24 Ago, 2017

A jornada dos “3ªs linhas”: 5 pontos sobre a 2ª Jornada das Seis Nações

Francisco IsaacFevereiro 15, 201710min0

A jornada dos “3ªs linhas”: 5 pontos sobre a 2ª Jornada das Seis Nações

Francisco IsaacFevereiro 15, 201710min0

Outra semana com três jogos de alto nível, com um Inglaterra-Gales de cortar à respiração, um França-Escócia a “doer” e uma Irlanda de grande classe. Esta foi a 2ª jornada das Seis Nações aos “olhos” do Fair Play

Os pontos bónus desta semana vão fazer a diferença na tabela final de contas… se a Inglaterra não consentir espaço a derrotas. Eddie Jones saiu do “principado” (palavras do próprio) com uma vitória nos minutos finais, a França esteve espectacular nas fases estáticas e a CJ Stander guiou o “tanque” irlandês em Roma. Mas o que é que há para destacar desta semana de jogos? Bem acompanhem este resumo de jornada para ficarem a conhecer os nossos 5 pontos.

O SET PIECE: ALLEZ LA MELEZ BLEUS!

Excepcional, é esta a palavra que temos para a formação ordenada francesa que deu um show no Stade de France. Em sete situações, a França garantiu não só as mesmas sete, assim como conquistou 4 penalidades que permitiram Camille Lopez acrescentar 12 pontos à sua conta pessoal (os outros três provieram de uma falta provocada pela “cabeça quente” de Ali Price), o que no final ajudou a confirmar a vitória dos franceses.

Isto tudo começa numa primeira-linha de excessiva qualidade, onde o capitão Guilhem Guirado comanda com uma fenomenal dedicação os seus 7 colegas. Depois, Uini Atonio tem sido uma “pedra basilar” em que a forma como ataca o pilar e talonador adversário põe a sua FO em vantagem. Do outro lado, Cyril Baille aguenta a “pressão” e devolve após a bola entrar na FO, para depois receber um extraordinário apoio de Vahaamahina e Maestri que começam a “varrer” e a “comer” terra para dar uma capacidade de ataque fenomenal.

Finalmente, entra a terceira-linha com o powerhouse Louis Picamoles a aplicar toda a sua técnica, onde a combinação com os asas (a efectuarem um bom trabalho de equilíbrio e força) formula toda uma “limpeza” em termos de conquista na FO oponente.

A Escócia pode lamentar-se da ausência de WP Nel e Alasdair Dickinson verdade, mas os Les Bleus já alertavam neste sentido… de serem dominantes na formação ordenada. Hoje o foram, com uma excelente prestação (apenas uma falta defensiva) num perímetro de jogo que é fundamental garantir para chegar, com maior tranquilidade, à vitória.

O ERRO: UM PONTAPÉ PARA A DERROTA…

País de Gales quase que quebrava com a invencibilidade da Inglaterra… não fosse por um erro, no mínimo, escusado na ponta final do encontro em Cardiff. A recepção aos actuais e ainda campeões das Seis Nações foi feita perante um intenso Millenium Stadium, que estava com uma sede inegável de pôr fim ao streak da Rosa.

Todo o esforço de 74 minutos foi “atirado” para o “lixo” quando Jonathan Davies, após uma bola recuperada pela sua avançada, recebe um pontapé dentro da área de ensaio… pressionado pelo ataque/defesa inglesa, atira um pontapé para o meio do campo onde (entre os 40 e 50) estava à espera George Ford.

Após dois passes, um dos quais de elegante classe por parte de Farrell, permitiu ao eléctrico Elliot Daly (falámos dele na semana passada, com um dos destaques desta Inglaterra) passar Cuthbert e chegar à área de validação.

O País de Gales que tinha feito até a esse momento um jogo de grande brilhantismo, quebrou perante uma pressão incessante da Inglaterra que nunca desistiu de lutar pela vitória. Para além do mais, nunca perderam a “cabeça”, a calma e a tranquilidade, mantiveram os altos índices de intensidade e conseguiram a vitória.

Os Dragões fizeram uma exibição pujante, pulsada de compromisso e que parecia conseguir “quebrar” qualquer adversário. Mas um pontapé mal calculado, uma execução de más decisões e uma falta de “paciência” pôs fim ao objectivos dos galeses. Um pontapé para fora poderia ter contado uma história diferente, mas é o “conto” que nos fica da Batalha do Millenium 2017.

O JOGADOR: GRAZIE PER EL GIOCO CJ STANDER

CJ Stander está, provavelmente, a ser o melhor jogador da Irlanda na abertura destas Seis Nações. Frente à Itália foi responsável por três ensaios, uma assistência, 11 placagens (o melhor placador junto a Scannell e Heaslip), 2 turnovers o que se traduzem por números de alto impacto.

Stander tem sido uma das “rochas” da Selecção do Trevo, formando com Sean O’Brien e Jamie Heaslip um eixo fenomenal na 3ª linha. Stander é um hard hitter, não tem receio de ir ao contacto, de enfrentar as placagens e ganhar bons metros. Um dos ensaios deste fim-de-semana foi assim mesmo: recebeu a oval e entrou no contacto… com oito metros entre si e a linha de ensaio, Stander cavalgou no meio dos legionários italianos, com ajuda de Toner e O’Brien, crivando o seu 2º ensaio no jogo.

Sempre com uma intensidade monstruosa, Stander até ajudou a corrigir a forma de defender o maul dinâmico italiano (que conquistou o seu único ensaio através de um ensaio de penalidade após um derrube propositado do mesmo), o que prova a sua inteligência e incrível leitura a “frio” no jogo.

