22 Mai, 2018

O(s) Jogo(s) do Ano no Fair Play – All Blacks vs British and Irish Lions

Francisco IsaacJulho 12, 201723min0

O(s) Jogo(s) do Ano no Fair Play – All Blacks vs British and Irish Lions

Francisco IsaacJulho 12, 201723min0

Acabou… os British and Irish Lions garantem o troféu das Series a meias com a Nova Zelândia, com um 15-15 no jogo final. O Fair Play revisita alguns momentos, discussões, ideias, jogadas, jogadores e decisões técnicas

Empate… foi desta forma que terminou o tour mais esperado dos últimos vinte anos. Um 15-15 entre All Blacks e Lions pôs termo a umas incríveis Series onde tivemos de tudo: discussões entre técnicos, casos de “televisão”, ensaios de antologia, jogadores que se superaram, pormenores deliciosos, detalhes técnicos de sonho, ídolos in the making, etc.

O Fair Play recorda toda as Series com uma série de pontos que nos cativaram e provocaram êxtase ou apreensão.

Oh Capitan my Capitan!

Os capitães são, sem dúvida alguma, um eixo fulcral para qualquer equipa. Sem uma liderança forte, consistente, inteligente e astuta, uma equipa acaba por sofrer um decline mais cedo ou mais tarde.

Nas Series entre Lions e All Blacks, os capitães dominaram a “cena”, especialmente no último jogo em que Kieran Read e Sam Warburton continuaram a pavimentar o seu caminho para o Pedestal das Lendas.

A luta dos capitães (Foto: Telegraph)

Em todos os jogos dos Lions tivemos o prazer de vê-los capitaneados por vários capitães: Peter O’Mahony, Rory Best, Sam Warburton ou Alun Wyn Jones (coincidência que a Inglaterra não teve o “prazer” de fazer parte do círculo dos capitães e nem se pode falar da Escócia).

O que saltou mais à vista foi Warburton, um imenso atleta que facilmente ganharia o cognome de “O Sacrificado” pelo espectacular trabalho que produz pela equipa, com um coração inigualável e uma alma anormalmente “gigante”. A produção de Warburton nos dois últimos jogos prova o porquê de Warren Gatland o ter escolhido para capitão, sendo um dos chatos que amarrou Ngani Laumape em alguns momentos do 3º jogo.

20 placagens em três jogos (sendo que no 1º entrou do banco de suplentes), zero penalidades, uma voz de chefia intensa e um carisma contagiante, Warburton é dos asas que melhor ocupa o seu espaço no terreno de jogo, fechando bem o canal entre o 9 e o 10 (após a formação ordenada), que melhor se coloca após o alinhamento ou que tem um trabalho irrepreensível no breakdown da sua equipa.

Do outro lado do campo estava Kieran Read… o nº8, capitão dos All Blacks, é como fosse a transfiguração de um sonho de verão: comunicação perfeita, placador nato, líder intenso e apaixonante e um enforcer do melhor que há (sem violência).

Read atingiu as 100 internacionalizações ao fim dos três jogos, um número “redondo” e especial ainda por mais quando se é capitão dos campeões do Mundo. Read teve um 1º e 3º jogo quase “brilhante”, com uma dinâmica muito alta, onde a sua presença na formação ordenada foi essencial para o outcome final.

Para além disso, Read é um jogador que está sempre predisposto a aparecer numa 3ª ou 4ª fase para garantir território ou surgir junto do nº12, a fim de receber a oval e partir a linha.

No final a grande questão: qual dos dois para o XV das Series como capitão? A nossa opinião cai, ligeiramente, para o capitão dos All Blacks, pois foi uma chama imensa para a equipa durante os três jogos. Todavia, e é importante frisar isto, quando Warburton recuperou o lugar a titular, os Lions nunca mais perderam. Ambos são faces da mesma moeda.. e que moeda!

 Quando Rookie significa “Boss”

Os vários rookies das Series ganharam um destaque enorme na nossa crítica. Quem escolhemos? Maro Itoje, Tadhg Furlong, Elliot Daly, Ngani Laumape e Rieko Ioane.

