19 Ago, 2017

Os Warriors são a melhor equipa que muitos de nós alguma vez verá

João PortugalJunho 15, 20177min0

Os Warriors são a melhor equipa que muitos de nós alguma vez verá

João PortugalJunho 15, 20177min0

O primeiro anel de muitos para Kevin Durant? O merecido Finals MVP; Será que Steph Curry alguma vez conseguirá esta distinção? Voltaremos a ter esta Final, pelo quarto ano consecutivo, em 2017-18? Quantos títulos vão os Warriors ganhar? A tendência é para que a próxima temporada seja ainda mais fácil?

Os Warriors foram campeões pela segunda vez em 3 anos, praticam um basket que deixa os nossos olhos a reluzir e provavelmente vão continuar a dominar a NBA nas próximas épocas. Porém, antes de darmos uma espreitadela em como Golden State vai infernizar a vida das restantes 29 equipas da liga, vamos ao que decidiu o jogo 5 e o título.

O início foi muito semelhante às restantes partidas da Final, os Cavs entraram melhor, os Warriors com turnovers a mais como de costume e nem mesmo as 2 faltas de Kevin Love em 3 minutos fizeram o plano de Cleveland sucumbir. Lebron James, que se tornou o primeiro jogador a terminar uma Final da NBA com triplo-duplo de média, marcou 12 pontos em 5 min e, de repente, eram Klay Thompson e Kevin Durant a irem para o banco com 2 faltas cada. Não só os Cavs tinham ganho o primeiro período por 37-33, como conseguiram dar 1 minuto e meio de descanço a James sem que tivesse sido um descalabro.

Ao fim de 13 minutos, os Warriors já tinham cometido 7 turnovers, mas o pior de tudo é que essas perdas de bola tinham originado 14 pontos dos Cavs em contra-ataque. Claro que quando Golden State deixou de perder a bola estupidamente e elevou a intensidade defensiva, recuperou a liderança para não mais a perder.

Os últimos 8 minutos da primeira parte foram destrutivos para Cleveland. Estiveram 11 posses de bola seguidas sem marcar, enquanto que Golden State marcou em 13 consecutivas, colocando pontos no marcador em 14 das últimas 15 do primeiro tempo. Foi uma run de 28-4 a favor da equipa da casa que só teve fim com 3 triplos importantíssimos que impediram o jogo de estar totalmente ao intervalo, um de Lebron James e dois de JR Smith. Dois dados que marcaram os primeiros 24 minutos: Warriors com 131,5 pontos por 100 posses de bola, espectacular e os Cavs perderam a bola em 20,8% dos seus ataques, demasiado.

Ayesha, Steph e Dell Curry no desfile dos Campeões [Foto: Jessica Christian – SF Examiner]
 

Nos primeiros dois jogos ainda chegámos a ter bons períodos de Zaza Pachulia, mas o início da segunda parte foi a mostra do pior Pachulia, e a única coisa boa do mau Pachulia, que se desiquilibra, perde a bola, tenta marcar contra adversários mais ágeis e mais fortes, é que faz muitas faltas também e sai mais depressa do court.

O melhor período dos Cavs, que foi o terceiro, só pecou uma coisa que me deixou um pouco desiludido porque gostava de saber o que teria acontecido. JR Smith chegou ao final do período com 5-5 de 3pt, o que é fantástico por não ter falhado, mas quando JR está assim intratável, tem de lançar mais. Terminou 7-8, marcando a última bomba da temporada.

O que ficámos a ser foi que o início do derradeiro período da NBA deste ano começou com o futuro e previsível MVP da Final, Kevin Durant, a deixar os Cavs à procura de um milagre. Só que a transição defensiva dos Cavs foi sempre piorando à medida que os jogos avançaram, e esta temporada termina com uma série de jogadas em que o espaço para atacar o cesto estava completamente abandonado e os Warriors fizeram um banquete da incapacidade de Cleveland em ter forças para atacar e defender simultaneamente. Se viram o jogo, sabem que o resultado foi 129-120, os Cavs não pararam de marcar nem deixaram o marcador fugir. Não tiveram forças nem discernimento para impedir que o seu cesto fosse conquistado pelos novos Campeões.

Se há um jogador que voltou a ver o seu estatudo e valor de mercado subir em flecha foi Andre Iguodala. A diferença do Iggy desta Final para qualquer outro momento da época foi como o dia e a noite. Não só partilhou sempre uma das duas tarefas defensivas mais difíceis quando esteve em court, Lebron James ou Kyrie Irving, como recuperou o seu lançamento exterior, foi uma arma mortífera em transição e mostrou o atleticismo que sempre teve mas que aparentava estar em decréscimo rapidamente.

E cá estamos no ponto em que os Warriors estão na plenitude das suas capacidades, com 2 títulos em 3 anos, a jogar como a melhor equipa de todos os tempos e o resto da NBA parece ainda estar a alguns anos de apanhá-los. Neste momento parece claro que dificilmente a Final do próximo ano será mais competitiva do que esta. Os Cavaliers têm a maior folha salarial entre as 30 equipas (tudo indica que os Warriors estarão nessa posição no fim do verão), ou seja, têm uma margem de manobra muito curta para melhorar o plantel, enquanto que o banco está curto e velho.

Os Warriors terminaram a temporada 31-2, desde que Klay Thompson autografou esta torradeira [Fonte: KNBRadio]
 

Até este conjunto de jovens equipas talentosas chegar ao topo, os Warrior poderão estar com uns 5 títulos em 6 anos. Utah Jazz, Boston Celtics, Minnesota Timberwolves, Los Angeles Lakers, Milwaukee Bucks, Philadelphia 76ers são os franchises que estão bem encaminhados para daqui a alguns anos virem a ser o melhor da NBA, a ganhar o troféu Larry O’Brien, sendo que os Celtics são aquele que pode com uma troca saltar algumas etapas intermédias conseguindo alguém como Jimmy Butler ou Gordon Hayward já este verão.

O que de melhor poderia acontecer à liga seria o desmembramento dos Clippers, com Chris Paul e Blake Griffin, principalmente, a serem distribuidos pelos outros candidatos ao trono de Golden State. Jimmy Buttler, Paul George ou Gordon Hayward aterrarem em Boston colocá-los-ia numa excelente posição para finalmente serem um perigo nos playoffs para Lebron James, mas o objectivo da NBA não é chegar à Final, mas sim ser campeão. Todas estas movimentações que podemos imaginar para dar luta aos Warriors poderiam não ser suficientes porque eles são de outra galáxia. As equipas que sabem que têm muito melhores possibilidades de os derrotarem daqui a uns anos não deverão fazer nada para avançar esse crescimento contra o pico de carreira de Curry, Durant, Draymond Green e de Klay Thompson.

O “mal” já está feito. Os Warriors foram o franchise mais inteligente desta década e conseguiram montar um tormento que provavelmente só será derrotado pelo aquilo a que os americanos gostam de chamar “Father Time”, o avançar da idade. O grande adversário das próximas épocas vão ser as lesões… e os Spurs, esses estarão sempre na luta enquanto tiverem Kawhi Leonard.

Fiquem com a explicação do Coach Nick, do site BBallBreakdown, sobre a terrível transição defensiva dos Cavaliers, que tanto foi massacrada nos nossos textos, que lhes custou qualquer hipótese de revalidarem o título.


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