires.

Por isso, 15 jogos, 14 vitórias e uma derrota, 2º melhor ataque (atrás dos Hurricanes) e melhor defesa (à frente dos Hurricanes e Crusaders) demonstra a imensa qualidade que existe na formação de Joanesburgo.

Os “segredos” passam por ter uma avançada incrivelmente móvel, com Malcolm Marx, Warren Whitley, Jaco Kriel, Kawgga Smith a mexerem bem nas fases curtos, aparecendo ao largo bem mais do que o normal… muito similar à tipologia de jogo e estratégia das formações da Nova Zelândia.

Depois as linhas atrasadas trazem poder de choque, “magia” (Jantjies esteve menos fantástico que o ano passado, mas não deixa de ser formidável o que o abertura cria com a oval em seu poder) e um acerto impressionante quando têm a bolas nas mãos.

Andries Coetzee, o defesa, foi um dos novos “segredos” de 2017, provando-se um portentoso atleta que mete as defesas adversárias em “pânico” quando explora a linha de vantagem… basta existir um desequilíbrio na montagem e subida de linha, que Coetzee vai explodir nela e passar, sem que ninguém o agarre.

Os Lions são o novo “suor e alma” da África do Sul, com um rugby imerso no espectáculo, domínio e necessidade de “assustar” o adversário… quando desejam defender é difícil passar pela linha. Há toda uma harmonia e um belo plano de defesa, onde Kriel e Smith são fundamentais pelo trabalho que efectuam no breakdown. Isto é extensível a toda a equipa, já que é notório a capacidade de irem logo à oval mal o adversário cai no chão.

Mas o verdadeiro teste começa agora… Sharks no playoff será “fácil”, mas depois serão, com toda a certeza, os Hurricanes. Lions versus Hurricanes é uma reedição da final da temporada passada, desta vez no terreno dos sul-africanos.


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