De todos, Itoje e Furlong merecem o trono de rookies do tour pelo papel que tiveram nos Lions. Itoje é, como já tantas vezes o dissemos, um autêntico “monstro” de Rugby… um génio no breakdown (7 turnovers), um intenso lutador no ar (dois alinhamentos “roubados”), um supra placador (27 placagens com apenas três falhadas) e uma unidade incrivelmente móvel.

Maro Itoje respira rugby, cria jogo, resolve problemas (também os arranja com algumas penalidades) e impõe um respeito “duro” perante os seus adversários. Não é fácil ter que lutar contra Broadie Retallick ou Samuel Whitelock, mas Itoje fê-lo e fê-lo com elegância.

Por outro lado, Tadhg Furlong teve uma batalha incrível contra Joe Moody, sustendo bem a pressão do pilar dos All Blacks (apesar das seis formações ordenadas perdidas/consentidas) e apresentando um rugby muito característico. Em alta forma, o pilar do Leinster foi sempre um “rochedo” difícil de abater ou de mover.

Elliot Daly e Rieko Ioane, pontas dos Lions e All Blacks respectivamente, estiveram brilhantes em alguns momentos das Series. Daly ocupou sempre bem a sua posição de 11, com uma série de fugas bem trabalhadas à ponta (duas delas resultaram em ensaios para a sua equipa), onde a forma como trabalha o defesa adversário ganha uma especial atenção da nossa parte. Daly foi porventura das melhores surpresas da equipa de Gatland, assumindo um lugar preponderante na estratégia dos britânicos.

Já Rieko teve o prazer de meter “na gaveta” dois ensaios frente aos Lions no jogo 1: o 1º um finisher (ou seja, quando só tem mesmo de pousar a oval no chão) e o 2º após uma grande conquista de bola (erro de Liam Williams) e fuga de 40 metros pelo flanco esquerdo.

Ioane tem tudo para ser uma das futuras grandes peças da Nova Zelândia, apresentando qualidades a la Savea (forte fisicamente, consegue “empurrar” o seu adversário com uma boa força de impulsão) e SBW time (um defesa sólido, com uma boa dose de raça, para além de munido de um offload de alto calibre), algo que Steve Hansen aprecia.

Por fim, Ngani Laumape, o novo poço de energia dos All Blacks, fez o seu début contra os Lions no 2º jogo. O centro dos Hurricanes (no qual já leva 14 ensaios no Super Rugby 2017) é apelidado de mini-beast graças ao poder de choque que apresenta, para além da explosão que impõe na hora do contacto.

Não foi fácil para os Lions pararem-no em certos momentos, Laumape é como um panzer com nitro, que facilmente consegue tirar o primeiro placador da sua frente e invadir o território adversário com eficácia. Precisa de entrar em harmonia nos All Blacks, a fim de evitar alguns erros próprios (somou três avants cruciais no 3º jogo) e assim garantir um lugar que está entregue a Sonny Bill Williams… para já.

MVP’s… take your pick!

Escolher sempre um melhor jogador das Series é complicado. Tende terminar em discussão e num debate acesso, pelas mais variadas razões e motivos. Para o Fair Play cinco jogadores apresentaram-se como os MVP’s das Series: Beauden Barrett, Owen Farrell, Sean O’Brien, Jonathan Davies e Samuel Whitelock.

O mais polémico será, talvez, Beauden Barrett pois o médio-de-abertura dos Hurricanes e All Blacks concluiu as Series com uma média de 75% em frente aos postes. No 1º jogo conclui com 100% (três penalidades e três conversões), o 2º com 75% (sete penalidades convertidas em dez) e o 3º, e último, só 50% (quatro pontapés, concluindo uma conversão e uma penalidade, falhando até uma bastante simples logo no início do encontro).

Porém, vamos mais além dos pontapés (podemos discutir se foram ou não decisivos para as Series, uma vez que viver nos cenários dos “se’s” é um princípio errado para o desporto).

O médio de abertura foi um autêntico quebra-cabeças, tendo semeado “destruição” na defesa dos Lions sempre que a oportunidade se apresentou. Querem exemplos? Terceiro jogo: pontapé que resulta no ensaio de Laumape (o crossk-kick foi parar às mãos do seu irmão Jordie com uma classe primorosa) ou como abriu a defesa com um belo passe para a entrada em grande do mesmo jogador.

