23 Mai, 2018

Caeleb Dressel igual a Michael Phelps

João BastosJulho 30, 20179min0

Caeleb Dressel igual a Michael Phelps

João BastosJulho 30, 20179min0

Terminaram os Campeonatos do Mundo de Natação. Na contabilidade do medalheiro, mais uma vez foram os EUA a superiorizarem-se por larga margem ao resto do mundo. Em termos individuais, o destaque foi Caeleb Dressel

No final desta semana, a comunidade aquática preparava-se para aclamar nomes como Katie Ledecky, Katinka Hosszu, Sarah Sjöström ou Adam Peaty. E há razões para todos serem aclamados, mas há um nome que tem de vir primeiro: Caeleb Remel Dressel, o nadador que nos primeiros mundiais que disputa se torna no maior medalhado de ouro de sempre num único mundial, ex-aequo com Michael Phelps.

Não reparou? Talvez porque 4 das suas 7 medalhas de ouro tivessem sido em estafetas. Michael Phelps também conquistou 7 ouros em Melbourne 2007, mas apenas dois deles foram em estafeta

Mas vamos então ao resumo do último dia de finais em Budapeste, onde os Europeus deram muito boa conta de si:

Record do mundo em plena guerra fria

Como tínhamos referido ontem, o último capítulo – nestes mundiais – da guerra fria entre Lilly King e Yulia Efimova, merecia ser coroado com um record do mundo. Não era só uma questão de merecimento, mas sobretudo uma questão de necessidade.

Ainda mais necessário se tornou quando Efimova até partiu bem e a disputa se deu nos metros de nado e não nesse aspecto técnico.

Tanto King como Efimova estiveram ao seu melhor nível e no cair do pano, a vitória sorriu à norte-americana que fez 29.40, novo máximo mundial. A russa foi prata com 29.57 e Katie Meili foi bronze com 29.99.

No final as duas cumprimentaram-se, enterrando (para já) o machado de guerra.

Foto: Budapest2017

Chase Kalisz, o herdeiro

Os 400 metros estilos tinha em prova o bi-campeão do mundo (Daiya Seto) em busca do tri, não tendo o recordista mundial (Michael Phelps), nem aquele que também foi bi-campeão mundial da prova antes de Seto (Ryan Lochte).

Mesmo sem as duas maiores referências de sempre, os EUA não deixaram de ter um grande candidato: Chase Kalisz.

O americano fez uma prova de grande nível, arrumando com a concorrência no estilo de bruços. No final fez um tempo bastante promissor, 4:05.90, novo record dos campeonatos, a cerca de dois segundos do record do mundo de Phelps.

Dois segundos poderiam ser uma eternidade para um nadador no auge da carreira, mas Kalisz tem apenas 23 anos

No segundo posto chegou o nadador da casa, David Verraszto com 4:08.38 e o bi-campeão do mundo, Daiya Seto, fechou o pódio com 4:09.14.

Foto: Budapest2017

A uma braçada do record do mundo

A primeira prova da sessão que não teve record do mundo ou dos campeonatos (nesta prova são coincidentes) foi a dos 50 metros livres femininos.

Sarah Sjöström tinha feito o record do mundo ontem nas meias finais, com 23.67 e hoje fez uma prova igualzinha, só com uma diferença substancial: não encaixou a chegada. Isso deu um resultado final de 23.69, impeditivo de repetir o record do mundo, ela que sai de Budapeste como nova recordista mundial dos 50 e 100 livres, sendo actualmente a nadadora (ou nadador) com mais recordes individuais em vigor, em piscina longa.

Ranomi Kromowidjojo não ficou muito longe da sueca e marcou o seu melhor tempo de 23.85 (primeira vez abaixo dos 24′), assim como Simone Manuel que levou o bronze com 23.97.

Foto: Budapest2017

Fecha-se a cortina dourada para Lacourt

Camille Lacourt nadava aqui a sua última competição da carreira e, para aumentar a carga dramática, foi a Budapeste nadar apenas uma prova que se disputava no último dia de competições.

Certamente que o francês visualizou vezes sem conta a sua despedida e ela foi como devem ser as despedidas dos grandes campeões: a ouvir o hino do seu país.

O costista venceu os 50 metros costas com o tempo de 24.35, superiorizando-se a Junya Koga (24.51) e a Matt Grevers (24.56).