E que dizer daquela assistência ao pontapé para o ensaio de Gilroy? Sim, tem uma dose de sorte, com um ressalto final que permite ao nº23 captar a bola antes de qualquer italiano, mas o incrível é ver Stander a “roubar” a bola no contacto, sair a jogar e aplicar um pontapé para um dos corredores… ao bom jeito dos melhores chutadores do rugby mundial.

Stander é, sem dúvida alguma, uma das forças desta Irlanda… conseguirá ele ser melhor jogador das Seis Nações 2017?

O REGRESSO: THE HASK ATTACK IS BACK!

Sim, é verdade que este foi o 2º jogo de James Haskell na competição mas foi em Gales que o Hask voltou a surgir em grande. Começou no banco de suplentes (relembramos que Haskell esteve 7 meses afastado por lesão) e quando foi chamado para entrar a Inglaterra estava atrás do marcador com 16-11 para a equipa da casa.

O asa entrou com aquela “dose” de excitamento, dinamismo e “irritação” que o definem, assumindo uma postura fulcral na gestão de bola, entrada no contacto, limpeza de ruck e pressão defensiva. Veja-se naqueles minutos finais, as duas placagens de altíssimo nível de Haskell a parar intenções de ensaio de Scott Williams ou Faletau, o que marca a capacidade de sacrifício do asa inglês.

Mais, notem que antes do ensaio inglês, Haskell limpa o ruck por duas vezes, uma delas já estava Faletau prestes a “sacar” a oval. Mas lá veio o Hask Attack com uma limpeza de ruck perfeita que garantiu uma bola “saudável” para a Inglaterra.

É nestes apontamentos que se vê a grandiosidade de uma equipa, com uma profundidade clara de opções no banco que podem (e devem) fazer a diferença no momento em que metem os “pés” no terreno de jogo. Conseguirá Haskell voltar ocupar o lugar de nº7 titular da Rosa?

Foto: The Guardian

O EIXO: TIPURIC, WARBURTON AND MORIARTY – THE DRAGON KEEPERS

Muitas vezes os jogos definem-se por detalhes, alguns que acabam por passar despercebidos aos “olhos” de quem está a assistir um jogo tão ritmado e “louco” como foi o Inglaterra-País de Gales. Mas, é impossível que não tenham notado na exibição masterclass de Ross Moriarty, Sam Warburton e Justin Tipuric.

Os homens da terceira-linha do País de Gales estiveram impressionantes no seu trabalho seja no chão (limpezas de ruck e gestão do mesmo), no contacto (Moriarty conseguiu pôr os seus adversários a andarem para trás), na placagem (Moriarty e Tipuric fizeram a vida “negra” a Nathan Hughes) e apoio de bola.

Enquanto Moriarty esteve em camp, a 3ª linha e o par de centros da Inglaterra mal conseguiram encontrar espaços para saírem em contra-ataque, com destaque para a forma como Hughes foi parado por diversas vezes (uma boa % do jogo inglês passa pelas mãos dos nº’s 8, seja com Vunipola ou Hughes) ou pela falta de “bola” que Owen Farrell teve durante o jogo.

Mal Moriarty saiu para entrar Faletau (não está tão em forma como esteve na temporada passada), a defesa galesa deixou de conseguir responder da mesma forma, permitindo mais espaço nas alas que Ben Te’o e Jack Nowell aproveitaram.

O País de Gales acabou por sucumbir perante a pressão inglesa, engolidos por uma vontade “assustadora” que acabou por lhes tirar a vitória e uma possibilidade de ascenderem ao 1º lugar da competição sem derrotas… ficou para a Inglaterra esses louros.

Moriarty, Tipuric e Warburton completaram juntos 44 placagens, 3 turnovers, 30 carries, 80 metros e mais uma série de números… encheram o “campo”, ocuparam bem as suas posições, fizeram a vida “negra” aos ingleses e mereciam mais do que tiveram.

REVISÕES DO FAIRPLAY PARA A 3ª JORNADA

A Inglaterra vai receber uma Itália “ferida” e que não terá argumentos para contrariar a força do “exército” de Sua Majestade. Irlanda precisa de nova vitória para conseguir ainda “sonhar” com o título, mas a França está com uma avançada de primor. A Escócia recebe um País de Gales que vivem entre “dois Mundos”… qual é que vai aparecer em Murrayfield?

Inglaterra tem vantagem total… joga em casa, está motivada pelas duas boas vitórias nas primeiras duas jornadas, a equipa tem capacidade de choque e é um jogo para “ir ao ensaio”. A Itália não terá argumentos e o objectivo é sair de Twickhenham sem um resultado “volumoso”. Vitória da Inglaterra por 24 pontos.

MVP do Jogo: Jack Nowell / Owen Farrell (Inglaterra)

Uma derrota termina com quaisquer esperanças de ainda conseguirem chegar ao título. A Escócia poderá ter de receber o País de Gales sem Greig Laidlaw, capitão e chutador de serviço, o que deverá ser uma preocupação e problema. Porém, a velocidade de jogo escocesa poderá “quebrar” um País de  Gales que tem tremido em certos momentos do jogo. Vitória da Escócia por 3 pontos.

MVP do Jogo: Alex Dunbar (Escócia) / Liam Williams (Gales)

Um clash entre irlandeses e franceses nunca é “amigável”, até porque os últimos 4 jogos para as Seis Nações entre ambas foi sempre uma autêntica “guerra” de pontos, especialmente na formação ordenada. Será, nesse ponto, a “ponte” que uma destas equipas conseguirá ou não atravessar para chegar à vitória. Vitória irlandesa por 5 pontos.

MVP do Jogo: Sean O’Brien (Irlanda) / Gäel Fickou (França)


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