Há muito mais, seja no 1º (a forma como agarra a bola do chão, tirando logo um adversário do caminho), 2º (bola recuperada quase nos seus 22, um hand-off que tira Farrell da disputa e um sprint bem trabalhado) ou 3º (os exemplos já apresentados).

Beauden Barrett é, neste momento, o melhor médio-abertura do Mundo e um estupendo jogador com a oval nas mãos… sem ela, também o é, como prova a placagem que fez a Anthony Watson no 2º jogo, parando-o e quase recuperando o controlo da oval. Se não conseguem ultrapassar o facto que falhou 5 pontapés (nem Daniel Carter foi sempre perfeito), então revejam os jogos e apercebam-se que 136 metros conquistados, 10 defesas batidos e 6 quebras-linha, “rasgaram” com os Lions em vários momentos… foi o All Black com melhor stats a atacar e um dos que melhor defendeu.

Owen Farrell continua na senda de Johny Wilkinson… jogadores algo diferentes (como Barrett e Carter), Farrell é um kick-master tendo contribuído com 31 pontos ao pontapé, “fechando” as Series com os All Blacks com uns impressionantes 85% de eficácia (se somarmos o jogo dos Crusaders baixaria para 80%) ao pontapé.

Farrell não teve a mesma oportunidade que Barrett para brilhar com a oval nas mãos, não deixando de ser um dos ball carriers de melhor qualidade nos Lions. Prova disso passa pelo facto de só ter feito dois erros com a oval nas mãos em doze oportunidades.

Foi um dos jogadores mais “marcados” por Jerome Kaino e Kieran Read, que tentaram a todo o custo fechá-lo, impedindo-o de abrir espaços na muralha defensiva. Para além disso, Farrell defende… defende e defende! Relembra Wilko (alcunha atribuída à lenda, Johny Wilkinson) também devido a isso… foram 25 placagens (e mais 6 falhadas) em três jogos, na posição de 10/12, apresentando-se como um jogador altamente versátil, com um carisma inspirador e um decisor fundamental para os Lions.

Em suma, um placador nato, um chutador de topo e um atacante resiliente. É possível pedir mais?

Sean O’Brien e Samuel Whitelock merecem referências pelos monumentais jogos que protagonizaram durante as Series. O asa irlandês (no qual falaremos noutro “aspecto”) placou, defendeu, “roubou”, “destruiu”, placou de novo, marcou ensaio… isto é, voltou o Sean O’Brien que deliciou adeptos do Planeta da Oval naqueles anos em que atingiu o seu melhor pico de forma. A forma como ocupa o espaço entre a formação ordenada e o primeiro jogador das linhas atrasadas foi decisiva em alguns momentos, impedindo Beauden Barrett, Julian Savea/Rieko Ioane ou SBW de passarem a linha de vantagem e darem sequência ao Total Rugby dos All Blacks.

Samuel Whitelock esteve uns “furos” acima do seu parceiro do lado, Broadie Retallick, provando que é o melhor 2ª linha a nível mundial. Resiliente, duro de placar, difícil de meter no chão, uma preocupação constante para quem ataca e um líder nato, Whitelock completou com o resto do 5 da frente All Black, uma das melhores formações ordenadas nos últimos anos. Duas menções importantes que iremos já referir de seguida de outra forma.

Mas o jogador das Series foi, sem discussão, Jonathan Davies. Como diriam os galeses com um sotaque posh: Amazing! Os All Blacks tiveram dificuldades enormes em parar Davies, que não procurou escapar-se na defesa pela força, mas sim pela estratégia e inteligência.

Um desbloqueador no ataque, com 6 quebras-de-linha, Davies formou uma quadrupla incrível com Watson, Daly e Williams, assumindo-se como um peça fundamental para mexer o três-de-trás, assim como garantir apoio às acções quer do 1º centro (foi mais difícil ler o que Ben Te’o iria fazer do que Farrell) ou de algum asa que entrasse no 2º canal de jogo. Davies funcionou sempre como uma arma de arremesso dos Lions, pondo o seu pontapé rasteiro em funcionamento, o que criou enormes dificuldades aos All Blacks, forçando-os a recuar até aos seus 22 metros.

