22 Mai, 2018

Kyrie vs. LeBron: o divórcio que está a abalar a NBA

João PortugalJulho 27, 201713min0

Kyrie vs. LeBron: o divórcio que está a abalar a NBA

João PortugalJulho 27, 201713min0

Kyrie Irving e uma possível saída dos Cleveland Cavaliers… porquê, como e que impacto terá este facto para os vice-campeões da NBA? Estará LeBron James implicado nesta situação? E que soluções pode a equipa do Midwest procurar para preencher a possível lacuna? Uma visão e artigo em parceria com o SAPO 24

O verão dos Cleveland Cavaliers não estava a ser nada famoso. Pouca ou nenhuma flexibilidade para melhorar o plantel sem sair algum dos 7/8 melhores jogadores que fazem parte da rotação, já que estão hard capped – significa que estão acima do limite salarial que os proíbe de contratar jogadores por mais que o salário mínimo. Existe ainda a mid-level exception que as equipas que estão em situação de pagar luxury tax, o imposto que os franchises pagam por ultrapassarem 119,2 M$ de folha salarial, podem utilizar para contratarem um jogador excepcionalmente, como o nome indica, sem que seja pelo salário mínimo. Neste caso tem o valor de 2,6 milhões de dólares por ano.

Até à bomba que Kyrie Irving detonou na sexta-feira passada, que certamente já teria acontecido no seio da equipa, já tinha havido um episódio bastante caricato que mostrou quão frágil está a organização liderada por Dan Gilbert. Como foi noticiado na altura, o General Manager David Griffin terá sido desvinculado quando até estaria em negociações para a aquisição via troca de Jimmy Butler, dos Chicago Bulls. Os Cavs estiveram sem homem do leme nas semanas mais importantes da offseason, o período que começa no dia 1 de Julho com a abertura do mercado de jogadores livres.

Lebron James mostrou-se logo descontente e perturbado com a situação e agora ficámos a perceber que não foi o único. Kyrie Irving reuniu-se com o seu agente e com o dono dos Cavaliers, Dan Gilbert, e pediu para ser trocado. De acordo com a reportagem de Brian Windhorst, da ESPN, Irving deseja ser a primeira opção de uma equipa e que não quer mais jogar com Lebron James. Desta a vez a reação de James foi que terá ficado devastado com a notícia.

Muito rapidamente, antes de irmos analisar possíveis trocas, lendo nas entrelinhas, o que parece é que Kyrie Irving não quer mais jogar em Cleveland. A Final deste ano mostrou que estão a anos-luz de Golden State, têm poucas possibilidades de melhorarem, o banco está velho e não conseguem defender a um nível tão elevado como o que é necessário para parar a melhor equipa da história. A saída de David Griffin numa altura tão capital, no meio de negociações com um jogador do calibre de Jimmy Butler, em vésperas de começar a free agency, certamente que colocou Kyrie ainda mais em alerta e nem mencionei os rumores de que Lebron James poderá entrar na sua última temporada como Cavalier.

Irving está a ver a situação na sua atual equipa a deteriorar-se, com alguma falta de rumo vinda da direção, com o segundo melhor jogador de todos os tempos prestes a abandonar o barco e um pensamento que poderá ter passado pela sua cabeça é que quanto mais cedo sair, melhor será para todos, principalmente para si e para o que ainda pretende da sua carreira na NBA.

Não nos podemos esquecer que Kyrie Irving tem 25 anos, já tem um anel de campeão e vem de 3 Finais consecutivas. Está nos primeiros anos do seu prime, o seu valor de troca nunca será mais alto que o que é agora, o que facilita a organização que lhe paga a arranjar um bom negócio mais facilmente e, acima de tudo, não precisa de hipotecar 1 ou possivelmente 2 anos numa equipa onde não quer jogar.

[Fonte: Anthony Dejak – Associated Press]
 

Se o base dos Cavaliers pretende ser um franchise player, uma primeira opção, e que construam um plantel à sua volta, certamente que não deseja que tal aconteça em Cleveland, Ohio. Se os rumores de que Lebron vai mesmo sair no próximo verão se tornarem mesmo realidade, Irving automaticamente se tornaria a face da equipa. Contudo ele quer ter esse poder bem longe dali, e faz sentido que assim seja, já que, incluindo o próprio James, 3 dos 6 maiores contratos na folha salarial de Cleveland são jogadores que pertencem à agência de Lebron, a Klutch Sports. Kyrie Irving não tem qualquer poder nos Cavaliers, mas ganha-o forçando a sua saída.

