19 Ago, 2017

De regresso à Amieira

João BastosMaio 29, 201710min0

De regresso à Amieira

João BastosMaio 29, 201710min0

O Alqueva voltou a receber a elite nacional das águas abertas nos dias 27 e 28 de Maio. O Campeonato Nacional de Águas Abertas disputou-se na marina da Amieira, onde já tinham decorrido as edições de 2014 e 2015.

Faz, este ano, exactamente 10 anos que se começou a disputar o CNAA, a prova que veio alavancar em definitivo a natação de águas abertas em Portugal. Desde 2007 que do programa de provas fazem parte os 5 km e os 10 km para masculinos e femininos, sendo que os 38 títulos absolutos atribuídos (em 2015 não se disputou a prova de 5 km) foram repartidos por apenas 13 nadadores.

Fonte: FPN | NOTA: Em 2016 realizaram-se dois campeonatos absolutos de 5 km (Aldeia do Mato – Maio e Peniche – Julho)

Este ano, e à semelhança do ano passado, para além dos títulos dos 5 km e 10 km, estiveram também em disputa os títulos nacionais dos 7,5 km e ainda os 1,5 km para nadadores masters, num circuito de 2,5 km, instalado na localidade de Portel.

[10 km] Angélica é a melhor de sempre

Também ainda não foi este ano que, a nível absoluto, novos nomes foram inscritos na tabela dos vencedores.

A nadadora do Fluvial Portuense, Angélica André, voltou a vencer os 10 km pela 5ª vez consecutiva, cruzando a meta com quase 4 minutos de avanço sobre a sua companheira de equipa Vânia Neves, que se sagrou vice-campeã nacional dos 10 km pela terceira vez consecutiva.

As duas mostraram, mais uma vez, que são de longe as melhores nadadoras nacionais de águas abertas, na distância olímpica, e estarão as duas, com certeza, no mundial na Hungria, em Julho.

Com esta vitória, Angélica é agora a maior vencedora de sempre na prova, ela que à partida estava empatada com a vimaranense Daniela Pinto, com 4 vitórias cada, na prova de 10 km. No cômputo das distâncias (5+10 km), Angélica também passou para a frente de Daniela com a conquista de 8 títulos “contra” 7.

A campeã nacional júnior foi, simultaneamente, a terceira classificada absoluta. Eva Carvalho da União Piedense chegou cerca de 18 minutos depois de Angélica e levou o ouro júnior e o bronze absoluto.

A fechar o pódio sénior ficou Maria João Fernandes, fazendo o pleno para o Fluvial Portuense no pódio sénior.

Ao pódio júnior feminino subiu ainda Maria Beatriz Dias, do Clube de Natação de Rio Maior, chegando 2 minutos depois de Eva Carvalho. O pódio júnior não teve ninguém na posição de bronze, uma vez que apenas Eva e Beatriz se apresentaram à partida desta exigente prova.

Pódio Sénior exclusivamente Fluvial | Foto: Facebook Angélica André

[10 km] Rafael é tri

Rafael Gil, do Sport Lisboa e Benfica, voltou a repetir a vitória das últimas duas edições. Ao contrário de Angélica, Rafael teve sempre diferentes rivais. Em 2015 conseguiu o seu primeiro título dos 10 km, vencendo Hugo Ribeiro, em 2016 foi bi-campeão nacional, vencendo o seu companheiro de equipa (na altura) Vasco Gaspar. Este ano foi tri-campeão absoluto, superiorizando-se ao júnior Tiago Campos (Clube de Natação de Rio Maior).

O resultado de Tiago Campos é absolutamente notável. Basta ter em consideração que o último júnior a conseguir ser vice-campeão absoluto foi…Rafael Gil. Foi em 2014, precisamente antes da série invicta de Gil. A diferença de Tiago para Rafael é que Tiago para a próxima época ainda é júnior.

Numa época em que os objectivos do nadador de Rio Maior seriam a presença no Europeu de Juniores de AA (mais do que confirmados nesta prova), arrisca-se a ser convocado para os Mundiais absolutos da Hungria, acompanhando o campeoníssimo nadador do Benfica.

O terceiro lugar do pódio absoluto foi para outro nadador júnior, José Carvalho, da União Piedense, batendo ao sprint os segundo e terceiro classificados seniores: Alexandre Coutinho da Columbófila Cantanhedense e Mário Bonança do Sporting.

A completar o pódio júnior ficou Diogo Marques da Columbófila Cantanhedense.

Pódio Sénior com Alexandre Coutinho, Rafael Gil e Mário Bonança | Foto: Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

[5 km] Tirado a papel químico

No sector feminino, o pódio absoluto dos 5 km foi exactamente o mesmo do pódio da prova mais comprida, ou seja, com Angélica no lugar mais alto, Vânia no lugar de prata e Eva a ficar com o bronze.

Angélica André somou o tri dos 5 km ao penta dos 10 km, aumentando o seu pecúlio para 8 títulos absolutos na soma de todas as edições dos nacionais de Águas Abertas.

Nesta prova ainda fez melhor: acompanhou os primeiros nadadores masculinos que decidiram a prova ao sprint. Mais uma grande demonstração de Angélica.

Na classificação sénior, foi Raquel Ranito (Sporting) que acompanhou as duas nadadoras do CFP no pódio, levando o bronze.

Na categoria de juniores 18-19 anos, Eva Carvalho foi a única participante, levando portanto o ouro, tal como Inês Martins (CFP) no escalão juniores 16-17 anos.