Foi sempre dos jogadores menos contestados na equipa titular, mas que também passou despercebido antes do início das Series. Para além de ter conquistado o público, mereceu o título de Lions of the Series 2017, o que deve deixá-lo carregado de orgulho (e a Warren Gatland, que voltou a ter o seu centro a 100%, cheio de confiança para os próximos anos que se avizinham).

Com quatro turnovers na defesa e 20 placagens, vale a penar reverem os jogos para perceber como Davies fechou bem o espaço na defesa, impossibilitando aos All Blacks de quebrar-a-linha. Isto forçou-os procurar outras ideias e soluções para chegarem ao ensaio(os bicampeões do Mundo procuraram jogar ao pé quando não conseguiam transpor o eixo Farrell-Davies). Um MVP com direito a honras!

Um Praça a Praça ou um Cross-Kick?

Infelizmente não foram três jogos carregados de ensaios, já que tivemos direito a nove ensaios, cinco dos All Blacks e quatro dos Lions. A produção ofensiva não foi a melhor devido às condições atmosféricas que se fizeram sentir no 2º encontro, por exemplo… mesmo assim, três dos nove ensaios merecem alto destaque.

Comecemos pelo melhor: Sean O’Brien. Um ensaio que começou quase nos últimos 5 metros defensivos dos Lions e que terminou dentro da área de validação dos All Blacks. Um quebra-rins de Liam Williams a Kieran Read, uma finta a Aaron Cruden e um prender a Israel Dagg, meteram três All Blacks fora de funcionamento. Depois um passe rápido de Davies para Daly, com o último a tirar Lienert-Brown da frente e a devolver ao centro galês, que ainda colocou problemas a Barrett… placado, mas com possibilidades para um offload, Davies não decepcionou Sean O’Brien e entregou a oval em perfeitas condições para o asa. Um ensaio de antologia, um ensaio que motivou os Lions para o 2º e 3º jogo.

O tal ensaio de Jordie Barrett, que começou numa bela captação no alinhamento de Retallick que ainda tentou fugir pelo meio dos leões esfomeados… depois Aaron Smith (belo regresso do formação dos Highlanders) para Barrett, com este a fazer um mini-mini compasso de espera, para uma entrada explosiva de Laumape.

O centro apresentou uma boa postura no contacto, forçou uma placagem de Davies às pernas, o que permitiu um offload fácil para Lienert-Brown partir a linha e seguir para dentro da área de 22 (os Lions conseguiram, na maioria das vezes, placar de forma que não surgisse um offload no momento da queda, porém nem sempre é possível impossibilitar os All Blacks a tal, como foi neste caso em específico). E depois numa situação de 3 para 1, bastou a ALB passar a bola para Jordie Barrett, com o defesa de 20 anos dos Hurricanes a pôr um ensaio na sua primeira internacionalização pela Nova Zelândia.

No 2º jogo há o ensaio de Taulupe Faletau que começa nos 40 metros dos Lions e em quatro fases termina num belo ensaio do nº8 do País de Gales. A corrida de Watson é quase imparável, com os All Blacks a apanhá-lo com bastantes dificuldades… seguiu-se um passe rápido para Farrell que “descobre” Liam Williams com o defesa a bater a defesa e a transmitir a oval para o seu parceiro Faletau. Ensaio.

Aqui o que é importante ressalvar é a velocidade e a capacidade de fazer mexer dos Lions, que demonstraram que tinham tudo para igualar a aceleração de jogo dos All Blacks nos momentos capitais do jogo. Faltou isto no 3º jogo, em que estiveram mais preocupados em acertar nos postes do que conseguir entrar na área de ensaio… um empate é, como disse Steve Hansen, Like Kissing your Sister.

Just play an Oldie please…

Sean O’Brien, Wyatt Crockett, Alun Wyn Jones e Israel Dagg… podiam perfeitamente serem títulos de uma banda sonora. Quanto mais “velhos” melhor e nenhum dos quatro defraudaram nas Series.

Chamar a jogadores com 30 anos Oldies é um exagero (bem grande) da nossa parte… mas a nossa argumentação parte do facto dos quatro jogadores estarem há anos envolvidos nas suas selecções, de serem “símbolos” magnos quer dos Lions ou All Blacks.