Faltam 2 anos até se poder tornar um jogador livre pela primeira vez na sua carreira, porque escolher a equipa onde querem jogar e a cidade onde pretendem viver é uma liberdade que só aparece ao terceiro contrato das suas carreiras – são escolhidos num draft por um franchise e no final do vínculo de rookie, quem os escolheu tem direito preferencial por si, logo só ao oitavo ou nono ano de carreira na NBA é que geralmente ganham essa capacidade contratual. Como referi um pouco acima no texto, o valor de troca de Kyrie Irving nunca mais será tão elevado como é agora, porque a equipa que arriscar dar uma série de ativos pelo base dos Cavs, quererá algumas garantias de poder assinar um novo contrato com ele, ou, pelo menos, aproveitar ao máximo 2 dos seus melhores anos de carreira para o convencer a ficar.

Não vou discutir quem terá tornado a vontade do jogador pública porque há dois lados completamente opostos a serem noticiados. Ou partiu de Irving e do seu agente para mostrar que quer sair e acelerar o processo, ou do lado de Lebron James para deixar o seu colega de equipa mal na fotografia. Segundo Adrian Wojnarowski, Kyrie já tinha pedido para ser trocado logo após as Finais em Junho, só que os Cavs não poderam aceder a tal porque o seu GM estava de malas feitas no olho da rua. Portanto, já não existe a possibilidade de o trocarem por picks do draft que passou, mas ainda podemos imaginar alguns cenários bem interessantes e de acordo com as intenções do jogador ou da equipa, vamos a isso!

Os 4 alvos do base de 25 anos, de acordo com a primeira notícia que saiu na ESPN, são San Antonio, Miami, Minnesota e Nova Iorque. Irving não tem qualquer poder decisório nas negociações mas pode influenciar a que estas 4 equipas ofereçam mais por ele tendo mais garantias de que permaneça no próximo vínculo que realizar. Os Spurs seriam a sua grande prioridade, supondo que mesmo sabendo que não seria o melhor jogador nesse plantel, já que existe Kawhi Leonard, mas acima de tudo há também uma muito superior gestão de egos. Esta separação que Kyrie quer de Lebron parece muito devido ao facto dos seus egos não caberem numa mesma sala, no mesmo court e não haver ninguém capaz de geri-los ou controlá-los.

A escolha dos Spurs seria passar de uma organização que está prestes a implodir, para uma das duas organizações por excelência da NBA, sendo os Golden State Warriors a outra. A reportagem deste domingo, dia 23, que saiu na ESPN co-escrita por Brian Windhorst, Ramona Shelbourne e Dave Mcmenamin com colaborações de Zach Lowe e Chris Haynes, indica que o ex-General Manager David Griffin até conseguiu controlar as aspirações de Kyrie Irving querer ser o co-líder da equipa com relativo sucesso, não se sabendo ainda o timing exacto em que o base dos Cavs pediu para ser trocado a primeira vez. Nos Spurs há uma gestão de recursos humanos, uma divisão de responsabilidades e uma união quase robótica em torno do objectivo de ganhar tal que é o que Irving deseja.

[Fonte: Andrew D. Bernstein – Getty Images]
 

O trabalho, a confiança e a vontade de vencer sempre estiveram presentes em si, porém um obstáculo que se tornou inultrapassável na sua estadia em Cleveland é a diferença de tratamento em comparação com Lebron James. Em San Antonio nunca pareceu haver tais distinções entre Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, nem mesmo mais recentemente com Kawhi Leonard e LaMarcus Aldridge. Há franchises que parece que trabalham sob uma magia que modifica logo o comportamento das grandes estrelas. Outro exemplo, as 4 estrelas dos Warriors, Steph Curry, Kevin Durant, Draymond Green e Klay Thompson, têm um valor para a equipa diferente dentro do court, mas são tratados de igual maneira pela organização.

Se Miami quiser ser um dos possíveis destinos para Kyrie, quase de certeza que Dion Waiters teria que vir em sentido contrário ou ser colocado numa terceira equipa, já que eles nunca se deram bem quando jogaram juntos em Cleveland. Waiters também assinou agora um contrato de 52 milhões de dólares por 4 anos, o que também pode complicar a situação visto que um jogador livre depois de assinar um contrato novo não pode ser trocado para outra equipa nos primeiros 3 meses após a assinatura do vínculo, ou antes do dia 15 de Dezembro, como seria o caso aqui, por ser o que acontece mais tarde.

