23 Mai, 2018

Simone Manuel junta o título mundial ao olímpico

João BastosJulho 28, 20176min0

Simone Manuel junta o título mundial ao olímpico

João BastosJulho 28, 20176min0

Foram precisos 6 dias de finais na Duna Arena de Budapeste para se ouvir pela primeira vez o hino da Rússia, já o da Austrália continua inaudível e o dos EUA já os húngaros sabem de cor e salteado

Num dia com 5 finais, a Rússia tirou a barriga de misérias e os seus nadadores venceram três, com os EUA e a Grã-Bretanha a levarem as outras duas.

Escândalo

É indecoroso para a campeã olímpica, mas é a forma que nos parece adequado adjectivar o facto de Sarah Sjöström não ter vencido os 100 metros livres. Já recordista do mundo durante os campeonatos do mundo, a sueca ia para fazer valer o seu estatuto e aos 50 metros ia bem à frente da concorrência e do seu parcial para record do mundo.

Nos segundos 50 metros teve uma quebra típica de uma nadadora inexperiente, o que não é o caso de Sjöström, perdendo a prova de uma forma um pouco inadmissível para uma nadadora do seu estatuto.

Quem é sempre uma aposta segura é Simone Manuel. No ano passado nos JO nadou contra a nadadora que detinha o record do mundo, acabado de estabelecer, e venceu, este ano volta a nadar contra a “recordista mundial de fresco” e volta a vencer.

A nadadora americana não se intimida facilmente e “cresce” nos momentos decisivos. Na prova de hoje cresceu nos últimos metros quando percebeu que Sjöström estava a fraquejar e nadou para o record do continente americano de 52.27.

Sjöström ficou com a prata em 52.31 e a dinamarquesa Pernile Blume com o bronze, nadando em 52.69.

Foto: FINA

Rylov consegue a primeira para a Rússia…

O russo Evgeny Rylov já vinha bem referenciado com o melhor tempo nos 200 metros costas no ano de 2017. Nas meias finais não foi tão impressionante como os seus adversários Ryan Murphy e Xu Jiayu, mas guardou os seus argumentos para a final.

Saindo disparado, para um parcial aos 100 metros de 54.50, eram já dois segundos que cravava de vantagem para toda a gente presente na final. Claro que os segundos 100 metros foram de sofrimento para suster a quebra, muito compensada pelos seus fortes percursos subaquáticos.

No final quebrou mesmo, mas já tinha vantagem suficiente para ser campeão do mundo. 1:53.61, novo record da Europa para o russo. Murphy ficou com a prata em 1:54.21 e Jacob Pebley com o bronze em 1:55.06.

Foto: FINA

…e Efimova a segunda…

Não deu nos 100, deu nos 200, e com clareza. Yuliya Efimova venceu os 200 metros bruços e, ao contrário do que tinha feito na final dos 100 metros, bastou-lhe nadar como bem sabe fazer.

Uns primeiros 100 metros sem forçar nada e com um deslize muito forte fê-la passar apenas no 3º lugar, mas guardando muita energia para a segunda parte da prova. E aí detonou a concorrência. Terminou em 1º lugar com mais de 2 segundos de vantagem, no tempo de 2:19.64, com os fantásticos parciais de 1:08.49/1:11.15.

Bethany Galat surpreendeu outras nadadoras mais candidatas à prata e ficou no 2º lugar, com 2:21.77. Shi Jinglin foi bronze com 2:21.93. Lilly King está numa grande forma para nadar 100 metros, mas nos 200 ficou-se pelo 4º lugar.

Foto: FINA

…e Chupkov a terceira

E para completar a tarde de sonho dos russos em Budapeste, o jovem brucista Anton Chupkov conseguiu a terceira medalha de ouro consecutiva para o país. A Rússia que estava perdida a meio do medalheiro da natação pura, hoje subiu já ao 4º lugar.

A prova prometia ser equilibrada e cumpriu a promessa, com a alternância na liderança a repartir-se entre três nadadores: Yasuhiro Koseki, Ippei Watanabe e Anton Chupkov.

Koseki liderou a prova nos primeiros 100 metros, com uma passagem muito forte, abaixo do parcial para record do mundo, mas depois surgiu o próprio recordista do mundo a assumir o protagonismo. Watanabe foi para a frente e pareceu que ia sentenciar a prova. Mas esta teria um novo líder: Chupkov que liderou a prova quando mais interessava, ou seja, no final!

O russo terminou com uns impressionantes 31.99 nos últimos 50 metros, dando-lhe 2:06.96, segundo nadador a baixar dos 2:07, e, naturalmente, record da Europa e dos campeonatos do Mundo.

Koseki ainda reagiu e foi segundo classificado com 2:07.29, relegando Watanabe para a 3ª posição, com 2:07.47.

Foto: FINA

They did it again!

Há 2 anos, a Grã-Bretanha surpreendeu os EUA – com Ryan Lochte – na estafeta 4×200 livres. Hoje já não seria surpresa se os britânicos revalidassem o título.

Da equipa que nadou em Kazan só sobrou James Guy. Saiu Calum Jarvis, Robbie Renwick e Dan Wallace entrando Steph Milne, Nick Grainger e Duncan Scott, o que mostra que esta estafeta é uma aposta estruturada e não um acaso que aconteceu há dois anos.

O desfecho foi o mesmo e a Grã-Bretanha tornou-se bi-campeã do mundo da estafeta com 4×200 livres, com um tempo muito interessante de 7:01.70. Nunca nenhuma equipa se aproximou tanto do record do mundo, sem fatos de poliuretano (mas ainda faltam 3 segundos).

O segundo lugar se calhar não o era se nadassem noutro dia. Foi a Rússia, pois claro. Dovgalyuk, Vekovishchev, Izotov e Krasnykh foi o quarteto que completou a prova em 7:02.68, relegando os Estados Unidos com Pieroni, Haas, Conger e Groethe para a posição de bronze com 7:03.18.

Foto: FINA

Dressel promete ser protagonista amanhã

Caeleb Dressel teve um programa preenchido no dia de hoje, mas esteve sempre em grande nível, vencendo as meias finais dos 50 livres e dos 100 mariposa, em ambas com marcas bastantes promissoras para o que pode fazer nas finais, amanhã.

Emily Seebohm pode ser a última esperança para a Austrália não sair de Budapeste sem um único ouro. Para já, parece bem encaminhado com a vitória nas meias finais dos 200 costas, com record da Oceania.

Sarah Sjöström pareceu ainda ir abalada com a prova de 100 livres quando nadou a meia final de 50 mariposa e não marcou um tempo abaixo de 25 segundos como (só) ela sabe fazer, mas os 25.30 chegaram para ir para a final com o melhor tempo.

Saiba como foi o dia dos portugueses aqui.


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