Sean O’Brien… que dizer do asa de 30 anos, que viveu fustigado por lesões nos últimos três anos? Foi um atleta imenso, um British&Irish Lion sensacional que carregou todo o espírito e emoção que os irlandeses impõem em qualquer jogo de rugby. 30 placagens, 5 turnovers, 1 ensaio, 62 metros conquistados e duas quebras-de-linha valem a Sean O’Brien o título de 3ª linha da competição… repartido com outro Oldie, Kieran Read.

E o que dizer de Alun Wyn Jones? No seu terceiro tour pelos Lions, o 2ª linha com 31 anos, foi uma peça de força e resiliência no plano de Warren Gatland. Chegou a assumir no 1º jogo o papel de capitão, naquele que parecia ser, até ao fim da primeira parte, o melhor jogo dos Lions. Competente com uma paixão imensa, Alun Wyn Jones foi dos avançados dos Lions que melhor percebeu em como “estragar” os alinhamentos dos All Blacks, lendo bem as movimentações, atacando com eficácia o salto do 2ª linha adversário, disputando veemente no chão.

É difícil não ficar atraído pela forma como Jones comanda os seus colegas, pois passa toda uma mística e orgulho que facilmente catapultam qualquer um para cima.

Israel Dagg, o “Mal Amado”, acabou por ser um dos melhores All Blacks em prova. No ar foi responsável por 9 capturas em dez, conseguiu parar algumas acções do adversário com qualidade (não obstante de ter sido empurrado por Faletau no 2º jogo) e assumiu sempre um papel preponderante no três-de-trás… por alguma razão Steve Hansen confia em Dagg, e não é pelo estatuto.

Recordemos que o defesa dos Crusaders foi excluído em 2015 da equipa que viria ganhar o Mundial em Inglaterra, com Hansen a seleccionador. Dagg é um “mágico” com a oval, tem uma capacidade de partir a defesa que poucos têm, sabe combinar bem quer no papel de 11, 14 ou 15, não tem medo de receber a oval e de partir para a frente.

Por fim, Wyatt Crockett… 62 internacionalizações, 176 jogos pelos Crusaders, dois mundiais de rugby e tantas, mas tantas formações ordenadas que só elevam a sua categoria de lenda na Nova Zelândia. Começou sempre do banco, algo que já é normal nos dias de hoje para o pilar, mas nem isso tira-lhe a vontade de entrar em campo e de pôr fim a algumas acções do seu adversário.

Crockett sempre que entrou “abanou” com a formação ordenada, foi um batalhador nos rucks e um true great no momento de ajudar a equipa. 34 anos, dos jogadores mais velhos a participar nas Series, Wyatt Crockett é aquele Oldie que merece estar a rodar no “gira-discos” do Rugby mundial eternamente.

O Bom, o Mau e o Vilão… e o palhaço?

Meus senhores e senhoras, tapem os “ouvidos” porque Warren Gatland e Steve Hansen não estiveram e estão para modas… uma batalha de palavras seguiu-se durante todas as Series da competição, tendo começado com a imprensa neozelandesa a meter um nariz de palhaço (respeito pela profissão) em Warren Gatland… o seleccionador dos Lions, que é kiwi, não gostou nada e como prova disso foi ter usado esse adorno na conferência de imprensa pós-terceiro jogo.

Hansen foi também distribuindo “lenha”, em busca de abanar os Lions de alguma forma… ninguém disse que os Mind Games pertenciam só ao mundo da bola redonda. Mas a batalha foi tão longe que Hansen parou-a por completo quando a intensidade estava a atingir um nível que seria prejudicial para a imagem das Series. O irónico é que ambos estavam a gostar da troca de palavras, mas perceberam que a imprensa estava a elevar a conversa para outros contornos mais “mediáticos”, polémicos e algo “enlameados”.

Warren Gatland saiu das Series por cima, conseguiu empatá-las e garantir o troféu (dividido a meias com a formação da casa). A estratégia dos Lions para o 2º e 3º jogo funcionou na perfeição, mesmo que no encontro do meio tenham jogado contra 14. Funcionou e é isso que ficará para a história.