Camille Lacourt conquistou a única medalha de ouro para a França, o que tem uma carga simbólica enorme tendo em conta o que a geração de Lacourt conquistou para o país gaulês.

Foto: Budapest2017

Dama de Ferro não dobra nem verga na sua prova

Uma das apostas mais seguras nestes mundiais era a vitória de Katinka Hosszu nos 400 metros estilos. É recordista mundial da prova, estava perante o seu público e durante a semana pareceu vir a subir de forma.

E foi só ouvir o tiro de partida para Hosszu vir para a frente da prova, impondo uma mariposa fortíssima (passagem em 1:01.16 aos 100 metros). Se aí já ia sozinha, mais sozinha ficou depois do percurso de costas. Mesmo no seu pior estilo (bruços) só houve uma nadadora em prova a fazer melhor que ela e em crawl fez o suficiente para acabar em 1º lugar, com novo record dos campeonatos de 4:29.33 igualando Sarah Sjöström como únicas tetra-campeãs na mesma prova, no sector feminino.

Mireia Belmonte chegou à prata com o tempo de 4:32.17 e Sydney Pickrem conseguiu o bronze com 4:32.88.

Foto: Budapest2017

Paltrinieri esperava que fosse mais fácil

À partida para estes campeonatos, e tendo em consideração que Sun Yang já não é o que era nos 1500 metros, esperava-se que Gregorio Paltrinieri ganhasse os 1500 metros livres com facilidade. Menos de 15 metros de avanço para o segundo classificado era derrota.

O próprio Paltrinieri tinha razões para pensar isso. Teve, por isso, razões para ficar surpreendido com o desempenho do jovem Mykhailo Romanchuk que seguiu com o italiano praticamente toda a prova.

Só aos 1300 metros é que Greg conseguiu deixar o ucraniano para trás, sabendo que na discussão ao sprint o mais provável era perder.

Gregorio Paltrinieri sagrou-se bi-campeão da prova, com o tempo de 14:35.85 com Romanchuk a nadar para a prata em 14:37.14 e Mack Horton a levar o bronze com 14:47.70.

Foto: Budapest2017

O melhor quarteto de sempre

Os 4×100 metros estilos femininos dificilmente iriam escapar às americanas. Com um conjunto muito consistente, sabiam à partida que só havia uma equipa no mundo que as podia acompanhar até ao final do percurso de bruços, mas que depois já não teriam capacidade (falamos da Rússia).

De facto, com Kathleen Baker, as coisas ainda foram equilibradas com Rússia (Fesikova), Canadá (Masse) e Austrália (Seebohm), mas a seguir veio Lilly King e só Efimova teve andamento para ela. Kelsi Worrel e Simone Manuel foram muito superiores a Chimrova e Popova.

O quarteto fantástico americano fechou no tempo de 3:51.55, melhorando o record do mundo que estava em 3:52.05.

As russas bateram o record europeu com 3:53.38 e a Austrália completou o pódio com 3:54.29.

Foto: Budapest2017

Dressel chega ao 7º ouro

O quarteto masculino dos 4×100 metros estilos dos EUA era igualmente forte e tinha iguais possibilidades para chegar ao record do mundo, mas antes tinha de perceber quão melhor era no percurso de costas em relação aos britânicos.

É que os nadadores ao serviço de Sua Majestade contavam com um cavaleiro chamado Adam Peaty no percurso de bruços que se conseguisse dar algum avanço a James Guy e a Duncan Scott, os EUA nada poderiam fazer, mesmo contando com Caeleb Dressel e Nathan Adrian nos últimos percursos.

Felizmente para os EUA, Walker-Hebborn não tem nível para uma equipa que queira derrotar os americanos. Matt Grevers abriu para 52.26 e o britânico fez 54.20. Mesmo assim não impediu que Peaty (56.91) ultrapassasse Kevin Cordes (58.89), mas não o suficiente para Guy (50.80) manter o avanço sobre Dressel (49.76).

Adrian fechou em 47.00, muito semelhante ao que fez Scott com 47.04.

Os EUA venceram com 3:27.91, a Grã-Bretanha foi segunda classificada com 3:28.95 e a Rússia (com um grande percurso de Morozov a crawl em 46.69) foi bronze com 3:29.76.

Foto: Budapest2017

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