Na categoria das mais novas (Juniores 14-15 anos) houve maior competição, com 11 nadadoras, superiorizando-se por larga margem a nadadora do Clube de Natação de Rio Maior, Mafalda Rosa, ficando até muito próxima do pódio absoluto nesta que foi a sua primeira experiência num nacional de Águas Abertas. Ana Rita Queiroz (Fundação Beatriz Santos) e Letícia André (União Piedense) foram 2ª e 3ª classificadas na categoria, respectivamente.

Pódio júnior 14-15 anos | Foto: Facebook Secção de Natação CNRM

[5 km] Uma hora decidida ao sprint

Na prova mais curta, era expectável que as diferenças fossem mais curtas, mas também era expectável que os nadadores com pior ponta final tentassem partir o grupo desde início.

Assim não aconteceu e a prova foi decidida ao sprint. Ao fim de 58 minutos a nadar em alta rotação, um grupo de 8 nadadores mantinha aspirações de conquistar o título.

Mantendo a nota de destaque dos nadadores juniores nestes campeonato, José Carvalho, da União Piedense, tocou primeiro na plataforma superiorizando-se aos seniores.

Apenas um segundo e meio depois chegou Alexandre Coutinho, que melhorou um lugar em relação à prova dos 10 km.

Assim como melhorou uma posição em relação à posição absoluta dos 10 km o sportinguista Mário Bonança, que ficou com a medalha de bronze.

O pódio sénior ficou assim composto:

  1. Alexandre Coutinho (Columbófila Cantanhedense), 58:27.20
  2. Mário Bonança (Sporting), 58:27.48
  3. Rafael Gil (Benfica), 58:27.74

Ao pódio júnior 18-19 anos subiram:

  1. José Carvalho (União Piedense), 58:25.89
  2. Tiago Campos (Rio Maior), 58:28.01
  3. Diogo Marques (Columbófila Cantanhedense), 58:30.14

No pódio júnior 16-17 anos ficaram:

  1. Diogo Nunes (Fluvial Portuense), 1:01:44.90
  2. Gonçalo Bárbara (Portinado), 1:04:52.84
  3. João Branco (Aquático Pacense), 1:08:56.44

Finalmente, o pódio dos mais novos – Juniores 14-15 anos:

  1. Samson Costa (Fluvial Portuense), 1:02:49.81
  2. Ivan Amorim (Fluvial Portuense), 1:02:53.18
  3. Paulo Frota (Fundação Beatriz Santos), 1:02:53.46

Pódio absoluto 5 km | Foto: Facebook Nadadores SFUAP

[7,5 km] As melhores escolas de AA em confronto directo

A prova dos 7,5 km foi introduzida no ano passado e destina-se aos nadadores de 16/17 anos de ambos os sexos. O intuito é promover uma evolução gradual nas distâncias mais longas incentivando jovens nadadores a integrar esta vertente da natação.

A Sociedade Columbófila Cantanhedense, a União Piedense e o Fluvial Portuense são os principais clubes nacionais de referência das águas abertas [como também considera Rafael Gil na sua entrevista ao Fair Play] e os seus nadadores são presenças assíduas nos pódios absolutos.

Apesar disso, na contabilização de todos os nacionais, ainda são equipas como o Algés e o Vitória de Guimarães que surgem como os maiores vencedores a nível absoluto, mas muito se deveu aos sucessos individuais de Arsenyi Lavrentyev (Algés) e Daniela Pinto (Vitória) porque em termos de escola de águas abertas são, de facto, a SFUAP, SCC e CFP que se destacam.

Esta contextualização serviu exactamente para introduzir os resultados da prova de 7500 metros, destinada ao escalão Júnior 16-17 anos, que teve as seguintes composições dos pódios:

Masculinos:

  1. Diogo José (2001), Columbófila Cantanhedense, 1:28:22.00
  2. Diogo Nunes (2000), Fluvial Portuense, 1:28:55.80
  3. David Cristino (2001), União Piedense, 1:33:55.10

Femininos:

  1. Sara Alves (2001), Columbófila Cantanhedense, 1:34:31.40
  2. Filipa Rodrigues (2001), União Piedense, 1:41:18.70
  3. Inês Martins (2001), Fluvial Portuense, 1:41:59.40

Ou seja, neste trielo, levou a melhor a equipa de Cantanhede, com a SFUAP e o CFP a terem um “empate técnico” entre si.

Pódio Masculino dos 7,5 km | Foto: Facebook Nadadores – SFUAP

[1,5 km] Masters respondem à chamada

A natação master (escalões não competitivos acima dos 25 anos) tem cada vez mais praticantes em Portugal. Entre ex-nadadores federados a pessoas que descobriram o gosto pela natação em idades mais avançadas, encarando as provas mais ou menos a sério, o importante é o espírito de participação, convívio e partilha e o sentimento de pertença e paixão pela modalidade que estes nadadores incutem nos mais novos.

Ao apelo da Amieira, os nadadores masters responderam em força: foram 210 nadadores inscritos à partida (o que numa prova de águas abertas pode ser bastante caótico).

O vencedor já era antecipado, a partir do momento em que o campeão de 2014 dos 10 km, Hugo Ribeiro (Estrelas de S. João de Brito), que se retirou das competições recentemente, decidiu participar. Chegou com cerca de 1:15 minutos de avanço sobre José Freitas (escalão F), o segundo nadador a cruzar a linha de meta.

No sector feminino foi a nadadora do Clube de Natação do Litoral Alentejano, Susana Mateus, a primeira a chegar.


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