Construiu uma dupla de centros séria, Farrell e Davies, musculou e garantiu uma terceira-linha de “sonho” com Warburton, O’Brien e Faletau, potenciou uma primeira-linha “maldosa” em Vunipola, George e Furlong (Vunipola foi essencial nos jogos, a imprimir uma certa agressividade que roçou o limiar do legal, mas que era necessária para meter os All Blacks em bicos de pés) e ainda deu show ao seleccionar um três-de-trás que poucos adivinhavam com Daly, Watson e Williams.

Os Lions foram impressionantes a defender, somando 411 placagens com 49 falhadas, ou seja só cerca de 10% é que não entraram ou pararam o opositor. A isto deve-se a Andy Farrell, o treinador de defesa da Irlanda que conseguiu construir uma muralha de qualidade, que só pecou no 1º e 3º jogo (falhas de placagem no ensaio de Jordie Barrett). Depois de tantas críticas que sofreram, principalmente pelas fracas exibições contra os NZ Provincial Barbarians, Blues, Highlanders e, talvez, frente aos Hurricanes, Gatland volta às Ilhas Britânicas com o seu estatuto redobrado… os Lions voltam a não perder umas Series sob o seu comando.

Já Steve Hansen arriscou em alguns momentos como: titularidade de Rieko Ioane, Jordie Barrett, Ngani Laumape ou a não convocação quer de Julian Savea ou Malakai Fekitoa nos dois primeiros jogos. Se Ioane garantiu pontos no 1º jogo, já no 2º esteve algo afastado (a jogar com 14 é difícil fazer um uso das pontas como os All Blacks gostam) e no 3º não jogou devido a lesão.

Mas a não inclusão de Fekiota foi um erro tremendo de Hansen. Goste-se ou não da forma de jogar de Fekitoa, é dos centros em melhor forma na Nova Zelândia. Fisicamente poucos igualam-no, é um poço de vitalidade único, com uma raça total para enfrentar qualquer que seja o adversário à sua frente.

Isto aplica-se a, também, a Julian Savea que apesar do avant que faz no início de jogo, conseguiu dar uma excelente réplica atropelando jogadores, aparecendo bem entre os centros e a dar o “corpo às balas”. Os All Blacks perderam só um jogo, no tal em que SBW recebeu ordem de expulsão aos 25’. De resto, ganharam por uma diferença de 15 pontos no 1º e deixaram escapar a vitória no 3º por um somatório de erros preocupante para os All Blacks.

É aqui talvez o maior senão dos All Blacks, o falhar em momentos-chave nestas Series. No 3º jogo a quantidade de erros ofensivos nos últimos 10 metros foi gritante… Laumape, Lienert-Brown, Jordie Barrett, Fekitoa, Cane, etc, seja na transmissão de bola, na recepção, na procura do espaço, etc. Parecia que os neozelandeses esqueciam-se dos básicos no momento de dar uma estocada nos Lions.

A jogada do ensaio do Jordie Barrett podia ter sido repetida um bom par de vezes, não fossem esses erros. Se passou por uma falha de concentração, de combinação ou simplesmente porque a defesa aplicou uma pressão alta, não sabemos. Até pode ser um mix das três, fruto da intensidade de jogo, das ganas de ganhá-lo, da quantidade de jogadores novos a participar e da elegância defensiva dos Lions. Steve Hansen não sai beliscado destas Series e, até, deviam todos estar preocupados com o que aí vem… os All Blacks gostam de aprender com os erros e facilmente vão entrar em fase de reflexão – que será muito rápida -, para aplicarem já soluções para entrarem a todo o vapor no Mundial de 2019.

Os British and Irish Lions voltam a casa, Sam Warburton e Warren Gatland “calaram” as críticas, Julian Savea acabou por sair por cima, Jordie Barrett provou que ainda está algo “verde”, Farrell e Barrett deram show – cada um à sua maneira-, Sean O’Brien e Kieran Read vão-nos obrigar a ver as Series de novo pela qualidade que impuseram, Jonathan Davies conquistou o seu lugar entre os Mitos dos Lions e a Nova Zelândia fica em paz… até Agosto, quando começar o The Rugby Championship.

Palavra de Ordem: Fair Play! (Foto: The Guardian)


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