Para Minnesota, possivelmente implicaria o regresso de Andrew Wiggins à equipa que o escolheu em primeiro lugar no draft de 2014, considerando que Karl-Anthony Towns e o recém-chegado Jimmy Butler são inegociáveis para Tom Thibodeau. Jeff Teague também seria alguém que estaria de saída, provavelmente para uma terceira equipa (os Cavs acabaram de contratar Derrick Rose), colocando-se a mesma situação que Dion Waiters em Miami. Só pode ser trocado a partir do dia 15 de Dezembro.

Finalmente, os New York Knicks seriam uma espécie de regresso a casa, já que Irving apesar de ter nascido em Melbourne, cresceu em New Jersey. Seria uma oportunidade de ouro para os Knicks juntarem um grande jogador ao talento proeminente de Kristaps Porzingis, de se livrarem de Carmelo Anthony e de Lebron James ver mais dois amigos juntarem-se à sua equipa. A troca mais falada até ao momento seria uma que envolveria uma terceira equipa, os Phoenix Suns e que seria algo como Kyrie Irving ir para NY, Eric Bledsoe e Carmelo Anthony para Cleveland e Frank Ntilikina e Iman Shumpert para Phoenix. Haveria também uma movimentação de escolhas do draft, com os Cavs a receberem uma de primeira ronda dos Knicks e a darem uma de segunda ronda aos Suns. Eric Bledsoe é agenciado por Rich Paul, melhor amigo de Lebron James, com quem partilha a titularidade da agência Klutch Sports.

Para além dos 4 alvos de Irving, certamente existirão outras equipas a atirarem-se para a frente, já que é raro um jogador desta qualidade estar disponível no mercado de trocas, ainda para mais com 2 anos no seu atual contrato por cumprir, que para o panorama salarial atual é extremamente atrativo. Também é igualmente necessário perceber que tipo de ativos é que os Cavaliers pretendem receber numa troca de Kyrie Irving. Isto torna-se especialmente difícil por causa da cada vez mais provável saída de Lebron James no final da época que se avizinha. Aquela proposta de Eric Bledsoe e de Melo tornar-se-ia um péssimo retorno caso James só fique mais este ano.

“Quero ser o The Man” [Fonte: Anthony Dejak – Associated Press]
 

O dono dos Cavs, Dan Gilbert, e o recém-promovido a General Manager Kobi Altman devem começar a pensar num futuro pós-Lebron James e têm este trunfo em Kyrie Irving para conseguir um considerável retorno para suplantar a saída do principal símbolo do franchise dentro de 12 meses. É por isso que eles devem olhar para outras equipas com jovens ativos que estão em ascensão na NBA e engodá-los a saltarem uns passos no desenvolvimento ao trocarem pelo talentoso base de 25 anos.

Dentro deste grupo temos Milwaukee, Denver, Phoenix e Philadelphia como as 4 que considero que vão tentar alguma coisa. Um candidato muito perigoso seriam os Boston Celtics. Da maneira como o plantel dos comandados de Brad Stevens está construído com Jae Crowder, Gordon Hayward, Marcus Morris e Al Horford, a dupla Lebron James-Kevin Love terá muito mais dificuldades em dominar uma potencial série de playoffs entre ambas, enquanto que com a saída de Avery Bradley para Detroit, Isaiah Thomas ficaria muito mais exposto perante Kyrie Irving. Se retirarmos Irving de uma série entre Cleveland e Boston, é retirar a arma que mais pode magoar os vencedores da fase regular no Este na época que terminou.

Lebron James parece magoado com toda esta situação e a continuação do seu feito incrível de 7 Finais consecutivas, à procura da oitava, vai ser colocado em cheque. A noite de domingo terminou com mais duas notícias, uma de cada lado do conflito, que mostram como a situação já não foge da separação litigiosa. Enquanto que a facção Irvinguiana garante que terá sido Lebron a fazer chegar a sua intenção de ser trocado à imprensa, o que faz todo o sentido visto que James costuma ser a principal fonte de Brian Windhorst no que toca a assuntos dos Cavs. Por outro lado, a facção Jamesiana transmitiu que o que quer que aconteça com Kyrie, Lebron não levantará a cláusula do seu contrato que o impede de ser trocado sem o seu consentimento. Está tudo nas mãos de Dan Gilbert, que ficou a saber que nem vale a pena pensar em limpar o castelo. Lebron James vai certamente querer dar uma lição a Kyrie Irving dentro do court. Uma ruptura no franchise que tem dominado finalmente veio tornar a Conferência Este imperdível.

Imaginem o quão escaldante vai ser o regresso de Kyrie a Cleveland com a sua nova equipa no dia de Natal depois de Stephen A. Smith ter tornado público (através de fontes próximas do jogador) que Lebron está capaz de lhe dar uma carga de pancada se o vir à frente!

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